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Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais Marcelo Eduardo A. Silva UFPE 4 de Maio de 2022 Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 1 / 91 1 Dinâmica da Dívida Pública no Brasil 2 Deficits Orçamentários e Dinâmica da Dívida Pública 3 Equivalência Ricardiana 4 A desagradável aritmética monetarista 5 Monetização da dívida 6 Regras Fiscais Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 2 / 91 DINÂMICA E ESTRUTURA DA DÍVIDA PÚBLICA NO BRASIL Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 3 / 91 Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 4 / 91 Secretaria do Tesouro Nacional – Relatório de Projeções da Dívida Pública 2021 – Nº 1 6 1. Perspectivas para a dívida pública brasileira 1.1 Trajetória da dívida no cenário base As projeções do cenário base deste relatório (Figura 1) indicam que, ao final de 2021, a DBGG e a DLSP representarão 87,2% e 65,0% do PIB, respectivamente, depois de registrarem, nessa ordem, 74,3% do PIB e 62,7% do PIB em 2020. No médio prazo, após um período de relativa estabilidade, a DBGG deve encerrar 2030 em 83,6% do PIB, enquanto a DLSP deve seguir em trajetória crescente ao longo que quase todo o horizonte, encerrando 2030 em 75,4% do PIB. Figura 1 – Projeções da dívida pública (% PIB) Fonte: Realizado, BCB. Projeções: STN/Fazenda/ME. Em 2020, a DBGG/PIB aumentou 14,5 pontos percentuais, principalmente em razão da crise deflagrada pelo novo coronavírus e das medidas fiscais que foram adotadas para seu enfrentamento, que contribuíram sobremaneira para que o déficit primário do governo geral registrasse 9,5% do PIB no período. A Figura 2 traz os fatores de variação da DBGG/PIB em 2020. Figura 2 – Fatores de variação da DBGG em 2020 (% PIB) Fonte: Realizado, BCB. Projeções: STN/Fazenda/ME. Já para 2021, a projeção de redução da DBGG/PIB em 1,6 ponto percentual do PIB se apoia principalmente na expectativa de crescimento nominal do PIB, além de um cenário para déficit primário Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 5 / 91 Dívida Bruta do Governo Central como % PIB Country 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 Argentina 43.45 38.94 40.44 43.50 44.70 52.56 53.06 57.11 86.289 Brazil 63.08 61.20 62.19 60.20 62.31 72.57 78.33 84.05 87.877 India 67.46 69.64 69.12 68.55 67.81 69.92 69.02 69.84 69.794 Italy 115.41 116.52 123.36 129.02 131.79 131.56 131.35 131.28 132.085 Japan 207.85 222.09 229.01 232.47 236.07 231.55 236.34 234.98 237.115 Portugal 90.53 111.39 126.22 129.04 130.59 128.77 129.21 124.76 121.435 Russia 10.94 11.20 11.95 13.14 16.09 16.38 16.08 15.52 13.953 South Africa 34.68 38.23 41.00 44.10 46.99 49.34 51.47 53.02 56.71 Spain 60.07 69.46 85.74 95.45 100.37 99.33 98.97 98.12 97.016 United Kingdom 75.24 80.80 84.09 85.15 87.01 87.88 87.91 87.14 86.857 United States 95.41 99.75 103.22 104.76 104.45 104.69 106.87 106.23 105.773 Uruguay 59.41 58.10 58.01 60.18 61.42 64.63 61.58 65.71 69.99 Fonte: World Economic Outlook - Abril 2019 - IMF Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 6 / 91 Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 7 / 91 Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 8 / 91 Fevereiro Publicado em 30/03/2022 https://www.tesourotransparente.gov.br/publicacoes/ relatorio-mensal-da-divida-rmd Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 9 / 91 https://www.tesourotransparente.gov.br/publicacoes/relatorio-mensal-da-divida-rmd https://www.tesourotransparente.gov.br/publicacoes/relatorio-mensal-da-divida-rmd 6 Relatório Mensal da Dívida Pública RMD 37,2% 40,0% 42,0% 41,6% 39,4% 35,7% 35,3% 33,0% 31,0% 34,8% 28,9% 26,9% 26,9% 28,3% 33,9% 34,5% 34,9% 32,5% 31,8% 29,6% 27,5% 26,0% 25,3% 29,3% 29,9% 29,6% 30,1% 21,7% 19,1% 18,7% 22,8% 28,2% 31,5% 35,5% 38,9% 34,8% 36,8% 38,4% 39,1% 4,4% 4,4% 4,3% 4,9% 5,3% 4,2% 3,6% 4,0% 4,1% 5,1% 5,0% 4,7% 4,4% 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 jan/22 fev/22 Prefixado Índice Preços Taxa Flutuante Câmbio Estoque da DPF Composição Composição da DPF, por indexador Anexo 2.4 Aumento da participação de títulos atrelados a taxa flutuante (de 38,4% para 39,1%) devido principalmente à sua emissão líquida (R$ 65,17 bilhões). Queda da participação de títulos atrelados a índice de preços (de 29,9% para 29,6%) causado pelo resgate líquido de R$ 7,95 bilhões em fevereiro. Os títulos atrelados ao câmbio também reduziram sua participação no estoque da DPF para 4,4% em fevereiro devido principalmente à desvalorização de 4,07% do dólar em relação ao real. Mínimo Máximo Prefixado 24% 28% Índice de Preços 27% 31% Taxa Flutuante 38% 42% Câmbio 3% 7% Indicadores PAF 2022 Participação no estoque da DPF Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 10 / 91 7 Relatório Mensal da Dívida Pública RMD 125,9 80,9 82,2 80,7 46,4 43,4 41,9 -17,3 78,6 21,4 33,9 -17,7 Inst. Fin. Fundos Previdência Não-residentes em 12 meses no ano no mês 23,1% 22,3% 22,7% 24,7% 29,6% 29,5% 28,8% 29,5% 22,1% 25,2% 26,9% 26,7% 26,0% 24,0% 24,3% 24,1% 25,1% 25,5% 25,0% 24,9% 22,6% 21,7% 21,8% 21,9% 14,3% 12,1% 11,2% 10,4% 9,2% 10,6% 10,5% 10,0% 15,5% 14,9% 14,2% 13,3% 12,5% 14,3% 14,6% 14,4% 2016 2017 2018 2019 2020 2021 jan-22 fev-22 Inst. Fin. Fundos Previdência Não-residentes Demais Grupos Estoque da DPF Detentores da DPMFi Em fevereiro/22, o estoque de Não Residentes se reduziu em R$ 17,7 bilhões. O estoque de Instituições Financeiras aumentou em R$ 78,6 bilhões no mês. Participação relativa dos detentores da DPMFi Fevereiro/2022 Variação do Estoque dos principais detentores da DPMFi Fevereiro/2022 (R$ bilhões) Instituições Financeiras são os principais detentores, com 29,5% de participação, seguidos por Fundos (24,1%) e Previdência (21,9%). Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 11 / 91 8 Relatório Mensal da Dívida Pública RMD 3,62 3,97 4,18 4,42 4,57 4,54 4,26 4,11 3,97 3,57 3,84 3,89 3,86 3,49 3,84 4,06 4,28 4,44 4,44 4,14 3,98 3,83 3,39 3,65 3,71 3,69 6,48 6,61 6,76 7,00 7,01 7,09 7,55 7,39 7,50 7,17 7,77 7,85 7,78 3 4 5 6 7 8 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 jan-22 fev-22 A n o s Prazo Médio DPF Prazo Médio DPMFi Prazo Médio DPFe 24,8% 21,7% 21,6% 16,8% 16,9% 16,3% 18,7% 27,6% 21,0% 23,8% 23,4% 18,9% 15,5% 14,0% 16,4% 15,0% 17,2% 20,6% 15,6% 20,4% 20,4% 20,1% 21,4% 27,1% 30,3% 40,1% 42,6% 42,0% 37,2% 38,1% 34,8% 31,9% 31,6% 15,5% 35,7% 34,1% 26,7% 25,4% 24,5% 23,6% 18,8% 23,8% 24,0% 24,9% 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 jan/22 fev/22 Até 12 meses De 1 a 2 anos De 2 a 5 anos Acima de 5 anos Perfil de Vencimentos da DPF Composição dos Vencimentos - DPF Prazo Médio Anexo 3.7 Vencimentos da DPF Anexo 3.1 Perfil de Vencimentos da DPF: Redução da participação dos vencimentos até 12 meses, para 23,36%. Redução do Prazo Médio da DPF para 3,86 anos em fevereiro. Mínimo Máximo 19,0 23,0 Indicadores PAF 2022 % Vincendo em 12 meses - DPF Mínimo Máximo 3,8 4,2 Prazo Médio (anos) - DPF Indicadores PAF 2022 Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 12 / 91 9 Relatório Mensal da Dívida Pública RMD 2019 2020 2021 Jan/22 CME* CME* CME CME Taxa Média de Emissão Variação Média do Indexador CME DPMFi 6,9 4,4 8,5 8,9 9,5 LTN 7,3 4,36,8 7,3 7,9 - 7,9 NTN-F 8,4 6,9 8,7 9,3 9,9 - 9,9 NTN-B 8,0 7,1 15,4 15,3 4,2 10,8 15,4 LFT 6,0 2,8 5,9 6,6 0,2 7,2 7,5 * Valores calculados a partir da metodologia antiga. Fev/22 2 4 6 8 10 12 14 16 d ez /1 1 ju n /1 2 d ez /1 2 ju n /1 3 d ez /1 3 ju n /1 4 d ez /1 4 ju n /1 5 d e z/ 1 5 ju n /1 6 d ez /1 6 ju n /1 7 d ez /1 7 ju n /1 8 d ez /1 8 ju n /1 9 d ez /1 9 ju n /2 0 d e z/ 2 0 ju n /2 1 d ez /2 1 % a .a . Custo DPF DPMFi Selic Custo médio do estoque da DPF e Taxa Selic acumulados em 12 meses Anexo 4.2 e Site Bacen Custo médio das emissões em oferta pública da DPMFi acumulado em 12 meses (% a.a.) Anexo 4.3 Custo Médio da DPF Custo médio do estoque e das emissões Custo médio do estoque da DPF acumulado em 12 meses: aumento de 8,61% em janeiro para 8,68% a.a. em fevereiro. Custo médio do estoque da DPMFi acumulado em 12 meses: aumento de 8,92% em janeiro para 9,25% a.a em fevereiro. Custo médio do estoque da DPFe acumulado em 12 meses: redução de 2,33% em janeiro para -2,64% a.a. em fevereiro. Custo médio das emissões em oferta pública da DPMFi acumulado em 12 meses: 9,50% a.a.. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 13 / 91 DEFICITS ORÇAMENTÁRIOS E DINÂMICA DA DÍVIDA PÚBLICA Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 14 / 91 Deficits Orçamentários e Dinâmica da Dívida Pública • Vamos derivar a Restrição Orçamentária do Governo (Blanchard, 2017). • Deficit, Dt, pode ser definido (em termos reais) como: Dt = rBt−1 + Gt − Tt (1) • Onde rBt−1 ≡ pagamento de juros (real) sobre dívida antiga e Gt − Tt ≡ deficit primário. • Se ocorre deficit, ele precisa ser financiado com emissão de nova dívida. Dt = Bt − Bt−1 (2) • Estamos ignorando a seignorage. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 15 / 91 Deficits Orçamentários e Dinâmica da Dívida Pública • Portanto, (1) e (2) implicam em: Bt − Bt−1 = rBt−1 + Gt − Tt (3) • Rearrajando temos nossa ROG: Bt = (1 + r)Bt−1 + Gt − Tt (4) • Com base nisso podemos estudar diferentes cenários para a política fiscal. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 16 / 91 Deficits Orçamentários e Dinâmica da Dívida Pública • Efeito de um corte nos impostos: • Suponha que os impostos caiam por um ano. O quê acontecerá com a dinâmica da dívida? • Suposições: 1 Antes do corte: orçamento equilibrado =⇒ Gt = Tt ∀ t g. 2 r 0 governo é devedore quando b 0 e d > 0: ∆"# "#$% d>0 "& ' − ) > 0 • Onde bA é tal que ∆bt = 0. É possível achar esse valor. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 28 / 91 Deficits Orçamentários e Dinâmica da Dívida Pública • Caso: r > g e deficit dt = d > 0. • Para achar bA é só fazer ∆bt = 0 =⇒ bA = − 1 r−g d. Sinal de bA depende de r− g e d! • Agora poderemos nos perguntar como se comportará a dívida-PIB se a economia começar num ponto diferente. • Suponha que o nível inicial da dívida é bB t−1 0. Logo ∆bB t = (r− g)bB t−1 + dt ∆bB t = (r− g) ( bA − ε ) + d ∆bB t = (r− g) ( − 1 r− g d− ε ) + d ∆bB t = −(r− g)ε bA. Qual a trajetória de bt? Irá crescer ou cair? Suponha bC t−1 = bA + ε para um ε > 0. Logo ∆bC t = (r− g)bC t−1 + dt ∆bC t = (r− g) ( bA + ε ) + d ∆bC t = (r− g) ( − 1 r− g d + ε ) + d ∆bC t = (r− g)ε > 0 • Portanto, à direita de bA dívida-PIB crescerá! Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 30 / 91 Deficits Orçamentários e Dinâmica da Dívida Pública �� � �� � �� � ��� � �� �� �� �� � � � • Se a economia começa à direita de bA dívida-PIB cresce sem limites. • Se a economia começa à esquerda de bA dívida-PIB cairá sem limites. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 31 / 91 Deficits Orçamentários e Dinâmica da Dívida Pública • Caso: r > g e deficit dt = d = 0. ∆"# "#$%&' = ) "#$%* "#$%+ • Se a economia começa à direita de bA t−1 dívida-PIB cresce sem limites. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 32 / 91 Deficits Orçamentários e Dinâmica da Dívida Pública • Caso: r > g e deficit dt = d 0 ∆"# "#$%"& d "#$%' "#$%( • Se a economia começa à direita de bA t−1 dívida-PIB cresce sem limites. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 33 / 91 Deficits Orçamentários e Dinâmica da Dívida Pública • Caso: r 0. • Como antes ∆bt = 0 quando bA = − 1 r−g d. • Para um bB t−1 0. Suponha bB = bA − ε para um ε > 0. Logo ∆bB t = (r− g)bB t−1 + dt ∆bB t = (r− g) ( bA − ε ) + d ∆bB t = (r− g) ( − 1 r− g d− ε ) + d ∆bB t = −(r− g)ε > 0 • Para um bC t−1 > bA =⇒ ∆bt 0. ∆"# "#$%"& d "#$%' "#$%( • Não importa onde comece, dívida-PIB converge para bA t−1! Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 35 / 91 Deficits Orçamentários e Dinâmica da Dívida Pública • Caso: r 0. • Essa é uma situação "boa" não importa onde a economia comece, dívida-PIB converge para bt 3 ∆bt = 0! • Valeria a pena se preocupar com o equilíbrio fiscal nesta situação? • Muitos países desenvolvidos parecem estar nessa situação. Até quando? Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 37 / 91 Cenários para a Dinâmica da Dívida Pública • Aumento em r e/ou queda em g 3 r− g > 0 ∆"# "#$%"& • Dívida passa a crescer sem limites! Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 38 / 91 Cenários para a Dinâmica da Dívida Pública • Lição: mesmo em situações favoráveis, governo deveria se preocupar com o equilíbrio fiscal. • E quanto maior o deficit primário, maior o custo de ajustamento. • E se o governo transformasse o deficit em superavit? Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 39 / 91 Cenários para a Dinâmica da Dívida Pública • Em A, bt está convergindo para bt 3 ∆bt = 0. Se ↑ r e/ou ↓ g 3 r− g > 0 =⇒ ∆bt > 0 (B). • Imediatamente, governo transforma d > 0 em d′ 0 =⇒ ∆bt > 0. • Governo resolve esperar até D para fazer o ajuste. ∆"# "#$% d &% A B C &' D D Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 42 / 91 Cenários para a Dinâmica da Dívida Pública • Lição: O custo de postergar será tanto maior quanto maior for a espera. • Economia sai de B para D. Em D o ajuste será mais duro! • Em D, o tamanho do superavit necessário para estabilizar a dívida, S2, será maior que S1 (superavit necessário para estabilizar a dívida em B). • Existem situações quando mesmo gerando um superavit, razão dívida-PIB pode estar numa trajetória insustentável. • Em tais casos, governo pode agir para mudar o cenário. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 43 / 91 Cenários para a Dinâmica da Dívida Pública • Mesmo gerando superavits ; ∆bt 0. ∆"# "#$% &' &% A B • E se o governo gerasse um S1 > S0? bt se estabilizaria. • E se o governo gerasse um S2 > S1 > S0? Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 44 / 91 Cenários para a Dinâmica da Dívida Pública • Ao gerar um superavit S2 > S1 > S0 =⇒ ∆btEduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 46 / 91 Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 47 / 91 Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 48 / 91 Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 49 / 91 EQUIVALÊNCIA RICARDIANA Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 50 / 91 Equivalência Ricardiana • Deficits muitas vezes são justificados para combater recessões. • No entanto, se agentes são racionais deficits podem não ter efeito. • Ideia da Equivalência Ricardiana. Proposição Proposição Barro-Ricardo: Uma vez que a Restrição Orçamentária do Governo é levada em consideração, nem os deficits nem as dívidas tem efeito sobre a atividade econômica. • Consumidores não alteram o consumo em resposta a um corte nos impostos se o valor presente da renda do trabalho líquida dos impostos não é afetado. • Menos impostos hoje, mais impostos no futuro. • Vamos ilustrar isso num modelo com 2 períodos. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 51 / 91 Equivalência Ricardiana • Restrição orçamentária das famílias: • Em t=1 C1 + S1 = Y1 − T1 (8) • Em t=2 C2 = (1 + r)S1 + Y2 − T2 (9) • Reescrevendo (9): S1 = C2 − Y2 + T2 1 + r (10) Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 52 / 91 Equivalência Ricardiana • (10) em (8) C1 + C2 − Y2 + T2 1 + r = Y1 − T1 (11) • Produz a Restrição Orçamentária Intertemporal das famílias: C1 + C2 1 + r = Y1 + Y2 1 + r − T1 − T2 1 + r (12) • Similarmente podemos obter a ROI do governo. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 53 / 91 Equivalência Ricardiana • Restrição orçamentária do governo: • Em t=1 G1 = T1 + B1 (13) • Em t=2 G2 + (1 + r)B1 = T2 (14) • Reescrevendo (14): B1 = T2 − G2 1 + r (15) Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 54 / 91 Equivalência Ricardiana • (15) em (13) G1 = T1 + T2 − G2 1 + r (16) • Produz a Restrição Orçamentária Intertemporal do Governo: G1 + G2 1 + r = T1 + T2 1 + r (17) • Hipótese: governo deve eventualmente pagar sua dívida. • Quem financia o governo? • Se G1 e G2 permanecem inalterados, um corte nos impostos hoje precisa ser compensado com mais impostos no futuro. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 55 / 91 Equivalência Ricardiana • Suponha G1 = G2 = Ḡ e T1 = T2 = T̄ =⇒ Ḡ = T̄ =⇒ ROG do governo é satisfeita. • Suponha agora que T′1 = T1 − δ, onde δ > 0 e que G1 = G2 = Ḡ. • Qual será T′2 3 ROI do Governo é satisfeita? Ḡ + Ḡ 1 + r = T1 − δ + T′2 1 + r T̄ + T̄ 1 + r = T̄ − δ + T′2 1 + r T′2 = T̄ + δ(1 + r) • Para satisfazer a ROI, governo precisa aumentar impostos futuros! • Qual a implicação desse resultado? Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 56 / 91 Equivalência Ricardiana • Vejamos a implicação do corte e do posterior aumento nos impostos. C1 + C2 1 + r = Y1 + Y2 1 + r − T′1 − T′2 1 + r = Y1 + Y2 1 + r − (T̄ − δ)− T̄ + δ(1 + r) 1 + r = Y1 + Y2 1 + r − T̄ − T̄ 1 + r + δ − δ(1 + r) 1 + r = Y1 + Y2 1 + r − T̄ − T̄ 1 + r • VPD da renda líquida do trabalho permanece inalterada. • Alternativamente, podemos ver o efeito sobre a poupança das famílias. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 57 / 91 Equivalência Ricardiana • Relembre que de (10) antes do corte S1 = C2 − Y2 + T2 1 + r = C2 − Y2 + T̄ 1 + r • Depois do corte: S1 = C2 − Y2 + T′2 1 + r = C2 − Y2 + T̄ + δ(1 + r) 1 + r = C2 − Y2 + T̄ 1 + r + δ • Famílias poupam exatamente o corte nos impostos para pagar mais impostos no futuro. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 58 / 91 Equivalência Ricardiana • Equivalência Ricardiana depende dentre outras coisas: 1 Ausência de restrições de liquidez: famílias devem ser capazes de tomar empréstimo. Famílias não Ricardianas. 2 Taxa de juros e horizonte temporal enfrentado por famílias e governo devem ser os mesmos. 3 Existência de herdeiros e a incorporação das preferências destes em suas próprias preferências podem justificar a Equivalência Ricardiana. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 59 / 91 A desagradável aritmética monetarista • O resultado que deficits são irrelevantes para afetar a atividade econômica parece ser muito forte. • Na verdade, a condução da política fiscal é extremamente importante. • Isto é particularmente verdade para a política monetária. • Problema de coordenação. • Sargent e Wallace (1981) enfatizam que a condução da política fiscal pode gerar uma situação em que um PM restritiva poderia causar mais inflação. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 60 / 91 MONETIZAÇÃO DA DÍVIDA Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 61 / 91 Monetização da dívida • Até agora assumimos que o governo poderia financiar deficits ou com aumento de impostos ou ainda com emissão de dívida. Mas e se isso não for possível ou desejável? • O governo tem o monopólio na emissão de moeda =⇒ receita de seignorage. • O quê acontece quando o governo usa emissão de moeda para financiar sua dívida? • Vejamos isso. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 62 / 91 Monetização da dívida • Vamos escrever a restrição orçamentária do governo(em termos nominais): G + iB ≡ T + ∆B + ∆H (18) • Onde H ≡moeda com alto poder de expansão (base monetária). • A quantidade de moeda é dada por: M = κH, onde κ > 0 é o multiplicador monetário (bancário). • É possível reescrever (18) como: (G− T) + iB ≡ ∆B + ∆H (19) • Em resumo, governo financia deficit primário e pagamento de juros com nova dívida ou com emissão de moeda. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 63 / 91 Monetização da dívida • É possível reescrever ainda e obter: ∆B ≡ (G− T) + iB−∆H (20) • Emissão de moeda pode reduzir o estoque da dívida. • BC emite moeda para comprar títulos do governo. • Dividindo ambos os lados de (20) por PY: ∆B PY ≡ G− T PY + iB PY − ∆H PY ∆B PY ≡ d + ib− ∆H H H PY Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 64 / 91 Monetização da dívida • Note que por definição: B ≡ bPY. É possível aproximar essa expressão como: ∆B ≈ ∆b.PY + ∆P.bY + ∆Y.bP ∆B PY ≈ ∆b.PY PY + ∆P.bY PY + ∆Y.bP PY ≈ ∆b + ∆P P b + ∆Y Y b ≈ ∆b + πb + gb • Combinando esses dois últimos resultados, obtemos uma expressão para a evolução da dívida-PIB como: ∆b = d + (i− π − g)b− γHh (21) Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 65 / 91 Monetização da dívida • Ou ainda: ∆b = d + (r− g)b− γHh (22) • γH ≡ taxa de crescimento da moeda com alto poder de expansão. • Como M = κH =⇒ γM = γH. • Note que pela TQM, no médio prazo, γH = γM = π. • Logo ao expandir a oferta de moeda para financiar a dívida (monetização da dívida), governo cria mais inflação. • Inflação reduz o crescimento da dívida-PIB. Por isso, esse método de financiar a dívida é chamado de imposto inflacionário. • Note que estamos tratando de uma dívida não indexada aos preços. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de2022 66 / 91 Monetização da dívida • Um termo relacionado é o da senhoriagem, que se refere ao privilégio do governo por ter o monopólio na emissão de moeda. • Senhoriagem é dada pela quantidade real de bens e serviços que o governo é capaz de comprar com emissão de moeda. S = ∆H P = ∆H H H P = γH H P • Existem diferentes formas de medir a senhoriagem (Ver Jaroletto (2005)). Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 67 / 91 https://core.ac.uk/download/pdf/33531619.pdf https://core.ac.uk/download/pdf/33531619.pdf Monetização da dívida • Em equilíbrio (médio prazo): S = π H P (23) • Ou ainda como proporção do PIB: S Y = πh (24) • Governo pode usar senhoriagem para financiar suas despesas, mas para isso o governo causa mais inflação. • Além do problema da inflação, é possível que as pessoas passem a demandar menos moeda. Isso é comum em hiperinflações. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 68 / 91 Monetização da dívida • Relembre que o equilíbrio no mercado monetário implica que:( M P )s = ( M P )d = L(i,Y) = L(r + π,Y) (25) • Aumento em π reduzem a demanda por moeda. • Usando M = κH é possível verificar que: S = π M P 1 κ (26) • Ou seja, ao usar a senhoriagem o governo causa mais inflação, mas ao mesmo tempo reduz a demanda por moeda. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 69 / 91 Monetização da dívida • Isso é o mesmo que reduzir a "base tributária" =⇒ para gerar a mesma receita de senhoriagem de antes, o governo precisará causar mais e mais inflação! • Resultado: hiperinflação! • Resultado que desequilíbrio fiscal e uso da senhoriagem pode estar por trás de episódios de hiperinflações é bem consolidado na literatura. • Ver, por exemplo, Fischer, S., Sahay, R., Végh, C. A. (2002). Modern hyper-and high inflations. Journal of Economic literature, 40(3), 837-880. • Ver ainda Ayres, J., Garcia, M., Guillén, D. A., Kehoe, P. J. (2019). The monetary and fiscal history of Brazil, 1960-2016 (No. w25421). National Bureau of Economic Research. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 70 / 91 Fonte: Fischer, S., Sahay, R., Végh, C. A. (2002) Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 71 / 91 Fonte: Fischer, S., Sahay, R., Végh, C. A. (2002) Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 72 / 91 Figure 5: Inflation, seigniorage, and money growth, 1960–2016 (a) Money growth and inflation (b) Seigniorage and inflation Sources: Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) and Central Bank of Brazil (CBB). Notes: For the inflation and money growth series, we plot the transformation log(15 + X), in which X denotes the annual percentage rate. We sum 15 to avoid taking logs of negative numbers. Inflation rates are computed using the General Price Index, IGP-DI, from Getulio Vargas Foundation. See appendix C for a description of how we compute the seigniorage and nominal GDP series. 39 Fonte: Ayres, J., Garcia, M., Guillén, D. A., Kehoe, P. J. (2019) Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 73 / 91 Figure 5: Inflation, seigniorage, and money growth, 1960–2016 (a) Money growth and inflation (b) Seigniorage and inflation Sources: Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) and Central Bank of Brazil (CBB). Notes: For the inflation and money growth series, we plot the transformation log(15 + X), in which X denotes the annual percentage rate. We sum 15 to avoid taking logs of negative numbers. Inflation rates are computed using the General Price Index, IGP-DI, from Getulio Vargas Foundation. See appendix C for a description of how we compute the seigniorage and nominal GDP series. 39 Fonte: Ayres, J., Garcia, M., Guillén, D. A., Kehoe, P. J. (2019) Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 74 / 91 REGRAS FISCAIS Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 75 / 91 Regras Fiscais Definição: Uma regra fiscal impõe limites duradouros sobre a política fiscal através do estabelecimento de limites numéricos sobre algum (alguns) agregados orçamentários. • Política fiscal não pode ser mudada com frequência. • O objetivo é evitar pressões para gastar além de um limite considerado responsável e garantir a sustentabilidade da dívida pública. • Além disto, pretende-se evitar "dominância fiscal". • A Lei de Responsabilidade Fiscal e a Regra do Teto dos Gastos são exemplos de regras fiscais. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 76 / 91 Regras Fiscais • Apesar de ser crescente o uso de regras fiscais, muitos países ainda relutam em implementar algum tipo de regra. • Uma razão é que a "punição" demora a chegar. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 77 / 91 496 Charles Wyplosz defi cits can be the rule, with few exceptions, for fi fty years or more while these countries record AAA or close ratings.1 The euro area countries currently under International Monetary Fund– European Union (IMF–EU) programs (Greece, Ireland, and Portugal) have all expressed shock at fi nding themselves under market pressure. This may refl ect a misleading conviction that debt crises only occur in developing or emerging market countries. It also refl ects that years and decades of lenient appraisal by the fi nancial markets and rating agencies can come to a sur- prisingly abrupt end. Sudden stops have long been seen as a very serious threat, quite possibly refl ecting self- fulfi lling phenomena. Debts can grow unnoticed until they get noticed. They represent the kind of vulnerability that gives rise to self- fulfi lling crises. Three unmistakable implications follow. First, fi scal discipline is not a year- by- year concept, in sharp contrast with the prescription of the Stability and Growth Pact. It is a medium- to long- term characteristic, which may allow for signifi cant temporary slippages along with eventual offsetting sur- pluses. Second, a good track record is not sufficient to rule bad equilibria.2 Table 12.1 Percent years of defi cit over 1960–2011 Australia Austria Belgium Canada Germany Percent (%) 80 82 96 76 78 Last surplus 2008 1974 2006 2007 2008 Denmark Spain Finland France UK Percent (%) 48 78 20 90 84 Last surplus 2008 2007 2008 1974 2001 Greece Ireland Italy Japan Netherlands Percent (%) 80 80 100 68 88 Last surplus 1972 2007 1992 2008 Norway New Zealand Portugal Sweden US Percent (%) 4 46 100 42 92 Last surplus 2011 2008 2008 2000 Sources: Economic Outlook, OECD; and Eichengreen and Wyplosz (1998) for older data. Note: Sample starts later for Australia (1962), Canada (1961), Spain (1962), and Portugal (1977). 1. It can be argued that primary budget balances offer a more accurate description of gov- ernment behavior. Time series are shorter (going back to 1970 at best). They provide a similar picture, although highly indebted governments do much better, and are available from the author upon request. It remains that the budget laws, voted by parliaments, highlight the overall balance, which represents what policymakers explicitly decide upon. 2. Both Spain and Ireland achieved large debt reductions in the years leading to the fi nancial crisis. Yet, they had to deal with the consequences of their housing price bubbles—they were not able to reassure the fi nancial markets that they had the ability to eventually close their defi cits. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmicada Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 78 / 91 Regras Fiscais Regras fiscais não são novidade. • José do Egito (Livro de Gênesis, 43) • Relato bíblico diz que o Faraó teve um sonho. Sete vacas gordas, seguidas de sete vacas magras. Sete espigas de cereal cheias e boas, seguidas de sete espigas feias e magras. • Regra fiscal "contra-cíclica": "O faraó também deve estabelecer supervisores para recolher um quinto da colheita do Egito durante os sete anos de fartura. Eles deverão recolher o que puderem nos anos bons que virão e fazer es- toques de trigo que, sob o controle do faraó, serão armazenados nas cidades. Esse estoque servirá de reserva para os sete anos de fome que virão sobre o Egito, para que a terra não seja arrasada pela fome." Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 79 / 91 Regras Fiscais Problemas na ausência de regras: 1 Governos em geral tem "visão curta", i.e., pesam muito mais o curto prazo. • Se o Faraó fosse eleito, teria o incentivo de burlar a regra de José! 2 "Problema do recurso comum": grupos de interesse ou constituintes não internalizam os impactos totais (sobre o resultado final) de suas demandas específicas. • Pode levar a "overspending"(gastos exagerados)! 3 "Voracity Effect"(Efeito Voracidade): muitos grupos que competem pelo orçamento pode levar a gastos exagerados em anos de bonança, deixando pouco ou nenhum recurso para ser utilizado em anos ruins. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 80 / 91 Problemas com as Regras Fiscais Regras não são uma panacéia para tudo. Precisam ser acompanhadas de outros arranjos institucionais. Além disto, alguns problemas podem surgir: 1 Pouco espaço para ajustes diante de choques adversos. 2 Risco para não realização de gastos em áreas estratégicas (meio versus fim). 3 Redução de transparência→ "contabilidade criativa"ou "pedaladas fiscais". Brasil é um exemplo! Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 81 / 91 Regras Fiscais Outros propósitos das regras: 1 Estabilização da economia; 2 Impor limites sobre o tamanho do governo; 3 Equidade entre as gerações (intergenerational equity). Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 82 / 91 Tipos de Regras Fiscais 1. Regras de dívida: impõe um limite ou uma meta sobre o tamanho da dívida pública como proporção do PIB. • Fácil de entender; • Ligação direta com a sustentabilidade da dívida (Budina et al., 2012). Porém... • Níveis da dívida levam tempo para serem afetados; • Elementos fora do espectro de ação do governo: taxa de juros, taxa de câmbio, etc. • Não fornece "operational guidance" no médio prazo. O quê fazer? • Política fiscal pode se tornar pro-cíclica em momentos de recessão! Exemplo: Estados Unidos. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 83 / 91 Tipos de Regras Fiscais 2. Regras de orçamento equilibrado: impõe restrições sobre o comportamento do orçamento. • Fácil de entender e comunicar. • Fornece "operational guidance". • Ligação próxima com a sustentabilidade da dívida. Porém... • Sem um componente de estabilização. • Orçamento pode ser afetado por elementos fora do controle do governo. • Política fiscal pode se tornar pro-cíclica em momentos de recessão! Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 84 / 91 Tipos de Regras Fiscais 3. Regras de orçamento ciclicamente ajustado • Qual o nível de gastos que prevaleceria em tempos normais? • "Operational guidance" relativamente claro. • Ligação próxima com a sustentabilidade da dívida. • Permite estabilização (ajuste da política a choques). Porém... • Correção para ciclos é complicado. • Precisa definir ex-ante que tipos de choques são permitidos. • É mais complexa, o que torna difícil explicar e monitorar! Exemplo: Chile. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 85 / 91 Tipos de Regras Fiscais 4. Regras de Gastos: limita os gastos primários/correntes, ou colocando um limite sobre seu crescimento ou sobre como proporção do PIB. • "Operational guidance"claro. • Relativamente fácil de comunicar e monitorar. • Permite estabilização (ajuste da política a choques). • Limita o tamanho do governo. Porém... • Sem ligação direta com a sustentabilidade da dívida. Exemplo: EC 95→ Gt = (1 + πt−1)Gt−1. Note que ↑ Yt ⇒ Gt Yt ↓. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 86 / 91 Tipos de Regras Fiscais 5. Regras de Receitas: estabelece tetos ou pisos sobre as receitas do governo, ou determina o uso de receitas extraordinárias. • Evita gastos pró-cíclicos • Limita o tamanho do governo. Porém... • Sem ligação direta com a sustentabilidade da dívida, uma vez que não há restrições do lado das despesas. • Sem estabilização. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 87 / 91 Budget balance rules and debt rules are most frequently used… Source: FAD Fiscal Rules database. 0 10 20 30 40 50 60 70 Revenue rules Expenditure rules Balance rules Debt rules Types of National Fiscal Rules in Use, 2013 (Number of countries with at least one fiscal rule) Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 88 / 91 Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 89 / 91 • Evidência é favorável ao uso de regras (Pieschacón, 2012). • Mundo caminha para regras simples, flexíveis e efetivas (Eyraud et al., 2018). Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 90 / 91 Blanchard, Olivier (2017), Macroeconomia, 7 edition. Pearson. Budina, Nina, Andrea Schaechter, Anke Weber, Tidiane Kinda, et al. (2012), “Fiscal rules in response to the crisis; toward the"next-generation"rules: A new dataset.” Technical report, International Monetary Fund. Eyraud, Luc, Mr Xavier Debrun, Andrew Hodge, Victor Duarte Lledo, e Ms Catherine A Pattillo (2018), Second-generation fiscal rules: Balancing simplicity, flexibility, and enforceability. International Monetary Fund. Pieschacón, Anamaría (2012), “The value of fiscal discipline for oil-exporting countries.” Journal of Monetary Economics, 59, 250–268. Marcelo Eduardo A. Silva (UFPE) Política Fiscal, Dinâmica da Dívida e Regras Fiscais 4 de Maio de 2022 91 / 91 Outline Dinâmica da Dívida Pública no Brasil Deficits Orçamentários e Dinâmica da Dívida Pública Equivalência Ricardiana A desagradável aritmética monetarista Monetização da dívida Regras Fiscais Referências