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TROMBOCITOPENIAS 1 Conceito: favorece o desdobramento e alongamento de mais moléculas de FVW -> com consequente trombose adicional ——— ou seja, um ciclo eterno. ◦ QUADRO CLÍNICO (PTT) Clínica: Súbito ou insidioso Geralmente pacientes previamente normais Comum ter febre Deterioração clínica pode ser rápida Afeta SNC, coração, sistema hematopoético e os rins SNC Sinais e sintomas neurológicos heterogeneos Características transitórias e frustras (pouco evidentes, incompletas, discretas) Varia de cefaleia, crises convulsivas, coma Sistema hematopoético Hemarragia cutânea Gengivorragia Epistaxe Sangramento grave é incomum Hemólise microangiopática -> palidez e icterícia Renal Função renal alterado IRA é rara na PTT Clássica Achados laboratoriais: Característica da Anemia Hemolítica Microangiopática Anemia normocrômica e normocítica Aumento do número de reticulócitos Aumento do DHL (Desidrogenase lática) Aumento de bilirrubina indireta Presença de esquizócitos no esfregaço de sangue periférico Trombocitopenia associada! DIAGNÓSTICO DA PTT Presença de anemia hemolitica microangiopática associada à trombocitopenia! Os dois achados são suficientes para se considerar o diagnóstico de PTT e inicar o tratamento, analisando e excluindo sempre outras causas (diagnóstico diferencial) Paciente pode ter a pêntade clínica, que antes era necessário ter todos os sintomas para o diagnóstico. Pêntade clínica: Anemia Hemolítica Microangiopática Trombocitopenia Manifestações Neurológicas Disfunção Renal Febre ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ◦ ◦ ◦ ⁃ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ⁃ ◦ ◦ ⁃ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ 1. 2. 3. 4. 5. INTRODUÇÃO: MICROANGIOPATIAS TROMBÓTICAS (MAT) Compreende um grupo heterogêneo de disturbios que compartiplam características clínicas em comum, entre elas o desenvolvimento de anemia hemolitica microangiopática (AHM) e trombocitopenia As características patologicas incluem dano vascular manifesto por trombose capilar e arteriolar, com anormalidades caracteristicas no endotelio e parede vasculares, resultando em lesão orgânica, principalmente renal e/ou neurológica. Emergem duas entidades principais: púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) e a Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) Apesar de compartilharem diversas características patológicas e clínicas, os mecanismos subjacentes são distintos, diferindo, portanto, o prognóstico e a abordagem terapêutica. Classificação importante pra tutoria: PTT SHU típica - associada a enterobactérias produtoras de toxina Shiga SHU atípica - secundária a disturbios do complemento ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ◦ ◦ ◦ A MAT pode ser encontrada na PTT, SHU (sindrome hemolitico-uremica), pré-eclâmpsia/ síndrome HELLP, doenças autoimunes (LES, sindrome do anticorpo antifosfolípide), infecções sistêmicas, cancêres disseminados e na hipertensão maligna -> todas com mecanismos fisiopatologicos diferentes, serve como diagnóstico diferencia da PTT. FISIOPATOLOGIA DA PTT Na PTT tem-se a presença de multímeros de von Willebrand de peso molecular muito alto, não encontrado em indivíduos normais. FISIOLÓGICO: Os polímeros do FVW (secretados pelos corpúsculos de Weibel-Palade) são clivados pela protease ADAMTS13 ao ingressarem na microcirculação, tornando-se multímeros progressivamente menores NA PTT Tem-se ausência da protease ADAMTS13, de forma congênita: deficiência, mutação no gene de ADAMTS13; de forma idiopática adquirido: presença de autoanticorpos contra a protease ADAMTS13 Na ausência dessa protease, a proteólise dos multímeros e polímeros não ocorre -> dessa forma os polímeros de FVW, ao passarem pela microcirculação são expostas à tensão de cisalhamento, sendo “desdobradas”e transformadas em formas alongadas e ativas -> predispondo à agreção plaquetária e trombose ⁃ ⁃ ⁃ ◦ ⁃ ◦ ◦ TROMBOCITOPENIAS TROMBOCITOPENIAS 3 Pode ser feito antes da exclusão de outras formas de microangiopatia trombótica por conta do carater fulminantes da PTT Tranfusão simples de PFC pode ser feita quando não é possivel iniciar a plasmaférase nos primeiros dois ou três dias do diagnóstico, ou até a transferência do paciente a um hospital que realiza a plasmaférase. Não se deve aguardar os resultados dos testes sorológicos para infecção pelo HIV ou para doenças autoimunes para iniciar o tratamento Resposta ao tratamento: Variável Melhora clínico-laboratorial depois de 2-3 sessões de plasmaférese - maioria Uso de Imunossupressores (corticosteroides): não é bem definido Indicação: PTT por deficiencia autoimune de ADAMTS 13 TRATAMENTO DA REFRATERIEDADE E DA RECIDIVA Persistência de trombocitopenia ( excluir todas essas possibilidades Intensificar a troca de plasma, aumentando de 1 para 1,5-2,0 volemias de troca plasmática, e administrar corticosteroides aos pacientes que ainda não o estiverem usando Manter plasmaférase por 2-3 semanas. Apos isso, caso não tenha resposta ao tratamento, deve inicar tratamento de 2º linha -> esplenectomia, adiministração de rituximabe e uso de agentes imunossupressores Esplenctomia Indicada para reduzir remissão em casos de refratários ao tratamento convencional ou reicindiva. Na recidiva, iniciar o tratamento convencional com a plasmaférase até a estabilização do quadro para só então proceder à esplenectomia Rituximabe Indicado em pacientes refratários à plasmaferase terapeutica, aos corticoesteroides ou a outros agentes imunossupressores Anticorpo quimérico com especificidade anti-CD20, proteina presente nas células B Sua administração reduz o número de linfócitos B e, consequentemente, o título de anticorpo anti-ADAMTS13 PTT CONGÊNITA (Síndrome de Upshaw-Schulman) Nesse tipo de PTT não existe anticorpo inibidor da ADAMTS13! Ou seja, não precisa do procedimento de troca plasmática!!!!! Suplementação da enzima é o ideal, conseguida com transfusão simples de plasma, na dose de 10-15 mL/Kg, a cada 2 a 3 semanas. Cateter totalmente implantado é útil nos primeiros anos de vida do paciente, posteriomente a rede venosa periférica suporta as transfusões crônicas. PROGNÓSTICO Remissão é atingida em 80-90% dos casos Reicidiva precoce (menos de 30 dias após atingir a remissão) ou tardia, ocorre em 35-50% dos pacientes -> uma nova plasmaférase pode induzir uma nova remissão Pior prognóstico: Idade > 40 anos com febre elevada (> 38,5 ºC), ou anemia (HbMutação do gene ADAMTS13 levando a deficiência da protease ADAMTS13 ADQUIRIDA IDIOPÁTICA: autoanticorpos contra ADAMTS13 Definida quando a anemia hemolítica microangiopática e a trombocitopenia ocorrem na ausência de uma etiologia alternativa Diminuição da atividade da protease ADAMTS13 ADQUIRIDA SECUNDÁRIA: Definida quando a anemia hemolítica microangiopática e a trombocitopenia ocorrem com a presença de uma etiologia alternativa: Hemolise autoimune ⁃ ⁃ ⁃ ◦ ⁃ ⁃ ⁃ ◦ ⁃ ⁃ ⁃ ◦ Câncer Coagulação intravascular disseminada Eclâmpsia Drogas (como inibidores da calcineurina) Transplante de células-tronco hematopoéticas Hipertensão maligna Raramente ocorre a diminuição da protease ADAMTS13 TRATAMENTO: PTT IDIOPÁTICA: dividido em dois tipos: manutenção e específico Manutenção: Adoção de medidas de Assistência ventilatoria, circulatória e transfusão de hemocomponentes (principalmente de concentrados de hemácias) Transfusão de hemocomponentes indicado para pacientes com anemia, moderada ou acentuada, com disfunção de órgãos (hipóxia). Tranfusão com plasma fresco congelado. A transfusão de plaqueta NÃO está indicado na PTT Pois o fenômeno patológico mais importante é a obstrução da microvasculatura e não o sangramento grave Pode precipitar piora da oclusão vascular Específico: Troca de plasma automizada com equipamento de aférese (plasmaférase terapêutica) Dois objetivos: 1: remoção dos autoanticorpos anti-ADAMTS13 e dos multímeros do alto peso molecular do fator de von Willebrand 2: Administração da enzima ADAMTS13 presente no plasma humano Plasmaférase diária, com processamento de 1 a 1,5 volemia plasmática, até alguns dias depois do controle da doença: melhora clínica significativa normalização da contagem de plaquetas redução dos sinais laboratoriais de hemólise microangiopática e dos níveis da DHL Reduzir frequência de diária para dias alternados, duas vezes por semana, etc. Sociedade Americana de Aférese: realizar até os níveis plaquetários > 150.000/uL e que haja valores normais de DHL por 2 a 3 dias consecutivos Pode ser necessário o tratamento imunossupressivo para reduzir a formação do autoanticorpo anti-ADAMTS13 A plasmaférase terapêutica com reposição de Plasma Fresco Congelado (PFC) deve ser iniciada nas primeiras horas após a internação hospitalar -> urgência Pode ser feito antes da exclusão de outras formas de microangiopatia trombótica por conta do carater fulminantes da PTT ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ⁃ 1. ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ◦ ◦ 2. ⁃ ⁃ ◦ ◦ ⁃ ◦ ◦ ◦ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ◦ TROMBOCITOPENIAS 4 SÍNDROME HEMOLÍTICO-URÊMICA (SHU) A SHU e a PTT compartilham o mesmo substrato morfológico, a MAT. Ambas caracterizam- se por apresentar a trombocitopenia e anemia hemolítica microangiopática. Sendo difícil a distinção clínica entre essas duas condições clínicas. No entanto, a patogênese dessas doenças é difetente. INCIDÊNCIA e EPIDEMIOLOGIA: Infância Uma das principais causas de insuficiência renal nessa idade CLASSIFICAÇÃO DA SHU: típica e atípica SÍNDROME HEMOLÍTICO-URÊMICA TÍPICA Apresentação mais comum Crianças mais acometidas ETIOLOGIA SHU TÍPICA Causada pela infecção por uma toxina Shiga-símile produzida pela Escherichia coli 0157:H7 (STEC) CLÍNICA SHU TÍPICA Quadro súbito de diarreia hemorrágica, acompanhada de falência renal Palidez cutânea, associada a hematúria, edema periférico e hipertensão arterial Manifestações neurológicas: latergia, irritabilidade, convulsão, e casos mais graves, paresia, coma e edema cerebral. TRATAMENTO SHU TÍPICA: Não há tratamento específico Medidas de manutenção e de controle da IRA estão indicadas A diálise e tranfusão de hemácias é frequentemente necessária Em adultos a plasmaférese é indicada, por conta da dificuldade de distinguir SHU e PTT. PROGNÓSTICO SHU TÍPICA Resolução espontânea em aproximadamente 1 a 3 semanas do diagnóstico Recuperação da função renal em 80-90% dos casos SÍNDROME HEMOLÍTICO-URÊMICA ATÍPICA 5-10% dos casos Pode ser familiar ou esporádica APRESENTAÇÃO CLÍNICA SHU ATÍPICA: Anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal SEM história de diarreia hemorrágica ou infecção prévia por STEC FORMA FAMILIAR shu atípica: Prognóstico ruim, evoluindo para óbito ou doença renal terminal em 50 a 80% dos casos Manifesta-se na infância e a está associada tanto à herança autossômica dominante quanto recessiva FORMA ESPORÁDICA shu atípica: Se desenvolve em indivíduos sem histórico familiar Associada à presença de um fator desencadeante como infecção pelo HIV, câncer, transplante de órgão, gestação, uso de drogas antineoplásicas, agentes imunossupressores (como tacrolimus e a ciclosporina) e antiagregantes plaquetários (como ticlopidina e clopidogrel) 50% dos casos são idiopáticos FISIOPATOLOGIA shu atípica Alterações na regulação da via alternativa do complemento Mutações no C3, fator H, fator I e na proteina cofatora de membrana (CD56) ⁃ ◦ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ◦ TRATAMENTO shu atípica: Plasmaférase terapêutica Comumente, há uma resposta inicial que não se mantém, e os pacientes acabam evoluindo para IRA. Alternativas: anticorpo monoclonal eculizumabe, dirigido contra a proteína C5 do sistema complemento, inibindo a via final do complemento ⁃ ◦ ⁃ PÚRPURA TROMBOCITOPÊNICA IMUNOLÓGICA (PTI) CONCEITO: Produção de autoanticorpos dirigidos contra proteínas da membrana plaquetária, principalmente os complexos GPIIb-IIIa, GPIb-IX e GPIa-IIa, o que leva à sensibilização das plaquetas, sendo fagocitadas por macrófagos, por meio de seus receptores para a fração constante (fc) da imunoglobina associada à plaqueta ⁃ O compartamento clínico e a resposta ao tratamento podem ser definidos três tipos distintos de PTI: PTI CLÁSSICA OU AUTOIMUNE CRÔNICA: Não está ligada a infecção prévia Curso crônico Benigno EPIDEMIOLOGIA/INCIDÊNCIA: Entre 3º-4º década de vida Sexo feminino na idade reprodutiva PTI AGUDA Precedido de infecção viral ou vacinação Curso limitado Não é recorrente EPIDEMIOLOGIA/INCIDÊNCIA: Infância Afeta igualmente ambos os sexos PTI ASSOCIADA A OUTRAS DOENÇAS Autoimune ou neoplasia (natureza) Caracterizada por distúrbios do sistema imunológico Curso semelhante a PTI clássica Doenças mais associadas: LES disseminaodo Doenças autoimune da tireoide Doença linfoproliferativa (LP) HIV Pós radio ou quimioterapia Transplante de medula ossea QUADRO CLÍNICO Diagnóstico é baseado no quadro clínico Exame físico: quadro púrpurico Instalação abrupta de sangramento cutâneo: Petequias e equimoses ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ◦ ◦ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ◦ ◦ ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ⁃ ⁃ ⁃ ◦ TROMBOCITOPENIAS 5 pode ter sangramento de mucosa: Epistaxe, gengivorragia menorragia hematuria sangramento de TGI e SNC Esplenomegalia é mais comum no tipo agudo que acomete crianças, e na PTI associada a outras doenças. HEMOGRAMA Trombocitopenia:agentes imunossupressores (azatiopina, ciclofosfamida e alcaloides da vinca, danazol OBJETIVO: Resolução do quadro hemorrágico e trombocitopenia (não necessariamente para os níveis normais) -> tratar sintomas Assintomáticos não devem ser tratados Mesmo com plaquetas 30.000/uL Não associa a sangramento e pode ter tempo de sangramento normal 50.000/uL com uso continuo Eficam para PTI por hepatite viral C ⁃ 1. ⁃ ⁃ ⁃ ⁃ 1. ◦ ◦ 2. 3. ◦ 4. ◦ 5. 2. ⁃ ◦ ⁃ ◦ 1. 2. ◦ ◦ PTI NA INFÂNCIA: Tipo: PTI aguda Remissão espontânea em 6 semanas apos inicio do quadro Plaquetas costumam subir em 1-2 semanas de tratamento Quado clíncio: Quadro hemorrágico brando: sangramento cutâneo, sem mucosas! Diagnóstico e tratamento Maioria dos casos não é indicado o tratamento e mielograma QUADRO GRAVE: Sangramento de mucosas! Deve-se fazer mielograma para descartar LLA e, posteriomente, iniciar corticoide ou imunoglobulina IV PTI x GRAVIDEZ PTI afeta mais mulheres em idade reprodutiva e a associação da PTI com a gravidez é comum Não há piora da PTI na gravidez e tem-se baixa incidência de sangramento materno 3º Trimestre com com imunoglobulina IV pois tem menos efeitos colaterais que corticoides Objetivo do tratamento: prevenir sangramento materno e reduzir a possibilidade de trombocitopenia fetal Deve-se monitorar a cantagem de plaquetas o RN por 3-7 dias após o nascimento Plaquetas