Prévia do material em texto
Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 128 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo EXEGESE DO SALMO 117: CARACTERES E MOTIVAÇÕES DO LOUVOR A DEUS NA POÉTICA BÍBLICA (Exegesis of Psalm 117: character and motivations of praise to God in biblical poetry) Marcos Eduardo Melo dos Santos * Mestrando em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e mestrando em Letras Clássicas pela Universidade de São Paulo (USP). RESUMO A análise literária do Sl 117, a menor unidade do saltério hebraico, revela um conteúdo teológico-espiritual de caráter messiânico de relevância e atualidade para o cristianismo e o judaísmo. O estudo do texto hebraico em sua forma final – sem excluir, contudo, informações de índole diacrônica – apresenta sob a forma típica da poética hebraica elementos que ressaltam as características do louvor a Deus. O salmo propõe uma relação espiritual “carinhosa” no louvor para com o Deus de Israel; fornece explicitamente as motivações deste elogio que se fundamenta na anamnese da misericórdia divina para com o homem; assim como na recordação da fidelidade à aliança de Javé com o Antigo Israel. Palavras-chave: Exegese; Poética Hebraica; Louvor; Salmos. ABSTRACT The literary analysis of Psalm 117, the smallest Hebrew psalter unit, reveals a theological- spiritual content of messianic character with relevance and timeliness to Christianity and Judaism. The study of the hebrew text in its final form – without excluding, however, diachronic character notes – presented in the typical Hebrew poetic form, highlight the praise characteristics. This Psalm proposes a "caring" spiritual relationship in praise to God of Israel; provides explicitly praise’s motivations is based on anaminesis of divine mercy by man, as well as in memory of fidelity to Yahweh promises to Ancient Israel. Keywords: Exegesis; Hebrew Poetry; Praise; Psalms. Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 129 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo INTRODUÇÃO O Sl 117 está contido no quinto livro de salmos; é classificado entre os salmos aleluiáticos do saltério hebraico (112-117), pois são precedidos pelo verbo no imperativo plural haleluiah, que significa louvai a Deus. Nota-se que o verbo הלל é conjugado no plural a fim de ressaltar o caráter congregacional do louvor 1 , ou seja, implica que toda comunidade é chamada a elogiar a divindade. Como gênero literário, nota-se claramente que se trata de um hino de louvor. Não consta no texto hebraico marcação específica acerca da autoria, uso ou acompanhamento instrumental como ocorre em outros salmos. Embora alguns manuscritos, como veremos, apresentem o Sl 117 anexado aos salmos contíguos, seu estilo poético e sua unidade temática fazem crer que de fato seja um salmo independente, cuja finalidade de cântico de louvor seria própria a um texto litúrgico característicos daqueles contidos no Grande Halel 2 . O Sl 117 era usado no rito da Pessach. Já antes do exílio, os salmos 112-117 costumavam ser recitados no Templo na festividade da Páscoa que reunia os habitantes de Jerusalém e atraía os judeus dispersos pelas regiões circunvizinhas de Israel, especialmente, da região do Crescente Fértil 3 . O Halel era entoado na ceia pascal, na qual se servia o cordeiro acompanhado de ervas amargas, pães ázimos, molho e vinho, em comemoração à libertação da servidão no Egito seguindo a hipótese de que a concepção histórica de Pessach já fosse clara no pré-exílio. O ambiente era familiar, reflexo da arraigada concepção que Israel possuía de sua tradição patriarcal, e por outro lado, da importância da família numa sociedade como a hebraica. Os três primeiros salmos do Halel costumam ser recitados antes da refeição; os demais, ao final. O Sl 117 desfechava a ceia pascal e era seguido do quarto e último cálice de vinho. Com ele encerrava-se uma das mais solenes celebrações do judaísmo, que segundo os comentaristas de Navarra, “representa o ponto culminante no grupo de salmos do Halel. É como uma ampliação do ‘aleluia’ final que se vem repetindo nos Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 130 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo salmos anteriores” 4 . O Sl 117 também é recitado nos dias subsequentes da Pessach e no rosh chodesh, o primeiro dia do mês, fazendo parte do Halel parcial. Quanto à discutida análise diacrônica do salmo contemplado, deve-se ressaltar que o menor capítulo da bíblia, com dois versos e dezesseis palavras, segundo a teoria documentária ou das quatro tradições ou redações, 5 estaria contido na segunda coleção javista do saltério. E de fato, nas duas vezes em que se cita o nome de Deus, usa-se o tetragrama sagrado (יהוה). Como possível parte da tradição javista, o pequeno texto de apenas dois versículos poderia ser considerado como integrante da mais antiga fonte ou tradição de textos escriturísticos 6 . Embora a cronologia de redação dos salmos seja largamente discutida entre os críticos, os quais o situam num período que pode variar mais provavelmente desde a monarquia (século IX a. C.) até o período de governo da Dinastia Asmoneia (século II a. C.), poder-se-ia conjecturar com base nas duas citações do nome de Javé que o Sl 117 poderia ser mais provavelmente anterior ao Exílio 7 . No entanto, deve-se recordar que o Sl 117 está contido no quinto livro de salmos. Este grupo de hinos é considerado como o mais recente entre todos os cinco subconjuntos do saltério. Além disso, há a ocorrência do hapax aramaico shabbehu que indica uma data de composição posterior à estadia de Israel na Babilônia (598-537 a.C.), época na qual o aramaico, língua dos babilônios, passou a ser usado correntemente pelo povo de Israel no lugar do hebreu que se tornou restrito ao uso litúrgico. À época do Segundo Templo também é atribuída a hipótese da inclusão em vários salmos, especialmente do conjunto do Grande Halel, da expressão ָּהַלְלוּיה. 8 A escola exegética de Salamanca entende o Sl 117 como originário dessa época tardia 9 . Destarte, também no menor de todos os salmos percebe-se o problema da cronologia da redação do saltério como uma incógnita para a crítica literária. E de fato, concluem os exegetas jesuítas: “o autor e a ocasião são desconhecidos” 10 . Desse modo, o presente artigo, de índole sincrônica, se atém à consideração da forma final do texto, abstendo-se Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 131 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo das discussões sobre a formação do texto na medida em que extrapolam os limites do presente artigo. 1. TEXTO HEBRAICO v. 1a ִהַלְלוּ אֶת יהְוָה כָל גּוֹים v. 1b שַבְחוּהוּ כָל הָאֻמִים. v. 2a ֹכִי גָבַר עָלֵינוּ חַסְדּו v. 2b ָּוֶאֱמֶת יהְוָה לְעוֹלָם הַלְלוּ יה. 2. TRADUÇÃO PORTUGUESA v. 1a Louvai ao Senhor todas as nações, v. 1b Louvai todos os povos, v. 2a pois a sua misericórdia se tornou forte para conosco v. 2b e a fidelidade do Senhor é eterna. Aleluia. 3. CRÍTICA TEXTUAL Os limites dos salmos do Halel (112-117), em alguns manuscritos hebraicos, flutuam na tradição. Segundo o aparato crítico da quinta edição da Bíblia Hebraica Stutgartensia, há muitos manuscritos nos quais o Sl 117 é apresentado como o vigésimo e vigésimo primeiro versículo do Sl 116, ou ainda, como o versículo 19a do Sl 116. Essa ocorrência Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 132 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo fez com que alguns exegetas considerassem o Sl 117 como parteconcluinte do salmo precedente. A leitura dos dois salmos, o ritmo frasal e a temática presente nos textos poderiam corroborar essa opinião. Schökel e Carniti se perguntam, se por ventura, o Sl 117 não seria apenas parte de outro salmo, ou ainda uma simples antífona, ou ainda, um esquema para o rabino desenvolver livremente durante a congregação dos fieis 11 . No entanto, a maioria dos exegetas, e inclusive a edição crítica de Sttutgart preferem defender a plena autonomia do salmo em relação aos demais salmos adjacentes, embora se reconheça a própria subsistência do Sl 117, não nega sua aparência de estribilho ou doxologia, ao modo do Gloria Patri. Outra variante encontrada nos manuscritos está na inserção da preposição ל no lugar do atigo ה, tornando o substantivo plural povos objeto indireto do verbo ּשַבְחוּהו. v. 1b Biblia Hebraica Stuttgartensia Alguns Códices Hebraicos .לְאֻמִיםשַבְחוּהוּ כָל .שַבְחוּהוּ כָל הָאֻמִים Louvai todos os povos Louvai todos entre os povos Dessa forma estão em paralelo as expressões הָאֻמִים e לְאֻמִים. O sentido básico da preposição ְל é espacial: “a preposição pode marcar posição dentro de ou em um ponto”. Admite-se “o lamed ‘objeto indireto’ que marca o chamado dativo de alvo”. 12 Tomando em consideração a variação de sentidos no uso da preposição, a tradução da variante poderia ser feita de dois modos: 1. Louvai-o todos entre os povos. 2. Louvai-o todos para os povos. Ao longo do artigo, o leitor notará a interpretação dos autores nesses dois sentidos. Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 133 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo 4. ANÁLISE ESTILÍSTICA O primeiro elemento literário presente no Sl 117 a ser considerado seria o quiasmo com o verbo הלל presente no início do primeiro versículo e no final do último versículo. Os dois versículos do Sl 117 contêm em seus hemistíquios uma característica marcante da poesia judaica: o paralelismo sinonímico 13 , que assume no presente contexto caracteres internos e perfeitos 14 . Esses paralelismos se dão com as palavras כָל ,הַלְל e יהְוָה, todos com uma ocorrência duplicada. Há um paralelismo semântico com as expressões correspondentes ao verbo louvar (ּהַלְלו e ּשַבְחוּהו) e ao substantivo povos (ִגּוֹים e הָאֻמִים). Em ambos versículos ocorre uma repetição da ideia presente no primeiro hemistíquio porém com a variação terminológica. Por outro lado, embora a poesia sapiencial do Antigo Testamento difira quase completamente de sua homóloga greco-romana clássica, o número de sílabas fortes do verso confere a beleza literária e o tom poético característico da poesia bíblica. É essa acentuação que marca o que os exegetas denominaram como ritmo do versículo. No v. 1, usa-se a famosa qina (3 + 2) que chamada de “lamentação”, a qual confere à entonação um tom de tristeza e ocorre geralmente nas composições elegíacas 15 . No v. 2 ocorre o ritmo terno duplo (3 + 3), de caráter longo e solene. O ritmo do salmo denota algo do espírito com o qual o salmo era entoado e pode refletir algo da intenção do autor, tal como se observará no comentário de Agostinho que será citado no presente artigo. 5. INTERPRETAÇÃO v. 1a. Louvai ao Senhor todas as nações Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 134 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo O Sl 117 se inicia com o imperativo plural de convite louvai (ּהַלְלו). A expressão exprime o objetivo dos salmos aleluiáticos que visam louvar, elogiar, enaltecer, e lisonjear o Senhor. O ouvinte-leitor é, em última análise, motivado a reconhecer a divindade como seu Deus exaltando os atributos absolutos do Senhor 16 . Já na primeira palavra do salmo, nota-se o caráter comunitário inerente ao louvor inspirado pelas tradições bíblicas. O verbo é transcrito no plural a fim de convidar uma comunidade, e mais que uma comunidade, todas as nações, a aclamar o amor-fiel do Senhor para com o seu povo. Nota-se no primeiro versículo um paralelismo quase perfeito entre os dois hemistíquios. A única expressão repetida literalmente seria o adjetivo כָל, que ocorre duas vezes. Há o triplo paralelismo semântico entre as duas ocorrências do verbo הלל e o verbo ּשַבְחוּהו que significam louvar, sendo que esta segunda expressão implica um nuance especial, como há de ser considerado. Outro paralelismo semântico seriam os substantivos ִגּוֹים e que fazem parte do campo semântico de povo, nação ou país. Esses paralelismos ,הָאֻמִים denotam uma ênfase na ideia de que todos os povos são chamados a louvar a Deus. As repetições, na poética bíblica, têm a finalidade de enfatizar a mensagem objetivada. A tradução dos termos ִגּוֹים e הָאֻמִים como povos ou nações é, muita vezes, realizada indistintamente para os vernáculos. Essa prática pode empobrecer alguns caracteres da poética hebraica como as repetições com o número simbólico das ocorrências ou ainda a ênfase visada pelos paralelismos literais e semânticos. Ademais, além de em v. 1b, a raiz אֻמִה ocorre somente mais duas vezes na Bíblia Hebraica (Gn 25,16; Nm 25,15). Em ambas as referências, fala-se claramente dos povos pagãos. O termo hebraico goim, cuja raiz é גוי foi atribuído pelos escritores aos povos estrangeiros em relação ao reino de Israel. Segundo Schökel, pode ser sinônimo de am ”especialmente nos salmos“ ,(עם) 17 . Leal opina que os dois termos denotam um significado distinto: goim equivaleria a todos os povos com exceção de Israel e ummim significaria mais a variedade entre essas nações. 18 Essa distinção não é muito clara e carece de fundamento devido o uso da palavra na aliança feita com Abraão. Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 135 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo É certo, porém, que o termo também pode ter um significado qualitativo negativo: gentio, pagão, e com frequência opõe-se a עם, enquanto povo eleito. O uso dos termos no v.1 pode ser enfático, ou seja, evocam-se todos os povos sem qualquer (הָאֻמִים e גּוֹיםִ) possibilidade de exceção. A variação entre הָאֻמִים e לְאֻמִים sugerem algumas considerações ao nível gramatical e com possíveis consequências sobre a interpretação do salmo. No v. 1, o termo goim apresenta-se em perfeito paralelismo com haumim. Da mesma forma denota-se o paralelismo semelhante com as duas citações do tetragrama divino. Essa característica da poesia hebraica procura deixar claro a temática principal do Sl 117: as relações de Deus com os povos e mais especialmente “sua interação salvífica na história de Israel constitui o paradigma da realização dos desígnios divinos em todos os povos” 19 . A preposição ל transforma o complemento verbal em objeto indireto correspondente muitas vezes ao caso dativo das línguas flexivas com casos gramaticais. Dessa forma, pode haver uma alteração na interpretação do texto que pode ser entendido como Louvai ao Senhor diante de todas as nações ou Louvai ao Senhor para todas as nações. Por conseguinte, o salmo não pretenderia ser somente um convite de louvor sugerido a todos os povos, mas também um convite à assembleia hebraica de elogiar o Senhor diante das nações. Esse elogio pode englobar o proselitismo entre os estrangeiros. Além de uma ampliação do conteúdo messiânico, essa variante torna o texto mais harmonizado, uma vez que se evitaria a repetição da ideia inicial já exposta no primeiro hemistíquio do v. 1. No entanto, deve-se ressaltar que a edição crítica de Stuttgart preferiu a leitura difficilius e mais simples de forma que se preferiu optar pela tradução: Louvai-o todos os povos. Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 136http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo 5.1. O LOUVOR COM CARÍCIAS DELICADAS v. 1b. Louvai todos os povos. O segundo hemistíquio do primeiro versículo se inicia “no piel imperativo”: ּשַבְחוּהו. Nos salmos essa raiz verbal ocorre quatro vezes no piel (Sl 63,4; 117,1; 145,4; 147,12) e uma vez no hitpiel (106,47). Como aparece também no Eclesiastes (Qoelet) totalizando oito ocorrências na bíblia hebraica (Ec 4,2; 8,15). Geralmente é traduzido por louvar 20 . Mais do que ressaltar as hipóteses fornecidas pelos autores que exploram o aspecto diacrônico, o verbo imperativo ּשַבְחוּהו propõe uma ideia de complexa tradução para o vernáculo. A raiz do verbo abrange o campo semântico do verbo louvar, aclamar ou glorificar e compartilha a mesma raiz de verbos que significam acalmar e apaziguar (cf. Pr 29,11). Caso se admita a hipótese de que a expressão seja de fato um aramaísmo, shabbehuhu significa “acariciai delicadamente”, “dizei louvores” a Javé 21 . Acariciar compreende uma relação de carinho, que presume um afeto que transborda do coração para atos corporais. O louvor a Deus exige de um lado essa afetividade interior, esse sentimento que transborda em carícia e que redunda em atos característicos de sentimento. Dessa forma, para exprimir por completo o sentido proposto pelo verbo hebraico seria necessário o uso de uma locução adverbial com carinho, pois, até o presente momento, não foi localizado uma expressão em português inteiramente equivalente ao imperativo .שַבְחוּהוּ 5.2. MOTIVAÇÕES DO LOUVOR Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 137 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo v. 2a. pois a sua misericórdia se tornou forte para conosco No v. 2, o texto hebraico do Sl 117 sugere com a conjunção explicativa כִי, que Schökel e Carniti denominam como “partícula causal, motivo de louvor” 22 , as motivações pelas quais todos os povos sejam convidados a louvar o Senhor e a elogiá-lo com carinho. Explorando o sentido duplo que algumas variantes textuais sugerem, pode-se dizer ainda da razão para que a comunidade litúrgica elogie o senhor diante de todos os povos em testemunho de sua misericórdia para com o povo hebreu e da sua fidelidade para com a aliança pré-estabelecida com o povo Eleito. A análise dos termos hebraicos sugere alguns matizes relevantes dessa motivação com o uso do adjetivo גָבַר que é aplicado à hendíadis חַסְדּוֹ וֶאֱמֶת. Ambas expressões implicam um complexo significado para a teologia bíblica. Segundo Schökel, a expressão gavar (גָבַר) está no mesmo campo semântico de “força, poder em suas diversas manifestações: varão (sexo forte), soldado (forças armadas, valor, valentia; senhor; senhora” 23 . A expressão reflete o estereótipo de que o sexo masculino reflete a ideia de força, eficácia, robustez e pragmatismo. As vulgatas traduzem com o particípio confirmata e confortata, que estabelece uma adjetivação de firmeza e força. Ambas formas de traduzir parecem visar o realce de uma misericórdia robusta, inabalável, invencível para o termo hebraico gavar. O texto hebraico relembra que a misericórdia divina é forte, pois faz justiça em favor do oprimido, não titubeia em agir, é, portanto, eficaz, incisiva, ativa. Eis a razão para que Israel não hesite em louvar o Senhor, em louvá-lo diante de todas as nações, e sobretudo, em convidar todos os povos para louvar a Deus. No Sl 117, דחס forma a célebre hendíadis ֹוֶאֱמֶת-חַסְדּו . Essa frase ocorre 25 vezes com aproximadamente sete outras numa relação menos próxima entre as duas palavras 24 . Além disso, como é característico da ocorrência dessa locução no contexto litúrgico (Sl 106,1; 17,1; 118,1.29; 136; Esd 3,11; 1Cr 16,34; 2Cr 5,13), está associada ao advérbio de tempo לְעוֹלָם que pode ser traduzido como eternamente ou permanente. Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 138 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo A raiz hebraica חסד, segundo Schökel, engloba em seu campo semântico dois significados essenciais: ultraje como em Pr 25,10 e misericórdia como no Sl 117. A diferença está no uso das vogais ָָ e ֶָ . Com essa marcação, o termo apresenta dois significados fundamentais: misericórdia, que salienta o aspecto gratuito de benevolência; lealdade, que ressalta o compromisso. Frequentemente o significado não está diferenciado; ou os dois aspectos se sobrepõem; ou a distinção é duvidosa. O compromisso pode ter base natural (família) ou positiva (aliança) 25 . No Sl 117, a expressão é apresentada com o sufixo do possessivo da terceira pessoa e aparenta a sobreposição de significados apresentado por Schökel, no sentido de (חַסְדּוֹ) que tanto lealdade, quanto misericórdia, seriam apropriados ao Senhor no contexto do salmo. Nota-se ainda que o compromisso tem base positiva, pois relembra a aliança do Senhor com o seu povo. É um amor que não se rompe, pois é pactual e unilateral. É um contrato estabelecido por Deus que não pode ser dissolvido pelo homem. É um amor descendente que equivale em certo aspecto à expressão misericórdia. Ademais, nota-se o adjetivo gavar que intensifica e sublinha a intensidade desse sentimento em Deus. A maioria dos exegetas atuais usa o binômio misericórdia/fidelidade, para a “clássica hendíadis ‘lealdade e fidelidade’”. 26 Ao relembrar a fidelidade eterna de Javé, a tradição judaica quer provar primeiramente ao povo hebreu, e, por consequência, aos demais povos, que o louvor a Deus se justifica pelos grandiosos benefícios realizados por Deus ao longo da história do povo eleito em correspondência à Aliança entre o Senhor e os Patriarcas. Deus foi fiel ao povo, fiel às suas dores, fiel à promessa, fiel a si mesmo. Sem descrever essas maravilhas, o salmo subentende as narrativas biográficas de Abraão e seus descendes, a libertação da escravidão do Egito e a constituição de uma gloriosa nação dos bons tempos monárquicos como argumento válido para a atração dos demais povos ao louvor cheio de carinho para com o verdadeiro Deus. Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 139 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo A fidelidade de Deus para com o seu povo não é restrita a Israel, mas é benignidade disponível a todos os povos desde que se voltem para Deus eternamente fiel, e nesse sentido veraz, verdadeiro. É o que comenta na perspectiva antropológica do judaísmo Wolf, As obras de Deus que o homem examina falam uma linguagem que o estimula a cantar um hino. Dessa forma, conhecimentos incompletos chegam a constituir no louvor uma unidade e totalidade junto com os mistérios ainda inexplorados, que ameaçam continuamente os conhecimentos mais fundados 27 . 5.3. LEALDADE PERMANECE ETERNAMENTE v. 2b e eterna é a fidelidade do Senhor. Aleluia. Finalmente, a expressão pela eternidade reflete juntamente com outras expressões como todas as nações e forte os atributos absolutos atribuídos a Deus. Eterno significa que é imperecível, indestrutível, inabalável. Mais uma vez ressalta-se esse amor fiel de Deus em relação ao povo. 28 A razão para louvar a Deus é justificada pela intensidade da misericórdia e da fidelidade divina, mas também pela duração eterna dessa hendíadis. Dessa forma, o salmo explica três dimensões da misericórdia e da fidelidade do Senhor: espacial, temporal e modal. Ela é onipresente, pois abrange todas as nações, todos os locais; ela é eterna, portanto, nem o tempo pode diminuir sua intensidade e sua abrangência espacial; ela é intensa, ou seja, é forte, grande, eficaz. 29 6. AS RELAÇÕES DE DEUS COM OS GOIM A relação de Deus com as nações introduzida no Sl 117 merece ser aprofundada com a sistematização das ocorrênciasdo termo ִגּוֹים em outros trechos da bíblia. Quais as linhas Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 140 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo gerais dos planos e ações divinas para com uma nação? A tradição judaica afirma em diversos trechos que tal como na vida individual dos homens, Deus age na história dos povos, porque é Ele quem os conforma, faz crescer, glorifica, pune, aniquila e salva 30 . A tradição hebraica se refere claramente a esta ação divina que, se por um lado parece demasiado discreta, e por outro eficiente, a ponto do salmista exclamar: “Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus, e o povo que ele escolheu para sua herança” (Sl 33,12). Assim, Deus reserva desígnios a certas nações como sentencia o Livro do Êxodo, referindo-se a Israel: “Mas de ti farei uma grande nação” (Ex 32,10). Por outro lado, o livro dos Provérbios salienta que, pelo simples fato de praticar a justiça, in genere, um povo é cumulado de prosperidade: “A justiça enaltece uma nação; o pecado é a vergonha dos povos” (Pr 14,34). Essa prosperidade material parece fundamentar-se na ordem social originária da prática dos mandamentos refletida na noção de áurea mediocridade característica da sabedoria judaica. Entre os diversos gêneros da Escritura, a literatura profética do Antigo Testamento é a mais eloquente a respeito da vocação divina específica destinada a cada um dos povos. Abdias tem como tema principal de sua mensagem as nações (cf. Abd 1,1-2.15-16). Em Ageu, tal aspecto é preponderante (cf. Ag 2,7.22). O Profeta Isaías identifica a glorificação de Deus com a grandeza de um povo escolhido: “Aumentai a nação, Senhor, aumentai a nação, manifestai vossa grandeza, e dilatai as fronteiras da nação” (Is 26,15). Ademais, a tradição bíblica ensina que é Deus quem conforma as nações, ainda que de matéria imprevisível pelos cálculos humanos: “Do menor nascerá toda uma tribo, e do mínimo, uma nação poderosa, sou eu, o Senhor, que em tempo oportuno realizarei essas coisas” (Is 60,22); ou ainda em Miquéias: “dos estropiados farei um resto, dos afastados, uma nação robusta” (Mq 4,7). Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 141 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo Tal como os homens, também as nações são sujeitos a seguir ou não o plano divino, conforme recorda Jeremias: “Esta é a nação que não escuta a voz do Senhor, seu Deus, e não aceita suas advertências” (Jr 7,28). A exegese bíblica atesta claramente que uma nação pode ser considerada ímpia (cf. Sl 42,1), ou santa (cf. 1Pd 2,9), e portanto, capazes de responsabilidade moral: “a nação procedeu mal para com o Senhor” (Os 1,2). Em face dessa culpabilidade moral, a predileção de Deus pode estabelecer corretivos à nação, ainda que especialmente eleita. Em conformidade com Amós, Baruc e Jeremias, Isaias (cf. Is 1,4-10) ensina que Deus pode convocar outras nações para reparar a justiça e conduzir um povo às sendas da retidão (cf. Is 5,26; 18,2.7; Jr 5,15; 6,22; Br 3,4; Am 6,14). Tendo como pressuposto as referências Bíblicas e, pode-se conjecturar que assim como ocorre aos homens pecadores, os ditames da justiça divina são também aplicados às nações, mas o prêmio e o castigo destas não podem ser dados na eternidade, ou seja, no Céu ou no Inferno, mesmo porque a tradição hebraica é obscura ao tratar do além, especialmente se compararmos ao panorama aberto no Novo Testamento. Na tradição judaica, as nações seriam premiadas ou castigadas nessa Terra, porque elas são consideradas como entes sujeitos a juízos morais. Por essa razão, os profetas, entre os quais Amós, ameaçaram o povo de Israel com os castigos divinos: “Deus suscitará contra vós uma nação que vos oprimirá desde a entrada de Hamat até à torrente da planície” (Am 6,14). Isto se deve pelo fato de que a grandeza de uma nação está relacionada segundo a tradição judaica com o serviço de Deus: “Porque a nação ou o reino que recusar servir-te perecerá, e sua terra será devastada” (Is 60,12). No entanto, a justiça divina está disposta a perdoar uma nação pecadora: “Mas se essa nação, contra a qual me pronunciei, se afastar do mal que cometeu, arrependo-me da punição com que resolvera castigá-la” (Jr 18,8-9). No Novo Testamento, o autor dos Atos dos Apóstolos apresenta, no derradeiro discurso de Estevão diante do sinédrio, a mesma doutrina veterotestamentária, ao defender que Deus julgará a nação. Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 142 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo No Apocalipse, o tema das nações também ocorre. Após discorrer sobre o dragão, a mulher, a rameira, as testemunhas de Deus, a besta e o Cordeiro, assim como o desfecho do drama apocalíptico, as nações objeto de juízos morais geralmente negativos (cf. Ap 14,8 20,3.8). As nações são chamadas a reconhecer o Senhor como “Rei das nações” (Ap 3,4). O vidente de Patmos dá a entender que mesmo após o juízo final, onde as pessoas serão separadas entre bons e maus, ainda permaneceria a distinção sensível entre as nações e as línguas (cf. Ap 21,24-46). Em suma, enquanto o Antigo Testamento em geral se delimitava a afirmar a vocação especialíssima de Israel, enquanto descendente de Abraão destinado a ser o Povo Eleito, receptáculo da revelação, que realizará a promessa messiânica. No Novo Testamento, Israel seria o povo escolhido para acolher o Verbo Encarnado. Depois de Cristo, o novo Povo de Deus se identifica com a Igreja, a descendente espiritual dos primeiros patriarcas hebreus (1 Ped. 2, 9-10, Lumen Gentium, 9 e 13). Além disso, a teologia bíblica, tanto com base no Antigo, quanto fundamentada no Novo Testamento, revela a existência do chamado específico dos povos no tempo e no lugar, assim como, na mente divina. Esse chamado pode ser seguido ou negado e implica consequências temporais. Por outro lado, Deus intervém na história a fim de efetivas seus desígnios de amor. 7. PERSPECTIVA TEOLÓGICO-ESPIRITUAL A análise literária do Sl 117, a menor unidade do saltério hebraico, revela um conteúdo teológico-espiritual de caráter messiânico de relevância e atualidade para o cristianismo e o judaísmo. O salmo, como um hino litúrgico, propõe uma relação espiritual “carinhosa” no louvor para com o Deus de Israel; fornece explicitamente as motivações deste elogio que se fundamenta na anamnese da misericórdia divina para com o homem; assim como na recordação da fidelidade às promessas de Javé ao Antigo Israel. Esse louvor, por fim, deve ser comunitário, universal, que reúne todas as nações numa Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 143 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo perspectiva teológica messiânica com consequências práticas sobre a espiritualidade e a pastoral ecumênica. Destarte, o salmo explica três dimensões da misericórdia e da fidelidade do Senhor: espacial, temporal e modal. Ela é onipresente, pois se direciona a todas as nações, todos os povos; ela é eterna, portanto, nem o tempo pode limitá-la; ela é intensa, ou seja, ressalta-se sua eficácia. A misericórdia divina supera os pecados do povo e acompanha Israel ao longo de toda sua história de libertação 31 . É uma misericórdia inabalável, porque esta fundamentada sobre um atributo imutável de Deus, a misericórdia. Eis um motivo para que todos os povos se reúnam nesse imenso coro de louvor ao Senhor, o Deus misericordioso dos hebreus que se faz o Deus misericordioso também para com os gentios já na antiga tradição hebraica. A respeito dessa teologia espiritual sugerida pelo texto contemplado, arranca-se de Schökel e Carniti a exclamação: “quanta espiritualidade aberta e expansivainspirou esse minúsculo salmo” 32 . Por outro lado, nota-se que a noção de pecado e o sofrimento da consciência eram por vezes muito acentuados nas religiões antigas orientais. Diversas formas religiosas em todos os tempos, transmitiram sentimentos humanos de impureza e indignidade diante da altíssima transcendência da divindade. A misericórdia inabalável do Senhor transborda esse abismo de miséria moral, e se faz junto ao homem, convidando-o para louvá-lo, especialmente nos tempos aparentemente rudes do Antigo Testamento, onde a misericórdia não poderia ser obtida senão após o cumprimento de complexos e patéticos rituais como as libações, oferendas, penitências e holocaustos. Em conformidade com a tradição messiânica de vários textos escriturísticos veterotestamentários, o Sl 117, sem excluir o desejo da supremacia de Israel sobre todos os povos como unificador da universalidade 33 , denota também aquele desejo de expansão do conhecimento de Deus, que para os cristãos traduz-se em um convite premente à evangelização, talvez ainda mais urgente nesse começo de milênio 34 . Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 144 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo Ademais, o Sl 117 convida à unidade; o trecho é utilizado por Paulo e Agostinho, em seus Comentários aos Salmos, como argumento escriturístico para a defesa do princípio da universalidade da vocação eclesial para a οἰκουμένη. Literal e explicitamente citado nos escritos paulinos, a mensagem teológica do Sl 117 é um estímulo cheio de alegria e esperança para a união entre todos os povos, que são chamados a louvar a Deus ao modo aramaico do verbo shabbehuhu, ou seja, um louvor que acaricia, com demonstrações físicas de afeto, que chamamos de carinho, ou seja, um louvor embebido de amor, em razão da misericórdia forte, varonil e inabalável do Senhor e da sua fidelidade eterna a uma aliança que também é eterna. BIBLIOGRAFIA AGOSTINHO. Comentários aos Salmos (Enarrationes in Psalmos). São Paulo: Paulus, 1998. BROWN, Raymond; FITZMYER, Joseph; MURPHY, Roland. São Jerônimo. Novo comentário Bíblico. São Paulo: Paulus, 2007, p. 1075. (Comentário ao Sl 117). BIBLIA HEBRAICA STUTTGARTENSIA. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 2005. CASCIARO, José María (org.). Libros poéticos y sapienciales. Traducción y notas. 2ª Ed. Pamplona: EUNSA, 2005. CHRYSOSTOME. Sur Psaumes. In: Tehe Complete Works of Saint John Chrysostom. CIMOSA. M. Voc. Pueblo/Pueblos. In: RAVASI, G. ROSSANO, GHIRLANDA, P. Nuevo diccionario de Teología Bíblica. 2ª Ed. Barcelona: Centro Iberoamericano de Editores Paulinos (CIDEP): N. 2673-2700. CORDERO, Maximiliano García (org.). Biblia Comentada. Profesores de Salamanca. Sapienciales. Madrid: BAC, 1967. Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 145 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo FOHRER, Georg. Estruturas teológicas fundamentais do Antigo Testamento. Traduzido por Álvaro Cunha. São Paulo: Paulinas, 1982. GLUECK, Nelson. Hesed in the Bible. Traduzido por Alfred Gottschalsk. Hebrew Union College Press, 2011. JENNI, Ernst; WESTERMANN, Claus. Theologisches Handbuch zum Alten Testament. Münich: Herder, 1976. V. 1. LAWSON, Steven J. Psalms 76-150. Holman Old Testament Commentary. Nashville: Broadman & Holman Publishers, 2006. LEAL, Juan. (Org.) Los Salmos y los Libros salomónicos comentados por los profesores de La Compañía de Jesús. Texto y comentario. Madrid: BAC, 1969. LISOWSKY, Gerhard. Konkordanz zum Hebräische Alten Testament. Stuttgatt: Deutsche Bibelgesellschaft, 1993. MURPHY, Roland. Jó e salmos. Encontro e conforto com Deus. Traduzido por L. Ferreira, São Paulo, 1977. ROSE, Martin. Os salmos: In: RÖMER, Thomas; MACCHI, Jean-Daniel; NIHAN, Christophe (Org.). Antigo Testamento. História, escritura e teologia. Traduzido por Gilmar Ribeiro. São Paulo: Loyola, 2004. p. 596. ROSS, Allen P. A Commentary on the Psalms. II. Kregel: Kregel Exegetical Library, 2011. SCHÖKEL, Luis Alonso; CARNITI, Cecília. Salmos II (salmos 73-150). Tradução, introdução e comentário. São Paulo: Paulus, 1998. SCHÖKEL, Luis Alonso. Dicionário Bíblico Hebraico-Português. 3ª Ed. São Paulo: Paulus, 2004. SELLIN, Ernest; FOHRER. G. Introdução ao Antigo Testamento. Traduzido por Mateus Rocha. São Paulo: Academia Cristã, 2007. STADELMANN, Luís. Os Salmos: comentário e oração. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 146 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo WALTKE, Bruce K.; HOUSTON, James M. The psalms as Christian Worship. Cambridge: Eerdmans Publishing, 2010. WALTKE, Bruce K.; O'CONNOR, M. Introdução à sintaxe do hebraico bíblico. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. WEISER, Artur. The Psalms: A Commentary. Translated by Herbert Hartwell. The Old Testament Library. Louisville: John Knox Press, 1965. WOLF, Han Walter. Antropología del antiguo testamento. Traduzido por Severiano Tovar. Salamanca: Sígueme 1975. VOGT, Enerst. Os salmos. Traduzidos e explicados. São Paulo: Liga de estudos bíblicos, 1951. Notas * Mestrando em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e mestrando em Letras Clássicas pela Universidade de São Paulo (USP). Participa dos grupos de pesquisa As dimensões proféticas da religião do Antigo Israel e República das Letras. 1 JENNI, Ernst; WESTERMANN, Claus. Theologisches Handbuch zum Alten Testament, 1976, p. 493- 501. 2 WEISER, Artur. The Psalms: A Commentary, 1965, p. 721-722. 3 VOGT, Ernest. Os salmos. Traduzidos e explicados, p. 6. 4 CASCIARO, José María (org.) Libros poéticos y sapienciales. Traducción y notas, 2005, p. 519. 5 Cf. PURY, A. O Pentateuco em questão. PetrópolisÇ 1996. P. 15-85; ZENGER, E. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2003. p. 81-88. 6 SELLIN, Ernest; FOHRER. G. Introdução ao Antigo Testamento, 2007, p. 212. 7 Outra característica que pode corroborar com a opinião de que o Sl 117 estaria contido entre os salmos de maior antiguidade, seria o uso litúrgico para o qual se destinou desde tempos imemoriais o conjunto de salmos denominado como Grande Halel (112-117) entre os quais o presente salmo se situa como o louvor final. A alteração desse texto não seria vista com bons olhos pelo povo judaico, eminentemente arraigado às tradições mais antigas. E de fato, o Grande Halel é o grupo de textos litúrgicos mais sagrados da tradição judaica, pois era recitado durante as solenidades mais importantes do calendário hebreu, a saber, a páscoa, o pentecostes, e a festa dos tabernáculos. 8 WALTKE, Bruce K.; HOUSTON, James M. The psalms as Christian Worship, 2010, p. 22. 9 CORDERO, Maximiliano García (org.). Bíblia Comentada. Profesores de Salamanca. Sapienciales, 1967, p. 602. 10 LEAL, Juan. (Org.) Los Salmos y los Libros salomónicos comentados por los profesores de La Compañía de Jesús. Texto y comentario, 1969, p. 363. 11 SCHÖKEL, Luis Alonso; CARNITI, Cecília. Salmos II (salmos 73-150). Tradução, introdução e comentário, 1998. p. 1406. 12 Cf. WALTKE, Bruce K.; O'CONNOR, M. Introdução à sintaxe do hebraico bíblico. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 205-206.208. Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, jul/dez, 2014, p. 128-147. 147 http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo 13 SCHÖKEL, Luis Alonso; CARNITI, Cecília. Salmos II (salmos 73-150) Tradução, introdução e comentário. São Paulo: Paulus, 1998. p. 1406. 14 CASCIARO, José María (org.) Libros poéticosy sapienciales. Traducción y notas. 2 ed. Pamplona: EUNSA. 2005. p. 519. 15 LEAL, Juan. (Org.) Los Salmos y los Libros salomónicos… p. 363. 16 BROWN, Raymond; FITZMYER, Joseph; MURPHY, Roland. (Editores). Novo comentário Bíblico São Jerônimo. São Paulo: Paulus, 2007. p. 1075. (Comentário ao Sl 117). 17 SCHÖKEL. Dicionário Bíblico Hebraico-Português, p. 134. Voz גוי. 18 Cf. LEAL, Juan (org.). Los Salmos y los Libros salomônicos, p. 363. 19 Cf. STADELMANN, Luís. Os Salmos: comentario e oração, 2000, p. 575. 20 LISOWSKY, Gerhard. Konkordanz zum Hebräische Alten Testament. Stuttgatt: Deutsche Bibelgesellschaft, 1993, p. 1396. Voz שבח. 21 Cf. LEAL, Juan. (Org.) Los Salmos y los Libros salomónicos comentados por los profesores de La Compañía de Jesús. Texto y comentario, 1969, p. 363. 22 SCHÖKEL, Luis Alonso; CARNITI, Cecília. Salmos II (salmos 73-150). Tradução, introdução e comentário, 1998, p. 1406. 23 SCHÖKEL, Luis Alonso. Dicionário Bíblico Hebraico-Português, 2004, p. 128. Voz גבר. 24 Cf. GLUECK, Nelson. Hesed in the Bible, 2011. 118 p. 25 SCHÖKEL, Luis Alonso. Dicionário Bíblico Hebraico-Português, 2004, p. 235. Voz חסד. 26 SCHÖKEL, Luis Alonso; CARNITI, Cecília. Salmos II (salmos 73-150) Tradução, introdução e comentário. São Paulo: Paulus, 1998. p. 1406. 27 WOLF, Han Walter. Antropología del antiguo testamento. Trad. Severiano Tovar. Salamanca: Sígueme 1975. . p. 298. 28 LAWSON, Steven J. Psalms 76-150, 2006, p. 225. 29 Deve-se mencionar a pequena divergência de tradução entre as duas Vulgatas. O termo le’olam havia sido traduzido por São Jerônimo como in saeculum, em português, pelos séculos, mas a Nova Vulgata preferiu usar in aeternum, que ao ver dos especialistas seria mais próprio à tradução literal do termo hebreu. 30 Cf. CIMOSA. M. Voc. Pueblo/Pueblos. In: RAVASI, G. ROSSANO, GHIRLANDA, P. Nuevo diccionario de Teología Bíblica. N. 2673-2700. 31 CASCIARO, José María (org.). Libros poéticos y sapienciales. Traducción y notas, 2005. p. 519. 32 SCHÖKEL, Luis Alonso; CARNITI, Cecília. Salmos II (salmos 73-150). Tradução, introdução e comentário, 1998, p. 1407. 33 FOHRER, Georg. Estruturas teológicas fundamentais do Antigo Testamento. Trad. Álvaro Cunha. São Paulo: Paulinas, 1982. p. 29 34 CASCIARO, José María (org.) Libros poéticos y sapienciales. Tradución y notas. 2 ed. Pamplona: EUNSA. 2005. p. 519.