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APG 11 - PLAQUETAS ★ Hemostase A hemostase refere-se a uma sequência de respostas que interrompe o sangramento. Quando ocorre dano ou ruptura dos vasos sanguíneos, a resposta hemostática precisa ser rápida, localizada na região do dano e cuidadosamente controlada para que seja efetiva. Três mecanismos reduzem a perda de sangue: (1) espasmo vascular, (2) formação do tampão plaquetário e (3) coagulação sanguínea. Quando bem-sucedida, a hemostase evita a ocorrência de hemorragia, que consiste na perda de um grande volume de sangue dos vasos. Os mecanismos hemostáticos são capazes de evitar a hemorragia de vasos sanguíneos menores. ● Espasmo vascular Quando ocorre dano às artérias ou arteríolas, o músculo liso de disposição circular em suas paredes sofre contração imediata, uma reação denominada espasmo vascular. O espasmo vascular reduz a perda de sangue por um período de vários minutos a algumas horas, durante o qual os outros mecanismos hemostáticos entram em ação. O espasmo provavelmente é causado pelo dano ao músculo liso, por substâncias liberadas das plaquetas ativadas e por reflexos iniciados pelos receptores de dor. ● Formação do tampão plaquetário Considerando o seu pequeno tamanho, as plaquetas armazenam uma impressionante variedade de substâncias químicas. No interior de muitas vesículas, são encontrados fatores de coagulação, ADP, ATP, Ca2+ e serotonina. Há também enzimas que produzem tromboxano A2, uma prostaglandina; fator estabilizador da fibrina, que ajuda a fortalecer o coágulo sanguíneo; lisossomos; algumas mitocôndrias; sistemas de membrana que captam e armazenam o cálcio e fornecem canais para a liberação do conteúdo dos grânulos; e glicogênio. A formação do tampão plaquetário ocorre da seguinte maneira: 1. Inicialmente, as plaquetas entram em contato com partes de um vaso sanguíneo danificado e aderem a elas, como fibras colágenas do tecido conjuntivo subjacente às células endoteliais danificadas. Esse processo é denominado adesão plaquetária. 2. Em consequência da adesão, as plaquetas tornam-se ativadas, e ocorre uma mudança drástica nas suas características. As plaquetas emitem muitas projeções que possibilitam entrar em contato e interagir umas com as outras; além disso, elas começam a liberar o conteúdo de suas vesículas. Essa fase é denominada reação de liberação das plaquetas. O ADP e o tromboxano A2 liberados desempenham um importante papel na ativação das plaquetas adjacentes. A serotonina e o tromboxano A2 atuam como vasoconstritores, causando e sustentando a contração do músculo liso vascular, o que diminui o fluxo de sangue através do vaso lesionado. 3. A liberação de ADP torna as outras plaquetas da área viscosas, e essa viscosidade das plaquetas recém recrutadas e ativadas promove a sua aderência às plaquetas originalmente ativadas. Essa aglomeração de plaquetas é denominada agregação plaquetária. Por fim, o acúmulo e a fixação de grandes números de plaquetas formam uma massa denominada tampão plaquetário. O tampão plaquetário é muito efetivo na prevenção da perda de sangue em um vaso pequeno. Embora inicialmente seja frouxo, o tampão plaquetário torna-se muito firme quando reforçado por filamentos de fibrina formados durante o processo de coagulação. O tampão plaquetário pode interromper por completo a perda de sangue se o orifício no vaso sanguíneo não for demasiado grande. (GUYTON) ● Coagulação sanguínea Normalmente, o sangue permanece em sua forma líquida enquanto se encontra no interior dos vasos sanguíneos. Entretanto, se for coletado do corpo, torna-se espesso e forma um gel. Por fim, o gel separa-se do líquido. O líquido cor de palha, denominado soro, consiste simplesmente em plasma sanguíneo sem as proteínas de coagulação. O gel é denominado coágulo sanguíneo. Consiste em uma rede de fibras insolúveis de proteína, denominadas fibrinas, em que os elementos figurados do sangue ficam aprisionados. O processo de formação do gel, denominado coagulação, consiste em uma série de reações químicas, que culmina na formação de filamentos de fibrina. Se o sangue coagular com demasiado facilidade, o resultado pode consistir em trombose – a ocorrência de coagulação em um vaso sanguíneo não danificado. Se o sangue levar muito tempo para coagular, pode ocorrer hemorragia. A coagulação envolve diversas substâncias, conhecidas como fatores de coagulação. Esses fatores incluem íons cálcio (Ca2+), várias enzimas inativas que são sintetizadas pelos hepatócitos e liberadas na corrente sanguínea e várias moléculas associadas às plaquetas ou liberadas pelos tecidos danificados. Os fatores da coagulação são identificados, em sua maioria, por algarismos romanos, que indicam a ordem de sua descoberta (e não necessariamente a ordem de sua participação no processo da coagulação). A coagulação é uma cascata complexa de reações enzimáticas, em que cada fator da coagulação ativa muitas moléculas do fator seguinte em uma sequência fixa. Por fim, ocorre a formação de uma grande quantidade de produto (a proteína fibrina insolúvel). A coagulação pode ser dividida em três estágios: 1. Duas vias, denominadas via extrínseca e via intrínseca, que serão descritas adiante, levam à formação de protrombinase. Uma vez formada a protrombinase, as etapas envolvidas nos dois estágios seguintes da coagulação são os mesmos nas vias extrínseca e intrínseca e, juntos, esses dois estágios são designados como via comum. 2. A protrombinase converte a protrombina (uma proteína plasmática formada pelo fígado) na enzima trombina. 3. A trombina converte o fibrinogênio solúvel (outra proteína plasmática formada pelo fígado) em fibrina insolúvel. A fibrina forma os filamentos do coágulo.