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INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA AULA 5 Prof. Benisio Ferreira da Silva Filho 2 CONVERSA INICIAL A base da Biomedicina no brasil foi a pesquisa e a docência Embora formados inicialmente para pesquisa ou docência, biomédicos frequentemente atuam como docentes em cursos de graduação, não só de Biomedicina como em outros cursos devido a seus conhecimentos. Essa situação destaca a importância de uma formação abrangente e de conhecimento aprofundado além da prática clínica. A excelência no ensino requer domínio sólido da área e habilidade de transmitir conhecimento eficazmente, preparando os alunos para os desafios da profissão. A pesquisa é inerente ao desenvolvimento humano, impulsionada pela curiosidade e pela busca incessante de melhorias, e é uma ferramenta indispensável para o progresso científico. A Biomedicina sempre envolveu pesquisa, desde seu surgimento. Ela alimenta o avanço tecnológico e o desenvolvimento de novas abordagens em diversos campos, buscando qualidade de vida – por isso a necessidade de formação de biomédicos com boa base científica. A docência é fundamental para a formação de novas gerações de pesquisadores e profissionais. Os docentes têm a responsabilidade de transmitir conteúdo técnico, valores éticos e a paixão pela pesquisa. O compromisso com a educação é crucial para a evolução da humanidade e o avanço tecnológico. A transmissão dos conceitos éticos é imprescindível para a formação profissional em Biomedicina. A ética garante a qualidade dos serviços prestados e a confiança do público, assegurando também a boa reputação da profissão. É um pilar fundamental para a prática profissional responsável. A honestidade e transparência são princípios básicos na formação biomédica. Devemos destacar a posição única dos biomédicos como educadores para médicos, dentistas, farmacêuticos, enfermeiros e os outros profissionais da saúde devido à sua formação abrangente em ciências biológicas e da saúde. Essa posição os qualifica para ministrar aulas em diversas disciplinas relacionadas à saúde, colaborando na formação de profissionais da área, sendo peças-chave no ensino da saúde. 3 TEMA 1 – HABILITAÇÃO EM PESQUISA E DOCÊNCIA A pesquisa biomédica tem por objetivo aumentar o conhecimento acerca da saúde humana, de como cuidar e realizar melhor a manutenção da saúde e dos métodos de diagnóstico e de controle patológico que tragam benefícios ao ser humano, sem prejudicar o meio. Se trabalhamos para o bem da saúde da população, precisamos também monitorar e cuidar do meio que a cerca. É uma forma de prevenção e promoção de benfeitorias à saúde. Em pesquisa, não temos limites para iniciarmos nossos estudos e estabelecermos metodologias. A parte mais importante de uma pesquisa é formular uma boa pergunta. Para isso, o pesquisador precisa, primeiramente, de conhecimento, curiosidade e vontade de trabalhar com o objetivo de responder à sua pergunta inicial (Figura 1). Figura 1 – A imagem clássica que vem à mente do aluno de Biomedicina quando se fala em ciência: um moderno e grande laboratório e muitos experimentos; porém, ciência é mais do que isso Crédito: Gorodenkoff/Shutterstock. O termo pesquisa biomédica não restringe a pesquisa ao profissional biomédico. É apenas um termo utilizado para o conjunto das ciências que usam o conhecimento dos cuidados da saúde do indivíduo ou pública. Desde as áreas básicas da ciência às áreas aplicadas, tudo o que se relaciona ao ser humano faz parte desse universo científico. As áreas da ciência que explicam mecanismos fisiológicos e como alterações nesses mecanismos levam a processos patológicos integram o estudo básico da ciência. Fisiologia, Histologia, Embriologia e Biologia Celular são áreas importantíssimas, e são as áreas básicas da ciência. Aplicar os conhecimentos destas áreas básicas ao desenvolvimento de novas tecnologias e modos de uso 4 em benefício da população é a parte aplicada da ciência. A seguir apresentaremos alguns exemplos de ciências aplicadas nas quais o biomédico atua. Algumas das mais conhecidas são: • Cultivo celular e desenvolvimento de tecidos e órgãos artificiais; • Estudos de histocompatibilidade; • Estudos e desenvolvimento de novos fármacos; • Nanotecnologia (uso de nanopartículas para tratamentos, medicamentos e estética); • Engenharia biomédica; • Bioinformática e ciências ômicas (genômica, transcriptômica, proteômica); • Estudo de novos marcadores tumorais; • Desenvolvimento de metodologias de diagnóstico; • Psicobiologia; • Transgênicos; • Microbiologia médica; • Parasitologia médica; • Epidemiologia; • Epigenética; • Produtos cosméticos (toxicologia celular – avaliação à exposição a novos produtos); • Virologia; • Biossensores; • Novas técnicas laboratoriais; • Novos equipamentos laboratoriais; • Uso de novos compostos na área de saúde; • Novos alvos para diagnóstico molecular; • Monitoramento de potenciais patógenos; • Monitoramento genético de patógenos; • Técnicas aplicadas à estética; • Equipamentos aplicados à estética. 5 TEMA 2 – PESQUISA E A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA Tudo o que sabemos hoje em dia é fruto do acúmulo de conhecimento, de inúmeras pesquisas que geraram dados, os quais, ao serem analisados, produziram informações que foram convertidas em soluções e inovações para aplicação na sociedade. Assim funciona a ciência. Se hoje conhecemos a fisiopatologia de diversos males e sabemos diagnosticá-los, esse trabalho é fruto do conhecimento científico. O trabalho do profissional biomédico é completamente pautado em resultados e metodologias científicas. Serviços e produtos resultam do conhecimento científico, portanto a ciência guia o que será empregado na atuação do profissional da Biomedicina. Se a base do nosso trabalho depende da ciência, durante nossa formação é crucial que entendamos o que é e como se faz ciência. Antes de uma explicação mais detalhada, é importante falar da liberdade para realizar trabalhos científicos. Didaticamente apresentaremos aqui uma forma de fazer ciência. Todavia, nem sempre é possível fazer ciência do modo mostrado nos livros. Se você tem uma ideia, guarde-a. Pode ser que a use futuramente. À medida que for progredindo no curso, você obterá conhecimentos que poderão corroborar com sua ideia ou mudá-la. Novas perguntas podem surgir. Cabe a você, biomédico pesquisador, tentar respondê-las. Existem quatro formas de olhar o mundo e, com base nelas, formular perguntas e iniciar uma investigação. Essas quatro formas de olhar a mesma realidade têm particularidades e devem ser compreendidas, pois apenas uma delas fornecerá o resultado aplicável à Biomedicina. Esses quatro olhares, ou níveis de conhecimento são: os conhecimentos empírico, o científico, o filosófico e o teológico. O conhecimento empírico, baseado em observação e experiência, costuma ser informal e subjetivo, contrastando com o rigor do conhecimento científico. As informações empíricas são obtidas pela experiência do dia a dia. Esse tipo de conhecimento não busca a validação científica. Pode ser um norte; para levar a produção por meios científicos do conhecimento, é esse tipo de conhecimento que serve de “start”, mas não pode ser o principal. O conhecimento científico, por sua vez, exige investigação sistemática, objetividade e reprodutibilidade. A metodologia científica garante a validade e a 6 confiabilidade dos resultados, diferentemente do conhecimento empírico. Os resultados são passíveis de comprovação e validação. É essa a principal base da Biomedicina. Por fim, os conhecimentos filosófico e teológico são apresentados como distintos do conhecimento científico, pois exploram questões abstratas e existenciais que extrapolam o escopo da comprovaçãoempírica. A busca pelo conhecimento é um processo contínuo e multifacetado. TEMA 3 – PESQUISA CIENTÍFICA É IMPORTANTE EM TODAS AS ÁREAS BIOMÉDICAS A construção de conhecimento em investigação científica requer o desenvolvimento, o uso e a aplicabilidade das pesquisas, assim como a divulgação para que a comunidade científica realize as devidas avaliações e reproduza os resultados. A reprodutibilidade confirma que a pesquisa encontrou a resposta e essa resposta passa a ser uma verdade. Construir essa verdade é um trabalho cientificamente organizado por ferramentas que trazem segurança às respostas obtidas (Figura 2). Figura 2 – O planejamento e a análise dos dados são muito importantes: a partir de um bom planejamento e execução do experimento, o fruto de uma boa análise será sua validação Crédito: NicoElNino/Shutterstock. As ferramentas são distribuídas em diferentes ações: • Identificação do objeto de estudo e formulação da pergunta/hipótese; • Levantamento de informações; • Pesquisa de variáveis; 7 • Amostragem a ser estudada (número de indivíduos, amostras, ações etc.); • Seleção de métodos e técnicas a serem utilizados; • Execução do planejamento: • Coleta de dados (resultados) após realizar o planejado; • Análise e interpretação dos dados (resultados). Fazer ciência não é apenas afirmar que algo é possível. A prática da ciência também pode ser utilizada para provar que algo não é possível. É muito comum pesquisadores iniciantes se sentirem frustrados com resultados que consideram negativos. Resultados negativos também possuem valor, e o verdadeiro pesquisador sabe disso. O registro de cada parte de um estudo científico deve ser realizado e submetido à comunidade científica para que as hipóteses sejam colocadas à prova. A reprodução das informações pela comunidade indica que foi encontrado algo que realmente existe, funciona e é eficaz, ou o contrário. Comunicar dados em revistas científicas é fundamental à carreira do pesquisador e muito importante para o desenvolvimento da ciência e, consequentemente, para o trabalho dos profissionais da saúde, incluindo os biomédicos. Vejamos o caso da relação entre os níveis de colesterol no sangue e a aterosclerose. O cientista russo Nikolai Anichkov foi o primeiro a apresentar uma clara relação entre o alto consumo de alimentos ricos em colesterol e o surgimento de aterosclerose. Em 1924, Anichkov escreveu sobre experimentos com coelhos alimentados com leite e gemas de ovos e com coelhos que tinham uma dieta pobre em gorduras. Porém, por causa das guerras, seu trabalho só foi publicado em jornais médicos russos. O Ocidente só conheceu tais informações muito tempo depois. A comunicação científica, impulsionada pela internet, tornou-se mais eficiente, permitindo a rápida disseminação e avaliação de pesquisas globalmente. Pesquisadores podem compartilhar dados e receber feedback de colegas em todo o mundo, acelerando o processo de validação científica. No entanto, a aceitação de novas ideias pode enfrentar resistência, mesmo com evidências robustas. A descoberta da ligação entre a bactéria Helicobacter pylori e as úlceras pépticas exemplifica esse desafio. Robin Warren e Barry Marshall, em 1979, observaram a bactéria em amostras de pacientes, mas sua hipótese inicial 8 encontrou forte ceticismo devido à crença de que bactérias não sobreviveriam no ambiente ácido do estômago. Apesar da publicação dos dados em 1982, a comunidade científica demorou a aceitar a nova informação. Para comprovar sua descoberta, Marshall ingeriu H. pylori, desenvolvendo uma úlcera e confirmando a hipótese. Essa autoexperimentação, embora arriscada, foi crucial para convencer a comunidade científica da veracidade dos seus achados, levando ao reconhecimento da sua pesquisa e ao Prêmio Nobel em 2005. A história de Warren e Marshall destaca a importância da comunicação científica aberta, e a resistência inerente à aceitação de novas teorias. A validação científica exige a reprodução consistente dos resultados por diversos grupos de pesquisa, assegurando sua confiabilidade antes da ampla implementação de novas descobertas e tratamentos na prática médica. Observe o pensamento a seguir, que se aplica literalmente a qualquer área, e que todo biomédico deve saber: OBSERVAR BASEADO EM SEU CONHECIMENTO PLANEJAR A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA PRODUZIR O TRABALHO CIENTÍFICO COM METODOLOGIA E CRITÉRIOS ORGANIZAR A DIVULGAÇÃO DOS DADOS/DESCOBERTA POR MEIO DA COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA SEMPRE QUE NECESSÁRIO TEMA 4 – A BIOMEDICINA É OBRIGATORIAMENTE PAUTADA EM CIÊNCIA Os exames laboratoriais que fazemos atualmente, o trabalho da Biomedicina estética, da reprodução humana, da citologia e de todas as outras áreas de atuação do biomédico, resultam de conhecimento gerado por pesquisas científicas. Não há espaço para atuação profissional com métodos empíricos, filosóficos e que não apresentem nenhuma evidência científica que demonstre eficácia e segurança para seu uso. Utilizar metodologia desconhecida ou inapropriada (válida para uma coisa e não para outra) é expressamente proibido para um profissional biomédico. Todo procedimento, técnica, reagentes e soluções utilizadas pelos profissionais da Biomedicina são reconhecidos pelos órgãos brasileiros competentes (como a Anvisa) e pelo Conselho Federal de Biomedicina (CFBM). Cabe salientar a importância das associações científicas, que contribuem auxiliando em avaliações, dando respaldo a essas instituições. 9 Figura 3 – Aplicativo da ANVISA Crédito: madamF/Shutterstock. O trabalho científico é fundamental para a Biomedicina por diversos motivos: • Avanço do conhecimento: A pesquisa científica impulsiona a compreensão dos mecanismos biológicos, das doenças e dos processos fisiológicos. Esse conhecimento aprofundado é essencial para desenvolver novos métodos de diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças. E isso deve ser aplicado profissionalmente. • Desenvolvimento de novas tecnologias: O trabalho científico leva à criação de novas tecnologias e ferramentas diagnósticas e terapêuticas. Exames laboratoriais, equipamentos médicos e tratamentos inovadores são frutos da pesquisa científica, melhorando a qualidade do cuidado com a saúde. • Melhoria da saúde pública: As descobertas científicas impactam diretamente a saúde pública, permitindo intervenções mais eficazes em campanhas de saúde, políticas de prevenção e controle de doenças. Estudos epidemiológicos, por exemplo, são cruciais para entender a disseminação de doenças e definir estratégias de combate eficazes. • Elaboração de protocolos e diretrizes: O trabalho científico fornece a base para o desenvolvimento de protocolos e diretrizes para a prática biomédica, garantindo a segurança e a qualidade dos procedimentos. Essas diretrizes são essenciais para assegurar que os profissionais biomédicos sigam os padrões éticos e científicos mais atualizados. • Formação profissional: A pesquisa científica é crucial na formação de profissionais biomédicos. Estudos, artigos e a participação em projetos de 10 pesquisa capacitam os alunos, atualizando seus conhecimentos e ajudando-os a desenvolver habilidades de investigação e análise. • Inovação contínua: A Biomedicina é um campo dinâmico, em constante evolução. O trabalho científico é a força motriz por trás da inovação, garantindo que as práticas biomédicas sejam atualizadas e eficazes, e permitindo o desenvolvimento de novas abordagens e soluções para os desafios da saúde humana. 5.1 Como ocorre a produção científica? Figura 4 – O percurso da produção científica Após a publicação, os resultados serão avaliados e devem ser reprodutíveis. Se comprovadamente responderem às perguntas e hipóteses formuladas, serão em breve utilizados profissionalmente, saindo então darede de pesquisa e desenvolvimento para rotina e aplicabilidade diária nas mais diferentes áreas (Figura 5). Problema ou acontecimento Observação, reconhecimento de que há um problema, vontade de criar e melhorar, corrigir ou consertar, produzir. Entender o que é tudo isso, mais conhecimento; se for necessário, estude e pesquise. Pergunta ou hipótese Como responder? Escolher metodologia e formas de obtenção de resposta. Metodologia estabelecida: executar os experimentos, testes, repetições e coletar todos os dados. Analisar os dados Pensar sobre o resultado obtido de forma crítica. Apresentar à comunidade científica (publicar dados e hipóteses). 11 Figura 5 – A produção científica após a publicação Você já parou para pensar na quantidade de produtos que usa e que resultam da ciência? Ao estudar em seu computador, por exemplo, você usa hardware e software desenvolvidos por meio de muita pesquisa nas áreas da matemática, física e química – inclusive, há estudos sobre os elementos químicos que irão compor os próximos computadores. Toda a engenharia envolvida nos equipamentos utilizados por nós, biomédicos, assim como as reações bioquímicas e moleculares, são resultado de pesquisas científicas. Que tal pesquisar um pouco mais a respeito das técnicas utilizadas em laboratório? TEMA 5 – BIOMEDICINA EM CONSTANTE ATUALIZAÇÃO Sempre haverá atualizações em nossa profissão, e todas elas serão realizadas com a chancela do CFBM. Visite sempre o site do Conselho para se atualizar. Vamos agora abordar suas últimas atualizações. O CFBM, como principal autarquia da classe, é responsável por zelar pela profissão, planejar novas áreas de atuação e atualizar as normas éticas e práticas biomédicas. Os Conselhos Regionais de Biomedicina (CRBMs) atuam como representantes regionais do CFBM, aplicando as normas nacionais e protegendo a profissão localmente. Onde não há CRBM, delegados regionais asseguram a representação do Conselho Federal. Sindicatos, por outro lado, focam na legislação trabalhista, piso salarial e questões trabalhistas, sem interferir nas normas éticas ou de habilitação profissional. Associações, como a Associação Brasileira de Biomedicina (ABBIOM), anteriormente ABBM, e outras sociedades científicas específicas, promovem o avanço científico por meio de cursos, atualizações e eventos. Entretanto, a inclusão de novas áreas de habilitação na Biomedicina é prerrogativa exclusiva 12 do CFBM, mediante resolução e justificativa técnica, como demonstrado pela inclusão das Práticas Integrativas Complementares em Saúde (PICS). A resolução do CFBM sobre as PICS reconhece diversas práticas, como aromaterapia, compontura, apiterapia e outras como áreas de atuação biomédica, estabelecendo cargas horárias mínimas para habilitação, tanto durante a graduação (500 horas) quanto após a formação. A ozonioterapia, por exemplo, exige 40 horas de curso após a graduação para habilitação. O CFBM enfatiza a responsabilidade ética na aplicação dessas práticas, considerando-as de acordo com as bases da formação biomédica e assegura a formação e segurança do paciente. Recebemos atualizações desde os anos 2000, trazendo áreas fora do laboratório; durante a pandemia, o CFBM ampliou a atuação biomédica nas áreas de vacinação, permitindo aos biomédicos imunologistas assumirem a responsabilidade técnica em serviços de vacinação e no comércio de produtos para saúde. Com habilitação em patologia clínica, o biomédico pode assumir a responsabilidade técnica em empresas que produzem e comercializam produtos para diagnóstico in vitro, produtos médicos e cosméticos de grau I, desde que isentos de prescrição médica. A Resolução n. 341/2021 reconhece a atuação do biomédico como responsável técnico em biotecnologia (Figura 6), abrangendo diversas áreas, desde a indústria alimentícia até a cosmética, sempre que houver utilização de processos biotecnológicos na produção. A Resolução n. 346/2022 renomeia a habilitação em Informática em Saúde para Bioinformática, formalizando a atuação do biomédico bioinformata. Figura 6 – Sempre presente na Biomedicina e agora com o reconhecimento do CFBM, a Bioinformática sempre foi destaque na atuação dos biomédicos Crédito: unoL/Shutterstock. 13 A habilitação em genética permite o aconselhamento genético ao biomédico, desde que com carga horária mínima de 1300 horas em cursos específicos (pós-graduação ou residência). A Resolução n. 347/2022 define as áreas de atuação biomédica permitidas para a solicitação de exames laboratoriais, excluindo o diagnóstico nosológico. Essas áreas incluem fisiologia do esporte, perfusão extracorpórea, estética e outras, com a necessidade de justificativa técnica e científica e a observância do rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Para biomédicos estetas, é permitida a divulgação de imagens "antes e depois", desde que com o consentimento informado do paciente (TCLE), respeitando a legislação pertinente e mantendo a discrição na identificação do indivíduo para evitar a violação de privacidade (Figura 7). A habilitação em Biomedicina estética é um diferencial no mercado, exigindo planejamento estratégico na escolha de área, considerando a disponibilidade de estágios e as oportunidades de carreira. Figura 7 – A divulgação dos trabalhos em redes sociais e sites agora é permitida, desde que respeite as regras claramente apresentadas no novo código de ética Crédito: Africa Studio/Shutterstock. Finalmente, o texto enfatiza a importância do registro profissional no Conselho Regional de Biomedicina para a completa formação profissional, a necessidade do conhecimento do código de ética e a construção de uma sólida trajetória acadêmica e profissional por meio da dedicação aos estudos, networking com colegas e professores e participação em atividades extracurriculares. A formação abrangente, combinada com o aprofundamento em áreas específicas de habilitação e o cumprimento ético e profissional, são os pilares para o sucesso na carreira biomédica. 14 NA PRÁTICA A Biomedicina é uma área em constante evolução, sempre se adaptando e expandindo suas fronteiras para incluir novas especializações que atendam às demandas emergentes da sociedade. Com o avanço das tecnologias médicas e das necessidades crescentes no setor de saúde, o campo tem buscado incorporar habilitações que melhorem o diagnóstico, o tratamento e o bem-estar dos pacientes. De acordo com o CFBM, essa adaptação contínua é crucial para garantir que os profissionais estejam equipados com as habilidades e conhecimentos necessários para contribuir eficazmente em contextos clínicos e científicos. Uma das áreas em que a Biomedicina tem se expandido significativamente é a integração de tecnologias inovadoras, como a bioinformática e a biotecnologia. Tais habilitações emergentes permitem que biomédicos trabalhem em pesquisas genômicas, desenvolvam novas terapias celulares e moleculares e contribuam para a personalização do tratamento médico. O foco na identificação de perfis genéticos e na compreensão das bases moleculares das doenças está revolucionando como abordamos o cuidado à saúde, tornando-o mais preciso e eficiente. O CFBM enfatiza a importância de incluir essas novas capacitações nos currículos de formação, assegurando que os profissionais sejam capazes de utilizar essas tecnologias de forma ética e eficaz. Além das inovações tecnológicas, a Biomedicina também se atualiza para incluir habilitações relacionadas ao bem-estar geral, como a Biomedicina estética e o monitoramento neurofisiológico. Essas áreas aumentam o escopo de atuação do biomédico e refletem uma tendência crescente de saúde preventiva e personalizada. A capacidade de integrar tratamentos estéticos com avaliações fisiológicas permite que os biomédicos atuem emum espectro mais amplo de cuidados, promovendo saúde e qualidade de vida de maneira abrangente. O CFBM continua a apoiar e regulamentar essas novas especializações, assegurando que a prática biomédica evolua para oferecer o mais alto padrão de atendimento. 15 FINALIZANDO O que você acha que vai fazer quando formado? Quais as suas áreas de interesse? Há algo que lhe interesse, mas ainda não foi apresentado como habilitação? 16 REFERÊNCIAS BRASIL. Conselho Federal de Biomedicina. Resolução n. 198, de 21 de fevereiro de 2011. Código de ética do profissional biomédico. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 abr. 2011. Disponível em: https://cfbm.gov.br/legislacao/codigo- de-etica-da-profissao-de-biomedico/. Acesso em: 3 jan. 2024. BRASIL. Conselho Regional de Biomedicina 1ª Região. Manual do biomédico. 2024. Disponível em: https://crbm1.gov.br/site2019/wp- content/uploads/2024/10/MANUAL-DO-BIOMEDICO-OUT24.pdf. Acesso em: 3 jan. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.510, de 19 de dezembro de 2005. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 dez. 2005. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2005/prt2510_19_12_2005.html #:~:text=Institui%20Comiss%C3%A3o%20para%20Elabora%C3%A7%C3%A3 o%20da,Sistema%20%C3%9Anico%20de%20Sa%C3%BAde%20%2D%20CP GT. Acesso em: 3 jan. 2024. BRASIL. Resolução n. 58, de 29 de abril de 2002. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 29 abr. 2002. Disponível em: http://www.crbm1.gov.br/RESOLUCOES/Res_78de29abril2002.pdf. Acesso em: 3 jan. 2024. BRASIL. Resolução n. 227, de 7 de maio de 2013. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 14 jun. 2013. Disponível em: https://crbm5.gov.br/novosite/wp- content/uploads/2019/12/N.-227-de-07-de-maio-de-2013-D%C3%A1-nova- reda%C3%A7%C3%A3o-ao-inciso-II-do-artigo-2%C2%BA-da- Resolu%C3%A7%C3%A3o-n%C2%BA-78-de-29-de-abril-de-2002-publicado- no-D.O.U.-se%C3%A7%C3%A3o-I-p%C3%A1gina-222-em-24052002.pdf. Acesso em: 3 jan. 2024. Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS