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GERENCIAMENTO DE PROJETOS 
PROF. MARNON ESTEVAM 
AULA 2 – COMPLIANCE 
 
INTRODUÇÃO 
A palavra compliance (conformidade) é derivada do verbo to comply, que, em tradução livre, e 
possuí o seguinte significado: 
 
Ela é aplicável às esferas fiscal, trabalhista, financeira, contábil, previdenciária, ambiental, 
jurídica, ética etc. 
Podemos também definir compliance como o dever de atender às regras, de estar em 
conformidade e cumprir os regulamentos exigidos para as atividades desempenhadas pela 
organização. 
Vamos conhecer alguns detalhes sobre a adoção de seus programas nas organizações: 
MELHORES PRÁTICAS NAS ORGANIZAÇÕES 
Funcionários que atuam na área de compliance: O grupo de funcionários que atua diretamente 
na área de compliance tem a responsabilidade de garantir que a organização e os funcionários 
ajam de acordo com todas as leis, regulamentos e regras que abranjam os negócios nos quais 
ela está envolvida. 
As decisões da empresa: A empresa tomará decisões com isonomia e isenção de interesses 
pessoais, além de independência de fatores associados à hierarquia, à amizade ou que desviem 
os verdadeiros motivos para cada assunto. Assim, as regras de compliance atingem o 
comportamento das pessoas e as rotinas organizacionais, com grande benefício para a 
coletividade. 
Pilares do compliance: um dos pilares é a preservação da reputação da instituição, a 
sustentabilidade e a priorização do gerenciamento de riscos vinculados à área de atuação da 
organização. 
Devem ser considerados no gerenciamento todos os riscos associados ao não cumprimento das 
leis e regulamentos, assim como o tamanho, a amplitude e a estrutura organizacional da 
empresa. 
Prevenção de perdas financeiras: A adoção do compliance também favorece a prevenção de 
perdas financeiras, pois os esforços voltados para o atendimento das exigências legais e 
trabalhistas permitem, por exemplo, a minimização de cobranças judiciais ou administrativas 
das obrigações, além de multas ou perdas por desgastes de imagem. 
Existem elementos comuns que são vitais para que os programas de compliance sejam 
adotados nas organizações, sendo, portanto, os mais encontrados nas literaturas internacionais: 
ELEMENTOS COMUNS 
Suporte da administração e liderança: Ele talvez seja o principal pilar de adoção de programas 
de compliance. Por meio do suporte dado pela alta administração e pelos líderes locais, a 
organização passa a se comprometer com uma postura que tem como requisito a intolerância 
aos desvios de conduta. 
Esse comprometimento deve ser transmitido de maneira clara e sem margem para dúvidas 
pelos mais altos níveis da instituição, sendo percebido nas próprias ações envoltas de 
integridade e conformidade. Dessa forma, elas endossam o discurso com o exemplo dado. 
Mapeamento e análise de riscos: É um dos objetivos do compliance, pois minimizar os riscos 
implica reduzir as possibilidades de que condutas não adequadas sejam praticadas por 
colaboradores ou stakeholders que interagem no negócio. 
O caráter preventivo dos procedimentos é função essencial da compliance, que só conseguirá 
alcançar o objetivo se a organização conhecer (mapear) e entender (analisar) os riscos aos quais 
está vulnerável. 
Políticas, controles e procedimentos: Para que a empresa implemente efetivamente o programa 
de compliance, é necessário que ela desenvolva regras, controles e procedimentos cujo 
cumprimento possa monitorar posteriormente, assim como as práticas lícitas. 
Comunicação e treinamento: Há dois fatores fundamentais para que o monitoramento das 
ações seja efetivo ao longo de toda a organização. 
Comunicar efetivamente as políticas e os procedimentos esperados pela empresa e assegurar 
que os profissionais estejam com o adequado nível de entendimento (por meio do treinamento) 
são condições básicas para que o programa de compliance dê certo. 
Monitoramento, auditoria e remediação: Outro pilar necessário ao compliance é a necessidade 
de examinar regularmente o atendimento aos objetivos pretendidos nas regras, controles e 
procedimentos definidos pela organização. 
Se a instituição não cumprir essa etapa, os documentos confeccionados pela área de 
compliance serão meras obrigações burocráticas que não atenderão ao intuito desejado. 
A adoção da política de compliance depende da inserção das ações de conformidade em todos 
os setores da organização, fazendo parte da cultura dela, pois, dessa forma, as operações terão 
uma maior chance de estarem em conformidade, assim como dependerão de ações éticas por 
parte da alta administração. 
A IMPORTÂNCIA DA PRÁTICA DE COMPLIANCE 
Essas variáveis formam o tripé do compliance: 
 
EXEMPLO 
O caso Siemens: Após as investigações realizadas pela justiça norte-americana, foram 
constatados pagamentos de propinas para autoridades públicas no montante de US$1,4 bilhão 
entre os anos de 2001 e 2007. 
Segundo o judiciário dos Estados Unidos, os pagamentos ilegais foram realizados em mais de 20 
países em troca de contratos públicos (BBC NEWS, 2013). 
Após a condenação, a empresa foi obrigada a pagar uma das maiores multas da história: US$1,6 
bilhão. Isso foi um fator de destaque para a mudança da forma de fazer negócios na Alemanha. 
Até então os empresários não viam o pagamento de propina como um causador de prejuízo 
financeiro e de imagem para as organizações. 
Uma lei alemã até permitia que os empresários pagassem propina a autoridades públicas do 
exterior para obter vantagens em contratos, tendo, inclusive, uma autorização formal para 
descontar estes valores dos impostos de renda pagos na Alemanha. 
Apesar de a regra ter perdido a vigência legal no início do século XXI, somente após o escândalo 
da Siemens os empresários alemães se convenceram das implicações financeiras e criminais que 
a adoção de práticas ilegais pode trazer. 
Além do comportamento empresarial alemão devido à repercussão internacional do caso, o 
exemplo da Siemens também foi muito marcante para o crescimento das políticas de 
compliance associadas ao campo da gestão. Atualmente, a empresa é uma das referências em 
programas de compliance, contando com cerca de 600 funcionários dedicados à área. 
IMPACTOS 
Destaca-se também a importância dada pela empresa à divulgação dos focos do departamento 
de compliance: combater a corrupção e as violações da concorrência; proteger a empresa 
contra fraudes e lavagem de dinheiro; e salvaguardar os dados pessoais. 
O próprio fortalecimento das ações de compliance permite que os objetivos éticos sejam 
atendidos, pois faz parte da política da Siemens a utilização de canal de denúncias seguro. Com 
isso, no ano de 2018, 647 manifestações foram realizadas e passaram por investigações 
posteriores. 
Como resultado, 229 medidas disciplinares foram adotadas devido ao descumprimento das 
conformidades esperadas pela organização (SIEMENS, 2019). 
A área de compliance não tem como garantir que violações às regras nunca ocorram. Porém, 
por meio de ferramentas de gestão da área, o que se espera é que haja a redução das 
probabilidades de fraudes, respaldadas por uma postura de vigilância dos riscos inerentes às 
organizações. 
Em âmbito nacional, uma importante medida de combate à corrupção foi a promulgação da Lei 
nº 12.846/2013, que trata da responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela 
prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira (BRASIL, 2013). 
IMPORTÂNCIA 
Por estar atrelado à concordância e ao cumprimento das normas, o compliance se caracteriza 
como um dos princípios essenciais das boas práticas de governança corporativa (ÁLVARES; 
GIACOMETTI; GUSSO, 2008). 
EXERCÍCIOS 
1) Em relação aos elementos comuns para os programas de compliance, podemos afirmar que: 
a) O suporte de administração e liderança é um dos principais pilares para a adoção de 
programas de compliance. 
b) É recomendável a adoção de políticas, controles e procedimentospara melhorar a definição 
das regras a serem seguidas pelas organizações. 
c) O mapeamento e a análise de riscos têm pouca relação com as práticas de compliance. 
d) Se for possível e compatível com o orçamento, a organização deverá realizar ações de 
comunicação e treinamento das políticas de compliance. 
Resposta: a) 
2) Sobre os elementos necessários à implementação do compliance, qual dos itens 
apresentados a seguir não se adequa diretamente ao tema? 
a) Adoção de código de ética da organização. 
b) Capacitação de profissionais. 
c) Definição dos valores organizacionais. 
d) Criação de canais de comunicação de condutas não éticas. 
Resposta: c)

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