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UC XVII Profa. Dra. Joyce Mendes Gomes SP21 FÁRMACOS VASOATIVOS Receptores Adrenérgicos Subtipos de Receptores Adrenérgicos • alfa 1: ligados à proteína Gq. • alfa 2: ligados à proteína Gi. • beta: ligados à proteína Gs. Katzung; Trevor. In Farmacologia Básica & Clínica, AMGH: 13. ed., 2017. Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. Resumindo, a estimulação de receptores: - α1: vasoconstrição (na pele, mucosas e vísceras abdominais), midríase e aumento da resistência vascular periférica (RVP) e da pressão arterial (PA). - β1: aumento na frequência e na contratilidade cardíacas. - β2: vasodilatação (no leito vascular esquelético) e relaxamento dos músculos lisos (incluindo dos brônquios). Usos Clínicos da adrenalina (epinefrina) • associação com anestésicos locais (prolongamento do efeito anestésico, pois promove vasoconstrição em vasos da pele). • hipotensão severa; • hipotensão ortostática crônica; • asma aguda e choque anafilático;Pode também ser usada no choque séptico refratário, e cardiogênico, mas nesses dois últimos é dado preferência à dopamina (prox. slide). • parada cardiorrespiratória; • bradicardia refratária *A noradrenalina (norepinefrina): usada principalmente no tratamento de choque hipovolêmico, pois aumenta a resistência vascular e, assim, aumenta a PA. É preferida nesse tipo de choque porque não tem boa afinidade por receptores beta-2, presentes em vasos da musculatura esquelética. Assim, não causa a dilatação de vasos da musculatura esquelética que a adrenalina causaria, o que poderia gerar maiores perdas de sangue. A NOR pode também ser usada no choque séptico e na hipotensão refratária. adrenalina e noradrenalina (catecolaminas) • Também é uma catecolamina. É precursora de NOR. • Ativa receptores dopaminérgicos e adrenérgicos (alfa e beta, principalmente β1 em baixas doses e α1 em altas). • Vantagem em relação à NE e adrenalina: Por ativar receptores dopaminérgicos, também dilata as arteríolas renais e esplâncnicas (aumentando o fluxo sanguíneo para os rins e para outras vísceras). O aumento do fluxo sanguíneo renal aumenta a velocidade de filtração glomerular e causa diurese. Nesse aspecto, a dopamina é muito superior à norepinefrina, que reduz o suprimento de sangue aos rins e pode causar colapso renal. - 0,5 a 2 mg/Kg/min: age mais nos receptores dopaminérgicos o que gera a vasodilatação renal, encefálica, mesentérica e coronárias, aumento do débito urinário, sem alterações na FC e PA. - 2 a 10 mg/kg/min: estimula os receptores β1: aumento do débito cardíaco. β2: diminui resistência vascular. - > 10 mg/kg/min: receptores α1: vasoconstrição sistêmica, aumento da RVP, aumento da PA; abolição dos efeitos vasodilatadores renais e mesentéricos. dopamina Usos Clínicos da DA • fármaco de escolha no choque cardiogênico e séptico em baixas doses e infusão contínua; • insuficiência cardíaca congestiva grave, pois aumenta DC; • hipotensão. EA: Semelhantes aos da estimulação simpática, mas lembrar que não cruza BHE. Náuseas, hipertensão, taquicardia, arritmia, vasoconstrição excessiva e necrose local. Mas por ser rapidamente metabolizada, EA desaparecem logo. • Agonista principalmente de receptores beta-1-adrenérgicos (aumenta a contratilidade e a frequência cardíaca), com efeito mínimo em alfa e beta-2. • Indicações Clínicas: Insuficiência cardíaca descompensada, choque cardiogênico, suporte inotrópico em cirurgia cardíaca. • Efeitos Colaterais: Taquicardia, arritmias, isquemia miocárdica, hipertensão. dobutamina • Inibe a fosfodiesterase-3 (PDE-3), o que aumenta o AMP cíclico, resultando em aumento da contratilidade cardíaca e vasodilatação. • Indicações Clínicas**: Insuficiência cardíaca grave, falência de bombas mecânicas, suporte inotrópico pós-operatório. • Efeitos Colaterais: Hipotensão, arritmias ventriculares, trombocitopenia, hepatotoxicidade. milrinona ● Agonista de receptores V1 (vasoconstrição) e V2 (retenção de água nos rins). ● Efeitos Colaterais: Hipertensão, hiponatremia, isquemia tecidual, arritmias, broncoespasmo. ● Indicações Clínicas: Choque séptico refratário a catecolaminas, parada cardíaca, controle de sangramentos por varizes esofágicas. vasopressina Farmacocinética das Catecolaminas • Via oral - não apresentam eficácia (devido ao rápido metabolismo pelas enzimas MAO (fígado e intestino) e COMT (intestino). • Via subcutânea - absorção lenta devido a vasoconstrição. • Via intramuscular - absorção relativamente rápida. • Emergência - via intravenosa. Reações Adversas às Catecolaminas • ansiedade/agitação/medo • cefaleia • tremor • palpitação • hemorragia encefálica • arritmias cardíacas • angina Contraindicação • hipertireoidismo não controlado (esses pacientes têm produção aumentada de receptores adrenérgicos nos vasos). Risco de Reações Adversas Severas • hipertensão não controlada; • angina de peito instável ou não tratada; • AVC nos últimos 3-6 meses; • arritmias cardíacas não controladas; • insuficiência cardíaca não controlada. Limitações para o Uso SP22 ANTI-HIPERLIPÊMICOS Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. Estatinas MEA: • inibição da HMG-CoA redutase, que catalisa a conversão de HMG-CoA a ácido mevalônico, que posteriormente, seria convertido em colesterol. • A diminuição da síntese de colesterol suprarregula a síntese do receptor de LDL, aumentando a remoção de LDL do plasma para os hepatócitos. • Assim, o principal efeito das estatinas é reduzir o LDL plasmático. • Também há certa redução de TG plasmáticos e aumento do HDL. Estatinas Inibidores competitivos específicos e reversíveis: sinvastatina e lovastatina. Inibidores de ação prolongada: rosuvastatina e atorvastatina. EA: São bem toleradas, mas pode ocorrer mialgia, desconforto GI, elevação das concentrações plasmáticas de enzimas hepáticas, insônia e rash cutâneo. Também angioedema e miosite, com evolução para rabdomiólise (mais frequente em pacientes com hipotireoidismo não controlado e/ou baixa massa corporal magra). ● fibratos ativam: receptores ativados pelo proliferador de peroxissomo (RAPPs) são membros da família de receptores nucleares que regulam o metabolismo lipídico. ● Os RAPPs funcionam como fatores de transcrição ativados pelo ligante. São ativados ao ligarem os seus ligandos naturais (ácidos graxos ou eicosanoides) ou a anti-hiperlipêmicos. ● Então, eles ligam a elementos de resposta proliferador de peroxissoma, o que finalmente leva à diminuição da concentração de triglicerídeos por meio do aumento da expressão da lipoproteína lipase e diminuindo a concentração de apo CII. ● O fenofibrato é mais eficaz do que a genfibrozila na redução dos níveis de triglicerídeos. ● Os fibratos também aumentam o nível de HDL-C pelo aumento da expressão de apo AI e apo AII. Fibratos Fibratos: ciprofibrato, genfibrozila, fenofibrato, clofibrato. Reduzem o VLDL circulante e, portanto, os triglicerídeos, com redução modesta (cerca de 10%) do LDL e aumento (cerca de 10%) do HDL. Mecanismo: agonistas de receptores PPARα. Principais efeitos: - aumento da transcrição dos genes de lipoproteína lipase, apoA1 e apoA5. - aumento da captação hepática de LDL. *fenofibrato: também é uricosúrico. Em outra fonte, o seguinte MEA: ● O PPARα (ou RAPPs) se localiza, principalmente, no fígado e tecido adiposo marrom. Também está presente em menor quantidade nos rins, coração e músculo esquelético. ● São receptores nucleares e regulam o metabolismo lipídico. ● Funcionam como fatores de transcrição ativados por ligantes (ácidos graxos, eicosanoides e fibratos) ● Uma vez ativado, o PPARα estimula a: - síntese da enzima lipase de lipoproteína (LPL: responsável pela hidrólise de triglicerídeos do quilomícron e da VLDL). - oxidação de ácidos graxos para serem utilizados como fonte de energia. A partir dessahidrólise de triglicerídeos libera-se ácido graxo, que será oxidado e utilizado como fonte de energia. Juntamente com o aumento da síntese de LPL, há diminuição da expressão da apoC-III, sinalizando que existe maior depuração hepática de VLDL, o que diminui os níveis de VLDL e, consequentemente, LDL. Além disso, pela estimulação do PPARα: aumento dos níveis de HDL, devido ao aumento da expressão de apoA-I e apoA-II: apoproteínas que formam o HDL. Fibratos EA: principalmente GI, mas também pode ocorrer prurido, rash cutâneo, miopatia (condição que gera dor muscular e fraqueza) e rabdomiólise (incomum, mas grave, ocorre destruição muscular extensa, liberando grandes quantidades de mioglobina na corrente sanguínea, o que pode causar insuficiência renal aguda). *Devem ser evitados em pacientes alcoólatras (pois embora tenham predisposição a hipertrigliceridemia, têm risco de rabdomiólise) e em pacientes renais. *Desaconselhada a associação, principalmente do fibrato genfibrozila, com estatinas: aumento do risco de miopatia e rabdomiólise. FARMACOLOGIA DOS ANTI-HIPERTENSIVOS PRESSÃO ARTERIAL (FC x VS) PA = DC x RVP PA: pressão arterial DC: débito cardíaco RVP: resistência vascular periférica (arteríolas) FC: frequência cardíaca VS: volume sistólico Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. Controle da Pressão Arterial Katzung; Trevor. In Farmacologia Básica & Clínica, AMGH: 13. ed., 2017. Barorreceptores: receptores de estiramento Katzung; Trevor. In Farmacologia Básica & Clínica, AMGH: 13. ed., 2017. Barorreflexo Postural • Neurônios simpáticos centrais são tonicamente ativos. • Mas a ativação dos barorreceptores INIBE a DESCARGA SIMPÁTICA CENTRAL. • Já a queda da pressão, diminui a ativação dos barorreceptores, o que libera a ativação dos neurônios simpáticos centrais. Katzung; Trevor. In Farmacologia Básica & Clínica, AMGH: 13. ed., 2017. ECA Resposta Renal à Redução da Pressão Arterial: SISTEMA Renina-Angiotensina-Aldosterona Angiotensin III ● A queda da PA leva à diminuição da pressão de perfusão renal. ● Isso estimula as células justaglomerulares nas arteríolas aferentes renais a liberarem renina. ● O estímulo à liberação de renina também pode se dar pelo aumento da atividade simpática (ativação de β1). Aldosterona Tortora & Derrickson. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 14. ed. Guanabara Koogan, 2019. • Aldosterona: principal mineralocorticoide que: - Regula a homeostasia de 2 íons minerais: aumenta a reabsorção de sódio (Na+) e a secreção de potássio (K+); - Ajuda a ajustar a PA e o volume de sangue (aumenta, devido à retenção de sódio e, consequentemente, de água por osmose); - Promove a excreção de H+ na urina: ajudando a evitar a acidose (pH abaixo de 7,35). Tortora & Derrickson. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 14. ed. Guanabara Koogan, 2019. Controle da Secreção de Aldosterona angiotensinogênio • A via Renina-Angiotensina-Aldosterona (RAA) controla a secreção de aldosterona. 1) Desidratação, deficiência de Na+ e hemorragia são estímulos que iniciam a via da renina-angiotensina-aldosterona. 2) Essas condições promovem a diminuição do volume sanguíneo. 3) O volume sanguíneo reduzido promove a queda da pressão arterial. 4) A PA mais baixa estimula certas células renais, as células justaglomerulares, a secretar a enzima renina. 5) O nível de renina no sangue sobe. 6) A renina converte a angiotensinogênio, uma proteína plasmática produzida pelo fígado, em angiotensina I. 7) O sangue contendo níveis mais altos de angiotensina I circula pelo corpo. 8) Conforme o sangue flui pelos capilares, sobretudo dos pulmões, a enzima conversora de angiotensina (ECA) converte angiotensina I no hormônio angiotensina II. 9) O nível sanguíneo de angiotensina II sobe. Controle da Secreção de Aldosterona 10) A angiotensina II estimula o córtex da glândula suprarrenal a secretar aldosterona. 11) Sangue contendo níveis mais elevados de aldosterona circula para os rins. 12) Nos rins, a aldosterona aumenta a reabsorção de Na+, que, por sua vez, promove a reabsorção de água por osmose. Em consequência disso, perde-se menos água na urina. A aldosterona também estimula os rins a intensificarem a secreção de K+ e H+ na urina. 13) Com a reabsorção mais intensa de água pelos rins, o volume de sangue aumenta. 14) Na medida em que o volume de sangue aumenta, a PA se eleva ao normal. 15) A angiotensina II também estimula a contração da musculatura lisa das paredes das arteríolas, o que aumenta a pressão sanguínea, ajudando a elevar a pressão de volta ao normal. 16) Além da angiotensina II, um segundo fator que estimula a secreção de aldosterona é uma concentração maior de K+ no sangue (ou líquido intersticial). A diminuição no nível sanguíneo de K+ produz o efeito oposto. Controle da Secreção de Aldosterona Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. 1. Fármacos Simpatolíticos - De ação central (agonistas α2); - Antagonistas α1 - Antagonistas β. 2. Vasodilatadores - Diretos; - Antagonistas de canais de cálcio. 3. Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina (ECA) 4. Antagonistas de Angiotensina II 5. Diuréticos - De Alça, - Tiazídicos - Poupadores de K+ Classes de Anti-hipertensivos 1. FÁRMACOS SIMPATOLÍTICOS MAO EFEITOS BIOLÓGICOS: REDUÇÃO DA DESCARGA SIMPÁTICA = DIMINUIÇÃO DA RVP E DC β Difusão recaptação neuronial α2 - NA α1 1A) Simpatolíticos de Ação Central (CENTRO VASOMOTOR): Agonistas de receptores α2 Ex: metildopa*, clonidina (agonistas α2 - o que inibe o disparo do neurônio pré) Efeitos Colaterais (EC): • sedação; • cansaço mental; • distúrbios do sono; • inibição/retardo da ejaculação; • ginecomastia e galactorreia. Advertência: o tratamento com clonidina não pode ser interrompido abruptamente – risco de aumento descontrolado da PA. *metildopa é um dos únicos anti-hipertensivos que pode ser usado por gestantes. Ex: prazosina, terazosina, doxazosina. Mecanismo de Ação • antagonistas α1 (receptores presentes nos vasos); • redução da resistência periférica, por dilatação de vasos de resistência e capacitância. 1B) Simpatolíticos - Antagonistas α1 Uso Terapêutico • Geralmente em associação com diuréticos ou outros anti-hipertensivos: Principais EC • retenção de sódio e água (por isso associar a diurético); • fenômeno de primeira dose (hipotensão postural e síncope); • priapismo, retardo na ejaculação, hipotensão postural, taquicardia reflexa, cefaleia e tontura. 1B) Simpatolíticos: Antagonistas α1 1C) Simpatolíticos - Antagonistas β • não seletivo: propranolol* e nadolol. • β1 seletivo: atenolol*, bisoprolol, esmolol, metoprolol e nebivolol. Diminuem: • DC (frequência e contratilidade cardíaca); • RVP (inibem a estimulação da liberação de renina). Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. 1C) Simpatolíticos - Antagonistas β Uso: hipertensão leve a moderada. *Impedem a taquicardia reflexa causada por vasodilatadores diretos. Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. Principais EC • Não seletivos, p. ex. propranolol: piora de crise asmática; • Todos os antagonistas β: redução de tolerância ao exercício, hipotensão, bradicardia, fadiga, insônia e disfunção sexual. Beta Bloqueadores: Advertências *Cuidado com pacientes diabéticos pois: • mascaram os sinais de hipoglicemia (tremores, taquicardia e nervosismo); • diminuem glicogenólise e secreção de glucagon - hipoglicemia. • Nunca interromper abruptamente: pode precipitar arritmias cardíacas graves, agravar a angina e/ou hipertensão, além de causar síndrome de abstinência (nervosismo e taquicardia). • Se tiverem que ser mantidos durante a gestação, preferir o metoprolol. labetalol e carvedilol: antagonistas α1 e β1 e β2 labetalol e o carvedilol: β-bloqueadores, com ações α1-bloqueadoras concomitantes que produzemvasodilatação periférica, reduzindo a PA. • Contrastam com outros β-bloqueadores que produzem vasoconstrição periférica inicial e, por isso, são úteis no tratamento de pacientes hipertensos, cujo aumento da RVP é indesejável. Pindolol: agonistas parciais β pindolol: agonista parcial β1 e β2 • estimula fracamente os receptores β1 e/ou β2. • mas inibe a estimulação pelas catecolaminas endógenas mais potentes (epinefrina e norepinefrina). * Resultado:oral que atua como um inibidor direto da trombina (fator IIa), inibindo sua atividade. A trombina é uma enzima crucial na cascata de coagulação, responsável pela conversão do fibrinogênio em fibrina, que forma a rede de coágulo sanguíneo. ● Assim, ao inibir a trombina, a dabigatrana previne a formação de fibrina, o que, por sua vez, reduz a formação de coágulos sanguíneos. RAMs ● Sangramentos (gengivas, nasal, gastrointestinal, hematomas). ● Anemia (secundária a sangramentos). ● Desconforto gastrointestinal (dor abdominal, dispepsia). ● Elevação de enzimas hepáticas (assintomática). dabigatrana ● Inibe o fator Xa, enzima central na cascata de coagulação, responsável pela conversão da protrombina em trombina. A trombina, por sua vez, transforma o fibrinogênio em fibrina, a proteína que forma a base dos coágulos sanguíneos. Portanto, ao inibir o fator Xa, previne a formação de trombina e, consequentemente a transformação do fibrinogênio em fibrina. RAMs ● Sangramentos (gengivas, nasal, gastrointestinal, hematomas). ● Anemia (secundária a sangramentos). ● Desconforto gastrointestinal (dor abdominal, dispepsia). ● Elevação de enzimas hepáticas (assintomática). rivaroxabana Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. Anti-hemorrágicos ● ácido tranexâmico: inibe a ativação do plasminogênio. Principal RAM: trombose. ● sulfato de protamina: cargas positivas interage com a heparina de cargas negativas, formando um complexo estável sem atividade anticoagulante. Principais RAMs: hipersensibilidade, assim como, dispneia, rubor, bradicardia e hipotensão, quando injetada rapidamente. ● Vitamina K1: usada vo. ou iv. para interromper o sangramento causado por varfarina. * resposta à vitamina K é lenta, requerendo cerca de 24 horas para reduzir a INR (tempo para sintetizar novos fatores de coagulação). Se necessária hemostasia imediata, transfundir plasma congelado fresco. ● O traumatismo físico ao sistema vascular inicia uma série complexa de interações entre plaquetas, células endoteliais e a cascata da coagulação. ● Essas interações levam à hemostasia ou à interrupção na perda de sangue por vasos sanguíneos danificados. ● Inicialmente, ocorre um vasoespasmo para prevenir perda de sangue adicional. ● Posteriormente, ocorre a formação de tampão de fibrina e plaquetas no local da punção. ● A criação de um trombo indesejado envolve várias das mesmas etapas da coagulação normal, exceto que o estímulo disparador é uma condição patológica no sistema vascular. Resposta Plaquetária à Lesão Vascular Resposta Plaquetária à Lesão Vascular A. Plaquetas em Repouso ● Plaquetas: atuam como sentinelas vasculares, monitorando a integridade do endotélio. Na ausência de lesão, circulam livremente. ● Mediadores químicos, como prostaciclinas (PGI2) e óxido nítrico, são sintetizados pelas células endoteliais intactas e atuam como inibidores da aglutinação das plaquetas. ● As prostaciclinas atuam ligando-se a receptores de membrana plaquetários que estão acoplados à síntese de monofosfato cíclico de adenosina (AMPc), um mensageiro intracelular. ● Níveis elevados de AMPc estão associados à diminuição da liberação de cálcio do retículo endoplasmático (cálcio intracelular), o que evita a aglutinação das plaquetas e a subsequente liberação de fatores de agregação plaquetária. ● Células endoteliais lesadas: sintetizam menos PGI2 do que as saudáveis. Como menos AMPc intracelular é sintetizado, ocorre a aglutinação das plaquetas. Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. B. Adesão Plaquetária: quando o endotélio está lesado, as plaquetas aderem e praticamente cobrem o colágeno exposto do subendotélio. Isso inicia uma série complexa de reações químicas, resultando na ativação plaquetária. C. Ativação Plaquetária: receptores na superfície das plaquetas aderentes são ativados pelo colágeno do tecido conectivo subjacente. Isso causa alterações morfológicas nas plaquetas e a liberação de grânulos contendo mediadores químicos (ADP, TXA2, 5-HT, PAF e trombina). Esses sinalizadores se ligam aos receptores na membrana externa das plaquetas circulantes vizinhas. Esses receptores funcionam como sensores, que são ativados pelos sinais enviados das plaquetas aderentes. As plaquetas previamente dormentes se tornam ativadas e iniciam a aglutinação. Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. Essas ações são mediadas por vários sistemas mensageiros que, no final, resultam na elevação dos níveis de cálcio e na diminuição da concentração de AMPc dentro da plaqueta. SP 24 Inibidores (ou Antiagregantes) Plaquetários e Trombolíticos Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. D. Aglutinação das Plaquetas: O aumento do cálcio citosólico que acompanha a ativação decorre da liberação de estoques armazenados no interior da plaqueta. Isso leva 1) à liberação de grânulos de plaquetas contendo mediadores, como ADP e serotonina, que ativam outras plaquetas; 2) à ativação da síntese de tromboxano A2; e 3) à ativação dos receptores de glicoproteínas (GPs) IIb/IIIa que ligam fibrinogênio e, finalmente, regulam as interações plaquetas-plaquetas e a formação do trombo. O fibrinogênio, uma GP plasmática solúvel, liga-se simultaneamente aos receptores de GP IIb/IIIa de duas plaquetas vizinhas, resultando na ligação cruzada entre plaquetas e na sua aglutinação. Isso leva a uma avalanche de aglutinação plaquetária, pois cada plaqueta ativada pode recrutar outras plaquetas. E. Formação do coágulo: A estimulação local da cascata de coagulação pelos fatores teciduais liberados dos tecidos lesados e pelos mediadores da superfície das plaquetas resulta na formação de trombina (fator IIA), que por sua vez, catalisa a hidrólise do fibrinogênio em fibrina, que é incorporada no coágulo. Ligações cruzadas subsequentes das tiras de fibrina estabilizam o coágulo e formam um tampão fibrina-plaquetas hemostático. F. Fibrinólise: Durante a formação do tampão, a via fibrinolítica é ativada localmente. O plasminogênio é processado à plasmina (fibrinolisina) enzimaticamente pelos ativadores de plasminogênio nos tecidos. A plasmina limita o crescimento do coágulo e dissolve a rede de fibrina à medida que ocorre a cicatrização. Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. ● A estimulação das plaquetas (por trombina, colágeno e ADP) resulta na ativação das fosfolipases de membrana das plaquetas que liberam ácido araquidônico dos fosfolipídeos da membrana. ● O ácido araquidônico é convertido inicialmente em prostaglandina H2 pela COX-1. A prostaglandina H2 é metabolizada a tromboxano A2, que é liberado no plasma. O TXA2 promove o processo de aglutinação - essencial para a rápida formação do tampão hemostático. ● O ácido acetilsalicílico (AAS) inibe a síntese do TXA2 por acetilação do resíduo serina no centro ativo da COX-1, inativando irreversivelmente a enzima. Isso desloca o equilíbrio dos mediadores químicos em favor dos efeitos antiaglutinantes da prostaciclina. ● A supressão da TXA2 e a consequente supressão da aglutinação das plaquetas pelo AAS persistem por toda a vida da plaqueta (7 a 10 dias). Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. AAS ● MEA: Inibem a ligação do ADP aos receptores (P2Y12) nas plaquetas. Isso faz com que os níveis de AMPc permaneçam elevados e que menos cálcio seja liberado do retículo endoplasmático. Assim, inibem a ativação dos receptores de GP IIb/IIIa necessários para que as plaquetas se liguem ao fibrinogênio e umas às outras. ● O ticagrelor se liga reversivelmente ao receptor P2Y12. Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. clopidogrel, ticlopidina, prasugrel e ticagrelor ● RAMs: podem prolongar o tempo de sangramento, para o que não existe antídoto. A ticlopidina éassociada com graves reações hematológicas que limitam seu uso, como agranulocitose, púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) e anemia aplástica. O clopidogrel causa menos RAM, e a incidência de neutropenia é menor. Contudo, foi relatada PTT como efeito adverso para clopidogrel e prasugrel (mas não para ticagrelor). Mecanismo de ação: ● inibe receptores GP IIb/IIIa. ● Assim, bloqueiam a ligação do fibrinogênio e do fator de von Willebrand e, consequentemente, não acontece a aglutinação. RAM: principalmente, aumento do tempo de sangramento Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. abciximabe, eptifibatida e tirofibana cilostazol: antiplaquetário de uso oral que tem também atividade vasodilatadora. - inibe a fosfodiesterase tipo III, que previne a degradação do AMPc nas plaquetas e nos tecidos vasculares, prevenindo aglutinação das plaquetas e promovendo vasodilatação. - também altera de modo favorável o perfil lipídico, causando diminuição nos TGs plasmáticos e aumentando HDL. RAMs mais comuns: cefaleia e sintomas GI (diarreia, fezes anormais, dispepsia e dor abdominal). Os inibidores da fosfodiesterase tipo III aumentam a mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca avançada. Por isso, contraindicado em pacientes com IC. Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. https://www.researchgate.net/publication/242535858_The_Clinical _Effects_of_Cilostazol_on_Atherosclerotic_Vascular_Disease TROMBOLÍTICOS Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. MEA: Atua convertendo plasminogênio em plasmina, uma enzima hidrolisa a fibrina, dissolvendo os trombos e permitindo a restauração do fluxo sanguíneo. *Tem baixa afinidade pelo plasminogênio livre no plasma, mas ativa rapidamente o plasminogênio que está ligado à fibrina em um trombo ou tampão hemostático. Assim, a alteplase em doses baixas é considerada seletiva para fibrina. *A dissolução do coágulo e a reperfusão ocorrem com maior frequência quando o tratamento é iniciado logo após a formação do trombo, pois ele se torna mais resistente à lise à medida que envelhece. *Um número maior de trombos pode ocorrer enquanto o trombo se dissolve, levando a uma maior agregação das plaquetas e trombose. Estratégias para evitar essa situação: antiplaquetários, como AAS, ou anticoagulantes, como heparina. RAMs: angioedema orolingual alteplase e tenecteplase Sistema fibrinolítico. O esquema mostra as interações das vias de coagulação e plaquetária e os pontos para a ação de fármacos que modificam esses sistemas. Ritter J.M. et al. Rang & Dale: Farmacologia. 9. ed. Rio de Janeiro: GEN, 2022. ANTINEOPLÁSICOS Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. daunorrubicina e doxorrubicina MEA: ● se inserem entre as bases nitrogenadas do DNA, interrompendo a estrutura helicoidal. Isso impede a replicação do DNA e a transcrição do RNA, interferindo com a síntese de proteínas essenciais para a sobrevivência celular; ● geram radicais livres que podem causar: - peroxidação dos lipídeos de membrana; - ruptura das fitas de DNA; - oxidação direta de bases púricas e pirimídicas, tióis e aminas. ● inibem a topoisomerase II, o que leva à formação de quebras no DNA, Reações Adversas: • cardiotoxicidade dose-dependente e irreversível, resultante da geração de radicais livres e da peroxidação de lipídeos. • mielossupressão; náusea, vômito, diarreia, mucosite, alopecia, coloração vermelha da urina, fortes vesicantes Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. metotrexato (grupo dos antimetabólitos) MEA: inibe a di-hidrofolato redutase (DHFR), enzima que converte o ácido fólico na sua forma de coenzima ativa, o ácido tetra-hidrofólico (FH4). Reações Adversas: náusea, vômito, diarreia, estomatite, urticária, alopecia e mielossupressão; dose alta: lesão renal. Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. citarabina (grupo dos antimetabólitos) MEA: • Atua como antagonista da pirimidina. • Entra na célula por transportadores e é fosforilada para formar o nucleotídeo (trifosfato de citosina arabinosídeo ou ara-CTP) e ser citotóxica. • É um inibidor eficaz da DNA-polimerase. • O nucleotídeo também é incorporado ao DNA nuclear e pode terminar o alongamento da cadeia. • Portanto, é específica da fase S (e, assim, ciclo-celular específica). Reações Adversas: náusea, vômito, diarreia, mielossupressão, hepatotoxicidade; toxicidade neurológica, conjuntivite (dose alta). Alcaloides da Vinca: vimblastina e vincristina Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. MEA: Sua ligação à proteína microtubular, a tubulina, bloqueia a possibilidade da tubulina polimerizar para formar microtúbulos. Em vez disso, formam-se aglutinados paracristalinos consistindo de dímeros de tubulina e alcaloide. O fuso formado não é funcional, paralisa na metáfase e impede a segregação dos cromossomos e a proliferação celular. *injeção IV: efeitos citotóxicos rápidos e à destruição celular. Consequentemente: hiperuricemia, devido à oxidação de purinas liberadas das moléculas de DNA fragmentadas. Efeitos adversos: • VX e a VBL: flebites e celulites − se o fármaco extravasa durante a injeção. Também causam náusea, êmese, diarreia e alopecia. • VBL: mielossupressora mais potente • VX: causa mais constipação e neuropatia periférica (parestesias, perda de reflexos, falta de tônus para manter o pé na posição e ataxia) está associada à VX. Whalen, Finkel & Panavelil. Farmacologia Ilustrada - 6ª ed. Artmed, 2016. Referências Bibliográficas ● Armstrong, E.J.; Armstrong, A.W; Rocco, T.P. Farmacologia Cardiovascular Integrativa Hipertensão, Cardiopatia Isquêmica e Insuficiência Cardíaca. In: Golan, D.E.; Tashjian JR, A.H.; Armstrong, E.J.; Armstrong, A.W.(Eds.). Princípios de Farmacologia: A base fisiopatológica da farmacologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. p. 440-468. ● Barroso et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 2020. ● Guyton, A.C.; Hall, J.E. O papel dominante dos rins na regulação a longo prazo da pressão arterial e na hipertensão: O sistema integrado de controle da pressão. In: GUYTON E HALL: Tratado de Fisiologia Médica. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. p. 216-231. ● Guyton, A.C.; Hall, J.E. Débito cardíaco, retorno venoso e suas regulações. In: GUYTON E HALL: Tratado de Fisiologia Médica. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. p. 232-245. ● Katzung, B.G.; Trevor, A.J. Farmacologia Básica & Clínica. 13. ed. 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