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Semiologia- História clinica HUGO BENEDITO HUGO 2023 1 A importância da anamnese na prática clínica Reflexões iniciais... “A memória não é cronológica, nem linear e sim um conjunto de experiências que ocorreram em espaço e tempo diversos do presente.” - Anavera H. Lisboa Médica e Cirurgiã-dentista, especialista em Saúde Pública pela UFMG “A anamnese leva à hipótese diagnóstica em mais de 70% das vezes.” “Anamnese é o elo de união entre ciência e arte.” Os Primeiros 20-30 segundos... Início da relação médico-paciente Comunicação não verbal Dominam as informações visuais A primeira impressão importa Criar empatia no início Como agir? O que dizer? Criar ambiente para o paciente se expressar livremente! Introdução A palavra Anamnese origina-se do Grego: Áná – trazer de volta, recordar, e Mnesis – memória “Trazer de volta à mente todos os fatos relacionados à doença e à pessoa doente.” Este é um processo relativamente padronizado com objetivo de maximizar as informações obtidas (460-377) OBJETIVOS Estabelecer a relação Médico-Paciente com base na confiança e confidencialidade; Obter os elementos da história clínica; Conhecer os fatores pessoais, familiares e sócio-epidemiológicos relacionados com o processo saúde/doença; Obter os elementos para guiar o exame físico; Definir a estratégia de investigação complementar; Direcionar a terapêutica em função do entendimento global a respeito do paciente. O que é necessário por parte do Médico? “Quem não sabe o que procura, não entende o que acha.” Integrar os conhecimentos adquiridos: Anatomia, Fisiologia, Farmacologia, Epidemiologia, entre outros O que é necessário por parte do Médico? “Necessario Vincere Piv Necessario Combattere” “É necessário vencer e ainda mais necessário combater” Empatia Entender e ser entendido corretamente Respeito Sinceridade Objetividade Observação e Interpretação Precisão e acurácia Sensibilidade e Especificidade Reprodutibilidade Primeiros passos... Local Prover o Conforto e a Privacidade Ambiente tranqüilo Apresentação do Médico Posição do médico Obtendo Consentimento do Paciente Anotações e comunicação Interagindo com o Paciente Técnicas de anamnese Ativa Passiva Mista Cuidado com Vieses Conceitos SINAIS E SINTOMAS Sintomas são as sensações subjetivas anormais sentidas pelo paciente mas não visualizada pelo médico. Sinais são as manifestações objetivas reconhecidas por meio da inspeção, palpação, percussão, ausculta e outros meios subsidiários. Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que ocorrem associados, podendo ser ocasionada por causas diferentes. O reconhecimento de uma síndrome delimita o número de possíveis doenças causadoras, facilitando o raciocínio clínico. Atenção às descrições na anamnese Todos os sintomas referidos na anamnese devem ser caracterizados pormenorizadamente com relação aos seguintes pontos: Início: caracterizar detalhadamente a época em que o sintoma surgiu, a forma como surgiu (insidiosa ou aguda), os fatores ou situações que desencadearam o seu aparecimento, a sua duração e o seu desaparecimento; Características semiológicas dos sintomas: localização, irradiação, qualidade, intensidade, relacionamento com a função do orgão ou sistema relacionado com o sintoma; Relação com outros sintomas; Evolução: comportamento do sintoma em relação ao tempo, modificações ocorridas e influência dos tratamentos realizados ao longo do tempo Elementos da Anamnese Identificação (ID) Queixa Principal (QP) História da Doença Atual (HDA) História Patológica Pregressa (HPP) História Fisiológica (HFis) História Familiar/Familial (HFam) História Social e Epidemiológica (HSE) Revisão de sinais e sintomas (Revisão sistemática) Identificação Nome Idade Cor Estado civil Naturalidade/Nacionalidade Procedência/Endereço (atual e anteriores) Profissão (atual e anteriores) e escolaridade Religião (atual e anteriores) Queixa Principal Queixa principal do paciente é àquela que o levou a procurar assistência médica. Deve ser expressa de modo sumário e de preferência com os termos usados pelo doente. Exemplo: “Dor nas costas há três dias” Não escrever “diabetes descompensado” e sim os sintomas que levaram o paciente a crer que tem diabetes descompensado, i.e.: “fraqueza, falta de ar, perna inchada, urina solta” Não aceitar rótulos diagnósticos Queixa Principal Pergunta aberta “Qual é o motivo que o(a) traz aqui hoje?” “Qual a razão do(a) Sr.(a) ter procurado o Médico?” HDA Ampliação da queixa principal Sintomas que se relacionam com a queixa principal Deve ser um relato claro e em ordem cronológica dos problemas que levaram o paciente a procurar auxílio médico. O paciente informa; o médico organiza. Deve constar o modo como os problemas do paciente começaram, como se desenvolveram, os sintomas que apareceram e os tratamentos feitos. HDA Início do sintoma (sintoma-guia) Fatores desencadeantes, que agravam, melhoram e comemorativos Duração Intensidade Periodicidade Semelhanças e/ou diferenças com episódio(s) pregresso(s) Sintomas associados Repercussão em outros sistemas, nas condições psicológicas do paciente e na sua vida como um todo Tratamentos já realizados e seus resultados Exemplo: Dor Atributos da dor: Início Quando começou? Como começou? Localização Onde dói? Irradiação A dor se espalha? Para onde? Por onde? Qualidade Como é a dor? Em queimação? Em pontada? Intensidade Qual a intensidade da dor? A dor impede a realização de alguma tarefa? Fatores de melhora, piora e associados A dor é acompanhada de mais alguma coisa? Existe alguma outra coisa que o Sr(a) faça que a dor melhore? E que piore? Periodicidade Qual a duração? Em que hora do dia ela é mais forte? Evolução Como evoluiu? Durante a anamnese Enfoque os fatos! Evite: “Por que”? Perguntas indutivas Silêncio diante das questões polêmicas Respeitar determinados momentos Choro A intervenção do familiar/acompanhante Finalizando a HDA Fazer um resumo para o paciente, avisando-o que ele pode interromper a qualquer hora para COMPLEMENTAR e/ou CORRIGIR História patológica pregressa Episódio(s) pregresso(s) semelhante(s) Doenças comuns da infância / imunizações (Carteira de Vacinação) Doenças: febris - DIPs / DSTs respiratórias neurológicas endócrinas osteomioarticulares gastrointestinais cardiovasculares hematológicas urinárias Eventos e Reações adversas e substâncias de uso cotidiano (Medicamentos, Chás, Vitaminas) Internações (Clínicas ? Cirurgias ?) Procedimentos ambulatoriais Uso de hemoderivados Transplantes Traumatismos (condições) Procedimentos anestésicos História patológica pregressa Doenças comuns da infância Atenção às imunopreviníveis: Exantemas (Sarampo, Rubéola, Varicela, etc…) Difteria Coqueluche Hepatites Enteroviroses Tétano Parotidite infecciosa Tuberculose História patológica pregressa Doenças febris - DIPs / DSTs Exantemas S. mononucleose (EBV, CMV, T. gondii, parvovírus, . . . ) Endemias Malária, esquistossomose, Doença de Chagas, Leishmanioses, meningites, dengue, cólera, . . . Infecções recorrentes tegumento gastrointestinais vias aéreas urinárias SNC . . . DSTs Úlceras (cancros, herpes,...) Gânglios (LGV, donovanose,…) Corrimentos (gonorréia, inf. Clamídia, Micoplasma, Ureaplasma, ...) História patológica pregressa Artropatias axiais Artropatias degenerativas Entesopatias Neoplasias Artropatias periféricas Artropatias inflamatórias Manifestações articulares de doenças sistêmicas Doenças osteomioarticulares Doenças respiratórias Rinites Sinusites Otites Faringites Amigdalites Laringites Bronquites Pneumonias Neoplasias História patológica pregressa Divertículos Gastrites Neoplasias Úlcera péptica Esofagites D. inflamatórias Doenças dos sistemas anexos . . . Doenças gastrointestinais Doenças urinárias Doenças glomerulares Insuficiência renal Litíase Neoplasias Doenças túbulo-intersticiais Doenças hematológicas Anemias Poliglobulias Neoplasias hematológicas História patológica pregressa Hipertensão arterial sistêmicaValvulopatias (IM, IA, EA…) Insuficiência coronariana Infarto agudo do miocárdio Miocardiopatias Insuficiência cardíaca . . . Doenças cardiovasculares Doenças endócrinas Diabetes melitus (tipos I / II) Hiper/hipotiroidismo Hipogonadismo Dislipidemias Insuficiência adrenal Acromegalia . . . História patológica pregressa Neuropatias periféricas Neuralgias Neurites Epilepsias Enxaquecas Sequelas Parkinsonismo Neoplasias . . . Doenças neurológicas Eventos e Reações adversas (sensu latu) e substâncias de uso cotidiano Antimicrobianos Analgésicos Ansiolíticos Hormônios Medicações caseiras Anti-inflamatórios não esteróides Antipiréticos Anestésicos Anti-hipertensivos Chás . . . História patológica pregressa Internações Intercorrências clínicas - Motivo / Topografia do acometimento Intervenções cirúrgicas (tipo de cirurgia e topografia) Intercorrências durante os procedimentos (quer internação clínica ou cirúrgica) Uso de hemoderivados Celulares sangue total concentrados de hemácias plaquetas ou leucócitos ... Acelulares Plasma Fatores de coagulação (crioprecipitados) História fisiológica Intercorrências descritas pela progenitora durante sua gestação: sínd. febris, exantemas, doenças associadas (HAS, DM . . .) uso de substâncias ou medicamentos, traumatismos . . . Período gestacional e tipos de partos. Condições de crescimento e desenvolvimento Desenvolvimento escolar Época da adrenarca (telarca, pubarca e menarca). Ciclo menstrual. Início e término da vida sexual e tipo de relações Número de parceiros sexuais por ano Época do climatério. História familiar/familial Pesquisa objetiva de duas gerações de ascendentes, descendentes e colaterais: – Avós, pais, irmãos, conjuge(s), filhos, netos, tios primos e sobrinhos. Buscar não apenas doenças, mas quaisquer dados que possam ajudar no diagnóstico do seu paciente. Atentar para a procedência familiar e possíveis influências. História Social e Epidemiológica Uso de drogas lícitas e ilícitas (etilismo, tabagismo, anfetaminas, cannabis, crack, cocaína, rebite, lança-perfume, …) – Tempo de uso / Quantidade / Impacto social (p.ex.: CAGE no etilismo) Habito sexual [sexo seguro, numero de parceiro(s)/a(s)] Padrões alimentares: Preferências, preconceitos alimentares, limitações financeiras, crenças Atividade física Satisfação no emprego Estrutura e ambiente familiar Condições de moradia (acesso sanitário, áreas de risco, etc) Viagens nos últimos seis meses Contato com doentes e vetores Revisão de Sinais e Sintomas (RSS) “Ausência de evidência não significa evidência de ausência” A Ananmnese só se completa com RSS Podem surgir outras possibilidades diagnósticas além daquelas oriundas da HDA Situações concomitantes e medos podem suprimir lembranças de sintomas na HDA RSS Sistemática: Sintomas gerais/constitucionais Pele Cabeça Olhos Ouvidos Nariz e seios paranasais Garganta e boca Pescoço Mamas (mulher) Distúrbios psiquiátricos Sintomas cardíacos TGI TGU Sintomas Respiratórios Sintomas Vasculares Periféricos. Sintomas musculoesquelético Sistema nervoso Problemas hematológicos Problemas endócrinos Relação médico-paciente Baseada na: Profissionalismo: Obrigação de ser competente e habilidoso na prática médica Necessidade de colocar o bem-estar do paciente acima do interesse próprio. Paciência: “...a pessoa que procura tratamento médico está sofrendo e se encontra em posição vulnerável...” Compaixão: “o médico é convidado a sofrer com o paciente, dividindo sua situação existencial” Consentimento: “a relação médico-paciente é baseada em informações dadas livremente, pelas duas partes envolvidas e esse consentimento deve ser dado sem pressão ou força de qualquer um dos lados.” J Med Phil 1979;4:32-56 Conclusão Anamnese e Exame Físico Obtenção de Diagnósticos: Sindrômicos Topográficos Nosológicos Exames Complementares Conduta Terapêutica image5.png image6.png image7.png image8.jpg image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.jpg image16.png image17.png image18.png image19.jpg image3.png image4.png