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GINECOLOGIA
 PRESCRIÇÃO DE CONTRACEPTIVOS
sanarsaude.com
PRESCRIÇÃO DE CONTRACEPTIVOS
1. Introdução ..........................................................................................................4
2. Gestação não planejada .....................................................................................4
3. Prescrição ..........................................................................................................6
4. Eficácia e Segurança ..........................................................................................6
5. Classificação ......................................................................................................6
5.1. Não hormonais ...................................................................................................... 7
5.2. Hormonais ............................................................................................................. 9
5.3. Cirúrgicos ............................................................................................................. 14
6. Critérios de Elegibilidade ..................................................................................16
7. Nomes Comerciais dos Contraceptivos Hormonais ..........................................16
7.1. Anticoncepcionais combinados orais ............................................................... 16
7.2. Injetável mensal (combinado) ............................................................................ 17
7.3. Anel vaginal ......................................................................................................... 17
7.4. Adesivo transdérmico ......................................................................................... 17
7.5. Pílulas de progestagênio isolado ....................................................................... 17
7.6. Injetável trimestral ............................................................................................... 17
7.7. Implante subdérmico .......................................................................................... 17
7.8. Sistema intrauterino de levonorgestrel .............................................................. 17
8. Fluxogramas ....................................................................................................17
Referências ........................................................................................................................20
3
PRESCRIÇÃO DE 
CONTRACEPTIVOS
Dra. Carla Zucchi
1. INTRODUÇÃO
O planejamento familiar inclui uma diversidade de práticas 
e informações fundamentais para que indivíduos ou casais 
façam escolhas conscientes e livres sobre o número de 
filhos que desejam ter e o momento mais apropriado para 
isso. Essa decisão é tomada com base em fatores de saúde, 
sociais e econômicos.
Os direitos sexuais e reprodutivos de meninas e mulhe-
res são uma parte essencial dos direitos humanos e visam 
assegurar que todas as pessoas possam tomar decisões 
informadas e autônomas sobre sua vida sexual e reprodutiva, 
incluindo o planejamento familiar. Além disso, a Constituição 
Federal do Brasil de 1988, no Artigo 226, parágrafo 7º, afirma 
que é garantido a todos o livre planejamento familiar, tendo 
a assistência com caráter prioritário, cabendo ao Estado 
propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício 
desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de 
instituições oficiais ou privadas.
Primeiramente, a educação sobre métodos contracep-
tivos é central no planejamento familiar. Isso envolve não 
apenas o conhecimento das várias opções, mas também 
como usá-las efetivamente. O acesso a recursos de saúde 
sexual e reprodutiva assegura que os indivíduos possam 
obter informações e serviços necessários para implementar 
suas escolhas de maneira segura e eficaz.
Além disso, o planejamento familiar também foca no 
apoio a decisões informadas sobre concepção e saúde 
reprodutiva, promovendo assim uma melhor qualidade de 
vida para pais e filhos. Este aspecto do planejamento visa 
garantir que todos os envolvidos exerçam plenamente seus 
direitos reprodutivos.
Na prática médica, a prescrição de métodos contracepti-
vos deve priorizar o método escolhido pela paciente, sempre 
respeitando os critérios de elegibilidade da Organização 
Mundial da Saúde (OMS) e do Centro de Controle de Doen-
ças (CDC). Para recomendar o método mais adequado, é 
essencial que o médico esteja bem informado sobre todas 
as opções disponíveis e suas respectivas classificações.
O processo de seleção do método contraceptivo ideal deve 
considerar fatores como custo, acessibilidade e possibilidade 
de continuidade do uso. Outro aspecto crucial é a eficácia 
de cada método, que deve ser claramente comunicada à 
paciente, juntamente com informações sobre a segurança, 
baseadas na história clínica, antecedentes e exame físico 
individual de cada mulher. Essa abordagem personalizada 
assegura que cada paciente receba o método mais com-
patível com suas necessidades e circunstâncias de vida.
Ao prescrever métodos contraceptivos, é indispensável 
enfatizar a importância da prevenção de infecções sexual-
mente transmissíveis (IST). Embora muitos contraceptivos 
eficazes previnam a gravidez, poucos protegem contra IST. 
Portanto, é essencial aconselhar os pacientes sobre o uso 
concomitante de preservativos, que são a única forma de 
contracepção que também protege contra essas infecções. 
Esta abordagem ajuda a garantir que a saúde sexual seja 
tratada de forma abrangente, abordando tanto a prevenção 
da gravidez indesejada quanto a proteção contra IST, o que é 
vital para a saúde e o bem-estar geral dos indivíduos. Além 
disso, educar os pacientes sobre os sinais e sintomas das 
IST e a importância de testes regulares pode contribuir sig-
nificativamente para detectar e tratar precocemente essas 
infecções, reduzindo riscos de complicações e transmissão.
2. GESTAÇÃO NÃO PLANEJADA
O planejamento familiar e a contracepção são temas 
prioritários tanto para a OMS quanto para o Ministério da 
Saúde, em aspectos econômicos e sociais. Esses esforços 
são particularmente importantes para apoiar mulheres em 
situação de vulnerabilidade, ajudando a diminuir a incidência 
de gestações não planejadas.
No Brasil, cerca de 55% das gestações não são plane-
jadas, muitas vezes devido à ausência ou uso incorreto de 
métodos contraceptivos e falta de informação.
Na adolescência, é essencial disponibilizar métodos 
contraceptivos, mesmo para aqueles cuja vida sexual se 
inicia antes dos 14 anos. Em vez de focar exclusivamente 
na abstinência sexual, a ênfase deve ser dada a métodos 
com alta efetividade como por exemplo os LARCs (contra-
ceptivos reversíveis de longa duração), que oferecem uma 
proteção eficaz e prolongada.
Ginecologia
4
Figura 01. Prevenção da Gravidez na Adolescência. 
Fonte: Acervo Sanar
Ginecologia
5
O período pós-parto representa uma valiosa oportuni-
dade para apoiar mulheres motivadas a utilizar métodos 
contraceptivos. Essa prática ajuda a aumentar o intervalo 
interpartal para mais de 18 meses, o que, por sua vez, reduz 
os riscos de baixo peso ao nascer, prematuridade e morta-
lidade infantil, entre outros problemas.
3. PRESCRIÇÃO
A prescrição de contraceptivos no Brasil é feita por 
profissionais da saúde. Durante a consulta, é importante 
realizar uma anamnese detalhada para identificar possíveis 
contraindicações e fatores de risco relacionados ao uso 
de contraceptivos hormonais. Da mesma forma, deve-se 
executar um exame físico para detectar sinais que possam 
impactar a escolha do método mais adequado. Por exemplo, 
a medição da pressão arterial é essencial, especialmente 
em pacientes que receberão contraceptivos combinados. 
O exame ginecológico é necessário para mulheres que 
optam pelo DIU, com o objetivo de excluir a presença de 
cervicite e outras lesões que possam contraindicar o uso 
do dispositivo.
A seleção de um método contraceptivo deve seRisk and Economic 
Assessment of Thrombophilia Screening (TREATS) study. Health 
Technol Assess. 2006; 10(11): 1-110.
34. Nguyen AT, Curtis KM, Tepper NK, et al. U.S. Medical Eligibility Criteria 
for Contraceptive Use, 2024. MMWR Recomm Rep 2024;73(No. 
RR-4):1–126.
35. Benefits and risks of sterilization. ACOG Practice Bulletin No. 208. 
American College of Obstetricians and Gynecologists. Obstet Gynecol 
2019:133:e194–207.
36. Allen, R. H., & Schreiber, C. A. (2025). Contraceptivos orais combina-
dos de estrogênio- progesterona: seleção, aconselhamento e uso de 
pacientes. UpToDate. Retrieved March 28, 2025, from https://www.
uptodate.com/contents/combined-estrogen-progestin-oral-contra-
ceptives-patient-selection-counseling-and-useconcentrar 
na autonomia individual durante o processo de decisão. É 
fundamental que as pessoas tenham acesso igualitário a 
todos os métodos contraceptivos disponíveis e que os servi-
ços sejam oferecidos de forma não coercitiva, respeitando os 
valores, objetivos e autonomia reprodutiva de cada indivíduo.
Esse processo deve ocorrer por meio de uma decisão 
compartilhada entre a pessoa e o profissional de saúde. Os 
profissionais precisam considerar não somente os aspectos 
clínicos, mas os aspectos sociais únicos de cada pessoa que 
busca contracepção e discutir suas aspirações reprodutivas, 
expectativas, preferências e prioridades.
Outros fatores podem ser considerados ao escolher 
um método contraceptivo, incluindo sua segurança, eficá-
cia, disponibilidade (como acessibilidade e custo), efeitos 
colaterais, controle pelo usuário, reversibilidade e facilidade 
de interrupção. Além disso, devem ser levados em conta 
os riscos de saúde relacionados à gravidez e o acesso a 
serviços abrangentes de saúde durante essas discussões.
Uma abordagem centrada no indivíduo para decisões 
contraceptivas coloca as preferências e a autonomia repro-
dutiva em primeiro lugar, em vez de se concentrar apenas na 
prevenção da gravidez, e respeita a pessoa como principal 
tomadora de decisões, inclusive se optar por não usar con-
tracepção ou interromper um método. A escolha informada 
e voluntária é um princípio essencial.
Práticas coercitivas podem surgir de preconceitos pro-
fissionais em relação a certos métodos, falta de aconse-
lhamento centrado no paciente e políticas que incentivam 
métodos específicos. Os profissionais e suas instituições 
devem reconhecer e enfrentar os sistemas que mantêm 
desigualdades, buscando mitigar impactos negativos. Temos 
como exemplo o histórico de coerção contraceptiva nos 
Estados Unidos, principalmente em comunidades margi-
nalizadas, incluindo violações dos direitos humanos, como 
a esterilização forçada.
Portanto, a escolha do método contraceptivo deve ser 
centrada na pessoa, embasada em informações precisas 
e completas sobre as opções disponíveis, considerando 
a saúde, preferências, valores e objetivos reprodutivos do 
indivíduo, realizada em um ambiente de respeito e sem 
coerção, com o suporte do profissional de saúde para 
assegurar a segurança e adequação médica do método 
selecionado.
4. EFICÁCIA E SEGURANÇA
A eficácia de um método contraceptivo refere-se à sua 
capacidade de proteger contra uma gravidez não planejada. 
Essa eficácia é frequentemente avaliada por meio do índice 
de Pearl, uma medida que expressa a taxa de falhas do 
método contraceptivo ao longo de um ano de uso. O índice 
é calculado com base no número de gravidezes que ocorrem 
em 100 mulheres que utilizam um determinado método de 
contracepção por um ano. Quanto menor o índice de Pearl, 
maior é a eficácia do contraceptivo, indicando uma menor 
probabilidade de falha e, portanto, uma maior proteção 
contra a concepção indesejada.
A segurança de um método contraceptivo, por outro lado, 
está relacionada ao risco de causar efeitos adversos à saúde 
da usuária. Os critérios de elegibilidade da Organização 
Mundial da Saúde (OMS) são utilizados para classificar os 
métodos contraceptivos de acordo com essa segurança. 
Quanto maior a segurança de um contraceptivo, menor é a 
probabilidade de causar problemas à saúde. Esses critérios 
ajudam a garantir que as escolhas contraceptivas atendam 
às necessidades individuais e minimizem riscos potenciais, 
promovendo não apenas a prevenção da gravidez, mas 
também o bem-estar geral das usuárias.
5. CLASSIFICAÇÃO
Os métodos contraceptivos podem ser classificados 
de diversas maneiras, como por exemplo hormonais e não 
hormonais, orais e não orais, reversíveis e irreversíveis. Na 
prática clínica é obrigatório conhecer todas as opções e 
classificações possíveis como forma de facilitar a explicação 
e oferecimento dos métodos para cada paciente. É comum 
que a mulher já chegue com alguma ideia pré-estabelecida 
de qual método pretende escolher. Cabe ao médico indicar 
a ela qual método se encaixa na sua escolha, mas também 
oferecer todas as outras opções, sempre considerando os 
critérios de elegibilidade. Por exemplo, uma paciente que em 
consulta deseja não receber nenhum método hormonal, ao 
longo da explicação pode entender que por conta de maior 
eficácia e conforto sua ideia inicial seja alterada.
 � Não hormonais:
 Comportamentais.
 De barreira.
 De longa duração (DIU de cobre e prata com cobre).
 � Hormonais:
 Só progestagênio.
 Combinados.
 De emergência.
Ginecologia
6
 � Cirúrgicos (ou definitivos)
 Laqueadura tubária.
 Vasectomia.
 � LARC (contraceptivos reversíveis de longa duração), que 
incluem:
 Dispositivos intrauterinos de cobre e cobre com prata.
 Sistemas intrauterinos liberadores de levonorgestrel 
(SIU-LNG).
 Implante subdérmico de etonorgestrel.
Quanto aos métodos hormonais também podemos clas-
sificar de acordo com a via de administração: oral, vaginal, 
transdérmica, intramuscular, intra-uterino, subdérmico.
Como veremos adiante, a OMS classifica os métodos 
contraceptivos de acordo com a sua segurança, definindo 
critérios de elegibilidade que se resumem em:
 � Categoria 1: O método pode ser utilizado sem qualquer 
restrição.
 � Categoria 2: O uso do método pode apresentar algum 
risco, habitualmente menor do que os benefícios decor-
rentes de seu uso.
 � Categoria 3: O uso do método pode estar associado a um 
risco, habitualmente considerado superior aos benefícios 
decorrentes de seu uso.
 � Categoria 4: O uso do método determina um risco ina-
ceitável à saúde.
5.1. Não hormonais
5.1.1. Comportamentais ou naturais
São técnicas baseadas na auto-observação de sinais 
e sintomas do ciclo menstrual para reconhecer o período 
fértil e abster-se de relação sexual nesse período ou ter 
relações com um método de barreira para evitar a gravidez. 
Os métodos comportamentais requerem disciplina, autoco-
nhecimento, bem como hábitos de vida saudáveis, rotina de 
sono e atividade física regular. Dentre os principais sinais que 
devem ser observados para calcular o período fértil estão o 
muco cervical e a temperatura corporal basal. É importante 
orientar que algumas doenças e o uso de medicações podem 
afetar as características das secreções vaginais, elevara 
temperatura corporal ou retardar a ovulação, como, por 
exemplo, ansiolíticos, antidepressivos, antipsicóticos, alguns 
antibióticos, todos os anti-inflamatórios não esteroidais e 
os anti- histamínicos. A taxa de falha do uso ideal de cada 
método está descrita na Tabela a seguir.
Tabela 01. Taxas de falha dos métodos baseados na percepção da fertilidade 
com o uso correto e consistente e abstinência nos dias férteis.
Gravidezes por 100 mulheres no prmeiro ano de uso ideasl
Método Ogino-Knaus 9
Método dos dias fixos 5
Método dos dois dias 4
Método Bilings 3
Gravidezes por 100 mulheres no prmeiro ano de uso ideasl
Método da temperatura corporal basal 1
Método sintotérmico 2
Fonte: CMS.
Não há dados na literatura referentes à taxa de falha do 
uso habitual de cada método especificamente, mas sabe-se 
que a taxa de todos os métodos comportamentais é de 25 
gravidezes por 100 mulheres em 12 meses. Diante da alta 
probabilidade de gravidez, o casal que optar por usar um 
método comportamental deve estar receptivo a uma pos-
sível gestação não planejada; caso contrário, o casal deve 
ser encorajado a usar um método mais eficaz.
 � Método Ogino-Knaus: 
 Também conhecido como ritmo ou tabelinha. É calcu-
lado através da análise do padrão menstrual. A mulher 
deve anotar durante pelo menos 6 meses a duração 
de cada ciclo, desde o primeiro dia da menstruação 
até o dia que antecede a menstruação seguinte. Em 
seguida, deve verificar qual o ciclo mais curto e o mais 
longo (por exemplo, 25 e 34 dias) e calcular a diferença 
entre eles (neste exemplo, 34 – 25 = 9 dias).
 Se a diferença for de 10 dias ou mais, a mulher não 
deve usar essemétodo.
Tabela 02. Definições para o cálculo do período fértil.
Cálculo do período fértil
Do ciclo de duração mais curta, deve-se subtrair 18 para encontrar 
o dia do início do período fértil. Neste exemplo: 25 - 18 = 7o dia
Do ciclo de duração mais longo, deve-se subtrair 11 para encontrar 
o último dia do período fértil. Neste exemplo: 34 - 11 = 23o dia
Neste exemplo, o período fértil determinado foi do 
7o ao 23o dia do ciclo menstrual (ambos os dias, 
inclusive), com uma duração de 17 dias.
Fonte: CMS.
 É importante refazer e atualizar os cálculos a cada 6 
meses, sempre com base nos últimos 6 a 12 ciclos.
 � Método dos dias fixos: 
 Indicado para mulheres que apresentam ciclos de 26 
a 32 dias. A mulher deve destacar em um calendário 
os primeiros 8 dias do ciclo menstrual com um círcu-
lo, iniciando no primeiro dia em que há sangramento. 
Nos 12 dias que seguem, deve marcar estes dias do 
calendário com um “X”. Após este período, devemar-
car as datas com um círculo novamente até a próxima 
menstruação. Nos dias marcados com um círculo, 
poderá ter relações livremente e, nos dias marcados 
com um “X”, deve praticar abstinência sexual ou usar 
um método de barreira.
 � Método de Billings ou do muco cervical: 
 Baseia-se na identificação do período fértil por meio 
da observação das características do muco cervical. 
A mulher deve observar diariamente a presença ou au-
sência de muco, a sensação de secura ou umidade da 
vulva e analisar s características do muco (pegajoso, 
Ginecologia
7
turvo, elástico, claro ou transparente). Ao término da 
menstruação, inicia-se uma fase seca, ou de secreção 
escassa, que dura dois ou mais dias. O casal pode ter 
relações sexuais nos dias da fase seca em noites al-
ternadas, para que o sêmen não prejudique a obser-
vação do muco cervical. Na fase ovulatória, o muco, 
que inicialmente é esbranquiçado, turvo e pegajoso, vai 
se tornando mais elástico e lubrificante, semelhante à 
clara de ovo, podendo-se puxá-lo em fio.
 Havendo fluxo mucoso ou sensação de lubrificação, 
o casal deve abster-se de relações sexuais. Quando 
o muco desaparece ou retorna à aparência de muco 
pegajoso, a ovulação ainda pode estar ocorrendo; 
portanto, o casal deve abster-se de contato genital. 
Na 4a noite após o desaparecimento do muco, a mu-
lher entra no período infértil, que dura até a próxima 
menstruação, e nesse período o casal pode ter rela-
ções sexuais livremente.3
 � Método da temperatura basal corporal: 
 Baseia-se nas alterações da temperatura corporal 
que ocorrem ao longo do ciclo menstrual. Antes da 
ovulação, a temperatura do corpo permanece num 
nível mais baixo e, após a ovulação, ela se eleva em 
alguns décimos de grau centígrado, permanecendo 
nesse novo nível até a próxima menstruação. A partir 
do primeiro dia do ciclo, a mulher deve verificar a tem-
peratura diariamente pela manhã, antes de qualquer 
atividade e após um período de repouso de no míni-
mo 5 horas, usando sempre o mesmo termômetro. A 
ocorrência de um aumento persistente de no mínimo 
0,2°C por 4 dias consecutivos indica a mudança da 
fase ovulatória para a pós-ovulatória. O período fértil 
termina na manhã do 4o dia em que for observada a 
temperatura elevada.
 Para evitar a gravidez, o casal deve abster-se das re-
lações sexuais com contato genital durante toda a 
primeira fase do ciclo (pré-ovultatório) até o 4o dia em 
que a temperatura se mantém alta durante os primei-
ros 6 meses de uso do método. Posteriormente, sendo 
possível predizer a data da ovulação com base nos 
registros anteriores, a abstinência sexual pode ficar 
limitada ao período de 4 a 5 dias antes da data pre-
vista da ovulação e até o 4o dia de temperatura alta. É 
importante ressaltar que o uso de bebidas alcóolicas, 
perturbações do sono, estresse e diversas doenças 
podem modificar a temperatura basal e prejudicar a 
eficácia do método.
 � Método dos dois dias: 
 É um método apropriado para as mulheres com ciclos 
de qualquer duração, indepen- dentemente de sua regu-
laridade. Baseia-se nos mesmos princípios do método 
de Billings e requer apenas a observação da presença 
ou ausência de secreção. Por exemplo, se a mulher 
detectar qualquer secreção vaginal, deve considerar-se 
fértil até que permaneça dois dias consecutivos sem 
secreção. Se não perceber secreção no dia e no dia 
anterior, poderá ter relações livremente. Esse método 
é bastante simples, mas exige um período maior de 
abstinência sexual.
 � Método sintotérmico: 
 Baseia-se na combinação de múltiplos indicadores da 
ovulação para determinar o período fértil com maior 
precisão. Ele combina a observação da temperatura 
basal corporal, do muco cervical e parâmetros subjeti-
vos como dor abdominal, sensação mamas inchadas 
ou doloridas, variações de humor ou da libido. 
 Outros sintomas como cefaleia, náusea, acne, aumen-
to de apetite, ganho de peso, sensação de distensão 
abdominal também são usados.
 � Método da amenorreia lactacional: 
 Baseia-se na inibição de ovulação causada pelo au-
mento do nível sérico de prolactina em mulheres em 
aleitamento materno. Só pode ser usado até 6 meses 
após o parto, enquanto a mulher ainda estiver em ame-
norreia e o lactente estiver em amamentação exclusi-
va. A taxa de falha é de 2 gravidezes por 100 mulheres 
nos primeiros 6 meses após o parto.
 � Coito interrompido e a relação sexual sem penetração:
 São práticas muito usadas, embora não sejam reco-
mendadas como único método anticoncepcional. Ocoi-
to interrompido tem alta taxa de falha: 27 gravidezes 
por 100 mulheres no primeiro ano de uso. Podem ser 
especialmente úteis quando não se dispõe de outro 
método contraceptivo.
5.1.2. Métodos de barreira
Tabela 03. Taxas de gravidezes com uso correto dos métodos de barreira.
Métodos de barreira
Gravidezes por 100 mulheres 
no primeiro ano de uso
Uso comum Uso ideal
Preservativo masculino 15 2
Preservativo feminino 21 5
Diafragma 16 6
Espermicida 29 18
Fonte: CMS.
 � Preservativo masculino: Como os preservativos são os 
únicos métodos contraceptivos que protegem tanto con-
tra a gravidez quanto contra as infecções sexualmente 
transmissíveis, seu uso deve ser sempre estimulado, 
mesmo que a paciente use outros métodos hormonais ou 
comportamentais. É um método barato, acessível e com 
baixo risco à saúde (alergia ao látex). Sempre informar à 
paciente que o uso concomitante de lubrificantes oleo-
sos e cremes vaginais com nitrato de miconazol podem 
danificar o látex e comprometer sua eficácia.
 � Preservativo feminino: Assim como o preservativo mas-
culino, é um método capaz de prevenir infecções se-
xualmente transmissíveis. Ao contrário da maioria dos 
preservativos masculinos, que são feitos de látex, os 
preservativos femininos são feitos de plástico e podem 
Ginecologia
8
ser usados com qualquer tipo de lubrificante, à base de 
água, silicone ou óleo. Não se deve usar preservativos 
masculinos e femininos ao mesmo tempo, pois a fricção 
pode causar a remoção ou rompimento dos preservativos.
 � Espermicidas: São substâncias inseridas na vagina, perto 
do colo uterino, antes da relação sexual, e provocam a 
ruptura da membrana celular dos espermatozoides. Es-
tão disponíveis em tabletes de espuma, supositórios de 
espuma, espuma pressurizada, geleia e creme. Podem 
ser usados isolados ou associados a um diafragma ou 
preservativo. O uso de espermicidas está associado à 
maior frequência de infecção do trato urinário e pode 
também aumentar o risco de infecção por HIV no caso 
dos espermicidas à base de nonoxynol-9.
 � Diafragma vaginal: Tem o formato de uma concha e é 
feito de látex ou plástico flexível. Hoje no Brasil, apenas 
o diafragma de tamanho único está disponível. Ele deve 
ser utilizado com gel para aumentar a aderência às pa-
redes vaginais. Em outros países, existem modelos com 
6 tamanhos de diafragma disponíveis, e a escolha para 
cada paciente deve ser feita por um profissional da saúde 
treinado através do toque vaginal, estimandoa distância 
entre o fundo de saco posterior e a pube. O diafragma 
escolhido deve ser o maior possível dentro desta medi-
da, sem que cause desconforto à paciente. Seu uso deve 
ser associado a um espermicida e não devem ser usados 
lubrificantes oleosos e cremes vaginais con tendo nitra-
to de miconazol concomitantes ao diafragma de látex, 
pois, como foi dito anteriormente, estes podem danificar 
estruturas de látex. O diafragma deve ser mantido na 
vagina por pelo menos 6 horas após a relação sexual e 
não mais do que 24 horas, devido ao risco de síndrome 
do choque tóxico, considerado um efeito adverso raro. 
Seu uso pode aumentar a frequência de infecções do 
trato urinário e, menos comumente, vaginose bacteriana 
e candidíase. O diafragma deve ser descartado a cada 2 
anos ou antes se observadas rachaduras ou alterações 
de textura ou formato.
5.1.3. Métodos não hormonais de longa duração: 
 São os dispositivos intrauterinos (DIU) de cobre ou 
cobre com prata. Há diversos modelos de DIUs não 
hormonais com tamanhos, formatos e durações dis-
tintas, porém com taxas de eficácia muito semelhan-
tes: 6 a 8 por 1.000 mulheres no primeiro ano de uso. 
A combinação do cobre com a prata visa diminuir a 
fragmentação do cobre e evitar o aumento da sua ta-
xa de falha além dos efeitos como aumento do fluxo 
menstrual e cólica.
 Mecanismo de ação: O cobre causa uma reação de 
corpo estranho que produz uma inflamação tecidual 
mínima que tem ação espermicida.
 Efeitos adversos: Os mais comuns são aumento do 
fluxo menstrual e dismenorreia. Os DIUs não aumentam 
o risco de contrair uma IST. Pode ocorrer doença infla-
ma tória pélvica (DIP) caso a mulher esteja infectada 
com clamídia ou gonorreia no momento da inserção. 
Mulheres com ISTs ativas, como cervicites purulentas 
e doença inflamatória pélvica (DIP), devem ser tratadas 
antes da inserção do DIU.4 Gestação: Ao contrário do 
que se pensava, os DIUs reduzem o risco de gestação 
ectópica e não aumentam o risco de aborto quando 
a gestação ocorre após retirado o dispositivo. Caso 
ocorra gestação com um DIU normoposicionado, o 
risco de aborto espontâneo é de até 75% se o DIU de 
cobre foi mantido no lugar, e sua remoção precoce re-
duz o risco de aborto para 30%. Caso o DIU seja man-
tido durante a gravidez, o risco de parto prematuro se 
torna quatro vezes maior. 
 Expulsão do DIU: Ocorre em 2% a 10% das usuárias no 
primeiro ano de uso. Fatores de risco para expulsão 
incluem inserção imediatamente após o parto, nuli-
paridade e expulsão prévia de DIU. Uma mulher que 
expulsou um DIU tem uma chance de 30% de expulsar 
um dispositivo subsequente.Inserção: O DIU pode ser 
inserido, retirado e substituído em qualquer momento 
do ciclo menstrual, desde que descartada gravidez. Não 
há contraindicação para uso em pacientes nuligestas 
ou adolescentes, bem como pacientes com neoplasia 
endocervical intraepitelial (NIC).
 Mulheres com HIV/AIDS podem fazer uso de DIU des-
de que estejam em terapia antirretroviral e estejam 
bem clinicamente. Após parto normal ou cesárea, o 
DIU pode ser usado se a inserção ocorrer em até 48 
horas após o parto ou depois de 4 semanas. Após 
abortamento não infectado, o DIU pode ser inserido 
imediatamente. Recomenda-se uma consulta de acom-
panhamento após a primeira menstruação com o DIU 
para verificar a ocorrência de efeitos adversos e sua 
posição através de exame especular, toque vaginal ou 
ultrassonografia.
5.2. Hormonais
5.2.1. Progestagênio isolado
São os métodos hormonais que possuem apenas pro-
gestagênio em sua fórmula.
Tabela 04. Medicamentos com progestagênio isolado.
Via Composição Duração
Taxa de 
falha 
uso 
típico
Taxa 
de 
falha 
uso 
ideal
Pílula oral de 
progestágeno 
(POP)
Desogestrel 75 mcg Diária 9 0,3
Drospirenona 40mg Diária 9 0,5
Intramuscular
Acetato de 
medroxiprogesterona 
150mg/ml
Trimestral 6 -
Dispositivo 
Intra-uterino
Levonorgestrel 
52mg e 19,5mg
5 a 8 
anos 0,2 0,2
Implante 
subdérmico Etonogestrel 68mg 3 anos 0,2 0,2
Fonte: Guazzelli.
Ginecologia
9
 � Mecanismo de ação: A progesterona isolada provoca atro-
fia endometrial, espessamento do muco endocervical e 
diminuição de motilidade das tubas uterinas. Além disso, 
o implante subdérmico, a pílulas orais de progestágeno 
e o acetato de medroxiprogesterona (injetável trimestral) 
são capazes de bloquear o eixo hipotálamo-ovariano, ini-
bindo a ovulação.
 � Indicações: Pode ser usado por qualquer paciente, mes-
mo em aleitamento materno, após 6 semanas do parto, 
exceto o acetato de medroxiprogesterona (categoria 3 
até 6 semanas após o parto). É indicado principalmente 
para pacientes com contraindicação ao uso de estrogênio 
(Tabela 10) e pacientes com sintomas de hipermenorra-
gia, dismenorreia e síndrome pré-menstrual.
 � Contraindicações: 
Tabela 05. Contraindicações ao uso de progestagênios isolados.
Contraindicações ao uso de progestagênios isolados
Amamentação há menos de seis 
semanas após o parto 2-3*
Episódio atual de tromboembolismo 3
Câncer de mama atual 4
Câncer de mama pregresso há 
> 5 anos e sem recidiva 3
Adenoma hepático ou hepatoma 3
Hepatite viral ativa ou cirrose descompensada 3
Uso de barbitúricos, carbamazepina, oxcarbazepina, 
fenitoina, primidona, topiramato ou rifampicina 2-3**
Doença cardíaca isquêmica atual e prévia 2-3*(I) 3(C)
Acidente cerebrovascular e enxaquecas com aura 2-3*(I) 3(C)
Doença vascular 2-3*
I = Introdução, C = Continuidade
(*) Todos são categorias 2, exceto AMDP (categoria 3).
(**) Anticonvulsionantes podem diminuir a eficácia dos anticoncepcionais orais.
Fonte: WHO, Guazzelli.
 � Eventos adversos: A paciente deve ser orientada sobre 
a possibilidade de ocorrência de escape menstrual e 
sangramento irregular. O número médio de episódios de 
sangramento e sangramento de escape de cada método 
deve ser analisado de acordo com os critérios do padrão 
de sangramento da OMS, utilizando intervalos de refe-
rência de 90 dias. A insatisfação com o fluxo menstrual 
pode ser um motivo de descontinuação do tratamento. 
Outros sintomas adversos são: tontura, acne, dor mamá-
ria, cefaleia e ganho de peso.
Tabela 06. Definição da OMS de padrões de sangramento clinicamente impor-
tantes em um período de 90 dias.
Tipo de 
sangramento Definição da OMS
Amenorreia Sem sangramento durante o período de referência
Tipo de 
sangramento Definição da OMS
Infrequente 1 a 2 episódios de sangramento
Regular 3 a 5 episódios de sangramento
Frequente Mais de 5 episódios de sangramento
Prolongado Mais de 14 dias consecutivos de sangramento
Fonte: Guazzelli.
Tabela 07. Padrões de sangramentos dos progestagênios isolados após 12 
meses de uso.
Padrão de 
sangramento
POP 
Desogestrel Implante AMPD SIU-LING
Amenorreia 20% 22-44% 50-80% 20-60%
Infrequente 30-40% 30-40% Indisponível 10-30%
Regular 40% 20% 10% 10-50%
Frequente 5% 6,7%
19-26%
5%
Prolongado 10% 17,7% 15%
Fonte: Guazzelli.
 � Pílula oral de progestagênio (POP): As pílulas orais de 
progestagênio que possuem efeito contraceptivo são: de-
sogestrel 75 mcg e drospirenona 4mg. Possuem eficácia 
semelhante aos contraceptivos combinados, porém sem 
os riscos dos estrogênios, como por exemplo a trombo-
se. Contudo, como todos os métodos de progestagênio 
isolado o padrão de sangramento é incerto e deve ser 
considerado ao prescrevê- las. O desogestrel é formulado 
para uso contínuo sem pausa. Já a drospirenona, mais 
recentemente lançada no mercado, é administrado em 
ciclos de 24 comprimidos ativos seguidos de 4 compri-
midos placebos. Apesar desta pausa embutida nas car-
telas, o sangramento de escape pode ocorrer. Um estudo 
comparativo mostrou que após 6 meses de uso, 16,7% 
das usuárias de desogestrel apresentam mais de 10 dias 
de sangramento no mês, enquanto 9,1% das usuárias de 
drospirenona apresentaram o mesmo o que pode ocorrer 
pelo fato desta possuir meia-vida mais longa. Após 10 
ciclos, a taxa de amenorreia é maior com drospirenona 
(25-33%) do que com desogestrel (60%). Além disso,a 
drospirenona possui ação antiandrogênica, benéfica no 
tratamento da acne, e antimineralocorticóide, contribuin-
do para a redução de edema.
 � Implante subdérmico: Trata-se de uma haste radiopaca 
flexível de 40 mm contendo 68 mg de etonogestrel (de-
rivado do desogestrel) que, inserido logo abaixo da der-
me, libera o hormônio com doses de 60 a 70 mcg/dia no 
primeiro ano de uso até 25 a 30 mcg/dia no término do 
terceiro ano, sendo esta dosagem suficiente para inibir a 
ovulação. Além da ocorrência de sangramento irregular, 
são efeitos adversos comuns o aparecimento de acne e 
alopecia. Outros efeitos adversos são associados à in-
Ginecologia
10
serção e remoção, como infecção no local da inserção, 
dor, inserção profunda (intramuscular), dificuldade de 
remoção e, mais raramente, expulsão do implante.
 � Sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-L-
NG): Atualmente está disponível em 2 dosagens diferen-
tes, 19,5 mg e 52 mg. A dosagem de 52 mg é indicada 
a pacientes com queixas de fluxo menstrual aumentado 
ou irregular e dismenorreia e induz amenorreia em até 
60% das pacientes. A medicação é liberada a uma taxa 
de 20 mcg/dia no primeiro ano, caindo para 10 mcg/dia 
após 5 anos de uso. A dosagem de 19,5 mg é liberada a 
uma taxa de 12 mcg/dia no primeiro ano de uso. São efei-
tos adversos comuns a ambos a ocorrência de padrões 
de sangramento irregulares, humor deprimido, alopecia, 
acne e dermatite seborreica. Respeitadas as contraindi-
cações ao uso de progestagênios isolados (Tabela 6), as 
recomendações quanto à inserção, retirada, substituição 
e ao seguimento dos SIU-LNG são semelhantes às dos 
DIUs não hormonais.
 � Injetável trimestral (AMDP): Além das contraindicações 
comuns aos demais progestagênios isolados, evitar uso 
do AMDP (categoria 3) em pacientes com múltiplos fa-
tores de risco para doença cardiovascular arterial (idade 
maior que 35 anos, tabagismo, diabetes e hipertensão), 
hipertensão com doença vascular, doença cardíaca is-
quêmica atual ou pregressa, acidente vascular cerebral, 
sangramento vaginal inexplicável, diabetes mellitus com 
nefropatia, retinopatia, neuropatia ou outra doença vas-
cular ou diabetes há mais de 20 anos. O uso de acetato 
de medroxiprogesterona de depósito (AMPD) foi asso-
ciado à perda de massa óssea, provavelmente, devido à 
menor produção de estrogênio ovariano resultante do 
bloqueio do eixo hipotálamo-ovariano, mas não há da-
dos suficientes sobre o risco de fratura. Por isso, o seu 
uso deve ser particularmente evitado em adolescentes, 
que ainda estão em fase de aquisição de massa óssea, 
e em mulheres mais velhas, que podem já estar em risco 
de perda óssea.
5.2.2. Combinados
Os contraceptivos hormonais combinados (CHCs) apre-
sentam progestagênio e estrogênio na sua composição, e 
incluem pílulas, anéis vaginais e adesivos transdérmicos, são 
métodos altamente eficazes para a prevenção da gravidez. 
A eficácia contraceptiva desses métodos depende do uso 
correto e consistente. De acordo com a literatura médica, a 
taxa de falha típica dos contraceptivos orais combinados é 
de aproximadamente 9% ao ano, o que reflete o uso típico, 
incluindo erros de adesão. No entanto, quando usados cor-
retamente e de forma consistente, a taxa de falha pode ser 
tão baixa quanto 0,1%.
Tabela 08. Taxas de gravidezes com uso correto dos métodos de barreira.
Via Estrogênio Progestagênio Duração Taxa de falha 
uso típico
Taxa de falha 
uso ideal
Oral
Etinilestradiol, 
Valerato de estradiol 
e Estradiol
Múltiplas formulações 
disponíveis Diária 2,18% 1,26%
Injetável
Valerato de estradiol Enantato de 
noretisterona Mensal 3% 1%
Cipionato de estradiol Acetato de 
medroxiprogesterona Mensal 3% 1%
Enantato de estradiol Algestona acetofenida Mensal 3% 1%
Transdérmico 
(adesivo) Etinilestradiol Norelgestromina Semanal 0,71-1,24% 0,59-0,99%
Vaginal (anel) Etinilestradiol Etonogestrel Mensal 0,25-1,23% 0,31-0,96%
Fonte: Guazzelli.
 � Contraceptivo oral combinado (COC): São os mais usados 
em todo o mundo. Existem muitas formulações disponí-
veis no mercado, e as principais diferenças entre elas são 
a dosagem de estrogênio (etinilestradiol ou valerato de 
estradiol) e o tipo de progestagênio. A escolha da pílula 
para cada paciente deve se basear na atividade biológi-
ca de cada progestagênio, conforme o quadro abaixo.
Quadro 01. Atividade biológica dos principais progestagênios.
Efeito Progestagênio
Agonista puro Progesterona, didrogesterona
Efeito Progestagênio
Glicocorticoide parcial Acetato de medroxiprogesterona, 
acetato de megestrol
Antimineralocorticoide parcial Drospirenona
Estrogênico parcial Acetato de noretindrona
Antiestrogênico parcial Levonorgestrel
Androgênico parcial
Levonorgestrel, acetato de 
noretindrona, desogestrel, 
norgestrel, gestodeno
Anti-androgênico parcial Acetato de ciproterona, acetato 
de clormadinoma, dienogeste
Fonte: Schindler.
Ginecologia
11
 � Injetável intramuscular mensal: A aplicação dos con-
traceptivos combinados injetáveis é realizada a cada 
30 dias, preferencialmente, nas nádegas. Possuem boa 
aceitação em relação ao controle dos ciclos e efeitos 
colaterais. Contudo, sua taxa de continuidade é em tor-
no de 50 a 80%. A descontinuidades pode ser atribuída a 
fatores como: dor no momento da injeção, necessidade 
de deslocamento e acesso a serviços de saúde e efeitos 
colaterais como cefaleia, náuseas e ganho de peso. As 
combinações disponíveis no mercado são: 
 Cipionato de estradiol 5 mg/0,5 mL + Acetato de me-
droxiprogesterona 25mg/0,5 mL
 Enantato de estradiol 10 mg/mL + Algestona Aceto-
fenida 150mg/mL
 Valerato de estradiol 5 mg/mL + Enantato de noretis-
terona 50 mg/mL
 � Anel vaginal: O anel vaginal contraceptivo, como o Nu-
varing®, é um anel de silicone que contém os hormônios 
etinilestradiol (EE) etonogestrel . Ele é inserido na vagina 
e permanece por 21 dias. Após este período, o anel deve 
ser retirado e descartado, realizando-se uma pausa de 7 
dias, durante a qual pode ocorrer sangramento menstrual. 
Após esses 7 dias de pausa, um novo anel é inserido. 
Também existe a opção de usar o anel continuamente, 
sem a pausa de 7 dias.
 Se o anel sair da vagina por menos de 3 horas, ele deve 
ser lavado e reinserido. Se sair por mais de 3 horas, a 
conduta depende da semana do ciclo:
 Nas duas primeiras semanas: o anel deve ser reinse-
rido e deve-se usar um método de barreira por 7 dias.
 Na terceira semana: um novo anel deve ser inserido.
 É recomendado que a paciente verifique periodica-
mente a presença do anel através do toque vaginal, o 
que pode ser feito após a relação sexual ou durante 
o banho, por exemplo.
 O anel pode causar aumento de volume de leucorreia 
fisiológica em 4,8% das pacientes e aumentar a fre-
quência de vulvovaginites em 5,6%.
 � Adesivo transdérmico: O adesivo transdérmico contra-
ceptivo, comercializado como Evra®, libera os hormônios 
etinilestradiol e norelgestromina através da pele. O adesivo 
deve ser usado da seguinte maneira: cada adesivo tem 
uma duração de 7 dias, e a paciente deve utilizá-lo por 
uma semana, durante três semanas consecutivas. Após 
esse período de três semanas, é necessário fazer uma 
pausa de 7 dias, durante a qual pode ocorrer sangramento 
menstrual. Depois da pausa, inicia-se um novo ciclo de 4 
semanas com a aplicação de um novo adesivo. O adesivo 
pode ser colado em qualquer região do corpo onde a pe-
le esteja livre de pelos e não sujeita à fricção por roupas 
apertadas, evitando colá-lo nas mamas e nas pernas. A 
pele deve estar limpa e seca antes de aplicar o adesivo.
 Caso haja um atraso na troca do adesivo: considerando 
que cada adesivo realmente dura 9 dias, se o atraso 
for de menos de 2 dias, deve-se simplesmente colo-
car um novo adesivo. Porém, se o atraso ultrapassar 
2 dias, é necessário aplicar um novo adesivo e utilizar 
um método de barreira, como o preservativo, por 7 dias 
para prevenção adicional.
 Se o adesivo descolar por menos de 24 horas, deve-serecolá-lo, garantindo que fique bem aderido, ou aplicar 
um novo adesivo, atualizando o dia da semana da tro-
ca, se necessário. Se descolar por mais de 24 horas, 
a paciente deve colocar um novo adesivo, atualizar o 
dia de troca e usa um método de barreira por 7 dias.
 O adesivo não é recomendado para mulheres acima de 
90 kg devido a possíveis falhas de eficácia. Ele possui 
as mesmas contraindicações de outros contracepti-
vos hormonais combinados e apresenta um risco de 
falha similar ao das pílulas anticoncepcionais, com 
uma taxa de falha de aproximadamente 9%. Algumas 
mulheres podem experimentar reações na pele, como 
prurido ou alergia, afetando entre 5-8% das usuárias. 
Durante a orientação sobre o uso, é essencial mostrar 
à paciente como remover o adesivo da embalagem e 
aplicar corretamente em uma área limpa e seca do 
corpo, exceto nas mamas.
 � Mecanismos de ação: Agem inibindo o eixo hipotála-
mo-ovariano, sendo que o progestagênio é o principal 
responsável pela inibição da ovulação ao inibir o pico 
pré-ovulatório do hormônio luteinizante (LH). O proges-
tagênio também atua na contracepção ao causar espes-
samento do muco endocervical, atrofiar o endométrio e 
reduzir a motilidade tubária. O estrogênio inibe o pico do 
hormônio folículo-estimulante (FSH), evitando a seleção 
e o crescimento do folículo dominante. O estrogênio 
também estabiliza o endométrio e potencializa a ação 
progestagênica ao aumentar a expressão de receptores 
de progesterona intracelulares.
 � Eventos adversos: Os efeitos adversos mais comuns re-
lacionados aos progestagênios são fadiga, aumento do 
apetite, acne, oleosidade da pele e sangramento uterino 
irregular. Os efeitos relacionados aos estrogênios são 
náuseas, vômitos, mastalgia, cefaleia, irritabilidade, me-
lasma e outros efeitos metabólicos como: 
 Hipertensão: provocada pelo estrogênio, decorre do 
aumento da síntese hepática de angiotensinogênio 
a partir do sistema renina-angiotensina-aldosterona. 
Não provoca repercussões clínicas em mulheres sau-
dáveis e normotensas.
 Carboidratos: o estrogênio induz a resistência à insulina, 
sem impacto significativo em mulheres não diabéticas.
 Coagulação: os contraceptivos orais combinados 
(COC) provocam efeito pró-coagulante na medida 
em que levam ao aumento da resistência à proteína 
C ativada, em comparação a mulheres saudáveis não 
usuárias destas medicações (B).14 Há evidências de 
que os COCs podem provocar elevação dos fatores 
pró-coagulação, tais como fibrinogênio, protrombina, 
VII, VIII, IX, X, XII e XIII e a redução dos inibidores da 
coagulação, proteína S e antitrombina (D).
Os anticoncepcionais combinados administrados por 
via transdérmica e vaginal causam alterações semelhantes 
aos orais no sistema de coagulação (B).24,25 Já os injetáveis 
combinados provocam menor impacto sobre hemostasia 
Ginecologia
12
do que os COCs (B).26 A depender da dose de estrogênio, 
este efeito pode ser maior, especialmente com relação às 
pílulas com dosagem de etinilestradiol maior que de 50 mcg.
Estudos mais recentes não têm demonstrado diferenças 
entre o risco de evento tromboembólico de COCs com dife-
rentes progestagênios, como drospirenona e ciproterona (B).
A incidência de tromboembolismo em uma mulher sau-
dável não usuária de contraceptivos hor- monais é de 4 a 5 
casos por 10 mil mulheres por ano, e entre usuárias de COCs 
é de 8 a 9 casos, por 10 mil mulheres por ano, com risco rela-
tivo 2 vezes maior.29 O risco relativo de trombose venosa em 
usuárias de adesivo transdérmico é de 7,9 (95% IC 3,5-17,7), e 
em usuárias de anel vaginal é de 6,5 (95% IC 4,7-8,9), quando 
comparadas a não usuárias de contraceptivos hormonais. 
Não existem estudos consistentes avaliando os riscos de 
tromboembolismo em usuárias de injetáveis mensais. O 
rastreamento de trombofilias previamente à prescrição de 
contraceptivos combinados não é recomendado (A).
 � Contraindicações:
Tabela 09. Contraindicações absolutas aos anticoncepcionais hormonais 
combinados, de acordo com critério de elegibilidade da OMS.
TVP/EP atual ou pregressa, independentemente 
do uso de anticoagulante
Trombofilia conhecida
Cirurgia maior com imobilização prolongada
Lúpus Eritematosos Sistêmico com ACA positivo ou desconhecido
Doença valvular complicada com hipertensão 
pulmonar, FA, endocardite bacteriana
Tabagismo (≥ 15 cigarros/dia) + idade > 35 anos
Doença cardíaca isquêmica atual ou pregressa
Hipertensão Arterial Sistêmica descompensada 
(PAS ≥ 160 mmHg ou PAD ≥ 100 mmHg)
Hipertensão Arterial Sistêmica associada à doença vascular
Múltiplos fatores de risco para DCV (idade 
avançada, tabagismo, DM, HAS)
Acidente Vascular Cerebral atual ou pregresso
Enxaqueca com aura
Enxaqueca sem aura + idade ≥ 35 anos
Câncer de mama atual ou prévio
Diabete melito complicada com nefropatia, retinopatia, 
neuropatia ou outra vasculopatia, ou > 20 anos de doença
Cirrose descompensada, adenoma hepatocelular 
e hepatoma (categoria 3 se injetável)
Lactante nas primeiras 6 semanas pós-parto
Puérpera não lactante, com fator de risco 
para TVP*, nos primeiros 21 dias
TVP: trombose venosa profunda, EP: embolia pulmonar, PAS: pressão arterial sistólica, 
PAD: pressão arterial diastólica, IAM: infarto agudo do miocárdio, AVC: acidente vascular 
cerebral, FA: fiibrilação arterial, DM: diabete melito, HAS: hipertensão arterial sistêmica, 
DCV: doença cardiovascular, ACA: anticorpo antifosfolípide, HNF: hiperplasia nodular focal.
* Fatores de risco para TVP: passado de TVP, trombofilia, obesidade, hemorragia 
ou transfusão sanguínea pós-parto, imobilidade, pré-eclâmpsia, tabagismo, parto 
cesariano imediato.
Fonte: WHO,.
 � Benefícios não contraceptivos: melhora dos sintomas 
da síndrome da tensão pré-menstrual, da dismenorreia 
e diminuição do fluxo menstrual. Em uso prolongado, 
podem reduzir o risco de câncer de ovário, de endomé-
trio e intestinal.
 � Interações medicamentosas: podem influenciar o meta-
bolismo e eficácia de drogas anticonvulsivantes (fenitoí-
na, carbamazepina, barbitúricos, primidona, topiramato, 
oxcarbazepina, lamotrigina) e da rifampicina.
 � Início de uso:
 Início Rápido: Inicie o CHC no dia da consulta. Se >5 
dias após o início da menstruação, recomende contra-
cepção de barreira (não hormonal) nos primeiros 7 dias.
 Primeiro Dia da Menstruação: Garante proteção con-
traceptiva máxima no primeiro ciclo, sem necessidade 
de contracepção de barreira. 
 Início no Domingo: Pode ajudar a evitar sangramen-
to de privação no fim de semana, especialmente em 
regimes de ciclo estendido.
 Pós-Aborto: Inicie o COC nos primeiros 7 dias após 
aborto espontâneo ou induzido (1º ou 2º trimestre). 
Contracepção de barreira por 7 dias, a menos que o 
CHC seja iniciado imediatamente após o aborto.
 Pós-Parto:
 � Não amamentando: Evite COCs por pelo menos 21 
dias pós-parto (risco de TEV). Inicie entre 21-28 dias, 
sem necessidade de barreira. Se houver outros fa-
tores de risco para TEV, evite CHCs até 6 semanas.
 � Amamentando: Evite COCs até 6 semanas pós-parto.
 � Troca de Método Contraceptivo:
 Outra COC: Inicie o novo método no dia seguinte ao 
último comprimido ativo, adesivo ou anel.
 POP: Inicie o COC imediatamente (se o POP foi usado 
de forma consistente), mas use barreira por 7 dias.
 DIU de Cobre: Inicie o COC até o 5º dia do ciclo (Dia 1 
para pílulas de estradiol), sem precauções. Caso con-
trário, use barreira por 7 dias e remova o DIU de cobre 
7 dias após a última relação sexual desprotegida.
 Implante/Injetável: Inicie o COC a qualquer momento 
até o dia da próxima injeção/remoção do implante.
 � Após contraceptivo de emrgência:
 Levonorgestrel/Pílulas Combinadas: Inicie/reinicie o 
COC imediatamente. Use barreira por 7 dias.
Ginecologia
13
5.2.3. Anticoncepção de emergência
É definido como método não arriscado de prevenir uma 
gravidez não planejada em até 120 horas da relação sexual 
desprotegida.
Tabela 10. Contraceptivos de emergência.
Levonorgestrel isoladoEtinilestradiol 0,1 mg e 
levonorgestrel 0,5 mg
1,5 mg em dose única ou 2 doses 
de 0,75 mg a cada 12 horas
2 doses com intervalo 
de 12 horas
Até 5 dias (preferencialmente 
antes de 72 horas) Até 5 dias
Fonte: Adaptado de Finotti.
As opções disponíveis para contracepção de emergência 
incluem o DIU de cobre (Cu-IUD), acetato de ulipristal (UPA), 
levonorgestrel (LNG) e contraceptivos orais combinados 
(COC). O DIU de cobre pode ser inserido até 5 dias após o 
primeiro ato de relação sexual desprotegida ou até 5 dias 
após a ovulação quando esta pode ser estimada. Ele tem 
uma eficácia de 98,5% como contracepção de emergência, 
sendo considerado o método mais eficaz nessa categoria.
O levonorgestrel deve ser administrado, preferencial-
mente, nas primeiras 72 horas, mas é eficaz até 5 dias após 
a relação sexual desprotegida. A dose recomendada é de 
1,5 mg em dose única ou 0,75 mg em duas doses com 12 
horas de intervalo, apresentando uma eficácia que varia de 
11 a 24 gestações por mil mulheres. O acetato de ulipristal, 
atualmente indisponível no Brasil, é uma pílula única de 30 
mg, eficaz também até 5 dias após a relação.
Já os contraceptivos orais combinados (COC) são usa-
dos através do método de YUZPE, que consiste em pílulas 
combinadas de etinilestradiol (EE) e levonorgestrel (LNG) 
para aqueles que dispõem apenas de pílulas combinadas. O 
regime envolve administrar 500 mcg de LNG em duas doses 
com 12 horas de intervalo, apresentando uma eficácia de 
75% e 29 gestações por mil mulheres.
A eficácia diminui significativamente com o atraso na 
administração. Os eventos adversos são relativamente leves 
e podem incluir náuseas, vômitos, cefaleia, tontura e alteração 
de sangramento. Não há contraindicações absolutas para o 
uso de anticoncepção de emergência. É importante observar 
que drogas como barbitúricos, carbamazepina, felbamato, 
griseofulvina, oxcarbazepina, fenitoína, rifampicina, erva-de- 
são-joão e topiramato interferem e diminuem sua eficácia. 
A eficácia também pode estar comprometida em pacientes 
com sobrepeso e obesidade.
5.3. Cirúrgicos
A esterilização cirúrgica é considerada um método anti-
concepção definitivo e irreversível. Apesar de existir a pos-
sibilidade de reversão por cirurgia, os pacientes devem ser 
informados de que esta técnica não está disponível em 
muitos serviços de saúde e que a reversão não é garantia 
de uma nova gravidez, e que no caso da reversão de laquea-
dura tubária existe risco aumentado de gestação ectópica. 
A Lei nº 14.443, de 2 de setembro de 2022, altera a Lei 
nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, para regulamentar as 
condições para a esterilização no âmbito do planejamento 
familiar no Brasil. As principais alterações introduzidas pela 
Lei nº 14.443/2022 na Lei nº 9.263/1996 são:
 � Idade ou número de filhos vivos: A esterilização cirúrgica 
é permitida em homens e mulheres com capacidade civil 
plena e maiores de 21 (vinte e um) anos de idade ou, pelo 
menos, com 2 (dois) filhos vivos. Esta alteração reduziu 
a idade mínima anteriormente estabelecida. 
 � Prazo entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico: 
Deve ser observado um prazo mínimo de 60 (sessenta) 
dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico. 
Durante este período, a pessoa interessada terá acesso 
a serviços de regulação da fecundidade e aconselha-
mento multidisciplinar, visando desencorajar a esterili-
zação precoce.
 � Esterilização durante o parto: A esterilização cirúrgica 
em mulher durante o período de parto será garantida à 
solicitante se forem observados o prazo mínimo de 60 
(sessenta) dias entre a manifestação da vontade e o par-
to e as devidas condições médicas.
 � Prazo para disponibilização de métodos contracepti-
vos: A lei também determina que a disponibilização de 
qualquer método e técnica de contracepção dar-se-á no 
prazo máximo de 30 (trinta) dias.
5.3.1. Laqueadura tubárea
Existem diferentes tipos e abordagens para a laqueadura 
tubária. Os principais tipos incluem a laqueadura por lapa-
roscopia, proporcionando imediata eficácia e rápido retorno 
às atividades. A oclusão das trompas pode ser realizada por 
várias técnicas, como a eletrocoagulação, que utiliza energia 
elétrica para coagular e destruir um segmento da trompa de 
Falópio. A eletrocoagulação bipolar é usada exclusivamente 
por via laparoscópica, requerendo a coagulação completa de 
pelo menos 3 cm da trompa, enquanto a eletrocoagulação 
monopolar é raramente utilizada devido ao risco de lesão 
térmica no intestino. Em termos de dispositivos mecânicos, 
existem a banda de silicone (anel de Yoon), o clip de Hulka 
(clip de mola) e o clip de Filshie (clip de titânio revestido de 
silicone), que necessitam de aplicadores especiais e são 
mais eficazes em trompas normais. A excisão tubária, ou 
salpingectomia, envolve a remoção completa ou parcial das 
trompas de Falópio e é cada vez mais comum devido à sua 
alta eficácia contraceptiva, prevenção de doenças tubárias 
e potencial redução do risco de câncer de ovário. Outra 
abordagem é a minilaparotomia, geralmente reservada para 
procedimentos pós-parto e em locais com poucos recursos, 
envolvendo uma incisão menor no abdômen.
A laqueadura tubária pode ser realizada em diferentes 
momentos, conforme diretrizes médicas e legislação vigente 
no Brasil. Os principais momentos incluem: 
 � No período pós-parto imediato, onde a esterilização femi-
nina pode ser realizada logo após o parto, aproveitando 
a internação hospitalar, com a OMS indicando segurança 
para procedimentos até 7 dias após o parto. No Brasil, 
para esterilização durante o parto, é necessário um pra-
Ginecologia
14
zo mínimo de 60 dias entre a manifestação do desejo e 
o parto, conforme já mencionado. 
 � Durante uma cesariana, a laqueadura pode ser realizada 
no momento do parto, evitando uma cirurgia separada. 
Porém, importante ressaltar que a indicação da cesaria-
na deve seguir indicação obstétrica e não a necessidade 
da laqueadura. 
 � Após um aborto, a esterilização pode ser feita imediata-
mente após um aborto espontâneo ou induzido, principal-
mente no primeiro trimestre, com o CDC recomendando 
a colocação de métodos contraceptivos cirúrgicos ime-
diatamente após a conclusão do aborto. 
Como um procedimento de intervalo, a laqueadura é feita 
a qualquer momento fora da gravidez ou pós-parto, sendo 
chamada “esterilização de intervalo,” sendo recomendando 
teste de gravidez antes do procedimento para reduzir a 
probabilidade de gravidez concomitante.
A escolha do método depende de fatores como o momento 
do procedimento, a preferência da paciente, condições médi-
cas existentes e a experiência do cirurgião. A esterilização 
cirúrgica é um método permanente e não protege contra 
infecções sexualmente transmissíveis, como o HIV.
5.3.2. Vasectomia
A vasectomia é tão eficaz quanto a laqueadura tubária 
na prevenção de gravidezes, permitindo um procedimento 
mais simples, seguro, rápido e menos custoso. Sua taxa de 
falha é de apenas 0,15% no primeiro ano, inferior à maioria 
dos métodos de esterilização feminina. Complicações sérias 
são raras, embora dados sobre morbidade e mortalidade 
sejam limitados. O procedimento é menos invasivo do que a 
oclusão tubária, realizado sob anestesia local e não interfere 
na função sexual masculina, mas não previne a gravidez 
ectópica, ao contrário da laqueadura.
Esse método, porém, é severamente subutilizado em 
comparação à esterilização feminina; nos Estados Unidos, 
a taxa de vasectomias é significativamente menor. O acon-
selhamento sobre planejamento familiar costuma focar nas 
mulheres, com pouca informação para homens. Assim, é 
essencial aumentar a conscientização entre os profissionais 
de saúde sobre a importância de discutir planejamento fami-
liar com todos os pacientes. Mais de 80% das vasectomias 
são feitas em consultório, reduzindo o tempo de recuperação.
Embora a vasectomia seja considerada permanente, 
a reversão não garante sucesso ou eficácia equivalente 
à concepçãonatural. O aconselhamento pré-operatório 
deve ser abrangente, incluindo informações sobre técnica, 
segurança, possíveis complicações e alternativas, como 
métodos reversíveis de longa duração. Os homens precisam 
de tempo para tomar uma decisão informada, considerando 
a natureza permanente do procedimento, alternativas dispo-
níveis, detalhes do procedimento, possibilidade de falha e a 
necessidade de proteção contra ISTs. Jovens e homens com 
poucos filhos têm maior probabilidade de se arrependerem 
da esterilização, tornando o aconselhamento cuidadoso 
ainda mais importante.
Após a vasectomia, é fundamental que os pacientes 
realizem uma análise de sêmen pós- vasectomia (PVSA) 
para confirmar a esterilidade antes de descontinuar outros 
métodos contraceptivos. A maioria dos homens está azoos-
pérmica em até três meses, com 98-99% alcançando essa 
condição em seis meses, mas mais da metade não com-
pleta esse teste. É necessário desenvolver estratégias para 
melhorar a adesão ao diagnóstico.
Em relação à elegibilidade, não há condições médicas 
que restrinjam a aptidão de um homem para a vasectomia, 
e não há considerações especiais para aqueles em alto risco 
de HIV, desde que estejam assintomáticos ou apresentem 
formas leves da doença. Cuidado adicional deve ser tomado 
em casos de idade jovem, transtornos depressivos, diabetes, 
lesões escrotais anteriores, varicocele, hidrocele grandes, 
criptorquidismo e lúpus com anticorpos antifosfolipídios 
positivos ou em tratamento imunossupressor.
A legislação brasileira, através da Lei nº 14.443/2022, 
regula a esterilização cirúrgica para homens e mulheres, 
estabelecendo uma idade mínima de 21 anos ou a com-
provação de dois filhos vivos, além de um prazo mínimo de 
60 dias entre a manifestação de vontade e o ato cirúrgico, 
com aconselhamento multidisciplinar.
Tabela 11. Resumo dos métodos contraceptivos hormonais e não hormonais.
LARCs
Hormonais
Oral Injetável Vaginal Transdérmico Intrauterino Subdérmico
Combinados 
(E+P)
COC
Mensal Anel Adesivo
De emergência
Progestagênios 
isolados (P)
POP
Trimestral
SIU-LNG 52 mg
Implante 
etonorgestrelDe emergência SIU-LNG 
19,5 mg
Não hormonais Barreira / Cirúrgicos / Comportamentais
TCu380A
Cu380Ag
Fonte: OMS
Ginecologia
15
6. CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE
Os Critérios de Elegibilidade Médica da Organização Mun-
dial da Saúde (OMS) oferecem orientações sobre a segurança 
de diversos métodos contraceptivos em relação a condições 
de saúde e características específicas. O principal objetivo 
desses critérios é aprimorar o acesso e a qualidade dos 
serviços de planejamento familiar, fornecendo recomenda-
ções baseadas em evidências que ajudem na elaboração ou 
revisão de diretrizes nacionais sobre a elegibilidade médica 
para diferentes métodos contraceptivos.
A OMS classifica a elegibilidade médica em quatro cate-
gorias:
 � Categoria 1: Não há restrição para o uso do método 
contraceptivo.
 � Categoria 2: As vantagens do uso do método geralmente 
superam os riscos.
 � Categoria 3: Os riscos geralmente superam as vantagens 
no uso do método.
 � Categoria 4: O uso do método apresenta um risco ina-
ceitável à saúde.
Em algumas adaptações, um sistema simplificado de 
dois níveis é utilizado para profissionais com julgamento 
clínico limitado: “Use o método” (Categorias 1 e 2) e “Não 
use o método” (Categorias 3 e 4). Isso é útil em contextos 
em que os prescritores de contraceptivos não possuem 
formação médica formal. No entanto, se o profissional tem 
um julgamento clínico mais aprofundado, a categoria 3 
pode ser considerada em casos específicos, como quando 
o risco de uma gestação indesejada é maior que o risco do 
método contraceptivo.
Os Critérios de Elegibilidade são atualizados periodica-
mente com base nas evidências clínicas e epidemiológicas 
mais recentes, com a quinta edição publicada em 2015. 
O processo de revisão envolve a identificação contínua 
de novas evidências e a convocação de grupos de desen-
volvimento de diretrizes para avaliá-las usando a metodo-
logia GRADE (Grading Recommendations, Assessment, 
Development and Evaluation). Para cada tópico prioritário, 
são realizadas revisões sistemáticas para responder a 
perguntas formuladas em PICO (População, Intervenção, 
Comparador, Resultado). As recomendações são mantidas 
em uma escala de 1 a 4 para garantir consistência, ao invés 
de serem classificadas como “fortes” ou “fracas” segundo 
a metodologia GRADE.
O documento abrange todos os métodos contraceptivos, 
incluindo hormonais combinados, progestagênio isolado, dis-
positivos intrauterinos (DIUs), métodos de barreira, métodos 
baseados na percepção da fertilidade, coito interrompido, 
método da amenorreia lactacional, esterilização masculina e 
feminina, e contracepção de emergência. As tabelas listam 
condições médicas relevantes, classificando a elegibilidade 
para início e continuação do uso de cada método em cate-
gorias de 1 a 4. Elas também oferecem esclarecimentos, 
evidências e comentários adicionais para auxiliar profissio-
nais de saúde no aconselhamento.
A aplicação dos Critérios de Elegibilidade em programas 
nacionais deve considerar o contexto do país, a relevância 
das condições médicas para a saúde pública, a capacidade 
do sistema de saúde para rastreamentos e a necessidade de 
garantir a escolha informada e a qualidade do atendimento. 
O julgamento clínico e as preferências do usuário devem 
ser considerados ao selecionar um método contraceptivo.
Exemplos de recomendações incluem o uso de contra-
ceptivos orais combinados (COCs) por mulheres vivendo 
com HIV, que podem utilizá-los (Categoria MEC 1) mas são 
incentivadas a usar preservativos para prevenir a transmis-
são do HIV e outras ISTs. Em contraste, mulheres com HIV 
que apresentam doença clínica grave não devem utilizar um 
DIU, enquanto aquelas com doença leve podem. No caso de 
contraceptivos de progestagênio isolado (POPs), mulheres 
com lúpus com anticorpos antifosfolipídios positivos geral-
mente não devem usá-los. As classificações para hipertensão 
são baseadas na premissa de que não há outros fatores de 
risco para doenças cardiovasculares, e níveis pressóricos 
mais elevados podem resultar em categorias diferentes 
para certos métodos.
Em agosto de 2024, o CDC publicou atualizações signifi-
cativas nos critérios médicos de elegibilidade e nas novas 
recomendações de práticas selecionadas para o uso de 
anticoncepcionais. Essas atualizações substituem e revisam 
as versões de 2016, incorporando novas evidências e contri-
buições de especialistas, e já estão em vigor no aplicativo do 
CDC. Entre as principais mudanças, destacam-se a adição 
de recomendações para pessoas com doença renal crônica, 
incluindo aquelas com síndrome nefrótica, em hemodiálise 
e em diálise peritoneal.
Além disso, as recomendações foram revisadas para 
indivíduos com certas características ou condições clíni-
cas, como amamentação, pós-parto, pós-aborto, obesidade, 
cirurgia, histórico de trombose venosa profunda ou embolia 
pulmonar, com ou sem terapia anticoagulante, trombofilia, 
trombose venosa superficial, doença cardíaca valvular, 
cardiomiopatia periparto, lúpus eritematoso sistêmico, 
cirrose, tumor hepático, anemia falciforme e transplante 
de órgão sólido. As orientações para pessoas com alto 
risco de infecção pelo HIV também foram atualizadas, 
baseando-se em recomendações desenvolvidas e publi-
cadas em 2020.
No que diz respeito às interações medicamentosas com 
antirretrovirais, as orientações foram revisadas para incluir a 
prevenção, além do tratamento para a infecção pelo HIV. Por 
fim, houve a inclusão de métodos contraceptivos adicionais, 
como novas doses ou formulações de contraceptivos orais 
combinados (COCs), adesivos contraceptivos, anéis vagi-
nais, pílulas de progestagênio isolado (POPs), dispositivos 
intrauterinos de levonorgestrel (DIU-LNG) e moduladores 
de pH vaginal.
7. NOMES COMERCIAIS DOS CONTRACEPTI-
VOS HORMONAIS
7.1. Anticoncepcionais combinados orais� Etinilestradiol + Clormadinona
 Belarina, Aixa, Amora, Belara, Cherry, Liberfem
Ginecologia
16
 � Etinilestradiol + Ciproterona
 Artemidis , Diane , Diclin, Duelle, Dunia , Ferane , Jaque, 
Repopil , Selene, Tess
 � Etinilestradiol + Levonorgestrel
 Clic, Level, Miranova, Ciclo 21, Gestrelan, Linofeme, 
Microvlar, Nociclin, Nordette, Neovlar, Triquilar
 � Etinilestradiol + Desogestrel
 Dioless, Primera, Femina, Mercilon, Minian, Microdiol, 
Gracial
 � Etinilestradiol + Gestodeno
 Adoless, Allestral, Mínima, Tâmisa, Tantin, Siblima, Di-
minut, Ginesse, Feminane, Micropil, Previane, Gestinol
 � Etinilestradiol + Drospirenona
 Diva, Feminique, Fucsia, Ingrid, Iumi, Megy, Molièri, Niki, 
Yaz, Dalyne, Elani, Elô, Prevyasm, Yasmin
 � Valerato de estradiol + Dienogeste
 Qlaira
 � 17-β estradiol + Nomegestrol
 Iziz, Stezza
7.2. Injetável mensal (combinado)
 � Cipionato de estradiol + medroxiprogesterona
 Cyclofemina
 � Enantato de estradiol + Algestona Acetofenida
 Aldijet, Ciclovular, Dáiva, Perlumes, Pregnolan, Uno-ciclo 
 � Valerato de estradiol + Enantato de noretisterona
 Mesigyna, Noregyna
7.3. Anel vaginal
 � Etinilestradiol + Etonogestrel
 Nuvaring, Livanel, Exelring
7.4. Adesivo transdérmico
 � Etinilestradiol + Norelgestromina
 Evra
7.5. Pílulas de progestagênio isolado
 � Desogestrel
 Araceli, Careli, Cerazette, Juliet, Mamades, Mylus, Nac-
tali, Onua, Pérola, Rubia
 � Drospirenona
 Ammy, Slinda
 � Noretisterona
 Norestin
7.6. Injetável trimestral
 � Medroxiprogesterona
 Contracep, Demedrox, Depo provera
7.7. Implante subdérmico
 � Etonogestrel
 Implanon NXT
7.8. Sistema intrauterino de levonorgestrel
 � Levonorgestrel
 Mirena, Kyleena
8. FLUXOGRAMAS
Fluxograma 1. Prescrição de Contraceptivos: Perguntas iniciais.
Fonte: Elaborado pela autora.
Ginecologia
17
Fluxograma 2. Prescrição de Contraceptivos: Indicações
Fonte: Elaborado pela autora.
Fluxograma 3. Prescrição de Contraceptivos: Contraceptivos orais.
Fonte: Elaborado pela autora.
Ginecologia
18
Fluxograma 4. Prescrição de Contraceptivos: DIU.
Fonte: Elaborado pela autora.
Fluxograma 5. Prescrição de Contraceptivos: Método apenas com progestógeno.
Fonte: Elaborado pela autora.
Ginecologia
19
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