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ANEXO 5 – ESTRUTURA SUGERIDA PARA UM DIÁRIO DE BORDO CARTOGRÁFICO 
ESTRUTURA SUGERIDA PARA UM DIÁRIO DE BORDO CARTOGRÁFICO
Antes de tudo, não se trata de “preencher campos” fixos, mas de acompanhar o movimento da experiência, traçando mapas abertos com entradas múltiplas. O foco não está em “registrar o certo”, mas seguir as pistas do campo e da própria experiência. 
Identificação mínima 
· Data / Horário / Local 
· Experimentação ou experiência vivida 
· Quem estava presente 
Corpo do diário – Escrita cartográfica 
· O que moveu meu sentido hoje? O que me afetou nesse encontro? 
· Quais sensações, tensões ou deslocamentos apareceram? 
· Que linhas estão apontando no traçando? Alguma pista foi ativada? 
· Algum conceito emergiu da prática (rizoma, devir, agenciamento, território, resistência...)? 
· Quais foram os silêncios, ruídos ou resistências? O que não se disse? 
· O que se mostrou como excesso, falta, ruído ou escape? 
· Como estou me movendo? O que essa experiência me moveu a pensar, sentir ou mudar em mim? 
· Algum modo de pesquisar foi questionado ou recriado? 
· Fragmentos sensíveis Alguma fala marcante? 
· Alguma imagem, cor, gesto, som ou sensação que ficou? 
Exemplo: 
	Primeira Pista de Entrada no Diário de Bordo: um exemplo nômade recolhido 
Data: 22 de março de 2025 Território: Escola no bairro ......... 20 
Hora do acontecimento: entre 8h30 e 11h 
Hoje, entre silêncios e gestos desconfiados, fui atravessada por um desconforto antigo: o da não-escuta. Fui com o corpo aberto, o projeto à flor da pele, acreditando no possível. Mas o encontro com a pedagoga endureceu o chão. Seu olhar não queria saber do que “não é prático”. A palavra "Deleuze" foi recebida com uma careta sutil. O riso era cético. 
Não sei bem o que doeu mais — se a porta que quase não abriu ou o medo nos olhos dos professores quando começamos a conversar. Era como se estivéssemos violando um pacto de silêncio. Ainda assim, houve fagulhas: um olhar que aprovava, um “isso é necessário” dito em voz baixa. 
Voltei pensando que a pesquisa cartográfica é isso: percorrer territórios que também nos afetam, nos desafiam. Não seguimos um mapa, seguimos pistas. E hoje, a pista que ficou foi a de que não é possível insistir em um território que não quer ser tocado. Talvez o devir ali estivesse sufocado demais. 
Fragmento que me marcou: "A gente até gostaria de fazer diferente, mas aqui não dá tempo nem de respirar."
Dicas finais para manter seu diário em dia: 
· Escreva sempre que algo mexer com você – mesmo que pareça pequeno. Às vezes, o invisível carrega mais pistas do que o que foi dito em voz alta. 
· Inclua sensações, imagens, sonhos ou dúvidas – o que emerge na cartografia pode vir de muitos lugares. 
· Não se preocupe com forma “certa”. A escrita cartográfica é livre, viva, tensionada e aberta. 
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