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Letras Claras PROJETOS PEDAGÓGICOS PARA A SALA DE AULA PROJETOS PEDAGÓGICOS PARA A SALA DE AULA Projetos Pedagógicos de Leitura e Escrita Profa. Alessandra Mara Sicchieri 1. REFLEXÕES SOBRE A LEITURA E A ESCRITA NO CONTEXTO ESCOLAR “Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.” (Leonardo Boff - A águia e a galinha, p. 2) Ler é muito mais que decodificar palavras. A leitura é uma prática social que envolve habilidades variadas que são mobilizadas pelo leitor, tanto no ato da leitura, quanto no que a antecede e no que decorre dela. No contexto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018), a leitura é tomada em um sentido mais amplo, não incluindo somente o texto escrito, mas também as imagens estáticas como foto, pintura, desenho, esquema, gráfico e diagrama; ou em movimento como filmes, vídeos etc., e o som (música), que acompanha muitos gêneros digitais. Assim, ressaltamos que as leituras são diversas e começam com a leitura de mundo, conforme posto por Lajolo (1994): “Ninguém nasce sabendo ler: aprende-se à medida que se vive. Se ler livros geralmente se aprende nos bancos da escola, outras leituras se aprendem por aí, na chamada escola da vida”. Buscando ilustrar sua colocação, a autora explicita [...] Em nossa cultura, quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode (e nem costuma) encerrar-se nela. Do mundo da leitura para a leitura do mundo, o trajeto cumpre sempre, refazendo-se, inclusive, por um vice-versa que transforma a leitura em prática circular infinita. (Lajolo, 1994, p. 7). Tendo em vista o exposto, fica claro que a leitura não se reduz à escola, a leitura do mundo e o mundo da leitura são imbricados ao ponto de não sabermos onde começa e acaba cada um. Nesse sentido, uma atividade de leitura não implica, necessariamente, que o sujeito já saiba decodificar os grafemas; um sujeito que ainda não lê formalmente as letras, pode ser um bom leitor, já que é a compreensão do texto, lido por ele ou por outra pessoa, que garante a sua habilidade como leitor. Dessa forma, salientamos que a contação de histórias oferecida no âmbito escolar ou familiar é, na realidade, uma maneira enriquecedora de contato com a leitura e a interpretação. Portanto, ler palavras é muito mais do que converter letras em sons, é atribuir significados para que possamos entender o mundo, ou seja, o texto ganhará sentido quando ele se articular com os conhecimentos prévios que o leitor possui. Ampliando a abordagem sobre a leitura propriamente dita, Isabel Solè (1998) diz que a leitura é um processo de “interação entre o leitor e o texto”, tentando buscar uma informação condizente com os objetivos que guiam sua leitura, ou seja, ler envolve a presença de um “leitor ativo que processa e examina o texto”. A autora acrescenta, ainda, que toda leitura tem um objetivo, seja esse lazer, devaneio, obter uma informação específica, aprender algo, seguir uma instrução etc. Dessa forma, apesar do conteúdo de um texto permanecer invariável, é possível que dois leitores com finalidades diversas extraiam informações distintas dele. Nessa perspectiva, Assolini (2020) nos aponta que “ler é interagir”, que ler pressupõe um sujeito cognitivo não passivo, e que “ocupa a posição de um sujeito a quem cabe (re)criar significados”, sendo a leitura um processo também cognitivo que coloca o leitor diante do texto (ou da obra), seja ela de que natureza for. De acordo com a autora Assim, vemos o processo de leitura em uma perspectiva de interação, que não se centra exclusivamente no texto ou no leitor. O leitor utiliza simultaneamente seu conhecimento de mundo e seu conhecimento do texto para construir uma interpretação, faz previsões sobre qualquer tipo de texto e sobre seus componentes, hipóteses que dependem do conhecimento prévio e do objetivo que se tem. Nesse sentido, para que diferentes aspectos da leitura sejam ativados, é necessário que se compreenda uma série de componentes do texto, para além daquilo que está escrito em sua superfície. É preciso que o “estudante leitor” entenda não apenas as palavras que compõem o texto, mas perceba o contexto em que ele está inserido, o gênero textual, com suas características e formas específicas, as intenções do produtor do texto e as informações implícitas que o texto nos dá, bem como as marcas de outros textos nele inseridos etc. Portanto, explorar as várias dimensões de um texto colabora para que os alunos avancem no processo de interpretação, sendo esse um procedimento que pode ser ensinado e aprendido. […] Na visão interacionista, parte-se do pressuposto segundo o qual o leitor, a partir de seus conhecimentos linguísticos, conceituais, atitudinais e experiências adquiridas socialmente, realizaria a construção do sentido do texto, a partir de marcas, pistas, argumentos da situação de enunciação deixadas pelo autor. Podemos dizer que o leitor deve agir sobre o texto, considerando os caminhos abertos pelo autor (Assolini, 2020, p. 144). 1.1 DIMENSÕES QUE COMPÕEM UM TEXTO Pró-letramento: Programa de Formação Continuada de Professores dos Anos iniciais do Ensino Fundamental - Alfabetização e Linguagem. Fascículo 7. Ministério da Educação. Brasília, 2006. Texto adaptado para fins pedagógicos. O contexto. Engloba, entre outros, a intencionalidade e a informatividade, que contribuem para situar o texto dentro de uma dimensão sociocomunicativa. A intencionalidade são as intenções do produtor do texto como: produzir emoções, rir, chorar, enternecer-se, sentir medo ou excitação, persuadir o leitor, convencê-lo etc. A leitura do título, das referências do autor, da ilustração... podem caracterizar-se como mais uma estratégia de contextualização da leitura. A informatividade consiste nas informações novas ou já conhecidas que um texto traz. Essas informações fazem parte do nosso conhecimento de mundo. Se um texto traz muita informação nova, ele é de difícil compreensão; se as informações, em sua maioria, já são conhecidas, ele é um texto de fácil compreensão. As informações também vão situar o texto em determinado momento histórico. Um texto escrito no século 19, por exemplo, traz informações sobre costumes, conceitos, visões de mundo daquela época. O contexto em que está inserido o texto ajuda muito em sua compreensão. Para entendermos certas informações no texto, temos que acionar nosso conhecimento de mundo (conhecimento pragmático-cultural): essas informações são, portanto, baseadas em conhecimentos, experiências, crenças, ideologias e contextos da cultura em que estamos inseridos. Além disso, para que os textos atinjam seus objetivos, é necessário que se estruturem dentro de certas características, que os fazem pertencer a gêneros textuais específicos. Um poema, por exemplo, geralmente vem em versos, dispostos um abaixo do outro, formando estrofes. Uma propaganda geralmente vem com gravuras e letras grandes, para chamar mais a atenção do leitor etc. Um segundo aspecto da dimensão contextual é a intencionalidade do autor, o que ele pretende com aquela história. O texto. Fazem parte da construção textual os componentes de coesão e coerência. Coesão: estruturas coesivas que organizam o texto, fazendo dele um todo coeso. Esses elementos são responsáveis por sua progressividade textual. Por exemplo: Fabiana saiu, ela foi ao cinema. O pronome destacado substitui o sujeito “Fabiana” da 1ª oração e indica que se continua a falar sobre a mesma pessoa, construindo, assim, a progressividade do texto. Coerência: para um texto ser coerente, é necessário que os elementos responsáveis pela sua progressão temática estejam organizados de tal forma que possamos perceber, claramente, o desenvolvimento desse tema em uma sequência lógica, com começo, meio e fim. É necessário, também, que o texto se estruture dentro do gênero proposto. Quando evidenciamos esses elementos bem articuladosno texto, dizemos que há coerência, posto que tal texto tem uma organização interna que permite sua compreensão. O infratexto. É tudo aquilo que está abaixo da superfície do texto, mas é decisivo para sua coerência. Todo texto carrega inúmeras informações implícitas que são fundamentais para sua compreensão. Essas informações completam o sentido do texto lido, são as inferências que vamos construindo no decorrer da leitura. O professor deve procurar construir questões que levem a criança a entender/perceber as informações implícitas no texto. O implícito, portanto, refere-se ao que não é falado abertamente, mas percebido pelas pistas que o texto nos dá. Para fazermos a leitura do que está implícito, complemento do que está explícito, é necessário que, a partir das pistas que o texto dá, sejamos capazes de perceber outras informações que completam o sentido, ou seja, temos que ativar a nossa capacidade inferencial. E o que seria essa capacidade inferencial? Vejamos um exemplo: você é convidado a ir à casa de uma amiga. Chegando lá, embora esteja quente, a casa está com as janelas fechadas. Você, sentindo-se incomodado, diz: “Como está abafado hoje, tem feito calor, concorda?” Na verdade, você espera que sua amiga abra as janelas, ou seja, pratique a ação esperada por você e não que apenas concorde com você. Se ela abrir janelas, ela terá feito uma leitura inferencial do que você disse, terá feito uma leitura de suas intenções que estavam implícitas no diálogo. O intertexto. A intertextualidade é a característica que faz um texto dependente de outros. Quando lemos um texto e percebemos nele marcas e/ou referências a textos anteriormente lidos, estamos diante de uma intertextualidade. No contexto escolar, além de trabalhar as dimensões do texto, é necessário que o professor reflita sobre quais as possibilidades de interação que serão promovidas para que os estudantes possam se interessar pela leitura, que sintam confiança para responder às perguntas, fazendo com que sejam coparticipantes da leitura. Convém ressaltar que, depois de uma leitura realizada por um leitor, os textos que leu vão determinar suas futuras escolhas de leitura, servirão de contraponto para novas leituras. Atitudes como gostar de ler e interessar-se pela leitura (e pelos livros) são construídas. Para algumas pessoas, esse interesse e incentivo acontece no espaço familiar e em outras esferas de convivência em que a escrita circula; mas, para muitos, é sobretudo na escola que esse gosto é incentivado. Por isso, é importante que a criança perceba a leitura como algo necessário, mas também prazeroso, e que tenha modelos. Nessa perspectiva, como já mencionado, não é necessário que a criança espere aprender a ler para ter acesso ao prazer da leitura, ela pode acompanhar as leituras feitas por adultos, pode manusear livros e outros impressos, tentando “ler” ou adivinhar o que está escrito. Inserir- se nas práticas sociais próprias à cultura escrita implica comportamentos, procedimentos e habilidades típicas de quem vive em um mundo grafocêntrico: estar atento aos escritos urbanos e aos materiais escritos que circulam na sociedade, incluindo a escola, aprender a usar uma biblioteca, conhecer e frequentar livrarias, conhecer outras formas de leitura como apreciação de obras de arte, seguir instruções visuais em lugares diversos como um banco, um supermercado, usar computador, tablet, celular, acessar a internet, chats, Instagram, e-mails, entre outras possibilidades. 2. LER, ESCREVER E INTERPRETAR: UMA DEMANDA SOCIAL E ESCOLAR (...) Ler é somar-se ao mundo, é iluminar-se com claridade do já decifrado. Escrever é dividir-se. Cada palavra descortina um horizonte, cada frase anuncia outra estação. E os olhos, tomando das rédeas, abrem caminhos, entre linhas, para viagens do pensamento. O livro é passaporte, é bilhete de partida (Queirós, 1999, p. 23). Falar de leitura e escrita é falar do ensino da língua. A língua é um sistema que tem como centro a interação verbal, que se faz por meio de textos/discursos, falados ou escritos. Isso significa que esse sistema depende da interlocução. Uma proposta de ensino de língua deve valorizar o uso da língua em inúmeras situações ou contextos sociais, com sua diversidade de funções e sua variedade de estilos e modos de falar. Partindo desse pressuposto, é de extrema importância que a escola propicie a reflexão dos alunos sobre as distintas possibilidades de emprego da língua, o que implica, certamente, a rejeição de um ensino meramente transmissivo, preocupado em oferecer ao aluno conceitos e regras prontas que privilegiem a memorização, com uma perspectiva de aprendizagem centrada em automatismos e reproduções. Uma proposta de ensino de língua materna deve prever não só o desenvolvimento de capacidades necessárias às práticas de leitura e escrita, mas também de fala e escuta compreensiva em diferentes contextos sociais. Considerando que os alunos em processo de alfabetização vivem numa sociedade letrada, em que a língua escrita está presente de maneira visível e marcante nas atividades cotidianas, inevitavelmente terão contato com textos escritos e formularão hipóteses sobre sua utilidade, seu funcionamento, sua configuração. Assim, a escola não deve reduzir e artificializar o objeto de aprendizagem que é a escrita, muito menos tratar o texto como pretexto para o ensino da língua (Lajolo, 1994). As propostas pedagógicas atuais precisam contemplar, de maneira articulada e simultânea, a alfabetização e o letramento, em um ambiente significativo e contextualizado, com a exploração das práticas sociais de leitura e escrita. Na sociedade contemporânea, é imprescindível que a criança seja alfabetizada e letrada, a fim de que possa constituir-se como um sujeito capaz de desconfiar e estranhar do que se lhe apresenta como natural e evidente. E, mais do que isso, que esse sujeito possa alcançar elevados níveis de alfabetização e letramento, que, certamente, irão lhe permitir constituir-se sujeito de sua própria história, exercendo, assim o direito à palavra. A vida e o saber fazem mais sentido quando nosso dizer é considerado, e, sobretudo, quando conseguimos romper espaços preestabelecidos (Assolini, 2022). Nesse sentido, as vivências reais com a escrita criam oportunidades para o desenvolvimento de experiências relevantes, favorecendo a integração social, a construção de conhecimentos e o exercício da cidadania. Sobre o assunto, podemos ilustrar com os dizeres de Delia Lerner: “Ler é entrar em outros mundos possíveis. É indagar a realidade para compreendê-la melhor, é se distanciar do texto e assumir uma postura crítica frente ao que se diz e ao que se quer dizer, é tirar carta de cidadania no mundo da cultura escrita” (Lerner, 2002, p. 73). Portanto, é necessário que incentivemos nossos estudantes a praticar socialmente a leitura e a escrita de forma ativa, descobridora, crítica, autônoma e criativa, já que linguagem é interação e, como tal, requer a participação transformadora dos sujeitos sociais que a utilizam. Contudo, a escola precisa se mobilizar e criar mecanismos para a formação de leitores autônomos que, conforme nos aponta Solè (1998), sejam “capazes de enfrentar de forma inteligente, diferentes textos”, isto é, que sejam ‘capazes de aprender a partir dos textos’”. Tais colocações nos levam a refletir sobre os aspectos que envolvem a leitura e a escrita no segmento escolar do Ensino Fundamental. Depois dos primeiros anos de escolarização, a leitura (e a interpretação) fará parte integral do processo escolar do aluno, será o elo entre todas as disciplinas, o que significa dizer que ler e escrever será primordial. Os alunos que não dominarem a leitura e a escrita precisarão de outras estratégias para serem capazes de acompanhar o ensino. Sabemos que a leitura autônoma (eficiente) leva o sujeito ao entendimento de assuntos distintos, promove diversão, imaginação, abre possibilidades de contato com várias culturas. Pela leitura nos tornamos mais reflexivos, formamosuma ideia própria dos fatos. Quem lê muito, consequentemente fala e escreve melhor, desenvolve um repertório de vocábulos mais avançado, começa a refletir mais rapidamente, logo, adquire mais agilidade na leitura, criando novos espaços para entender cada vez melhor sobre o que o texto diz, a opinião do escritor, a conclusão alcançada etc. Todavia, o desenvolvimento da autonomia na leitura demanda domínio das estratégias de compreensão leitora, bem como das estratégias de leitura enquanto técnica. O ato de ler ativa uma série de ações na mente do leitor pelas quais ele extrai informações. Essas ações ou estratégias de leitura passam, na maioria das vezes, despercebidas, pois ocorrem simultaneamente, e podem ser mantidas, modificadas e/ou desenvolvidas durante o ato da leitura. Assim, quando o professor tem conhecimento dos aspectos relacionados às estratégias de leitura que seus alunos dominam e das suas dificuldades, é possível propor atividades expressivas que venham a fortalecer o processo de leitura, interpretação e, consequentemente, de escrita. 2.1 ESTRATÉGIAS DE LEITURA a) Decodificação: procedimento de identificação das relações entre grafemas (letras) e fonemas (sons). Os leitores iniciantes costumam manifestá-la decifrando letra por letra, mas também utilizando outros procedimentos. Decodificar não garante que o aluno saiba o significado ou mesmo que faça uma interpretação do que leu. Nesse sentido, alguns linguistas não consideram a decodificação uma estratégia, por entendê-la como um ato mecânico, sem significado para o leitor iniciante. b) Seleção: permite que o leitor se atenha apenas às indicações “úteis” do texto. Ao ler, fazemos isso o tempo todo: nosso cérebro sabe que logo após o q vem o u, assim não lemos uma letra por vez. c) Antecipação: é possível prever o que está escrito com base em informações explícitas e em suposições. O gênero, o autor, o título e outros indícios favorecem a antecipação. Além de letras, sílabas e palavras, antecipamos significados. d) Inferência: permite captar o que não está escrito explicitamente no texto. As inferências podem ou não se confirmar no decorrer do texto. O contexto contribui para a utilização da estratégia de inferência. e) Verificação: é um tipo de checagem que acaba ocorrendo naturalmente no decorrer da própria leitura. É uma forma de confirmar ou não as demais estratégias. f) Autocorreção: é a reconstrução de hipóteses quando a estratégia de antecipação não é confirmada. É o caso quando o leitor relê a palavra que leu errado. A respeito das estratégias de leitura, podemos afirmar que um leitor utiliza várias estratégias ao mesmo tempo, mesmo sem ter consciência disso, já que não lê letra por letra, palavra por palavra. Todo leitor autônomo usa o seu conhecimento enquanto seus olhos reconhecem o texto, não observando linha por linha, segmento por segmento. Dessa forma, o ensino da leitura e da escrita exige do docente a observação ativa dos alunos e da própria intervenção como requisitos para estabelecer situações didáticas diferenciadas, capazes de se adaptar à diversidade da sala de aula. Propostas individualizadas precisam ser ofertadas, para além do uso exclusivo do livro didático. Assim, concluímos que é necessário pensar em projetos didáticos, contextos e propostas significativas que incentivem a leitura por parte dos alunos, possibilitando que avancem no processo de leitura, compreensão leitora e escrita. 3. A IMPORTÂNCIA DE PROJETOS PEDAGÓGICOS PARA ENSINAR E ENCANTAR A promoção do desenvolvimento do processo de leitura e escrita se constitui como um dos objetivos principais do Ensino Fundamental - Anos Iniciais. É nessa fase que o hábito de leitura deve ser motivado, desenvolvido e sistematizado. Quanto mais diversificadas forem as atividades de leitura, maior a chance de atender aos múltiplos interesses dos alunos e propiciar avanços em sua competência leitora, o que abrange interpretação, comunicação oral e escrita. Por meio de Projetos Pedagógicos elaborados coletivamente com os estudantes, podemos promover um trabalho educativo nas escolas, que aborde a interdisciplinaridade e a transversalidade, procure não fragmentar os conhecimentos e possibilite que a educação realmente se constitua como um meio de transformação social. Como vimos, na aprendizagem da leitura e da escrita, é necessária a vivência de práticas interacionais efetivas, relevantes e contextualizadas, que garantam a valoração da diversidade dos gêneros discursivos e das variedades linguísticas existentes em nossa sociedade, como também da diversidade de histórias de vida dos alunos inscritos nas práticas escolares. Nesse sentido, um bom projeto de leitura precisa: oportunizar situações significativas de leitura e escrita; ampliar o olhar sobre o universo cultural; despertar o interesse pela leitura e incentivar seu hábito; estimular a curiosidade, a criatividade e a imaginação; incentivar práticas de leitura e escrita com função real de expressão e comunicação; compartilhar com os estudantes os caminhos que serão trilhados. Todo projeto tem uma questão norteadora, assim, pensar em qual será o fechamento é imprescindível para pensar também nas etapas. Podemos dizer que o produto final de um projeto também guia o planejamento das diferentes etapas e propostas a serem executadas. Durante as atividades de leitura, os alunos precisam ter espaço para perguntar, esclarecer dúvidas, comparar informações com os colegas, confrontando e pondo à prova suas outras antecipações. Nesse sentido, seguem alguns apontamentos sobre leitura em geral, que podem ser inseridas como práticas e/ou posturas dentro dos desenvolvimentos dos projetos pedagógicos. 3.1 ESTRATÉGIAS PARA O TRABALHO COM A INTERPRETAÇÃO TEXTUAL (SOLÈ, 1998) Formular previsões sobre o texto a ser lido (antes da leitura – ex.: gênero, autor...). Formular perguntas sobre o que foi lido (durante e ao final da leitura). Resumir as ideias do texto: Depois da leitura ( formular e responder perguntas). Perguntas cujas respostas se encontrem literal e diretamente no texto. Perguntas cujas respostas precisem ser deduzidas/perguntas para pensar e buscar (que exigem que o leitor relacione diversos elementos). Perguntas de elaboração pessoal, que exigem a opinião do leitor. 3.2. LEITURA COMPARTILHADA O leitor precisa ser ativo, construindo uma interpretação do texto à medida que o lê. A leitura compartilhada, por meio da troca de informações entre docentes e estudantes, amplia o espaço de interpretação do grupo, propiciando trocas, reflexões, retomadas e novas reflexões. 3.3. QUALIDADE DO TEXTO É ouvindo bons textos que os alunos formarão seu repertório, aprendendo também a diferença entre o que se fala e o que se escreve. Os materiais escritos devem ser variados em relação a portadores e funções, e precisam sempre fazer sentido para os estudantes. Aprender a ler lendo textos verdadeiros é condição central para a formação de um leitor pleno. 3.4. ESPAÇOS DE LEITURA DE FRUIÇÃO A leitura em voz alta, feita pelo professor e pelos colegas de sala possibilita que os estudantes desenvolvam gosto pela leitura. É importante que os alunos vivenciem a leitura por prazer, desvinculando-a de exercícios escolares, provas e notas. 3.5. ADEQUAR AS ATIVIDADES AO CONHECIMENTO DOS ALUNOS Apesar de sabermos que a leitura autônoma é uma demanda escolar (e da vida), o planejamento das situações de leitura, principalmente nos anos iniciais do ensino fundamental, deve considerar que é possível ler quando ainda não se faz convencionalmente. É preciso tratar os alunos como leitores e não como decifradores de textos; isto implica colocá-los em situações de leitura significativas e interessantes. Por meio da leitura, os alunos aprendem sobre a escrita e o mundo em geral, é refletindo sobre a escrita convencional que eles podem avançar em suas hipóteses de escrita e leitura. ASSOLINI, Filomena E. P. Professores, Leitura e Escrita: relações e ecos para seus fazeres pedagógicos. Curitiba: CRV,2020. ASSOLINI, Filomena E. P. Alfabetização e letramento: uma abordagem discursiva. Revide, 2022. Disponível em: https://www.revide.com.br/blog/elaine- assolini/alfabetizacao-e-letramento-uma-abordagem- discursiva/ BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo, Ed. Ática, 1994. LERNER, D. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002. REFERÊNCIAS https://www.revide.com.br/blog/elaine-assolini/alfabetizacao-e-letramento-uma-abordagem-discursiva/ https://www.revide.com.br/blog/elaine-assolini/alfabetizacao-e-letramento-uma-abordagem-discursiva/ https://www.revide.com.br/blog/elaine-assolini/alfabetizacao-e-letramento-uma-abordagem-discursiva/