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DIREITO CIVIL 2 1 Évellyn Polete Barrinha de Carvalho Direito- 2º termo 2024 NEGÓCIOS JURÍDICOS Negócio jurídico é uma relação formada dentro dos limites do ordenamento, por duas ou mais vontades que visam adquirir, modificar ou extinguir direitos e obrigações. Autonomia das relações privadas: é o que rege os negócios jurídicos, ou seja, independência do Estado. Vontade: Os negócios jurídicos devem ser interpretados pela boa-fé, conforme artigo 113 CC. Interpretação: nem sempre os conceitos são exatos e podem gerar dúvidas, nesses casos, devem ser interpretados pelo uso da boa-fé (objetiva e subjetiva) e aos costumes do local. Silêncio: O silêncio deve ser analisado isoladamente, além da exteriorização da ação. Ex.: prorrogação de contrato de locação de imóveis. Princípio da conservação: Se trata do mantimento das partes válidas de um contrato, mesmo tendo partes inválidas. Ou seja, a nulidade de um parâmetro, não precisa necessariamente invalidar todo negócio (exceto em cláusulas substanciais). Invalidade da obrigação principal: invalida obrigações acessórias; Invalidade da obrigação acessória: não invalida as obrigações principais. Art. 111 CC.: o silêncio importa anuência quando as circunstâncias autorizarem ou não for necessária declaração de vontade expressa. DIREITO CIVIL 2 2 Évellyn Polete Barrinha de Carvalho Direito- 2º termo 2024 Classificações: Solenes: Exige forma especial. Ex.: compra de imóveis, casamento. Não solenes: Não exige forma especial. Ex.: compra de bens móveis. Principais: Suficientes por si próprios. Ex.: contrato de locação de imóveis. Acessórios: Dependem do contrato principal. Ex.: fiador do contrato de locação de imóveis. Inter vivos: Celebrado entre pessoas vivas. Causa Mortis: Produzem efeitos apenas após a morte. Ex.: testamento, sucessão. Impessoais: Características pessoais são irrelevantes para a eficácia do negócio. Ex.: contrato com construtora de imóveis. Personalíssimos: Só decorrem por conta das características pessoais. Ex.: contrato com pedreiro João da Silva. Gratuitos: Somente uma parte tem despesas. Onerosos: Ambas as partes possuem dispêndio. Comutativos: As partes conhecem claramente suas obrigações no momento da celebração. Aleatórios: Algumas obrigações não ficam bem definidas no momento da celebração. Consensuais: Já são concluídas na celebração do negócio. Reais: Só se concluem quando o bem é transmitido. Elementos do negócio jurídico: Agente capaz: Maior de 18 anos; Entre 16 a 18 anos: assistidos; Menor de 16 anos: representados. Objeto lícito Forma: independência das relações privadas, com exceção dos casos previstos em lei (casamento, testamento, compra de imóveis acima de 30 mil reais). Elementos acidentais: 1. Condição: é uma cláusula que subordina o contrato a um evento futuro e incerto. Suspensiva: só gera efeitos após a condição, suspendendo em caso contrário. Ex.: aluguel de um terreno para plantio – condição: chuva. Resolutiva: gera efeitos até a condição ser atingida. Ex.: compra de um carro com a condição de só ficar com ele se não der problema em 30 dias. 2. Termo: refere- se a momento/ tempo. Termo inicial Termo final 3. Encargo: condição usada apenas em contratos gratuitos (doação). É uma obrigação incorporada ao contrato para aperfeiçoamento do negócio jurídico. DIREITO CIVIL 2 3 Évellyn Polete Barrinha de Carvalho Direito- 2º termo 2024 VÍCIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO Negócio jurídico é uma relação formada dentro dos limites do ordenamento, por duas ou mais vontades que visam adquirir, modificar ou extinguir direitos e obrigações. • Elemento fundamental para os negócios jurídicos: a vontade (de forma livre, espontânea e clara). Se essa vontade não corresponde ao desejo do agente, o negócio se tornará suscetível de nulidade ou anulação. Os vícios são classificados em vícios de consentimento e vícios sociais e podem tornar um negócio nulo ou anulável. Vícios de Consentimento Erro **Anulável Falsa percepção da realidade; A pessoa supõe que é uma coisa, mas na verdade se trata de outra; O agente erra sozinho, não sendo induzido por terceiros; Os erros são anuláveis, desde que seja SUBSTANCIAIS. Flávio Tartuce: “o erro é um engano fático, uma falsa noção, em relação a uma pessoa, objeto do negócio ou a um direito, que acomete a vontade de uma das partes que celebrou o negócio jurídico”. Tipos de erro: 1. Natureza: a pessoa manifesta à vontade pretendendo praticar um ato, e acaba praticando outro (erro pertence à espécie do negócio); 2. Objeto: o agente supõe que está adquirindo um objeto e acaba adquirindo outro. 3. Qualidade: diz respeito à qualidade ou da identidade da pessoa. Consentimento Erro Dolo Coação Estado de perigo Lesão Sociais Simulação Fraude contra credores DIREITO CIVIL 2 4 Évellyn Polete Barrinha de Carvalho Direito- 2º termo 2024 Dolo **Anulável É a indução maliciosa a cometer o erro, ou seja, não é espontâneo, o agente é induzido a praticar o ato que não seja sua real vontade. Carlos Roberto Gonçalves: “dolo é o artifício ou expediente astucioso, empregado para induzir alguém a prática de um ato que o prejudica, e aproveita ao autor do dolo ou terceiro. Consiste em sugestões ou manobras maliciosas levadas a efeito por uma parte, a fim de conseguir da outra uma emissão de vontade que lhe traga proveito, ou a terceiro”. Dolo essencial: é a causa determinante para confirmação do negócio jurídico. Uma das partes utiliza artifícios maliciosos para que a outra parte erre e o negócio seja realizado normalmente. O agente é enganado referente à real situação, fazendo ele acreditar que estava fazendo o negócio correto. **Dessa forma, se não fosse induzido, não teria realizado o negócio. **Vicia o negócio jurídico. Dolo acidental: o dolo NÃO é a causa determinante para confirmação do negócio jurídico. **Dessa forma, o negócio seria realizado independentemente da malícia empregada pela outra parte, porém de um modo diferente. **Não vicia o negócio jurídico. Dolo de terceiros: **Não vicia o negócio jurídico, mas incumbe perdas e danos. Corretor vende apartamento para A, quando A vai buscar a chave com o proprietário/vendedor, percebe que se trata de outro apartamento. 1. Se o proprietário tinha ciência do dolo: os dois respondem; 2. Se o proprietário não tinha ciência do dolo: somente o corretor responde. DIREITO CIVIL 2 5 Évellyn Polete Barrinha de Carvalho Direito- 2º termo 2024 Coação **Anulável É a pressão física ou psicológica que é usada contra o agente a fim de obrigá-lo a realizar o negócio jurídico. Nesse caso, não há manifestação de vontade, que é o elemento mais essencial para efetivação do negócio. Estado de perigo **Anulável Consiste em uma situação em que o negociante, em perigo de vida, seja seu ou de sua família, assume obrigação desproporcional e excessiva. A necessidade deve ser conhecida pela outra parte. Lesão **Anulável No ato da celebração do negócio jurídico, a pessoa obriga a si própria a uma prestação de valor desproporcional. Requisitos: Objetivo: onerosidade excessiva de uma das partes; Subjetivo: pode ser por premente necessidade ou inexperiência em celebrar negócios. Nesse caso, a necessidade não é de conhecimento da outra parte. DIREITO CIVIL 2 6 Évellyn Polete Barrinha de Carvalho Direito- 2º termo 2024 Vícios Sociais Fraude contra credores **Anulável Venosa: “é todo artifício malicioso que uma pessoa emprega com intenção de transgredir direito ou prejudicar interesses de terceiros”. É o ato praticado pelo devedor, que já está insolvente, ou que se torna insolvente causando prejuízo aos credores. Requisitos: Má- fé do devedor (planejamento de causar prejuízo ao credor); Intenção do devedor (consciência de que está lhe causando um dano); Conhecimento da outra parte (do negócio posterior) referente ao ato. Hipóteses: Transmissão gratuita de bens ou remissão de dívidas, se o devedor já for insolvente ou se tornar com o ato; Mesmo que não seja insolvente, se a garantia for insuficiente, também caracteriza como fraude; Somente se os credores já eram ao tempo dos atos. Simulação **Nulo É basicamente os mesmos atos praticados na fraude contra credores. A diferença é que na simulação, os terceiros agem de boa-fé, ou seja, não sabem do que se trata. DIREITO CIVIL 2 7 Évellyn Polete Barrinha de Carvalho Direito- 2º termo 2024 Invalidade dos negócios jurídicos Nulos **EX TUNC Não produz efeitos Não se confirma, nem se convalida (precisa refazer todo negócio novamente, não podendo ser alterado/ajustado). Imprescritível: pode ser anulado a qualquer momento. Realizado por absolutamente incapaz ou ferir forma prescrita em lei. Simulação Interesse público: Pode ser alegado por qualquer parte, inclusive o Ministério Público e juiz de qualquer competência. Anuláveis **EX NUNC Produz efeitos até sua anulação Admite confirmação/ratificação Expressa: formal; Tácita: ações. Prazo: Geral: 2 anos; Especial: 4 anos. Realizado por relativamente incapazes. Erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão e fraude contra credores. Interesse privado: somente as partes interessadas podem pedir sua anulação. Prescrição e decadência Prescrição É a perca da pretensão. Dependência da ação de terceiros para satisfação do direito. Renunciável após satisfação do direito. Ordem pública. Pode ser suspensa (suspende por um período e continua a contagem depois. Pode ser interrompida (zera a contagem da prescrição). Decadência É a perca do direito potestativo. Caráter unilateral, ou seja, só depende do agente portador do direito potestativo. Irrenunciável. Ordem pública. Não se suspende. Não se interrompe.