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INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Benisio Ferreira da Silva Filho 
 
 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
A base da Biomedicina no brasil foi a pesquisa e a docência 
 Embora formados inicialmente para pesquisa ou docência, biomédicos 
frequentemente atuam como docentes em cursos de graduação, não só de 
Biomedicina como em outros cursos devido a seus conhecimentos. Essa 
situação destaca a importância de uma formação abrangente e de conhecimento 
aprofundado além da prática clínica. A excelência no ensino requer domínio 
sólido da área e habilidade de transmitir conhecimento eficazmente, preparando 
os alunos para os desafios da profissão. 
A pesquisa é inerente ao desenvolvimento humano, impulsionada pela 
curiosidade e pela busca incessante de melhorias, e é uma ferramenta 
indispensável para o progresso científico. A Biomedicina sempre envolveu 
pesquisa, desde seu surgimento. Ela alimenta o avanço tecnológico e o 
desenvolvimento de novas abordagens em diversos campos, buscando 
qualidade de vida – por isso a necessidade de formação de biomédicos com boa 
base científica. 
A docência é fundamental para a formação de novas gerações de 
pesquisadores e profissionais. Os docentes têm a responsabilidade de transmitir 
conteúdo técnico, valores éticos e a paixão pela pesquisa. O compromisso com 
a educação é crucial para a evolução da humanidade e o avanço tecnológico. 
A transmissão dos conceitos éticos é imprescindível para a formação 
profissional em Biomedicina. A ética garante a qualidade dos serviços prestados 
e a confiança do público, assegurando também a boa reputação da profissão. É 
um pilar fundamental para a prática profissional responsável. A honestidade e 
transparência são princípios básicos na formação biomédica. 
Devemos destacar a posição única dos biomédicos como educadores 
para médicos, dentistas, farmacêuticos, enfermeiros e os outros profissionais da 
saúde devido à sua formação abrangente em ciências biológicas e da saúde. 
Essa posição os qualifica para ministrar aulas em diversas disciplinas 
relacionadas à saúde, colaborando na formação de profissionais da área, sendo 
peças-chave no ensino da saúde. 
 
 
 
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TEMA 1 – HABILITAÇÃO EM PESQUISA E DOCÊNCIA 
A pesquisa biomédica tem por objetivo aumentar o conhecimento acerca 
da saúde humana, de como cuidar e realizar melhor a manutenção da saúde e 
dos métodos de diagnóstico e de controle patológico que tragam benefícios ao 
ser humano, sem prejudicar o meio. 
Se trabalhamos para o bem da saúde da população, precisamos também 
monitorar e cuidar do meio que a cerca. É uma forma de prevenção e promoção 
de benfeitorias à saúde. Em pesquisa, não temos limites para iniciarmos nossos 
estudos e estabelecermos metodologias. A parte mais importante de uma 
pesquisa é formular uma boa pergunta. Para isso, o pesquisador precisa, 
primeiramente, de conhecimento, curiosidade e vontade de trabalhar com o 
objetivo de responder à sua pergunta inicial (Figura 1). 
Figura 1 – A imagem clássica que vem à mente do aluno de Biomedicina quando 
se fala em ciência: um moderno e grande laboratório e muitos experimentos; 
porém, ciência é mais do que isso 
 
Crédito: Gorodenkoff/Shutterstock. 
O termo pesquisa biomédica não restringe a pesquisa ao profissional 
biomédico. É apenas um termo utilizado para o conjunto das ciências que usam 
o conhecimento dos cuidados da saúde do indivíduo ou pública. Desde as áreas 
básicas da ciência às áreas aplicadas, tudo o que se relaciona ao ser humano 
faz parte desse universo científico. As áreas da ciência que explicam 
mecanismos fisiológicos e como alterações nesses mecanismos levam a 
processos patológicos integram o estudo básico da ciência. 
Fisiologia, Histologia, Embriologia e Biologia Celular são áreas 
importantíssimas, e são as áreas básicas da ciência. Aplicar os conhecimentos 
destas áreas básicas ao desenvolvimento de novas tecnologias e modos de uso 
 
 
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em benefício da população é a parte aplicada da ciência. A seguir 
apresentaremos alguns exemplos de ciências aplicadas nas quais o biomédico 
atua. Algumas das mais conhecidas são: 
• Cultivo celular e desenvolvimento de tecidos e órgãos artificiais; 
• Estudos de histocompatibilidade; 
• Estudos e desenvolvimento de novos fármacos; 
• Nanotecnologia (uso de nanopartículas para tratamentos, medicamentos 
e estética); 
• Engenharia biomédica; 
• Bioinformática e ciências ômicas (genômica, transcriptômica, 
proteômica); 
• Estudo de novos marcadores tumorais; 
• Desenvolvimento de metodologias de diagnóstico; 
• Psicobiologia; 
• Transgênicos; 
• Microbiologia médica; 
• Parasitologia médica; 
• Epidemiologia; 
• Epigenética; 
• Produtos cosméticos (toxicologia celular – avaliação à exposição a novos 
produtos); 
• Virologia; 
• Biossensores; 
• Novas técnicas laboratoriais; 
• Novos equipamentos laboratoriais; 
• Uso de novos compostos na área de saúde; 
• Novos alvos para diagnóstico molecular; 
• Monitoramento de potenciais patógenos; 
• Monitoramento genético de patógenos; 
• Técnicas aplicadas à estética; 
• Equipamentos aplicados à estética. 
 
 
 
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TEMA 2 – PESQUISA E A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA 
 Tudo o que sabemos hoje em dia é fruto do acúmulo de conhecimento, de 
inúmeras pesquisas que geraram dados, os quais, ao serem analisados, 
produziram informações que foram convertidas em soluções e inovações para 
aplicação na sociedade. Assim funciona a ciência. Se hoje conhecemos a 
fisiopatologia de diversos males e sabemos diagnosticá-los, esse trabalho é fruto 
do conhecimento científico. 
O trabalho do profissional biomédico é completamente pautado em 
resultados e metodologias científicas. Serviços e produtos resultam do 
conhecimento científico, portanto a ciência guia o que será empregado na 
atuação do profissional da Biomedicina. Se a base do nosso trabalho depende 
da ciência, durante nossa formação é crucial que entendamos o que é e como 
se faz ciência. 
Antes de uma explicação mais detalhada, é importante falar da liberdade 
para realizar trabalhos científicos. Didaticamente apresentaremos aqui uma 
forma de fazer ciência. Todavia, nem sempre é possível fazer ciência do modo 
mostrado nos livros. Se você tem uma ideia, guarde-a. Pode ser que a use 
futuramente. À medida que for progredindo no curso, você obterá conhecimentos 
que poderão corroborar com sua ideia ou mudá-la. Novas perguntas podem 
surgir. Cabe a você, biomédico pesquisador, tentar respondê-las. 
Existem quatro formas de olhar o mundo e, com base nelas, formular 
perguntas e iniciar uma investigação. Essas quatro formas de olhar a mesma 
realidade têm particularidades e devem ser compreendidas, pois apenas uma 
delas fornecerá o resultado aplicável à Biomedicina. Esses quatro olhares, ou 
níveis de conhecimento são: os conhecimentos empírico, o científico, o filosófico 
e o teológico. 
 O conhecimento empírico, baseado em observação e experiência, 
costuma ser informal e subjetivo, contrastando com o rigor do conhecimento 
científico. As informações empíricas são obtidas pela experiência do dia a dia. 
Esse tipo de conhecimento não busca a validação científica. Pode ser um norte; 
para levar a produção por meios científicos do conhecimento, é esse tipo de 
conhecimento que serve de “start”, mas não pode ser o principal. 
O conhecimento científico, por sua vez, exige investigação sistemática, 
objetividade e reprodutibilidade. A metodologia científica garante a validade e a 
 
 
6 
confiabilidade dos resultados, diferentemente do conhecimento empírico. Os 
resultados são passíveis de comprovação e validação. É essa a principal base 
da Biomedicina. 
Por fim, os conhecimentos filosófico e teológico são apresentados como 
distintos do conhecimento científico, pois exploram questões abstratas e 
existenciais que extrapolam o escopo da comprovaçãoempírica. A busca pelo 
conhecimento é um processo contínuo e multifacetado. 
TEMA 3 – PESQUISA CIENTÍFICA É IMPORTANTE EM TODAS AS ÁREAS 
BIOMÉDICAS 
 A construção de conhecimento em investigação científica requer o 
desenvolvimento, o uso e a aplicabilidade das pesquisas, assim como a 
divulgação para que a comunidade científica realize as devidas avaliações e 
reproduza os resultados. A reprodutibilidade confirma que a pesquisa encontrou 
a resposta e essa resposta passa a ser uma verdade. Construir essa verdade é 
um trabalho cientificamente organizado por ferramentas que trazem segurança 
às respostas obtidas (Figura 2). 
Figura 2 – O planejamento e a análise dos dados são muito importantes: a partir 
de um bom planejamento e execução do experimento, o fruto de uma boa análise 
será sua validação 
 
Crédito: NicoElNino/Shutterstock. 
As ferramentas são distribuídas em diferentes ações: 
• Identificação do objeto de estudo e formulação da pergunta/hipótese; 
• Levantamento de informações; 
• Pesquisa de variáveis; 
 
 
7 
• Amostragem a ser estudada (número de indivíduos, amostras, ações 
etc.); 
• Seleção de métodos e técnicas a serem utilizados; 
• Execução do planejamento: 
• Coleta de dados (resultados) após realizar o planejado; 
• Análise e interpretação dos dados (resultados). 
Fazer ciência não é apenas afirmar que algo é possível. A prática da 
ciência também pode ser utilizada para provar que algo não é possível. É muito 
comum pesquisadores iniciantes se sentirem frustrados com resultados que 
consideram negativos. Resultados negativos também possuem valor, e o 
verdadeiro pesquisador sabe disso. 
O registro de cada parte de um estudo científico deve ser realizado e 
submetido à comunidade científica para que as hipóteses sejam colocadas à 
prova. A reprodução das informações pela comunidade indica que foi encontrado 
algo que realmente existe, funciona e é eficaz, ou o contrário. Comunicar dados 
em revistas científicas é fundamental à carreira do pesquisador e muito 
importante para o desenvolvimento da ciência e, consequentemente, para o 
trabalho dos profissionais da saúde, incluindo os biomédicos. 
Vejamos o caso da relação entre os níveis de colesterol no sangue e a 
aterosclerose. O cientista russo Nikolai Anichkov foi o primeiro a apresentar uma 
clara relação entre o alto consumo de alimentos ricos em colesterol e o 
surgimento de aterosclerose. Em 1924, Anichkov escreveu sobre experimentos 
com coelhos alimentados com leite e gemas de ovos e com coelhos que tinham 
uma dieta pobre em gorduras. Porém, por causa das guerras, seu trabalho só foi 
publicado em jornais médicos russos. O Ocidente só conheceu tais informações 
muito tempo depois. 
 A comunicação científica, impulsionada pela internet, tornou-se mais 
eficiente, permitindo a rápida disseminação e avaliação de pesquisas 
globalmente. Pesquisadores podem compartilhar dados e receber feedback de 
colegas em todo o mundo, acelerando o processo de validação científica. No 
entanto, a aceitação de novas ideias pode enfrentar resistência, mesmo com 
evidências robustas. 
A descoberta da ligação entre a bactéria Helicobacter pylori e as úlceras 
pépticas exemplifica esse desafio. Robin Warren e Barry Marshall, em 1979, 
observaram a bactéria em amostras de pacientes, mas sua hipótese inicial 
 
 
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encontrou forte ceticismo devido à crença de que bactérias não sobreviveriam 
no ambiente ácido do estômago. Apesar da publicação dos dados em 1982, a 
comunidade científica demorou a aceitar a nova informação. 
Para comprovar sua descoberta, Marshall ingeriu H. pylori, 
desenvolvendo uma úlcera e confirmando a hipótese. Essa autoexperimentação, 
embora arriscada, foi crucial para convencer a comunidade científica da 
veracidade dos seus achados, levando ao reconhecimento da sua pesquisa e ao 
Prêmio Nobel em 2005. 
A história de Warren e Marshall destaca a importância da comunicação 
científica aberta, e a resistência inerente à aceitação de novas teorias. A 
validação científica exige a reprodução consistente dos resultados por diversos 
grupos de pesquisa, assegurando sua confiabilidade antes da ampla 
implementação de novas descobertas e tratamentos na prática médica. 
Observe o pensamento a seguir, que se aplica literalmente a qualquer 
área, e que todo biomédico deve saber: 
OBSERVAR BASEADO EM SEU CONHECIMENTO  PLANEJAR A INVESTIGAÇÃO 
CIENTÍFICA  PRODUZIR O TRABALHO CIENTÍFICO COM METODOLOGIA E CRITÉRIOS 
 ORGANIZAR A DIVULGAÇÃO DOS DADOS/DESCOBERTA POR MEIO DA 
COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA  SEMPRE QUE NECESSÁRIO 
TEMA 4 – A BIOMEDICINA É OBRIGATORIAMENTE PAUTADA EM CIÊNCIA 
 Os exames laboratoriais que fazemos atualmente, o trabalho da 
Biomedicina estética, da reprodução humana, da citologia e de todas as outras 
áreas de atuação do biomédico, resultam de conhecimento gerado por 
pesquisas científicas. Não há espaço para atuação profissional com métodos 
empíricos, filosóficos e que não apresentem nenhuma evidência científica que 
demonstre eficácia e segurança para seu uso. 
Utilizar metodologia desconhecida ou inapropriada (válida para uma coisa 
e não para outra) é expressamente proibido para um profissional biomédico. 
Todo procedimento, técnica, reagentes e soluções utilizadas pelos profissionais 
da Biomedicina são reconhecidos pelos órgãos brasileiros competentes (como a 
Anvisa) e pelo Conselho Federal de Biomedicina (CFBM). Cabe salientar a 
importância das associações científicas, que contribuem auxiliando em 
avaliações, dando respaldo a essas instituições. 
 
 
 
9 
Figura 3 – Aplicativo da ANVISA 
 
Crédito: madamF/Shutterstock. 
O trabalho científico é fundamental para a Biomedicina por diversos 
motivos: 
• Avanço do conhecimento: A pesquisa científica impulsiona a 
compreensão dos mecanismos biológicos, das doenças e dos processos 
fisiológicos. Esse conhecimento aprofundado é essencial para 
desenvolver novos métodos de diagnóstico, tratamento e prevenção de 
doenças. E isso deve ser aplicado profissionalmente. 
• Desenvolvimento de novas tecnologias: O trabalho científico leva à 
criação de novas tecnologias e ferramentas diagnósticas e terapêuticas. 
Exames laboratoriais, equipamentos médicos e tratamentos inovadores 
são frutos da pesquisa científica, melhorando a qualidade do cuidado com 
a saúde. 
• Melhoria da saúde pública: As descobertas científicas impactam 
diretamente a saúde pública, permitindo intervenções mais eficazes em 
campanhas de saúde, políticas de prevenção e controle de doenças. 
Estudos epidemiológicos, por exemplo, são cruciais para entender a 
disseminação de doenças e definir estratégias de combate eficazes. 
• Elaboração de protocolos e diretrizes: O trabalho científico fornece a base 
para o desenvolvimento de protocolos e diretrizes para a prática 
biomédica, garantindo a segurança e a qualidade dos procedimentos. 
Essas diretrizes são essenciais para assegurar que os profissionais 
biomédicos sigam os padrões éticos e científicos mais atualizados. 
• Formação profissional: A pesquisa científica é crucial na formação de 
profissionais biomédicos. Estudos, artigos e a participação em projetos de 
 
 
10 
pesquisa capacitam os alunos, atualizando seus conhecimentos e 
ajudando-os a desenvolver habilidades de investigação e análise. 
• Inovação contínua: A Biomedicina é um campo dinâmico, em constante 
evolução. O trabalho científico é a força motriz por trás da inovação, 
garantindo que as práticas biomédicas sejam atualizadas e eficazes, e 
permitindo o desenvolvimento de novas abordagens e soluções para os 
desafios da saúde humana. 
5.1 Como ocorre a produção científica? 
Figura 4 – O percurso da produção científica 
 
Após a publicação, os resultados serão avaliados e devem ser 
reprodutíveis. Se comprovadamente responderem às perguntas e hipóteses 
formuladas, serão em breve utilizados profissionalmente, saindo então darede 
de pesquisa e desenvolvimento para rotina e aplicabilidade diária nas mais 
diferentes áreas (Figura 5). 
Problema ou acontecimento
Observação, reconhecimento de que há um problema, vontade de criar e 
melhorar, corrigir ou consertar, produzir.
Entender o que é tudo isso, mais conhecimento; se for necessário, estude e 
pesquise.
Pergunta ou hipótese
Como responder? Escolher metodologia e formas de obtenção de resposta.
Metodologia estabelecida: executar os experimentos, testes, repetições e 
coletar todos os dados.
Analisar os dados
Pensar sobre o resultado obtido de forma crítica.
Apresentar à comunidade científica (publicar dados e hipóteses).
 
 
11 
Figura 5 – A produção científica após a publicação 
 
Você já parou para pensar na quantidade de produtos que usa e que 
resultam da ciência? Ao estudar em seu computador, por exemplo, você usa 
hardware e software desenvolvidos por meio de muita pesquisa nas áreas da 
matemática, física e química – inclusive, há estudos sobre os elementos 
químicos que irão compor os próximos computadores. Toda a engenharia 
envolvida nos equipamentos utilizados por nós, biomédicos, assim como as 
reações bioquímicas e moleculares, são resultado de pesquisas científicas. Que 
tal pesquisar um pouco mais a respeito das técnicas utilizadas em laboratório? 
TEMA 5 – BIOMEDICINA EM CONSTANTE ATUALIZAÇÃO 
 Sempre haverá atualizações em nossa profissão, e todas elas serão 
realizadas com a chancela do CFBM. Visite sempre o site do Conselho para se 
atualizar. Vamos agora abordar suas últimas atualizações. 
 O CFBM, como principal autarquia da classe, é responsável por zelar pela 
profissão, planejar novas áreas de atuação e atualizar as normas éticas e 
práticas biomédicas. 
Os Conselhos Regionais de Biomedicina (CRBMs) atuam como 
representantes regionais do CFBM, aplicando as normas nacionais e protegendo 
a profissão localmente. Onde não há CRBM, delegados regionais asseguram a 
representação do Conselho Federal. Sindicatos, por outro lado, focam na 
legislação trabalhista, piso salarial e questões trabalhistas, sem interferir nas 
normas éticas ou de habilitação profissional. 
Associações, como a Associação Brasileira de Biomedicina (ABBIOM), 
anteriormente ABBM, e outras sociedades científicas específicas, promovem o 
avanço científico por meio de cursos, atualizações e eventos. Entretanto, a 
inclusão de novas áreas de habilitação na Biomedicina é prerrogativa exclusiva 
 
 
12 
do CFBM, mediante resolução e justificativa técnica, como demonstrado pela 
inclusão das Práticas Integrativas Complementares em Saúde (PICS). 
A resolução do CFBM sobre as PICS reconhece diversas práticas, como 
aromaterapia, compontura, apiterapia e outras como áreas de atuação 
biomédica, estabelecendo cargas horárias mínimas para habilitação, tanto 
durante a graduação (500 horas) quanto após a formação. A ozonioterapia, por 
exemplo, exige 40 horas de curso após a graduação para habilitação. O CFBM 
enfatiza a responsabilidade ética na aplicação dessas práticas, considerando-as 
de acordo com as bases da formação biomédica e assegura a formação e 
segurança do paciente. 
Recebemos atualizações desde os anos 2000, trazendo áreas fora do 
laboratório; durante a pandemia, o CFBM ampliou a atuação biomédica nas 
áreas de vacinação, permitindo aos biomédicos imunologistas assumirem a 
responsabilidade técnica em serviços de vacinação e no comércio de produtos 
para saúde. Com habilitação em patologia clínica, o biomédico pode assumir a 
responsabilidade técnica em empresas que produzem e comercializam produtos 
para diagnóstico in vitro, produtos médicos e cosméticos de grau I, desde que 
isentos de prescrição médica. 
A Resolução n. 341/2021 reconhece a atuação do biomédico como 
responsável técnico em biotecnologia (Figura 6), abrangendo diversas áreas, 
desde a indústria alimentícia até a cosmética, sempre que houver utilização de 
processos biotecnológicos na produção. A Resolução n. 346/2022 renomeia a 
habilitação em Informática em Saúde para Bioinformática, formalizando a 
atuação do biomédico bioinformata. 
Figura 6 – Sempre presente na Biomedicina e agora com o reconhecimento do 
CFBM, a Bioinformática sempre foi destaque na atuação dos biomédicos 
 
Crédito: unoL/Shutterstock. 
 
 
13 
A habilitação em genética permite o aconselhamento genético ao 
biomédico, desde que com carga horária mínima de 1300 horas em cursos 
específicos (pós-graduação ou residência). A Resolução n. 347/2022 define as 
áreas de atuação biomédica permitidas para a solicitação de exames 
laboratoriais, excluindo o diagnóstico nosológico. Essas áreas incluem fisiologia 
do esporte, perfusão extracorpórea, estética e outras, com a necessidade de 
justificativa técnica e científica e a observância do rol de procedimentos da 
Agência Nacional de Saúde Suplementar. 
Para biomédicos estetas, é permitida a divulgação de imagens "antes e 
depois", desde que com o consentimento informado do paciente (TCLE), 
respeitando a legislação pertinente e mantendo a discrição na identificação do 
indivíduo para evitar a violação de privacidade (Figura 7). A habilitação em 
Biomedicina estética é um diferencial no mercado, exigindo planejamento 
estratégico na escolha de área, considerando a disponibilidade de estágios e as 
oportunidades de carreira. 
Figura 7 – A divulgação dos trabalhos em redes sociais e sites agora é permitida, 
desde que respeite as regras claramente apresentadas no novo código de ética 
 
Crédito: Africa Studio/Shutterstock. 
Finalmente, o texto enfatiza a importância do registro profissional no 
Conselho Regional de Biomedicina para a completa formação profissional, a 
necessidade do conhecimento do código de ética e a construção de uma sólida 
trajetória acadêmica e profissional por meio da dedicação aos estudos, 
networking com colegas e professores e participação em atividades 
extracurriculares. A formação abrangente, combinada com o aprofundamento 
em áreas específicas de habilitação e o cumprimento ético e profissional, são os 
pilares para o sucesso na carreira biomédica. 
 
 
14 
NA PRÁTICA 
 A Biomedicina é uma área em constante evolução, sempre se adaptando 
e expandindo suas fronteiras para incluir novas especializações que atendam às 
demandas emergentes da sociedade. Com o avanço das tecnologias médicas e 
das necessidades crescentes no setor de saúde, o campo tem buscado 
incorporar habilitações que melhorem o diagnóstico, o tratamento e o bem-estar 
dos pacientes. De acordo com o CFBM, essa adaptação contínua é crucial para 
garantir que os profissionais estejam equipados com as habilidades e 
conhecimentos necessários para contribuir eficazmente em contextos clínicos e 
científicos. 
Uma das áreas em que a Biomedicina tem se expandido 
significativamente é a integração de tecnologias inovadoras, como a 
bioinformática e a biotecnologia. Tais habilitações emergentes permitem que 
biomédicos trabalhem em pesquisas genômicas, desenvolvam novas terapias 
celulares e moleculares e contribuam para a personalização do tratamento 
médico. O foco na identificação de perfis genéticos e na compreensão das bases 
moleculares das doenças está revolucionando como abordamos o cuidado à 
saúde, tornando-o mais preciso e eficiente. O CFBM enfatiza a importância de 
incluir essas novas capacitações nos currículos de formação, assegurando que 
os profissionais sejam capazes de utilizar essas tecnologias de forma ética e 
eficaz. 
Além das inovações tecnológicas, a Biomedicina também se atualiza para 
incluir habilitações relacionadas ao bem-estar geral, como a Biomedicina 
estética e o monitoramento neurofisiológico. Essas áreas aumentam o escopo 
de atuação do biomédico e refletem uma tendência crescente de saúde 
preventiva e personalizada. A capacidade de integrar tratamentos estéticos com 
avaliações fisiológicas permite que os biomédicos atuem emum espectro mais 
amplo de cuidados, promovendo saúde e qualidade de vida de maneira 
abrangente. O CFBM continua a apoiar e regulamentar essas novas 
especializações, assegurando que a prática biomédica evolua para oferecer o 
mais alto padrão de atendimento. 
 
 
15 
FINALIZANDO 
 O que você acha que vai fazer quando formado? Quais as suas áreas de 
interesse? Há algo que lhe interesse, mas ainda não foi apresentado como 
habilitação? 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Conselho Federal de Biomedicina. Resolução n. 198, de 21 de fevereiro 
de 2011. Código de ética do profissional biomédico. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 20 abr. 2011. Disponível em: https://cfbm.gov.br/legislacao/codigo-
de-etica-da-profissao-de-biomedico/. Acesso em: 3 jan. 2024. 
BRASIL. Conselho Regional de Biomedicina 1ª Região. Manual do biomédico. 
2024. Disponível em: https://crbm1.gov.br/site2019/wp-
content/uploads/2024/10/MANUAL-DO-BIOMEDICO-OUT24.pdf. Acesso em: 3 
jan. 2024. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.510, de 19 de dezembro de 2005. 
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 dez. 2005. Disponível em: 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2005/prt2510_19_12_2005.html
#:~:text=Institui%20Comiss%C3%A3o%20para%20Elabora%C3%A7%C3%A3
o%20da,Sistema%20%C3%9Anico%20de%20Sa%C3%BAde%20%2D%20CP
GT. Acesso em: 3 jan. 2024. 
BRASIL. Resolução n. 58, de 29 de abril de 2002. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 29 abr. 2002. Disponível em: 
http://www.crbm1.gov.br/RESOLUCOES/Res_78de29abril2002.pdf. Acesso em: 
3 jan. 2024. 
BRASIL. Resolução n. 227, de 7 de maio de 2013. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 14 jun. 2013. Disponível em: https://crbm5.gov.br/novosite/wp-
content/uploads/2019/12/N.-227-de-07-de-maio-de-2013-D%C3%A1-nova-
reda%C3%A7%C3%A3o-ao-inciso-II-do-artigo-2%C2%BA-da-
Resolu%C3%A7%C3%A3o-n%C2%BA-78-de-29-de-abril-de-2002-publicado-
no-D.O.U.-se%C3%A7%C3%A3o-I-p%C3%A1gina-222-em-24052002.pdf. 
Acesso em: 3 jan. 2024. 
	Na prática
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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