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Direitos humanos PROF. Artemilson Lago DIREITOS HUMANOS Toda pessoa deve ter garantido os seus direitos civis (como o direito à vida, segurança, justiça, liberdade e igualdade), políticos (como o direito à participação nas decisões políticas), econômicos (como o direito ao trabalho), sociais (como o direito à educação, saúde e bem- estar), culturais (como o direito à participação na vida cultural) e ambientais (como o direito a um meio ambiente saudável). EVOLUÇÃO HISTÓRICA Direitos na Antiguidade: As primeiras leis escritas da Antiguidade que influenciaram até nossos dias: O Código de Hammurabi (séc. XVII, A.C.) tem 282 parágrafos com matéria processual, penal, patrimonial etc… As penas adotadas pelo código eram severas para os crimes de lesão corporal e para homicídios, adotando-se o talião (dente por dente…) Lei Mosaica (séc. XIII a.C.), atribuída a Moisés e reunida nos primeiros livros da Bíblia, a qual os Judeus denominam Torá, ou Lei. Estes livros contêm toda legislação Israelita, compreendendo a organização política religiosa, civil e penal. EVOLUÇÃO HISTÓRICA Direitos na Idade Média A Carta Magna firmada pelo rei inglês João Sem- Terra (1215/1225), feita para proteger os privilégios dos barões e os direitos dos homens livres). É considerada o documento básico das liberdades inglesas. . EVOLUÇÃO HISTÓRICA Os Direitos Humanos na Idade Moderna e Contemporânea. Profundas modificações sociais, econômicas e culturais, produzidas na Europa desde o final da Idade Média (séc. XV), entre elas, a expansão do comércio marítimo, o reflorescimento das cidades, a formação e ascensão da burguesia mercantil, os descobrimentos marítimos portugueses etc.; tudo isso resultou em novas atitudes filosóficas e científicas que situaram o homem no centro dos estudos e dos acontecimentos Concepção antropocêntrica, da qual emergiu o indivíduo com a afirmação de suas liberdades e de seus direitos Universalidade das Declarações de Direitos: A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Em 10.12.1948 a ONU aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que arrola os direitos básicos e as liberdades fundamentais que pertencem a todos os seres humanos, sem distinção de raça, cor, sexo, idade, religião, opinião política, origem nacional ou social, ou qualquer outra. Seu conteúdo distribui-se por um Preâmbulo (reconhece solenemente: a dignidade da pessoa humana, ideal democrático, o direito de resistência à opressão e a concepção comum desses direitos) Estão classificados cinco categorias de direitos: civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. EVOLUÇÃO HISTÓRICA – CONSTITUCIONAL DOS DIREITOS HUMANOS NO BRASIL. 1824 - A Constituição Imperial: Princípio conservador dos direitos dos cidadãos: No art. 179, a Constituição trazia uma declaração de direitos individuais e garantias que, nos seus fundamentos, permaneceu nas constituições posteriores. A Constituição Brasileira de 1891 A primeira Constituição republicana brasileira, resultante do movimento político militar que derrubou o Império em 1889, inspirou-se na organização política norte americana *Tinham direito a voto todos os homens alfabetizados maiores de 21 anos. EVOLUÇÃO HISTÓRICA – CONSTITUCIONAL DOS DIREITOS HUMANOS NO BRASIL. A Constituição Brasileira de 1934 Estabeleceu o voto obrigatório para maiores de 18 anos, propiciou o voto feminino, direito há muito reivindicado, que já havia sido instituído em 1932 pelo Código Eleitoral do mesmo ano, previu a criação da Justiça do Trabalho e a Justiça Eleitoral. A Constituição Brasileira de 1937: Outorgada pelo presidente Getúlio Vargas em 10 de Novembro de 1937, mesmo dia em que implanta a ditadura do Estado Novo EVOLUÇÃO HISTÓRICA – CONSTITUCIONAL DOS DIREITOS HUMANOS NO BRASIL. A Constituição Brasileira de 1946 Consagrou as liberdades expressas na Constituição de 1934, que haviam sido retiradas em 1937. Foram dispositivos básicos regulados pela carta: a igualdade de todos perante a lei; a liberdade de manifestação de pensamento, a prisão só em flagrante delito ou por ordem escrita de autoridade competente. foi notadamente um avanço da democracia e da liberdades individuais do cidadão. EVOLUÇÃO HISTÓRICA – CONSTITUCIONAL DOS DIREITOS HUMANOS NO BRASIL. A Constituição Brasileira de 1967: Comparada com a Constituição de 1946 a Constituição de 24 de janeiro de 1967, que entrou em vigor a 15 de março, apresenta graves retrocessos: Restringiu a liberdade de opinião e expressão, deixou o direito de reunião a descoberto de garantias plenas. EVOLUÇÃO HISTÓRICA – CONSTITUCIONAL DOS DIREITOS HUMANOS NO BRASIL. A Constituição Brasileira de 1988: É a Lei Maior vigente no Brasil, segundo o qual se rege todo o ordenamento jurídico do país. A Constituição proclama que o Brasil um Estado Democrático de Direito, que tem como fundamento a cidadania e a dignidade da pessoa humana (artigo 1º, incisos II e III) e rege-se nas relações internacionais pelo princípio de prevalência dos direitos humanos (artigo 4º, inciso II). Estabelece também que, além dos direitos e garantias expressos no texto constitucional, o sistema jurídico brasileiro reconhece a possibilidade da proteção judicial de direitos fundamentais decorrentes dos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário (artigo 5º, parágrafo 2º). Conceito . Direitos Humanos são os direitos fundamentais da pessoa humana. No regime democrático, toda pessoa deve ter a sua dignidade respeitada e a sua integridade protegida, independentemente da origem, raça, etnia, gênero, idade, condição econômica e social, orientação ou identidade sexual, credo religioso ou convicção política. Direitos fundamentais da pessoa humana . A expressão “direitos humanos” é uma forma abreviada de mencionar os direitos fundamentais da pessoa humana. Esses direitos são considerados fundamentais porque sem eles a pessoa humana não consegue existir ou não é capaz de se desenvolver e de participar plenamente da vida. Direitos fundamentais x Direitos Humanos . Direitos fundamentais: materializam a dignidade humana no plano interno, ou seja, são aqueles positivados nas Constituições dos Estados. Direitos Humanos: são aqueles direitos indispensáveis à uma vida digna, previstos em normas internacionais de proteção dos Direitos Humanos. O CRIME DE TORTURA NO CONTEXTO DOS DIREITOS HUMANOS E O TRATAMENTO CONSTITUCIONAL (ART. 5º CF/88) Na Constituição Federal em seu artigo 5º, inciso XLIII diz que considera crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia a prática de tortura e que os mandantes, executores e aqueles que, podendo evitá-la, omitem-se serão responsabilizados. Crime inafiançável é aquele que não admite soltura mediante fiança. Crime insuscetível de graça ou anistia é aquele que não admite perdão individual (graça), nem exclusão coletiva da punibilidade (anistia). LEI Nº. 9.455, DE 7 DE ABRIL DE 1997 Art. 1º Constitui crime de tortura: I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa; (tortura prova) b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; (tortura crime) c) em razão de discriminação racial ou religiosa; (tortura preconceito) II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. (tortura castigo) Pena - reclusão, de dois a oito anos. § 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal. § 2ºAquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos. DA PREVENÇÃO E COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: LEI Nº 11.340, DE 07 DE AGOSTO DE 2006. A Lei nº 11.340/06, também conhecida como Maria da Penha, deve ser vista como um importante instrumento para que a mulher em situação de violência doméstica ou familiar possa ter os seus direitos respeitados e consiga obter junto aos agentes do Estado a orientação e a proteção necessárias para impedir ou fazer cessar agressões contra a sua pessoa É clara a opção do legislador em proteger a mulher que se encontra em situação de risco, porque entende que esta merece uma proteção especial, já que, na maioria dos casos, existe uma situação de desigualdade em relação ao homem, seja do ponto de vista físico, seja do ponto de vista das relações domésticas, familiares e até sociais.. O art. 1º Lei 11.340/06 define as 3 grandes finalidades desse diploma legal: • mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher; • a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; • medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar; Requisitos cumulativos para a incidência da Lei 11.340/06 1) A vítima necessariamente deve ser mulher. Estamos diante de uma violência de gênero. O agente aproveita que a vítima encontra- se em situação de vulnerabilidade, quer seja física, quer seja econômica, para praticar violência doméstica e familiar. 2) A violência deve ser praticada em 1 dos contextos do art. 5º da Lei 11.340/06. Em outras palavras, a violência deve ser cometida no âmbito da unidade doméstica , na esfera familiar ou em qualquer relação íntima de afeto 3) A Prática de uma das violências do art. 7º da Lei 11.340/06. Vale dizer, basta a presença de uma das formas de violência (violência física, violência psicológica, violência sexual, violência patrimonial e violência moral). - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas; - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras: I – Suspensão da posse ou restrição do porte de armas. II – Afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima III – Proibição de determinadas condutas: – aproximação da ofendida –contato com a ofendida –frequentação de determinados lugares IV – Restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores DESCUMPRIMENTO DA MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. § 2º Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a autoridade judicial poderá conceder fiança. DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES: LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990 O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) regulamentou o artigo 227 da Constituição Federal que atribui à criança e ao adolescente, prioridade absoluta no atendimento aos seus direitos como cidadãos brasileiros. A aprovação desta Lei, há mais de 30 anos, em 1990, representa um esforço coletivo dos mais diversos setores da sociedade organizada. Revela ainda um projeto de sociedade marcado pela igualdade de direitos e de condições que devem ser construídas, para assegurar acesso a esses direitos. É, portanto, um instrumento importante nas mãos do Estado Brasileiro (sociedade e poder público) para transformar a realidade da infância e juventude historicamente vítimas do abandono e da exploração econômica e social “Art. 2º - Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade” - O ECA define que crianças e adolescentes têm direito à vida, saúde, alimentação, educação, esporte, cultura e liberdade. Esses cidadãos têm direito, ainda, ao atendimento prioritário em postos de saúde e hospitais e devem receber socorro em primeiro lugar no caso de acidente de trânsito, incêndio, enchente ou qualquer situação de emergência. - Nenhuma criança ou adolescente pode sofrer maus tratos: descuido, preconceito, exploração ou violência. Os casos de suspeita ou confirmação de maus tratos devem sempre ser comunicados a um Conselho Tutelar, órgão ligado à prefeitura e formado por pessoas da comunidade. MEDIDAS DE PROTEÇÃO são aplicadas às crianças e aos adolescentes infratores - Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas: I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade; II - orientação, apoio e acompanhamento temporários; III - matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental; IV - inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente; V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial; VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos; VII – acolhimento institucional VIII – inclusão em programa de acolhimento familiar IX - colocação em família substituta. MEDIDAS SÓCIO-EDUCATIVAS Aplicadas apenas aos adolescentes Infratores Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas: I - advertência; II - obrigação de reparar o dano; III - prestação de serviços à comunidade; IV - liberdade assistida; V - inserção em regime de semi-liberdade; VI - internação em estabelecimento educacional; VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI A internação não poderá exceder o período de 3 (três) anos, em nenhuma hipótese. Ato infracional – é uma ação, descrita na lei penal ou em outras leis especiais como crime ou contravenção, praticada por pessoa com idade entre 12 e 18 anos. Menor infrator (adolescente infrator) – é aquele com idade entre 12 e 18 anos, que pratica um ato infracional, considerado crime ou contravenção pela lei, devendo ser de imediato apresentado à Autoridade Policial competente A criança (com idade até 12 anos incompletos) não pode ser aplicada medida sócio educativa, mesmo praticando fato grave, considerado como crime (por exemplo: homicídio, porte de arma, etc). DOS DIREITOS DA PESSOA IDOSA: LEI Nº 10.741/03 Atualmente um grande número de pessoas idosas tem o seu direito à prioridade no atendimento violado, como também sofrem com a imposição de barreiras arquitetônicas, urbanísticas e dos transportes que as impede de se locomover, sendo certo que cada vez mais estes direitos devem ser observados de modo a estimular os idosos a deixarem suas casas, mantendo-se e inserindo-se na sociedade, o que lhes garantirá a qualidade e dignidade de vida desejadas. O artigo 1º, da Lei 10.741/03, afirma que o Estatuto do Idoso é destinado a regular o direito das pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. . DOS DIREITOS DA PESSOA IDOSA: LEI Nº 10.741/03 ATENDIMENTO PRIORITÁRIO “é garantido ao idoso o atendimento preferencial e individualizado junto aos órgãos públicos e privados prestadores de serviço à população”. Estabelecimento de Saúde – é assegurado ao idoso o direito à acompanhante, que só poderá ser negadopor critério médico, e justificadamente. Atividade Artística e cultural – além do acesso preferencial, o idoso terá um desconto, de pelo menos 50% na compra de seu ingresso, devendo comprovar com um documento de identidade oficial. . DOS DIREITOS DA PESSOA IDOSA: LEI Nº 10.741/03 Transporte - É assegurada a prioridade do idoso no embarque no sistema de transporte coletivo, segundo preceitua o artigo 42 do Estatuto do Idoso - gratuidade aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos dos transportes coletivos públicos urbanos e semi-urbanos, e que sejam reservados 10% (dez por cento) dos assentos nesses veículos, devidamente identificados. Podendo a Lei Municipal dispor sobre a gratuidade das pessoas com idade entre 60 (sessenta) e 65 (sessenta e cinco) anos. Estacionamento – As Leis Municipais, deverão garantir a reserva de 5% das vagas em estacionamentos públicos e privados . DOS DIREITOS DA PESSOA IDOSA: LEI Nº 10.741/03 – Tramitação dos Processos e Procedimentos - O Estatuto do Idoso (artigo 71 e seus parágrafos) garantem à pessoa idosa a “prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância.” . Obrigado! Artemilson Lago @forbac Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34