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INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Benisio Ferreira da Silva Filho 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Ser um profissional de saúde no Brasil é um desafio que exige cuidado e 
dedicação, especialmente durante a fase de formação. Esse percurso requer 
tempo e comprometimento. Assumir a responsabilidade de cuidar da saúde de 
outras pessoas é algo que poucos conseguem encarar com plenitude. Se você 
está se preparando para servir à população na área da saúde, parabéns! Sua 
escolha é louvável e demanda que, neste momento, você priorize sua formação. 
Como futuro(a) biomédico(a), é essencial compreender que você é, por 
definição, um pesquisador nas ciências da saúde e um laboratorista de 
excelência. Porém, o papel do biomédico vai muito além do laboratório. Nosso 
perfil profissional adapta-se à evolução científica e às necessidades emergentes 
da sociedade, permitindo que muitos biomédicos expandam sua atuação e 
contribuam para a melhoria contínua dos serviços de saúde. 
Nós, biomédicos, somos fundamentais na formação e na disseminação 
do conhecimento na área da saúde. Não somos uma segunda opção ou 
resultado de um objetivo não alcançado. Representamos uma classe com 
milhares de profissionais no Brasil e no mundo, ocupando posições de liderança, 
coordenação e responsabilidade técnica, sempre contribuindo ativamente para 
a saúde da população. Nosso trabalho está presente no desenvolvimento de 
tecnologias e materiais de saúde. 
Nossa atuação é ampla, abrangendo áreas como estética, acupuntura, 
fisiologia do esporte, genômica, bioinformática e pesquisas em vigilância global 
de saúde. Recentemente, novas áreas como gerontologia, PICS (práticas 
integrativas e complementares em saúde) e visagismo também têm se tornado 
campos de atuação. Como nosso conhecimento está diretamente ligado à saúde 
humana, ele se torna relevante e aplicável também em áreas como análise 
ambiental e vigilância microbiológica e bromatológica dos alimentos. 
A formação sólida em biologia celular e molecular capacita o biomédico a 
atuar em genética, bioquímica e biologia celular, utilizando técnicas avançadas 
para diagnóstico de mutações e detecção de material genético de patógenos. 
Essa expertise torna o biomédico um profissional versátil, apto a atuar em 
investigações judiciais (como testes de paternidade e vínculo genético) e na área 
forense (investigação por DNA). 
 
 
3 
Além de sua especialização em citologia e hematologia, o biomédico é 
integrante essencial de equipes multidisciplinares, especialmente em radiologia 
ou imagenologia, onde atua sob supervisão médica, sem, no entanto, emitir o 
laudo final. Em neurocirurgias, participa do monitoramento neurofisiológico 
transoperatório, e o biomédico perfusionista é crucial em procedimentos 
cirúrgicos, operando a máquina coração-pulmão e monitorando as funções vitais 
do paciente. 
A pesquisa é outra área de destaque para o biomédico, especialmente na 
indústria, onde contribui para o desenvolvimento de materiais, reagentes, kits 
laboratoriais e equipamentos. Nesse campo, o sucesso depende de esforço, 
dedicação, capacidade de aprender e de aplicar o conhecimento. 
O escopo de atuação do biomédico é amplo e regulamentado pelo 
Conselho Federal de Biomedicina, que define áreas e competências. 
Diferentemente dos que se dedicam exclusivamente à pesquisa, os biomédicos 
que atuam como profissionais de saúde devem ater-se às atividades 
regulamentadas. Por exemplo, não podem atuar como cirurgiões, prescrever 
dietas ou trabalhar em farmácias de manipulação, pois não têm formação para 
isso. No entanto, podem contribuir significativamente no desenvolvimento de 
medicamentos, ainda que sem a formação específica de um farmacêutico. 
Assim, as áreas de pesquisa e atuação profissional apresentam universos 
distintos e complementares. 
TEMA 1 – ASSIM SURGIU A BIOMEDICINA NO BRASIL 
Em comparação com outras profissões da área da saúde, a biomedicina 
é relativamente recente no Brasil, tendo sido idealizada na década de 1950. A 
ideia ocorreu em Curitiba, durante a segunda reunião anual da Sociedade 
Brasileira para o Progresso da Ciência, quando o Prof. Dr. José Leal Prado de 
Carvalho e representantes de instituições como a Escola Paulista de Medicina, 
a Universidade de São Paulo, o Instituto Butantã e o Instituto Biológico 
propuseram a criação de uma formação voltada para docentes especializados 
nas disciplinas básicas das escolas de medicina e odontologia, além de 
pesquisadores em áreas fundamentais e aplicadas da saúde. 
 
 
4 
O objetivo inicial era formar profissionais aptos a contribuir para o 
desenvolvimento da medicina e capacitar médicos, sem, contudo, desempenhar 
funções clínicas ou intervir diretamente no cuidado ao paciente. Eram 
basicamente professores e pesquisadores na área de saúde. Essa concepção 
foi o embrião da biomedicina. 
Esse momento é significativo na história da biomedicina, pois, embora o 
nome da profissão tenha semelhança com a medicina, o objetivo nunca foi 
realizar o trabalho médico. Nossa formação é direcionada para a capacitação de 
profissionais com conhecimento na área de saúde, com habilidades laboratoriais 
inicialmente e, hoje em dia, com algumas atuações fora do laboratório, mas não 
para o exercício da medicina. Embora os nomes sejam parecidos, nossas 
atuações são distintas. 
Na década de 1960, especificamente em 1965, começaram a ser 
organizados os cursos de graduação, mestrado e doutorado em Ciências 
Biomédicas, destinados a formar os profissionais idealizados anos antes. Em 
1966, o Parecer n. 571 do Conselho Federal de Educação, órgão que então 
regulamentava a educação no Brasil, estabeleceu o conteúdo e a duração dos 
cursos de bacharelado em Ciências Biológicas – Modalidade Médica, que se 
tornou a designação inicial de nossa profissão. Esse parecer destacou a 
importância da atuação em trabalhos laboratoriais aplicados à medicina. À 
medida que as atividades laboratoriais tornavam-se mais complexas e exigentes, 
crescia a demanda por profissionais com formação específica e conhecimento 
técnico especializado. 
Em 1966, atendendo a uma solicitação de diversas escolas médicas do 
país, surgiram os primeiros cursos de Ciências Biológicas – Modalidade Médica. 
Muitos profissionais começaram a ser formados e, por não existirem tantos 
cursos superiores de saúde naquela época, os profissionais, devido a suas 
habilidades e conhecimento, começaram a ser absorvidos em laboratórios e na 
pesquisa. O reconhecimento dos egressos desses cursos impulsionou o 
movimento para a regulamentação da profissão, consolidando a biomedicina 
como uma nova especialidade a serviço da saúde pública. 
Inicialmente andávamos com os biólogos, obtínhamos o registro com os 
profissionais da biologia, porém devido à diferença de formação, a biomedicina 
foi justamente separada, em respeito aos biomédicos e aos biólogos, que 
também são profissionais excepcionais, mas são de fato “outro profissional” e 
 
 
5 
não a mesma coisa que o biomédico. Chega o momento então, na década de 
1970, de desmembrar essas duas profissões. 
A regulamentação formal da biomedicina ocorreu em 1979 com as Leis n. 
6.684 e n. 6.686, que definiram as diretrizes para o exercício da profissão. A Lei 
n. 7.135/1983 posteriormente alterou essas diretrizes, permitindo aos formados 
em Ciências Biológicas – Modalidade Médica, que ingressaram até julho de 
1983, a realização de análises clínicas. O Decreto n. 88.394/1983, que 
regulamentou a profissão, também estabeleceu a atuação dos Conselhos 
Federal e Regionais de Biomedicina, enquanto a Resolução n. 86/1986 do 
Senado Federal ratificou o acordo no Supremo Tribunal Federal que assegurou 
o direito dos biomédicos de realizar análises clínico-laboratoriais. Com essas 
bases legais, a biomedicina consolidou-se como uma profissão distinta e 
essencial nocontexto da saúde no Brasil. 
A partir da regulamentação de 1983, os Conselhos Regionais de 
Biomedicina foram instituídos em 1989. Esses conselhos desempenham um 
papel fundamental na proteção dos interesses profissionais, bem como na 
fiscalização e na promoção do exercício ético e competente da biomedicina em 
diversas regiões do país. 
TEMA 2 – QUEM SÃO E O QUE FAZEM OS REPRESENTANTES DA 
BIOMEDICINA? 
Por se tratar de uma profissão regulamentada e legalmente reconhecida 
no Brasil, é fundamental compreender os órgãos que representam e defendem 
a categoria. Entre eles estão conselhos (federal e regionais), sindicatos e 
associações. Os conselhos são responsáveis pela fiscalização da profissão, 
regulamentação das habilitações e garantia de que os biomédicos atuem dentro 
das normativas legais. 
O Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) tem a função de 
regulamentar a profissão, elaborando resoluções e diretrizes que norteiam a 
prática biomédica. Cabe ao CFBM definir as habilitações da profissão, enquanto 
os Conselhos Regionais de Biomedicina (CRBMs) asseguram que os 
biomédicos estejam atuando conforme as normativas legais e regulamentações 
vigentes em suas respectivas regiões. São os braços do CFBM fora de Brasília, 
onde fica a sede. 
 
 
6 
Figura 1 – Brasões do Conselho Federal de Biomedicina: o antigo, à esquerda, 
e o novo, à direita 
 
Os CRBMs trabalham de forma efetiva na fiscalização da prática 
profissional, verificando a atuação dos biomédicos em suas respectivas regiões 
e identificando possíveis infrações, como a prática da atividade por não 
biomédicos que se passam por profissionais habilitados. Caso um biomédico 
atue em uma área sem a devida habilitação, o CRBM tem autoridade para aplicar 
as sanções cabíveis. Até o momento, há seis conselhos regionais e esse número 
pode aumentar, caso seja necessário e com aprovação do Conselho Federal. 
Figura 2 – Brasões dos CRBMs: da esquerda para a direita, CRBM1, CRBM2, 
CRBM3, CRBM4, CRBM5 e CRBM6 
 
As associações, por sua vez, são formadas por profissionais que se unem 
com o objetivo de valorizar e fortalecer a categoria ou uma área específica de 
atuação, promovendo o crescimento técnico-científico e a atualização contínua 
de seus membros. Existem várias associações das quais os biomédicos fazem 
parte, porém a principal é a Associação Brasileira de Biomedicina – ABBIOM. 
Figura 3 – Logotipo da Associação Brasileira de Biomedicina – ABBIOM 
 
 
 
7 
Os sindicatos, por sua vez, são organizações voltadas à defesa dos 
interesses dos trabalhadores, promovendo melhores condições de trabalho entre 
os empregadores, que possuem suas próprias associações. Entre as atribuições 
dos sindicatos estão o estabelecimento do piso salarial e a definição de 
parâmetros específicos para determinadas atuações profissionais. 
O sindicato auxilia na integração do profissional ao mercado, 
estabelecendo limites que os empregadores devem respeitar. Em algumas 
regiões do Brasil, ainda não há sindicatos específicos para biomédicos e, nesses 
casos, os conselhos regionais oferecem apoio limitado, pois certas atribuições 
são exclusivas dos sindicatos, como a negociação de acordos coletivos e a 
representação formal dos trabalhadores. 
Figura 4 – Símbolo do Sindicato dos Biomédicos do Estado de Pernambuco. 
Existem inúmeros outros e todos com a mesma finalidade: cuidar dos interesses 
trabalhistas 
 
Essas entidades oferecem benefícios como cursos, congressos, 
encontros de especialistas e até a possibilidade de realização de exames para 
obtenção do título de especialista em áreas específicas da biomedicina. 
TEMA 3 – O BIOMÉDICO 
Conforme discutido, o profissional biomédico surgiu com o objetivo de 
atuar como pesquisador e docente, obtendo rapidamente o direito de realizar 
análises clínicas. Desde o início, além dessas análises, os biomédicos também 
desempenhavam papéis na indústria e na academia, contribuindo para as 
ciências da saúde. Com o tempo, outras áreas foram regulamentadas e 
incorporadas ao rol de habilitações da biomedicina. 
 
 
 
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Figura 5 – Uma profissional laboratorista com microscópio, imagem clássica de 
uma biomédica 
 
Crédito: Drazen Zigic/Shutterstock. 
O CFBM é responsável por analisar pedidos e justificativas legais para a 
inclusão de novas habilitações, que são formalizadas por resoluções detalhando 
como o biomédico deve atuar em cada área reconhecida. Atualmente, existem 
33 áreas de habilitação, atingindo mais de cem áreas de atuação, com 
possibilidades de expansão nos próximos anos à medida que o CFBM reconhece 
novas áreas de atuação do biomédico e expande as áreas em que esse 
profissional contribui com seu conhecimento. 
Para o exercício regulamentado de suas atividades, o biomédico deve 
atuar em conformidade com sua habilitação. O mercado de trabalho exige 
profissionais com formação robusta e conhecimento específico, e é importante 
diferenciar habilitação de especialização. Vamos explorar habilitações, pós-
graduações, residências multiprofissionais e títulos de especialista conferidos 
por associações ou sociedades. 
Não há motivos para o(a) aluno(a) frustrar-se por não conseguir a 
habilitação durante os estágios da graduação (estágios obrigatórios e não 
obrigatórios, ambos supervisionados e com carga horária mínima de quinhentas 
horas, independentemente de qual seja a área, exceto aquelas que só podem 
ser obtidas através de pós-graduação). Existem outras formas de obtenção de 
habilitação como a pós-graduação, residências multiprofissionais, provas de 
títulos de entidades científicas, publicações e produtos gerados através de 
mestrados e doutorados. 
 
 
9 
A habilitação é uma autorização formal do CFBM permitindo que o 
biomédico desenvolva atividades específicas conforme as normas 
estabelecidas. Por exemplo, a Resolução n. 78, de 29 de abril de 2002, define o 
Ato Profissional Biomédico e estabelece as normas de responsabilidade técnica, 
permitindo que biomédicos realizem exames utilizando a técnica de reação em 
cadeia da polimerase (PCR – polymerase chain reaction), assumam a 
responsabilidade técnica e assinem laudos correspondentes. 
Logo, mesmo que o profissional seja apenas um bacharel habilitado, ele 
pode gozar de todas as permissões apresentadas no nosso ato biomédico. 
Contudo, nós professores sempre recomendamos que, mesmo habilitados, os 
alunos façam também uma pós-graduação, tornando-se profissionais 
especializados, e essa é a principal diferença do profissional biomédico: o nível 
de especialização de seu conhecimento. 
A técnica de PCR, amplamente utilizada em genética e biologia molecular, 
permite diagnósticos de mutações, detecção de cânceres hereditários, testes de 
paternidade, investigações forenses e muito mais. O biomédico habilitado ou 
especializado nessa área pode ser responsável técnico por esses laudos, tanto 
em setores públicos quanto privados, e prestar concursos públicos para cargos 
como perito criminal. 
Figura 6 – Termociclador, equipamento específico no qual são colocados os 
tubinhos com o mix de solução de PCR. A reação em cadeia da polimerase 
acontece nesse equipamento 
 
Crédito: Uvgroup/Shutterstock. 
 
 
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Para obter habilitação, o biomédico deve apresentar seu histórico escolar 
ao CRBM, que verificará se as exigências, como estágio supervisionado de 
quinhentas horas, foram cumpridas. Mudanças de habilitação após a graduação 
só são possíveis mediante especialização, obtenção de títulos emitidos por 
associações profissionais ou sociedades científicas reconhecidas pelo CFBM, 
residência multiprofissional ou apresentação de publicações geradas no 
mestrado e no doutorado. 
A pós-graduação lato sensu é uma especialização que aprofunda 
conhecimentos em áreas específicas, com carga horária mínima de 360 horas. 
Já os cursos stricto sensu, que incluem mestrado e doutorado, oferecem títulos 
acadêmicosque elevam o prestígio do profissional no meio acadêmico e no 
mercado, embora não sejam exigidos para habilitação, porém, como dito 
anteriormente, suas publicações e produtos gerados podem ser reconhecidos. 
Residências multiprofissionais, com carga horária de 5.760 horas 
(sessenta horas semanais), exigem dedicação exclusiva e são altamente 
valorizadas no mercado. Cada residente tem supervisão de um preceptor e de 
um tutor acadêmico, o que garante uma formação prática e aprofundada na área 
de atuação. É uma das melhores formas de aprofundar o conhecimento de forma 
especializada e aplicada. Mestrado e doutorado dão ao profissional um 
conhecimento muito aprofundado de determinada área, porém é um 
conhecimento e uma formação acadêmica. Os cursos de especialização e 
residência direcionam para a formação prática e aplicada, portanto é justo dizer 
que cabe ao profissional escolher e saber o que realmente quer: seguir a parte 
de rotina, prática e atuação direta com o público ou o mundo acadêmico da 
pesquisa e desenvolvimento. Ambas as escolhas são ótimas para o biomédico; 
cabe a cada um decidir o que quer seguir. 
Profissionais biomédicos podem obter títulos de especialista através de 
provas aplicadas por associações ou sociedades científicas, como a Associação 
Brasileira de Biomedicina – ABBIOM e a Sociedade Brasileira de Análises 
Clínicas – SBAC. Esses títulos, porém, não são permanentes e devem ser 
renovados periodicamente mediante comprovação de atividades na área, 
produção científica ou nova aprovação. 
 
 
 
 
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TEMA 4 – O BIOMÉDICO FORMADO FORA DO BRASIL 
Em diversos países, há profissionais com formação e atuação 
semelhantes às dos biomédicos brasileiros, embora com algumas diferenças em 
termos de nomenclatura e áreas de especialização. Esses profissionais, na 
maioria dos casos, atuam em laboratórios de análises clínicas e, dependendo de 
sua formação complementar, podem expandir suas atividades para outras áreas, 
de maneira similar ao que ocorre com os biomédicos no Brasil. 
Na Austrália, o Bachelor of Biomedicine possui uma atuação bastante 
semelhante à do biomédico brasileiro, porém sem habilitações em áreas como 
estética, perfusão extracorpórea e acupuntura. Os biomédicos australianos 
também se destacam em pesquisa e desenvolvimento no campo das ciências 
da saúde. 
No Reino Unido, o Biomedical Scientist é um dos profissionais mais 
comparáveis ao biomédico brasileiro em termos de formação. Sua atuação é 
equivalente, especialmente em análises clínicas e diagnósticos laboratoriais 
avançados, embora com um número menor de habilitações. 
Nos Estados Unidos, o biomédico caracteriza-se por uma formação com 
ênfase em áreas tecnológicas, incluindo engenharia, matemática e ciências 
computacionais. Isso se deve, em parte, ao fato de os EUA abrigarem o maior 
banco de dados de informações biotecnológicas do mundo, demandando 
profissionais altamente qualificados em bioinformática, entre outras 
especializações. Graduados em Bachelor of Science que direcionam seus 
estudos para as ciências biomédicas seguem um percurso semelhante ao 
brasileiro, mas posteriormente ingressam em programas de especialização nas 
áreas de saúde. 
No México, o biomédico é um profissional emergente, com uma formação 
fortemente orientada para a pesquisa científica. Muitos biomédicos mexicanos 
buscam especialização no exterior, frequentemente em programas de mestrado 
e doutorado, para complementar sua formação. 
A formação e a atuação dos profissionais biomédicos não são exclusivas 
dos países mencionados. Esses aspectos variam amplamente conforme as 
legislações e diretrizes educacionais de cada nação, refletindo as 
especificidades e demandas locais. 
 
 
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Chamam a atenção, quanto ao biomédico brasileiro, sua versatilidade e 
quantidade de áreas de atuação fora do laboratório, transformando-o em um dos 
mais versáteis e atuantes do mundo. 
TEMA 5 – A ATUAL BIOMEDICINA BRASILEIRA 
No Brasil, a biomedicina teve início predominantemente na área de 
análises clínicas. A partir da década de 1990, a profissão ganhou visibilidade e 
respeito, ampliando seu campo de atuação para diversas outras áreas. 
Atualmente, os biomédicos não se limitam aos laboratórios; atuam como 
gestores em serviços de saúde, incluindo laboratórios e hospitais, e como 
empreendedores, criando oportunidades com clínicas de acupuntura e estética. 
Figura 7 – Uma das ações mais lembradas em estética, porém não a única, é a 
aplicação da toxina botulínica 
 
Crédito: Fast-Stock/Shutterstock. 
Biomédicos também estabelecem laboratórios especializados, como 
aqueles que analisam a microbiologia ambiental, avaliando restaurantes 
(microbiologia de alimentos), lanchonetes e outros espaços de grande 
circulação. Também atuam em laboratórios de citologia, clínicas de reprodução 
humana e como integrantes de equipes médicas em cirurgias especializadas. 
Além disso, os biomédicos desempenham papéis relevantes em treinamento de 
atletas de alto rendimento e no desenvolvimento de novas tecnologias para a 
gestão de saúde e engenharia biomédica. 
 
 
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Figura 8 – Ação de plaqueamento de amostras em placas de Petri numa câmara 
de fluxo laminar, uma ação bem característica da microbiologia 
 
Crédito: Pratchaya.Lee/Shutterstock. 
A biomedicina é amplamente difundida no Sudeste do Brasil, onde teve 
início, mas também possui forte presença nas regiões Centro-Oeste e Nordeste. 
No Norte, há um crescente número de profissionais, enquanto a região Sul, a 
última a receber cursos de biomedicina, apresenta um crescimento anual 
significativo no número de biomédicos formados. O CRBM6 é atualmente o único 
responsável não por uma região (mais de um estado), mas apenas por um 
estado (Paraná). 
Figura 9 – O brasão do CRBM6 é o contorno do estado do Paraná 
 
A consolidação da biomedicina no Brasil, contudo, enfrenta desafios de 
reconhecimento em algumas localidades, principalmente devido à atuação 
majoritariamente nos bastidores da saúde, longe do contato direto com o público. 
Apesar disso, a demanda por biomédicos aumenta em resposta ao crescimento 
populacional e à necessidade de serviços especializados e eficientes. A 
profissão exige contínua especialização e atualização para acompanhar avanços 
tecnológicos e metodológicos. 
 
 
14 
Mesmo sem habilitação específica, muitos biomédicos ocupam cargos 
públicos em áreas de desenvolvimento científico, como a Embrapa, graças ao 
seu extenso conhecimento adquirido na graduação e em suas especializações. 
Além disso, biomédicos também se destacam em biotecnologia, bioinformática 
e ciências ômicas (genômica, transcriptômica, proteômica, metabolômica etc.), 
atuando como pesquisadores e integrantes de grupos de pesquisa, tanto no 
Brasil quanto no exterior. 
A biomedicina mantém um contato constante com o desenvolvimento 
tecnológico dos serviços de saúde, o que exige que o biomédico esteja sempre 
em evolução. Biomédicos formados há mais de duas décadas testemunharam a 
expansão da profissão para áreas como biologia molecular, acupuntura e 
estética, refletindo as demandas do mercado e o perfil multifacetado do 
profissional. 
Hoje em dia temos uma habilitação que está de acordo com as 
características nacionais. O Brasil está envelhecendo e a velhice traz consigo 
inúmeras questões de saúde, laboratoriais e de abordagem, fazendo da 
gerontologia biomédica uma moderna área da biomedicina que antes (vinte anos 
atrás) não era pensada e hoje se faz necessária. 
Figura 10 – A gerontologia biomédica é uma necessidade; os conhecimentos dos 
biomédicos são necessários em equipes multiprofissionais 
 
Crédito: Budimir Jevtic/Shutterstock. 
A área de perfusão extracorpórea também cresceu substancialmente, 
com biomédicos atuando em equipes neurocirúrgicas para monitoramento 
neurofisiológico transoperatório. A profissão exige dedicação aos detalhes e uma15 
busca incessante por explicações científicas robustas, superando simplificações 
que não condizem com a complexidade do campo biomédico. 
Os biomédicos desempenham um papel crucial na interpretação de 
exames laboratoriais, compreendendo que os números apresentados nos 
resultados representam alterações fisiológicas ou patológicas, e não meramente 
valores de referência. Essa expertise inclui o entendimento de reações químicas, 
interações laboratoriais e a possível influência de variáveis que podem levar a 
resultados falso-positivos ou falso-negativos, impactando diretamente nas 
decisões médicas. 
Projeções indicam que, em 15 anos, a biomedicina será substancialmente 
diferente, refletindo a rápida evolução da ciência e exigindo profissionais 
preparados para aplicar conhecimentos em novos contextos. O profissional 
biomédico, além de seu papel histórico como pesquisador e docente, deve estar 
atualizado com as literaturas científicas, preferencialmente em inglês, a língua 
predominante da ciência, para acompanhar os avanços globais. 
Envolver-se em eventos científicos, minicursos, projetos de pesquisa ou 
extensão durante a graduação é crucial para o desenvolvimento profissional, 
oferecendo experiências que complementam e enriquecem o currículo 
tradicional de bacharelado, que se mostra breve para a vastidão da biomedicina. 
O mercado de trabalho busca biomédicos diferenciados, altamente 
especializados e capacitados para enfrentar os desafios de um campo em 
constante transformação. 
NA PRÁTICA 
Você já observou nos seus últimos exames quantos biomédicos 
assinaram o laudo? Ao verificar o laudo, abaixo do nome do responsável técnico, 
você encontrará o número de registro profissional no CRBM. Esse registro 
identifica o biomédico que, nos bastidores, foi responsável pela execução 
cuidadosa de seu exame. 
Já considerou buscar informações sobre biomédicos na mídia? Faça uma 
pesquisa na internet e explore as diversas contribuições e atividades que esses 
profissionais realizam. Compartilhe com seus amigos e familiares o que 
aprendeu sobre a biomedicina e a importância desse profissional no diagnóstico 
e cuidados em saúde. 
 
 
16 
FINALIZANDO 
Sua vida profissional começa agora. Seu empenho fará toda diferença. 
Os muito bons sempre serão lembrados; os muito ruins, também. Estude e 
trabalhe para ser sempre muito bom e estar entre os destacados. Anos de 
biomedicina nos ensinaram uma coisa: os bons estão muito ocupados para falar 
o quão contentes estão com seus trabalhos. Os ruins, que o mercado não quer 
e não irá absorver, têm tempo de sobra para falar dos outros e mal da profissão. 
Torcemos para que você se empenhe e fique bem ocupado, feliz, próspero e 
requisitado. 
 
 
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REFERÊNCIAS 
BRASIL. Conselho Federal de Biomedicina. Resolução n. 78, de 29 de abril de 
2002. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 maio 2022. Disponível em: 
. Acesso em: 6 jan. 2025. 
_______. Conselho Federal de Biomedicina. Resolução n. 330, de 5 de novembro 
de 2020. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 6 nov. 2020. Disponível em: 
. Acesso em: 6 jan. 2025. 
	CONVERSA INICIAL
	TEMA 1 – ASSIM SURGIU A BIOMEDICINA NO BRASIL
	TEMA 2 – QUEM SÃO E O QUE FAZEM OS REPRESENTANTES DA BIOMEDICINA?
	TEMA 3 – O BIOMÉDICO
	TEMA 4 – O BIOMÉDICO FORMADO FORA DO BRASIL
	Na prática
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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