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FARMACOLOGIA DO SNC: ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS Profa. Dra. Jessyka Galvão Fármacos ansiolíticos e hipnóticos • Fármacos ansiolíticos tratar ansiedade • Fármacos hipnóticos tratar insônia Pequenas doses: sedação Doses maiores: hipnose Doses ainda maiores: anestesia cirúrgica Depressores do SNC Ansiedade É um estado desagradável de tensão, apreensão e inquietação - um medo de origem às vezes desconhecida. Ansiedade Comportamento de defesa diante do perigo Comportamento de defesa antes de ocorrer algo ou uma ameaça concreta MEDO ANSIEDADE Estado ansioso normal Estado ansioso patológico Como diferenciar? Sintomas da ansiedade • Palpitação, hipertensão, vermelhidão, hiperventilação. Cardiovascular • Elevação dos níveis de cortisol, alteração do funcionamento da tireoide, alteração do ciclo hormonal feminino. Endócrino • Gastrite, úlceras, diarreia. TGI • Insônia, agitação, dificuldade de concentração. SNC Insônia É um distúrbio transitório do sono caracterizado pela dificuldade em adormecer e/ou manter o sono. Insônia • Insônia transitória (alguns dias): – Estresse emocional; – Jet lag; – Mudanças de turnos de trabalho. • Insônia crônica (muitas semanas): – Ansiedade; – Depressão; – Dor e prurido; – Drogas; – Dispneia. Ciclo sono-vigília Vigília • Nível de consciência ou estado de atenção. • O indivíduo é capaz de responder ao meio. Sono • Estado de inconsciência, em que o indivíduo pode ser despertado. • A falta prejudica a saúde. Benefícios do sono Riscos da privação do sono Distúrbios relacionados ao GABA GABA • Ácido gama-aminobutírico • Principal neurotransmissor inibitório do SNC. GABA Receptores do GABA • Receptores: – ionotrópicos : GABAA – Metabotrópicos: GABAB GABAA GABAB Receptor GABAA • Transporta Cl- Receptor GABAA Benzodiazepínicos • São os fármacos ansiolíticos mais utilizados. • Tratamento da ansiedade generalizada. Benzodiazepínicos Ações dos Benzodiazepínicos Os benzodiazepínicos não têm atividade antipsicótica, nem ação analgésica e não afetam o SNA. • Redução da ansiedade: – Ansiolítcos em doses baixas, os benzodiazepínicos são ansiolíticos. – O efeito é atribuído à potenciação seletiva da transmissão GABAérgica em neurônios que têm a subunidade α2 no receptor GABAA, inibindo, assim, os circuitos neuronais no sistema límbico cerebral. Ações dos Benzodiazepínicos • Ações hipnóticas e sedativas: – Todos os benzodiazepínicos usados para tratar ansiedade têm alguma propriedade sedativa, e alguns podem produzir hipnose (sono produzido "artificialmente") em doses mais elevadas. – Seus efeitos são mediados pelos receptores α1-GABAA. • Amnésia anterógrada: – A perda temporária da memória com o uso dos benzodiazepínicos também é mediado pelos receptores α1-GABAA e diminui a capacidade do paciente de aprender e de formar novas memórias. Ações dos Benzodiazepínicos • Anticonvulsivantes: – Vários dos benzodiazepínicos têm atividade anticonvulsivante e alguns são usados para tratar epilepsia (estado epiléptico), e outros, distúrbios convulsivos. Esse efeito é parcialmente mediado pelos receptores α1-GABAA. • Relaxamento muscular: – Em doses elevadas, os benzodiazepínicos diminuem a espasticidade do músculo esquelético, provavelmente aumentando a inibição pré-sináptica na medula espinal, onde predominam os receptores α2-GABAA. O baclofeno é um relaxante muscular que parece atuar nos receptores GABAB na medula espinal. Usos terapêuticos • Ansiedade • Distúrbios musculares (Diazepam) • Amnésia (Flunitrazepam - Rohypnol®) • Indução da anestesia (midazolam) • Convulsões (Diazepam, lorazepam e clonazepam) • Distúrbios do sono (flurazepam, temazepam, triazolam) Farmacocinética • Lipofílicos – São rápida e completamente absorvidos após administração oral, distribuindo-se por todo o organismo. • Meia-vida variável extremamente importante clinicamente, pois a duração da ação pode determinar a utilidade terapêutica. – Subdivididos em curta, média e longa ação. • Excretados na urina como glicuronídeos ou metabólitos oxidados. • Atravessam a barreira placentária e podem deprimir o SNC do neonato se administrados antes do nascimento. Os lactantes também são expostos aos benzodiazepínicos pelo leite materno. Dependência • Pode-se desenvolver dependência física e psicológica aos benzodiazepínicos se doses elevadas são administradas por longos períodos. • A interrupção abrupta resulta em sintomas de abstinência, incluindo confusão, ansiedade, agitação, intranquilidade, insônia, tensão e raramente convulsões. Dependência • Como a meia-vida de alguns benzodiazepínicos é longa, os sintomas de retirada podem ocorrer lentamente e durar por alguns dias após a interrupção do uso. • Os benzodiazepínicos com meia-vida de eliminação curta, como o triazolam, induzem reações de abstinência mais abruptas e graves do que as observadas com as de eliminação mais lenta, como o flurazepam Efeitos adversos • Sonolência • Confusão • Amnésia • Descordenação Os benzodiazepínicos aumentam o efeito depressor de outros fármacos, incluindo o álcool. Teratogenia: evitar em gestantes até o 4º mês. Toxicidade aguda • Sobredosagem aguda sono prolongado com depressão grave das funções respiratória e cardiovascular. • + álcool sério risco de vida. • Antídoto: flumazenil Antagonista de receptor benzodiazepínico • Flumazenil • Adm IV • Início de ação rápido, duração curta, meia-vida ~1h • Efeitos adversos mais comuns: – Tonturas, náuseas, êmese e agitação. Outros fármacos ansiolíticos Antidepressivos • Eficaz no manejo de longa duração de ansiedade crônica; – Fármacos de primeira escolha, especialmente em pacientes com inclinação ao vício ou dependência, ou história de vício ou dependência de outras substâncias. Outros fármacos ansiolíticos Antidepressivos • Inibidores seletivos da captação de serotonina (escitalopram) • Inibidores seletivos da captação de serotonina e norepinefrina (venlafaxina) Outros fármacos ansiolíticos Antidepressivos • Podem ser usados sós ou em associação com uma dosagem baixa de benzodiazepínico durante as primeiras semanas de tratamento. • Após 4 a 6 semanas, quando o antidepressivo começa seu efeito ansiolítico, a dosagem de benzodiazepínico pode ser reduzida gradualmente. • Têm menor potencial de gerar dependência física do que os benzodiazepínicos. Outros fármacos ansiolíticos Buspirona • Indicação: síndrome do pânico e outros distúrbios de ansiedade. • Tem eficácia comparável à dos benzodiazepínicos. • Este fármaco não é eficaz no tratamento de curta duração ou "conforme necessário" dos estados de ansiedade agudos. • As ações da buspirona parecem mediadas pelos receptores de serotonina (5-HT,A). Outros fármacos ansiolíticos Buspirona • Principais efeitos adversos (frequência baixa): – Cefaleia, tontura, nervosismo e confusão mental. • Sem dependência. • Não potencializa a depressão do SNC pelo álcool. Barbitúricos Os barbitúricos foram, no passado, a base do tratamento usado para sedar o paciente ou para induzir e manter o sono. Hoje, os barbitúricos foram largamente substituídos pelos benzodiazepínicos, principalmente porque eles induzem tolerância, enzimas biotransformadoras, dependência física e estão associados a sintomas de abstinência muito graves. Além de tudo, destaca-se sua capacidade de causar coma em doses tóxicas. • Certos barbitúricos, como os de ação muito curta (p. ex., tiopental), continuam em uso para induzir anestesia. Mecanismo de ação • Prolongam o tempo de abertura do canal de cloreto por potencializara ação do GABA. • Podem bloquear os receptores de glutamato • Concentrações anestésicas bloqueiam canais de sódio. Cl- Cl- Benzodiazepínicos X Barbitúricos Ações dos barbitúricos • Depressão do SNC: – Doses baixas sedação (efeito calmante e reduzem a excitação) – Doses crescentes hipnose, seguida de anestesia (perda das sensações), coma e morte. – Não tem propriedades analgésicas. • Depressão respiratória • Indução enzimática Duração de ação dos barbitúricos anticonvulsivante Sedativo e hipnótico anestesia Usos terapêuticos • Anestesia (tiopental) • Anticonvulsivante (fenobarbital) • Ansiedade (substituído por benzodiazepínicos) – Aliviar ansiedade, tensão nervosa e insônia – Hipnóticos suprimem o sono REM Farmacocinética • Absorvidos por via oral e distribuídos amplamente pelo organismo. • Todos os barbitúricos se redistribuem no organismo, do SNC para as áreas esplânicas, para o músculo esquelético e, finalmente, para o tecido adiposo. Esse movimento é importante na curta duração de ação do tiopental e derivados de ação curta similar. • Atravessam facilmente a placenta e podem deprimir o feto. • Biotransformados no fígado e os metabólitos inativos são excretados na urina. Efeitos adversos Outros fármacos hipnóticos Zaleplon, zolpidem e zoplicona • Ação semelhante aos benzodiazepínicos. • Sem atividade ansiolítica. Outros fármacos hipnóticos Zaleplon, zolpidem e zoplicona • Eles se diferenciam pela meia-vida e tipo de insônia que tratam: • Zaleplon meia-vida ultracurta (~1h), é mais indicado para dificuldade em adormecer; • Zolpidem com meia-vida curta (~2,5h), também ajuda no início do sono e a manter a noite de sono; • Zopiclona de meia-vida mais longa (~5h), pode ser mais adequada para manter o sono e tem propriedades semelhantes às benzodiazepínicas. Outros fármacos hipnóticos Melatonina e ramelteon • Agonistas dos receptores de melatonina (MT1 e MT2); • Eficazes em tratar insônia nos idosos e em crianças autistas. Outros fármacos hipnóticos Anti-histamínicos (prometazina, difenidramina, hidroxizina, dexclorfeniramina) • Eficazes no tratamento dos tipos leves de insônia; • Apresentam inúmeros efeitos indesejados (como os efeitos anticolinérgicos) que os tornam menos úteis do que os benzodiazepínicos.