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PSICOLOGIA 
FENOMENOLÓGICA 
Profa. Jennifer Giusti
A história dos desejos 
POMPEIA, J. História dos desejos. In: POMPÉIA, J. A. &
SAPIENZA, B. T. Na Presença do Sentido: Uma
aproximação fenomenológica a questões existenciais básicas.
2. ed. São Paulo: EDUC, 2013, p. 31-50.
•o desejo não é tratado como na psicanálise, onde 
ele estaria ligado a uma pulsão, a um recalque ou 
à frustração. Em vez disso, na abordagem 
fenomenológica, o desejo se insere na dimensão 
do sentido, e o sonho aparece como um modo de 
configurar esse sentido na existência.
•A fenomenologia não entende o desejo como 
algo que emerge de um conflito inconsciente 
reprimido, mas como algo que se desdobra na 
própria experiência vivida.
•O desejo é tratado como sonho, podemos pensá-lo 
como uma expressão da intencionalidade da 
consciência — ou seja, ele não é apenas um reflexo 
de conteúdos reprimidos, mas um modo de projetar 
possibilidades e significados. O desejo, então, se liga 
mais à abertura para o mundo e à maneira como o 
sujeito se relaciona com o que lhe aparece, em vez de 
ser uma força interna inconsciente que busca 
satisfação.
O Sonho e a configuração de sentido
•A fenomenologia existencial parte do princípio de que 
o ser humano não está determinado por conteúdos 
inconscientes fixos, mas é um ser-em-projeto, que se 
abre para possibilidades e se constitui em relação ao 
mundo. Nesse sentido, o sonho não é um sintoma de 
um desejo reprimido, mas um modo de experienciar e 
organizar a existência.
•O sonho pode ser visto como uma expressão do modo 
como a pessoa se lança no mundo, pois ele traz à tona 
imagens, narrativas e experiências que refletem 
tendências de sentido que estruturam a existência do 
sonhador. Essas tendências não são apenas 
reminiscências do passado, mas revelam modos 
possíveis de ser, indicando direções, inquietações e 
anseios que transcendem a repetição de traumas ou 
recalques.
•Na fenomenologia existencial, há a ideia de que a 
existência é estruturada mais pelo futuro do que pelo 
passado. Isso significa que o sentido da vida não é algo 
dado de antemão, mas algo que vai sendo configurado 
na relação com o porvir. O sonho, nesse contexto, 
pode ser visto como um fenômeno que abre o 
horizonte de possibilidades.
•Em vez de ser uma volta ao passado reprimido, como 
na psicanálise, o sonho pode ser compreendido como 
uma experiência de pré-figuramento, um modo de 
experimentar e esboçar possibilidades antes que elas se 
concretizem, atuando como vetores do vir-a-ser.
•Se o desejo for pensado não como uma pulsão 
inconsciente ou como algo represado que precisa ser 
descarregado (como na psicanálise), mas sim como 
uma expressão dessa abertura ao mundo, então ele está 
muito mais vinculado ao futuro do que ao passado. O 
desejo se torna uma força de projeção, uma forma de 
lançar-se para além do presente, em direção a sentidos 
que ainda não se concretizaram, mas que já estruturam 
a experiência.

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