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1
Lesão renal aguda na UTI pediátrica e neonatal
Revisão completa • resumo final • mini revisão de 24 horas • simulado com gabarito
Como este material foi reorganizado
Esta versão foi refeita com tabelas redimensionadas, sem ícones especiais e com espaçamento mais amplo
para evitar sobreposição no Noteshelf e em renderizações móveis.
Baseado principalmente em KDIGO 2012 para definição e estadiamento de lesão renal aguda, no
documento da Canadian Paediatric Society de 2025 para reconhecimento e manejo pediátrico, na orientação
pediátrica do Think Kidneys/NHS e em revisões recentes sobre lesão renal aguda neonatal, sobrecarga
hídrica e desfechos de longo prazo.
1. Revisão completa
Lesão renal aguda (LRA) é uma queda aguda da função renal, com incapacidade variável de excretar água,
eletrólitos, ácidos e metabólitos nitrogenados. Na UTI pediátrica e neonatal ela costuma ser um marcador de
doença sistêmica grave e se associa a maior mortalidade, mais ventilação mecânica, mais tempo de
internação, maior sobrecarga hídrica e maior risco futuro de doença renal crônica.
Definição e estadiamento
Em crianças maiores, o padrão mais usado é o KDIGO. Em neonatos, usa-se o KDIGO neonatal modificado,
porque a creatinina sofre influência materna e varia fisiologicamente nos primeiros dias de vida.
Sistema Definição de LRA Estágio 1 Estágio 2 Estágio 3
KDIGO
pediátrico
Creatinina sérica aumenta
pelo menos 0,3 mg/dL em
48 horas, ou pelo menos
1,5 vez o basal em até 7
dias, ou redução do débito
urinário.
Creatinina 1,5–1,9 vez o
basal ou aumento de
pelo menos 0,3 mg/dL;
débito urinário menor
que 0,5 mL/kg/h por
6–12 horas.
Creatinina 2,0–2,9
vezes o basal; débito
urinário menor que 0,5
mL/kg/h por pelo menos
12 horas.
Creatinina pelo menos 3
vezes o basal, ou pelo
menos 4,0 mg/dL, ou
necessidade de terapia
renal substitutiva; débito
urinário menor que 0,3
mL/kg/h por 24 horas ou
anúria por 12 horas.
KDIGO
neonatal
modificado
Usa a menor creatinina
prévia do paciente como
referência e faixas de
diurese adaptadas ao
recém-nascido.
Creatinina aumenta
pelo menos 0,3 mg/dL
em 48 horas ou 1,5–1,9
vez o menor valor
prévio; diurese
geralmente menor que 1
mL/kg/h.
Creatinina 2,0–2,9
vezes o menor valor
prévio; diurese menor
que 0,5 mL/kg/h.
Creatinina pelo menos 3
vezes o menor valor prévio,
ou pelo menos 2,5 mg/dL,
ou necessidade de terapia
renal substitutiva; diurese
menor que 0,3 mL/kg/h.
Como reconhecer na prática
● Oligúria, anúria ou queda progressiva do débito urinário.
● Balanço hídrico positivo, ganho de peso, edema, dificuldade de desmame ventilatório, congestão
pulmonar.
● Creatinina em ascensão, ureia em ascensão, acidose metabólica, hipercalemia, hiperfosfatemia.
● Hipertensão, mas também hipotensão e choque quando a LRA é parte da disfunção hemodinâmica global.
2
● Contextos típicos: sepse, choque, pós-operatório cardíaco, asfixia perinatal, prematuridade, enterocolite
necrosante, síndrome hemolítico-urêmica, glomerulonefrites, nefrotoxinas, obstrução urinária.
Fisiopatologia
Pré-renal: queda da perfusão renal efetiva por hipovolemia, vasodilatação séptica, baixo débito cardíaco,
aumento da pressão intra-abdominal ou ventilação com pressão positiva.
Intrínseca: lesão tubular isquêmica ou tóxica, nefrite intersticial, glomerulopatias, microangiopatia
trombótica, rabdomiólise, hemólise, disfunção microvascular inflamatória da sepse.
Pós-renal: obstrução urinária, como válvula de uretra posterior, malformações, cálculo, coágulo ou sonda
obstruída.
Principais causas por faixa etária
UTI pediátrica UTI neonatal
Sepse, choque, desidratação grave, pós-operatório
cardíaco, síndrome hemolítico-urêmica, glomerulonefrites,
rabdomiólise, lisis tumoral, drogas nefrotóxicas, insuficiência
cardíaca e síndrome hepatorrenal.
Prematuridade extrema, asfixia perinatal, sepse, enterocolite
necrosante, canal arterial com repercussão, cardiopatia
congênita crítica, ECMO, aminoglicosídeos, vancomicina,
AINEs e malformações do trato urinário.
Avaliação inicial nas primeiras horas
● Perguntar se há hipoperfusão e se o paciente está seco, normovolêmico ou congestionado.
● Perguntar se há obstrução: sonda patente, globo vesical, bexiga vazia, malformação, ultrassom quando
indicado.
● Revisar nefrotoxinas, contraste, AINEs, inibidores do sistema renina-angiotensina, aminoglicosídeos,
vancomicina, anfotericina e imunossupressores.
● Quantificar rigorosamente entradas e saídas, peso diário e porcentagem de sobrecarga hídrica.
● Procurar complicações imediatas: hipercalemia, acidose metabólica grave, edema agudo pulmonar,
uremia sintomática.
Exames úteis: ureia, creatinina, sódio, potássio, cloro, bicarbonato, cálcio, fósforo, magnésio, gasometria,
hemograma, urina tipo 1, sedimento, relação proteína/creatinina quando pertinente, eletrocardiograma se
hipercalemia e ultrassom de rins e vias urinárias em anúria, suspeita de obstrução ou malformação.
Fórmulas indispensáveis
Fórmula Expressão linear copiável Uso prático
Débito urinário
débito urinário = volume urinário (mL) / peso (kg) /
tempo (h)
Define oligúria e acompanha resposta
terapêutica.
Sobrecarga hídrica
% sobrecarga hídrica = [(entradas - saídas) em litros
/ peso de admissão em kg] x 100
Acima de 10% piora desfechos e pesa
na decisão de diálise.
Taxa de filtração
glomerular estimada de
Schwartz
eTFG = 0,413 x altura (cm) / creatinina sérica
(mg/dL)
Útil no contexto geral, mas limitada na
LRA aguda por não haver steady state.
Fração de excreção de
sódio
FENa (%) = [Na urinário x creatinina sérica / (Na
sérico x creatinina urinária)] x 100
Ajuda em contexto selecionado; perde
desempenho com diurético e sepse.
Necessidade teórica de
bicarbonato
bicarbonato necessário (mEq) = 0,3 x peso (kg) x
[HCO3 desejado - HCO3 atual]
Geralmente administrar metade da dose
e reavaliar.
Biomarcadores
3
NGAL, KIM-1, IL-18 e o painel TIMP-2 x IGFBP7 podem antecipar a detecção de lesão tubular em alguns
contextos, mas ainda não substituem creatinina e débito urinário como base diagnóstica rotineira na maioria
das UTIs.
Tratamento: princípios gerais
Os 6 pilares do tratamento da LRA
1. Tratar a causa reversível.
2. Otimizar perfusão renal e hemodinâmica.
3. Suspender ou reduzir nefrotoxinas e ajustar doses de medicamentos.
4. Controlar fluidos, balanço e nutrição.
5. Corrigir distúrbios eletrolíticos e ácido-básicos.
6. Indicar terapia renal substitutiva no momento certo.
Hemodinâmica e fluidos
● Se houver hipoperfusão, a prioridade é ressuscitação dirigida ao fenótipo do choque, sempre reavaliando
perfusão e congestionamento.
● Se já houver sobrecarga hídrica, a estratégia muda: restringir manutenção, concentrar infusões, evitar
volume desnecessário e buscar retirada ativa de fluido.
● Na UTI pediátrica, a sobrecarga hídrica é um marcador prático fortíssimo de piora clínica, especialmente
quando coexistem ventilação mecânica e disfunção multiorgânica.
Diuréticos
Diuréticos não tratam o rim; servem para manejo de volume se ainda houver alguma resposta tubular.
Furosemida pode ser usada em bolus de 0,5 a 1 mg/kg/dose intravenosa, podendo chegar a 2 mg/kg/dose
em cenários selecionados, com monitorização de resposta, eletrólitos e ototoxicidade. Falha em diurético
com progressão da sobrecarga hídrica deve acelerar a discussão de terapia renal substitutiva.
Hipercalemia
É a complicação aguda mais perigosa. O raciocínio é sempre: suspender potássio, monitorizar ECG,
estabilizar membrana, deslocar potássio para o meio intracelular, remover potássio do organismo e
considerar diálise se refratário.
Intervenção
Dose pediátrica/neonatal usada com
frequência
Observações práticas
Gluconato de cálcio 10%
50 a 100 mg/kg IV; muitos protocolos
expressam como 0,5 mL/kg de solução a
10%
Estabiliza membrana; não reduz o potássio sérico;
monitorizar extravasamento e ECG.
Insulina regular 0,1 unidade/kg IV
Usar sempre com glicose e monitorar
hipoglicemia.
Glicose
0,5 a 1 g/kg; exemplo: D10% 5 a 10
mL/kg
Associada à insulina para evitar hipoglicemia.Bicarbonato de sódio
Se acidose concomitante; dose
calculada conforme déficit
Adjuvante, especialmente quando acidose
metabólica importante acompanha a hipercalemia.
Salbutamol
Usado como adjuvante por via inalatória,
conforme protocolo local
Resposta variável, especialmente no neonato.
Acidose metabólica
Em LRA, a acidose geralmente é multifatorial: retenção de ácidos, hipoperfusão, sepse e redução da
regeneração de bicarbonato. O tratamento principal é corrigir a causa e otimizar perfusão. Bicarbonato é
4
reservado para cenários selecionados, como acidose importante com repercussão hemodinâmica,
hipercalemia associada, acidose tubular ou ponte para diálise.
Apresentação comum: bicarbonato de sódio 8,4%, com cerca de 1 mEq/mL. Cálculo prático: bicarbonato
necessário (mEq) = 0,3 x peso (kg) x [HCO3 desejado - HCO3 atual]. Em geral, administrar metade da dose
inicialmente e reavaliar gasometria.
Riscos: hipernatremia, hiperosmolaridade, piora da carga de CO2, redução do cálcio ionizado e alcalose de
rebote.
Distúrbios de sódio, cálcio, fósforo e magnésio
● Hiponatremia sintomática grave: considerar NaCl 3% em bolus de 2 a 3 mL/kg, repetindo conforme
resposta clínica e sódio sérico.
● Hipernatremia: corrigir lentamente, em geral não mais que 10 a 12 mEq/L em 24 horas, salvo exceções
muito específicas.
● Hipocalcemia sintomática: gluconato de cálcio 10% em 50 a 100 mg/kg IV, conforme monitorização e
contexto.
● Hiperfosfatemia: reduzir aporte, discutir quelantes conforme idade e disponibilidade, e considerar diálise se
grave ou refratária.
● Magnésio deve ser acompanhado porque hipomagnesemia agrava arritmia e dificulta correção do
potássio.
Quando indicar terapia renal substitutiva
A lógica prática é a sigla AEIOU: acidose refratária, distúrbios eletrolíticos refratários, intoxicações
dializáveis, sobrecarga hídrica clinicamente relevante e uremia sintomática. Na criança crítica, sobrecarga
hídrica acima de 10% frequentemente já pesa fortemente na decisão, sobretudo com piora respiratória,
anúria persistente ou falha de diuréticos.
Modalidade Melhor cenário Pontos fortes Limitações
CKRT/CRRT
Instabilidade hemodinâmica e
necessidade de controle fino
Retirada lenta e contínua de
fluido e solutos
Exige equipamento,
anticoagulação e equipe
treinada
Hemodiálise
intermitente
Paciente mais estável e
necessidade de depuração
rápida
Alta eficiência
Menor tolerância
hemodinâmica
Diálise peritoneal
Especialmente útil em neonatos
e centros com menos recursos
Técnica acessível e muito
relevante na neonatologia
Menor eficiência em algumas
urgências metabólicas e
limitações por cirurgia
abdominal
Particularidades neonatais
● A creatinina do primeiro dia pode refletir a mãe; por isso a tendência seriada é mais importante do que um
valor isolado.
● O rim imaturo tem menor capacidade de concentração urinária e menor reserva tubular.
● Prematuridade, asfixia, sepse, enterocolite necrosante e cardiopatia crítica são cenários clássicos.
● Diálise peritoneal continua sendo uma modalidade central em muitos recém-nascidos.
● Sobreviventes de LRA neonatal merecem seguimento de pressão arterial, função renal e proteinúria ao
longo do tempo.
Fluxo diagnóstico
5
Fluxo diagnóstico resumido
Suspeita clínica ou laboratorial de LRA -> confirmar peso, balanço e débito urinário -> aplicar KDIGO ou KDIGO
neonatal modificado -> perguntar: há hipoperfusão? há obstrução? há nefrotoxina? há sobrecarga hídrica? há
hipercalemia ou acidose grave? -> coletar eletrólitos, gasometria, urina e ECG quando indicado -> classificar em
pré-renal, intrínseca ou pós-renal -> iniciar tratamento da causa e suporte -> reavaliar diurese, balanço,
creatinina e complicações hora a hora.
Fluxo terapêutico
Fluxo terapêutico resumido
Identificou LRA -> suspender nefrotoxinas e ajustar doses -> otimizar hemodinâmica -> decidir entre
ressuscitação e restrição conforme fenótipo volumétrico -> monitorar diurese, peso e balanço -> tratar
hipercalemia, acidose, hiponatremia ou hipocalcemia se presentes -> avaliar resposta a diurético quando a meta
for remover volume -> escalar precocemente para terapia renal substitutiva se houver refratariedade, anúria
prolongada, uremia ou sobrecarga hídrica progressiva.
Tabelas comparativas de alto rendimento
Tema Ponto-chave
Pré-renal vs intrínseca
Pré-renal costuma melhorar com restauração da perfusão; intrínseca mantém disfunção
apesar da correção hemodinâmica.
LRA oligúrica vs não oligúrica
A forma não oligúrica pode passar despercebida; creatinina e balanço continuam
essenciais.
Pediátrico vs neonatal
No neonato a interpretação da creatinina é mais difícil e a diálise peritoneal ganha
destaque.
Creatinina vs débito urinário
Creatinina sobe tarde; débito urinário cai cedo e é um sinal de beira-leito extremamente
valioso.
Diurético vs diálise
Diurético só ajuda se ainda houver resposta tubular; não deve atrasar diálise
necessária.
Mapas mentais visuais
Mapa 1. Quando pensar em LRA
Oligúria ou anúria
Creatinina em ascensão
Balanço hídrico positivo
Edema ou piora respiratória
Sepse, choque, pós-operatório, nefrotoxina
Mapa 2. Três grandes mecanismos
Pré-renal = baixa perfusão
Intrínseca = lesão estrutural
Pós-renal = obstrução urinária
Mapa 3. Complicações letais
6
Hipercalemia -> arritmia
Acidose grave -> instabilidade
Sobrecarga hídrica -> edema pulmonar
Uremia -> SNC e pericárdio
Mapa 4. Tratamento por prioridade
Tratar causa
Otimizar perfusão
Suspender nefrotoxinas
Corrigir eletrólitos
Controlar fluido
Dializar quando necessário
Mapa 5. AEIOU
A = acidose
E = eletrólitos
I = intoxicações
O = overload/sobrecarga hídrica
U = uremia
7
2. Resumo final
Resumo de prova
LRA na UTI pediátrica e neonatal é definida por creatinina e débito urinário. Pensar cedo em oligúria, creatinina
ascendente, balanço positivo, edema e contexto de sepse, choque, pós-operatório e nefrotoxina. O tratamento
correto não é apenas 'dar furosemida': primeiro identificar se o paciente precisa de perfusão ou de restrição de
volume, corrigir causa, rever medicações, monitorar eletrólitos e reconhecer rapidamente hipercalemia, acidose
e uremia. Sobrecarga hídrica acima de 10% é marcador de gravidade e pode indicar terapia renal substitutiva.
No neonato, a creatinina inicial sofre influência materna e a diálise peritoneal tem papel importante.
Tema Ponto-chave
Pré-renal vs intrínseca
Pré-renal costuma melhorar com restauração da perfusão; intrínseca mantém disfunção
apesar da correção hemodinâmica.
LRA oligúrica vs não oligúrica
A forma não oligúrica pode passar despercebida; creatinina e balanço continuam
essenciais.
Pediátrico vs neonatal
No neonato a interpretação da creatinina é mais difícil e a diálise peritoneal ganha
destaque.
Creatinina vs débito urinário
Creatinina sobe tarde; débito urinário cai cedo e é um sinal de beira-leito extremamente
valioso.
Diurético vs diálise
Diurético só ajuda se ainda houver resposta tubular; não deve atrasar diálise
necessária.
Pearls de UTI
1. Creatinina sobe tarde; débito urinário muda cedo.
2. Diurético não trata o rim; trata congestionamento quando ainda há resposta.
3. Hipercalemia mata antes da ureia.
4. Obstrução sempre deve ser lembrada em anúria.
5. LRA resolvida na internação não elimina risco futuro de doença renal crônica.
8
3. Mini revisão de 24 horas
● Definição: creatinina sobe e/ou diurese cai.
● KDIGO pediátrico: estágio 1 = 1,5 a 1,9 vez o basal ou +0,3 mg/dL; estágio 2 = 2 a 2,9 vezes; estágio 3 = 3
vezes, creatinina >= 4,0 mg/dL ou TRS.
● Neonato: usar o menor valor prévio de creatinina e limiares próprios.
● Etiologias: pré-renal, intrínseca, pós-renal.
● Pré-renal é a mais frequente no doente crítico.
● Contextos clássicos: sepse, choque, pós-operatório cardíaco, asfixia perinatal, prematuridade, drogas
nefrotóxicas, síndrome hemolítico-urêmica.
● Fórmulas: débito urinário = mL / kg / h; sobrecarga hídrica = [(entradas - saídas) / peso] x 100.
● Hipercalemia: cálcio, insulina + glicose, considerar bicarbonatoe diálise.
● Bicarbonato: 0,3 x peso x [HCO3 desejado - HCO3 atual], geralmente metade da dose e reavaliar.
● TRS: acidose refratária, eletrólitos refratários, intoxicação, sobrecarga hídrica, uremia.
Memorização ultra-rápida
LRA = rim filtra menos, elimina menos água e falha no controle eletrolítico. Em prova e na UTI, sempre responda
em 3 passos: reconhecer, classificar e tratar. Reconhecer = diurese, creatinina, balanço. Classificar = pré-renal,
intrínseca, pós-renal. Tratar = perfusão/volume, nefrotoxinas, eletrólitos, diálise se necessário.
9
4. Simulado — 30 questões
1. Em uma criança com sepse grave e diurese de 0,3 mL/kg/h nas últimas 14 horas, qual critério do KDIGO já
está preenchido pelo débito urinário?
2. Qual é a fórmula prática para calcular o débito urinário?
3. Qual é a principal limitação da creatinina sérica como marcador precoce de LRA na UTI?
4. Quais são os três grandes grupos etiológicos da LRA?
5. Cite duas causas frequentes de LRA na UTI neonatal.
6. Qual é a relevância clínica da sobrecarga hídrica maior que 10% em crianças criticamente enfermas?
7. Qual medicação estabiliza a membrana miocárdica na hipercalemia com alteração eletrocardiográfica?
8. Qual combinação terapêutica desloca potássio para o meio intracelular e qual seu maior risco metabólico?
9. Furosemida trata o parênquima renal lesado? Explique.
10. Em qual cenário a obstrução urinária deve ser lembrada obrigatoriamente?
11. Escreva a fórmula prática da sobrecarga hídrica em porcentagem.
12. Qual a dose usual de insulina regular usada em muitos protocolos pediátricos para hipercalemia?
13. Qual a dose frequente de gluconato de cálcio 10% usada na hipocalcemia sintomática ou estabilização de
membrana na hipercalemia?
14. Cite duas indicações clássicas de terapia renal substitutiva.
15. Qual modalidade de terapia renal substitutiva costuma ser preferida no paciente hemodinamicamente
instável?
16. Na acidose metabólica da LRA, o bicarbonato deve ser usado automaticamente em todo bicarbonato sérico
baixo?
17. Escreva a fórmula de necessidade teórica de bicarbonato.
18. Por que a creatinina do neonato no primeiro dia de vida pode enganar?
19. Cite três fatores de risco típicos para LRA neonatal.
20. Qual é a utilidade da diálise peritoneal na neonatologia?
21. Diferencie, em uma frase, LRA pré-renal e LRA intrínseca.
22. Por que a LRA não oligúrica pode atrasar o diagnóstico?
23. Quais eletrólitos e distúrbios ácido-básicos devem ser acompanhados de perto na LRA?
24. O que significa a sigla AEIOU aplicada à indicação dialítica?
25. Quando a ultrassonografia renal e de vias urinárias ganha maior importância na avaliação inicial?
26. Qual exame simples deve ser realizado rapidamente em hipercalemia significativa?
27. Em uma criança com LRA e edema pulmonar progressivo apesar de diurético, qual escalonamento deve
ser considerado?
28. Qual é a faixa de dose usual de furosemida em bolus IV citada para manejo de sobrecarga hídrica?
29. Qual é a diferença essencial entre tratar hipercalemia e tratar acidose metabólica na LRA?
30. Qual mensagem final de seguimento não pode ser esquecida após um episódio de LRA?
10
5. Gabarito comentado
1. KDIGO estágio 2 pelo critério de débito urinário, porque a diurese ficou abaixo de 0,5 mL/kg/h por pelo menos
12 horas.
2. débito urinário = volume urinário (mL) / peso (kg) / tempo (h).
3. Ela é tardia e depende de variação de distribuição e produção; em LRA aguda pode demorar a subir apesar de
lesão já instalada.
4. Pré-renal, intrínseca e pós-renal.
5. Prematuridade, asfixia perinatal, sepse, enterocolite necrosante, cardiopatia crítica e nefrotoxinas são
respostas válidas.
6. Maior sobrecarga hídrica se associa a pior desfecho, mais ventilação e maior chance de precisar de terapia
renal substitutiva.
7. Gluconato de cálcio 10%.
8. Insulina regular associada à glicose; o principal risco metabólico é hipoglicemia.
9. Não. Ele não reverte a lesão renal; apenas ajuda a remover volume quando ainda existe resposta tubular.
10. Em anúria, oligúria inexplicada, malformação conhecida ou suspeita e quando a sonda pode estar obstruída.
11. % sobrecarga hídrica = [(entradas - saídas) em litros / peso de admissão em kg] x 100.
12. 0,1 unidade/kg IV em muitos protocolos.
13. 50 a 100 mg/kg IV; vários serviços também usam a equivalência de 0,5 mL/kg da solução a 10% em alguns
contextos.
14. Acidose refratária, hipercalemia refratária, sobrecarga hídrica significativa, intoxicação dializável e uremia
sintomática.
15. CKRT/CRRT.
16. Não. Deve ser reservado para cenários selecionados, como repercussão hemodinâmica, hipercalemia
associada ou ponte para diálise.
17. bicarbonato necessário (mEq) = 0,3 x peso (kg) x [HCO3 desejado - HCO3 atual].
18. Porque reflete em parte a creatinina materna e não apenas a função renal do recém-nascido.
19. Prematuridade, asfixia perinatal, sepse, enterocolite necrosante e cardiopatia crítica são exemplos clássicos.
20. É especialmente útil e viável em recém-nascidos, inclusive em locais com menos recursos tecnológicos.
21. Pré-renal é hipoperfusão potencialmente reversível; intrínseca é lesão estrutural do rim.
22. Porque a ausência de oligúria pode mascarar o problema, e o diagnóstico depender mais de creatinina,
tendência laboratorial e balanço.
23. Potássio, sódio, cálcio, fósforo, magnésio e bicarbonato, além do pH e do excesso de base na gasometria.
24. Acidose, Electrolytes/eletrólitos, Intoxications/intoxicações, Overload/sobrecarga hídrica e Uremia.
25. Na anúria, suspeita de obstrução, malformação urinária, massa, hidronefrose ou causa não esclarecida.
26. Eletrocardiograma.
27. Terapia renal substitutiva deve ser considerada precocemente.
28. 0,5 a 1 mg/kg/dose IV, podendo chegar a 2 mg/kg/dose em cenários selecionados.
29. Na hipercalemia, a prioridade imediata é proteger o coração e reduzir potássio; na acidose, a prioridade é
corrigir a causa e decidir bicarbonato ou diálise conforme gravidade.
30. O seguimento renal e pressórico é importante porque um episódio de LRA aumenta risco futuro de doença
renal crônica, hipertensão e proteinúria.
Fontes-base consultadas para esta síntese
11
KDIGO 2012 Clinical Practice Guideline for Acute Kidney Injury; Canadian Paediatric Society statement on
recognition and management of acute kidney injury in children (2025); Think Kidneys/NHS guidance for clinicians
managing children at risk of or with AKI; revisão de lesão renal aguda neonatal e documentos recentes sobre
monitorização de longo prazo após AKI neonatal.

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