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Unidade 1 Introdução à Biologia Celular Aula 1 Componentes e propriedades celulares Componentes e propriedades celulares Componentes e propriedades celulares Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Olá, estudante! Vamos iniciar o estudo da biologia celular. Você já parou para pensar do que somos formados? É comum dizermos que todos os seres vivos são compostos por células, a qual representa a unidade fundamental da vida. Mas de onde surgiu esse conceito? Será que todas as células são iguais nos diferentes tipos de organismos? Como elas estão organizadas e de que maneira se comunicam? Essas são algumas das perguntas que você conseguirá responder ao final desta videoaula! Preparado? Então, vamos lá! Faça o download do arquivo Ponto de Partida Ponto de Partida Um ser vivo é um organismo formado por célula, a qual, por sua vez, corresponde à unidade funcional e estrutural que compõe os organismos vivos. As células têm a responsabilidade de manter o adequado funcionamento do organismo. Mas será que todas elas são iguais e desempenham a mesma função? Descobriremos que, diante Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/8811/ebf711e7-b1ce-5d88-b353-85f0fb9f15fc.pdf da grande diversidade existente de seres vivos, as células participam de sua formação de modos distintos. Além disso, há diferentes tipos celulares. O universo biológico demonstra que a evolução produziu uma imensa variedade de formas de organismos. Existem no mundo cerca de 4 milhões de espécies distribuídas entre animais, vegetais, protozoários e bactérias, cujos comportamentos, morfologias e funções são diferentes entre si, embora, nas questões moleculares e celulares dos seres vivos, apresentem um plano único de organização. Caso essa organização celular seja destruída, a função da célula também será alterada e ficará comprometida. Muitas das técnicas altamente sofisticadas utilizadas hoje, as quais surgem na biotecnologia e são aplicadas a diversas áreas da saúde, envolvem o estudo das células, como as descobertas significativas em relação à cura de doenças, o desenvolvimento de medicamentos e fármacos, alimentos transgênicos, células-tronco, entre outras pesquisas. Um dos primeiros passos para o desenvolvimento dos futuros profissionais da área da saúde está relacionado ao conhecimento sobre as células, isto é, saber como diferenciá-las, quais são suas características fundamentais e Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO sua estrutura. Esse momento inicial é válido para compreender o vasto universo dos organismos vivos, o que justifica a importância desse estudo. Todo o conhecimento sobre as células só foi possível após a criação do microscópio, instrumento óptico com alto poder de resolução capaz de ampliar imagens de objetos muito pequenos. A microscopia foi fundamental, ainda, para a formulação da teoria celular, possibilitando o estudo dos microrganismos, o que representou um marco para a ciência. Nesta aula, investigaremos um pouco da história dessa invenção para conhecer a trajetória e evolução dos microscópios, bem como a relação com o estudo das células e a consequente origem da citologia. Como uma ferramenta de auxílio ao processo de conhecimento, vamos analisar uma situação-problema na intenção de aproximar os conteúdos teóricos da prática profissional. Vamos lá! Jean é um profissional do laboratório de análises clínicas de um grande hospital da sua cidade. Ele recebeu uma amostra biológica e está efetuando a análise histológica das lâminas de uma paciente que pode ter sido infectada com agentes microbiológicos. Os sintomas apresentados pela paciente Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO são insuficiência respiratória, aumento das glândulas linfáticas e escurecimento das pontas dos dedos. Ao observar as amostras no microscópio óptico, Jean notou que as células perderam a nitidez dos elementos nucleares, o núcleo apresentava-se condensado, basófilo e fragmentado, e o citoplasma continha um aspecto acidófilo. Jean chegou à conclusão de que a lâmina mostrava uma necrose celular. Os sintomas evidenciados pela paciente e os achados laboratoriais indicam que o caso pode se tratar da peste negra, uma epidemia medieval que dizimou 1/3 da população da Europa. Essa é uma doença que causa disfunções celulares, no entanto, pense: como essas alterações acontecem e por que se manifestam com tais sintomas? Além disso, reflita sobre o agente causal e sua estrutura celular, comparando com a estrutura celular da paciente. Vamos Começar! Vamos Começar! Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO A citologia (do grego kytos: célula, e logos: estudo), atualmente designada biologia celular, é a ciência que estuda a célula (unidade funcional de todo ser vivo) e seu comportamento (composição, estruturas e fisiologia). O desenvolvimento dessa ciência só foi possível com a invenção dos primeiros equipamentos de visualização microscópica, os quais permitiram a observação de estruturas não visíveis a olho nu, como células e microrganismos. Para auxiliar nossos estudos, teremos acesso, a seguir, a um breve histórico com os principais eventos ocorridos no ramo da biologia celular desde a invenção do microscópio até a descoberta da célula e a formulação da teoria celular, uma vez que a história da biologia celular está diretamente ligada ao desenvolvimento tecnológico, que tornou possível o estudo da célula: 1590: Hans Janssen e Zacharias Janssen, os holandeses fabricantes de óculos, criaram lentes capazes de ampliar imagens, possibilitando a contemplação de detalhes impossíveis de serem visualizados a olho nu. Acredita-se que eles foram os inventores do primeiro microscópio. 1665: Robert Hooke, cientista inglês, inventa o microscópio composto (com lente ocular e objetiva). A Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO partir de observações realizadas em finos cortes de cortiça (material de origem vegetal), ele descreveu pequenas cavidades preenchidas por ar (nesse caso, as paredes celulares das células mortas do tecido observado por ele), nomeando-as “célula” (do latim cella: pequeno compartimento). Essa foi a descoberta de maior divulgação no século XVII. 1673: Anton van Leeuwenhoek, holandês, construiu o seu próprio microscópio simples e conseguiu visualizar pela primeira vez células vivas (em material biológico humano: sangue, fibras musculares, espermatozoides, etc.). 1831: Robert Brown, botânico escocês, descreveu pela primeira vez o núcleo, constatando que a maioria das células possuía uma estrutura interna ovoide ou esférica. 1838: Matthias Jakob Schleiden, botânico alemão, defende que as plantas e seus órgãos eram formados por células e relaciona o núcleo à divisão celular. 1839: Theodor Schwann, fisiologista alemão, por meio de estudos com tecidos animais, descobre a enzima pepsina, o metabolismo celular e a fisiologia de células musculares e nervosas. Teoria celular Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Considerada um marco na biologia, a teoria celular foi formulada com base no estudo das propriedades das células. Esse conceito surgiu no século XIX graças ao botânico alemão Matthias Jakob Schleiden e ao fisiologista, também alemão, Theodor Schwann, entre os anos de 1838 e 1839. Eles formularam a hipótese de que todos os seres vivos são constituídos por uma ou mais células, como também de que a célula é a unidade estrutural da vida, sendo esta a base da teoria celular. Mais tarde, em 1855, o médico polonês Rudolf Virchow propôs a ideia de que todas as células são provenientes de outra célula preexistente. Em 1878, Walther Flemming estudou o processo de divisão celular e a distribuição dos cromossomos no fenômeno que chamou de mitose, conseguindo comprovar como a multiplicação das células ocorria. Os princípios gerais que fundamentam a teoria celular são os seguintes:27 mar. 2024. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714065/pageid/554 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714065/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714065/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2386-2/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2386-2/ JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. Aula 4 Citosol e Citoesqueleto Citosol e Citoesqueleto Citosol e Citoesqueleto Olá, estudante! Vamos dar sequência ao estudo das células, as unidades básicas fundamentais à vida. Além de estruturar Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO os organismos vivos, elas são responsáveis pelas funcionalidades do nosso corpo. Você já parou para pensar nos diversos tipos celulares que compõem o nosso corpo? As células têm estruturas distintas, mas como elas conseguem manter as suas respectivas formas? Nesta videoaula aprofundaremos nossos estudos sobre as células a partir da compreensão do citoplasma e do citoesqueleto, verificando suas composições e funções. Preparado? Então, vamos lá! Faça o download do arquivo Ponto de Partida Ponto de Partida As células possuem diversas estruturas, cada uma com atribuições bem definidas e de vital importância para o funcionamento do organismo, como a membrana celular. Nesta aula investigaremos as funções e a composição do citosol e do citoesqueleto. Você saberia dizer qual é a localização e a composição do citosol, também conhecido como matriz citoplasmática? Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/8811/fc0440e3-5ad2-5ea4-8dea-71ff2d8eedae.pdf O citosol é o meio interno da célula, que se estende desde o envoltório nuclear até a membrana plasmática. Essa é a região em que ocorre a maioria das reações químicas metabólicas e onde estão dispostos as organelas, os ribossomos, o núcleo e os complexos enzimáticos, representando 50% do volume do citoplasma. O citosol é formado de água, proteínas, sais minerais, aminoácidos e açúcares, constituindo um material coloide, de consistência gelatinosa. Trata-se de uma estrutura comum às células procariontes e eucariontes. Já o citoesqueleto está presente somente nas células eucariontes e possui uma função fundamental: é responsável pelo transporte dos cromossomos no momento da divisão celular. É formado por três redes de fibras proteicas: os filamentos de actina, os microtúbulos e os filamentos intermediários, todos compostos por diferentes tipos de proteínas. Como uma ferramenta de auxílio ao processo de conhecimento, vamos analisar uma situação-problema na intenção de aproximar os conteúdos teóricos da prática profissional. Vamos lá! Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Durante uma de suas aulas para alunos da área da saúde, um professor universitário iniciou um debate sobre a importância das células e de todas as suas funcionalidades no corpo dos organismos. Esse docente explicava sobre os benefícios da prática de exercícios físicos para a saúde e sua relação com as células. Inúmeras pesquisas comprovam que a prática de exercícios de baixa e média intensidade auxiliam na manutenção do bom funcionamento do sistema imunológico, promovendo o aumento da produção das células de defesa (linfócitos) do nosso organismo, por exemplo. Rapidamente, o professor notou uma conversa paralela entre dois alunos a respeito de exercícios para hipertrofia e intensidade de treinos. Com o intuito de obter a atenção desses alunos, o professor resolveu ministrar uma aula sobre hipertrofia, relacionando-a ao contexto celular. Como um desses alunos, você saberia explicar a estrutura e o funcionamento das células para que ocorra a hipertrofia do músculo? Quais componentes da célula estão envolvidos nesse processo? A estrutura e a forma de todas as células são iguais? Vamos Começar! Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Vamos Começar! A membrana plasmática separa o citoplasma do meio extracelular e ajuda a manter constante o meio intracelular, que é diferente do extracelular. O citoplasma é de extrema importância para a célula, pois desempenha diversas funções essenciais para sua sobrevivência e funcionamento. Nas células eucariontes, o citoplasma é uma região celular que preenche o espaço entre a membrana plasmática e o núcleo em células eucarióticas. É composto por diversas estruturas, que incluem o citosol, as organelas (ribossomos, mitocôndrias, retículo endoplasmático, entre outras) e o citoesqueleto. O citosol é o fluido no qual estão imersas várias organelas celulares, e o citoesqueleto corresponde a uma rede de filamentos que dá suporte estrutural à célula e auxilia no movimento celular. Nas células procariontes, como bactérias, o citoplasma também está presente, mas não há uma distinção clara entre citoplasma e citosol, pois tais células não possuem núcleo definido ou organelas membranosas. Em vez disso, o material genético está disperso no citoplasma, em uma região chamada nucleoide. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO O citoplasma é organizado pelo citoesqueleto, constituído pelos microtúbulos, filamentos de actina e filamentos intermediários. Os microtúbulos e os microfilamentos de actina, com a cooperação das proteínas motoras, participam dos movimentos celulares e dos deslocamentos de partículas dentro das células. Observe na Figura 1, a seguir, a estrutura da célula eucarionte e a localização do citoplasma. Figura 1 | Célula eucarionte. Fonte: Wikimedia Commons. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Citosol: constituição e função O citosol é composto principalmente por água (70 a 85% do conteúdo), íons (K+, Mg+2, entre outros), proteínas solúveis (enzimas necessárias para as reações celulares, proteínas estruturais, canais iônicos e receptores), açúcares e outras moléculas orgânicas e inorgânicas. Desse modo, o citosol serve como meio para diversas reações bioquímicas e processos metabólicos essenciais, além de fornecer suporte estrutural para as organelas celulares. No citoplasma podemos encontrar as inclusões, estruturas não membranosas que são compostas por produtos de reserva, pigmentos ou outras substâncias acumuladas pela célula. Essas inclusões podem variar amplamente de acordo com o tipo celular e necessidades metabólicas específicas. Elas desempenham papéis importantes no metabolismo celular, armazenamento de energia e proteção contra danos. Algumas inclusões podem armazenar moléculas de glicogênio como reserva energética, formando inclusões de glicogênio, as quais podem ser encontradas, por exemplo, em células musculares e hepatócitos. Outras células podem acumular lipídios em forma de gotículas de gordura, também para reserva de energia. Além disso, pigmentos produzidos pela própria célula ou vindos do meio externo podem ser Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO armazenados no citoplasma. Dentre os principais pigmentos, destacamos os grânulos de melanina, presentes nas células da pele, e a lipofuscina, pigmento pardo que se acumula em algumas células de vida longa, como neurônios e células musculares cardíacas. Diferentemente do que se imagina, o citoplasma não é estático. As substâncias estão em constante movimento no seu interior. Um dos movimentos que ocorre no citoplasma é a ciclose, um movimento circular ou em espiral de citoplasma observado principalmente em células vegetais. Esse movimento abrange o deslocamento de organelas e outras estruturas celulares ao longo do citoesqueleto, sendo importante para o transporte de nutrientes e organelas dentro da célula. Outro movimento que pode ser verificado no citoplasma é o chamado fluxo citoplasmático. Refere-se ao movimento direcional do citoplasma que transportaorganelas e partículas celulares em uma direção específica. Esse movimento é mediado por microtúbulos e filamentos de actina, os quais funcionam como trilhas para o transporte intracelular. Muitas organelas celulares, como mitocôndrias, cloroplastos, lisossomos e vesículas de transporte, também são capazes de se mover ativamente pelo citoplasma. Trata- se de movimentos essenciais para funções celulares como metabolismo energético, fotossíntese, digestão intracelular e transporte de materiais. Assim, os movimentos Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO citoplasmáticos são cruciais para o funcionamento adequado das células, permitindo a distribuição eficiente de substâncias e organelas. Além disso, cumprem tarefas importantes em processos celulares como o crescimento, a divisão celular e a resposta a estímulos ambientais. Siga em Frente... Siga em Frente... Citoesqueleto: características estruturais e funções Como aprendemos, o citoesqueleto está localizado no citosol e é uma estrutura composta por uma rede complexa de filamentos proteicos interligados, uma espécie de esqueleto presente nas células eucariontes. O citoesqueleto é a estrutura responsável por manter a forma e a sustentação das células. No entanto, também está relacionado a vários processos dinâmicos, fornecendo suporte mecânico, como movimentação celular, divisão celular e transporte de organelas e outras estruturas citoplasmáticas. É considerado Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO um processo evolutivo que distingue as células eucariontes das células procariontes. Estas últimas, por não terem um núcleo definido e organelas, apresentam fibras semelhantes às que formam o citoesqueleto, mas diferentes em sua composição. O citoesqueleto das células eucariontes é composto por três tipos de filamentos: os microfilamentos (filamentos de actina), os filamentos intermediários e os microtúbulos. Além dos filamentos, o citoesqueleto é constituído de um conjunto de proteínas acessórias: proteínas reguladoras, responsáveis por regular o aparecimento ou desaparecimento, bem como o alongamento ou encurtamento, dos filamentos; proteínas ligadoras, que ligam os filamentos uns aos outros ou a demais componentes presentes na célula; e as proteínas motoras, que transportam macromoléculas e organelas no citoplasma e fazem com que haja deslizamento de filamentos paralelos e contíguos em direções opostas, permitindo a motilidade. Cada tipo de filamento existente no citoesqueleto apresenta propriedades mecânicas distintas e é formado por subunidades proteicas diferentes. Os microtúbulos são estruturas cilíndricas longas e ocas. A unidade estrutural básica dos microtúbulos é um dímero de tubulina, que Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO consiste em duas subunidades: a-tubulina e ß-tubulina. Esses dímeros se organizam longitudinalmente para formar protofilamentos, os quais, por sua vez, se associam lateralmente para formar uma folha cilíndrica. Geralmente, os microtúbulos são compostos por 13 protofilamentos dispostos paralelamente, o que confere uma estrutura altamente estável. Os microtúbulos exibem uma polaridade funcional, apresentando uma extremidade “mais” (+) e uma extremidade “menos” (-), que se formam pela maneira com que as subunidades de tubulina se adicionam e se dissociam dos microtúbulos, processos chamados de polimerização e despolimerização, respectivamente. No extremo do “mais”, há uma taxa de adição de subunidades de tubulina superior à taxa de remoção, enquanto no extremo do “menos” a taxa de remoção é maior que a taxa de adição. Assim, uma extremidade pode acumular ou liberar dímeros de tubulina em uma velocidade bem mais alta do que a outra, crescendo e encolhendo significativamente durante as atividades celulares. A presença da polaridade também permite que as proteínas motoras e outras moléculas associadas aos microtúbulos manifestem um comportamento direcionado, movendo-se ao longo do microtúbulo em uma direção específica. Isso é possível porque as subunidades de tubulina não são simétricas. Nesse contexto, a-tubulina e ß-tubulina têm estruturas ligeiramente diferentes, resultando em uma orientação específica ao longo do microtúbulo. Nos Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO eucariontes animais, os microtúbulos crescem a partir do centrossomo, na maioria das vezes localizado próximo ao núcleo da célula. O centrossomo é composto por um par de centríolos, cada qual constituído de nove conjuntos de microtúbulos triplos arranjados em anel. Os centrossomos desempenham um papel fundamental na formação do fuso mitótico, uma estrutura constituída de microtúbulos que se estende entre os centrossomos opostos durante a divisão celular. Os microtúbulos do fuso mitótico são nucleados a partir dos centrossomos e se organizam em feixes que ajudam a separar os cromossomos ao longo da divisão celular, garantindo uma distribuição correta do material genético para as células-filhas. Além disso, os centrossomos estão envolvidos em outros processos celulares que dependem da dinâmica dos microtúbulos, como o posicionamento do complexo de Golgi, o transporte intracelular de organelas e vesículas, e a formação de cílios e flagelos. Os cílios e flagelos são projeções celulares que se estendem a partir da superfície da célula, sendo compostos por arranjos organizados de microtúbulos. Os cílios são estruturas curtas e numerosas que se projetam da superfície celular e estão relacionados com o movimento. Eles são encontrados em grande quantidade em células epiteliais, nas quais são responsáveis pelo movimento de fluidos sobre a Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO superfície da célula. Por exemplo, nos tratos respiratório e reprodutivo, os cílios ajudam a mover muco e gametas, respectivamente. Cada cílio é ancorado por um corpo basal, que atua como um centro organizador. O batimento realizado pelos cílios se dá em chicote, impulsionando os fluidos sobre a superfície celular. Já os flagelos são estruturas mais longas e menos numerosas do que os cílios. Contudo, cumprem uma função semelhante à dos cílios, visto que também são utilizados para a locomoção da célula. Um exemplo clássico é o movimento do espermatozoide, dependente do batimento do flagelo. O padrão de batimento do flagelo é geralmente descrito como sendo do tipo “ondulante”, de modo que o flagelo se move em uma série de curvas ondulatórias ao longo de seu comprimento. Essas curvas começam na base do flagelo e viajam em direção à extremidade distal, impulsionando o meio circundante para frente. A função motora dos cílios e flagelos é mediada pela atividade de proteínas motoras especializadas, como as dineínas, que geram movimento deslizante entre os microtúbulos do axonema. Esse movimento resulta na flexão e ondulação dos cílios e flagelos, proporcionando a força necessária para a propulsão ou movimentação dos fluidos ao redor da célula. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Figura 2 | Estruturas do citoesqueleto. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons. Os filamentos de actina, que compõem uma parte importante do citoesqueleto celular, são estruturas altamente organizadas e dinâmicas. Eles são formados principalmente por monômeros de actina, uma proteína globular altamente conservada encontrada em todas as células eucarióticas. A estrutura do filamento de actina é composta por duas cadeias polipeptídicas enroladas uma em torno da outra, formando uma hélice dupla. Além disso, os filamentos de actina podem ser organizados em estruturas mais complexas por meio da interação com proteínas associadas. Por exemplo, a actina pode se associar com Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO proteínas como a miosina para formar miofilamentos, que são responsáveis pela contração muscular. Por causa de sua estrutura, os filamentos de actina desempenham uma variedade de funções essenciais na célula, dependendo dasproteínas acessórias a que se associam, constituindo estruturas diferentes. Também participam de alguns processos fundamentais, como: Movimentação celular, em virtude de sua propriedade de polimerizar e despolimerizar rapidamente). Um exemplo é a movimentação dos glóbulos brancos – leucócitos – no sistema imunológico. Adesão celular, muito importante para a ligação entre as células ou entre a célula e a matriz extracelular. Englobamento de partículas (fagocitose). Estruturação das microvilosidades (em células epiteliais). Divisão celular (separação das duas células-filhas ao fim da mitose, por causa da formação do anel contrátil – citocinese). Os filamentos de actina também participam da contração muscular quando se ligam a uma proteína acessória – nesse caso, a proteína motora miosina, que interage com a actina. Juntas, elas são responsáveis pela contração do músculo. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Os filamentos intermediários apresentam uma espessura menor que a dos microtúbulos e maior que a dos filamentos de actina, sendo formados por uma variedade de proteínas fibrosas, dependendo do tipo celular e da função específica. A estrutura básica dos filamentos intermediários consiste em múltiplas subunidades de proteínas que se enrolam em hélices-alfa, que são estruturas helicoidais. Essas hélices, por sua vez, se agrupam para formar dímeros, os quais se associam lateralmente para produzir filamentos. Os filamentos intermediários geralmente não possuem polaridade distinta, como os microtúbulos e os microfilamentos de actina. São abundantes em células sujeitas a forças mecânicas, como as células epiteliais e musculares, pois se deformam ao receber uma força, apresentando uma grande resistência à ruptura. Assim, demonstram capacidade de fortalecer e reforçar o citoesqueleto celular, ajudando na proteção das células contra danos e na manutenção da integridade estrutural e funcional dos tecidos em ambientes sujeitos a estresse mecânico. São predominantemente citoplasmáticos, embora possam ser observados constituindo a lâmina nuclear, que recobre internamente o envoltório nuclear. O citoesqueleto é de grande importância para as células. Como aprendemos, ele não é relevante somente pelo fato de manter a sustentação das células, mas também por exercer Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO outras funções, como suporte mecânico à célula, movimentação celular, formação de cílios e flagelos, formação do fuso mitótico e movimento de organelas e vesículas no interior da célula. Qualquer alteração em sua estrutura pode prejudicar o perfeito funcionamento das células, com a possibilidade de desencadear o desenvolvimento de patologias. Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Já obtivemos mais informações a respeito da estrutura da célula, entendendo o que mantém a sua forma e a sustenta. Também conhecemos os componentes responsáveis por desempenhar diversas funções na célula, como a movimentação celular e a execução de contrações musculares. A partir de agora, vamos resolver a situação- problema apresentada anteriormente. Para conseguir propor uma solução ao caso, primeiro você deve relembrar os conceitos apreendidos referentes ao Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO citoesqueleto, aos filamentos que o compõem e à função de cada um deles. O citoesqueleto, presente no citosol, é responsável por sustentar a forma da célula. Trata-se de uma espécie de esqueleto que, além de promover a sustentação, confere os movimentos celulares. Composto por três tipos de filamentos proteicos dispostos em uma espécie de rede, ele se associa a diferentes proteínas, dependendo do tipo de filamento e de célula, exercendo funções distintas. Os filamentos de actina, filamentos intermediários e microtúbulos que compõem o citoesqueleto têm características próprias. São formados por meio da polimerização de proteínas e podem resistir a tensões, ser flexíveis e estáveis. Os filamentos citoplasmáticos, que participam de vários fenômenos celulares, mas talvez sejam mais conhecidos por auxiliar na contração muscular, são os microfilamentos, mais finos e flexíveis, distribuídos ao longo do citoplasma de todas as células eucariontes. Os filamentos de actina são encontrados principalmente na parte mais periférica da célula (córtex celular), sendo formados pela proteína actina. Para participar do fenômeno de contração muscular, eles precisam se unir a proteínas acessórias (nesse caso, a proteína motora miosina). As miosinas são capazes Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO de hidrolisar ATP em ADP quando se associam aos filamentos de actina, promovendo o deslizamento de um filamento sobre o outro. É importante, neste momento, salientar que o citoesqueleto está presente em todas as células, porém, como estamos o relacionando às células musculares, é necessário compreender essa estrutura nos músculos esqueléticos e vinculá-la ao mecanismo de contração e relaxamento muscular, contemplando os sarcômeros. O processo de contração também abrange a liberação de neurotransmissor (acetilcolina) por meio da sinalização sináptica, o que envolve a bomba de sódio- potássio na membrana plasmática, a liberação de íons de Ca2+ pelo retículo sarcoplasmático e a interação com as miofibrilas ou fibras musculares. A prática de exercícios físicos estimula a produção de proteínas pelas miofibrilas (fibras musculares), tornando-as mais grossas. Com repetidas sessões de treinamento de força, os músculos aumentam de tamanho, uma vez que os estímulos mecânicos associados aos estímulos hormonais e metabólicos resultam em hipertrofia muscular. Saiba mais Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Saiba mais O citoesqueleto é responsável por diferentes tipos de movimentos celulares, como o movimento ameboide, a contração muscular e o movimento de cílios e flagelos. O movimento ameboide é realizado pelo eucarioto unicelular Amoeba e por algumas células brancas do sangue. Esse tipo de movimento é principalmente mediado pelos filamentos de actina. Nesse caso, a célula estende pseudópodes em direção ao ambiente circundante. Para conhecer mais informações sobre os tipos de movimentos executados pelo citoesqueleto, recomendo a leitura do capítulo 17, intitulado “O citoesqueleto”, especificamente das páginas 593 a 598, do livro Fundamentos da biologia celular, cujo link de acesso está disponível a seguir. ALBERTS, B. et al. Fundamentos da biologia celular. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Referências Referências Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714065/pageid/591 ALBERTS, B. et al. Fundamentos da biologia celular. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/97885827 14065/. Acesso em: 24 abr. 2024. DE ROBERTIS, E. M.; HIB, J. Biologia celular e molecular. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85- 277-2386-2/. Acesso em: 27 mar. 2024. JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. Aula 5 Introdução à Biologia Celular Videoaula de Encerramento Videoaula de Encerramento Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714065/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714065/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2386-2/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2386-2/ Olá, estudante! Por meio desta videoaula você ficará por dentro de um assunto de grande relevância para sua prática profissional: os componentes fundamentais que constituem os seres vivos, conhecidos como células. A partir do estudo da estrutura e do funcionamento das células, bem como da interação entre elas, é possível compreender os processos biológicosbásicos que participam da composição e atuação dos organismos, além de conhecer a origem dos tecidos, órgãos e sistemas de um organismo. Trata-se de um conteúdo extremamente relevante para assimilarmos as relações evolutivas dos seres vivos. O estudo das células permite, ainda, o desenvolvimento de tecnologias, novos tratamentos e medicamentos para inúmeras doenças, garantindo melhores perspectivas para a nossa saúde. Portanto, prepare-se para uma jornada fascinante pelo mundo da biologia, em que cada descoberta nos aproximará Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO ainda mais da compreensão e apreciação da complexidade da vida. Vamos lá! Faça o download do arquivo Ponto de Chegada Ponto de Chegada Para desenvolver a competência associada a esta unidade de aprendizagem, que é “Identificar e distinguir as células animais e vegetais, assim como a composição e as funções da membrana plasmática e dos tipos de sinalizações celulares”, você precisará, antes de tudo, compreender a importância das unidades funcionais e estruturais que compõem os organismos vivos, mais conhecidas como células. Em nossos estudos sobre células, aprendemos que todo o conhecimento sobre as unidades funcionais dos organismos vivos só se tornou possível após a criação do microscópio, que viabilizou a ampliação das imagens de objetos muito Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/8811/3a8ec437-6168-5a74-9110-946b93a3ba57.pdf pequenos. Também foi a partir da microscopia que pudemos compreender a teoria celular, a qual evidencia que todos os seres vivos são formados por uma ou mais células, bem como que elas são a menor unidade estrutural e funcional de todos os seres vivos. Exploramos, ainda, os tipos básicos das células, que são classificadas em procariontes e eucariontes. As células bacterianas, animais e vegetais se originaram dessa classificação. Todas as células apresentam estruturas que são comuns e estão presentes em todos os organismos vivos, como a membrana plasmática. Por meio do estudo da membrana plasmática, identificamos sua importância como barreira seletiva e exploramos os tipos de transporte através da membrana, como a osmose e a difusão, processos fundamentais para a absorção dos fármacos, por exemplo. A partir da verificação da composição da membrana celular, entendemos como as células se comunicam e coordenam suas atividades, configurando um procedimento conhecido como sinalização celular. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Aprofundamos a análise das células com a investigação do citoplasma, outra estrutura crucial para o funcionamento do organismo vivo. Ele é composto pelo citosol e citoesqueleto. O citosol é uma estrutura comum às células procariontes e eucariontes. Já o citoesqueleto está presente somente nas células eucariontes e possui uma função fundamental: o transporte dos cromossomos no momento da divisão celular. Também é no citoplasma das células eucariontes que encontramos organelas essenciais para as funções celulares, como as mitocôndrias e os ribossomos. Em conjunto, os conteúdos estudados revelam a complexidade e a vitalidade das células no desempenho dos organismos vivos. É Hora de Praticar! É Hora de Praticar! Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Para contextualizar sua aprendizagem, imagine a seguinte situação: uma jovem estudante de medicina, de 25 anos, integrante da equipe de vôlei da faculdade, começou a apresentar sintomas de fraqueza durante as práticas de atividade física intensas que antecediam o campeonato do qual a sua equipe participaria. Além da fraqueza muscular, a jovem passou a sentir falta de ar, cansaço excessivo e, muitas vezes, uma sensação de visão dupla. Preocupada com o seu rendimento para o campeonato, a jovem conversou com um de seus professores da faculdade, que a encaminhou para realizar alguns exames no hospital universitário. Além dos testes laboratoriais, a aluna passou por uma série de testes neurofisiológicos. Em um dos testes laboratoriais, ela obteve resposta positiva a uma injeção com medicamentos anticolinesterásicos (que agem nos receptores neuromusculares, prevenindo a deterioração das Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO moléculas de acetilcolina e, consequentemente, melhorando a força muscular). A jovem foi diagnosticada com miastenia gravis, uma doença neuromuscular autoimune crônica, caracterizada por vários graus de fraqueza dos músculos esqueléticos do corpo. Atualmente, já existem muitas terapias que ajudam a reduzir a fraqueza muscular e a restabelecer a condição do paciente. Diante do caso, o médico recomendou que a jovem iniciasse o tratamento com o medicamento neostigmina, geralmente indicado para o tratamento dessa doença. No entanto, também alertou a jovem sobre possíveis sintomas com os quais ela poderia se deparar durante o uso do medicamento, como hipersecreção brônquica e salivar, e bradicardia (diminuição da frequência cardíaca). Considerando a situação apresentada, como você poderia relacionar a atuação da acetilcolina com essa doença? Lembre-se da importância dos sinalizadores celulares e de suas funções específicas, incluindo a ação de um mesmo sinal em diferentes células. Reflita Para consolidar o que foi apreendido durante as aulas, reflita sobre as seguintes questões: Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Como a compreensão das estruturas celulares, como a membrana plasmática e o citoplasma, influencia nosso entendimento sobre a interação entre os sistemas biológicos e seu ambiente externo? Qual é o papel da sinalização celular na coordenação das atividades celulares e de que maneira ela afeta processos como crescimento, desenvolvimento e resposta a estímulos externos? Explique a importância dos diferentes tipos de transporte através da membrana celular (como difusão, osmose, transporte ativo) na manutenção da homeostase e no funcionamento adequado das células em organismos multicelulares. Resolução do Estudo de Caso Para resolver a situação-problema descrita anteriormente, você precisa se lembrar do papel dos sinalizadores celulares, do modo como atuam diante de substâncias que se ligam a receptores específicos e da maneira que desempenham uma determinada resposta, a qual pode ser diferente em tipos celulares distintos. A acetilcolina é um neurotransmissor, molécula sinalizadora hidrossolúvel, que se liga a receptores específicos na superfície das células e se comunica a partir da sinalização sináptica. Esses receptores atuam como Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO transdutores de sinal que se ligam à molécula sinalizadora e transmitem os sinais extracelulares para o interior da célula, alterando o comportamento da célula-alvo que recebe o sinal. A acetilcolina pode se ligar a receptores acoplados a canais iônicos, agindo em células musculares esqueléticas de forma rápida, o que provoca a contração muscular. Se assimilarmos o uso do medicamento sugerido pelo médico como um meio de controlar a doença, os efeitos colaterais que podem ser ocasionados estarão relacionados à ação da acetilcolina em outros tipos celulares, como as células musculares cardíacas (ocasionando a redução da velocidade de contração do coração) e as células das glândulas salivares (provocando a secreção), que também possuem receptores específicos para essa molécula sinalizadora. No caso das células musculares cardíacas e das glândulas salivares, a acetilcolina utiliza receptores acoplados à proteína G. Assimile O infográfico a seguir esquematiza a hierarquia da organização biológica, começando com os átomos como unidades básicas de matéria, que se combinam para formar moléculas. As moléculas, por sua vez, são os blocos de construção das células, os quais se agrupam para construir tecidos. Diferentes tecidos se organizam para formar órgãos, Disciplina INTRODUÇÃOÀ BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO os quais trabalham juntos em sistemas para desempenhar funções específicas no organismo como um todo. Por fim, todos esses sistemas interagem para constituir organismos completos. Referências ALBERTS, B. et al. Fundamentos da biologia celular. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/97885827 14065/. Acesso em: 24 abr. 2024. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714065/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714065/ DE ROBERTIS, E. M.; HIB, J. Biologia celular e molecular. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85- 277-2386-2/. Acesso em: 27 mar. 2024. JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2386-2/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2386-2/Todos os seres vivos são formados por uma ou mais células. Toda célula se origina de outra preexistente. A célula é a menor unidade estrutural e funcional de todos os seres vivos. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO A atividade de um organismo depende da atividade de suas células, e todas as reações metabólicas e bioquímicas acontecem no interior das células. As células contêm informações genéticas e hereditárias que são passadas para outras células durante o processo de divisão celular. Atualmente, afirma-se que as células são formadas por três partes básicas (a membrana, o citoplasma e o núcleo) e possuem basicamente a mesma constituição química. Microscopia O estudo das células não seria possível sem a descoberta do microscópio, um instrumento essencial para o desenvolvimento da citologia, que revolucionou o conhecimento científico. O objetivo da microscopia é permitir a distinção de detalhes não observáveis a olho nu, por meio de imagens ampliadas de um objeto. As células, além de minúsculas, também são incolores e transparentes, e a descoberta de suas principais características internas está relacionada à evolução dos microscópicos, à derrubada da teoria da geração espontânea e aos “seres invisíveis” causadores de doenças. O microscópio viabilizou uma evolução no conhecimento sobre o funcionamento e tratamento de doenças. Vamos conhecer mais detalhes sobre esses instrumentos tão Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO importantes e revolucionários para a ciência? Os primeiros microscópios eram muito simples, apresentando apenas uma lente, o que restringia os resultados dos trabalhos realizados. Mais tarde, no final do século XIX, surgiram os primeiros microscópios binoculares, com um conjunto de lentes objetivas que permitiam uma visualização melhor. Trata-se dos microscópios ópticos (MO), também conhecidos como microscópios de luz. O feixe luminoso projetado pelo microscópio, ao atravessar a célula ou outro material de estudo, penetra na lente objetiva (de cristal) e refrata a luz, projetando uma imagem aumentada do material em 100 a 1.000 vezes. Em 1933, Ernst Ruska inventou o microscópio eletrônico, um grande avanço na microscopia que rendeu-lhe um Prêmio Nobel de Física. O microscópio eletrônico (ME) possui um poder de resolução muito maior e utiliza em sua tecnologia feixes de elétrons e lentes eletromagnéticas para observar o objeto, com possibilidade de ampliação em até 300 mil vezes. Isso contribui para a detecção de estruturas não visíveis pelo microscópio óptico. Observe na Figura 1, a seguir, o poder de resolução da microscopia luminosa e eletrônica. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Figura 1 | Comparação do poder de resolução do olho nu em microscopia luminosa e eletrônica. Fonte: Alberts et al. (2017). Células procariontes e eucariontes Há apenas dois tipos básicos de células: procariontes e eucariontes. As células procariontes (pro: primeiro, e cario: núcleo), também chamadas de procarióticas, são células bem simples, consideradas primitivas. Quando comparadas a outro tipo de célula, são consideradas bem menores. Tais células são caracterizadas pela escassez de membranas – em Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO geral, a membrana plasmática é a única membrana presente nesse tipo de célula. O seu material genético fica disperso no citoplasma, uma vez que ela não tem núcleo. Nesse caso, o DNA se apresenta na forma de anel e não está associado a proteínas (histonas). A molécula de DNA se enrola, formando um bloco denso chamado de nucleoide. O citoplasma não é compartimentado pelo fato de tais células não possuírem citoesqueleto, e sua forma é definida por uma parede celular, uma cobertura resistente que serve como proteção para a célula (proteção mecânica). Essas células possuem formas simples e variadas, como esferas, bastonetes ou hélices, e, em alguns casos, podem formar colônias. Os seres vivos que contêm células procariontes são denominados procariotas: são as bactérias e cianobactérias (cianofíceas ou algas azuis). A bactéria Escherichia coli é a célula procariota mais estudada em função de sua estrutura simplificada e rápida multiplicação. Já as células eucariontes (eu: verdade, e cario: núcleo) possuem um núcleo bem individualizado e delimitado pelo envoltório nuclear. Geralmente, há um núcleo por célula, mas algumas células podem ter mais de um núcleo. São células mais complexas e maiores do que as procariontes, fazendo-se presentes nos protozoários, fungos, algas, plantas e animais. As células eucarióticas são caracterizadas pela riqueza de Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO membranas. Além da membrana plasmática e da membrana nuclear, possuem compartimentos internos menores, denominados organelas citoplasmáticas, responsáveis por processos metabólicos. O material genético está separado do citoplasma por uma membrana dupla, chamada de carioteca. Nessa célula, os filamentos de DNA se ligam a proteínas histonas e formam filamentos denominados cromatina. Dentro da cromatina são encontrados os nucléolos. As células eucariontes realizam um processo de divisão mais complexo, que envolve os mecanismos de mitose e meiose, os quais serão estudados mais adiante. A variabilidade de formas das células eucarióticas é grande e, geralmente, a sua função específica é o que as define. Com o sistema de organelas, as células eucariontes aumentaram a sua eficiência, atingindo tamanhos maiores sem sofrer prejuízo no desempenho de suas funções. Agora que já conhecemos as principais diferenças entre as células procariontes e eucariontes, como podemos distinguir a célula animal da célula vegetal, sendo que ambas são células eucariontes? A presença ou a ausência de determinadas organelas citoplasmáticas é o que as diferenciará. Vamos saber mais detalhes sobre esse assunto a seguir. Siga em Frente... Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Siga em Frente... Célula animal e vegetal Muitos componentes celulares são comuns às células animais e às células vegetais, porém podemos notar diferenças marcantes entre eles. A célula animal é uma célula eucarionte presente nos animais do Reino Animalia e é caracterizada por não ter parede celular, sendo delimitada pela membrana plasmática, responsável por demarcar e proteger a célula. A célula animal, assim como as bactérias, possui membrana plasmática, citoplasma e ribossomos. O citoplasma é constituído pelo citosol, o qual, por sua vez, é composto por água, proteínas, íons, aminoácidos, enzimas, entre outros elementos. Dispersas no citoplasma, diferentemente das bactérias, nessas células encontramos as organelas citoplasmáticas, como os ribossomos, vesículas, retículo endoplasmático liso e rugoso, aparelho de Golgi, microtúbulos, citoesqueleto, lisossomos (organela exclusiva das células animais), centríolos, vacúolos, mitocôndrias e peroxissomos. Essas organelas são estruturas intracelulares com funções bem definidas encarregadas do funcionamento das células, promovendo atividades como digestão, Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO respiração, sintetização e transporte de proteínas, entre outras ações. A célula vegetal também é uma célula eucarionte, sendo muito semelhante à célula animal: tem núcleo, ribossomos, retículo endoplasmático rugoso e liso, complexo de Golgi, citoesqueleto, mitocôndrias, ente outros componentes. Contudo, pelo fato de apresentarem diferenças estruturais e metabólicas, essas células contêm alguns componentes exclusivos. As células vegetais possuem a parede celular, responsável pela proteção das células e dos vacúolos, uma vez que os vacúolos das células vegetais são muito maiores do que os das células animais e podem ocupar quase todo o volume celular. Por causa de sua capacidade de produzir o próprio alimento, ou seja, por serem autotróficas, essas células contam com uma organela específica para efetuar a fotossíntese:os plastos (ou plastídeos). Os plastos são diferenciados de acordo com a função que exercem e podem ser classificados como cromoplastos (possuem pigmentos coloridos, como carotenoides e xantofilas), leucoplastos (sem pigmentos, armazenam lipídeos, amido e proteínas) e cloroplastos (têm o pigmento da clorofila, responsável pela absorção da luz e realização da fotossíntese). Outra organela presente Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO somente em células vegetais é o glioxissomo, semelhante ao peroxissomo, porém especializado, o qual é essencial na germinação de sementes. Estamos chegando ao fim desta aula, mas não podemos deixar de comentar a respeito de um grupo biológico extremamente importante: os vírus. Afinal, os vírus são considerados um organismo vivo? Os vírus são estruturas muito pequenas, visíveis somente com a microscopia eletrônica. São conhecidos pelas doenças que causam aos seres humanos, animais e plantas. Uma das principais características desses organismos, a qual os diferencia de outros seres vivos, é o fato de não possuírem células. Ou seja, os vírus são acelulares. São formados apenas por uma molécula de DNA ou RNA (material genético), envolto por uma estrutura conhecida como capsídeo, composta por proteínas. Os vírus são considerados parasitas intracelulares obrigatórios, pois dependem de uma célula hospedeira viva para replicar o seu material genético. Eles não possuem metabolismo próprio e acabam utilizando todas as organelas e enzimas de uma célula para se reproduzir, prejudicando, assim, as funcionalidades da célula. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Há controvérsias em relação à classificação dos vírus. Com base nas considerações científicas, se analisarmos a propriedade que os seres vivos têm de se reproduzir, de evoluir em resposta ao ambiente e de apresentar uma variabilidade, os vírus devem, então, ser considerados organismos vivos. No entanto, pelo fato de não possuírem metabolismo próprio, muitos cientistas acreditam que os vírus deveriam ser categorizados apenas como partículas infecciosas, entidades sem vida, em vez de seres vivos propriamente ditos. Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Todos os seres vivos são formados por células, desde o ser humano até os microrganismos, os quais são responsáveis por diversas interações na natureza e podem ser encontrados no ar, no solo e, inclusive, no homem. Agora que você já aprendeu mais detalhes a respeito das células, vamos resolver a situação-problema descrita no início desta aula. A paciente com suspeita de peste negra Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO apresentou diversos sintomas característicos da doença que são causados por alterações nas células resultantes de ações das células bacterianas. As bactérias são células procarióticas formadas por membrana plasmática, parede celular e nucleiode, material genético que está disperso no citoplasma. A peste negra, também conhecida como peste bubônica, é uma doença grave e muitas vezes fatal provocada por um cocobacilo Gram-negativo em forma de bastonete Yersinia pestis. Essa bactéria pode ser transmitida a partir da picada da pulga ou de roedores infectados. Saiba mais Saiba mais Todos os seres vivos são formados por células. Apesar das diferenças entre os organismos, todos têm em comum os seguintes componentes: membrana plasmática, material genético e citoplasma. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Mesmo que todas as células possuam uma estrutura básica comum, existem variantes em cada tipo, em número suficiente para originar a enorme diversidade de formas vivas que conhecemos até os dias de hoje. Além disso, as células que formam um indivíduo pluricelular não são todas iguais. Existem grupos celulares distintos encarregados de desempenhar diferentes funções e originados por meio de um processo denominado diferenciação celular. Por exemplo, no nosso corpo existem cerca de 300 tipos distintos de células, cada uma desempenhando uma tarefa específica. De maneira geral, independentemente do formato, todas as células são constituídas de um envoltório denominado membrana plasmática, de um citoplasma e de material genético. Vale ressaltar, porém, que as células procarióticas possuem material genético solto no citoplasma e são pobres em membranas, enquanto as eucariontes têm o núcleo delimitado por uma membrana nuclear. Para conhecer mais detalhes sobre as unidades fundamentais da vida, recomendo a leitura do capítulo 1, intitulado “Células: as unidades fundamentais da vida”, do livro Fundamentos da biologia celular. Referências Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714065/ Referências ALBERTS, B. et al. Fundamentos da biologia celular. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/97885827 14065/. Acesso em: 24 abr. 2024. CARVALHO, H. F.; RECCO-PIMENTEL, S. M. A célula. 4. ed. Barueri, SP: Manole, 2019. DE ROBERTIS, E. M.; HIB, J. Biologia celular e molecular. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. Aula 2 Membranas celulares Membranas celulares Membranas celulares Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714065/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714065/ Olá, estudante! Agora que você já conhece a célula, a unidade fundamental da vida, nesta videoaula vamos aprofundar nossa análise sobre um dos componentes mais característicos das células: a membrana plasmática, ou membrana celular. Você seguramente já ouviu falar em “mosaico fluido”, “permeabilidade seletiva”, “uma camada que tem medo da água e outra com afinidade por água”, entre outras expressões semelhantes. Todas elas fazem referência a algumas das características da membrana celular. Preparado para saber mais? Vamos lá! Faça o download do arquivo Ponto de Partida Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/8811/115ca26b-9bad-51b7-9855-97884ab72ed0.pdf Ponto de Partida A membrana plasmática é a estrutura que delimita todas as células vivas. Ela separa o ambiente intracelular do ambiente extracelular, controlando, assim, tudo o que entra e sai da célula, por meio de transportes ativos (com gasto de energia) ou passivos (sem gasto de energia). Além de delimitar a célula e protegê-la de diversos agentes, a membrana celular participa de processos de reconhecimento celular e sinalização celular, da comunicação entre as células e de outras funções comuns a algumas membranas. Então, qual seria a importância da membrana celular na saúde? Algumas doenças são causadas por alterações na membrana plasmática e acabam conferindo risco à vida, como o mal de Alzheimer e a fibrose cística. Além disso, a absorção de fármacos está relacionada com o funcionamento da membrana celular. Dependendo de sua composição, essas substâncias conseguem penetrar mais rápido pelas membranas, como no caso dos fármacos solúveis em lipídios. Por essa razão, estudaremos não apenas a composição da membrana plasmática, mas também as suas funções, características e o transporte de Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO substâncias através da membrana, uma vez que esta é seletiva, de modo que apenas algumas substâncias podem entrar ou sair das células. Vale destacar, ainda, que, de acordo com a concentração de moléculas no meio intracelular em comparação ao meio extracelular, a membrana efetua um transporte diferente. Como uma ferramenta de auxílio ao processo de conhecimento, vamos analisar uma situação-problema na intenção de aproximar os conteúdos teóricos da prática profissional. Vamos lá! Uma multinacional farmacêutica abriu um processo seletivo para a vaga de trainee em diversos setores e você foi um dos candidatos aprovados. Você estáatuando no setor de produção, especificamente na área de pesquisa, desenvolvimento e testes dos medicamentos. O gestor que está conduzindo o seu treinamento lhe apresentou ao farmacêutico Carlos. Juntos, vocês farão alguns testes para verificar a ação de fármacos nas células e entender como eles atravessam a membrana celular para agir. Foi possível aprender que os fármacos penetram a membrana plasmática de quatro formas distintas: por difusão passiva, por difusão passiva facilitada, por transporte ativo e por pinocitose. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Qual a diferença entre esses modos de transporte? Existem outros transportes realizados pela membrana plasmática? Vamos Começar! Vamos Começar! A membrana plasmática, ou celular, como também é conhecida, é a estrutura que delimita a célula, ou seja, que separa o meio intracelular do extracelular. Ela está presente na superfície de todas as células, sejam estas procariontes ou eucariontes, e é encarregada de manter a integridade da célula e controlar o tráfego de substâncias que entram e saem, formando uma barreira seletiva com uma estrutura complexa e organizada. Por causa de sua diminuta espessura, com cerca de 7 a 10 nm, não pode ser visualizada em microscópio óptico, o que torna necessária a utilização da microscopia eletrônica, a qual possibilitou a identificação das características e composição das membranas plasmáticas, concluindo que a estrutura básica das membranas biológicas é semelhante em todos os tipos celulares. Vamos conhecer, a seguir, mais detalhes sobre essa membrana. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Composição e funções Todas as membranas plasmáticas consistem em uma bicamada de fosfolipídio contendo moléculas de proteínas inseridas. Dessa maneira, a composição básica da membrana plasmática inclui moléculas de lipídios, proteínas e cadeias de carboidratos ligados aos lipídios e às proteínas. A proporção desses componentes varia conforme o tipo de célula. Por exemplo, as membranas de mielina (que recobrem fibras nervosas) possuem 80% de lipídios, enquanto as membranas de eritrócitos (glóbulos vermelhos) têm cerca de 40% de sua massa composta por lipídios, e o restante é distribuído entre os demais constituintes. O primeiro componente da membrana celular que investigaremos é o lipídio. Os lipídios associados às membranas são moléculas com uma extremidade hidrofílica e uma cadeia hidrofóbica. Mas o que isso significa? As moléculas que apresentam a região hidrofílica têm afinidade com a água, sendo solúveis em meio aquoso. Isso acontece porque elas são moléculas polares. Já a região hidrofóbica dessas moléculas tem aversão à água e é insolúvel em meio aquoso, mas solúvel em lipídios e considerada apolar. As moléculas que carregam essas Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO características são consideradas anfipáticas, ou seja, possuem regiões hidrofílicas e hidrofóbicas. Os lipídios mais abundantes da membrana são os fosfolipídios, pelo fato de conterem grupos fosfato. Os mais comumente encontrados nas membranas celulares são os fosfoglicerídeos, esfingolipídios, colesterol e glicolipídios. Graças às suas propriedades anfipáticas, os fosfolipídios, em meio aquoso, formam uma dupla camada ou bicamada, com porções hidrofóbicas voltadas para o interior da célula e extremidades hidrofílicas voltadas para o meio exterior aquoso. Essa característica é essencial para a manutenção da bicamada lipídica, uma estrutura básica universal da membrana plasmática, assim como de outras membranas biológicas que, associadas a proteínas, constituem um mosaico fluido, sobre o qual estudaremos mais adiante. As proteínas podem ser consideradas o segundo maior componente das membranas plasmáticas, cuja atividade metabólica depende das proteínas. Cada tipo de membrana tem proteínas específicas, responsáveis pelas funções da membrana (Junqueira; Carneiro, 2023). Existem dois grandes grupos de proteínas: as integrais (ou intrínsecas) e as periféricas (ou extrínsecas), classificadas de acordo com a Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO facilidade com que são extraídas da bicamada lipídica. Elas atravessam a bicamada lipídica e auxiliam em quase todas as funções da membrana. Também estão envolvidas no transporte através da membrana e na comunicação celular. As proteínas encontram-se agrupadas pela membrana conforme as suas especialidades, uma vez que são as principais responsáveis pela atividade da membrana plasmática. As proteínas existentes na membrana podem ser: integrais, quando estão integradas à membrana e firmemente associadas aos lipídios; transmembranas, quando atravessam a membrana de um lado a outro; e periféricas, quando são extrínsecas e não estão associadas aos lipídios. Por fim, os outros componentes da membrana celular são os carboidratos (oligossacarídeos). Encontrados na superfície externa das células, eles podem estar associados às proteínas (glicoproteínas) ou aos lipídios (glicolipídios). Quando associados às proteínas, os carboidratos formam marcadores celulares, os quais permitem que as células reconheçam umas às outras. A região composta por glicoproteínas e glicolipídios é denominada glicocálice, ou glicocálix, e exerce importantes Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO funções para a célula, as quais abrangem proteção contra lesões de natureza química e mecânica, capacidade de adsorver água (evitando ligações indesejadas entre células), reconhecimento celular e adesão celular (importante para a criação de tecidos). Conhecendo a composição básica das membranas plasmáticas, podemos concluir que elas estão envolvidas em processos vitais das células, como: proteção das estruturas celulares; permeabilidade seletiva (no controle de entrada e saída de substâncias da célula); delimitação do conteúdo intracelular e extracelular (mantém a integridade da célula); transporte de substâncias essenciais ao metabolismo celular (com o auxílio das proteínas); suporte físico para enzimas que ficam fixadas nela; reconhecimento de substâncias; e comunicação celular (por meio de receptores específicos na membrana). Características da membrana plasmática Além de sua propriedade de permeabilidade seletiva, controlando o fluxo de substâncias na célula, a membrana plasmática possui outras duas características marcantes: fluidez e assimetria. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Para representar a estrutura dinâmica e complexa da membrana plasmática, formada por uma bicamada lipídica, constituída de proteínas e carboidratos, foi proposto, em 1972, o modelo de mosaico fluido, idealizado por Singer e Nicholson. O modelo foi assim denominado porque a membrana plasmática se assemelha a um mosaico composto por uma combinação de proteínas e lipídios (fosfolipídios). Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Figura 1 | Modelo de mosaico fluido da membrana plasmática. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO A bicamada da membrana é formada por fosfolipídios, moléculas anfipáticas que encontram-se em constante deslocamento, permitindo a fluidez da membrana. As moléculas de proteínas presentes na bicamada da membrana estão dispostas com a sua parte hidrofílica em contato com a região aquosa da célula. Algumas proteínas podem deslocar-se lateralmente, comprovando que a membrana é um fluido capaz de viabilizar a movimentação das proteínas dentro de uma matriz lipídica líquida (Junqueira; Carneiro, 2023). É importante termos o conhecimento de que a membrana plasmática de algumas células apresenta especializações de funções. Nesses casos, as regiões da membrana sofrem determinadas modificações, especializando-a para uma atividade mais exclusiva, como absorção de substâncias, aderência, locomoção e comunicação intracelular. Alguns exemplos mais conhecidos dessas especializações são: Microvilosidades:prolongamentos digitiformes encontrados na superfície de células do intestino e rins, os quais aumentam a absorção de nutrientes. Desmossomos: estruturas formadas pela membrana com a função de manter as células unidas umas às outras, aumentando a adesão entre elas. São Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO encontrados em vários pontos da superfície da membrana plasmática. Cílios e flagelos: estruturas citoplasmáticas anexas à membrana plasmática, geralmente com função de locomoção. Os flagelos, por exemplo, são encontrados em espermatozoides, enquanto os cílios estão presentes nas vias respiratórias, auxiliando na defesa (retenção de impurezas). Siga em Frente... Siga em Frente... Tipos de transportes através da membrana plasmática A membrana plasmática, como aprendemos, não apenas separa o meio intracelular do extracelular, mas também controla a entrada e a saída de substâncias da célula, formando uma barreira que facilita ou dificulta a passagem de moléculas. Por essa razão, é denominada membrana semipermeável ou com permeabilidade seletiva. O Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO transporte de substâncias através da membrana pode ocorrer de diferentes maneiras, dependendo das características das substâncias e das estruturas presentes em cada uma das células. Para compreender os diversos tipos de transportes da membrana plasmática, precisamos, antes de tudo, saber quais são as substâncias que passam pelas membranas, conhecidas como soluto (íons ou pequenas moléculas que são dissolvidas) e solvente (meio líquido no qual o soluto é dissolvido). E como ocorre o fluxo dessas substâncias na membrana? As moléculas seguem um gradiente de concentração. Isso significa que elas sempre seguem do local de maior concentração para o local de menor concentração, até que a distribuição das moléculas seja uniforme. Além disso, para manter o equilíbrio, o intercâmbio de substâncias passa a ser proporcional. Dessa maneira, podemos caracterizar o meio intra e extracelular como isotônico, quando a concentração de soluto é igual no meio interno e externo da célula; hipertônico, quando a concentração de soluto é maior em relação ao solvente no meio; e hipotônico, quando a concentração de soluto é menor em relação ao solvente no meio. Com base nessas informações, já conseguimos entender que o tipo de substância e sua respectiva concentração influenciam o tipo de transporte Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO que será adotado, o qual pode acontecer de forma ativa (com gasto de energia) ou passiva (sem gasto de energia). O transporte passivo é caracterizado pela passagem das substâncias através da membrana plasmática, seguindo o gradiente de concentração, da região mais concentrada para a menos concentrada. Pode ocorrer tanto no interior das células como entre as células e o meio externo. Existem três tipos de transporte passivo: difusão simples, difusão facilitada e osmose. Como podemos diferenciá-los? Na difusão simples ou passiva, o soluto é transferido através da membrana plasmática do meio mais concentrado para o menos concentrado, podendo entrar ou sair da célula de acordo com a disposição dessas concentrações nos meios intra e extracelulares. Nesse caso, o soluto precisa ser pequeno e apolar. A força que impulsiona o soluto para dentro ou para fora da célula é a própria agitação térmica das moléculas, não havendo gasto de energia (Junqueira; Carneiro, 2023). A relação entre a concentração de O2 e CO2 nas células é resultante da difusão simples. A maioria dos fármacos, por exemplo, pelo fato de apresentarem moléculas pequenas, são capazes de atravessar a membrana placentária por difusão, permitindo à gestante transferi-los para o feto. No entanto, a insulina possui moléculas grandes Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO incapazes de atravessar a membrana da placenta por meio da difusão. Já na difusão facilitada, as moléculas que não conseguem atravessar facilmente a membrana precisam do auxílio de algumas proteínas com função transportadora, chamadas de proteínas permeases ou carreadoras. Essas proteínas transportam as substâncias (moléculas e íons) polares que não são capazes de atravessar a parte dos fosfolipídios (hidrofóbica) da membrana. Como exemplo, podemos citar a molécula de glicose, algumas vitaminas e aminoácidos. As proteínas que auxiliam nesse transporte são capazes de mudar a sua conformação, de forma que passam a reconhecer a substância que deve ser carregada, facilitando o transporte, sem gasto de energia, a favor do gradiente de concentração. Esse processo ocorre em uma velocidade maior do que o processo de difusão simples. Por fim, na osmose, a passagem do solvente acontece de uma região com baixa concentração de soluto para uma região mais concentrada. A entrada ou saída do solvente na célula depende da quantidade de soluto presente, a qual é controlada pela pressão osmótica, que atua no equilíbrio dessas concentrações. Você provavelmente já ouviu alguém dizer que, se jogarmos sal no corpo de uma lesma, ela Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO derrete, certo? Isso ocorre porque a concentração de sal é muito maior no meio externo do que no corpo da lesma e, por essa razão, a água, a partir do processo de osmose, sai do corpo da lesma, provocando a sua morte. Quando estudamos as células do sangue (hemácias) e as inserimos em um meio hipotônico, a água passa, a partir da osmose, para o interior da célula, que é mais concentrado. Assim, a célula acaba inchando por ganhar água e pode até mesmo estourar. Essas mesmas células inseridas em um meio hipertônico perdem água para o meio e acabam murchando. Muitas vezes, elas podem morrer ou ter as suas funções comprometidas. O ideal é que as células estejam em um meio isotônico, com a mesma pressão osmótica nos meios intra e extracelular, permitindo a entrada e a saída de água da célula com facilidade. No transporte passivo ocorre a ação dos gradientes de concentração, sem atuação celular ou gasto energético, o que constitui um transporte físico. Então, como funciona o transporte ativo? Ao contrário do transporte passivo, nesse caso as substâncias são transportadas para a célula contra o gradiente de concentração, do meio de menor concentração (meio hipotônico) para um meio de maior concentração (meio hipertônico), sendo necessário o gasto de energia. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Além dos processos de transporte descritos, muitas células são capazes de transferir macromoléculas (proteínas, polissacarídeos, etc.), além de partículas maiores visíveis ao microscópio óptico, como bactérias e outros microrganismos, por meio de alterações morfológicas da superfície celular. As alterações morfológicas envolvem a formação de vesículas e dobras que englobam o material a ser introduzido na célula. Tais processos são conhecidos como endocitose (transporte para o interior da célula) e exocitose (transporte para o meio extracelular). A endocitose abrange o englobamento e transporte de partículas maiores, moléculas, solutos, pedaços de tecido, microrganismos, entre outros elementos. Esse processo é diferenciado pelo tipo de substância englobada, distinguindo-se em fagocitose (englobamento de partículas sólidas por pseudópodes) e pinocitose (englobamento de partículas líquidas por meio de invaginações). As partículas englobadas sofrem um processo de digestão intracelular por auxílio de enzimas presentes nos lisossomos. Já o processo de exocitose permite à célula a liberação ou excreção de produtos metabólicos provenientes de digestão celular, bem como de compostos sintetizados no interior da célula, em grandes quantidades. O complexo de Golgi está envolvido nesse processo de liberação de moléculas da célula para o meio extracelular. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Você já conhecia muitos detalhes a respeitodas células, sua importância para os seres vivos e sua composição. Agora, o estudo de um de seus componentes, a membrana plasmática, permitiu que você tivesse mais clareza sobre o quão complexa é a organização das células. Para compreender como os fármacos atravessam as membranas celulares, precisamos nos lembrar dos dois tipos de transportes que as membranas realizam: o transporte passivo (sem gasto de energia) e o transporte ativo (com gasto de energia). É importante frisar que o gasto ou não de energia está vinculado ao gradiente de concentração em relação aos meios intracelular e extracelular. Quando o transporte de substâncias é efetuado de um meio mais concentrado para um meio menos concentrado, não há gasto de energia, porque o fluxo das substâncias está a favor do gradiente de concentração. Ao contrário, quando há gasto de energia, as substâncias seguem em direção oposta ao gradiente de concentração, Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO movendo-se do meio menos concentrado para o meio mais concentrado. A difusão passiva, ou simples, e a difusão facilitada são exemplos de transporte passivo. No contexto da difusão simples, as substâncias transportadas são solutos pequenos que conseguem atravessar a membrana, seguindo o gradiente de concentração. Já na difusão facilitada, as substâncias que não possuem afinidade com os lipídios, ou íons que, mesmo pequenos, não conseguem atravessar sozinhos a bicamada lipídica da membrana, recebem o auxílio de proteínas carreadoras que as transportam através da membrana, sem a necessidade de gasto de energia. No transporte ativo, é necessário o gasto de energia. Quando a energia é proveniente de uma molécula de ATP, caracteriza-se o transporte ativo primário. Já quando a energia utilizada é originada de outro processo, tem-se o transporte ativo secundário. Como exemplo de transporte ativo, podemos citar a bomba de sódio-potássio. A pinocitose é um transporte feito por membranas que englobam partículas líquidas e as transportam para o interior das células a partir de um processo chamado de endocitose, enquanto a fagocitose consiste no Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO englobamento de partículas sólidas também efetuado por endocitose. Saiba mais Saiba mais O transporte ativo pode ser dividido em transporte primário e secundário. O transporte ativo primário usa uma fonte de energia química, como o trifosfato de adenosina (ATP) ou outro fosfato rico em energia, para ativar as proteínas transportadoras e mover as substâncias através da membrana contra o seu gradiente. Um exemplo é a bomba de sódio-potássio. Já o transporte ativo secundário (cotransporte) é caracterizado pela utilização de energia indireta, por meio do uso de um gradiente eletroquímico gerado pelo transporte ativo primário para mover outras substâncias contra os seus gradientes. Para conhecer mais informações sobre os tipos de transporte desenvolvidos na membrana, recomendo a leitura do capítulo 3, intitulado “Membranas celulares: permeabilidade das membranas”, do livro Biologia celular e molecular. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2386-2/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2386-2/ Referências Referências ALBERTS, B. et al. Fundamentos da biologia celular. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/97885827 14065/. Acesso em: 24 abr. 2024. DE ROBERTIS, E. M.; HIB, J. Biologia celular e molecular. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85- 277-2386-2/. Acesso em: 27 mar. 2024. JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. Aula 3 Sinalizações Celulares Sinalizações Celulares Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714065/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714065/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2386-2/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2386-2/ Sinalizações Celulares Olá, estudante! Agora que já sabe que as células são as unidades fundamentais da vida e conheceu uma das principais estruturas que as constituem, você compreenderá como as células se comunicam. Já parou para pensar em como ocorrem as comunicações entre as células que compõem os diversos órgãos e o sistema do corpo humano? Nesta videoaula você descobrirá como funcionam essas comunicações entre as células e os fatores envolvidos em todo esse processo. Preparado? Então, vamos lá! Faça o download do arquivo Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/cc54a05f-8811-4abf-af4d-d6a898e076be/8811/710b7027-b8af-5b10-a5fb-8e64feceb7e7.pdf Ponto de Partida Ponto de Partida As células possuem diversas estruturas, cada uma com funções bem definidas, como é o caso da membrana celular. Aprendemos que a membrana plasmática é formada por uma bicamada fosfolipídica e por proteínas inseridas nessa dupla camada, as quais auxiliam em quase todas as atividades celulares. Elas se encarregam de atividades que incluem desde o transporte de substâncias, permitindo a passagem para o interior ou exterior das células, até a ancoragem para o citoesqueleto, cooperando na adesão das células adjacentes formadoras de tecidos, além de funcionarem como receptores da membrana no processo de sinalização celular, que será o objeto de estudo desta etapa de aprendizagem. Mas o que é a sinalização celular? Esse complexo processo de comunicação existente entre as células é fundamental para o funcionamento dos organismos, principalmente dos multicelulares, que precisam emitir sinais de uma célula a outra para se comunicar. As células podem detectar o que Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO ocorre ao seu redor por meio de sinais advindos de células vizinhas, de células mais distantes ou até mesmo de sinais provenientes do meio exterior. A membrana plasmática e as proteínas funcionam como transdutores de sinais, ou seja, convertem um tipo de sinal ou estímulo em outro, o qual é levado para outras células a partir de proteínas e enzimas. Dessa maneira, as células recebem informações a respeito das funções que deverão desempenhar, isto é, respostas celulares que resultam em contração, secreção, crescimento, diferenciação, propagação de um impulso nervoso, morte celular, entre inúmeras outras ações. A compreensão desse complexo sistema é crucial para o desenvolvimento de pesquisas na área de biologia celular, nas interações de fármacos com os receptores específicos da membrana, na ação desses fármacos nas células e na elaboração de metodologias terapêuticas e de diagnóstico para doenças, como o câncer. Nesta aula investigaremos como funciona a comunicação entre as células e os requisitos necessários a esse processo, que compreendem desde a molécula sinalizadora, a qual contém o sinal emitido por uma célula emissora, até a ligação dessa molécula a um receptor específico presente na célula-alvo, que receberá o sinal. Entenderemos que nem todos os sinais são recebidos por todas as células, pois isso dependerá do tipo de molécula sinalizadora, do tipo de Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO receptor presente na membrana da célula e, ainda, da distância com que os sinais são transmitidos entre as células. As sinalizações acontecem por meio de sinais químicos ou elétricos e podem ser classificadas em: dependentes de contato, parácrina, sináptica e endócrina, de acordo com a proximidade entre as células. Já os receptores existentes na membrana celular que captam os sinais podem estar localizados no interior das células ou em sua superfície, e cada um deles é classificado em subtipos. Como uma ferramenta de auxílioao processo de conhecimento, vamos analisar uma situação-problema na intenção de aproximar os conteúdos teóricos da prática profissional. Vamos lá! Uma multinacional farmacêutica abriu um processo seletivo para a vaga de trainee em diversos setores e você foi um dos candidatos aprovados. Você está atuando no setor de produção, especificamente na área de pesquisa, desenvolvimento e testes dos medicamentos. Você e o farmacêutico Carlos estão trabalhando com um fármaco antitireoidiano que diminui a quantidade de hormônio produzido pela tireoide, auxiliando no tratamento de pessoas que sofrem com o hipertireoidismo. Esse fármaco à base de metimazol age reduzindo a quantidade de iodo e, Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO consequentemente, inibe a elevada taxa de T3 e T4 no organismo, controlando a glândula da tireoide. No entanto, alguns pacientes podem lidar com efeitos adversos e devem ser analisados para elaborar a descrição na bula. Considerando essa situação, na intenção de auxiliar Carlos com os testes que fará, você saberia explicar como as células se comunicam, ou seja, de que maneira ocorre a sinalização celular no caso dos hormônios tireoidianos? Quais são os fatores que devemos levar em conta na sinalização celular? Como podemos classificar a molécula do hormônio tireoidiano e os receptores das células-alvo envolvidas? Vamos Começar! Vamos Começar! As sinalizações celulares são essenciais para que as células decodifiquem os sinais recebidos do ambiente e de outras células. Há uma diversidade de sinais que instigam a comunicação intracelular, como estímulos físicos (luz, temperatura), hormônios, neurotransmissores, patógenos, entre outros. A sinalização celular é um complexo sistema de Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO comunicação que coordena as atividades e funções celulares, seja em células procariontes ou eucariontes. Por meio dos sinais recebidos, as células sabem como e quando devem agir, atuando em processos que incluem desde a formação de tecidos, síntese de anticorpos, multiplicação celular até a coordenação do metabolismo e várias outras atividades celulares. Sinalizadores nas membranas celulares A base da comunicação celular surge com a emissão de um sinal produzido por uma célula emissora e liberado no meio extracelular. Esse sinal é enviado a partir de moléculas sinalizadoras (ligantes), que podem ser proteínas, peptídeos, aminoácidos, nucleotídeos, hormônios, gases e derivados de ácidos graxos. As moléculas sinalizadoras “flutuam” no meio extracelular até serem reconhecidas por uma proteína receptora localizada na célula-alvo (célula que receberá o sinal). É importante saber que nem todas as células podem receber todos os sinais. A célula só receberá o sinal se tiver uma proteína específica (receptor) para desempenhar tal função. As proteínas receptoras são localizadas na superfície das membranas, quando a molécula sinalizadora tem natureza hidrofílica, ou no interior das células, citoplasma ou Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO núcleo, quando a natureza da molécula sinalizadora é hidrofóbica. Quando o ligante se prende à proteína receptora, a ligação ativa o receptor, que, por sua vez, ativa uma ou mais proteínas sinalizadoras intracelulares. Dessa maneira, a mensagem é retransmitida por uma cadeia de mensageiros químicos dentro da célula, possibilitando a resposta celular. Ou seja, o sinal intercelular (entre as células) original é convertido em sinal intracelular (dentro das células), o que caracteriza a transdução do sinal. Isso possibilita que a informação chegue ao alvo intracelular apropriado (proteínas efetoras), o qual aciona a resposta. Cada célula é programada para responder a combinações específicas de moléculas sinalizadoras. A célula passa por mudanças que permitem, por exemplo, em resposta, alterar a atividade de um gene, modificar a indução de uma divisão celular, alterar funções do metabolismo, formas e movimentos celulares, entre outras ações. A troca de sinais químicos entre as células regula quase todas as funções celulares, e um mesmo sinal pode produzir diferentes efeitos, dependendo do receptor ao qual ele se associa. Para que ocorra a sinalização celular, tornam-se necessárias as seguintes etapas: Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO 1. Célula emissora realiza a síntese e liberação da molécula sinalizadora. 2. Molécula sinalizadora é transportada até a célula-alvo. 3. Célula-alvo detecta o sinal por meio do receptor específico (proteína receptora). Nessa fase, a molécula sinalizadora altera a conformação do receptor, sendo considerada o primeiro mensageiro. 4. O sinal é transmitido para o interior da célula (proteínas de sinalização intracelular), podendo haver um mensageiro secundário que retransmitirá esse sinal a outra ou outras proteínas (proteínas efetoras), enzimas, etc. 5. O sinal é recebido e ocorre a modificação do metabolismo celular, bem como uma resposta da célula, a qual pode estar relacionada à função ou ao desenvolvimento celular. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Figura 1 | Sinalização intracelular. Fonte: Alberts et al. (2017). Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Tipos de sinalização A sinalização celular pode envolver sinais químicos ou elétricos, sempre abrangendo a transmissão do sinal de uma célula emissora para uma célula receptora. Mas sabemos que as células nem sempre estão próximas umas às outras, como também que nem todas as células trocam sinais da mesma maneira. Precisamos, então, considerar os diferentes tipos de sinalização que ocorrem, sobretudo tomando como base a distância que o sinal percorre no organismo para alcançar a célula-alvo. Encontramos quatro categorias de sinalização química nos organismos multicelulares: sinalização dependente de contato, sinalização parácrina, sinalização sináptica e sinalização endócrina. Sinalização dependente de contato: acontece em contato direto, quando as moléculas sinalizadoras permanecem ligadas à membrana plasmática de uma célula e podem interagir com receptores de uma célula adjacente. Mostra-se importante durante o desenvolvimento embrionário e a resposta imune. Em alguns casos, as células podem não estar tão próximas umas das outras, e as células se comunicam estendendo prolongamentos, que formam canais, para entrar em contato com a outra célula. Esses canais por onde percorrem íons e Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO substâncias pequenas de uma célula a outra são as junções comunicantes ou gaps (em células animais) e plasmodesmos (em células vegetais). Sinalização parácrina: ocorre em distâncias curtas, quando as moléculas sinalizadoras estão muito próximas às células-alvo. Nesse contexto, as moléculas atuam em diferentes células vizinhas. São exemplos os hormônios, tais como as citocinas, fatores de crescimento, neurotransmissores, entre outros. Esse tipo de sinalização também pode ser classificado como autócrina, quando a célula responde à sinalização a partir da molécula sinalizadora que ela mesma produziu. A célula emissora e a célula-alvo são a mesma célula. Para exemplificar essa ideia, podemos citar as células cancerosas, as quais produzem sinais extracelulares que estimulam a sobrevivência e proliferação de sua própria célula. Sinalização sináptica: acontece em longas distâncias, e as moléculas sinalizadoras (neurotransmissores) são liberadas por neurônios por meio de sinais elétricos, em uma longa fibra (axônio). Quando o impulso alcança a sinapse (junção de duas células nervosas, onde ocorre a transmissão de sinal), os neurotransmissores são liberados e desencadeiam respostas em células-alvo que estão localizadas em outras partes do organismo. Os neurotransmissores, uma vez liberados, podem ser Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO degradados ou retomados pela célula emissora, para que a sinapse esteja preparadapara receber o próximo sinal. Essas sinalizações por meio dos neurotransmissores também podem ser consideradas endócrinas (por percorrerem longas distâncias) ou parácrinas (por percorrerem curtas distâncias, nos casos em que neurônios próximos se comunicam nas sinapses). Sinalização endócrina: também ocorre em longas distâncias. Nesse caso, as moléculas sinalizadoras (hormônios) são secretadas na corrente sanguínea que alcancem a célula-alvo. O sistema circulatório, como uma rede de distribuição, se encarrega de transportar os hormônios por todo o corpo, permitindo a sua atuação em células-alvo que estejam em qualquer parte dessa estrutura. Nos animais, as glândulas endócrinas são as células que liberam um ou mais tipos de hormônios. Podemos citar como exemplos a tireoide, o hipotálamo, as gônadas, a pituitária e o pâncreas. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Figura 2 | Categorias de sinalização celular. Fonte: Alberts et al. (2017). Nota: (A) sinalização endócrina; (B) sinalização parácrina; (C) sinalização sináptica; (D) sinalização dependente de contato. As moléculas químicas, sinalizadoras, responsáveis pela atuação em diversos locais, são classificadas em: Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Moléculas hidrossolúveis: moléculas de peso molecular considerável, como os aminoácidos, as catecolaminas e peptídeos – são os neurotransmissores e os hormônios –, que podem se difundir pela membrana e chegar ao núcleo, sendo transportadas por carreadoras. Moléculas lipossolúveis: moléculas de pouco peso molecular, derivadas do colesterol (esteroides), de aminoácidos (tireoides) e compostos gasosos, como óxido nítrico (NO) e monóxido de carbono (CO), que se ligam a receptores intracelulares. Diferentes células podem receber um mesmo sinal, utilizar um mesmo tipo de receptor na membrana e apresentar comportamentos de reação distintos entre si. Por exemplo, o neurotransmissor acetilcolina (molécula sinalizadora) pode suscitar diferentes respostas dependendo da célula-alvo que atinge, uma vez que tipos celulares distintos são especializados para responder de maneiras diferentes aos sinais. Podemos citar como exemplo a célula muscular cardíaca. Nesse caso, a proteína receptora acoplada à proteína G se liga à acetilcolina, e os sinais interpretados pela célula produzem como resposta a redução da velocidade de contração. Já a mesma molécula, ao se ligar a um receptor de uma célula da glândula salivar, também acoplado à proteína G, produzirá uma resposta diferente, de secreção. Além disso, essa mesma molécula de acetilcolina, Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO ao ligar-se a um receptor acoplado a um canal iônico de uma célula muscular esquelética, produz uma resposta distinta das demais, de contração. Siga em Frente... Siga em Frente... Classes de receptores de membranas Como aprendemos, a sinalização celular ocorre quando há ligação entre uma molécula sinalizadora (ligante) e sua molécula receptora (receptor). Um receptor reconhece um ou poucos ligantes específicos, e um ligante se liga a apenas um ou poucos receptores presentes nas células-alvo. Quando há ligação entre ambos, ligante e receptor, o receptor altera a sua forma ou atividade, e o sinal é transmitido ou desencadeiam-se modificações adaptativas dentro da célula-alvo. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Os receptores podem ser classificados como intracelulares ou de superfície celular. Os receptores intracelulares (proteínas receptoras) são encontrados dentro da célula, no citoplasma ou no núcleo. Geralmente se ligam a pequenas moléculas hidrofóbicas, transportadas por carreadoras para que atravessem a membrana plasmática por difusão. Os hormônios esteroidais (testosterona, estrogênio, cortisol), hormônios da tireoide e a vitamina D presentes no corpo humano são exemplos de moléculas hidrofóbicas. Outro exemplo é o óxido nítrico (NO), uma pequena molécula que age sobre as células musculares lisas dos vasos sanguíneos, provocando vasodilatação local (relaxamento das células musculares locais). Com isso, o calibre do vaso aumenta, permitindo que o fluxo sanguíneo flua facilmente. Essas moléculas possuem difusão rápida através da membrana por serem gasosos e rapidamente se espalharem pelas células vizinhas. Os receptores de superfície celular, também conhecidos como receptores de membrana plasmática, são as proteínas localizadas na superfície externa da célula. As moléculas grandes, ou hidrofílicas, que não conseguem atravessar a membrana plasmática se ligam a três tipos de receptores: acoplados a canais iônicos, acoplados a enzimas e acoplados à proteína G. Todos eles são proteínas transmembranas e não entram na célula, a menos que sejam degradados. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Os receptores acoplados a canais iônicos são canais controlados por um ligante. Em resposta à ligação, tais receptores possuem uma região intramembranal com um canal hidrofílico no meio dela, permitindo que os íons atravessem a membrana sem que precisem se deparar com a camada fosfolipídica. A alteração dos níveis de íons dentro da célula pode modificar a atividade de outras moléculas na produção de uma resposta. A sinalização sináptica, que envolve a transmissão rápida de sinais entre células eletricamente excitáveis, está vinculada a esses receptores. Os neurotransmissores, por exemplo, abrem e fecham o canal iônico formado pela proteína à qual se ligam. Desse modo, conseguem mudar rapidamente a permeabilidade iônica da membrana. Os receptores acoplados a enzimas são receptores da membrana plasmática que estão associados a uma enzima. Nesse caso, o receptor pode ser a enzima que catalisa a reação, ou, em outras circunstâncias, o receptor interage uma enzima diferente. Podemos citar como exemplos os receptores tirosina quinases (RTKs), encontrados em humanos e em outras espécies. Nesse contexto, moléculas sinalizadoras se ligam a dois receptores de tirosina quinase próximos, e esses receptores vizinhos se juntam, trocando fosfatos que se ligam à tirosina um do outro. Tais receptores, agora fosforilados, podem transmitir sinais para outras Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO células ou se tornam receptivos a uma diversidade de proteínas que, quando se ligam a esses receptores, podem ativar uma grande variedade de vias de sinalização, as quais levam a uma resposta celular. As proteínas receptoras atravessam a membrana uma única vez. Além disso, têm um sítio de ligação no exterior da célula e um sítio catalítico no interior celular. Já os receptores acoplados à proteína G (GPCRs) são heterogêneos e se ligam a diversos tipos de ligantes. Trata-se de receptores associados a uma proteína transmembrana multipasso. Isso significa que atravessam a membrana sete vezes e, ao se ligarem à molécula sinalizadora, ativam outras proteínas, alterando a sua conformação e transmitindo o sinal adiante. A sinalização celular vinculada a esse tipo de receptor pode se repetir várias vezes em resposta à molécula sinalizadora, em um ciclo. Tais receptores atuam indiretamente regulando a atividade de uma proteína-alvo ligada à membrana plasmática, que pode ser um canal iônico ou uma enzima. As proteínas G (nucleotídeos de guanosina) fazem parte de uma família com mais de 50 tipos descritos. São proteínas com estado inativo, acopladas a receptores no meio intracelular com propriedades funcionais e estruturais. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Quando ativadas, podem migrar pelo citosol e ativar enzimas efetoras ou canais iônicos, realizando a transdução de sinais (Moura; Vidal, 2011). As proteínas G recebem esse nome porque se combinam com nucleotídeos da guanina GDT (trifosfato de guanosina) e GTP (difosfato de guanosina), possuem alto peso molecular e são formadas por três polipeptídios distintos, ou subunidades – α (liga e hidrolisa GTP), β e γ (responsáveis peloancoramento à membrana) –, formando um complexo transdutor de sinais. As proteínas G funcionam como interruptores. Quando associadas com GTP, estão “ligadas” (ativadas). Já quando associadas com GDP, estão “desligadas” (desativadas). Quando a célula-alvo recebe o primeiro mensageiro (hormônio, neurotransmissor, secreção parácrina) e este se liga ao receptor acoplado à proteína G, ocorre sua ativação, e a proteína G pode ativar outras proteínas (proteínas G estimulatórias – Gs) ou inibir proteínas (proteínas inibitórias – Gi). As proteínas G estimulatórias provocam o efeito cascata de sinalização. Quando um receptor recebe o ligante e ativa a proteína G, ela, por sua vez, ativa uma terceira proteína, geralmente uma enzima efetora (adenilciclase ou fosfolipase C). Ao serem ativadas pela proteína G por meio da sua ação enzimática, tais proteínas geram várias reações moleculares de curta duração, que levam a uma modificação no comportamento celular. A enzima ativada gera um segundo Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO mensageiro, o qual afetará outros alvos. Alguns exemplos de tipos de proteínas G são: Gs, Gq, Gi, Gt, Go e Gk. A adenilciclase é uma enzima que cumpre um importante papel no processo de sequenciamento de sinalizações envolvendo a proteína G. Quando essa enzima é ativada pela proteína G, ela hidrolisa uma molécula de ATP, retirando o fosfato dela e transformando-a em AMP (adenosina monofosfato) ou AMPc (AMP cíclico). O aumento do número de AMPc amplia, consequentemente, o número de enzimas citoplasmáticas ativadas por ela, reagindo ao pico de concentração. Para que esse mecanismo funcione bem, é necessário controlar a concentração de AMPc. Somente assim a célula poderá perceber o próximo sinal. Há uma enzima específica que ajuda a controlar esse processo. As proteínas G, junto de seus receptores, transmitem sinais de hormônios e neurotransmissores. Logo, funcionam como importantes intermediários para a fisiologia do organismo, pois promovem o controle do metabolismo celular, alcançando o sistema cardíaco, as funções cerebrais e o equilíbrio hormonal. Quando há alterações na fisiologia da proteína G, muitos distúrbios orgânicos podem ser gerados. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Molécula-sinal Local de origem Natureza química Algumas ações Hormônios Adrenalina (epinefrina) Glândula suprarrenal Derivado do aminoácido tirosina Aumenta a pressão arterial, o ritmo cardíaco e o metabolismo. Insulina Células β do pâncreas Proteína Estimula a captação de glicose, a síntese de proteínas e de lipídeos em vários tipos celulares. Testosterona Testículos Esteroide (derivado do colesterol) Induz e mantém as características sexuais masculinas. Neurotransmissores Acetilcolina Terminais nervosos Derivado da colina Neurotransmissor excitatório em sinapse muscular e sistema nervoso central. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Ácido-γ- aminobutírico (GABA) Terminais nervosos Derivado do aminoácido ácido glutâmico Neurotransmissor inibitório no sistema nervoso central. Quadro 1 | Alguns exemplos de moléculas de sinalização. Fonte: Alberts et al. (2017). A sinalização celular só ocorre com o perfeito funcionamento de cada uma das etapas envolvidas, pois qualquer alteração significativa afeta a comunicação entre as células e gera uma modificação capaz de interferir diretamente na função que a célula deveria executar para sua correta operação. Vamos Exercitar? Vamos Exercitar? Agora que você já estudou sobre as sinalizações celulares, vamos resolver a situação-problema apresentada anteriormente. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Os hormônios tiroidianos são produzidos pela glândula tireoide (localizada no pescoço) e levados através do sangue para as demais partes do corpo, regulando o metabolismo. O hipertireoidismo é uma condição na qual a glândula da tireoide produz em excesso os hormônios tireoidianos T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que podem desencadear outros problemas de saúde. A aceleração ou irregularidade nos batimentos cardíacos, a insuficiência cardíaca ou até mesmo casos de osteoporose, perda de peso, fraqueza muscular e infertilidade podem ser sintomas do hipertireoidismo. De acordo com as características dos tipos de sinalização celular que as células utilizam para se comunicar, as quais são decorrentes principalmente do distanciamento entre elas, a sinalização endócrina é a que ocorre no caso dos hormônios tireoidianos e outros tipos de hormônios secretados por glândulas endócrinas. Nesse tipo de sinalização, os hormônios são carregados através do sistema circulatório, agindo em células distantes do alvo. Vale lembrar que, para que a sinalização celular aconteça, fazem- se necessários uma célula emissora (glândula endócrina – tireoide), a emissão de um sinal ou molécula sinalizadora (hormônio tireoidiano) e o receptor específico da membrana que interpretará o sinal para a célula-alvo – nesse caso, a Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO célula distante que receberá o sinal e produzirá uma resposta (reação). Com isso, podemos classificar o hormônio tireoidiano como uma molécula sinalizadora lipossolúvel, solúvel em gordura, mas não solúvel em solventes orgânicos e incapaz de atravessar a membrana plasmática da célula-alvo ou de percorrer a corrente sanguínea sem o auxílio de uma proteína transportadora ou carreadora. Os hormônios da tireoide se ligam a receptores intracelulares encontrados no núcleo celular. Quando ocorre a ligação, o receptor muda a sua conformação, permitindo que o hormônio entre no núcleo e regule a atividade gênica para a qual foi “instruído”. Os medicamentos antitireoidianos diminuem a quantidade de hormônio produzido pela tireoide. Mas, assim como todo medicamento, podem causar efeitos adversos quando o princípio ativo age em outras células do nosso organismo que não precisam dele. Logo, podem surgir efeitos colaterais de maior ou menor grau – algumas vezes o efeito é tão sutil que não o percebemos. Isso ocorre pelo fato de diferentes células utilizarem o mesmo receptor específico para a molécula sinalizadora, podendo responder a esse sinal de maneiras distintas. Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO Como aprendemos, a sinalização celular é extremamente importante para o funcionamento do organismo dos seres vivos. Saiba mais Saiba mais O tempo que uma célula leva para responder a um sinal extracelular varia muito, pois depende das ações que a célula deve executar para chegar à resposta requerida. Algumas moléculas sinalizadoras, como a acetilcolina (neurotransmissor), se degradam em um intervalo de milissegundos após serem secretadas. Isso acontece porque as proteínas afetadas já se encontram no interior da célula- alvo aguardando os sinais. Outros processos, como a secreção das glândulas salivares, duram em torno de um minuto. Já alguns hormônios podem demandar horas ou dias para que sejam degradados. Um exemplo é o hormônio de crescimento, pois a resposta celular depende de mudanças na expressão gênica e da produção de novas proteínas. Para conhecer mais detalhes sobre como as células respondem aos sinais extracelulares, recomendo a Disciplina INTRODUÇÃO À BIOLOGIA CELULAR E DO DESENVOLVIMENTO leitura do capítulo 16, intitulado “Sinalização celular”, do livro Fundamentos da biologia celular, cujo link de acesso está disponível a seguir. ALBERTS, B. et al. Fundamentos da biologia celular. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Referências Referências ALBERTS, B. et al. Fundamentos da biologia celular. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/97885827 14065/. Acesso em: 24 abr. 2024. DE ROBERTIS, E. M.; HIB, J. Biologia celular e molecular. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85- 277-2386-2/. Acesso em: