Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 
Entes Federativos e seus Poderes 
MATERIAL DE APOIO 
 
Prof. Lucas Almeida 
 
Introdução 
 
 Olá, jovens! 
 Sejam muito bem-vindos a mais uma disciplina ministrada pelo seu querido professor Lucas 
Almeida. É com imenso prazer que recebo cada um de vocês nesta jornada de conhecimento, 
descobertas e desafios proporcionados pelo Universo do Direito. 
 Neste material de apoio, elaborado com muito carinho, cuidado e dedicação, vocês 
encontrarão uma valiosa ferramenta para auxiliar nos estudos de nossa disciplina. Ele foi 
meticulosamente preparado por mim, com o objetivo de facilitar a compreensão do vasto e 
complexo universo que abrange a nossa disciplina. 
 É importante lembrar a vocês, jovens padawans, que este material de apoio consiste em um 
resumo elaborado, em que foi incorporado elementos essenciais da bibliografia sugerida na nossa 
disciplina, das aulas ministradas por mim e pelos conteúdos que apresento nos slides. Apesar de 
óbvio, é importante lembrar que este material não substitui a leitura dos livros e demais materiais 
indicados, este material de apoio, como o próprio nome já diz, é apenas uma fonte complementar 
para fortalecer a compreensão e reforçar os pontos mais importantes de nossa disciplina. 
 O objetivo principal deste material é oferecer a vocês, meus queridos alunos, uma 
ferramenta que simplifique o aprendizado, proporcionando uma visão geral coesa dos tópicos 
essenciais da disciplina. Porém, como disse antes, é aconselho meus jovens padawans a explorar 
também as fontes originais, para que possam aprofundar ainda mais seus conhecimentos e 
desenvolver uma compreensão robusta das nuances do Direito. 
 Reforço também que o processo de aprendizado é uma jornada colaborativa. Então, 
aproveitem ao máximo as oportunidades de interagir, discutir, questionar e trazer exemplos, pois é 
dessa troca de ideias que surgem insights valiosos. Portanto, jamais tenham vergonha de perguntar 
algo ou participar das aulas, eu terei o maior prazer de tirar todas as dúvidas e explicar o conteúdo 
 
 
 2 
quantas vezes for necessário, assim como eu também jamais terei vergonha de admitir que não sei 
a resposta para algum questionamento que vocês me façam. 
 Desejo a vocês um semestre cheio de conquistas acadêmicas, descobertas valiosas e 
enriquecimento pessoal. Estou ansioso para testemunhas o crescimento de cada um de vocês ao 
longo deste percurso acadêmico e posteriormente profissional. 
 Boa sorte, vocês vão precisar. 
 Com carinho, seu querido professor, Lucas Almeida. 
 
Apresentação da disciplina 
 
Olá, jovens padawans, do 3º período de Direito! É com grande entusiasmo que dou as 
boas-vindas a todos vocês para a disciplina de "Entes Federativos e Seus Poderes". Esta matéria, 
essencialmente ligado ao Direito Constitucional, nos convida a explorar os intricados meandros da 
organização política e administrativa do Estado. 
Ao longo dos próximos meses, estaremos imersos em uma jornada de aprendizado que nos 
permitirá compreender as estruturas fundamentais que regem a distribuição de poderes e 
competências em nosso país. Desde a divisão de atribuições entre União, Estados e Municípios até 
a análise minuciosa dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nossa missão é desvendar o 
funcionamento dessas instituições e seus órgãos autônomos. 
Ao mesmo tempo em que nos dedicamos a estudar a teoria, também seremos desafiados a 
refletir sobre a aplicação prática desses conceitos. Como futuros operadores do Direito, é essencial 
que compreendamos não apenas as normas e procedimentos, mas também o impacto que têm na 
sociedade e na vida das pessoas. 
Portanto, convido cada um de vocês a se envolverem ativamente neste processo de 
aprendizado. Vamos aproveitar este espaço não apenas para absorver conhecimento, mas também 
para questionar, debater e aprofundar nossa compreensão sobre os temas abordados. 
Estou muito empolgado para embarcar nessa jornada de descoberta ao lado de vocês. Com 
dedicação, curiosidade e colaboração, tenho certeza de que alcançaremos grandes avanços em 
nosso entendimento do Direito Constitucional e seu impacto em nossa sociedade. Vamos juntos 
nessa jornada de conhecimento e reflexão! 
 
 
 
 3 
 
 
Organização do Estado 
 
Elementos integrantes do Estado 
A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) 
do Estado, quais sejam: 
 Soberania: é a capacidade suprema e irrevogável de um Estado exercer poder sobre seu 
território, povo e relações internacionais. É a característica que o torna independente e 
autônomo em relação a outros Estados. 
 Finalidade: se refere ao objetivo que ele busca alcançar com sua atuação. É a razão de sua 
existência e serve como norteador para todas as suas ações. 
 Povo: O povo é o elemento humano do Estado, composto por todos os indivíduos que 
residem em seu território, independentemente de sua nacionalidade, origem ou condição social. 
 Território: O território é a porção física do planeta sobre a qual o Estado exerce sua 
soberania. Inclui o solo, o subsolo, as águas territoriais, o espaço aéreo e o mar territorial. 
 
 
 
Os quatro elementos – soberania, finalidade, povo e território – são interdependentes e 
indissociáveis. A soberania permite ao Estado exercer seu poder sobre o território e o povo para 
alcançar suas finalidades. O povo é a razão de ser do Estado e o destinatário das políticas públicas. 
O território é a base física do Estado e a fonte de recursos naturais. 
Nesses termos, Dalmo de Abreu Dallari define Estado como “a ordem jurídica soberana 
que tem por fim o bem comum de um povo situado em determinado território”. Nesse 
conceito se acham presentes todos os elementos que compõem o Estado, e só esses elementos. A 
noção de poder está implícita na de soberania, que, no entanto, é referida como característica da 
própria ordem jurídica. 
A politicidade do Estado é afirmada na referência expressa ao bem comum, com a 
vinculação deste a um certo povo e, finalmente, a territorialidade, limitadora da ação jurídica e 
política do Estado, está presente na menção a determinado território. 
 
 
 4 
Forma de governo, Sistema de governo e Forma de Estado 
A organização e a estrutura do Estado podem ser analisadas sob três aspectos: forma de 
governo, sistema de governo e forma de Estado. 
FORMAS DE GOVERNO 
 República Monarquia 
Forma de 
governo 
O poder reside no povo e é exercido 
por seus representantes eleitos. 
O poder reside em um 
monarca, geralmente hereditário. 
Chefe de 
Estado 
É eleito pelo povo ou por um colegiado 
de representantes. 
O monarca pode ser 
rei, rainha, imperador ou imperatriz. 
Mandato Tem tempo determinado e renovável. Vitalício ou até a abdicação. 
Exemplos Brasil, Estados Unidos, França. Reino Unido, Espanha, Japão. 
 
 
 
 
SISTEMA DE GOVERNO 
Presidencialismo Parlamentarismo 
Separação de poderes: Há uma divisão 
rígida entre os poderes Executivo, Legislativo 
e Judiciário. 
 
Interdependência dos poderes: O poder 
Executivo depende do apoio do Legislativo 
para governar. 
 
Chefe de Estado e Governo: O presidente 
acumula as funções de chefe de Estado e chefe 
de governo. 
 
Chefe de Estado: O chefe de Estado (rei ou 
presidente) é geralmente uma figura simbólica. 
 
Eleição: O presidente é eleito diretamente 
pelo povo. 
 
Chefe de Governo: O chefe de governo é o 
primeiro-ministro, líder do partido ou coalizão 
majoritária no Parlamento. 
Mandato: Tem tempo determinado e 
renovável. 
 
Eleição: O primeiro-ministro é eleito pelo 
Parlamento. 
Exemplos: Brasil, Estados 
Unidos, Argentina. 
Mandato: Não há tempo 
determinado, depende da confiança do 
Parlamento. 
 
Exemplos: Reino Unido, Japão, Espanha. 
 
 
 
 
 
 
 
 5 
FORMAS DE ESTADO 
 Unitário Federado 
Soberania 
Centralizada, um único poder central 
detém a soberania. 
Dividida entre o governo federal e os 
governos dos estados federados.competência específica. 
 Em outras palavras, e de forma simplificada, podemos conceituar a licitação como um 
procedimento administrativo, um processo seletivo, usado para escolher a melhor oferta para um 
contrato administrativo, garantindo que todos que todos os licitantes tenham as mesmas chances. 
 É importante lembrar, ainda no início do estudo de nossa disciplina, que a “Lei do Cão”, a 
Lei nº 8.666/93, no que tange às licitações, não está mais em vigor, o foco de nossa disciplina será 
com base na nova lei de licitações, a Lei nº 14.133/2021. 
 
 
Competência para legislar 
 De acordo com o art. 22, XXVII da CF/88, compete privativamente à União legislar sobre 
normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas 
diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecendo 
o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos 
do art. 173, § 1º, III. 
 
 
 43 
Atenção! Os entes federativos poderão expedir normas específicas para regulamentação 
dos seus procedimentos licitatórios, desde que observados as normas genéricas trazidas na 
legislação federal. 
 Em obediência ao dispositivo constitucional, foi publicada em dezembro de 2020 e, em 
substituição à legislação anterior, a Lei nº 14.133/21 traçando as modalidades e tipos de licitação, 
bem como definindo seu procedimento, as hipóteses de dispensa e inexigibilidade e demais 
procedimentos auxiliares para as contratações públicas. 
 No âmbito federal, a Lei n 14.133/21 convive com outras três legislações gerais: Lei 
nº 8.666/93, Lei nº 10.520/02 (Lei do Pregão) e Lei nº 12.462/11, que trata do Regime 
Diferenciado de contratações. 
 
 
 Por fim, podemos concluir que as normas da Lei Geral de Licitações e contratos 
que estabelecem as regras específicas são constitucionais para a União e 
inconstitucionais para os demais entes federados, que estão sujeitos apenas às normas 
gerais editadas no âmbito federal. 
 
Finalidades do procedimento licitatório 
 A Licitação tem como finalidade viabilizar a melhor contratação possível para o poder 
público, sempre buscando a proposta mais vantajosa ao Estado, evitar contratações com sobre 
preço ou com preços manifestamente inexequíveis e superfaturamento na execução dos contratos, 
buscar incentivar inovações e o desenvolvimento nacional sustentável, bem como permitir que 
qualquer pessoa tenha condições isonômicas de participar das contratações públicas, desde que 
preencha os requisitos legais, consoante disposição do art. 11 da Lei nº 14.133/2021. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 44 
Resumo esquematizado: 
 
Conceito: 
 Procedimento administrativo definido por lei e ato administrativo prévio. 
 Objetivo: selecionar a melhor proposta para um contrato vantajoso, com igualdade de 
condições para todos os participantes. 
 Nova Lei de Licitações: Lei nº 14.133/2021, substituindo a Lei nº 8.666/93. 
Competência para Legislar: 
 União tem competência exclusiva para legislar sobre licitação. 
 Estados, DF e Municípios podem criar normas específicas, desde que estejam em 
conformidade com as normas federais. 
Finalidades do Procedimento Licitatório: 
 Garantir a melhor contratação para o poder público, evitando preços injustos e 
superfaturamento. 
 Incentivar inovações e desenvolvimento sustentável. 
 Assegurar igualdade de condições para todos os participantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE! 
Responsabilidade Civil da Administração e Improbidade Administrativa 
 
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade II, páginas 41 a 42 
 
 
 
 45 
Separação dos Poderes 
 
Noções introdutórias 
Aristóteles: Identificação das funções do Estado 
Aristóteles na Antiguidade grega delineou as bases teóricas da "tripartição de Poderes". Ele 
propôs três funções soberanas: legislar, administrar e julgar. No entanto, na época, essas funções 
eram concentradas no soberano, que detinha todo o poder decisório. 
Isso é ilustrado na famosa frase de Luís XIV, "L’État c’est moi" ("O Estado sou eu"), 
refletindo a centralização do poder. Apesar disso, Aristóteles foi fundamental ao destacar as três 
funções estatais, mesmo que exercidas por uma única autoridade. 
 
 
 
 
Montesquieu: Correspondência entre a divisão funcional e a divisão orgânica 
Montesquieu avançou a teoria de Aristóteles no Estado liberal burguês, concebendo a 
separação de poderes em órgãos autônomos e independentes. Isso contrastava com o absolutismo, 
onde todas as funções estavam concentradas no soberano. 
Essa ideia foi fundamental para movimentos revolucionários, como as revoluções 
americana e francesa, e é um dogma constitucional. Segundo essa teoria, cada Poder teria uma 
função própria e atuaria de forma independente, diferente do absolutismo unilateral. 
Essa separação de poderes não foi uma invenção singular, mas sim uma evolução empírica 
da constituição inglesa, consagrada no Bill of Rights de 1689, e teorizada por Locke. Montesquieu 
popularizou essa ideia em "O espírito das leis", tornando-a uma das doutrinas políticas mais 
célebres. 
 
 
 
 
 
 
 
 46 
Finalidade da separação dos poderes 
A separação de poderes visa preservar a liberdade individual ao combater a concentração 
de poder. Essa distribuição entre órgãos estatais, independentes entre si, impede o despotismo e 
promove uma abordagem liberal do Estado. 
O princípio da separação de poderes busca garantir a liberdade individual de duas maneiras: 
promovendo a colaboração e o consenso entre as autoridades estatais na tomada de decisões e 
estabelecendo mecanismos de fiscalização e responsabilização recíproca dos poderes, conhecidos 
como freios e contrapesos. 
 
 
 
Curiosidade nerd extra! 
Exemplos: 
 O Judiciário pode revisar atos do Legislativo que violem a reserva constitucional 
de jurisdição. 
 O Senado Federal tem o poder de julgar o Presidente e o Vice-Presidente da 
República por crimes de responsabilidade. 
 O STF pode condenar parlamentares federais corruptos que se beneficiem 
indevidamente de seu cargo. 
 As medidas provisórias adotadas pelo Presidente da República podem ser 
rejeitadas pelo Congresso Nacional. 
 O Presidente pode sancionar ou vetar projetos de lei aprovados pelo Parlamento. 
 O Parlamento pode derrubar o veto presidencial. 
 Se a lei não for promulgada pelo Presidente dentro de 48 horas, o Presidente do 
Senado ou o Vice-Presidente do Senado pode fazê-lo. 
 Os parlamentares podem propor emendas a projetos de lei de iniciativa exclusiva 
do Presidente. 
 O Presidente pode solicitar urgência para a apreciação de projetos de sua iniciativa 
pelo Parlamento. 
 Os juízes podem declarar a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos do 
Poder Público. 
 Os Ministros do STF são nomeados pelo Presidente e aprovados pelo Senado. 
 O STF tem competência para declarar a inconstitucionalidade de leis ou atos 
normativos federais ou estaduais. 
 
 
 
 
 
 
 
 47 
A independência dos Poderes e a indelegabilidade de atribuições 
Destacamos em nossas aulas que os "Poderes" (órgãos) são independentes, atuando dentro 
de suas competências estabelecidas pelo poder constituinte originário. As atribuições garantidas 
não podem ser delegadas de um Poder a outro, seguindo o princípio da indelegabilidade de 
atribuições. 
Exceções a essa regra, como as leis delegadas do art. 68, requerem uma delegação expressa 
do poder constituinte originário, como ocorre com o Legislativo delegando ao Executivo. 
As Constituições anteriores à de 1988 explicitaram a cláusula da indelegabilidade e a 
possibilidade de interpenetração entre os poderes, manifestando os freios e contrapesos. Embora 
a CF/88 não estabeleça essas regras de forma individual e expressa, sua essência é reconhecida no 
ordenamento atual para preservar a utilidade da separação de poderes nosEstados modernos. 
É importante lembrar que a CF/88 elevou a separação de Poderes à categoria de cláusula 
pétrea, conforme o art. 60, § 4.º, III. 
 
 
 
 
 
 
Resumo esquematizado: 
Origem: 
 Aristóteles: Identificou as funções do Estado (legislar, administrar e julgar). 
 Montesquieu: Propôs a divisão dos poderes em órgãos autônomos e independentes. 
Finalidade: 
 Preservar a liberdade individual e combater o despotismo. 
 Distribuição do poder entre órgãos independentes. 
 Colaboração e consenso entre os poderes. 
 Mecanismos de fiscalização e responsabilização recíproca (freios e contrapesos). 
Exemplos: 
 Judiciário revisa atos do Legislativo que violam a Constituição. 
 Senado julga o Presidente por crimes de responsabilidade. 
 STF condena parlamentares corruptos. 
 Congresso Nacional rejeita medidas provisórias. 
 Presidente sanciona ou veta projetos de lei. 
 
 
 48 
 Parlamento derruba veto presidencial. 
Independência dos Poderes: 
 Órgãos atuam dentro de suas competências. 
 Atribuições não podem ser delegadas (indelegabilidade de atribuições). 
Exceções: 
 Leis delegadas (art. 68 da CF/88): delegação expressa do poder constituinte originário. 
Cláusula pétrea: 
 Separação de Poderes não pode ser suprimida (art. 60, § 4.º, III da CF/88). 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE! 
Separação dos Poderes: funções típicas e atípicas 
 
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade II, páginas 43 
 
Assistir ao vídeo disponível e fazer a leitura dos artigos da CF/88 
 
Poder Executivo 
 
O poder executivo desempenha tipicamente a função administrativa relativa à “execução 
de políticas públicas, fomento, gerenciamento da máquina administrativa”, além da 
intervenção econômica e outras funções estratégicas para condução do Estado. 
Suas funções atípicas de natureza legislativa, vistas acima, devem ser exercidas nos estritos 
limites da Constituição. O mandato eletivo é de quatro anos, sendo possível a reeleição para “um 
único período subsequente” (art.14, § 5º da CF/88). 
 
 
 
 
 49 
Notas introdutórias 
Exercendo funções típicas, o órgão executivo, como já visto, pratica atos de chefia de 
Estado, chefia de governo e atos de administração. Atipicamente, o Executivo legisla, por exemplo, 
via medida provisória (art. 62) e julga, no “contencioso administrativo”, exercido em caso de defesa 
de multa de trânsito, do IPEM, da SEMAB, TIT etc. 
O sistema de governo adotado pela CF/88, mantido pelo plebiscito previsto no art. 2º do 
ADCT, é o presidencialista, influenciado, historicamente, pela experiência norte-americana. Trata-
se, inclusive, de tradição do direito constitucional pátrio, vivenciada durante toda a República, com 
exceção do período de 1961 a 1963. Como se recorda, a Emenda Constitucional nº 04/61, à 
Constituição de 1946, instituiu o parlamentarismo, sendo revogada pela Emenda nº 06/63, 
restauradora do regime presidencialista, tendo em vista o resultado do referendo realizado em 6 de 
janeiro de 1963, que decidiu pelo retorno ao presidencialismo. 
 
 
 
 
Presidencialismo versus Parlamentarismo 
No sistema presidencialista, o Presidente da República detém tanto as funções de Chefe de 
Estado quanto as de Chefe de Governo. No parlamentarismo, o Chefe de Estado é o Presidente 
da República (em repúblicas parlamentaristas) ou o Monarca (em monarquias parlamentaristas), 
enquanto o Chefe de Governo é o Primeiro-Ministro, líder do Gabinete. Abaixo, algumas 
características de cada sistema: 
 Presidencialismo: originário dos Estados Unidos; o Presidente é eleito pelo povo para um 
mandato específico; tem ampla liberdade na seleção e exoneração dos Ministros de Estado; 
 Parlamentarismo: resultado de uma longa evolução histórica, influenciado principalmente pelo 
modelo inglês; o Primeiro-Ministro, efetivamente responsável pelo governo, é indicado pelo 
Chefe de Estado e precisa da aprovação do Parlamento; não há um mandato fixo para o 
Primeiro-Ministro, podendo o governo cair por perda de maioria parlamentar ou por voto de 
desconfiança; há a possibilidade de dissolução do Parlamento e convocação de novas eleições 
pelo Chefe de Estado. 
 
 
 
 
 50 
Conclusão: 
No presidencialismo, a separação de funções estatais é mais evidente. Como observado por 
Michel Temer (sim, ele de novo, eu sei que você gosta dele!), no parlamentarismo há uma 
transferência de parte da atividade executiva para o Legislativo, fortalecendo o papel do Parlamento 
não apenas na criação legislativa, mas também na execução. José Afonso da Silva também destaca 
a colaboração de poderes no parlamentarismo, em contraste com a independência e harmonia dos 
poderes no presidencialismo. 
 
 
 
Chefe de Estado e Chefe de Governo 
De acordo com o art. 76 da Constituição, o poder executivo é exercido pelo Presidente da 
República, auxiliado pelos ministros de Estado, sendo que o presidente atua, a um só tempo, 
como chefe de Estado e chefe de governo. 
O art. 84 da Constituição traz um rol exemplificativo de atribuições do presidente da 
República, como, por exemplo, nomear e exonerar ministros de Estado, manter relações com 
Estados estrangeiros, sancionar, promulgar e fazer publicar leis, decretar e executar a intervenção, 
dispor sobre decreto sobre a organização da Administração Federal e muitas outras atribuições. 
Conforme lecionada Almeida (2019): 
O presidente da República é a figura pública máxima por assumir a competência de chefe do Estado 
e do governo no Brasil. O chefe de Estado atua externamente na condição de chefe da República 
Federativa do Brasil, ou seja, representa o país no plano externo ou internacional. Já o chefe de 
Governo atua internamente como chefe da União, ou seja, do governo federal”. 
As atribuições podem ser assim exemplificadas: 
 Chefia de Governo: art. 84, I a VI, IX a XXVII. 
 Chefia de Estado: art. 84, VII, VIII e XIX. 
 
 
 
 
 
 
 51 
Curiosidade nerd extra! 
QUADRO SINÓPTICO DE PODER EXECUTIVO 
Tópico Descrição 
Conceito 
→ Função administrativa do Estado. 
→ Chefia de Estado e de Governo. 
Características 
→ Unidade 
→ Continuidade 
→ Hierarquia 
→ Discricionariedade 
Níveis 
→ Federal: Presidente da República 
→ Estadual: Governador 
→ Municipal: Prefeito 
Atribuições 
→ Administração pública 
→ Execução das leis 
→ Iniciativa de leis 
→ Edição de decretos 
→ Comando das Forças Armadas 
→ Representação internacional 
Estrutura 
→ Ministérios 
→ Secretarias 
→ Autarquias 
→ Fundações 
Controle do Poder 
Executivo 
→ Político: pelo Congresso Nacional (CPI, impeachment) 
→ Jurídico: pelo Poder Judiciário (mandado de segurança, ação popular) 
→ Administrativo: pelos Tribunais de Contas 
 
 
 
Resumo esquematizado: 
Funções: 
 Típicas: 
o Administração pública. 
o Execução de leis. 
o Chefia de Estado e Governo. 
 Atípicas: 
o Legislação (medida provisória). 
o Julgamento (contencioso administrativo). 
Sistema de Governo: 
 Presidencialista: 
o Chefe de Estado e Governo: Presidente da República. 
o Mandato fixo de 4 anos, com reeleição. 
o Ampla liberdade na escolha de ministros. 
 
 
 52 
Chefe de Estado e Chefe de Governo: 
 Chefe de Estado: Representa o país no exterior. 
 Chefe de Governo: Lidera a administração interna. 
 Atribuições do Presidente da República: 
o Nomear e exonerar ministros. 
o Manter relações internacionais. 
o Sancionar leis. 
o Decretar intervenção. 
o Dispor sobre a organização da Administração Federal. 
Exemplos de Atribuições: 
 Chefia de Governo: 
o Nomear ministros. 
o Gerir a administração pública. 
o Executar as leis. 
 Chefia de Estado: 
o Representar o país no exterior. 
o Manter relações internacionais. 
o Celebrar tratados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE! 
Condições de Elegibilidade e Processo eleitoral 
 
Assistir ao vídeo recomendado no AVA (eBook) 
 
Tópico 3.5 da Unidade II do AVA 
 
Leiturados artigos da CF/88 
 
 
 
 53 
Órgãos auxiliares do Presidente da República 
 
 Você, jovem padawan, deve imaginar que o exercício do Presidente da República não é tão 
simples (ou não), apesar de todos os poderes e prerrogativas. Porém existem algumas atribuições 
que, por mais competente que o Presidente da República seja, é humanamente impossível dar conta 
de todas elas, uma vez que é preciso cuidar de assuntos como saúde, segurança, educação, relações 
externas, mercado, entre muitas outras. 
Então, o exercício das funções do Presidente da República demanda uma estrutura 
organizacional robusta e eficiente, capaz de auxiliá-lo na tomada de decisões, na execução de 
políticas públicas e na representação do Estado. 
Dada a complexidade e a abrangência das responsabilidades presidenciais, é imprescindível 
contar com órgãos auxiliares que possam oferecer suporte técnico, administrativo e político para 
garantir o bom funcionamento da gestão governamental. Esses órgãos desempenham papéis 
específicos, fornecendo informações, elaborando propostas, coordenando atividades e 
representando o Presidente em diferentes contextos, permitindo-lhe focar em questões estratégicas 
e decisões de maior relevância. 
Em suma, os órgãos auxiliares são essenciais para que o Presidente da República possa 
exercer suas funções com eficiência e alcançar os objetivos estabelecidos para o seu mandato. 
Então, agora, nosso estudo vai focar nesses órgãos auxiliares. 
 
 
 
Ministros de Estado 
 As atribuições dos Ministros de Estado estão dispostas no art. 87 da CF/88, são elas: 
 Orientar, coordenar e supervisionar os órgãos e entidades da administração federal 
relacionadas com sua pasta. 
 Referenciar os atos e decretos da presidência. 
 Dar instruções para execução de normas. 
 Apresentar o relatório anual de gestão para o presidente, evidenciando as ações executadas 
por seu Ministério. 
 
 
 54 
Atenção! Nem todos os cidadãos podem ser ministros! Os ministros devem ter mais de 21 
anos, além de estar em gozo dos seus direitos políticos. O cargo de Ministro da Defesa só pode ser 
ocupado por brasileiro nato (art. 12, § 3º, da CF/88). Os demais ministros podem ser brasileiros 
natos ou naturalizados. 
 
 
 
Conselho da República e Conselho de Defesa Nacional 
Trata-se de órgão de natureza consultiva com competência para assessorar a Presidência da 
República em casos de intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio, bem como nas 
questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas (art. 90 da CF/88). 
Curiosidade nerd extra! 
Sua composição inclui tanto membros do Executivo quanto membros do poder Legislativo mas 
seja: vice-presidente da República, presidente da Câmara dos Deputados, presidente do Senado 
Federal, os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados, os líderes da maioria e da 
minoria do Senado Federal, o Ministro da Justiça e, ainda, 6 cidadãos brasileiros natos, com mais 
de 35 anos de idade, sendo 2 nomeados pelo Presidente da República, 2 eleitos pelo Senado 
Federal e 2 eleitos pela Câmara dos Deputados. No caso dos cidadãos, seus mandatos serão de 
3 anos, vedada a recondução (art. 89 da CF/88). 
 
 
 
 
 
 
Conselho de Defesa Nacional 
 Este órgão de natureza consultiva e a atribuição de opinar nas hipóteses de declaração de 
guerra e de celebração de paz, sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da 
intervenção federal e diversas outras iniciativas necessárias a garantir a Independência nacional e a 
defesa do estado democrático, conforme disciplina o artigo 91 parágrafo primeiro da Constituição 
federal. 
 
 
 55 
Curiosidade nerd extra! 
Uma importante diferença em relação ao Conselho da República: o Conselho de Defesa 
Nacional não conta com participantes populares, sendo composto pela participação do vice-
presidente da República, do presidente da Câmara dos Deputados, do presidente do Senado 
Federal, dos Ministros da Justiça, Defesa, Relações Exteriores, Planejamento, Ministros Militares 
e dos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. 
 
 
 
Responsabilidade do Presidente da República: prerrogativa de foto e 
imunidades 
Os crimes de responsabilidade do Presidente da República, delineados no art. 85 da CF/88, 
representam infrações político-administrativas que podem afetar a estrutura básica do Estado e 
comprometer o funcionamento dos poderes constitucionais. Essas transgressões são muito graves, 
incluindo desde atentados à existência da União até violações à lei orçamentária e ao cumprimento 
das decisões judiciais. 
 
Curiosidade nerd extra! 
A Lei nº 1.079/1950 estabelece o rito para apuração e julgamento desses crimes, sendo o 
impeachment uma das consequências possíveis desse processo. 
 
 
 
Existem importantes teses desenvolvidas pelo Supremo Tribunal Federal relacionadas ao 
impeachment, como a ausência de direito à defesa prévia na fase de recebimento da denúncia pela 
Câmara dos Deputados e a possibilidade de aplicação subsidiária dos Regimentos Internos das 
casas legislativas. Além disso, vale destacar a relevância da composição proporcional da comissão 
especial e a necessidade de votação aberta no Senado Federal para o recebimento da denúncia. 
Por outro lado, a Constituição também prevê imunidades formais para o Presidente da 
República, como a impossibilidade de prisão por infrações comuns durante o mandato e a não 
responsabilização por atos estranhos ao exercício de suas funções. A prerrogativa de foro, 
 
 
 56 
estabelecida no artigo 102, I, b) da CF/88, confere ao STF a competência originária para processar 
e julgar os crimes de responsabilidade do presidente. 
A recente tese fixada pelo STF na AP 937 busca esclarecer a extensão da prerrogativa de 
foro, limitando sua aplicação aos crimes relacionados ao exercício do cargo presidencial e 
estabelecendo que a competência não pode ser alterada após o final da instrução processual. Essas 
medidas visam promover a harmonização das interpretações sobre a duração e a abrangência da 
prerrogativa de foro, garantindo um sistema judiciário mais eficiente e coerente. 
 
 
Prerrogativas Imunidades 
Prerrogativa de foro: Compete 
originariamente ao STF processar e julgar as 
infrações penais comuns do Presidente da 
República. 
Competência para julgamento: Se admitida 
a acusação pela Câmara dos Deputados, o 
presidente será submetido a julgamento 
perante o STF (infrações penas comuns) ou 
perante o Senado Federal (crimes de 
responsabilidade). 
Extensão da prerrogativa de foro: Limitada 
aos crimes relacionados ao exercício do cargo 
presidencial; competência não pode ser 
alterada após a instrução processual. 
Não pode ser preso por infrações penais 
comuns durante o mandato presidencial. 
 
Não pode ser responsabilizado por atos 
estranhos ao exercício de suas funções durante 
o mandato. (Ex: corrupção antes de ser eleito) 
 
O objetivo das imunidades é proteger o 
presidente em exercício de ser alvo de 
responsabilização por condutas que não estão 
diretamente ligadas ao exercício de seu cargo, 
garantindo assim a estabilidade do mandato e a 
independência do chefe de Estado para exercer 
suas funções. 
 
 
 
 
 
Resumo esquematizado: 
Introdução: 
 Exercício do Presidente da República não é simples devido à abrangência de 
responsabilidades. 
 Atribuições complexas demandam uma estrutura organizacional eficiente. 
Ministros de Estado: 
 Responsabilidades conforme o art. 87 da CF/88: 
 
 
 57 
 Orientar, coordenar e supervisionar órgãos relacionados à pasta. 
 Referenciar atos e decretos presidenciais. 
 Dar instruções para execução de normas. 
 Apresentar relatório anual de gestão. 
Conselho da República e Conselho de Defesa Nacional: 
 Natureza consultiva. 
 Assessoramento em casos de intervenção federal, estado de defesa, entre outros. 
 Composição inclui membros do Executivo e do Legislativo.Responsabilidade do Presidente da República: 
 Crimes de responsabilidade delineados no art. 85 da CF/88. 
 Lei nº 1.079/1950 estabelece rito para apuração e julgamento. 
 Imunidades formais: impossibilidade de prisão por infrações comuns durante o mandato e 
não responsabilização por atos estranhos ao exercício das funções. 
Prerrogativas e Imunidades: 
 Prerrogativa de Foro: 
o Competência originária do STF para processar e julgar infrações penais comuns. 
o Competência para julgamento perante o STF (infrações penais comuns) ou perante 
o Senado Federal (crimes de responsabilidade). 
o Limitada aos crimes relacionados ao exercício do cargo presidencial. 
 Imunidades: 
o Não pode ser preso por infrações penais comuns durante o mandato. 
o Não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções 
durante o mandato. 
o O objetivo das imunidades é garantir a estabilidade do mandato e a independência 
do Chefe de Estado para exercer suas funções. 
 
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE! 
Governador de Estado e Prefeito Municipal 
 
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade II, páginas 48 a 50 
 
Resolver o questionário do AVA Unidade IISubdivisões 
 As subdivisões do Estado 
(estados, províncias) possuem 
autonomia limitada. 
Os estados federados possuem 
autonomia política, administrativa e 
financeira. 
Exemplos Reino Unido, França, China. Brasil, Estados Unidos, Alemanha. 
 
 
 
O Brasil adotou a forma republicana de governo, o sistema presidencialista de governo e a 
forma federativa de Estado. 
 
Formas de Estado 
José Afonso da Silva, sim, aquele mesmo que dividiu as classificações das normas 
constitucionais quanto à sua eficácia, em plena, contida e limitada, você deve lembrar dele do 
semestre passado, jovem padawan, pois é, ele define que o exercício do poder político em relação 
ao território determina a forma de Estado, então: 
 Se há apenas uma unidade de poder sobre o território, trata-se de Estado Unitário. 
 Se o poder é dividido, gerando organizações regionais autônomas, estamos diante de um 
Estado Federado. 
A repartição de poderes autônomos é central no Estado Federal, ao contrário do unitário, 
que concentra o poder nacionalmente. O Estado unitário pode ser descentralizado 
administrativamente, mas não de maneira federativa, como nas federações. Há também Estados 
regionais e autonômicos, intermediários entre o federal e o unitário, caracterizados pela 
descentralização administrativa e legislativa. 
Porém, jovem padawan, o foco do nosso estudo nesta disciplina é na forma federativa de 
Estado, que é justamente a adotada em nosso país. 
 
 
 
 
 
 
 
 6 
Resumo esquematizado: 
 
Elementos integrantes do Estado: 
 Soberania: Capacidade suprema de um Estado de exercer poder sobre seu território, povo 
e relações internacionais. 
 Finalidade: Objetivo que o Estado busca alcançar com sua atuação, sendo a razão de sua 
existência. 
 Povo: Composto por todos os indivíduos que residem em seu território, independente de 
nacionalidade ou origem. 
 Território: Porção física do planeta sobre o qual o Estado exerce sua soberania, incluindo 
solo, subsolo, águas territoriais, espaço aéreo e mar territorial. 
Forma de governo, Sistema de governo e Forma de Estado: 
 Forma de governo: República ou Monarquia. 
 Sistema de governo: Presidencialismo ou Parlamentarismo. 
 Forma de Estado: Estado unitário ou Federação. 
 
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE! 
Organização do Estado Brasileiro: Formas de Estado e características do 
Estado Federal 
 
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade I, páginas 12 a 14 
 
Assistir: https://www.youtube.com/watch?v=pillDDMZ9gw 
 
IES Play: Instituições Democráticas e Ordem Social 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 7 
Federalismo Brasileiro 
 
Breve histórico 
Vai ser breve mesmo, confia! 
Provisoriamente, a Federação no Brasil surge com o Decreto nº 1, de 15/11/1889, você 
deve lembrar do nosso estudo sobre o histórico das constituições brasileiras no semestre passado, 
né, jovem padawan? 
Pois bem, este decreto instituiu, também, a forma republicana de governo. A consolidação 
veio com a primeira constituição republicana, de 1891, que em seu art. 1º estabeleceu o seguinte: 
“A nação Brazileira adopta como fórma de governo, sob o regimen representativo, a Re pública Federativa 
proclamada a 15 de novembro de 1889, e constitue-se, por união perpetua e indissolúvel das suas antigas provincias, 
em Estados Unidos do Brazil”. 
As Constituições posteriores mantiveram a forma federativa de Estado, porém, não se pode 
deixar de registrar o entendimento de alguns doutrinadores, segundo o qual, nas Constituições de 
1937 e de 1967, bem como durante a vigência da Emenda n. 1/69, tivemos no Brasil somente uma 
Federação de fachada. 
 
Federação na Constituição de 1988 
 Conforme prometido, fizemos um resumo mais rápido que coice de bacurim sobre o 
histórico do federalismo brasileiro. Então, agora podemos fazer sobre a atual forma de estado do 
nosso querido Brasil. 
 
Composição e sistematização 
O art. 1.º da CF/88 afirma que a República Federativa do Brasil é formada pela união 
indissolúvel dos Estados, Municípios e Distrito Federal, constituindo-se em Estado Democrático 
de Direito. O art. 18 complementa, estabelecendo a organização político-administrativa do país, 
que compreende a União, Estados, Distrito Federal e Municípios, todos autônomos. 
José Afonso da Silva, cito porque eu sei que vocês adoram ele, destaca que a organização 
político-administrativa compreende essas entidades, ressaltando que a expressão “união 
indissolúvel” do art. 1.º é equivalente à “União” do art. 18, sendo uma repetição desnecessária. 
Fundamentos da República Federativa do Brasil. 
 
 
 8 
 Então, em resumo, podemos fazer a seguinte esquematização sobre a organização do Brasil: 
 Forma de governo: República. 
 Forma de estado: Federação. 
 Característica do Estado brasileiro: trata-se de Estado de Direito, democratizado, ou seja, 
Estado Democrático de Direito. 
 Entes componentes da Federação: União, Estados, Distrito Federal e Municípios. 
 Sistema de governo: Presidencialista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE! 
Repartição de competências: Competência material exclusiva enumerada 
da União e do Município. 
 
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade I, páginas 17 a 21 
 
Assistir ao vídeo recomendado no tópico 1.3 do AVA 
 
IES Play: Sistema Constitucional de Crises 
 
 
 
 
 9 
União Federal 
 
Vimos em sala de aula que a República Federativa do Brasil é composta pela União Federal, 
Estados-Membros, Distrito Federal e Municípios, formando o Estado federal, ou seja, o país Brasil. 
A União é a congregação das comunidades regionais, ou Estados-membros, além do Distrito 
Federal e Municípios. 
Enquanto a República Federativa do Brasil é soberana internacionalmente, os entes 
federativos são autônomos entre si. A União tem uma "dupla personalidade", atuando tanto 
internamente como pessoa jurídica de direito público, com autonomia financeira, administrativa e 
política, quanto internacionalmente representando o país. Por exemplo, a União representa a 
Federação em assuntos internacionais e intervém em Estados-membros internamente. 
 
 
 
Capital Federal 
Brasília é a atual Capital Federal, em contraste com a Constituição anterior que designava 
o Distrito Federal como a Capital da União. Juscelino Kubitschek inaugurou Brasília em 
21/04/1960, seguindo a orientação constitucional de interiorização do país. 
Segundo, sim, ele de novo, José Afonso da Silva, Brasília possui uma posição jurídica 
específica como cidade-centro e sede do Governo Federal, embora não seja sede de Município. 
Além disso, é a sede do governo do Distrito Federal, conforme a Lei Orgânica do DF. O Congresso 
Nacional pode, por lei ordinária, autorizar a transferência temporária da sede do Governo Federal, 
como ocorreu em 1993 quando a sede foi transferida simbolicamente para Salvador durante a III 
Conferência Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo. Essas transferências são 
temporárias e simbólicas, sendo a Capital Federal sempre Brasília. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 10 
Bens da União 
O art. 20 da CF/88 define os bens da União. Em relação a esse tema, para os concurseiros, 
sugiro uma breve leitura do referido art. 20 da CF/88, porque é um tema bem decoreba e nesse 
artigo estão listados todos os bens da União. 
Porém, como estamos em uma faculdade de Direito, é importante fazer alguns comentários 
sobre alguns bens da União, geralmente os mais cobrados em provas de concurso, também por se 
tratar de um assunto muito relacionado com o Direito Administrativo. Mas é jogo rápido. 
→ Terrenos de marinha: localizados a uma profundidade de 33 metros a partir da linha do preamar-
médio de 1831, incluindo áreas no continente, costa marítima, margens de rios e lagoas, e ilhas 
onde há influência das marés. 
→ Terrenos acrescidos de marinha: formados natural ou artificialmente em continuação aos 
terrenos demarinha. 
→ Mar territorial: faixa de 12 milhas marítimas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental 
e insular brasileiro. 
→ Zona contígua: faixa entre 12 e 24 milhas marítimas, além do mar territorial. 
→ Zona econômica exclusiva: faixa entre 12 e 200 milhas marítimas, além do mar territorial. 
→ Plataforma continental: leito ou subsolo das áreas marítimas além do mar territorial, até o limite 
de 200 milhas marítimas. 
→ Faixa de fronteira: faixa de até 150 quilômetros de largura ao longo das fronteiras terrestres, 
incluindo terras devolutas pertencentes à União. 
→ Participação nos resultados da exploração de recursos: assegurada à União, Estados, Distrito 
Federal e Municípios, nos termos da lei, pela exploração de petróleo, gás natural, recursos hídricos 
para geração de energia elétrica e outros recursos minerais em seus territórios. 
 
Competências da União Federal 
Imagine um time de futebol formado por jogadores que não sabem qual posição deverão 
desempenhar na partida. É possível que mais de um queira atuar como goleiro ou que vários 
queiram ser atacantes, disputando o título de artilheiro. E é provável que o time não funcione bem. 
Esse problema hipotético demonstra a razão pela qual toda a organização necessita da distribuição 
de competências dos seus membros, de forma clara e específica. No caso da Federação, 
considerando que os diversos entes possuem autonomia e capacidade normativa, é preciso que a 
 
 
 11 
Constituição delimite as competências e atribuições de cada um, de modo a evitar conflitos e 
desperdício de recursos. A repartição de competências é essencial para o equilíbrio da Federação. 
 
 
 
Ao longo dos anos e das experiências dos diversos estados federados, desenvolveram-se 
diversas técnicas de repartição de competência. Conforme classificam Mendes e Branco (2017), 
por vezes, a repartição definirá competências exclusivas ou horizontais (como é o caso das 
competências materiais exclusivas e das competências legislativas privativas) e, em outros 
momentos, é possível que haja distribuição de uma mesma competência de forma vertical a mais 
de um ente, como é o caso das competências comuns e concorrentes. 
 
 
 
 
As competências materiais ou administrativas, conforme destaca Fernandes (2010) estão 
relacionadas a processos de tomada de decisões, gerenciamento da administração e execução de 
políticas públicas. As competências legislativas estão relacionadas à capacidade de editar normas. 
É comum que as competências materiais estejam relacionadas com as competências 
legislativas, e que estas guardem correspondência com o tipo de interesse detido pelo ente da 
federação por aplicação do princípio do predomínio dos interesses. 
 
 
 
 
Competência não legislativa (administrativa ou material) 
A competência não legislativa da União, também conhecida como administrativa ou 
material, regula a atuação política-administrativa, sendo exclusiva ou comum aos entes federativos: 
 Competência exclusiva: prevista no art. 21 da CF/88 (Leia!). 
 Competência comum: estabelecida no art. 23 da CF/88 para União, Estados, Distrito Federal e 
Municípios (Leia também!). 
 
 
 12 
Leis complementares cooperativas, conforme o parágrafo único do art. 23, buscam 
equilibrar o desenvolvimento nacional. Por exemplo, a LC n. 140/2011 regula a cooperação entre 
os entes na proteção ambiental. 
O objetivo é claro: como se trata de competência comum a todos, ou seja, concorrente no 
sentido de todos os entes federativos poderem atuar, o objetivo de referidas leis complementares 
é evitar não só conflitos, como também a dispersão de recursos, procurando estabelecer 
mecanismos de otimização dos esforços. 
 
 
 
 
Quando ocorrem conflitos entre os entes federativos durante o exercício dessas 
competências, pode-se considerar o critério da preponderância de interesses. No entanto, o 
federalismo cooperativo também observa os princípios de subsidiariedade e proporcionalidade, 
como defendido pelo Min. Fachin no caso da proibição do amianto (falaremos já sobre ele). 
 
 
 
Para facilitar seus estudos, jovem padawan, vou explicar melhor o parágrafo anterior, 
trazendo os conceitos e objetivos dos termos citados acima: 
 Sobre o critério da preponderância de interesses, em caso de conflito de competência 
entre os entes federativos, o seu objetivo é determinar qual ente federativo tem maior interesse e 
capacidade para regular determinada matéria. A análise deste critério é feita respondendo três 
questões básicas: 
→ Abrangência do interesse: local, regional ou nacional? 
→ Eficiência: qual ente pode regular de forma mais eficaz? 
→ Peculiaridades locais: há necessidade de uma regulação específica para a região? 
Em relação ao princípio da subsidiariedade, ele defende que a intervenção do ente maior 
só pode ocorrer quando o ente menor não conseguir solucionar o problema. O objetivo deste 
princípio é fortalecer a autonomia dos entes federativos. A sua aplicação, na prática, ocorre quando 
 
 
 13 
é dada a chance para o ente menor resolver o problema, a intervenção do ente maior só deve 
ocorrer de forma excepcional e justificada. 
 
 
 
O princípio da proporcionalidade, corolário do princípio da subsidiariedade, é aplicável 
para garantir que a intervenção do ente maior seja a menos gravosa possível para os entes inferiores. 
O objetivo é evitar excesso de centralização e garantir a autonomia dos entes federativos. Sua 
aplicação se dá com a análise da necessidade e adequação da medida, bem como dos meios 
utilizados para os fins desejados. 
 
 
 
O caso do amianto no STF, se deu por causa de um conflito legislativo, onde leis estaduais 
e municipais proibiram o uso do amianto, enquanto a legislação federal não o proibia. O STF 
debateu o tema em diversos julgamentos (ADIs 3.356, 3.357, 3.937, 4.066 e ADF 109), mas a tese 
fixada foi em favor da presunção da autonomia dos entes federativos, dando validade às leis 
estaduais e municipais, pois a União não havia legislado sobre o tema de forma completa e eficaz, 
aplicando, então, os princípios da subsidiariedade e proporcionalidade. 
Os critérios da preponderância de interesses e os princípios da subsidiariedade e 
proporcionalidade são ferramentas importantes para solucionar conflitos de competência no 
Federalismo Cooperativo. No caso do amianto, como vimos, o STF os aplicou para garantir a 
proteção da saúde pública e, ao mesmo tempo fortalecer a autotomia dos entes federativos. 
Embora a ideia de federalismo cooperativo tenha ganhado força, como em casos 
relacionados à pandemia de Covid-19, o STF tem capitulado a competência da União em questões 
que transcendem interesses locais, como telecomunicações. 
 
 
 
 
 
 
 
 14 
Competência legislativa 
A competência legislativa da União, definida pela Constituição, inclui: 
 Competência privativa: prevista no art. 22 da CF/88. Outros entes federativos podem 
legislar sobre questões específicas dessas matérias mediante autorização da União por meio de 
lei complementar. 
 Competência concorrente: estabelecida no art. 24 da CF/88, onde a União só pode legislar 
sobre normas gerais. Em caso de inação da União, os Estados e o Distrito Federal podem 
suplementar a legislação federal, desde que não haja conflito. 
 Competência tributária expressa: prevista no art. 153 da CF/88. 
 Competência tributária residual: estabelecida no art. 154, I da CF/88, para instituição de 
impostos não previstos no art. 153. 
 Competência tributária extraordinária: definida no art. 154, II da CF/88, para instituir 
impostos extraordinários em situações de guerra externa. 
 
 
 
Em relação a estas competências, sugiro a leitura dos artigos e incisos indicados, trata-se de 
um tema “decoreba”, sem muitos detalhes dignos de nossa atenção por enquanto, já que serão 
temas que iremos revisitar no futuro. Então, como diria Jack, o estripador: vamos por partes.Mas, 
pra quem quiser um aprofundamento maior, sugiro a leitura capítulo do livro “Direito 
Constitucional Esquematizado” de Pedro Lenza, sobre o assunto. 
 
Regiões Administrativas ou de Desenvolvimento 
O art. 43 da CF estabelece que a União pode articular sua ação em complexos 
geoeconômicos e sociais visando ao desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. 
Lei complementar disporá sobre as condições para integração de regiões em 
desenvolvimento e a composição dos organismos regionais que executarão os planos regionais, 
integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social. 
Dentre os incentivos regionais, destacam-se igualdade de tarifas, juros favorecidos para 
financiamento, isenções de tributos e prioridade para aproveitamento de recursos hídricos em 
regiões de baixa renda. 
 
 
 15 
O § 3.º do art. 43 prevê que a União incentivará a recuperação de terras áridas e cooperará 
com pequenos e médios proprietários rurais para estabelecimento de fontes de água e irrigação, 
destinando recursos específicos para o Centro-Oeste e Nordeste. 
Exemplos incluem SUDENE, SUDAM, SUFRAMA, e as Regiões Administrativas 
Integradas de Desenvolvimento da Grande Teresina e do Polo Petrolina/PE e Juazeiro/BA. 
A extinção da SUDENE e SUDAM deu lugar às Agências de Desenvolvimento do 
Nordeste (ADENE) e da Amazônia (ADA), posteriormente restabelecidas como SUDAM e 
SUDENE pela LC n. 124/2007 e LC n. 125/2007, respectivamente. 
 
 
 
 
Resumo esquematizado: 
União Federal: 
 Entidade federativa que, junto com os Estados, Distrito Federal e Municípios, formam a 
República Federativa do Brasil. 
 Possui "dupla personalidade": atua internamente como pessoa jurídica de direito público e 
externamente representando o país. 
 Capital: Brasília. 
Competências da União Federal: 
 Competência não legislativa (administrativa ou material): 
o Exclusiva: Art. 21 da CF/88. 
o Comum: Art. 23 da CF/88. 
 Leis complementares cooperativas: buscam equilibrar o desenvolvimento 
nacional. 
 Critérios para resolução de conflitos: 
 Preponderância de interesses. 
 Princípio da subsidiariedade. 
 Princípio da proporcionalidade. 
 Caso do amianto no STF. 
 Competência legislativa: 
o Privativa: Art. 22 da CF/88. 
o Concorrente: Art. 24 da CF/88. 
o Tributária: 
 Expressa: Art. 153 da CF/88. 
 
 
 16 
 Residual: Art. 154, I da CF/88. 
 Extraordinária: Art. 154, II da CF/88. 
Regiões Administrativas ou de Desenvolvimento: 
 Art. 43 da CF/88: União pode articular sua ação em complexos geoeconômicos e sociais 
para reduzir desigualdades regionais. 
 Lei complementar: disporá sobre as condições para integração de regiões em 
desenvolvimento e a composição dos organismos regionais. 
 Incentivos regionais: 
o Igualdade de tarifas. 
o Juros favorecidos para financiamento. 
o Isenções de tributos. 
o Prioridade para aproveitamento de recursos hídricos. 
 Exemplos: SUDENE, SUDAM, SUFRAMA, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE! 
Competência legislativa remanescente do Estado. Competência exclusiva e 
suplementar do Município. Competência legislativa reservada ao Distrito 
Federal. 
 
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade I, páginas 25 a 27 
 
Resolver questionário da Unidade I do AVA 
 
 
 
 
 
 17 
Estados-Membros 
 
Os Estados federados têm autonomia para auto-organização, auto governo, 
autoadministração e autolegislação, mas não soberania, como estabelece a Constituição. São 
autônomos internamente, dentro de suas competências definidas constitucionalmente: 
 Auto-organização: regida pelas leis e Constituições estaduais, conforme o art. 25 da CF. 
 Autogoverno: estruturado pelos poderes Legislativo (Assembleia Legislativa), Executivo 
(Governador do Estado) e Judiciário (Tribunais e Juízes), conforme os arts. 27, 28 e 125. 
 Autoadministração e autolegislação: competências legislativas e não legislativas definidas 
nos arts. 18 e 25 a 28 da CF. 
 
 
 
Bens dos Estados-Membros 
Aqui é jogo rápido, um copia e cola do art. 26 da Constituição Federal. 
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: 
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, 
emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na 
forma da lei, as decorrentes de obras da União; 
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem 
no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, 
Municípios ou terceiros; 
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; 
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da 
União. 
 
 
Competências dos Estados-Membros 
Competência não legislativa (administrativa ou material) 
 Comum (cumulativa, concorrente, administrativa ou paralela): trata-se de competência 
não legislativa comum aos quatro entes federativos, quais sejam, a União, Estados, Distrito 
Federal e Municípios, prevista no art. 23 da CF/88; 
 
 
 18 
 
 Residual (remanescente ou reservada): são reservadas aos Estados as competências 
administrativas que não lhes sejam vedadas, ou a competência que sobrar (eventual resíduo), 
após a enumeração dos outros entes federativos (art. 25, § 1.º), ou seja, as competências que 
não sejam da União (art. 21), do Distrito Federal (art. 23), dos Municípios (art. 30, III a IX) e 
comum (art. 23). 
 
 
 
Competência legislativa 
Para os Estados-Membros, as competências legislativas foram definidas da seguinte forma: 
 Expressa: Capacidade de auto-organização regida pelas Constituições e leis estaduais, 
conforme o art. 25, caput, da CF/88. 
 Residual (remanescente ou reservada): Competência que não é vedada, reservada aos 
Estados-Membros, conforme o art. 25, § 1.º. 
 Delegada pela União: Autorização da União para os Estados legislarem sobre questões 
específicas das matérias de sua competência privativa, conforme o art. 22, parágrafo único. 
 Concorrente: Competição para legislar entre União, Estados e Distrito Federal, com a União 
estabelecendo normas gerais e os Estados normas específicas, conforme o art. 24. 
 Suplementar: Os Estados podem suplementar a legislação federal em caso de inércia 
legislativa da União, regulamentando regras gerais sobre o assunto, conforme os arts. 24, §§ 
1.º a 4.º. 
 Tributária expressa: Regulada pelo art. 155 da CF/88, especificamente em direito tributário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 19 
Resumo esquematizado: 
Autonomia: 
 Auto-organização: leis e Constituições estaduais (art. 25 da CF). 
 Autogoverno: poderes Legislativo, Executivo e Judiciário (arts. 27, 28 e 125). 
 Autoadministração e autolegislação: competências legislativas e não legislativas (arts. 18 e 
25 a 28 da CF). 
Bens: 
 Art. 26 da Constituição Federal: 
o Águas superficiais e subterrâneas. 
o Áreas em ilhas oceânicas e costeiras. 
o Ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União. 
o Terras devolutas não compreendidas entre as da União. 
Competências: 
 Não legislativa (administrativa ou material): 
o Comum: art. 23 da CF/88 (cumulativa com União, DF e Municípios). 
o Residual: art. 25, § 1º da CF/88 (competências não vedadas). 
 Legislativa: 
o Expressa: art. 25, caput da CF/88 (auto-organização). 
o Residual: art. 25, § 1º da CF/88 (competências não vedadas). 
o Delegada pela União: art. 22, parágrafo único da CF/88. 
o Concorrente: art. 24 da CF/88 (normas gerais da União e específicas dos Estados). 
o Suplementar: arts. 24, §§ 1º a 4º da CF/88 (regulamentação de normas gerais). 
o Tributária expressa: art. 155 da CF/88 (direito tributário). 
 
 
 
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE! 
Administração Pública: Princípios constitucionais da Administração 
Pública. 
 
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade II, páginas 33 a 37 
 
 
 
 
 20 
Municípios 
 
O Município é uma pessoa jurídica de direito público interno, autônoma conforme 
estabelecido na CF/88. Sua autonomia é evidenciada pela capacidade de auto-organização, 
autogoverno,autoadministração e autolegislação, conforme disposto nos artigos 1.º, 18 e capítulo 
dedicado aos Municípios na Constituição. Internamente, os Municípios são autônomos dentro de 
sua competência constitucionalmente definida. Vejamos: 
 Auto-organização: Regida pela Lei Orgânica, votada em dois turnos e aprovada por dois 
terços dos membros da Câmara Municipal, conforme o art. 29, caput. 
 Autogoverno: Elege diretamente o Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores, conforme os incisos 
do art. 29. 
 Autoadministração e Autolegislação: Regras de competência estabelecidas no art. 30, a 
serem estudadas posteriormente. O STF destacou que a autoadministração implica a 
capacidade decisória sobre os interesses locais sem delegação ou aprovação hierárquica. 
 
 
 
 
Formação dos Municípios 
O art. 18, § 4.º, da CF/88, conforme a EC n. 15/96, estabelece as etapas para criação, 
incorporação, fusão ou desmembramento de Municípios: 
 Lei complementar federal: Define o período e o procedimento para essas ações. 
 Estudo de viabilidade municipal: Deve ser apresentado, publicado e divulgado, 
demonstrando a viabilidade das ações. 
 Plebiscito: Consulta às populações dos Municípios envolvidos para aprovar ou não as ações. 
Convocado pela Assembleia Legislativa. 
 Lei estadual: Dentro do período definido pela lei complementar federal, e após estudo de 
viabilidade e aprovação plebiscitária, as ações são concretizadas por meio de lei estadual. 
O plebiscito é condição para o processo legislativo da lei estadual. O Governador pode 
vetar mesmo que aprovada pelo legislativo estadual. A consulta plebiscitária deve envolver as 
populações diretamente interessadas. 
 
 
 21 
O julgamento da ADI 2.240 discutiu as regras do art. 18, § 4.º, especialmente a necessidade 
de uma lei complementar federal para determinar o período de criação de novos Municípios. 
Falaremos já sobre esse julgamento e os critérios estabelecidos pelo STF para criação de novos 
Municípios, mas antes vou mostrar pra você, jovem padawan, como era a redação do art. 18, § 4º 
da CF/88 original e como está atualmente, após a EC nº 15/96. 
 
 
 
REDAÇÃO ORIGINAL (1988) REDAÇÃO DADA PELA EC N. 15/96 
Art. 18, § 4.º: A criação, a incorporação, a fusão e o 
desmembramento de Municípios preservarão a 
continuidade e a unidade histórico-cultural do ambiente 
urbano, far-se-ão por lei estadual, obedecidos os 
requisitos previstos em Lei Complementar estadual, e 
dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às 
populações diretamente interessadas. 
Art. 18, § 4.º: A criação, a incorporação, a fusão e o 
desmembramento de Municípios far-se-ão por lei 
estadual, dentro do período determinado por Lei 
Complementar Federal, e dependerão de consulta 
prévia, mediante plebiscito, às populações dos 
Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de 
Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na 
forma da lei. 
 
 
 
 
 Agora falaremos sobre o julgamento da ADI 2.240! 
O julgamento da ADI 2.240 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2009 teve um 
impacto significativo na criação de novos Municípios no Brasil. A ação, proposta pelo 
Procurador-Geral da República, questionava a constitucionalidade da Lei Complementar 
Estadual nº 13/1991 do Estado da Bahia, que previa a criação de um novo Município sem a 
observância dos requisitos mínimos estabelecidos na Constituição Federal. 
As principais consequências do julgado foram: 
1. Suspensão de Leis Complementares Estaduais: 
O STF suspendeu a eficácia de diversas Leis Complementares Estaduais que 
autorizavam a criação de novos Municípios sem a observância dos requisitos constitucionais. 
Essa medida visou evitar a criação irregular de Municípios e garantir que o processo fosse 
realizado de forma justa e transparente. 
2. Estabelecimento de Critérios Rigorosos: 
O STF definiu critérios rigorosos que devem ser observados para a criação de novos 
Municípios. Entre esses critérios estão: 
 Viabilidade econômica e financeira do novo Município; 
 Consulta prévia à população das áreas afetadas; 
 Realização de plebiscito; 
 Análise pelo Tribunal Regional Eleitoral; e 
 
 
 22 
 Aprovação por lei estadual. 
3. Redução no Ritmo de Criação de Municípios: 
Após o julgamento da ADI 2.240, o ritmo de criação de novos Municípios no Brasil 
diminuiu significativamente. Isso se deve à necessidade de cumprir os critérios rigorosos 
estabelecidos pelo STF, o que tornou o processo mais complexo e moroso. 
4. Maior Segurança Jurídica: 
A decisão do STF contribuiu para aumentar a segurança jurídica no processo de 
criação de novos Municípios. A definição de critérios claros e objetivos tornou o processo mais 
transparente e previsível, reduzindo o risco de contestações judiciais. 
5. Impactos Socioeconômicos: 
A redução no ritmo de criação de Municípios pode ter impactos socioeconômicos, 
especialmente em áreas com baixa densidade populacional. Por outro lado, a observância dos 
critérios rigorosos estabelecidos pelo STF pode contribuir para a criação de Municípios mais 
viáveis e sustentáveis do ponto de vista econômico e financeiro. 
6. Debates e Reflexões: 
O julgamento da ADI 2.240 gerou debates e reflexões sobre a necessidade de revisar 
os critérios para a criação de novos Municípios no Brasil. Alguns especialistas defendem a 
necessidade de flexibilizar os critérios, enquanto outros argumentam que a rigidez é necessária 
para evitar a criação de Municípios inviáveis. 
Em resumo, o julgamento da ADI 2.240 foi um marco importante na história da 
criação de novos Municípios no Brasil. A decisão do STF estabeleceu critérios rigorosos que 
devem ser observados no processo, o que contribuiu para aumentar a segurança jurídica e 
reduzir o ritmo de criação de novos Municípios. 
 
 
 
 
A EC n. 15/96 impôs mais requisitos para criação de Municípios, dificultando o processo, 
como pretendido pelo legislador reformador. O STF considerou o art. 18, § 4.º, como norma de 
eficácia limitada, declarando inconstitucionais leis estaduais que criam Municípios sem lei 
complementar federal. 
Apesar disso, a necessidade de uma lei complementar federal permanece. O Congresso 
aprovou projetos nesse sentido, mas foram vetados por Dilma Rousseff devido ao aumento de 
despesas sem correspondente geração de receitas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 23 
Competências dos Municípios 
Competência não legislativa (administrativa ou material) 
 Competência comum: compartilhada com a União, Estados e Distrito Federal, regulada pelo 
art. 23 da CF/88. 
 Competência privativa: enumerada no art. 30, III a IX, abrangendo instituição e arrecadação 
de tributos, organização de distritos, prestação de serviços públicos locais, educação, saúde, 
ordenamento territorial e proteção do patrimônio histórico-cultural. 
 
Competência legislativa 
Competências legislativas dos Municípios: 
 Expressa: capacidade de auto-organização através de lei orgânica (art. 29, caput). 
 Interesse local: legislar sobre peculiaridades e necessidades locais (art. 30, I). 
 Suplementar: complementar legislação federal e estadual no interesse local (art. 30, II). 
 Plano diretor: aprovar e implementar plano diretor para cidades com mais de vinte mil 
habitantes (art. 182, § 1.º). 
 Competência tributária expressa (art. 156). 
 
Competência municipal para legislar sobre meio ambiente e controle da poluição 
O STF estabeleceu que os municípios podem legislar sobre meio ambiente em consonância 
com União e Estado, desde que dentro de seu interesse local e em harmonia com as leis dos demais 
entes federativos (RE 586.224, Rel. Min. Luiz Fux, j. 05.03.2015, Plenário, DJE de 08.05.2015). 
Em um caso posterior, o tribunal também confirmou a constitucionalidade de multas 
municipais por poluição do ar causada por veículos dentro da cidade (RE 194.704, Rel. Orig. Min. 
Carlos Velloso, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, j. 29.06.2017, Plenário, DJE de 17.11.2017).Essas decisões destacam que o interesse local dos municípios não é exclusivo, mas 
preponderante, permitindo que legislem dentro de sua esfera de competência em complemento às 
leis federal e estadual (Inf. 870/STF). 
 
 
 
 
 
 
 24 
Resumo esquematizado: 
Autonomia: 
 Auto-organização: Lei Orgânica (art. 29, caput). 
 Autogoverno: Eleição direta de Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores (art. 29). 
 Autoadministração e Autolegislação: Competências do art. 30. 
Formação: 
 Lei estadual, dentro de período definido por Lei Complementar Federal (EC nº 15/96). 
 Estudo de Viabilidade Municipal. 
 Plebiscito nas populações dos Municípios envolvidos. 
Critérios para criação (ADI 2.240): 
 Viabilidade econômica e financeira. 
 Consulta prévia à população. 
 Plebiscito. 
 Análise pelo Tribunal Regional Eleitoral. 
 Aprovação por lei estadual. 
Competências: 
 Não legislativa (administrativa ou material): 
o Comum: Art. 23 da CF/88. 
o Privativa: Art. 30, III a IX da CF/88. 
 Legislativa: 
o Expressa: Lei Orgânica (art. 29, caput). 
o Interesse local: Art. 30, I da CF/88. 
o Suplementar: Art. 30, II da CF/88. 
o Plano diretor: Art. 182, § 1º da CF/88. 
o Tributária expressa: Art. 156 da CF/88. 
Meio ambiente e controle da poluição: 
 Legislação municipal em consonância com União e Estado (RE 586.224 e RE 194.704). 
 Interesse local preponderante (Inf. 870/STF). 
 
 
 
 
 
 
 25 
Distrito Federal 
 
O Distrito Federal se originou da transformação do antigo Município Neutro, estabelecido 
como Capital do Império conforme a Constituição de 1891, mantendo a sede na cidade do Rio de 
Janeiro. Inicialmente, não era considerado uma entidade federativa autônoma, mas sim uma 
autarquia territorial. 
De acordo com a Constituição de 1891, uma área de 14.400 quilômetros quadrados no 
Planalto Central foi destinada à União para estabelecer a futura Capital federal. 
Com a construção de Brasília, concluída em 21 de abril de 1960, o Distrito Federal foi 
transformado no Estado da Guanabara, mantendo os limites geográficos da cidade do Rio de 
Janeiro (Lei n. 3.752/60). O Estado da Guanabara, embora não fosse dividido em municípios, foi 
fundido com o Estado do Rio de Janeiro em 15.03.1975 pela LC n. 20/74. 
Após a promulgação da Constituição de 1988, Brasília se tornou a Capital Federal, com o 
Distrito Federal agora sendo considerado um ente federativo autônomo, embora com tutela parcial 
da União. Além de ser a Capital da República Federativa do Brasil e sede do governo federal, 
Brasília também abriga o governo do Distrito Federal, conforme a Lei Orgânica do DF. 
 
 
 
Distrito Federal como unidade federada 
O Distrito Federal é, portanto, uma unidade federada autônoma, visto que possui 
capacidade de auto-organização, autogoverno, autoadministração e autolegislação: 
 Auto-organização: art. 32, caput – estabelece que o Distrito Federal se regerá por lei orgânica, 
votada em dois turnos com interstício mínimo de dez dias e aprovada por dois terços da 
Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos na Constituição 
Federal; 
 Autogoverno: art. 32, §§ 2º e 3º – eleição de Governador e Vice-Governador e dos Deputados 
Distritais; 
 Autoadministração e Autolegislação: regras de competências legislativas e não legislativas, 
que serão abaixo estudadas. 
 
 
 
 26 
Características importantes 
Algumas regras importantes a serem destacadas incluem: 
 O Distrito Federal não pode ser dividido em municípios, ao contrário dos estados e territórios. 
 Sua autonomia é parcialmente tutelada pela União. Por exemplo, a polícia civil, polícia penal, 
polícia militar e corpo de bombeiros militar são organizados e mantidos diretamente pela União, 
embora sejam subordinados ao Governador do Distrito Federal. O Poder Judiciário e o 
Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios também são mantidos pela União. 
 A EC n. 69/2012 transferiu para o DF as atribuições de organizar e manter a Defensoria Pública 
do Distrito Federal, seguindo os mesmos princípios e regras das Defensorias Públicas dos 
Estados. 
 O Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), instituído pela Lei n. 10.633/2002, 
fornece recursos para a organização e manutenção das forças policiais e para serviços públicos 
de saúde e educação, sendo fiscalizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). 
 O STF determinou que a competência para fiscalizar os recursos do FCDF é do TCU, não do 
Tribunal de Contas do Distrito Federal. 
 O Legislativo distrital não pode instituir gratificação por risco de vida para policiais e bombeiros 
militares do Distrito Federal, pois isso seria uma usurpação da competência da União para 
organizar e manter as forças de segurança e prestar assistência financeira ao Distrito Federal. 
 
 
 
 
 
 
Competência do Distrito Federal 
Competências não legislativas (administrativas ou materiais) 
→ Comum (cumulativa ou paralela): trata-se de competência não legislativa comum aos quatro 
entes federativos, quais sejam, a União, Estados, Distrito Federal e Municípios, prevista no art. 23 
da CF/88. 
 
 
 
 
 27 
Competências legislativas 
O art. 32, § 1º, prescreve que ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas 
reservadas aos Estados e Municípios. Assim, tudo o que foi dito a respeito dos Estados aplica-se 
ao Distrito Federal, bem como o que foi dito sobre os Municípios no tocante à competência para 
legislar também a ele se aplica. 
→ Expressa: art. 32, caput — elaboração da própria lei orgânica; 
 
→ Residual: art. 25, § 1º — toda competência que não for vedada, ao Distrito Federal estará 
reservada; 
 
→ Delegada: art. 22, parágrafo único — como vimos, a União poderá autorizar o Distrito Federal 
a legislar sobre questões específicas das matérias de sua competência privativa. Tal autorização dar-
se-á mediante lei complementar; 
 
→ Concorrente: art. 24 — em que se estabelece concorrência para legislar entre União, Estados e 
Distrito Federal, cabendo à União legislar sobre normas gerais e ao Distrito Federal, sobre normas 
específicas; 
 
→ Suplementar: art. 24, §§ 1º a 4º — no âmbito da legislação concorrente, como vimos, a União 
limita-se a fixar normas gerais e o Distrito Federal, normas específicas. No entanto, em caso de 
inércia legislativa da União, o Distrito Federal poderá suplementá-la e regulamentar as regras gerais 
sobre o assunto, sendo que, na superveniência de lei federal sobre norma geral, a aludida norma 
distrital geral (suplementar) terá a sua eficácia suspensa, no que for contrária à lei federal sobre 
normas gerais editadas posteriormente; 
 
→ Interesse local: art. 30, I, combinado com o art. 32, § 1º; 
 
→ Competência tributária expressa: art. 147, parte final, c/c os arts. 156 e 155 (a estudar 
especialmente em direito tributário). 
 
 
 
 
 28 
Resumo esquematizado: 
Origem: 
 Transformação do antigo Município Neutro (Rio de Janeiro) em 1891. 
 Área no Planalto Central destinada à futura capital federal (14.400 km²). 
 Criação de Brasília em 1960 e transformação do Distrito Federal no Estado da Guanabara. 
 Fusão do Estado da Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro em 1975. 
 Distrito Federal se torna ente federativo autônomo com a Constituição de 1988. 
Características: 
 Unidade federada autônoma com capacidade de auto-organização, autogoverno, 
autoadministração e autolegislação. 
 Não pode ser dividido em municípios. 
 Autonomia parcialmente tutelada pela União. 
 Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) para organização das forças de 
segurança e serviços públicos. 
 Controle do TCU sobre os recursos do FCDF. 
 Impossibilidade de criação de gratificação por risco de vida para policiais e bombeiros. 
Competências: 
 Competências não legislativas (administrativas ou materiais): 
o Comum (cumulativa ou paralela) com União, Estados e Municípios (art. 23 da 
CF/88). 
 Competênciaslegislativas: 
o Expressa: elaboração da Lei Orgânica (art. 32, caput). 
o Residual: tudo que não for vedado (art. 25, § 1º). 
o Delegada: autorização da União para legislar sobre questões específicas (art. 22, 
parágrafo único). 
o Concorrente: União legisla sobre normas gerais e Distrito Federal sobre normas 
específicas (art. 24). 
o Suplementar: Distrito Federal pode suplementar a legislação federal em caso de 
inércia (art. 24, §§ 1º a 4º). 
o Interesse local (art. 30, I, combinado com o art. 32, § 1º). 
o Tributária expressa (art. 147, parte final, c/c os arts. 156 e 155). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 29 
Intervenção Federal 
 
A intervenção em entes da federação é medida drástica e excepcional que só poderá ocorrer 
nas hipóteses restritas previstas na Constituição Federal e com a finalidade de preservar a 
integridade da federação e dos seus princípios fundantes. 
O art. 18 da CF/88 estabelece a organização político-administrativa do Brasil, 
compreendendo a União, Estados, Distrito Federal e Municípios, todos autônomos. No entanto, 
em situações excepcionais de anormalidade, a autonomia pode ser temporariamente suprimida por 
intervenção, conforme previsto na Constituição. 
As hipóteses de intervenção devem ser interpretadas restritivamente, sendo um rol taxativo. 
A intervenção federal ocorre quando a União intercede nos Estados, Distrito Federal e Municípios 
em território federal. Já a intervenção estadual ocorre quando os Estados intervêm em seus 
próprios Municípios. 
Segundo Humberto Peña de Moraes, a intervenção é um instituto típico do Estado Federal, 
caracterizando-se pelo afastamento temporário da autonomia da entidade federativa afetada. 
 
 
Hipóteses de Intervenção Federal 
As hipóteses de intervenção federal, conforme o art. 34 da Constituição, são: 
 Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para: 
I - manter a integridade nacional; 
II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra; 
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública; 
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação; 
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que: 
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo 
motivo de força maior; 
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos 
prazos estabelecidos em lei; 
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial; 
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: 
a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático; 
b) direitos da pessoa humana; 
c) autonomia municipal; 
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta. 
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a 
proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e 
serviços públicos de saúde. 
 
 
 
 30 
A intervenção federal é decretada pelo Presidente da República, podendo ser espontânea 
ou mediante provocação. Quando espontânea, o presidente deve ouvir o Conselho da República e 
o Conselho de Defesa Nacional. Quando decorre do descumprimento de ordem judicial, pode ser 
requisitada pelo STF, STJ ou TSE. 
O decreto de intervenção, que especifica a amplitude, o prazo e as condições de execução 
e nomeia o interventor, deve ser submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da Assembleia 
Legislativa do Estado dentro de 24 horas. 
Após cessadas as causas que motivaram a intervenção, as autoridades afastadas podem 
retornar aos seus cargos, salvo impedimentos legais. 
 
 
 
Espécies de Intervenção Federal 
 Espontânea: Presidente da República age de ofício, conforme art. 34, I, II, III e V. 
 Provocada por solicitação: Quando o Poder Legislativo ou Executivo é coagido ou 
impedido, conforme art. 34, IV, combinado com o art. 36, I, primeira parte. 
 Provocada por requisição: 
o a) Contra o Poder Judiciário: Requisição do Supremo Tribunal Federal, conforme 
art. 34, IV, combinado com o art. 36, I, segunda parte. 
o b) Descumprimento de ordem judicial: Requisição do STF, STJ ou TSE, de acordo 
com a matéria, conforme art. 34, VI, segunda parte, combinado com o art. 36, II. 
 Provocada, dependendo de provimento de representação: 
o a) Ofensa aos princípios constitucionais sensíveis: Provimento de representação do 
Procurador-Geral da República pelo STF, conforme art. 34, VII, combinado com 
o art. 36, III, primeira parte. 
o b) Para prover a execução de lei federal: Provimento de representação do 
Procurador-Geral da República pelo STF, conforme art. 34, VI, primeira parte, 
combinado com o art. 36, III, segunda parte. 
Na hipótese de solicitação pelo Executivo ou Legislativo, o Presidente da República tem 
discricionariedade para intervir. Porém, se houver requisição do Judiciário e não houver suspensão 
da execução do ato impugnado, o Presidente da República está vinculado a decretar a intervenção 
federal. 
 
 
 31 
Controle político exercido pelo Congresso Nacional 
O decreto interventivo geralmente passa pela apreciação do Congresso Nacional, salvo 
exceções. A Constituição dispensa essa apreciação em duas situações: 
 quando se trata de prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial (art. 34, VI); e 
 quando há afronta aos princípios sensíveis da Constituição (art. 34, VII). 
No entanto, se a suspensão do ato impugnado não restaurar a normalidade, o Presidente 
da República pode decretar a intervenção federal, sujeitando seu ato ao exame do Congresso 
Nacional em 24 horas. 
 
 
 
 
 
A intervenção federal e a necessidade de preservação dos direitos 
fundamentais 
Ao contrário do estado de defesa e do estado de sítio, que podem impor medidas coercitivas 
e restrições a direitos e garantias, a intervenção federal não prevê qualquer restrição a direitos. Dada 
a natureza excepcional da intervenção, sua interpretação deve ser restritiva, não admitindo a 
mitigação de direitos fundamentais. 
Medidas como os “mandados coletivos de busca, apreensão e captura” no caso do Rio de 
Janeiro, mencionados pela imprensa, são repudiadas, pois violam garantias como a presunção de 
inocência, o devido processo legal, a inviolabilidade do domicílio e da intimidade, o dever de 
motivar decisões judiciais e a regra do art. 243 do CPP. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 32 
Intervenção Estadual 
A intervenção estadual nos municípios, bem como a intervenção da União nos Municípios 
dos Territórios, só poderá ocorrer nas seguintes situações: 
Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios 
localizados em Território Federal, exceto quando: 
I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida 
fundada; 
II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei; 
III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e 
desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde; 
IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância 
de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de 
ordem ou de decisão judicial. 
 
Nesse último caso, a competência para tal circunstância é do Procurador Geral do 
Ministério Público Estadual, por simetria com a competência prevista no art. 129, IV da 
Constituição. 
 
 
 
Resumo esquematizado: 
 
Conceito e Natureza: 
 Medida excepcional que visa preservar a integridade da federação e seus princípios. 
 Afeta a autonomia dos entes federativos (Estados, Distrito Federal e Municípios). 
 Interpretação restritiva, com rol taxativo de hipóteses (Art. 34 da CF/88). 
Hipóteses (Art. 34 da CF/88): 
Decreto de Intervenção: 
 Decretado pelo Presidente da República; 
 Pode ser espontânea ou mediante provocação; 
 Espontânea: 
o Presidente consulta o Conselho da Repúblicae o Conselho de Defesa Nacional; 
 Provocada: 
o Poder Legislativo ou Executivo coagido ou impedido (Art. 34, IV e 36, I); 
o Contra o Poder Judiciário: Requisição do STF (Art. 34, IV e 36, I); 
o Descumprimento de ordem judicial: Requisição do STF, STJ ou TSE (Art. 34, VI 
e 36, II); 
o Ofensa aos princípios constitucionais: Representação do PGR pelo STF (Art. 34, 
VII e 36, III); 
o Para prover a execução de lei federal: Representação do PGR pelo STF (Art. 34, 
VI e 36, III). 
 
 
 33 
Controle pelo Congresso Nacional: 
 Apreciação do decreto interventivo, salvo exceções: 
o Prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial (Art. 34, VI); 
o Afronta aos princípios sensíveis da Constituição (Art. 34, VII). 
 Suspensão do ato impugnado não restaura a normalidade: 
o Presidente pode decretar a intervenção federal; 
o Ato sujeito ao exame do Congresso Nacional em 24 horas. 
Intervenção e Direitos Fundamentais: 
 Não prevê restrições a direitos, diferentemente do estado de defesa e do estado de sítio; 
 Interpretação restritiva, não admitindo a mitigação de direitos fundamentais; 
 Medidas como mandados coletivos de busca e apreensão são repudiadas por violarem 
garantias como: 
o Presunção de inocência; 
o Devido processo legal; 
o Inviolabilidade do domicílio e da intimidade; 
o Dever de motivar decisões judiciais. 
Intervenção Estadual (Art. 35 da CF/88): 
 Mesma natureza jurídica da intervenção federal; 
 Aplica-se aos Municípios; 
 Hipóteses: 
o Deixar de pagar a dívida fundada por dois anos consecutivos; 
o Não prestar contas devidas; 
o Não aplicar o mínimo exigido da receita em educação e saúde; 
o Tribunal de Justiça acolhe representação para assegurar princípios da Constituição 
Estadual ou a execução de lei, ordem ou decisão judicial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 34 
Administração Pública 
 
É possível pensar em pelo menos dois sentidos para o termo Administração Pública: 
subjetivo ou objetivo. O subjetivo, formal ou orgânico refere-se aos entes que exercem atividade 
administrativa. O objetivo, material ou funcional, por outro lado, corresponde à natureza da 
atividade exercida pelos referidos entes. Assim, a Administração Pública é a própria função 
administrativa, que incumbe predominantemente (mas não apenas) ao poder executivo. 
 
 
 
Princípios constitucionais da Administração Pública 
 São os princípios do famoso “LIMPE”, estabelecidos expressamente no art. 37 da CF/88. 
Mas o que significa o termo “LIMPE”? Calma que eu te explico, jovem padawan. O termo é 
formado pelas iniciais dos cinco princípios expressos no art. 37 da CF/88, são eles: Legalidade, 
Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. Vamos falar sobre cada um deles agora. 
Princípio da Legalidade 
Condiciona toda a atuação da Administração Pública, que só pode exercer suas atribuições 
nos limites das normas jurídicas aplicáveis. A legalidade abarca normas e princípios e não apenas a 
legislação em sentido estrito. Por força desse princípio, a liberdade de atuação da Administração é 
menor que a dos particulares que, por sua vez, atuam no exercício de autonomia privada. 
 
 
Princípio da Impessoalidade 
Consiste no tratamento isonômico daqueles que se relacionam com a Administração. 
Deriva do próprio princípio da igualdade, vedados quaisquer atos de discriminação ou benefícios 
derivados de aspectos pessoais. 
A impessoalidade implica em objetividade no atingimento dos fins públicos, e se coloca em 
duas vertentes: 
 A administração não deve atuar em benefício ou malefício de pessoas determinadas; e 
 A atuação administrativa não é imputada ao agente público, mas ao órgão ou entidade da 
Administração. 
 
 
 35 
O agente é um órgão que manifesta a vontade estatal: sua vontade individual não é a 
vontade do Estado. Esse princípio é concretizado em alguns institutos que visam a promover 
igualdade de acesso (concursos públicos e licitações). 
 
 
Princípio da Moralidade 
A atuação da Administração deve ocorrer de acordo com princípios éticos que integram o 
ordenamento jurídico. Da moralidade derivam subprincípios da lealdade e da boa-fé e o dever de 
probidade administrativa. 
 
 
Princípio da Publicidade 
A Administração Pública não admite a ação em segredo: pelo princípio da publicidade, os 
atos administrativos devem ser divulgados e/ou acessíveis pelos cidadãos, existindo verdadeiro 
dever de transparência, que só pode ser afastando em situações excepcionais previstas pela 
Constituição e pela legislação (ex: dados sigilosos relativos à segurança nacional). 
Além do art. 37, caput, outras disposições constitucionais estão relacionadas ao princípio 
da publicidade, como é o caso do direito de acesso à informação e os instrumentos para sua garantia 
(habeas data, por exemplo), consoante o art. 5º, XXXIII e XXII da CF/88. 
 
 
Princípio da Eficiência 
O princípio da eficiência foi inserido na Constituição pela Emenda Constitucional n. 
19/1998 e tem relação com a otimização da atividade administrativa. Nesse sentido, Onofre Alves 
Batista Júnior (2012) afirma que a eficiência se relaciona ao dever de ampliar, no maior nível 
possível, o bem comum, com o uso adequado dos meios disponibilizados à Administração para 
atingir seu fim máximo: o interesse público. 
 
 
 
 
 
 
 36 
Resumo esquematizado: 
Definição: 
 Subjetivo/formal/orgânico: entes que exercem atividade administrativa. 
 Objetivo/material/funcional: natureza da atividade exercida pelos entes. 
Princípios Constitucionais: 
 LIMPE: 
o Legalidade: atuação dentro das normas jurídicas. 
o Impessoalidade: tratamento isonômico para todos. 
 Objetividade no atingimento dos fins públicos. 
 Atos imputados ao órgão, não ao agente. 
o Moralidade: de acordo com princípios éticos. 
 Subprincípios da lealdade, boa-fé e probidade administrativa. 
o Publicidade: atos administrativos devem ser divulgados. 
 Exceções: dados sigilosos (segurança nacional). 
 Direito de acesso à informação (art. 5º, XXXIII e XXII da CF/88). 
o Eficiência: otimização da atividade administrativa. 
 Ampliar o bem comum com o uso adequado dos recursos. 
 
 
 
 
 
Classificação dos agentes públicos 
 
A expressão "agente público" é ampla, abrangendo todos os que agem em nome do Estado, 
mesmo sem vínculo remunerado ou transitório. Isso implica que o Estado é responsável por seus 
atos, segundo o princípio da responsabilidade objetiva previsto no art. 37, §6º da Constituição. 
A Lei 8.429/92 define agente público como aquele que exerce função pública, 
independentemente de remuneração ou vínculo. O Código Penal, embora use o termo "funcionário 
público", também adota uma abordagem ampla. Isso inclui servidores estatutários, contratados pela 
CLT, temporários e mesmo particulares que desempenham funções públicas, como mesários ou 
jurados. Todos os atos desses agentes são imputados ao Estado e sujeitos ao controle judicial. 
Segundo aponta Araújo (2011, p. 31), “agentes públicos são todos os indivíduos que, sob 
diferentes títulos e regimes jurídicos, atuam em nome do estado”. Em classificação proposta por 
Carvalho Filho (2018), os agentes públicos podem ser classificados da seguinte forma: 
 
 
 37 
 
Agentes políticos 
Aqueles que ocupam seus cargos fundamentais na estrutura do Estado e que definem as 
diretrizes do poder público, seja pela formulação de normas, metas, políticas públicas e outros. Tais 
funções estão em grande medida previstas na Constituição e, em regra, a investidura desses agentes 
se dá por meio das eleições (exceção: Secretários e Ministros de Estado, por exemplo) e o exercício 
de suas funções normalmente é transitório. 
Indiscutível na doutrina que são agentes políticos os detentores de mandato eletivo e os 
secretários e ministros de Estado. 
O STF acrescenta os membros da magistratura e os membros do Ministério Público como 
agentes políticos, haja vista atuarem no exercício de funçõesessenciais ao Estado e praticar 
praticarem atos inerentes à soberania do Estado. 
 
 
Atenção! Membros do Tribunal de Contas se enquadram na categoria de agentes 
administrativos. 
Exemplo de agentes: chefes do poder executivo e seus auxiliares (presidente e ministros, 
governador e secretário de Estado), prefeito e secretário municipal, membros do poder legislativo 
(vereadores, deputados estaduais e federais e senadores). 
 
 
 
Agentes particulares colaboradores 
Particulares que exercem colaboração com o Estado, com algum tipo de função ou múnus 
público. Por vezes, a função é exercida de forma temporária e sem remuneração. 
Aqueles que, sem perderem a qualidade de particulares, atuam, em situações excepcionais 
em nome do estado mesmo em caráter temporário ou ocasional, independentemente do vínculo 
jurídico estabelecido, exercendo função pública. 
Podem ser separados em três categorias: 
 
 
 38 
 Designados: são todos aqueles que atuam em virtude de convocação efetivada pelo poder 
público. Exercem múnus público, tem a obrigação de participar quando requisitado sob pena 
de sanção. São chamados por Hely Lopes Meirelles de “agentes honoríficos”. 
 
 
 Voluntários: aqueles que atuam voluntariamente em repartições, escolas, hospitais públicos ou 
em situações de calamidade, nas hipóteses em que o Estado realiza programa de voluntariado. 
 
 
 Delegados: são aqueles que atuam na prestação de serviços públicos mediante delegação do 
Estado. 
Atenção! Não é pacífica essa classificação. Entretanto, são considerados, para a doutrina 
majoritária, agentes públicos, quando atuam na prestação do serviço público delegado. 
 
 Credenciados: atua em nome do estado em virtude de convênios celebrados com o poder 
público 
 
Exemplos: jurados, mesários convocados para auxiliar no processo eleitoral, concessionários de 
serviço público, titulares de cartórios, dentre outros. 
 
 
 
 
Servidores Públicos 
Nas palavras de Araújo (2011), os servidores são quaisquer agentes públicos que exerçam 
atribuição do poder público voluntariamente, a título profissional, mediante remuneração, estando 
inseridos de maneira subordinada nos quadros da Administração Pública. Há, portanto, uma 
relação profissional de trabalho com o Estado, exercida mediante remuneração. 
 
 
 
 
 39 
Acessibilidade a cargos, empregos e funções públicas: concurso público 
Por força do princípio da isonomia, o ingresso em cargos, empregos e funções públicas 
deve ser, em regra, precedido de concurso público, procedimento criado para garantir iguais 
condições de acessibilidade às pessoas que desejam ser agentes públicos. 
O art. 37, II da Constituição estabelece que a investidura de agentes público em cargos ou 
funções públicas deverá ser antecedida de um concurso, que pode envolver provas ou provas e 
títulos, de acordo com a complexidade da função a ser exercida. A própria Constituição estabelece 
a exceção a este dever em relação às nomeações para cargo em comissão, que seja de livre nomeação 
e exoneração, conforme previsão legal. Estes cargos têm natureza de confiança e sua ocupação é 
precária, o que significa que o agente público pode ser desligado da Administração livremente, não 
adquirindo qualquer tipo de estabilidade. 
 
 
 
 
Ampla acessibilidade 
Em garantia ao princípio da impessoalidade, o texto constitucional prevê ampla 
acessibilidade aos cargos e empregos públicos, dispondo, no art. 37, I, que devem ser acessíveis aos 
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma 
da liminar. 
Excepcionalmente, o art. 13, § 3º, da CF/88, define alguns cargos que somente podem ser 
preenchidos por brasileiros natos. O texto constitucional limita o acesso de estrangeiros aos cargos 
públicos àquelas hipóteses que serão definidas em lei específica. 
 
 
 
Concurso público 
O requisito básico para a garantia de impessoalidade, moralidade isonomia no acesso a 
cargos públicos e a realização de concurso público de provas ou de provas e títulos uma vez que 
os critérios de seleção são objetivos não se admitindo quaisquer espécies de favoritismo ou 
discriminações indevidas. (art. 37, II, da CF/88). 
 
 
 40 
A complexidade da prova e o nível de exigência deve ser compatível com a carreira e se 
preenchida mediante processo seletivo final 
Atenção! Não se admite no Brasil a escolha de candidatos baseadas somente em concursos 
de títulos. Também não se admite qualquer espécie de provimento derivado que permita ao 
servidor assumir cargo em outra carreira que não aquela que foi regularmente investida por meio 
de concurso. (Súmula Vinculante nº 43) 
Atenção! Não se admitem os chamados “concursos internos”, por meio dos quais antigos 
servidores poderiam assumir cargos em nova carreira, criada por lei, que não guarda uniformidade 
com aquela carreira no qual o servidor ingressou mediante concurso. 
 
 
O servidor em disponibilidade somente poderá ser aproveitado em cargo com atribuições 
e atividades compatíveis com aquelas que exercia antes da extinção do cargo ou da declaração da 
desnecessidade do mesmo, nos termos do art. 41, § 3º da CF/88. 
 
Resumo esquematizado: 
Agente Público: 
 Ampla definição: todos que agem em nome do Estado, mesmo sem vínculo remunerado 
ou transitório. 
 Responsabilidade do Estado pelos atos dos agentes públicos (art. 37, §6º da CF/88). 
 Lei 8.429/92: agente público = função pública, independentemente de remuneração ou 
vínculo. 
 Código Penal: "funcionário público" = abrangência ampla. 
 Todos os atos dos agentes públicos são imputados ao Estado e sujeitos ao controle judicial. 
Classificação: 
 Agentes políticos: 
o Definem as diretrizes do poder público. 
o Cargos previstos na Constituição. 
o Investidura em regra por eleições. 
o Exceção: Secretários e Ministros de Estado. 
o Função transitória. 
 
 
 41 
o Exemplos: 
 Chefes do poder executivo e seus auxiliares. 
 Membros do poder legislativo. 
o STF: membros da magistratura e do Ministério Público. 
 Agentes particulares colaboradores: 
o Particulares que colaboram com o Estado. 
o Função temporária e sem remuneração. 
o Categorias: 
 Designados: múnus público, obrigatoriedade de participação. 
 Voluntários: atuação em repartições, escolas, hospitais ou calamidades. 
 Delegados: prestação de serviços públicos mediante delegação. 
 Credenciados: convênios com o poder público. 
o Exemplos: 
 Jurados. 
 Mesários. 
 Concessionários de serviço público. 
 Titulares de cartórios. 
 Servidores Públicos: 
o Exercem atribuição do poder público profissionalmente. 
o Remuneração. 
o Relação profissional de trabalho com o Estado. 
Acesso a cargos públicos: 
 Concurso público, em regra (art. 37, II da CF/88). 
 Garante igualdade de condições. 
 Exceção: cargos em comissão (livre nomeação e exoneração). 
 Ampla acessibilidade: brasileiros e estrangeiros (art. 37, I da CF/88). 
 Exceções: cargos privativos de brasileiros natos (art. 13, § 3º da CF/88). 
Concurso público: 
 Requisito para impessoalidade, moralidade e isonomia. 
 Provas ou provas e títulos. 
 Complexidade da prova compatível com a carreira. 
 Provimento derivado não é admitido. 
 Concursos internos não são admitidos. 
 Aproveitamento de servidor em disponibilidade: atividades compatíveis com as anteriores. 
 
 
 
 
 
 42 
ESTE CONTEÚDO NÃO SERÁ VISTO PRESENCIALMENTE! 
Sistema remuneratório do servidor público. Direito dos servidores, 
garantias e vedações constitucionais. 
 
Leitura do material do AVA (ebook) – Unidade II, páginas 38 a 40 
 
 
 
Licitação Pública 
 
Conceito 
 De forma técnica, podemos dizer que a licitação é um procedimento administrativo 
disciplinado por lei e por um ato administrativo prévio, que determina critérios objetivos de seleção 
de proposta da contratação mais vantajosa, com observância do princípio da isonomia, conduzido 
por um órgão dotado de

Mais conteúdos dessa disciplina