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## Resumo sobre Cirrose HepáticaA cirrose hepática é uma condição crônica caracterizada pelo desenvolvimento histológico de nódulos regenerativos cercados por bandas de fibras de tecido conjuntivo, como resposta a lesões hepáticas persistentes. Essa fibrose representa a cicatrização do fígado, que substitui o tecido funcional por tecido conectivo, comprometendo a arquitetura e a função hepática, além de afetar os vasos sanguíneos, podendo gerar shunts arterio-venosos. A cirrose é uma doença grave, sendo a 12ª causa de morte nos Estados Unidos e a 5ª entre pessoas de 45 a 54 anos. No Reino Unido, a incidência aumentou de 12,05 casos por 100 mil habitantes em 1992 para 16,99 em 2001. No Brasil, a taxa de mortalidade entre 45 e 64 anos tem sido significativa, especialmente em homens.### Etiologia e DiagnósticoAs causas da cirrose são variadas e incluem hepatotoxicidade (como a cirrose biliar e alcoólica), doenças autoimunes, infecções virais (hepatites), causas vasculares (como a síndrome de Budd-Chiari), metabólicas (como a doença hepática gordurosa não alcoólica - DHGNA) e causas criptogênicas, quando a origem não é identificada. O diagnóstico clínico baseia-se em sintomas como fadiga, fraqueza, perda de peso, dor no quadrante superior direito, prurido e icterícia, além de histórico médico que pode incluir exposição a vírus, uso crônico de álcool, medicamentos, agrotóxicos, doenças autoimunes e obesidade.No exame físico, sinais típicos incluem eritema palmar, icterícia, telangiectasias, ascite, baqueteamento digital, ginecomastia, contratura de Dupuytren e anéis de Kayser-Fleischer (associados à hemocromatose). Os exames laboratoriais avaliam as aminotransferases (AST e ALT) para detectar lesão hepática, fosfatase alcalina e gama-glutamiltransferase para lesão ductal e colestase, bilirrubinas para avaliar colestase e hemólise, além de albumina e tempo de protrombina para a função sintética do fígado.### Métodos Diagnósticos e ClassificaçõesAlém dos exames laboratoriais, testes não invasivos como o RAA (relação AST/ALT), APRI (índice que relaciona AST e plaquetas) e o escore de Pohl são utilizados para indicar a presença de cirrose. A elastografia (Fibroscan®) mede a rigidez hepática, sendo um método não invasivo que ajuda a diferenciar fígado normal de fígado com fibrose avançada, embora possa ser influenciado por ascite, esteatose e índice de massa corporal (IMC).O diagnóstico por imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RNM), revela alterações no volume e textura do fígado, presença de nódulos e sinais de ascite e hipertensão portal. A biópsia hepática é o padrão-ouro para confirmação, permitindo a visualização microscópica dos nódulos hepáticos, que podem ser micronódulos (<3 mm) ou macronódulos (>3 mm).Para avaliar a gravidade da cirrose, utilizam-se classificações clínicas como a Child-Turcotte-Pugh, que pontua parâmetros como encefalopatia, ascite, bilirrubina, albumina e INR, dividindo os pacientes em classes A (menos grave), B (moderada) e C (mais grave). Outra ferramenta importante é o escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease), que utiliza creatinina, bilirrubina e INR para estimar o risco de mortalidade em três meses, sendo fundamental para indicação de transplante hepático e avaliação do risco cirúrgico.### Complicações e PrognósticoA cirrose pode levar a diversas complicações graves, incluindo ascite, encefalopatia hepática, hepatocarcinoma, hipertensão portopulmonar, peritonite bacteriana espontânea, sangramento digestivo, síndrome hepatopulmonar e síndrome hepatorrenal. O prognóstico depende de múltiplos fatores, como idade do paciente, escore MELD, classificação Child-Pugh, presença de hiponatremia (sódio sérico <130 mEq/L), gradiente venoso de pressão hepática e IMC elevado. Esses elementos ajudam a prever a evolução da doença e a orientar o manejo clínico.---### Destaques- Cirrose é a substituição do tecido hepático funcional por nódulos regenerativos e fibrose, comprometendo a função do fígado.- As causas incluem hepatotoxicidade, infecções virais, doenças autoimunes, causas metabólicas e vasculares.- Diagnóstico envolve avaliação clínica, exames laboratoriais, testes não invasivos, imagem e biópsia hepática.- Classificações Child-Pugh e MELD são essenciais para avaliar a gravidade e prognóstico da cirrose.- Complicações graves incluem ascite, encefalopatia, hepatocarcinoma e síndromes associadas, influenciando o manejo e a sobrevida.