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Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, 
jul/dez, 2014, p. 128-147. 
 
 
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EXEGESE DO SALMO 117: CARACTERES E 
MOTIVAÇÕES DO LOUVOR A DEUS NA 
POÉTICA BÍBLICA 
(Exegesis of Psalm 117: character and motivations of praise to God in biblical poetry) 
 
 
Marcos Eduardo Melo dos Santos
*
 
Mestrando em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e 
mestrando em Letras Clássicas pela Universidade de São Paulo (USP). 
 
 
RESUMO 
 
A análise literária do Sl 117, a menor unidade 
do saltério hebraico, revela um conteúdo 
teológico-espiritual de caráter messiânico de 
relevância e atualidade para o cristianismo e o 
judaísmo. O estudo do texto hebraico em sua 
forma final – sem excluir, contudo, informações 
de índole diacrônica – apresenta sob a forma 
típica da poética hebraica elementos que 
ressaltam as características do louvor a Deus. O 
salmo propõe uma relação espiritual “carinhosa” 
no louvor para com o Deus de Israel; fornece 
explicitamente as motivações deste elogio que 
se fundamenta na anamnese da misericórdia 
divina para com o homem; assim como na 
recordação da fidelidade à aliança de Javé com 
o Antigo Israel. 
Palavras-chave: Exegese; Poética Hebraica; 
Louvor; Salmos. 
ABSTRACT 
 
The literary analysis of Psalm 117, the smallest 
Hebrew psalter unit, reveals a theological-
spiritual content of messianic character with 
relevance and timeliness to Christianity and 
Judaism. The study of the hebrew text in its 
final form – without excluding, however, 
diachronic character notes – presented in the 
typical Hebrew poetic form, highlight the praise 
characteristics. This Psalm proposes a "caring" 
spiritual relationship in praise to God of Israel; 
provides explicitly praise’s motivations is based 
on anaminesis of divine mercy by man, as well 
as in memory of fidelity to Yahweh promises to 
Ancient Israel. 
 
Keywords: Exegesis; Hebrew Poetry; Praise; 
Psalms.
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
O Sl 117 está contido no quinto livro de salmos; é classificado entre os salmos 
aleluiáticos do saltério hebraico (112-117), pois são precedidos pelo verbo no 
imperativo plural haleluiah, que significa louvai a Deus. Nota-se que o verbo הלל é 
conjugado no plural a fim de ressaltar o caráter congregacional do louvor
1
, ou seja, 
implica que toda comunidade é chamada a elogiar a divindade. Como gênero literário, 
nota-se claramente que se trata de um hino de louvor. Não consta no texto hebraico 
marcação específica acerca da autoria, uso ou acompanhamento instrumental como 
ocorre em outros salmos. Embora alguns manuscritos, como veremos, apresentem o Sl 
117 anexado aos salmos contíguos, seu estilo poético e sua unidade temática fazem crer 
que de fato seja um salmo independente, cuja finalidade de cântico de louvor seria 
própria a um texto litúrgico característicos daqueles contidos no Grande Halel
2
. 
O Sl 117 era usado no rito da Pessach. Já antes do exílio, os salmos 112-117 
costumavam ser recitados no Templo na festividade da Páscoa que reunia os habitantes 
de Jerusalém e atraía os judeus dispersos pelas regiões circunvizinhas de Israel, 
especialmente, da região do Crescente Fértil
3
. O Halel era entoado na ceia pascal, na 
qual se servia o cordeiro acompanhado de ervas amargas, pães ázimos, molho e vinho, 
em comemoração à libertação da servidão no Egito seguindo a hipótese de que a 
concepção histórica de Pessach já fosse clara no pré-exílio. O ambiente era familiar, 
reflexo da arraigada concepção que Israel possuía de sua tradição patriarcal, e por outro 
lado, da importância da família numa sociedade como a hebraica. 
Os três primeiros salmos do Halel costumam ser recitados antes da refeição; os demais, 
ao final. O Sl 117 desfechava a ceia pascal e era seguido do quarto e último cálice de 
vinho. Com ele encerrava-se uma das mais solenes celebrações do judaísmo, que 
segundo os comentaristas de Navarra, “representa o ponto culminante no grupo de 
salmos do Halel. É como uma ampliação do ‘aleluia’ final que se vem repetindo nos 
 
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salmos anteriores”
4
. O Sl 117 também é recitado nos dias subsequentes da Pessach e no 
rosh chodesh, o primeiro dia do mês, fazendo parte do Halel parcial. 
Quanto à discutida análise diacrônica do salmo contemplado, deve-se ressaltar que o 
menor capítulo da bíblia, com dois versos e dezesseis palavras, segundo a teoria 
documentária ou das quatro tradições ou redações,
5
 estaria contido na segunda coleção 
javista do saltério. E de fato, nas duas vezes em que se cita o nome de Deus, usa-se o 
tetragrama sagrado (יהוה). Como possível parte da tradição javista, o pequeno texto de 
apenas dois versículos poderia ser considerado como integrante da mais antiga fonte ou 
tradição de textos escriturísticos
6
. 
Embora a cronologia de redação dos salmos seja largamente discutida entre os críticos, 
os quais o situam num período que pode variar mais provavelmente desde a monarquia 
(século IX a. C.) até o período de governo da Dinastia Asmoneia (século II a. C.), 
poder-se-ia conjecturar com base nas duas citações do nome de Javé que o Sl 117 
poderia ser mais provavelmente anterior ao Exílio
7
. No entanto, deve-se recordar que o 
Sl 117 está contido no quinto livro de salmos. Este grupo de hinos é considerado como 
o mais recente entre todos os cinco subconjuntos do saltério. Além disso, há a 
ocorrência do hapax aramaico shabbehu que indica uma data de composição posterior à 
estadia de Israel na Babilônia (598-537 a.C.), época na qual o aramaico, língua dos 
babilônios, passou a ser usado correntemente pelo povo de Israel no lugar do hebreu que 
se tornou restrito ao uso litúrgico. À época do Segundo Templo também é atribuída a 
hipótese da inclusão em vários salmos, especialmente do conjunto do Grande Halel, da 
expressão ָּהַלְלוּיה.
8
 A escola exegética de Salamanca entende o Sl 117 como originário 
dessa época tardia
9
. 
Destarte, também no menor de todos os salmos percebe-se o problema da cronologia da 
redação do saltério como uma incógnita para a crítica literária. E de fato, concluem os 
exegetas jesuítas: “o autor e a ocasião são desconhecidos”
10
.
 
Desse modo, o presente 
artigo, de índole sincrônica, se atém à consideração da forma final do texto, abstendo-se 
 
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das discussões sobre a formação do texto na medida em que extrapolam os limites do 
presente artigo. 
 
1. TEXTO HEBRAICO 
 
v. 1a ִהַלְלוּ אֶת יהְוָה כָל גּוֹים 
v. 1b שַבְחוּהוּ כָל הָאֻמִים. 
v. 2a ֹכִי גָבַר עָלֵינוּ חַסְדּו 
v. 2b ָּוֶאֱמֶת יהְוָה לְעוֹלָם הַלְלוּ יה. 
 
2. TRADUÇÃO PORTUGUESA 
 
v. 1a Louvai ao Senhor todas as nações, 
v. 1b Louvai todos os povos, 
v. 2a pois a sua misericórdia se tornou forte para conosco 
v. 2b e a fidelidade do Senhor é eterna. Aleluia. 
 
3. CRÍTICA TEXTUAL 
 
Os limites dos salmos do Halel (112-117), em alguns manuscritos hebraicos, flutuam na 
tradição. Segundo o aparato crítico da quinta edição da Bíblia Hebraica Stutgartensia, 
há muitos manuscritos nos quais o Sl 117 é apresentado como o vigésimo e vigésimo 
primeiro versículo do Sl 116, ou ainda, como o versículo 19a do Sl 116. Essa ocorrência 
 
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fez com que alguns exegetas considerassem o Sl 117 como parteconcluinte do salmo 
precedente. A leitura dos dois salmos, o ritmo frasal e a temática presente nos textos 
poderiam corroborar essa opinião. Schökel e Carniti se perguntam, se por ventura, o Sl 
117 não seria apenas parte de outro salmo, ou ainda uma simples antífona, ou ainda, um 
esquema para o rabino desenvolver livremente durante a congregação dos fieis
11
. 
No entanto, a maioria dos exegetas, e inclusive a edição crítica de Sttutgart preferem 
defender a plena autonomia do salmo em relação aos demais salmos adjacentes, embora 
se reconheça a própria subsistência do Sl 117, não nega sua aparência de estribilho ou 
doxologia, ao modo do Gloria Patri. Outra variante encontrada nos manuscritos está na 
inserção da preposição ל no lugar do atigo ה, tornando o substantivo plural povos objeto 
indireto do verbo ּשַבְחוּהו. 
 
v. 1b 
Biblia Hebraica Stuttgartensia Alguns Códices Hebraicos 
 .לְאֻמִיםשַבְחוּהוּ כָל .שַבְחוּהוּ כָל הָאֻמִים
Louvai todos os povos Louvai todos entre os povos 
 
Dessa forma estão em paralelo as expressões הָאֻמִים e לְאֻמִים. O sentido básico da 
preposição ְל é espacial: “a preposição pode marcar posição dentro de ou em um ponto”. 
Admite-se “o lamed ‘objeto indireto’ que marca o chamado dativo de alvo”.
12
 Tomando 
em consideração a variação de sentidos no uso da preposição, a tradução da variante 
poderia ser feita de dois modos: 
1. Louvai-o todos entre os povos. 
2. Louvai-o todos para os povos. 
Ao longo do artigo, o leitor notará a interpretação dos autores nesses dois sentidos. 
 
 
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4. ANÁLISE ESTILÍSTICA 
 
O primeiro elemento literário presente no Sl 117 a ser considerado seria o quiasmo com 
o verbo הלל presente no início do primeiro versículo e no final do último versículo. Os 
dois versículos do Sl 117 contêm em seus hemistíquios uma característica marcante da 
poesia judaica: o paralelismo sinonímico
13
, que assume no presente contexto caracteres 
internos e perfeitos
14
. 
Esses paralelismos se dão com as palavras כָל ,הַלְל e יהְוָה, todos com uma ocorrência 
duplicada. Há um paralelismo semântico com as expressões correspondentes ao verbo 
louvar (ּהַלְלו e ּשַבְחוּהו) e ao substantivo povos (ִגּוֹים e הָאֻמִים). Em ambos versículos ocorre 
uma repetição da ideia presente no primeiro hemistíquio porém com a variação 
terminológica. Por outro lado, embora a poesia sapiencial do Antigo Testamento difira 
quase completamente de sua homóloga greco-romana clássica, o número de sílabas 
fortes do verso confere a beleza literária e o tom poético característico da poesia bíblica. 
É essa acentuação que marca o que os exegetas denominaram como ritmo do versículo. 
No v. 1, usa-se a famosa qina (3 + 2) que chamada de “lamentação”, a qual confere à 
entonação um tom de tristeza e ocorre geralmente nas composições elegíacas
15
. No v. 2 
ocorre o ritmo terno duplo (3 + 3), de caráter longo e solene. O ritmo do salmo denota 
algo do espírito com o qual o salmo era entoado e pode refletir algo da intenção do 
autor, tal como se observará no comentário de Agostinho que será citado no presente 
artigo. 
 
5. INTERPRETAÇÃO 
 
v. 1a. Louvai ao Senhor todas as nações 
 
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O Sl 117 se inicia com o imperativo plural de convite louvai (ּהַלְלו). A expressão 
exprime o objetivo dos salmos aleluiáticos que visam louvar, elogiar, enaltecer, e 
lisonjear o Senhor. O ouvinte-leitor é, em última análise, motivado a reconhecer a 
divindade como seu Deus exaltando os atributos absolutos do Senhor
16
. Já na primeira 
palavra do salmo, nota-se o caráter comunitário inerente ao louvor inspirado pelas 
tradições bíblicas. O verbo é transcrito no plural a fim de convidar uma comunidade, e 
mais que uma comunidade, todas as nações, a aclamar o amor-fiel do Senhor para com 
o seu povo. Nota-se no primeiro versículo um paralelismo quase perfeito entre os dois 
hemistíquios. 
A única expressão repetida literalmente seria o adjetivo כָל, que ocorre duas vezes. Há o 
triplo paralelismo semântico entre as duas ocorrências do verbo הלל e o verbo ּשַבְחוּהו 
que significam louvar, sendo que esta segunda expressão implica um nuance especial, 
como há de ser considerado. Outro paralelismo semântico seriam os substantivos ִגּוֹים e 
 que fazem parte do campo semântico de povo, nação ou país. Esses paralelismos ,הָאֻמִים
denotam uma ênfase na ideia de que todos os povos são chamados a louvar a Deus. As 
repetições, na poética bíblica, têm a finalidade de enfatizar a mensagem objetivada. 
A tradução dos termos ִגּוֹים e הָאֻמִים como povos ou nações é, muita vezes, realizada 
indistintamente para os vernáculos. Essa prática pode empobrecer alguns caracteres da 
poética hebraica como as repetições com o número simbólico das ocorrências ou ainda a 
ênfase visada pelos paralelismos literais e semânticos. Ademais, além de em v. 1b, a 
raiz אֻמִה ocorre somente mais duas vezes na Bíblia Hebraica (Gn 25,16; Nm 25,15). Em 
ambas as referências, fala-se claramente dos povos pagãos. 
O termo hebraico goim, cuja raiz é גוי foi atribuído pelos escritores aos povos 
estrangeiros em relação ao reino de Israel. Segundo Schökel, pode ser sinônimo de am 
”especialmente nos salmos“ ,(עם)
17
. Leal opina que os dois termos denotam um 
significado distinto: goim equivaleria a todos os povos com exceção de Israel e ummim 
significaria mais a variedade entre essas nações.
18
 Essa distinção não é muito clara e 
carece de fundamento devido o uso da palavra na aliança feita com Abraão. 
 
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É certo, porém, que o termo também pode ter um significado qualitativo negativo: 
gentio, pagão, e com frequência opõe-se a עם, enquanto povo eleito. O uso dos termos 
 no v.1 pode ser enfático, ou seja, evocam-se todos os povos sem qualquer (הָאֻמִים e גּוֹיםִ)
possibilidade de exceção. 
A variação entre הָאֻמִים e לְאֻמִים sugerem algumas considerações ao nível gramatical e 
com possíveis consequências sobre a interpretação do salmo. 
No v. 1, o termo goim apresenta-se em perfeito paralelismo com haumim. Da mesma 
forma denota-se o paralelismo semelhante com as duas citações do tetragrama divino. 
Essa característica da poesia hebraica procura deixar claro a temática principal do Sl 
117: as relações de Deus com os povos e mais especialmente “sua interação salvífica na 
história de Israel constitui o paradigma da realização dos desígnios divinos em todos os 
povos”
19
. 
A preposição ל transforma o complemento verbal em objeto indireto correspondente 
muitas vezes ao caso dativo das línguas flexivas com casos gramaticais. Dessa forma, 
pode haver uma alteração na interpretação do texto que pode ser entendido como Louvai 
ao Senhor diante de todas as nações ou Louvai ao Senhor para todas as nações. Por 
conseguinte, o salmo não pretenderia ser somente um convite de louvor sugerido a 
todos os povos, mas também um convite à assembleia hebraica de elogiar o Senhor 
diante das nações. 
Esse elogio pode englobar o proselitismo entre os estrangeiros. Além de uma ampliação 
do conteúdo messiânico, essa variante torna o texto mais harmonizado, uma vez que se 
evitaria a repetição da ideia inicial já exposta no primeiro hemistíquio do v. 1. No 
entanto, deve-se ressaltar que a edição crítica de Stuttgart preferiu a leitura difficilius e 
mais simples de forma que se preferiu optar pela tradução: Louvai-o todos os povos. 
 
 
 
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5.1. O LOUVOR COM CARÍCIAS DELICADAS 
 
v. 1b. Louvai todos os povos. 
O segundo hemistíquio do primeiro versículo se inicia “no piel imperativo”: ּשַבְחוּהו. Nos 
salmos essa raiz verbal ocorre quatro vezes no piel (Sl 63,4; 117,1; 145,4; 147,12) e 
uma vez no hitpiel (106,47). Como aparece também no Eclesiastes (Qoelet) totalizando 
oito ocorrências na bíblia hebraica (Ec 4,2; 8,15). Geralmente é traduzido por louvar
20
. 
Mais do que ressaltar as hipóteses fornecidas pelos autores que exploram o aspecto 
diacrônico, o verbo imperativo ּשַבְחוּהו propõe uma ideia de complexa tradução para o 
vernáculo. 
A raiz do verbo abrange o campo semântico do verbo louvar, aclamar ou glorificar e 
compartilha a mesma raiz de verbos que significam acalmar e apaziguar (cf. Pr 29,11). 
Caso se admita a hipótese de que a expressão seja de fato um aramaísmo, shabbehuhu 
significa “acariciai delicadamente”, “dizei louvores” a Javé
21
. 
Acariciar compreende uma relação de carinho, que presume um afeto que transborda do 
coração para atos corporais. O louvor a Deus exige de um lado essa afetividade interior, 
esse sentimento que transborda em carícia e que redunda em atos característicos de 
sentimento. 
Dessa forma, para exprimir por completo o sentido proposto pelo verbo hebraico seria 
necessário o uso de uma locução adverbial com carinho, pois, até o presente momento, 
não foi localizado uma expressão em português inteiramente equivalente ao imperativo 
 .שַבְחוּהוּ
 
5.2. MOTIVAÇÕES DO LOUVOR 
 
 
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v. 2a. pois a sua misericórdia se tornou forte para conosco 
No v. 2, o texto hebraico do Sl 117 sugere com a conjunção explicativa כִי, que Schökel 
e Carniti denominam como “partícula causal, motivo de louvor”
22
, as motivações pelas 
quais todos os povos sejam convidados a louvar o Senhor e a elogiá-lo com carinho. 
Explorando o sentido duplo que algumas variantes textuais sugerem, pode-se dizer 
ainda da razão para que a comunidade litúrgica elogie o senhor diante de todos os povos 
em testemunho de sua misericórdia para com o povo hebreu e da sua fidelidade para 
com a aliança pré-estabelecida com o povo Eleito. A análise dos termos hebraicos 
sugere alguns matizes relevantes dessa motivação com o uso do adjetivo גָבַר que é 
aplicado à hendíadis חַסְדּוֹ וֶאֱמֶת. Ambas expressões implicam um complexo significado 
para a teologia bíblica. 
Segundo Schökel, a expressão gavar (גָבַר) está no mesmo campo semântico de “força, 
poder em suas diversas manifestações: varão (sexo forte), soldado (forças armadas, 
valor, valentia; senhor; senhora”
23
. A expressão reflete o estereótipo de que o sexo 
masculino reflete a ideia de força, eficácia, robustez e pragmatismo. As vulgatas 
traduzem com o particípio confirmata e confortata, que estabelece uma adjetivação de 
firmeza e força. Ambas formas de traduzir parecem visar o realce de uma misericórdia 
robusta, inabalável, invencível para o termo hebraico gavar. O texto hebraico relembra 
que a misericórdia divina é forte, pois faz justiça em favor do oprimido, não titubeia em 
agir, é, portanto, eficaz, incisiva, ativa. 
Eis a razão para que Israel não hesite em louvar o Senhor, em louvá-lo diante de todas 
as nações, e sobretudo, em convidar todos os povos para louvar a Deus. 
No Sl 117, דחס forma a célebre hendíadis ֹוֶאֱמֶת-חַסְדּו . Essa frase ocorre 25 vezes com 
aproximadamente sete outras numa relação menos próxima entre as duas palavras
24
. 
Além disso, como é característico da ocorrência dessa locução no contexto litúrgico (Sl 
106,1; 17,1; 118,1.29; 136; Esd 3,11; 1Cr 16,34; 2Cr 5,13), está associada ao advérbio 
de tempo לְעוֹלָם que pode ser traduzido como eternamente ou permanente. 
 
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A raiz hebraica חסד, segundo Schökel, engloba em seu campo semântico dois 
significados essenciais: ultraje como em Pr 25,10 e misericórdia como no Sl 117. A 
diferença está no uso das vogais ָָ e ֶָ . Com essa marcação, 
 
o termo apresenta dois significados fundamentais: misericórdia, que salienta 
o aspecto gratuito de benevolência; lealdade, que ressalta o compromisso. 
Frequentemente o significado não está diferenciado; ou os dois aspectos se 
sobrepõem; ou a distinção é duvidosa. O compromisso pode ter base natural 
(família) ou positiva (aliança)
25
. 
 
No Sl 117, a expressão é apresentada com o sufixo do possessivo da terceira pessoa 
 e aparenta a sobreposição de significados apresentado por Schökel, no sentido de (חַסְדּוֹ)
que tanto lealdade, quanto misericórdia, seriam apropriados ao Senhor no contexto do 
salmo. 
Nota-se ainda que o compromisso tem base positiva, pois relembra a aliança do Senhor 
com o seu povo. É um amor que não se rompe, pois é pactual e unilateral. É um contrato 
estabelecido por Deus que não pode ser dissolvido pelo homem. É um amor 
descendente que equivale em certo aspecto à expressão misericórdia. Ademais, nota-se 
o adjetivo gavar que intensifica e sublinha a intensidade desse sentimento em Deus. 
A maioria dos exegetas atuais usa o binômio misericórdia/fidelidade, para a “clássica 
hendíadis ‘lealdade e fidelidade’”.
26
 Ao relembrar a fidelidade eterna de Javé, a tradição 
judaica quer provar primeiramente ao povo hebreu, e, por consequência, aos demais 
povos, que o louvor a Deus se justifica pelos grandiosos benefícios realizados por Deus 
ao longo da história do povo eleito em correspondência à Aliança entre o Senhor e os 
Patriarcas. 
Deus foi fiel ao povo, fiel às suas dores, fiel à promessa, fiel a si mesmo. Sem descrever 
essas maravilhas, o salmo subentende as narrativas biográficas de Abraão e seus 
descendes, a libertação da escravidão do Egito e a constituição de uma gloriosa nação 
dos bons tempos monárquicos como argumento válido para a atração dos demais povos 
ao louvor cheio de carinho para com o verdadeiro Deus. 
 
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A fidelidade de Deus para com o seu povo não é restrita a Israel, mas é benignidade 
disponível a todos os povos desde que se voltem para Deus eternamente fiel, e nesse 
sentido veraz, verdadeiro. É o que comenta na perspectiva antropológica do judaísmo 
Wolf, 
 
As obras de Deus que o homem examina falam uma linguagem que o estimula 
a cantar um hino. Dessa forma, conhecimentos incompletos chegam a 
constituir no louvor uma unidade e totalidade junto com os mistérios ainda 
inexplorados, que ameaçam continuamente os conhecimentos mais fundados
27
. 
 
5.3. LEALDADE PERMANECE ETERNAMENTE 
 
v. 2b e eterna é a fidelidade do Senhor. Aleluia. 
Finalmente, a expressão pela eternidade reflete juntamente com outras expressões como 
todas as nações e forte os atributos absolutos atribuídos a Deus. Eterno significa que é 
imperecível, indestrutível, inabalável. Mais uma vez ressalta-se esse amor fiel de Deus 
em relação ao povo.
28
 A razão para louvar a Deus é justificada pela intensidade da 
misericórdia e da fidelidade divina, mas também pela duração eterna dessa hendíadis. 
Dessa forma, o salmo explica três dimensões da misericórdia e da fidelidade do Senhor: 
espacial, temporal e modal. Ela é onipresente, pois abrange todas as nações, todos os 
locais; ela é eterna, portanto, nem o tempo pode diminuir sua intensidade e sua 
abrangência espacial; ela é intensa, ou seja, é forte, grande, eficaz.
29
 
 
6. AS RELAÇÕES DE DEUS COM OS GOIM 
 
A relação de Deus com as nações introduzida no Sl 117 merece ser aprofundada com a 
sistematização das ocorrênciasdo termo ִגּוֹים em outros trechos da bíblia. Quais as linhas 
 
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gerais dos planos e ações divinas para com uma nação? A tradição judaica afirma em 
diversos trechos que tal como na vida individual dos homens, Deus age na história dos 
povos, porque é Ele quem os conforma, faz crescer, glorifica, pune, aniquila e salva
30
. 
A tradição hebraica se refere claramente a esta ação divina que, se por um lado parece 
demasiado discreta, e por outro eficiente, a ponto do salmista exclamar: “Feliz a nação 
que tem o Senhor por seu Deus, e o povo que ele escolheu para sua herança” (Sl 33,12). 
Assim, Deus reserva desígnios a certas nações como sentencia o Livro do Êxodo, 
referindo-se a Israel: “Mas de ti farei uma grande nação” (Ex 32,10). 
Por outro lado, o livro dos Provérbios salienta que, pelo simples fato de praticar a 
justiça, in genere, um povo é cumulado de prosperidade: “A justiça enaltece uma nação; 
o pecado é a vergonha dos povos” (Pr 14,34). 
Essa prosperidade material parece fundamentar-se na ordem social originária da prática 
dos mandamentos refletida na noção de áurea mediocridade característica da sabedoria 
judaica. 
Entre os diversos gêneros da Escritura, a literatura profética do Antigo Testamento é a 
mais eloquente a respeito da vocação divina específica destinada a cada um dos povos. 
Abdias tem como tema principal de sua mensagem as nações (cf. Abd 1,1-2.15-16). Em 
Ageu, tal aspecto é preponderante (cf. Ag 2,7.22). O Profeta Isaías identifica a 
glorificação de Deus com a grandeza de um povo escolhido: “Aumentai a nação, 
Senhor, aumentai a nação, manifestai vossa grandeza, e dilatai as fronteiras da nação” 
(Is 26,15). 
Ademais, a tradição bíblica ensina que é Deus quem conforma as nações, ainda que de 
matéria imprevisível pelos cálculos humanos: “Do menor nascerá toda uma tribo, e do 
mínimo, uma nação poderosa, sou eu, o Senhor, que em tempo oportuno realizarei essas 
coisas” (Is 60,22); ou ainda em Miquéias: “dos estropiados farei um resto, dos 
afastados, uma nação robusta” (Mq 4,7). 
 
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Tal como os homens, também as nações são sujeitos a seguir ou não o plano divino, 
conforme recorda Jeremias: “Esta é a nação que não escuta a voz do Senhor, seu Deus, e 
não aceita suas advertências” (Jr 7,28). A exegese bíblica atesta claramente que uma 
nação pode ser considerada ímpia (cf. Sl 42,1), ou santa (cf. 1Pd 2,9), e portanto, 
capazes de responsabilidade moral: “a nação procedeu mal para com o Senhor” (Os 
1,2). 
Em face dessa culpabilidade moral, a predileção de Deus pode estabelecer corretivos à 
nação, ainda que especialmente eleita. Em conformidade com Amós, Baruc e Jeremias, 
Isaias (cf. Is 1,4-10) ensina que Deus pode convocar outras nações para reparar a justiça 
e conduzir um povo às sendas da retidão (cf. Is 5,26; 18,2.7; Jr 5,15; 6,22; Br 3,4; Am 
6,14). Tendo como pressuposto as referências Bíblicas e, pode-se conjecturar que assim 
como ocorre aos homens pecadores, os ditames da justiça divina são também aplicados 
às nações, mas o prêmio e o castigo destas não podem ser dados na eternidade, ou seja, 
no Céu ou no Inferno, mesmo porque a tradição hebraica é obscura ao tratar do além, 
especialmente se compararmos ao panorama aberto no Novo Testamento. 
Na tradição judaica, as nações seriam premiadas ou castigadas nessa Terra, porque elas 
são consideradas como entes sujeitos a juízos morais. Por essa razão, os profetas, entre 
os quais Amós, ameaçaram o povo de Israel com os castigos divinos: “Deus suscitará 
contra vós uma nação que vos oprimirá desde a entrada de Hamat até à torrente da 
planície” (Am 6,14). Isto se deve pelo fato de que a grandeza de uma nação está 
relacionada segundo a tradição judaica com o serviço de Deus: “Porque a nação ou o 
reino que recusar servir-te perecerá, e sua terra será devastada” (Is 60,12). No entanto, a 
justiça divina está disposta a perdoar uma nação pecadora: “Mas se essa nação, contra a 
qual me pronunciei, se afastar do mal que cometeu, arrependo-me da punição com que 
resolvera castigá-la” (Jr 18,8-9). 
No Novo Testamento, o autor dos Atos dos Apóstolos apresenta, no derradeiro discurso 
de Estevão diante do sinédrio, a mesma doutrina veterotestamentária, ao defender que 
Deus julgará a nação. 
 
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No Apocalipse, o tema das nações também ocorre. Após discorrer sobre o dragão, a 
mulher, a rameira, as testemunhas de Deus, a besta e o Cordeiro, assim como o desfecho 
do drama apocalíptico, as nações objeto de juízos morais geralmente negativos (cf. Ap 
14,8 20,3.8). As nações são chamadas a reconhecer o Senhor como “Rei das nações” 
(Ap 3,4). O vidente de Patmos dá a entender que mesmo após o juízo final, onde as 
pessoas serão separadas entre bons e maus, ainda permaneceria a distinção sensível 
entre as nações e as línguas (cf. Ap 21,24-46). 
Em suma, enquanto o Antigo Testamento em geral se delimitava a afirmar a vocação 
especialíssima de Israel, enquanto descendente de Abraão destinado a ser o Povo Eleito, 
receptáculo da revelação, que realizará a promessa messiânica. No Novo Testamento, 
Israel seria o povo escolhido para acolher o Verbo Encarnado. Depois de Cristo, o novo 
Povo de Deus se identifica com a Igreja, a descendente espiritual dos primeiros 
patriarcas hebreus (1 Ped. 2, 9-10, Lumen Gentium, 9 e 13). Além disso, a teologia 
bíblica, tanto com base no Antigo, quanto fundamentada no Novo Testamento, revela a 
existência do chamado específico dos povos no tempo e no lugar, assim como, na mente 
divina. Esse chamado pode ser seguido ou negado e implica consequências temporais. 
Por outro lado, Deus intervém na história a fim de efetivas seus desígnios de amor. 
 
7. PERSPECTIVA TEOLÓGICO-ESPIRITUAL 
 
A análise literária do Sl 117, a menor unidade do saltério hebraico, revela um conteúdo 
teológico-espiritual de caráter messiânico de relevância e atualidade para o cristianismo 
e o judaísmo. O salmo, como um hino litúrgico, propõe uma relação espiritual 
“carinhosa” no louvor para com o Deus de Israel; fornece explicitamente as motivações 
deste elogio que se fundamenta na anamnese da misericórdia divina para com o homem; 
assim como na recordação da fidelidade às promessas de Javé ao Antigo Israel. Esse 
louvor, por fim, deve ser comunitário, universal, que reúne todas as nações numa 
 
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perspectiva teológica messiânica com consequências práticas sobre a espiritualidade e a 
pastoral ecumênica. 
Destarte, o salmo explica três dimensões da misericórdia e da fidelidade do Senhor: 
espacial, temporal e modal. Ela é onipresente, pois se direciona a todas as nações, todos 
os povos; ela é eterna, portanto, nem o tempo pode limitá-la; ela é intensa, ou seja, 
ressalta-se sua eficácia. 
A misericórdia divina supera os pecados do povo e acompanha Israel ao longo de toda 
sua história de libertação
31
. É uma misericórdia inabalável, porque esta fundamentada 
sobre um atributo imutável de Deus, a misericórdia. Eis um motivo para que todos os 
povos se reúnam nesse imenso coro de louvor ao Senhor, o Deus misericordioso dos 
hebreus que se faz o Deus misericordioso também para com os gentios já na antiga 
tradição hebraica. A respeito dessa teologia espiritual sugerida pelo texto contemplado, 
arranca-se de Schökel e Carniti a exclamação: “quanta espiritualidade aberta e 
expansivainspirou esse minúsculo salmo”
32
. 
Por outro lado, nota-se que a noção de pecado e o sofrimento da consciência eram por 
vezes muito acentuados nas religiões antigas orientais. Diversas formas religiosas em 
todos os tempos, transmitiram sentimentos humanos de impureza e indignidade diante 
da altíssima transcendência da divindade. A misericórdia inabalável do Senhor 
transborda esse abismo de miséria moral, e se faz junto ao homem, convidando-o para 
louvá-lo, especialmente nos tempos aparentemente rudes do Antigo Testamento, onde a 
misericórdia não poderia ser obtida senão após o cumprimento de complexos e patéticos 
rituais como as libações, oferendas, penitências e holocaustos. 
Em conformidade com a tradição messiânica de vários textos escriturísticos 
veterotestamentários, o Sl 117, sem excluir o desejo da supremacia de Israel sobre todos 
os povos como unificador da universalidade
33
, denota também aquele desejo de 
expansão do conhecimento de Deus, que para os cristãos traduz-se em um convite 
premente à evangelização, talvez ainda mais urgente nesse começo de milênio
34
. 
 
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Ademais, o Sl 117 convida à unidade; o trecho é utilizado por Paulo e Agostinho, em 
seus Comentários aos Salmos, como argumento escriturístico para a defesa do princípio 
da universalidade da vocação eclesial para a οἰκουμένη. Literal e explicitamente citado 
nos escritos paulinos, a mensagem teológica do Sl 117 é um estímulo cheio de alegria e 
esperança para a união entre todos os povos, que são chamados a louvar a Deus ao 
modo aramaico do verbo shabbehuhu, ou seja, um louvor que acaricia, com 
demonstrações físicas de afeto, que chamamos de carinho, ou seja, um louvor embebido 
de amor, em razão da misericórdia forte, varonil e inabalável do Senhor e da sua 
fidelidade eterna a uma aliança que também é eterna. 
 
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WOLF, Han Walter. Antropología del antiguo testamento. Traduzido por Severiano 
Tovar. Salamanca: Sígueme 1975. 
VOGT, Enerst. Os salmos. Traduzidos e explicados. São Paulo: Liga de estudos 
bíblicos, 1951. 
 
Notas 
 
*
 Mestrando em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e 
mestrando em Letras Clássicas pela Universidade de São Paulo (USP). Participa dos grupos de pesquisa 
As dimensões proféticas da religião do Antigo Israel e República das Letras. 
1
 JENNI, Ernst; WESTERMANN, Claus. Theologisches Handbuch zum Alten Testament, 1976, p. 493-
501. 
2
 WEISER, Artur. The Psalms: A Commentary, 1965, p. 721-722. 
3
 VOGT, Ernest. Os salmos. Traduzidos e explicados, p. 6. 
4
 CASCIARO, José María (org.) Libros poéticos y sapienciales. Traducción y notas, 2005, p. 519. 
5
 Cf. PURY, A. O Pentateuco em questão. PetrópolisÇ 1996. P. 15-85; ZENGER, E. Introdução ao 
Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2003. p. 81-88. 
6
 SELLIN, Ernest; FOHRER. G. Introdução ao Antigo Testamento, 2007, p. 212. 
7
 Outra característica que pode corroborar com a opinião de que o Sl 117 estaria contido entre os salmos 
de maior antiguidade, seria o uso litúrgico para o qual se destinou desde tempos imemoriais o conjunto de 
salmos denominado como Grande Halel (112-117) entre os quais o presente salmo se situa como o louvor 
final. A alteração desse texto não seria vista com bons olhos pelo povo judaico, eminentemente arraigado 
às tradições mais antigas. E de fato, o Grande Halel é o grupo de textos litúrgicos mais sagrados da 
tradição judaica, pois era recitado durante as solenidades mais importantes do calendário hebreu, a saber, 
a páscoa, o pentecostes, e a festa dos tabernáculos. 
8
 WALTKE, Bruce K.; HOUSTON, James M. The psalms as Christian Worship, 2010, p. 22. 
9
 CORDERO, Maximiliano García (org.). Bíblia Comentada. Profesores de Salamanca. Sapienciales, 
1967, p. 602. 
10
 LEAL, Juan. (Org.) Los Salmos y los Libros salomónicos comentados por los profesores de La 
Compañía de Jesús. Texto y comentario, 1969, p. 363. 
11
 SCHÖKEL, Luis Alonso; CARNITI, Cecília. Salmos II (salmos 73-150). Tradução, introdução e 
comentário, 1998. p. 1406. 
12
 Cf. WALTKE, Bruce K.; O'CONNOR, M. Introdução à sintaxe do hebraico bíblico. São Paulo: 
Cultura Cristã, 2006. p. 205-206.208. 
 
Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 8, n. 14, 
jul/dez, 2014, p. 128-147. 
 
 
147 
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13
 SCHÖKEL, Luis Alonso; CARNITI, Cecília. Salmos II (salmos 73-150) Tradução, introdução e 
comentário. São Paulo: Paulus, 1998. p. 1406. 
14
 CASCIARO, José María (org.) Libros poéticosy sapienciales. Traducción y notas. 2 ed. Pamplona: 
EUNSA. 2005. p. 519. 
15
 LEAL, Juan. (Org.) Los Salmos y los Libros salomónicos… p. 363. 
16
 BROWN, Raymond; FITZMYER, Joseph; MURPHY, Roland. (Editores). Novo comentário Bíblico 
São Jerônimo. São Paulo: Paulus, 2007. p. 1075. (Comentário ao Sl 117). 
17
 SCHÖKEL. Dicionário Bíblico Hebraico-Português, p. 134. Voz גוי. 
18
 Cf. LEAL, Juan (org.). Los Salmos y los Libros salomônicos, p. 363. 
19
 Cf. STADELMANN, Luís. Os Salmos: comentario e oração, 2000, p. 575. 
20
 LISOWSKY, Gerhard. Konkordanz zum Hebräische Alten Testament. Stuttgatt: Deutsche 
Bibelgesellschaft, 1993, p. 1396. Voz שבח. 
21
 Cf. LEAL, Juan. (Org.) Los Salmos y los Libros salomónicos comentados por los profesores de La 
Compañía de Jesús. Texto y comentario, 1969, p. 363. 
22
 SCHÖKEL, Luis Alonso; CARNITI, Cecília. Salmos II (salmos 73-150). Tradução, introdução e 
comentário, 1998, p. 1406. 
23
 SCHÖKEL, Luis Alonso. Dicionário Bíblico Hebraico-Português, 2004, p. 128. Voz גבר. 
24
 Cf. GLUECK, Nelson. Hesed in the Bible, 2011. 118 p. 
25
 SCHÖKEL, Luis Alonso. Dicionário Bíblico Hebraico-Português, 2004, p. 235. Voz חסד. 
26
 SCHÖKEL, Luis Alonso; CARNITI, Cecília. Salmos II (salmos 73-150) Tradução, introdução e 
comentário. São Paulo: Paulus, 1998. p. 1406. 
27
 WOLF, Han Walter. Antropología del antiguo testamento. Trad. Severiano Tovar. Salamanca: Sígueme 
1975. . p. 298. 
28
 LAWSON, Steven J. Psalms 76-150, 2006, p. 225. 
29
 Deve-se mencionar a pequena divergência de tradução entre as duas Vulgatas. O termo le’olam havia 
sido traduzido por São Jerônimo como in saeculum, em português, pelos séculos, mas a Nova Vulgata 
preferiu usar in aeternum, que ao ver dos especialistas seria mais próprio à tradução literal do termo 
hebreu. 
30
 Cf. CIMOSA. M. Voc. Pueblo/Pueblos. In: RAVASI, G. ROSSANO, GHIRLANDA, P. Nuevo 
diccionario de Teología Bíblica. N. 2673-2700. 
31
 CASCIARO, José María (org.). Libros poéticos y sapienciales. Traducción y notas, 2005. p. 519. 
32
 SCHÖKEL, Luis Alonso; CARNITI, Cecília. Salmos II (salmos 73-150). Tradução, introdução e 
comentário, 1998, p. 1407. 
33
 FOHRER, Georg. Estruturas teológicas fundamentais do Antigo Testamento. Trad. Álvaro Cunha. São 
Paulo: Paulinas, 1982. p. 29 
34
 CASCIARO, José María (org.) Libros poéticos y sapienciales. Tradución y notas. 2 ed. Pamplona: 
EUNSA. 2005. p. 519.

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