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Slides -3 - Criminologia
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Criminologia Universidade Federal de Campina GrandeUniversidade Federal de Campina Grande

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## Resumo sobre Criminologia: Teorias de Consenso e ConflitoO material apresenta uma análise detalhada das principais correntes teóricas da criminologia, divididas em duas grandes categorias: as **Teorias de Consenso** (criminologia tradicional, positiva ou etiológica) e as **Teorias de Conflito** (criminologia construtivista, reação social ou crítica, também chamada de “nova criminologia”). Essas teorias sociológicas oferecem visões distintas sobre a origem do crime, a estrutura social e o papel do controle social.### Teorias de Consenso: Ordem, Estabilidade e Causas do CrimeAs Teorias de Consenso partem da premissa de que a sociedade é um organismo estável, funcional e integrado, onde as instituições sociais funcionam harmoniosamente graças a um consenso entre seus membros. O crime, nesse contexto, é visto como um problema social que surge quando há falhas ou desajustes nesse consenso. Por isso, essas teorias são chamadas de etiológicas, pois buscam identificar as causas do comportamento criminoso.Entre as principais teorias de consenso destacam-se:- **Escola de Chicago (Teoria Ecológica/Desorganização Social):** Foca no impacto do crescimento urbano desordenado, especialmente em Chicago, onde o êxodo rural e a explosão demográfica geraram áreas degradadas e desorganizadas, propícias à criminalidade. A desorganização social e a ausência de controle informal são apontadas como fatores que aumentam a delinquência. A teoria das zonas concêntricas mostra que quanto mais degradada a área urbana, maior a criminalidade, influenciando até legislações específicas, como a criminalização da pichação no Brasil.- **Teoria da Anomia (Durkheim e Merton):** Define anomia como a ausência ou desintegração das normas sociais, levando à perda da consciência coletiva e ao aumento da criminalidade. Durkheim vê o crime como um fenômeno normal e até útil para a sociedade, desde que não ultrapasse níveis toleráveis. Merton amplia a ideia, relacionando a anomia ao descompasso entre os objetivos culturais (como o “American Dream”) e os meios socialmente disponíveis para alcançá-los. Ele descreve cinco respostas individuais a essa tensão: conformidade, ritualismo, retraimento, inovação (incluindo o crime) e rebelião.- **Teoria da Associação Diferencial (Edwin Sutherland):** Propõe que o crime é aprendido por meio da interação social, em que o indivíduo absorve valores e técnicas criminosas de seu grupo de referência. Sutherland introduz o conceito de “crime de colarinho branco”, crimes cometidos por pessoas de alto status social no exercício de suas profissões, que são menos punidos devido à sua respeitabilidade, obstáculos legais e à dificuldade da sociedade em perceber os danos causados.- **Teoria das Subculturas Delinquentes (Albert Cohen):** Analisa grupos juvenis marginalizados que desenvolvem valores próprios em oposição à sociedade dominante. Os crimes praticados por esses jovens não têm fins utilitaristas, mas visam causar desconforto e expressar rejeição aos valores da classe dominante, caracterizando-se pelo não-utilitarismo, malícia e negativismo.### Teorias de Conflito: Poder, Controle Social e ReaçãoAs Teorias de Conflito partem de uma visão crítica e progressista da sociedade, entendendo-a como um espaço de coerção e imposição de grupos dominantes sobre os dominados. O crime e o controle social são vistos como instrumentos de manutenção do poder e da desigualdade.Duas principais correntes são destacadas:- **Labelling Approach (Teoria do Etiquetamento):** Desenvolvida na década de 1960, em um contexto de movimentos sociais por direitos civis, feminismo e críticas políticas, essa teoria questiona o sistema de controle social e o processo pelo qual certos indivíduos são rotulados como criminosos. Autores como Erving Goffman e Howard Becker argumentam que a reação social seletiva e estigmatizante, especialmente contra jovens negros e pobres, reforça a marginalização e a reincidência criminal. O sistema penal, com suas “cerimônias degradantes” (como a perda da identidade e o encarceramento), socializa o indivíduo para a criminalidade, em vez de ressocializá-lo. A teoria defende penas mais humanizadas e um direito penal mínimo, contrapondo-se ao direito penal máximo e ao abolicionismo.- **Criminologia Crítica ou Marxista:** Embora não detalhada extensivamente no texto, essa corrente entende o crime como resultado das desigualdades estruturais e da luta de classes, enfatizando a função do direito penal como instrumento de dominação dos grupos dominantes.### Implicações e ConclusõesO estudo das teorias criminológicas revela que o entendimento do crime e da resposta social a ele depende da visão que se tem da sociedade. As teorias de consenso enfatizam a ordem, a estabilidade e a busca por causas objetivas do crime, propondo intervenções para restaurar o equilíbrio social. Já as teorias de conflito destacam a desigualdade, o poder e a seletividade do sistema penal, propondo uma crítica ao controle social e à criminalização seletiva.O material também destaca a importância de políticas penais que considerem a humanização das penas e a necessidade de alternativas ao encarceramento, como a política dos 4 D’s: Descriminalização, Diversão (alternativas penais), Devido processo legal e Desinstitucionalização. Essa abordagem busca minimizar os efeitos negativos da rotulação e da marginalização, promovendo um sistema de justiça mais justo e democrático.---### Destaques- As **Teorias de Consenso** veem a sociedade como estável e funcional, buscando causas sociais do crime e propondo o restabelecimento da ordem.- A **Teoria da Anomia** explica o crime como resultado do desajuste entre metas culturais e meios disponíveis, destacando respostas individuais variadas.- A **Teoria da Associação Diferencial** afirma que o crime é aprendido socialmente, incluindo crimes de colarinho branco, que são menos punidos.- As **Teorias de Conflito**, como o **Labelling Approach**, criticam o sistema penal por sua seletividade e estigmatização, que reforçam a criminalidade.- A política criminal deve buscar penas humanizadas e alternativas ao encarceramento, promovendo justiça social e respeito aos direitos humanos.

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