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Entes Federativos e seus Poderes
MATERIAL DE APOIO
Prof. Lucas Almeida
Introdução
Olá, jovens!
Sejam muito bem-vindos a mais uma disciplina ministrada pelo seu querido professor Lucas
Almeida. É com imenso prazer que recebo cada um de vocês nesta jornada de conhecimento,
descobertas e desafios proporcionados pelo Universo do Direito.
Neste material de apoio, elaborado com muito carinho, cuidado e dedicação, vocês
encontrarão uma valiosa ferramenta para auxiliar nos estudos de nossa disciplina. Ele foi
meticulosamente preparado por mim, com o objetivo de facilitar a compreensão do vasto e
complexo universo que abrange a nossa disciplina.
É importante lembrar a vocês, jovens padawans, que este material de apoio consiste em um
resumo elaborado, em que foi incorporado elementos essenciais da bibliografia sugerida na nossa
disciplina, das aulas ministradas por mim e pelos conteúdos que apresento nos slides. Apesar de
óbvio, é importante lembrar que este material não substitui a leitura dos livros e demais materiais
indicados, este material de apoio, como o próprio nome já diz, é apenas uma fonte complementar
para fortalecer a compreensão e reforçar os pontos mais importantes de nossa disciplina.
O objetivo principal deste material é oferecer a vocês, meus queridos alunos, uma
ferramenta que simplifique o aprendizado, proporcionando uma visão geral coesa dos tópicos
essenciais da disciplina. Porém, como disse antes, é aconselho meus jovens padawans a explorar
também as fontes originais, para que possam aprofundar ainda mais seus conhecimentos e
desenvolver uma compreensão robusta das nuances do Direito.
Reforço também que o processo de aprendizado é uma jornada colaborativa. Então,
aproveitem ao máximo as oportunidades de interagir, discutir, questionar e trazer exemplos, pois é
dessa troca de ideias que surgem insights valiosos. Portanto, jamais tenham vergonha de perguntar
algo ou participar das aulas, eu terei o maior prazer de tirar todas as dúvidas e explicar o conteúdo
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quantas vezes for necessário, assim como eu também jamais terei vergonha de admitir que não sei
a resposta para algum questionamento que vocês me façam.
Desejo a vocês um semestre cheio de conquistas acadêmicas, descobertas valiosas e
enriquecimento pessoal. Estou ansioso para testemunhas o crescimento de cada um de vocês ao
longo deste percurso acadêmico e posteriormente profissional.
Boa sorte, vocês vão precisar.
Com carinho, seu querido professor, Lucas Almeida.
Apresentação da disciplina
Olá, jovens padawans, do 3º período de Direito! É com grande entusiasmo que dou as
boas-vindas a todos vocês para a disciplina de "Entes Federativos e Seus Poderes". Esta matéria,
essencialmente ligado ao Direito Constitucional, nos convida a explorar os intricados meandros da
organização política e administrativa do Estado.
Ao longo dos próximos meses, estaremos imersos em uma jornada de aprendizado que nos
permitirá compreender as estruturas fundamentais que regem a distribuição de poderes e
competências em nosso país. Desde a divisão de atribuições entre União, Estados e Municípios até
a análise minuciosa dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nossa missão é desvendar o
funcionamento dessas instituições e seus órgãos autônomos.
Ao mesmo tempo em que nos dedicamos a estudar a teoria, também seremos desafiados a
refletir sobre a aplicação prática desses conceitos. Como futuros operadores do Direito, é essencial
que compreendamos não apenas as normas e procedimentos, mas também o impacto que têm na
sociedade e na vida das pessoas.
Portanto, convido cada um de vocês a se envolverem ativamente neste processo de
aprendizado. Vamos aproveitar este espaço não apenas para absorver conhecimento, mas também
para questionar, debater e aprofundar nossa compreensão sobre os temas abordados.
Estou muito empolgado para embarcar nessa jornada de descoberta ao lado de vocês. Com
dedicação, curiosidade e colaboração, tenho certeza de que alcançaremos grandes avanços em
nosso entendimento do Direito Constitucional e seu impacto em nossa sociedade. Vamos juntos
nessa jornada de conhecimento e reflexão!
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Organização do Estado
Elementos integrantes do Estado
A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos)
do Estado, quais sejam:
Soberania: é a capacidade suprema e irrevogável de um Estado exercer poder sobre seu
território, povo e relações internacionais. É a característica que o torna independente e
autônomo em relação a outros Estados.
Finalidade: se refere ao objetivo que ele busca alcançar com sua atuação. É a razão de sua
existência e serve como norteador para todas as suas ações.
Povo: O povo é o elemento humano do Estado, composto por todos os indivíduos que
residem em seu território, independentemente de sua nacionalidade, origem ou condição social.
Território: O território é a porção física do planeta sobre a qual o Estado exerce sua
soberania. Inclui o solo, o subsolo, as águas territoriais, o espaço aéreo e o mar territorial.
Os quatro elementos – soberania, finalidade, povo e território – são interdependentes e
indissociáveis. A soberania permite ao Estado exercer seu poder sobre o território e o povo para
alcançar suas finalidades. O povo é a razão de ser do Estado e o destinatário das políticas públicas.
O território é a base física do Estado e a fonte de recursos naturais.
Nesses termos, Dalmo de Abreu Dallari define Estado como “a ordem jurídica soberana
que tem por fim o bem comum de um povo situado em determinado território”. Nesse
conceito se acham presentes todos os elementos que compõem o Estado, e só esses elementos. A
noção de poder está implícita na de soberania, que, no entanto, é referida como característica da
própria ordem jurídica.
A politicidade do Estado é afirmada na referência expressa ao bem comum, com a
vinculação deste a um certo povo e, finalmente, a territorialidade, limitadora da ação jurídica e
política do Estado, está presente na menção a determinado território.
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Forma de governo, Sistema de governo e Forma de Estado
A organização e a estrutura do Estado podem ser analisadas sob três aspectos: forma de
governo, sistema de governo e forma de Estado.
FORMAS DE GOVERNO
República Monarquia
Forma de
governo
O poder reside no povo e é exercido
por seus representantes eleitos.
O poder reside em um
monarca, geralmente hereditário.
Chefe de
Estado
É eleito pelo povo ou por um colegiado
de representantes.
O monarca pode ser
rei, rainha, imperador ou imperatriz.
Mandato Tem tempo determinado e renovável. Vitalício ou até a abdicação.
Exemplos Brasil, Estados Unidos, França. Reino Unido, Espanha, Japão.
SISTEMA DE GOVERNO
Presidencialismo Parlamentarismo
Separação de poderes: Há uma divisão
rígida entre os poderes Executivo, Legislativo
e Judiciário.
Interdependência dos poderes: O poder
Executivo depende do apoio do Legislativo
para governar.
Chefe de Estado e Governo: O presidente
acumula as funções de chefe de Estado e chefe
de governo.
Chefe de Estado: O chefe de Estado (rei ou
presidente) é geralmente uma figura simbólica.
Eleição: O presidente é eleito diretamente
pelo povo.
Chefe de Governo: O chefe de governo é o
primeiro-ministro, líder do partido ou coalizão
majoritária no Parlamento.
Mandato: Tem tempo determinado e
renovável.
Eleição: O primeiro-ministro é eleito pelo
Parlamento.
Exemplos: Brasil, Estados
Unidos, Argentina.
Mandato: Não há tempo
determinado, depende da confiança do
Parlamento.
Exemplos: Reino Unido, Japão, Espanha.
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FORMAS DE ESTADO
Unitário Federado
Soberania
Centralizada, um único poder central
detém a soberania.
Dividida entre o governo federal e os
governos dos estados federados.competência específica.
Em outras palavras, e de forma simplificada, podemos conceituar a licitação como um
procedimento administrativo, um processo seletivo, usado para escolher a melhor oferta para um
contrato administrativo, garantindo que todos que todos os licitantes tenham as mesmas chances.
É importante lembrar, ainda no início do estudo de nossa disciplina, que a “Lei do Cão”, a
Lei nº 8.666/93, no que tange às licitações, não está mais em vigor, o foco de nossa disciplina será
com base na nova lei de licitações, a Lei nº 14.133/2021.
Competência para legislar
De acordo com o art. 22, XXVII da CF/88, compete privativamente à União legislar sobre
normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas
diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecendo
o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos
do art. 173, § 1º, III.
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Atenção! Os entes federativos poderão expedir normas específicas para regulamentação
dos seus procedimentos licitatórios, desde que observados as normas genéricas trazidas na
legislação federal.
Em obediência ao dispositivo constitucional, foi publicada em dezembro de 2020 e, em
substituição à legislação anterior, a Lei nº 14.133/21 traçando as modalidades e tipos de licitação,
bem como definindo seu procedimento, as hipóteses de dispensa e inexigibilidade e demais
procedimentos auxiliares para as contratações públicas.
No âmbito federal, a Lei n 14.133/21 convive com outras três legislações gerais: Lei
nº 8.666/93, Lei nº 10.520/02 (Lei do Pregão) e Lei nº 12.462/11, que trata do Regime
Diferenciado de contratações.
Por fim, podemos concluir que as normas da Lei Geral de Licitações e contratos
que estabelecem as regras específicas são constitucionais para a União e
inconstitucionais para os demais entes federados, que estão sujeitos apenas às normas
gerais editadas no âmbito federal.
Finalidades do procedimento licitatório
A Licitação tem como finalidade viabilizar a melhor contratação possível para o poder
público, sempre buscando a proposta mais vantajosa ao Estado, evitar contratações com sobre
preço ou com preços manifestamente inexequíveis e superfaturamento na execução dos contratos,
buscar incentivar inovações e o desenvolvimento nacional sustentável, bem como permitir que
qualquer pessoa tenha condições isonômicas de participar das contratações públicas, desde que
preencha os requisitos legais, consoante disposição do art. 11 da Lei nº 14.133/2021.
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Resumo esquematizado:
Conceito:
Procedimento administrativo definido por lei e ato administrativo prévio.
Objetivo: selecionar a melhor proposta para um contrato vantajoso, com igualdade de
condições para todos os participantes.
Nova Lei de Licitações: Lei nº 14.133/2021, substituindo a Lei nº 8.666/93.
Competência para Legislar:
União tem competência exclusiva para legislar sobre licitação.
Estados, DF e Municípios podem criar normas específicas, desde que estejam em
conformidade com as normas federais.
Finalidades do Procedimento Licitatório:
Garantir a melhor contratação para o poder público, evitando preços injustos e
superfaturamento.
Incentivar inovações e desenvolvimento sustentável.
Assegurar igualdade de condições para todos os participantes.
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE!
Responsabilidade Civil da Administração e Improbidade Administrativa
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade II, páginas 41 a 42
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Separação dos Poderes
Noções introdutórias
Aristóteles: Identificação das funções do Estado
Aristóteles na Antiguidade grega delineou as bases teóricas da "tripartição de Poderes". Ele
propôs três funções soberanas: legislar, administrar e julgar. No entanto, na época, essas funções
eram concentradas no soberano, que detinha todo o poder decisório.
Isso é ilustrado na famosa frase de Luís XIV, "L’État c’est moi" ("O Estado sou eu"),
refletindo a centralização do poder. Apesar disso, Aristóteles foi fundamental ao destacar as três
funções estatais, mesmo que exercidas por uma única autoridade.
Montesquieu: Correspondência entre a divisão funcional e a divisão orgânica
Montesquieu avançou a teoria de Aristóteles no Estado liberal burguês, concebendo a
separação de poderes em órgãos autônomos e independentes. Isso contrastava com o absolutismo,
onde todas as funções estavam concentradas no soberano.
Essa ideia foi fundamental para movimentos revolucionários, como as revoluções
americana e francesa, e é um dogma constitucional. Segundo essa teoria, cada Poder teria uma
função própria e atuaria de forma independente, diferente do absolutismo unilateral.
Essa separação de poderes não foi uma invenção singular, mas sim uma evolução empírica
da constituição inglesa, consagrada no Bill of Rights de 1689, e teorizada por Locke. Montesquieu
popularizou essa ideia em "O espírito das leis", tornando-a uma das doutrinas políticas mais
célebres.
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Finalidade da separação dos poderes
A separação de poderes visa preservar a liberdade individual ao combater a concentração
de poder. Essa distribuição entre órgãos estatais, independentes entre si, impede o despotismo e
promove uma abordagem liberal do Estado.
O princípio da separação de poderes busca garantir a liberdade individual de duas maneiras:
promovendo a colaboração e o consenso entre as autoridades estatais na tomada de decisões e
estabelecendo mecanismos de fiscalização e responsabilização recíproca dos poderes, conhecidos
como freios e contrapesos.
Curiosidade nerd extra!
Exemplos:
O Judiciário pode revisar atos do Legislativo que violem a reserva constitucional
de jurisdição.
O Senado Federal tem o poder de julgar o Presidente e o Vice-Presidente da
República por crimes de responsabilidade.
O STF pode condenar parlamentares federais corruptos que se beneficiem
indevidamente de seu cargo.
As medidas provisórias adotadas pelo Presidente da República podem ser
rejeitadas pelo Congresso Nacional.
O Presidente pode sancionar ou vetar projetos de lei aprovados pelo Parlamento.
O Parlamento pode derrubar o veto presidencial.
Se a lei não for promulgada pelo Presidente dentro de 48 horas, o Presidente do
Senado ou o Vice-Presidente do Senado pode fazê-lo.
Os parlamentares podem propor emendas a projetos de lei de iniciativa exclusiva
do Presidente.
O Presidente pode solicitar urgência para a apreciação de projetos de sua iniciativa
pelo Parlamento.
Os juízes podem declarar a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos do
Poder Público.
Os Ministros do STF são nomeados pelo Presidente e aprovados pelo Senado.
O STF tem competência para declarar a inconstitucionalidade de leis ou atos
normativos federais ou estaduais.
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A independência dos Poderes e a indelegabilidade de atribuições
Destacamos em nossas aulas que os "Poderes" (órgãos) são independentes, atuando dentro
de suas competências estabelecidas pelo poder constituinte originário. As atribuições garantidas
não podem ser delegadas de um Poder a outro, seguindo o princípio da indelegabilidade de
atribuições.
Exceções a essa regra, como as leis delegadas do art. 68, requerem uma delegação expressa
do poder constituinte originário, como ocorre com o Legislativo delegando ao Executivo.
As Constituições anteriores à de 1988 explicitaram a cláusula da indelegabilidade e a
possibilidade de interpenetração entre os poderes, manifestando os freios e contrapesos. Embora
a CF/88 não estabeleça essas regras de forma individual e expressa, sua essência é reconhecida no
ordenamento atual para preservar a utilidade da separação de poderes nosEstados modernos.
É importante lembrar que a CF/88 elevou a separação de Poderes à categoria de cláusula
pétrea, conforme o art. 60, § 4.º, III.
Resumo esquematizado:
Origem:
Aristóteles: Identificou as funções do Estado (legislar, administrar e julgar).
Montesquieu: Propôs a divisão dos poderes em órgãos autônomos e independentes.
Finalidade:
Preservar a liberdade individual e combater o despotismo.
Distribuição do poder entre órgãos independentes.
Colaboração e consenso entre os poderes.
Mecanismos de fiscalização e responsabilização recíproca (freios e contrapesos).
Exemplos:
Judiciário revisa atos do Legislativo que violam a Constituição.
Senado julga o Presidente por crimes de responsabilidade.
STF condena parlamentares corruptos.
Congresso Nacional rejeita medidas provisórias.
Presidente sanciona ou veta projetos de lei.
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Parlamento derruba veto presidencial.
Independência dos Poderes:
Órgãos atuam dentro de suas competências.
Atribuições não podem ser delegadas (indelegabilidade de atribuições).
Exceções:
Leis delegadas (art. 68 da CF/88): delegação expressa do poder constituinte originário.
Cláusula pétrea:
Separação de Poderes não pode ser suprimida (art. 60, § 4.º, III da CF/88).
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE!
Separação dos Poderes: funções típicas e atípicas
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade II, páginas 43
Assistir ao vídeo disponível e fazer a leitura dos artigos da CF/88
Poder Executivo
O poder executivo desempenha tipicamente a função administrativa relativa à “execução
de políticas públicas, fomento, gerenciamento da máquina administrativa”, além da
intervenção econômica e outras funções estratégicas para condução do Estado.
Suas funções atípicas de natureza legislativa, vistas acima, devem ser exercidas nos estritos
limites da Constituição. O mandato eletivo é de quatro anos, sendo possível a reeleição para “um
único período subsequente” (art.14, § 5º da CF/88).
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Notas introdutórias
Exercendo funções típicas, o órgão executivo, como já visto, pratica atos de chefia de
Estado, chefia de governo e atos de administração. Atipicamente, o Executivo legisla, por exemplo,
via medida provisória (art. 62) e julga, no “contencioso administrativo”, exercido em caso de defesa
de multa de trânsito, do IPEM, da SEMAB, TIT etc.
O sistema de governo adotado pela CF/88, mantido pelo plebiscito previsto no art. 2º do
ADCT, é o presidencialista, influenciado, historicamente, pela experiência norte-americana. Trata-
se, inclusive, de tradição do direito constitucional pátrio, vivenciada durante toda a República, com
exceção do período de 1961 a 1963. Como se recorda, a Emenda Constitucional nº 04/61, à
Constituição de 1946, instituiu o parlamentarismo, sendo revogada pela Emenda nº 06/63,
restauradora do regime presidencialista, tendo em vista o resultado do referendo realizado em 6 de
janeiro de 1963, que decidiu pelo retorno ao presidencialismo.
Presidencialismo versus Parlamentarismo
No sistema presidencialista, o Presidente da República detém tanto as funções de Chefe de
Estado quanto as de Chefe de Governo. No parlamentarismo, o Chefe de Estado é o Presidente
da República (em repúblicas parlamentaristas) ou o Monarca (em monarquias parlamentaristas),
enquanto o Chefe de Governo é o Primeiro-Ministro, líder do Gabinete. Abaixo, algumas
características de cada sistema:
Presidencialismo: originário dos Estados Unidos; o Presidente é eleito pelo povo para um
mandato específico; tem ampla liberdade na seleção e exoneração dos Ministros de Estado;
Parlamentarismo: resultado de uma longa evolução histórica, influenciado principalmente pelo
modelo inglês; o Primeiro-Ministro, efetivamente responsável pelo governo, é indicado pelo
Chefe de Estado e precisa da aprovação do Parlamento; não há um mandato fixo para o
Primeiro-Ministro, podendo o governo cair por perda de maioria parlamentar ou por voto de
desconfiança; há a possibilidade de dissolução do Parlamento e convocação de novas eleições
pelo Chefe de Estado.
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Conclusão:
No presidencialismo, a separação de funções estatais é mais evidente. Como observado por
Michel Temer (sim, ele de novo, eu sei que você gosta dele!), no parlamentarismo há uma
transferência de parte da atividade executiva para o Legislativo, fortalecendo o papel do Parlamento
não apenas na criação legislativa, mas também na execução. José Afonso da Silva também destaca
a colaboração de poderes no parlamentarismo, em contraste com a independência e harmonia dos
poderes no presidencialismo.
Chefe de Estado e Chefe de Governo
De acordo com o art. 76 da Constituição, o poder executivo é exercido pelo Presidente da
República, auxiliado pelos ministros de Estado, sendo que o presidente atua, a um só tempo,
como chefe de Estado e chefe de governo.
O art. 84 da Constituição traz um rol exemplificativo de atribuições do presidente da
República, como, por exemplo, nomear e exonerar ministros de Estado, manter relações com
Estados estrangeiros, sancionar, promulgar e fazer publicar leis, decretar e executar a intervenção,
dispor sobre decreto sobre a organização da Administração Federal e muitas outras atribuições.
Conforme lecionada Almeida (2019):
O presidente da República é a figura pública máxima por assumir a competência de chefe do Estado
e do governo no Brasil. O chefe de Estado atua externamente na condição de chefe da República
Federativa do Brasil, ou seja, representa o país no plano externo ou internacional. Já o chefe de
Governo atua internamente como chefe da União, ou seja, do governo federal”.
As atribuições podem ser assim exemplificadas:
Chefia de Governo: art. 84, I a VI, IX a XXVII.
Chefia de Estado: art. 84, VII, VIII e XIX.
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Curiosidade nerd extra!
QUADRO SINÓPTICO DE PODER EXECUTIVO
Tópico Descrição
Conceito
→ Função administrativa do Estado.
→ Chefia de Estado e de Governo.
Características
→ Unidade
→ Continuidade
→ Hierarquia
→ Discricionariedade
Níveis
→ Federal: Presidente da República
→ Estadual: Governador
→ Municipal: Prefeito
Atribuições
→ Administração pública
→ Execução das leis
→ Iniciativa de leis
→ Edição de decretos
→ Comando das Forças Armadas
→ Representação internacional
Estrutura
→ Ministérios
→ Secretarias
→ Autarquias
→ Fundações
Controle do Poder
Executivo
→ Político: pelo Congresso Nacional (CPI, impeachment)
→ Jurídico: pelo Poder Judiciário (mandado de segurança, ação popular)
→ Administrativo: pelos Tribunais de Contas
Resumo esquematizado:
Funções:
Típicas:
o Administração pública.
o Execução de leis.
o Chefia de Estado e Governo.
Atípicas:
o Legislação (medida provisória).
o Julgamento (contencioso administrativo).
Sistema de Governo:
Presidencialista:
o Chefe de Estado e Governo: Presidente da República.
o Mandato fixo de 4 anos, com reeleição.
o Ampla liberdade na escolha de ministros.
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Chefe de Estado e Chefe de Governo:
Chefe de Estado: Representa o país no exterior.
Chefe de Governo: Lidera a administração interna.
Atribuições do Presidente da República:
o Nomear e exonerar ministros.
o Manter relações internacionais.
o Sancionar leis.
o Decretar intervenção.
o Dispor sobre a organização da Administração Federal.
Exemplos de Atribuições:
Chefia de Governo:
o Nomear ministros.
o Gerir a administração pública.
o Executar as leis.
Chefia de Estado:
o Representar o país no exterior.
o Manter relações internacionais.
o Celebrar tratados.
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE!
Condições de Elegibilidade e Processo eleitoral
Assistir ao vídeo recomendado no AVA (eBook)
Tópico 3.5 da Unidade II do AVA
Leiturados artigos da CF/88
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Órgãos auxiliares do Presidente da República
Você, jovem padawan, deve imaginar que o exercício do Presidente da República não é tão
simples (ou não), apesar de todos os poderes e prerrogativas. Porém existem algumas atribuições
que, por mais competente que o Presidente da República seja, é humanamente impossível dar conta
de todas elas, uma vez que é preciso cuidar de assuntos como saúde, segurança, educação, relações
externas, mercado, entre muitas outras.
Então, o exercício das funções do Presidente da República demanda uma estrutura
organizacional robusta e eficiente, capaz de auxiliá-lo na tomada de decisões, na execução de
políticas públicas e na representação do Estado.
Dada a complexidade e a abrangência das responsabilidades presidenciais, é imprescindível
contar com órgãos auxiliares que possam oferecer suporte técnico, administrativo e político para
garantir o bom funcionamento da gestão governamental. Esses órgãos desempenham papéis
específicos, fornecendo informações, elaborando propostas, coordenando atividades e
representando o Presidente em diferentes contextos, permitindo-lhe focar em questões estratégicas
e decisões de maior relevância.
Em suma, os órgãos auxiliares são essenciais para que o Presidente da República possa
exercer suas funções com eficiência e alcançar os objetivos estabelecidos para o seu mandato.
Então, agora, nosso estudo vai focar nesses órgãos auxiliares.
Ministros de Estado
As atribuições dos Ministros de Estado estão dispostas no art. 87 da CF/88, são elas:
Orientar, coordenar e supervisionar os órgãos e entidades da administração federal
relacionadas com sua pasta.
Referenciar os atos e decretos da presidência.
Dar instruções para execução de normas.
Apresentar o relatório anual de gestão para o presidente, evidenciando as ações executadas
por seu Ministério.
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Atenção! Nem todos os cidadãos podem ser ministros! Os ministros devem ter mais de 21
anos, além de estar em gozo dos seus direitos políticos. O cargo de Ministro da Defesa só pode ser
ocupado por brasileiro nato (art. 12, § 3º, da CF/88). Os demais ministros podem ser brasileiros
natos ou naturalizados.
Conselho da República e Conselho de Defesa Nacional
Trata-se de órgão de natureza consultiva com competência para assessorar a Presidência da
República em casos de intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio, bem como nas
questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas (art. 90 da CF/88).
Curiosidade nerd extra!
Sua composição inclui tanto membros do Executivo quanto membros do poder Legislativo mas
seja: vice-presidente da República, presidente da Câmara dos Deputados, presidente do Senado
Federal, os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados, os líderes da maioria e da
minoria do Senado Federal, o Ministro da Justiça e, ainda, 6 cidadãos brasileiros natos, com mais
de 35 anos de idade, sendo 2 nomeados pelo Presidente da República, 2 eleitos pelo Senado
Federal e 2 eleitos pela Câmara dos Deputados. No caso dos cidadãos, seus mandatos serão de
3 anos, vedada a recondução (art. 89 da CF/88).
Conselho de Defesa Nacional
Este órgão de natureza consultiva e a atribuição de opinar nas hipóteses de declaração de
guerra e de celebração de paz, sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da
intervenção federal e diversas outras iniciativas necessárias a garantir a Independência nacional e a
defesa do estado democrático, conforme disciplina o artigo 91 parágrafo primeiro da Constituição
federal.
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Curiosidade nerd extra!
Uma importante diferença em relação ao Conselho da República: o Conselho de Defesa
Nacional não conta com participantes populares, sendo composto pela participação do vice-
presidente da República, do presidente da Câmara dos Deputados, do presidente do Senado
Federal, dos Ministros da Justiça, Defesa, Relações Exteriores, Planejamento, Ministros Militares
e dos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.
Responsabilidade do Presidente da República: prerrogativa de foto e
imunidades
Os crimes de responsabilidade do Presidente da República, delineados no art. 85 da CF/88,
representam infrações político-administrativas que podem afetar a estrutura básica do Estado e
comprometer o funcionamento dos poderes constitucionais. Essas transgressões são muito graves,
incluindo desde atentados à existência da União até violações à lei orçamentária e ao cumprimento
das decisões judiciais.
Curiosidade nerd extra!
A Lei nº 1.079/1950 estabelece o rito para apuração e julgamento desses crimes, sendo o
impeachment uma das consequências possíveis desse processo.
Existem importantes teses desenvolvidas pelo Supremo Tribunal Federal relacionadas ao
impeachment, como a ausência de direito à defesa prévia na fase de recebimento da denúncia pela
Câmara dos Deputados e a possibilidade de aplicação subsidiária dos Regimentos Internos das
casas legislativas. Além disso, vale destacar a relevância da composição proporcional da comissão
especial e a necessidade de votação aberta no Senado Federal para o recebimento da denúncia.
Por outro lado, a Constituição também prevê imunidades formais para o Presidente da
República, como a impossibilidade de prisão por infrações comuns durante o mandato e a não
responsabilização por atos estranhos ao exercício de suas funções. A prerrogativa de foro,
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estabelecida no artigo 102, I, b) da CF/88, confere ao STF a competência originária para processar
e julgar os crimes de responsabilidade do presidente.
A recente tese fixada pelo STF na AP 937 busca esclarecer a extensão da prerrogativa de
foro, limitando sua aplicação aos crimes relacionados ao exercício do cargo presidencial e
estabelecendo que a competência não pode ser alterada após o final da instrução processual. Essas
medidas visam promover a harmonização das interpretações sobre a duração e a abrangência da
prerrogativa de foro, garantindo um sistema judiciário mais eficiente e coerente.
Prerrogativas Imunidades
Prerrogativa de foro: Compete
originariamente ao STF processar e julgar as
infrações penais comuns do Presidente da
República.
Competência para julgamento: Se admitida
a acusação pela Câmara dos Deputados, o
presidente será submetido a julgamento
perante o STF (infrações penas comuns) ou
perante o Senado Federal (crimes de
responsabilidade).
Extensão da prerrogativa de foro: Limitada
aos crimes relacionados ao exercício do cargo
presidencial; competência não pode ser
alterada após a instrução processual.
Não pode ser preso por infrações penais
comuns durante o mandato presidencial.
Não pode ser responsabilizado por atos
estranhos ao exercício de suas funções durante
o mandato. (Ex: corrupção antes de ser eleito)
O objetivo das imunidades é proteger o
presidente em exercício de ser alvo de
responsabilização por condutas que não estão
diretamente ligadas ao exercício de seu cargo,
garantindo assim a estabilidade do mandato e a
independência do chefe de Estado para exercer
suas funções.
Resumo esquematizado:
Introdução:
Exercício do Presidente da República não é simples devido à abrangência de
responsabilidades.
Atribuições complexas demandam uma estrutura organizacional eficiente.
Ministros de Estado:
Responsabilidades conforme o art. 87 da CF/88:
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Orientar, coordenar e supervisionar órgãos relacionados à pasta.
Referenciar atos e decretos presidenciais.
Dar instruções para execução de normas.
Apresentar relatório anual de gestão.
Conselho da República e Conselho de Defesa Nacional:
Natureza consultiva.
Assessoramento em casos de intervenção federal, estado de defesa, entre outros.
Composição inclui membros do Executivo e do Legislativo.Responsabilidade do Presidente da República:
Crimes de responsabilidade delineados no art. 85 da CF/88.
Lei nº 1.079/1950 estabelece rito para apuração e julgamento.
Imunidades formais: impossibilidade de prisão por infrações comuns durante o mandato e
não responsabilização por atos estranhos ao exercício das funções.
Prerrogativas e Imunidades:
Prerrogativa de Foro:
o Competência originária do STF para processar e julgar infrações penais comuns.
o Competência para julgamento perante o STF (infrações penais comuns) ou perante
o Senado Federal (crimes de responsabilidade).
o Limitada aos crimes relacionados ao exercício do cargo presidencial.
Imunidades:
o Não pode ser preso por infrações penais comuns durante o mandato.
o Não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções
durante o mandato.
o O objetivo das imunidades é garantir a estabilidade do mandato e a independência
do Chefe de Estado para exercer suas funções.
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE!
Governador de Estado e Prefeito Municipal
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade II, páginas 48 a 50
Resolver o questionário do AVA Unidade IISubdivisões
As subdivisões do Estado
(estados, províncias) possuem
autonomia limitada.
Os estados federados possuem
autonomia política, administrativa e
financeira.
Exemplos Reino Unido, França, China. Brasil, Estados Unidos, Alemanha.
O Brasil adotou a forma republicana de governo, o sistema presidencialista de governo e a
forma federativa de Estado.
Formas de Estado
José Afonso da Silva, sim, aquele mesmo que dividiu as classificações das normas
constitucionais quanto à sua eficácia, em plena, contida e limitada, você deve lembrar dele do
semestre passado, jovem padawan, pois é, ele define que o exercício do poder político em relação
ao território determina a forma de Estado, então:
Se há apenas uma unidade de poder sobre o território, trata-se de Estado Unitário.
Se o poder é dividido, gerando organizações regionais autônomas, estamos diante de um
Estado Federado.
A repartição de poderes autônomos é central no Estado Federal, ao contrário do unitário,
que concentra o poder nacionalmente. O Estado unitário pode ser descentralizado
administrativamente, mas não de maneira federativa, como nas federações. Há também Estados
regionais e autonômicos, intermediários entre o federal e o unitário, caracterizados pela
descentralização administrativa e legislativa.
Porém, jovem padawan, o foco do nosso estudo nesta disciplina é na forma federativa de
Estado, que é justamente a adotada em nosso país.
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Resumo esquematizado:
Elementos integrantes do Estado:
Soberania: Capacidade suprema de um Estado de exercer poder sobre seu território, povo
e relações internacionais.
Finalidade: Objetivo que o Estado busca alcançar com sua atuação, sendo a razão de sua
existência.
Povo: Composto por todos os indivíduos que residem em seu território, independente de
nacionalidade ou origem.
Território: Porção física do planeta sobre o qual o Estado exerce sua soberania, incluindo
solo, subsolo, águas territoriais, espaço aéreo e mar territorial.
Forma de governo, Sistema de governo e Forma de Estado:
Forma de governo: República ou Monarquia.
Sistema de governo: Presidencialismo ou Parlamentarismo.
Forma de Estado: Estado unitário ou Federação.
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE!
Organização do Estado Brasileiro: Formas de Estado e características do
Estado Federal
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade I, páginas 12 a 14
Assistir: https://www.youtube.com/watch?v=pillDDMZ9gw
IES Play: Instituições Democráticas e Ordem Social
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Federalismo Brasileiro
Breve histórico
Vai ser breve mesmo, confia!
Provisoriamente, a Federação no Brasil surge com o Decreto nº 1, de 15/11/1889, você
deve lembrar do nosso estudo sobre o histórico das constituições brasileiras no semestre passado,
né, jovem padawan?
Pois bem, este decreto instituiu, também, a forma republicana de governo. A consolidação
veio com a primeira constituição republicana, de 1891, que em seu art. 1º estabeleceu o seguinte:
“A nação Brazileira adopta como fórma de governo, sob o regimen representativo, a Re pública Federativa
proclamada a 15 de novembro de 1889, e constitue-se, por união perpetua e indissolúvel das suas antigas provincias,
em Estados Unidos do Brazil”.
As Constituições posteriores mantiveram a forma federativa de Estado, porém, não se pode
deixar de registrar o entendimento de alguns doutrinadores, segundo o qual, nas Constituições de
1937 e de 1967, bem como durante a vigência da Emenda n. 1/69, tivemos no Brasil somente uma
Federação de fachada.
Federação na Constituição de 1988
Conforme prometido, fizemos um resumo mais rápido que coice de bacurim sobre o
histórico do federalismo brasileiro. Então, agora podemos fazer sobre a atual forma de estado do
nosso querido Brasil.
Composição e sistematização
O art. 1.º da CF/88 afirma que a República Federativa do Brasil é formada pela união
indissolúvel dos Estados, Municípios e Distrito Federal, constituindo-se em Estado Democrático
de Direito. O art. 18 complementa, estabelecendo a organização político-administrativa do país,
que compreende a União, Estados, Distrito Federal e Municípios, todos autônomos.
José Afonso da Silva, cito porque eu sei que vocês adoram ele, destaca que a organização
político-administrativa compreende essas entidades, ressaltando que a expressão “união
indissolúvel” do art. 1.º é equivalente à “União” do art. 18, sendo uma repetição desnecessária.
Fundamentos da República Federativa do Brasil.
8
Então, em resumo, podemos fazer a seguinte esquematização sobre a organização do Brasil:
Forma de governo: República.
Forma de estado: Federação.
Característica do Estado brasileiro: trata-se de Estado de Direito, democratizado, ou seja,
Estado Democrático de Direito.
Entes componentes da Federação: União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
Sistema de governo: Presidencialista.
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE!
Repartição de competências: Competência material exclusiva enumerada
da União e do Município.
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade I, páginas 17 a 21
Assistir ao vídeo recomendado no tópico 1.3 do AVA
IES Play: Sistema Constitucional de Crises
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União Federal
Vimos em sala de aula que a República Federativa do Brasil é composta pela União Federal,
Estados-Membros, Distrito Federal e Municípios, formando o Estado federal, ou seja, o país Brasil.
A União é a congregação das comunidades regionais, ou Estados-membros, além do Distrito
Federal e Municípios.
Enquanto a República Federativa do Brasil é soberana internacionalmente, os entes
federativos são autônomos entre si. A União tem uma "dupla personalidade", atuando tanto
internamente como pessoa jurídica de direito público, com autonomia financeira, administrativa e
política, quanto internacionalmente representando o país. Por exemplo, a União representa a
Federação em assuntos internacionais e intervém em Estados-membros internamente.
Capital Federal
Brasília é a atual Capital Federal, em contraste com a Constituição anterior que designava
o Distrito Federal como a Capital da União. Juscelino Kubitschek inaugurou Brasília em
21/04/1960, seguindo a orientação constitucional de interiorização do país.
Segundo, sim, ele de novo, José Afonso da Silva, Brasília possui uma posição jurídica
específica como cidade-centro e sede do Governo Federal, embora não seja sede de Município.
Além disso, é a sede do governo do Distrito Federal, conforme a Lei Orgânica do DF. O Congresso
Nacional pode, por lei ordinária, autorizar a transferência temporária da sede do Governo Federal,
como ocorreu em 1993 quando a sede foi transferida simbolicamente para Salvador durante a III
Conferência Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo. Essas transferências são
temporárias e simbólicas, sendo a Capital Federal sempre Brasília.
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Bens da União
O art. 20 da CF/88 define os bens da União. Em relação a esse tema, para os concurseiros,
sugiro uma breve leitura do referido art. 20 da CF/88, porque é um tema bem decoreba e nesse
artigo estão listados todos os bens da União.
Porém, como estamos em uma faculdade de Direito, é importante fazer alguns comentários
sobre alguns bens da União, geralmente os mais cobrados em provas de concurso, também por se
tratar de um assunto muito relacionado com o Direito Administrativo. Mas é jogo rápido.
→ Terrenos de marinha: localizados a uma profundidade de 33 metros a partir da linha do preamar-
médio de 1831, incluindo áreas no continente, costa marítima, margens de rios e lagoas, e ilhas
onde há influência das marés.
→ Terrenos acrescidos de marinha: formados natural ou artificialmente em continuação aos
terrenos demarinha.
→ Mar territorial: faixa de 12 milhas marítimas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental
e insular brasileiro.
→ Zona contígua: faixa entre 12 e 24 milhas marítimas, além do mar territorial.
→ Zona econômica exclusiva: faixa entre 12 e 200 milhas marítimas, além do mar territorial.
→ Plataforma continental: leito ou subsolo das áreas marítimas além do mar territorial, até o limite
de 200 milhas marítimas.
→ Faixa de fronteira: faixa de até 150 quilômetros de largura ao longo das fronteiras terrestres,
incluindo terras devolutas pertencentes à União.
→ Participação nos resultados da exploração de recursos: assegurada à União, Estados, Distrito
Federal e Municípios, nos termos da lei, pela exploração de petróleo, gás natural, recursos hídricos
para geração de energia elétrica e outros recursos minerais em seus territórios.
Competências da União Federal
Imagine um time de futebol formado por jogadores que não sabem qual posição deverão
desempenhar na partida. É possível que mais de um queira atuar como goleiro ou que vários
queiram ser atacantes, disputando o título de artilheiro. E é provável que o time não funcione bem.
Esse problema hipotético demonstra a razão pela qual toda a organização necessita da distribuição
de competências dos seus membros, de forma clara e específica. No caso da Federação,
considerando que os diversos entes possuem autonomia e capacidade normativa, é preciso que a
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Constituição delimite as competências e atribuições de cada um, de modo a evitar conflitos e
desperdício de recursos. A repartição de competências é essencial para o equilíbrio da Federação.
Ao longo dos anos e das experiências dos diversos estados federados, desenvolveram-se
diversas técnicas de repartição de competência. Conforme classificam Mendes e Branco (2017),
por vezes, a repartição definirá competências exclusivas ou horizontais (como é o caso das
competências materiais exclusivas e das competências legislativas privativas) e, em outros
momentos, é possível que haja distribuição de uma mesma competência de forma vertical a mais
de um ente, como é o caso das competências comuns e concorrentes.
As competências materiais ou administrativas, conforme destaca Fernandes (2010) estão
relacionadas a processos de tomada de decisões, gerenciamento da administração e execução de
políticas públicas. As competências legislativas estão relacionadas à capacidade de editar normas.
É comum que as competências materiais estejam relacionadas com as competências
legislativas, e que estas guardem correspondência com o tipo de interesse detido pelo ente da
federação por aplicação do princípio do predomínio dos interesses.
Competência não legislativa (administrativa ou material)
A competência não legislativa da União, também conhecida como administrativa ou
material, regula a atuação política-administrativa, sendo exclusiva ou comum aos entes federativos:
Competência exclusiva: prevista no art. 21 da CF/88 (Leia!).
Competência comum: estabelecida no art. 23 da CF/88 para União, Estados, Distrito Federal e
Municípios (Leia também!).
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Leis complementares cooperativas, conforme o parágrafo único do art. 23, buscam
equilibrar o desenvolvimento nacional. Por exemplo, a LC n. 140/2011 regula a cooperação entre
os entes na proteção ambiental.
O objetivo é claro: como se trata de competência comum a todos, ou seja, concorrente no
sentido de todos os entes federativos poderem atuar, o objetivo de referidas leis complementares
é evitar não só conflitos, como também a dispersão de recursos, procurando estabelecer
mecanismos de otimização dos esforços.
Quando ocorrem conflitos entre os entes federativos durante o exercício dessas
competências, pode-se considerar o critério da preponderância de interesses. No entanto, o
federalismo cooperativo também observa os princípios de subsidiariedade e proporcionalidade,
como defendido pelo Min. Fachin no caso da proibição do amianto (falaremos já sobre ele).
Para facilitar seus estudos, jovem padawan, vou explicar melhor o parágrafo anterior,
trazendo os conceitos e objetivos dos termos citados acima:
Sobre o critério da preponderância de interesses, em caso de conflito de competência
entre os entes federativos, o seu objetivo é determinar qual ente federativo tem maior interesse e
capacidade para regular determinada matéria. A análise deste critério é feita respondendo três
questões básicas:
→ Abrangência do interesse: local, regional ou nacional?
→ Eficiência: qual ente pode regular de forma mais eficaz?
→ Peculiaridades locais: há necessidade de uma regulação específica para a região?
Em relação ao princípio da subsidiariedade, ele defende que a intervenção do ente maior
só pode ocorrer quando o ente menor não conseguir solucionar o problema. O objetivo deste
princípio é fortalecer a autonomia dos entes federativos. A sua aplicação, na prática, ocorre quando
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é dada a chance para o ente menor resolver o problema, a intervenção do ente maior só deve
ocorrer de forma excepcional e justificada.
O princípio da proporcionalidade, corolário do princípio da subsidiariedade, é aplicável
para garantir que a intervenção do ente maior seja a menos gravosa possível para os entes inferiores.
O objetivo é evitar excesso de centralização e garantir a autonomia dos entes federativos. Sua
aplicação se dá com a análise da necessidade e adequação da medida, bem como dos meios
utilizados para os fins desejados.
O caso do amianto no STF, se deu por causa de um conflito legislativo, onde leis estaduais
e municipais proibiram o uso do amianto, enquanto a legislação federal não o proibia. O STF
debateu o tema em diversos julgamentos (ADIs 3.356, 3.357, 3.937, 4.066 e ADF 109), mas a tese
fixada foi em favor da presunção da autonomia dos entes federativos, dando validade às leis
estaduais e municipais, pois a União não havia legislado sobre o tema de forma completa e eficaz,
aplicando, então, os princípios da subsidiariedade e proporcionalidade.
Os critérios da preponderância de interesses e os princípios da subsidiariedade e
proporcionalidade são ferramentas importantes para solucionar conflitos de competência no
Federalismo Cooperativo. No caso do amianto, como vimos, o STF os aplicou para garantir a
proteção da saúde pública e, ao mesmo tempo fortalecer a autotomia dos entes federativos.
Embora a ideia de federalismo cooperativo tenha ganhado força, como em casos
relacionados à pandemia de Covid-19, o STF tem capitulado a competência da União em questões
que transcendem interesses locais, como telecomunicações.
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Competência legislativa
A competência legislativa da União, definida pela Constituição, inclui:
Competência privativa: prevista no art. 22 da CF/88. Outros entes federativos podem
legislar sobre questões específicas dessas matérias mediante autorização da União por meio de
lei complementar.
Competência concorrente: estabelecida no art. 24 da CF/88, onde a União só pode legislar
sobre normas gerais. Em caso de inação da União, os Estados e o Distrito Federal podem
suplementar a legislação federal, desde que não haja conflito.
Competência tributária expressa: prevista no art. 153 da CF/88.
Competência tributária residual: estabelecida no art. 154, I da CF/88, para instituição de
impostos não previstos no art. 153.
Competência tributária extraordinária: definida no art. 154, II da CF/88, para instituir
impostos extraordinários em situações de guerra externa.
Em relação a estas competências, sugiro a leitura dos artigos e incisos indicados, trata-se de
um tema “decoreba”, sem muitos detalhes dignos de nossa atenção por enquanto, já que serão
temas que iremos revisitar no futuro. Então, como diria Jack, o estripador: vamos por partes.Mas,
pra quem quiser um aprofundamento maior, sugiro a leitura capítulo do livro “Direito
Constitucional Esquematizado” de Pedro Lenza, sobre o assunto.
Regiões Administrativas ou de Desenvolvimento
O art. 43 da CF estabelece que a União pode articular sua ação em complexos
geoeconômicos e sociais visando ao desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais.
Lei complementar disporá sobre as condições para integração de regiões em
desenvolvimento e a composição dos organismos regionais que executarão os planos regionais,
integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social.
Dentre os incentivos regionais, destacam-se igualdade de tarifas, juros favorecidos para
financiamento, isenções de tributos e prioridade para aproveitamento de recursos hídricos em
regiões de baixa renda.
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O § 3.º do art. 43 prevê que a União incentivará a recuperação de terras áridas e cooperará
com pequenos e médios proprietários rurais para estabelecimento de fontes de água e irrigação,
destinando recursos específicos para o Centro-Oeste e Nordeste.
Exemplos incluem SUDENE, SUDAM, SUFRAMA, e as Regiões Administrativas
Integradas de Desenvolvimento da Grande Teresina e do Polo Petrolina/PE e Juazeiro/BA.
A extinção da SUDENE e SUDAM deu lugar às Agências de Desenvolvimento do
Nordeste (ADENE) e da Amazônia (ADA), posteriormente restabelecidas como SUDAM e
SUDENE pela LC n. 124/2007 e LC n. 125/2007, respectivamente.
Resumo esquematizado:
União Federal:
Entidade federativa que, junto com os Estados, Distrito Federal e Municípios, formam a
República Federativa do Brasil.
Possui "dupla personalidade": atua internamente como pessoa jurídica de direito público e
externamente representando o país.
Capital: Brasília.
Competências da União Federal:
Competência não legislativa (administrativa ou material):
o Exclusiva: Art. 21 da CF/88.
o Comum: Art. 23 da CF/88.
Leis complementares cooperativas: buscam equilibrar o desenvolvimento
nacional.
Critérios para resolução de conflitos:
Preponderância de interesses.
Princípio da subsidiariedade.
Princípio da proporcionalidade.
Caso do amianto no STF.
Competência legislativa:
o Privativa: Art. 22 da CF/88.
o Concorrente: Art. 24 da CF/88.
o Tributária:
Expressa: Art. 153 da CF/88.
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Residual: Art. 154, I da CF/88.
Extraordinária: Art. 154, II da CF/88.
Regiões Administrativas ou de Desenvolvimento:
Art. 43 da CF/88: União pode articular sua ação em complexos geoeconômicos e sociais
para reduzir desigualdades regionais.
Lei complementar: disporá sobre as condições para integração de regiões em
desenvolvimento e a composição dos organismos regionais.
Incentivos regionais:
o Igualdade de tarifas.
o Juros favorecidos para financiamento.
o Isenções de tributos.
o Prioridade para aproveitamento de recursos hídricos.
Exemplos: SUDENE, SUDAM, SUFRAMA, etc.
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE!
Competência legislativa remanescente do Estado. Competência exclusiva e
suplementar do Município. Competência legislativa reservada ao Distrito
Federal.
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade I, páginas 25 a 27
Resolver questionário da Unidade I do AVA
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Estados-Membros
Os Estados federados têm autonomia para auto-organização, auto governo,
autoadministração e autolegislação, mas não soberania, como estabelece a Constituição. São
autônomos internamente, dentro de suas competências definidas constitucionalmente:
Auto-organização: regida pelas leis e Constituições estaduais, conforme o art. 25 da CF.
Autogoverno: estruturado pelos poderes Legislativo (Assembleia Legislativa), Executivo
(Governador do Estado) e Judiciário (Tribunais e Juízes), conforme os arts. 27, 28 e 125.
Autoadministração e autolegislação: competências legislativas e não legislativas definidas
nos arts. 18 e 25 a 28 da CF.
Bens dos Estados-Membros
Aqui é jogo rápido, um copia e cola do art. 26 da Constituição Federal.
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes,
emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na
forma da lei, as decorrentes de obras da União;
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem
no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União,
Municípios ou terceiros;
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da
União.
Competências dos Estados-Membros
Competência não legislativa (administrativa ou material)
Comum (cumulativa, concorrente, administrativa ou paralela): trata-se de competência
não legislativa comum aos quatro entes federativos, quais sejam, a União, Estados, Distrito
Federal e Municípios, prevista no art. 23 da CF/88;
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Residual (remanescente ou reservada): são reservadas aos Estados as competências
administrativas que não lhes sejam vedadas, ou a competência que sobrar (eventual resíduo),
após a enumeração dos outros entes federativos (art. 25, § 1.º), ou seja, as competências que
não sejam da União (art. 21), do Distrito Federal (art. 23), dos Municípios (art. 30, III a IX) e
comum (art. 23).
Competência legislativa
Para os Estados-Membros, as competências legislativas foram definidas da seguinte forma:
Expressa: Capacidade de auto-organização regida pelas Constituições e leis estaduais,
conforme o art. 25, caput, da CF/88.
Residual (remanescente ou reservada): Competência que não é vedada, reservada aos
Estados-Membros, conforme o art. 25, § 1.º.
Delegada pela União: Autorização da União para os Estados legislarem sobre questões
específicas das matérias de sua competência privativa, conforme o art. 22, parágrafo único.
Concorrente: Competição para legislar entre União, Estados e Distrito Federal, com a União
estabelecendo normas gerais e os Estados normas específicas, conforme o art. 24.
Suplementar: Os Estados podem suplementar a legislação federal em caso de inércia
legislativa da União, regulamentando regras gerais sobre o assunto, conforme os arts. 24, §§
1.º a 4.º.
Tributária expressa: Regulada pelo art. 155 da CF/88, especificamente em direito tributário.
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Resumo esquematizado:
Autonomia:
Auto-organização: leis e Constituições estaduais (art. 25 da CF).
Autogoverno: poderes Legislativo, Executivo e Judiciário (arts. 27, 28 e 125).
Autoadministração e autolegislação: competências legislativas e não legislativas (arts. 18 e
25 a 28 da CF).
Bens:
Art. 26 da Constituição Federal:
o Águas superficiais e subterrâneas.
o Áreas em ilhas oceânicas e costeiras.
o Ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União.
o Terras devolutas não compreendidas entre as da União.
Competências:
Não legislativa (administrativa ou material):
o Comum: art. 23 da CF/88 (cumulativa com União, DF e Municípios).
o Residual: art. 25, § 1º da CF/88 (competências não vedadas).
Legislativa:
o Expressa: art. 25, caput da CF/88 (auto-organização).
o Residual: art. 25, § 1º da CF/88 (competências não vedadas).
o Delegada pela União: art. 22, parágrafo único da CF/88.
o Concorrente: art. 24 da CF/88 (normas gerais da União e específicas dos Estados).
o Suplementar: arts. 24, §§ 1º a 4º da CF/88 (regulamentação de normas gerais).
o Tributária expressa: art. 155 da CF/88 (direito tributário).
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE!
Administração Pública: Princípios constitucionais da Administração
Pública.
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade II, páginas 33 a 37
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Municípios
O Município é uma pessoa jurídica de direito público interno, autônoma conforme
estabelecido na CF/88. Sua autonomia é evidenciada pela capacidade de auto-organização,
autogoverno,autoadministração e autolegislação, conforme disposto nos artigos 1.º, 18 e capítulo
dedicado aos Municípios na Constituição. Internamente, os Municípios são autônomos dentro de
sua competência constitucionalmente definida. Vejamos:
Auto-organização: Regida pela Lei Orgânica, votada em dois turnos e aprovada por dois
terços dos membros da Câmara Municipal, conforme o art. 29, caput.
Autogoverno: Elege diretamente o Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores, conforme os incisos
do art. 29.
Autoadministração e Autolegislação: Regras de competência estabelecidas no art. 30, a
serem estudadas posteriormente. O STF destacou que a autoadministração implica a
capacidade decisória sobre os interesses locais sem delegação ou aprovação hierárquica.
Formação dos Municípios
O art. 18, § 4.º, da CF/88, conforme a EC n. 15/96, estabelece as etapas para criação,
incorporação, fusão ou desmembramento de Municípios:
Lei complementar federal: Define o período e o procedimento para essas ações.
Estudo de viabilidade municipal: Deve ser apresentado, publicado e divulgado,
demonstrando a viabilidade das ações.
Plebiscito: Consulta às populações dos Municípios envolvidos para aprovar ou não as ações.
Convocado pela Assembleia Legislativa.
Lei estadual: Dentro do período definido pela lei complementar federal, e após estudo de
viabilidade e aprovação plebiscitária, as ações são concretizadas por meio de lei estadual.
O plebiscito é condição para o processo legislativo da lei estadual. O Governador pode
vetar mesmo que aprovada pelo legislativo estadual. A consulta plebiscitária deve envolver as
populações diretamente interessadas.
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O julgamento da ADI 2.240 discutiu as regras do art. 18, § 4.º, especialmente a necessidade
de uma lei complementar federal para determinar o período de criação de novos Municípios.
Falaremos já sobre esse julgamento e os critérios estabelecidos pelo STF para criação de novos
Municípios, mas antes vou mostrar pra você, jovem padawan, como era a redação do art. 18, § 4º
da CF/88 original e como está atualmente, após a EC nº 15/96.
REDAÇÃO ORIGINAL (1988) REDAÇÃO DADA PELA EC N. 15/96
Art. 18, § 4.º: A criação, a incorporação, a fusão e o
desmembramento de Municípios preservarão a
continuidade e a unidade histórico-cultural do ambiente
urbano, far-se-ão por lei estadual, obedecidos os
requisitos previstos em Lei Complementar estadual, e
dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às
populações diretamente interessadas.
Art. 18, § 4.º: A criação, a incorporação, a fusão e o
desmembramento de Municípios far-se-ão por lei
estadual, dentro do período determinado por Lei
Complementar Federal, e dependerão de consulta
prévia, mediante plebiscito, às populações dos
Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de
Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na
forma da lei.
Agora falaremos sobre o julgamento da ADI 2.240!
O julgamento da ADI 2.240 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2009 teve um
impacto significativo na criação de novos Municípios no Brasil. A ação, proposta pelo
Procurador-Geral da República, questionava a constitucionalidade da Lei Complementar
Estadual nº 13/1991 do Estado da Bahia, que previa a criação de um novo Município sem a
observância dos requisitos mínimos estabelecidos na Constituição Federal.
As principais consequências do julgado foram:
1. Suspensão de Leis Complementares Estaduais:
O STF suspendeu a eficácia de diversas Leis Complementares Estaduais que
autorizavam a criação de novos Municípios sem a observância dos requisitos constitucionais.
Essa medida visou evitar a criação irregular de Municípios e garantir que o processo fosse
realizado de forma justa e transparente.
2. Estabelecimento de Critérios Rigorosos:
O STF definiu critérios rigorosos que devem ser observados para a criação de novos
Municípios. Entre esses critérios estão:
Viabilidade econômica e financeira do novo Município;
Consulta prévia à população das áreas afetadas;
Realização de plebiscito;
Análise pelo Tribunal Regional Eleitoral; e
22
Aprovação por lei estadual.
3. Redução no Ritmo de Criação de Municípios:
Após o julgamento da ADI 2.240, o ritmo de criação de novos Municípios no Brasil
diminuiu significativamente. Isso se deve à necessidade de cumprir os critérios rigorosos
estabelecidos pelo STF, o que tornou o processo mais complexo e moroso.
4. Maior Segurança Jurídica:
A decisão do STF contribuiu para aumentar a segurança jurídica no processo de
criação de novos Municípios. A definição de critérios claros e objetivos tornou o processo mais
transparente e previsível, reduzindo o risco de contestações judiciais.
5. Impactos Socioeconômicos:
A redução no ritmo de criação de Municípios pode ter impactos socioeconômicos,
especialmente em áreas com baixa densidade populacional. Por outro lado, a observância dos
critérios rigorosos estabelecidos pelo STF pode contribuir para a criação de Municípios mais
viáveis e sustentáveis do ponto de vista econômico e financeiro.
6. Debates e Reflexões:
O julgamento da ADI 2.240 gerou debates e reflexões sobre a necessidade de revisar
os critérios para a criação de novos Municípios no Brasil. Alguns especialistas defendem a
necessidade de flexibilizar os critérios, enquanto outros argumentam que a rigidez é necessária
para evitar a criação de Municípios inviáveis.
Em resumo, o julgamento da ADI 2.240 foi um marco importante na história da
criação de novos Municípios no Brasil. A decisão do STF estabeleceu critérios rigorosos que
devem ser observados no processo, o que contribuiu para aumentar a segurança jurídica e
reduzir o ritmo de criação de novos Municípios.
A EC n. 15/96 impôs mais requisitos para criação de Municípios, dificultando o processo,
como pretendido pelo legislador reformador. O STF considerou o art. 18, § 4.º, como norma de
eficácia limitada, declarando inconstitucionais leis estaduais que criam Municípios sem lei
complementar federal.
Apesar disso, a necessidade de uma lei complementar federal permanece. O Congresso
aprovou projetos nesse sentido, mas foram vetados por Dilma Rousseff devido ao aumento de
despesas sem correspondente geração de receitas.
23
Competências dos Municípios
Competência não legislativa (administrativa ou material)
Competência comum: compartilhada com a União, Estados e Distrito Federal, regulada pelo
art. 23 da CF/88.
Competência privativa: enumerada no art. 30, III a IX, abrangendo instituição e arrecadação
de tributos, organização de distritos, prestação de serviços públicos locais, educação, saúde,
ordenamento territorial e proteção do patrimônio histórico-cultural.
Competência legislativa
Competências legislativas dos Municípios:
Expressa: capacidade de auto-organização através de lei orgânica (art. 29, caput).
Interesse local: legislar sobre peculiaridades e necessidades locais (art. 30, I).
Suplementar: complementar legislação federal e estadual no interesse local (art. 30, II).
Plano diretor: aprovar e implementar plano diretor para cidades com mais de vinte mil
habitantes (art. 182, § 1.º).
Competência tributária expressa (art. 156).
Competência municipal para legislar sobre meio ambiente e controle da poluição
O STF estabeleceu que os municípios podem legislar sobre meio ambiente em consonância
com União e Estado, desde que dentro de seu interesse local e em harmonia com as leis dos demais
entes federativos (RE 586.224, Rel. Min. Luiz Fux, j. 05.03.2015, Plenário, DJE de 08.05.2015).
Em um caso posterior, o tribunal também confirmou a constitucionalidade de multas
municipais por poluição do ar causada por veículos dentro da cidade (RE 194.704, Rel. Orig. Min.
Carlos Velloso, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, j. 29.06.2017, Plenário, DJE de 17.11.2017).Essas decisões destacam que o interesse local dos municípios não é exclusivo, mas
preponderante, permitindo que legislem dentro de sua esfera de competência em complemento às
leis federal e estadual (Inf. 870/STF).
24
Resumo esquematizado:
Autonomia:
Auto-organização: Lei Orgânica (art. 29, caput).
Autogoverno: Eleição direta de Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores (art. 29).
Autoadministração e Autolegislação: Competências do art. 30.
Formação:
Lei estadual, dentro de período definido por Lei Complementar Federal (EC nº 15/96).
Estudo de Viabilidade Municipal.
Plebiscito nas populações dos Municípios envolvidos.
Critérios para criação (ADI 2.240):
Viabilidade econômica e financeira.
Consulta prévia à população.
Plebiscito.
Análise pelo Tribunal Regional Eleitoral.
Aprovação por lei estadual.
Competências:
Não legislativa (administrativa ou material):
o Comum: Art. 23 da CF/88.
o Privativa: Art. 30, III a IX da CF/88.
Legislativa:
o Expressa: Lei Orgânica (art. 29, caput).
o Interesse local: Art. 30, I da CF/88.
o Suplementar: Art. 30, II da CF/88.
o Plano diretor: Art. 182, § 1º da CF/88.
o Tributária expressa: Art. 156 da CF/88.
Meio ambiente e controle da poluição:
Legislação municipal em consonância com União e Estado (RE 586.224 e RE 194.704).
Interesse local preponderante (Inf. 870/STF).
25
Distrito Federal
O Distrito Federal se originou da transformação do antigo Município Neutro, estabelecido
como Capital do Império conforme a Constituição de 1891, mantendo a sede na cidade do Rio de
Janeiro. Inicialmente, não era considerado uma entidade federativa autônoma, mas sim uma
autarquia territorial.
De acordo com a Constituição de 1891, uma área de 14.400 quilômetros quadrados no
Planalto Central foi destinada à União para estabelecer a futura Capital federal.
Com a construção de Brasília, concluída em 21 de abril de 1960, o Distrito Federal foi
transformado no Estado da Guanabara, mantendo os limites geográficos da cidade do Rio de
Janeiro (Lei n. 3.752/60). O Estado da Guanabara, embora não fosse dividido em municípios, foi
fundido com o Estado do Rio de Janeiro em 15.03.1975 pela LC n. 20/74.
Após a promulgação da Constituição de 1988, Brasília se tornou a Capital Federal, com o
Distrito Federal agora sendo considerado um ente federativo autônomo, embora com tutela parcial
da União. Além de ser a Capital da República Federativa do Brasil e sede do governo federal,
Brasília também abriga o governo do Distrito Federal, conforme a Lei Orgânica do DF.
Distrito Federal como unidade federada
O Distrito Federal é, portanto, uma unidade federada autônoma, visto que possui
capacidade de auto-organização, autogoverno, autoadministração e autolegislação:
Auto-organização: art. 32, caput – estabelece que o Distrito Federal se regerá por lei orgânica,
votada em dois turnos com interstício mínimo de dez dias e aprovada por dois terços da
Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos na Constituição
Federal;
Autogoverno: art. 32, §§ 2º e 3º – eleição de Governador e Vice-Governador e dos Deputados
Distritais;
Autoadministração e Autolegislação: regras de competências legislativas e não legislativas,
que serão abaixo estudadas.
26
Características importantes
Algumas regras importantes a serem destacadas incluem:
O Distrito Federal não pode ser dividido em municípios, ao contrário dos estados e territórios.
Sua autonomia é parcialmente tutelada pela União. Por exemplo, a polícia civil, polícia penal,
polícia militar e corpo de bombeiros militar são organizados e mantidos diretamente pela União,
embora sejam subordinados ao Governador do Distrito Federal. O Poder Judiciário e o
Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios também são mantidos pela União.
A EC n. 69/2012 transferiu para o DF as atribuições de organizar e manter a Defensoria Pública
do Distrito Federal, seguindo os mesmos princípios e regras das Defensorias Públicas dos
Estados.
O Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), instituído pela Lei n. 10.633/2002,
fornece recursos para a organização e manutenção das forças policiais e para serviços públicos
de saúde e educação, sendo fiscalizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
O STF determinou que a competência para fiscalizar os recursos do FCDF é do TCU, não do
Tribunal de Contas do Distrito Federal.
O Legislativo distrital não pode instituir gratificação por risco de vida para policiais e bombeiros
militares do Distrito Federal, pois isso seria uma usurpação da competência da União para
organizar e manter as forças de segurança e prestar assistência financeira ao Distrito Federal.
Competência do Distrito Federal
Competências não legislativas (administrativas ou materiais)
→ Comum (cumulativa ou paralela): trata-se de competência não legislativa comum aos quatro
entes federativos, quais sejam, a União, Estados, Distrito Federal e Municípios, prevista no art. 23
da CF/88.
27
Competências legislativas
O art. 32, § 1º, prescreve que ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas
reservadas aos Estados e Municípios. Assim, tudo o que foi dito a respeito dos Estados aplica-se
ao Distrito Federal, bem como o que foi dito sobre os Municípios no tocante à competência para
legislar também a ele se aplica.
→ Expressa: art. 32, caput — elaboração da própria lei orgânica;
→ Residual: art. 25, § 1º — toda competência que não for vedada, ao Distrito Federal estará
reservada;
→ Delegada: art. 22, parágrafo único — como vimos, a União poderá autorizar o Distrito Federal
a legislar sobre questões específicas das matérias de sua competência privativa. Tal autorização dar-
se-á mediante lei complementar;
→ Concorrente: art. 24 — em que se estabelece concorrência para legislar entre União, Estados e
Distrito Federal, cabendo à União legislar sobre normas gerais e ao Distrito Federal, sobre normas
específicas;
→ Suplementar: art. 24, §§ 1º a 4º — no âmbito da legislação concorrente, como vimos, a União
limita-se a fixar normas gerais e o Distrito Federal, normas específicas. No entanto, em caso de
inércia legislativa da União, o Distrito Federal poderá suplementá-la e regulamentar as regras gerais
sobre o assunto, sendo que, na superveniência de lei federal sobre norma geral, a aludida norma
distrital geral (suplementar) terá a sua eficácia suspensa, no que for contrária à lei federal sobre
normas gerais editadas posteriormente;
→ Interesse local: art. 30, I, combinado com o art. 32, § 1º;
→ Competência tributária expressa: art. 147, parte final, c/c os arts. 156 e 155 (a estudar
especialmente em direito tributário).
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Resumo esquematizado:
Origem:
Transformação do antigo Município Neutro (Rio de Janeiro) em 1891.
Área no Planalto Central destinada à futura capital federal (14.400 km²).
Criação de Brasília em 1960 e transformação do Distrito Federal no Estado da Guanabara.
Fusão do Estado da Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro em 1975.
Distrito Federal se torna ente federativo autônomo com a Constituição de 1988.
Características:
Unidade federada autônoma com capacidade de auto-organização, autogoverno,
autoadministração e autolegislação.
Não pode ser dividido em municípios.
Autonomia parcialmente tutelada pela União.
Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) para organização das forças de
segurança e serviços públicos.
Controle do TCU sobre os recursos do FCDF.
Impossibilidade de criação de gratificação por risco de vida para policiais e bombeiros.
Competências:
Competências não legislativas (administrativas ou materiais):
o Comum (cumulativa ou paralela) com União, Estados e Municípios (art. 23 da
CF/88).
Competênciaslegislativas:
o Expressa: elaboração da Lei Orgânica (art. 32, caput).
o Residual: tudo que não for vedado (art. 25, § 1º).
o Delegada: autorização da União para legislar sobre questões específicas (art. 22,
parágrafo único).
o Concorrente: União legisla sobre normas gerais e Distrito Federal sobre normas
específicas (art. 24).
o Suplementar: Distrito Federal pode suplementar a legislação federal em caso de
inércia (art. 24, §§ 1º a 4º).
o Interesse local (art. 30, I, combinado com o art. 32, § 1º).
o Tributária expressa (art. 147, parte final, c/c os arts. 156 e 155).
29
Intervenção Federal
A intervenção em entes da federação é medida drástica e excepcional que só poderá ocorrer
nas hipóteses restritas previstas na Constituição Federal e com a finalidade de preservar a
integridade da federação e dos seus princípios fundantes.
O art. 18 da CF/88 estabelece a organização político-administrativa do Brasil,
compreendendo a União, Estados, Distrito Federal e Municípios, todos autônomos. No entanto,
em situações excepcionais de anormalidade, a autonomia pode ser temporariamente suprimida por
intervenção, conforme previsto na Constituição.
As hipóteses de intervenção devem ser interpretadas restritivamente, sendo um rol taxativo.
A intervenção federal ocorre quando a União intercede nos Estados, Distrito Federal e Municípios
em território federal. Já a intervenção estadual ocorre quando os Estados intervêm em seus
próprios Municípios.
Segundo Humberto Peña de Moraes, a intervenção é um instituto típico do Estado Federal,
caracterizando-se pelo afastamento temporário da autonomia da entidade federativa afetada.
Hipóteses de Intervenção Federal
As hipóteses de intervenção federal, conforme o art. 34 da Constituição, são:
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
I - manter a integridade nacional;
II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação;
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo
motivo de força maior;
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos
prazos estabelecidos em lei;
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a
proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e
serviços públicos de saúde.
30
A intervenção federal é decretada pelo Presidente da República, podendo ser espontânea
ou mediante provocação. Quando espontânea, o presidente deve ouvir o Conselho da República e
o Conselho de Defesa Nacional. Quando decorre do descumprimento de ordem judicial, pode ser
requisitada pelo STF, STJ ou TSE.
O decreto de intervenção, que especifica a amplitude, o prazo e as condições de execução
e nomeia o interventor, deve ser submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da Assembleia
Legislativa do Estado dentro de 24 horas.
Após cessadas as causas que motivaram a intervenção, as autoridades afastadas podem
retornar aos seus cargos, salvo impedimentos legais.
Espécies de Intervenção Federal
Espontânea: Presidente da República age de ofício, conforme art. 34, I, II, III e V.
Provocada por solicitação: Quando o Poder Legislativo ou Executivo é coagido ou
impedido, conforme art. 34, IV, combinado com o art. 36, I, primeira parte.
Provocada por requisição:
o a) Contra o Poder Judiciário: Requisição do Supremo Tribunal Federal, conforme
art. 34, IV, combinado com o art. 36, I, segunda parte.
o b) Descumprimento de ordem judicial: Requisição do STF, STJ ou TSE, de acordo
com a matéria, conforme art. 34, VI, segunda parte, combinado com o art. 36, II.
Provocada, dependendo de provimento de representação:
o a) Ofensa aos princípios constitucionais sensíveis: Provimento de representação do
Procurador-Geral da República pelo STF, conforme art. 34, VII, combinado com
o art. 36, III, primeira parte.
o b) Para prover a execução de lei federal: Provimento de representação do
Procurador-Geral da República pelo STF, conforme art. 34, VI, primeira parte,
combinado com o art. 36, III, segunda parte.
Na hipótese de solicitação pelo Executivo ou Legislativo, o Presidente da República tem
discricionariedade para intervir. Porém, se houver requisição do Judiciário e não houver suspensão
da execução do ato impugnado, o Presidente da República está vinculado a decretar a intervenção
federal.
31
Controle político exercido pelo Congresso Nacional
O decreto interventivo geralmente passa pela apreciação do Congresso Nacional, salvo
exceções. A Constituição dispensa essa apreciação em duas situações:
quando se trata de prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial (art. 34, VI); e
quando há afronta aos princípios sensíveis da Constituição (art. 34, VII).
No entanto, se a suspensão do ato impugnado não restaurar a normalidade, o Presidente
da República pode decretar a intervenção federal, sujeitando seu ato ao exame do Congresso
Nacional em 24 horas.
A intervenção federal e a necessidade de preservação dos direitos
fundamentais
Ao contrário do estado de defesa e do estado de sítio, que podem impor medidas coercitivas
e restrições a direitos e garantias, a intervenção federal não prevê qualquer restrição a direitos. Dada
a natureza excepcional da intervenção, sua interpretação deve ser restritiva, não admitindo a
mitigação de direitos fundamentais.
Medidas como os “mandados coletivos de busca, apreensão e captura” no caso do Rio de
Janeiro, mencionados pela imprensa, são repudiadas, pois violam garantias como a presunção de
inocência, o devido processo legal, a inviolabilidade do domicílio e da intimidade, o dever de
motivar decisões judiciais e a regra do art. 243 do CPP.
32
Intervenção Estadual
A intervenção estadual nos municípios, bem como a intervenção da União nos Municípios
dos Territórios, só poderá ocorrer nas seguintes situações:
Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios
localizados em Território Federal, exceto quando:
I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida
fundada;
II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;
III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde;
IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância
de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de
ordem ou de decisão judicial.
Nesse último caso, a competência para tal circunstância é do Procurador Geral do
Ministério Público Estadual, por simetria com a competência prevista no art. 129, IV da
Constituição.
Resumo esquematizado:
Conceito e Natureza:
Medida excepcional que visa preservar a integridade da federação e seus princípios.
Afeta a autonomia dos entes federativos (Estados, Distrito Federal e Municípios).
Interpretação restritiva, com rol taxativo de hipóteses (Art. 34 da CF/88).
Hipóteses (Art. 34 da CF/88):
Decreto de Intervenção:
Decretado pelo Presidente da República;
Pode ser espontânea ou mediante provocação;
Espontânea:
o Presidente consulta o Conselho da Repúblicae o Conselho de Defesa Nacional;
Provocada:
o Poder Legislativo ou Executivo coagido ou impedido (Art. 34, IV e 36, I);
o Contra o Poder Judiciário: Requisição do STF (Art. 34, IV e 36, I);
o Descumprimento de ordem judicial: Requisição do STF, STJ ou TSE (Art. 34, VI
e 36, II);
o Ofensa aos princípios constitucionais: Representação do PGR pelo STF (Art. 34,
VII e 36, III);
o Para prover a execução de lei federal: Representação do PGR pelo STF (Art. 34,
VI e 36, III).
33
Controle pelo Congresso Nacional:
Apreciação do decreto interventivo, salvo exceções:
o Prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial (Art. 34, VI);
o Afronta aos princípios sensíveis da Constituição (Art. 34, VII).
Suspensão do ato impugnado não restaura a normalidade:
o Presidente pode decretar a intervenção federal;
o Ato sujeito ao exame do Congresso Nacional em 24 horas.
Intervenção e Direitos Fundamentais:
Não prevê restrições a direitos, diferentemente do estado de defesa e do estado de sítio;
Interpretação restritiva, não admitindo a mitigação de direitos fundamentais;
Medidas como mandados coletivos de busca e apreensão são repudiadas por violarem
garantias como:
o Presunção de inocência;
o Devido processo legal;
o Inviolabilidade do domicílio e da intimidade;
o Dever de motivar decisões judiciais.
Intervenção Estadual (Art. 35 da CF/88):
Mesma natureza jurídica da intervenção federal;
Aplica-se aos Municípios;
Hipóteses:
o Deixar de pagar a dívida fundada por dois anos consecutivos;
o Não prestar contas devidas;
o Não aplicar o mínimo exigido da receita em educação e saúde;
o Tribunal de Justiça acolhe representação para assegurar princípios da Constituição
Estadual ou a execução de lei, ordem ou decisão judicial.
34
Administração Pública
É possível pensar em pelo menos dois sentidos para o termo Administração Pública:
subjetivo ou objetivo. O subjetivo, formal ou orgânico refere-se aos entes que exercem atividade
administrativa. O objetivo, material ou funcional, por outro lado, corresponde à natureza da
atividade exercida pelos referidos entes. Assim, a Administração Pública é a própria função
administrativa, que incumbe predominantemente (mas não apenas) ao poder executivo.
Princípios constitucionais da Administração Pública
São os princípios do famoso “LIMPE”, estabelecidos expressamente no art. 37 da CF/88.
Mas o que significa o termo “LIMPE”? Calma que eu te explico, jovem padawan. O termo é
formado pelas iniciais dos cinco princípios expressos no art. 37 da CF/88, são eles: Legalidade,
Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. Vamos falar sobre cada um deles agora.
Princípio da Legalidade
Condiciona toda a atuação da Administração Pública, que só pode exercer suas atribuições
nos limites das normas jurídicas aplicáveis. A legalidade abarca normas e princípios e não apenas a
legislação em sentido estrito. Por força desse princípio, a liberdade de atuação da Administração é
menor que a dos particulares que, por sua vez, atuam no exercício de autonomia privada.
Princípio da Impessoalidade
Consiste no tratamento isonômico daqueles que se relacionam com a Administração.
Deriva do próprio princípio da igualdade, vedados quaisquer atos de discriminação ou benefícios
derivados de aspectos pessoais.
A impessoalidade implica em objetividade no atingimento dos fins públicos, e se coloca em
duas vertentes:
A administração não deve atuar em benefício ou malefício de pessoas determinadas; e
A atuação administrativa não é imputada ao agente público, mas ao órgão ou entidade da
Administração.
35
O agente é um órgão que manifesta a vontade estatal: sua vontade individual não é a
vontade do Estado. Esse princípio é concretizado em alguns institutos que visam a promover
igualdade de acesso (concursos públicos e licitações).
Princípio da Moralidade
A atuação da Administração deve ocorrer de acordo com princípios éticos que integram o
ordenamento jurídico. Da moralidade derivam subprincípios da lealdade e da boa-fé e o dever de
probidade administrativa.
Princípio da Publicidade
A Administração Pública não admite a ação em segredo: pelo princípio da publicidade, os
atos administrativos devem ser divulgados e/ou acessíveis pelos cidadãos, existindo verdadeiro
dever de transparência, que só pode ser afastando em situações excepcionais previstas pela
Constituição e pela legislação (ex: dados sigilosos relativos à segurança nacional).
Além do art. 37, caput, outras disposições constitucionais estão relacionadas ao princípio
da publicidade, como é o caso do direito de acesso à informação e os instrumentos para sua garantia
(habeas data, por exemplo), consoante o art. 5º, XXXIII e XXII da CF/88.
Princípio da Eficiência
O princípio da eficiência foi inserido na Constituição pela Emenda Constitucional n.
19/1998 e tem relação com a otimização da atividade administrativa. Nesse sentido, Onofre Alves
Batista Júnior (2012) afirma que a eficiência se relaciona ao dever de ampliar, no maior nível
possível, o bem comum, com o uso adequado dos meios disponibilizados à Administração para
atingir seu fim máximo: o interesse público.
36
Resumo esquematizado:
Definição:
Subjetivo/formal/orgânico: entes que exercem atividade administrativa.
Objetivo/material/funcional: natureza da atividade exercida pelos entes.
Princípios Constitucionais:
LIMPE:
o Legalidade: atuação dentro das normas jurídicas.
o Impessoalidade: tratamento isonômico para todos.
Objetividade no atingimento dos fins públicos.
Atos imputados ao órgão, não ao agente.
o Moralidade: de acordo com princípios éticos.
Subprincípios da lealdade, boa-fé e probidade administrativa.
o Publicidade: atos administrativos devem ser divulgados.
Exceções: dados sigilosos (segurança nacional).
Direito de acesso à informação (art. 5º, XXXIII e XXII da CF/88).
o Eficiência: otimização da atividade administrativa.
Ampliar o bem comum com o uso adequado dos recursos.
Classificação dos agentes públicos
A expressão "agente público" é ampla, abrangendo todos os que agem em nome do Estado,
mesmo sem vínculo remunerado ou transitório. Isso implica que o Estado é responsável por seus
atos, segundo o princípio da responsabilidade objetiva previsto no art. 37, §6º da Constituição.
A Lei 8.429/92 define agente público como aquele que exerce função pública,
independentemente de remuneração ou vínculo. O Código Penal, embora use o termo "funcionário
público", também adota uma abordagem ampla. Isso inclui servidores estatutários, contratados pela
CLT, temporários e mesmo particulares que desempenham funções públicas, como mesários ou
jurados. Todos os atos desses agentes são imputados ao Estado e sujeitos ao controle judicial.
Segundo aponta Araújo (2011, p. 31), “agentes públicos são todos os indivíduos que, sob
diferentes títulos e regimes jurídicos, atuam em nome do estado”. Em classificação proposta por
Carvalho Filho (2018), os agentes públicos podem ser classificados da seguinte forma:
37
Agentes políticos
Aqueles que ocupam seus cargos fundamentais na estrutura do Estado e que definem as
diretrizes do poder público, seja pela formulação de normas, metas, políticas públicas e outros. Tais
funções estão em grande medida previstas na Constituição e, em regra, a investidura desses agentes
se dá por meio das eleições (exceção: Secretários e Ministros de Estado, por exemplo) e o exercício
de suas funções normalmente é transitório.
Indiscutível na doutrina que são agentes políticos os detentores de mandato eletivo e os
secretários e ministros de Estado.
O STF acrescenta os membros da magistratura e os membros do Ministério Público como
agentes políticos, haja vista atuarem no exercício de funçõesessenciais ao Estado e praticar
praticarem atos inerentes à soberania do Estado.
Atenção! Membros do Tribunal de Contas se enquadram na categoria de agentes
administrativos.
Exemplo de agentes: chefes do poder executivo e seus auxiliares (presidente e ministros,
governador e secretário de Estado), prefeito e secretário municipal, membros do poder legislativo
(vereadores, deputados estaduais e federais e senadores).
Agentes particulares colaboradores
Particulares que exercem colaboração com o Estado, com algum tipo de função ou múnus
público. Por vezes, a função é exercida de forma temporária e sem remuneração.
Aqueles que, sem perderem a qualidade de particulares, atuam, em situações excepcionais
em nome do estado mesmo em caráter temporário ou ocasional, independentemente do vínculo
jurídico estabelecido, exercendo função pública.
Podem ser separados em três categorias:
38
Designados: são todos aqueles que atuam em virtude de convocação efetivada pelo poder
público. Exercem múnus público, tem a obrigação de participar quando requisitado sob pena
de sanção. São chamados por Hely Lopes Meirelles de “agentes honoríficos”.
Voluntários: aqueles que atuam voluntariamente em repartições, escolas, hospitais públicos ou
em situações de calamidade, nas hipóteses em que o Estado realiza programa de voluntariado.
Delegados: são aqueles que atuam na prestação de serviços públicos mediante delegação do
Estado.
Atenção! Não é pacífica essa classificação. Entretanto, são considerados, para a doutrina
majoritária, agentes públicos, quando atuam na prestação do serviço público delegado.
Credenciados: atua em nome do estado em virtude de convênios celebrados com o poder
público
Exemplos: jurados, mesários convocados para auxiliar no processo eleitoral, concessionários de
serviço público, titulares de cartórios, dentre outros.
Servidores Públicos
Nas palavras de Araújo (2011), os servidores são quaisquer agentes públicos que exerçam
atribuição do poder público voluntariamente, a título profissional, mediante remuneração, estando
inseridos de maneira subordinada nos quadros da Administração Pública. Há, portanto, uma
relação profissional de trabalho com o Estado, exercida mediante remuneração.
39
Acessibilidade a cargos, empregos e funções públicas: concurso público
Por força do princípio da isonomia, o ingresso em cargos, empregos e funções públicas
deve ser, em regra, precedido de concurso público, procedimento criado para garantir iguais
condições de acessibilidade às pessoas que desejam ser agentes públicos.
O art. 37, II da Constituição estabelece que a investidura de agentes público em cargos ou
funções públicas deverá ser antecedida de um concurso, que pode envolver provas ou provas e
títulos, de acordo com a complexidade da função a ser exercida. A própria Constituição estabelece
a exceção a este dever em relação às nomeações para cargo em comissão, que seja de livre nomeação
e exoneração, conforme previsão legal. Estes cargos têm natureza de confiança e sua ocupação é
precária, o que significa que o agente público pode ser desligado da Administração livremente, não
adquirindo qualquer tipo de estabilidade.
Ampla acessibilidade
Em garantia ao princípio da impessoalidade, o texto constitucional prevê ampla
acessibilidade aos cargos e empregos públicos, dispondo, no art. 37, I, que devem ser acessíveis aos
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma
da liminar.
Excepcionalmente, o art. 13, § 3º, da CF/88, define alguns cargos que somente podem ser
preenchidos por brasileiros natos. O texto constitucional limita o acesso de estrangeiros aos cargos
públicos àquelas hipóteses que serão definidas em lei específica.
Concurso público
O requisito básico para a garantia de impessoalidade, moralidade isonomia no acesso a
cargos públicos e a realização de concurso público de provas ou de provas e títulos uma vez que
os critérios de seleção são objetivos não se admitindo quaisquer espécies de favoritismo ou
discriminações indevidas. (art. 37, II, da CF/88).
40
A complexidade da prova e o nível de exigência deve ser compatível com a carreira e se
preenchida mediante processo seletivo final
Atenção! Não se admite no Brasil a escolha de candidatos baseadas somente em concursos
de títulos. Também não se admite qualquer espécie de provimento derivado que permita ao
servidor assumir cargo em outra carreira que não aquela que foi regularmente investida por meio
de concurso. (Súmula Vinculante nº 43)
Atenção! Não se admitem os chamados “concursos internos”, por meio dos quais antigos
servidores poderiam assumir cargos em nova carreira, criada por lei, que não guarda uniformidade
com aquela carreira no qual o servidor ingressou mediante concurso.
O servidor em disponibilidade somente poderá ser aproveitado em cargo com atribuições
e atividades compatíveis com aquelas que exercia antes da extinção do cargo ou da declaração da
desnecessidade do mesmo, nos termos do art. 41, § 3º da CF/88.
Resumo esquematizado:
Agente Público:
Ampla definição: todos que agem em nome do Estado, mesmo sem vínculo remunerado
ou transitório.
Responsabilidade do Estado pelos atos dos agentes públicos (art. 37, §6º da CF/88).
Lei 8.429/92: agente público = função pública, independentemente de remuneração ou
vínculo.
Código Penal: "funcionário público" = abrangência ampla.
Todos os atos dos agentes públicos são imputados ao Estado e sujeitos ao controle judicial.
Classificação:
Agentes políticos:
o Definem as diretrizes do poder público.
o Cargos previstos na Constituição.
o Investidura em regra por eleições.
o Exceção: Secretários e Ministros de Estado.
o Função transitória.
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o Exemplos:
Chefes do poder executivo e seus auxiliares.
Membros do poder legislativo.
o STF: membros da magistratura e do Ministério Público.
Agentes particulares colaboradores:
o Particulares que colaboram com o Estado.
o Função temporária e sem remuneração.
o Categorias:
Designados: múnus público, obrigatoriedade de participação.
Voluntários: atuação em repartições, escolas, hospitais ou calamidades.
Delegados: prestação de serviços públicos mediante delegação.
Credenciados: convênios com o poder público.
o Exemplos:
Jurados.
Mesários.
Concessionários de serviço público.
Titulares de cartórios.
Servidores Públicos:
o Exercem atribuição do poder público profissionalmente.
o Remuneração.
o Relação profissional de trabalho com o Estado.
Acesso a cargos públicos:
Concurso público, em regra (art. 37, II da CF/88).
Garante igualdade de condições.
Exceção: cargos em comissão (livre nomeação e exoneração).
Ampla acessibilidade: brasileiros e estrangeiros (art. 37, I da CF/88).
Exceções: cargos privativos de brasileiros natos (art. 13, § 3º da CF/88).
Concurso público:
Requisito para impessoalidade, moralidade e isonomia.
Provas ou provas e títulos.
Complexidade da prova compatível com a carreira.
Provimento derivado não é admitido.
Concursos internos não são admitidos.
Aproveitamento de servidor em disponibilidade: atividades compatíveis com as anteriores.
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ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE!
Sistema remuneratório do servidor público. Direito dos servidores,
garantias e vedações constitucionais.
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade II, páginas 38 a 40
Licitação Pública
Conceito
De forma técnica, podemos dizer que a licitação é um procedimento administrativo
disciplinado por lei e por um ato administrativo prévio, que determina critérios objetivos de seleção
de proposta da contratação mais vantajosa, com observância do princípio da isonomia, conduzido
por um órgão dotado de