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BASES DE PSICOMETRIA E ESTATÍSTICA Camila De Masi Teixeira Curso Neuropsicologia CETCC – 2020 PORQUE NÃO CONSEGUI ESCAPAR DA MATEMÁTICA? • Embasamos nossa atuação em evidência psicométrica para medir constructos. • Recorrer a medidas quantitativas demanda do profissional o conhecimento de propriedades psicométricas e estatísticas. • Saber ler tabelas não significa saber interpretar dados. • Bertola, 2019 PASSOS PARA O DIAGNÓSTICO NEUROPSICOLÓGICO • Bertola, 2019 FUNDAMENTOS DA PSICOMETRIA PSICOMETRIA Campo de estudo que se refere às medidas psicológicas ou dos processos mentais. Fundamenta-se na visão quantitativa para observação dos fenômenos. Procedimentos para verificação das propriedades psicométricas. NORMATIZAÇÃO Grupo de regras sobre a maneira como um testes deve ser utilizado. Geralmente, baseada em três procedimentos: Referência à norma (grupo normativo). Referência ao critério (relacionar escores com outras medidas). Referência ao conteúdo (problemas do testes representam problema de um determinado conteúdo?). • Avaliação Neuropsicológica: método para examinar encéfalo por meio de seu produto comportamental. • Classificar em relação a grupo de referência. • Descrição dos distúrbios apresentados. • Psicometria – contribui para o procedimento de avaliação neuropsicológica. • Na avaliação, não só é importante a normatização, mas a qualidade das respostas, além de outras observações. Interpretação MODELO NOMOTÉTICO Desempenho individual é comparado a um referencial normativo da população. Acurácia (Gold Standart) – Se indivíduo apresenta ou não determinada condição. Em neuropsicologia, não é possível uma avaliação apenas nomotética. MODELO IDIOGRÁFICO • Desenvolvida inicialmente na terapia comportamental. • Frequência de comportamentos problemáticos. • O diagnóstico cognitivo neuropsicológico serve-se dos dados de história clínica, observação de comportamento e resultados de testes neuropsicológicos para definir o perfil de funcionamento. • Intervenções criadas com finalidade específica são consideradas. • Perfil Intraindividual • Nível pré-mórbido • Reavaliação • Os testes neuropsicológicos devem apresentar bons parâmetros psicométricos. • Validade – Qualidade de algo ser verdadeiro ou correto. Capacidade de um teste realmente medir aquilo que se propõe mensurar. • Fidedignidade – confiabilidade. Um instrumento é fidedigno à medida em que mantém estabilidade e consistência da medida, independente de condições externas modificadas. • Sensibilidade – Os testes devem ser sensíveis o suficiente para permitir a distinção de funcionamento anormal do normal, confirmando suas hipóteses, e diminuindo os falsos positivos. FUNDAMENTOS DA ESTATÍSTICA ESTATÍSTICA NA SAÚDE O uso de métodos estatísticos na pesquisa médica começou há mais de 150 anos, com tabelas de mortalidade. “Explosão” do uso de métodos estatísticos na área da saúde nos últimos 30 anos. Pesquisadores são frequentemente expostos à Estatística por meio de artigos científicos, congressos e teses. Diante do grande volume de informações e recursos disponíveis, mais do que o conhecimento técnico, o pesquisador deve desenvolver seu senso crítico e utilizá-lo. POPULAÇÃO E AMOSTRA População Amostra •Representatividade da amostra: na prática, dificilmente temos amostras numericamente representativas da população. A amostra deve ser escolhida de forma a ser a mais semelhante possível à população de interesse. Os métodos serão empregados na população a ser estudada. Os dados gerados a partir da aplicação dos procedimentos serão analisados e geridos conforme sua característica. ESTATÍSTICA DESCRITIVA • Técnicas que resumem e descrevem os dados, simplificando as informações pra que sejam entendidas mais facilmente. DESCRIÇÃO DE UM CONJUNTO DE DADOS • COMO RESUMIR VARIÁVEIS CATEGÓRICAS? • Frequências absolutas e relativas (Porcentagens) • Tabela de frequências • Gráfico de barras e setores FREQUÊNCIA ABSOLUTA E RELATIVA • COMO RESUMIR VARIÁVEIS NUMÉRICAS? MEDIDAS DE POSIÇÃO MEDIDAS DE DISPERSÃO MODA AMPLITUDE MÉDIA VARIÂNCIA MEDIANA DESVIO PADRÃO QUARTIS, PERCENTIS MODA • É o valor que ocorre com maior frequência em um grupo de dados. • Quando existir mais de uma moda (bimodal, trimodal). • Pode não existir a moda em um grupo de dados. Ex: Idade em que tiveram filhos: 19, 20, 25, 26, 26, 26, 28, 32, 35, 35, 37... MÉDIA • Medida de posição mais utilizada. • Leva em conta todos os valores de um grupo de variáveis. • Será influenciada por valores extremos. • É o “ponto de equilíbrio” da distribuição. MEDIANA Divide os dados ao meio. É uma medida que se altera pouco por valores extremos (medida resistente). Medida encontrada por meio de organização da amostra e observação das posições. QUARTIS PERCENTIS ESSAS REPRESENTAÇÕES E MEDIDAS FUNCIONAM QUANDO VERIFICAMOS AMOSTRAS E DADOS DE DISTRIBUIÇÃO NORMAL. EM NEUROPSICOLOGIA, OS TESTES SÃO VALIDADOS E COMPREENDIDOS DESSA MANEIRA. MEDIDAS DE VARIABILIDADE •DESVIO PADRÃO • Grau de variância de um conjunto de elementos. • Na prática, o desvio padrão indica qual é o “erro” se quiséssemos substituir um dos valores coletados pelo valor da média. Se medirmos a temperatura máxima durante três dias em uma cidade e obtivermos os seguintes valores, 28º, 29º e 30º, podemos dizer que a média desses três dias foi 29º. Em outra cidade, as temperaturas máximas nesses mesmos dias podem ter sido 22º, 29º e 35º. No segundo caso, a média dos três dias também foi 29º. As médias têm o mesmo valor, mas os moradores da primeira cidade viveram três dias de calor, enquanto os da segunda tiveram dois dias de calor e um de frio. NOS ARTIGOS E TESTES • O desvio padrão, como medida de dispersão, não deve ser usado quando a população não segue uma distribuição normal ou aproximadamente normal! O ERRO PADRÃO • Se o desvio padrão informa a variância dentro de uma amostra, o ERRO PADRÃO informa a variação de uma amostra diante da população geral. • O Erro Padrão diminui conforme o tamanho da amostra aumenta. Ver artigo População Amostra Amostra ERRO AMOSTRAL • A média das amostras, sempre serão diferentes das médias da população. • A distância entre a média da amostra e a média da população é chamada de erro amostral. • EA = Média amostral – Média População • Devida a sua variabilidade, é importante obter estimativa intervalar e não pontual. INTERVALO DE CONFIANÇA • Média – específica para um único valor que representará média populacional. • Uma estimativa está sujeita a erros, e olhando o valor pontual, não é possível estimar o tamanho do erro. • Por conta disso, utiliza-se a noção de INTERVALO, tanto em relação à população, como em relação a uma média. • Para esse cálculo utilizamos o valor padrão de 95% das médias amostrais = 1, 96 EXEMPLO - IC PARA MÉDIA • Perfil lipídico de trabalhadores em indústria metalúrgica. • Amostra: 590 funcionários. • Uma das variáveis de interesse: colesterol. • Média amostral: 190 • DP amostral = 44 • IC(95%) = (190 +- 1,96. 44 / 590) • IC (95%) = (186;194) • Se selecionarmos várias amostras de mesmo tamanho, e para cada uma delas calcularmos o IC, esperamos que 95% dos intervalos contenham o mesmo valor. • Quanto maior a amplitude do intervalo, maior a incerteza associada à estimativa. E QUANTO AOS NOSSOS PACIENTES? Em Neuropsicologia, contamos com instrumentos já padronizados para a população brasileira ou de outras localizações. Geralmente, os valores de desempenho nos testes vem expressos emmédia e desvio padrão, intervalos de confiança, e percentis. Nosso intuito é entender se os resultados de nossos pacientes estão melhores, semelhantes ou piores do que o desempenho da população de mesma faixa etária e escolaridade. Quanto o resultado obtido se afasta da média em termos de desvio? O Z SCORE SIGNIFICA O DESVIO PADRÃO DE CADA INDIVÍDUO DIANTE DA MÉDIA. FÓRMULAS PARA CÁLCULO DE Z SCORE Z = Escore Bruto – Média padronizada _______________________________ Desvio Padrão Essa fórmula é usada em testes onde o resultado é diretamente proporcional ao desempenho do paciente, ou seja, quanto maior o resultado, melhor o desempenho.Ex: RAVLT Z = Média padronizada – Escore Bruto _______________________________ Desvio Padrão Essa fórmula é usada em testes onde o resultado é inversamente proporcional ao desempenho do paciente, ou seja, quanto menor o resultado bruto, melhor o desempenho.Ex: TRAIL, STROOP Obs: A partir do cálculo do Z-Score é possível obter o percentil. Teste Dígitos (Ordem Direta) PACIENTE 30 ANOS Total = 3 M = 4,99 Sd = 1,29 Z = -1,5 P = 07 Classificação = Inferior REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • FUENTES, D. et al. Neuropsicologia: teoria e prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. 432p. • MALLOY-DINIZ, L. F. et al. Avaliação neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed, 2009. 432p. • Bertola, L. Psicometria e Estatística Aplicadas à Neuropsicologia. Pearson. 2019. • Bussab, W.O. e Morettin, P.A. (2002). Estatística Básica, 5a. edição. São Paulo: Saraiva • Soares, JF e Siqueira, AL. Introdução à Estatística Médica. Belo Horizonte: Departamento de Estatística – UFMG, 1999. • Vieira, S. Introdução à Bioestatística. Rio de Janeiro: Campus,3ª ed. 1998. • Paes, A. Curso de Análise Estatística. UNIFESP. 2013 • Lunet N, Severo M, Barros H. Desvio Padrão ou Erro Padrão. ArquiMED, 2016. Vol. 20, Nº ½. EXERCÍCIOS