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INTRODUÇÃO As articulações, também chamadas de juntas, possuem duas funções principais: manter os ossos juntos e permitir a movimentação do esqueleto. Artralgia é a denominação dada à sintomatologia dolorosa em uma ou mais articulações. A artralgia, ou dor em uma das articulações, é um dos tipos mais frequentes de dor. Ela está relacionada com o comprometimento da função articular, sendo que o paciente acometido pode ter uma simples restrição de movimentos até uma incapacidade completa. OSTEOARTRITE Definição A OA representa uma falência articular, uma doença na qual todas as estruturas da articulação sofreram alterações patológicas, na maioria das vezes simultaneamente. Esse quadro é acompanhado de aumento na espessura e na esclerose da placa óssea subcondral, de crescimento excessivo de osteófitos nas margens articulares, de distensão da cápsula articular, de vários graus de sinovite e de fraqueza dos músculos que cruzam a articulação. Nos joelhos, a degeneração meniscal faz parte da doença. Geral A osteoartrite (OA) é o tipo mais comum de artrite. Sua alta prevalência, principalmente nos idosos, e seu impacto negativo sobre a função física fazem dessa condição a principal causa de incapacitação em idosos. A OA afeta certas articulações e poupa outras (Fig. 364-1). As articulações afetadas, em geral, são o quadril, o joelho, a coluna cervical e lombossacral e a primeira articulação metatarsofalângica (MTF). Nas mãos, as articulações interfalângicas distais e proximais, assim como a base do polegar, são afetadas com frequência. Em geral, são poupados o punho, o cotovelo e o tornozelo. As articulações humanas foram desenvolvidas, em um sentido evolutivo, para macacos braquiados, animais que ainda andavam em quatro patas. Assim, desenvolvemos OA em articulações que não foram adequadamente projetadas para tarefas humanas, como preensão em pinça com a mão (OA na base do polegar) e caminhar na posição ereta (OA dos joelhos e dos quadris). Algumas articulações, como os tornozelos, podem ser poupadas, visto que sua cartilagem articular pode ser extremamente resistente aos estresses de sobrecarga. Apesar de a OA radiograficamente evidente na mão e o aparecimento de aumento ósseo nas articulações afetadas da mão (Fig. 3 64-2) serem muito comuns em idosos, a maioria dos casos não costuma ser sintomática. FIGURA 364-2 Osteoartrite grave das mãos que afeta as articulações interfalângicas distais (nódulos de Heberden) e as articulações interfalângicas proximais (nódulos de Bouchard). Não existe aumento de volume ósseo evidente do outro sítio comum nas mãos, a base do polegar. A prevalência de OA aumenta acentuadamente com o avanço da idade, sendo incomum em adultos com 60 anos. Trata-se também de uma doença que, pelo menos em indivíduos de meia-idade e idosos, é muito mais comum em mulheres do que em homens. Fatores de risco A vulnerabilidade articular e a aplicação de carga sobre a articulação são os dois fatores principais que contribuem para o surgimento da OA. Os fatores de risco para OA podem ser compreendidos em termos de seu efeito sobre a vulnerabilidade articular ou sobre a aplicação das cargas. FIGURA 364-4 Os fatores de risco para osteoartrite (OA) contribuem para a suscetibilidade da articulação (fatores sistêmicos ou fatores existentes no ambiente articular local) ou levam ao aumento do risco em consequência da carga imposta à articulação. Em geral, é necessária a combinação da aplicação das cargas com os fatores de suscetibilidade para causar a doença ou a sua progressão. Manifestações clínicas Nas fases iniciais da doença, a dor é episódica, induzida frequentemente pela utilização de uma articulação acometida; À medida que a doença progride, a dor torna-se contínua e começa até mesmo a incomodar durante a noite. Diagnóstico O exame do líquido sinovial costuma ser mais útil do ponto de vista diagnóstico do que uma radiografia. Se a contagem de leucócitos do líquido sinovial for > 1.000/μL, existe a probabilidade de artropatia inflamatória, gota ou pseudogota, sendo as últimas duas também identificadas pela presença de cristais. Radiografia ● É indicado para avaliar a possibilidade de OA somente quando a dor articular e os achados físicos forem atípicos ou se a dor persistir após a instituição de um tratamento efetivo para a OA. ● Na OA, os achados radiográficos (Fig. 364-7) exibem pouca correlação com a presença e a intensidade da dor. ● Além disso, tanto nos joelhos como no quadril, as radiografias podem ser normais nas fases iniciais da doença, pois são insensíveis para perda de cartilagem e para outros achados iniciais. ● Ressonância ➔ Pode revelar a extensão da patologia em uma articulação, porém não está indicada como parte diagnóstica. Tratamento Os objetivos do tratamento da OA consistem em aliviar a dor e minimizar a perda da função física; A terapia abrangente consiste em uma abordagem multimodal, incluindo elementos farmacológicos e não farmacológicos; Os pacientes com sintomas leves e intermitentes podem necessitar apenas de tranquilização ou tratamentos não farmacológicos; A base do tratamento não farmacológico consiste em alterar as cargas sobre a articulação dolorida e melhorar a função dos protetores articulares, para que possam distribuir melhor a carga ao longo da articulação. As maneiras de reduzir as cargas focais ao longo da articulação consistem em: ● Evitar atividades dolorosas, que geralmente são aquelas que sobrecarregam a articulação; ● Melhorar a força e o condicionamento dos músculos que cruzam a articulação, a fim de aprimorar sua função; e ● Remover as cargas que atuam sobre a articulação, seja redistribuindo-as dentro da articulação com uma órtese ou uma tala ou reduzindo a carga articular durante a sustentação do peso corporal com uma bengala ou uma muleta. ● O tratamento mais simples para muitos pacientes é evitar as atividades que precipitam dor. Por exemplo, para o paciente de meia-idade cuja corrida de longa distância provoca os sintomas de OA no joelho, uma forma menos rigorosa de atividade com sustentação do peso corporal pode aliviar todos os sintomas; ● Como o efeito da carga exercida por cada quilograma de peso é multiplicada em 3 a 6 vezes ao longo dos joelhos, cada quilograma de peso perdido pode exercer um efeito multiplicador proporcional, aliviando a carga tanto sobre os joelhos como sobre os quadris e provavelmente minimizando a dor nessas articulações; ● Nas articulações das mãos afetadas pela OA, a imobilização, uma vez que limita o movimento, frequentemente minimiza a dor em pacientes com comprometimento, sobretudo na base do polegar. As articulações responsáveis pela sustentação do peso corporal, como as dos joelhos e dos quadris, podem ser aliviadas ao utilizar uma bengala na mão oposta à articulação afetada, para sustentar parcialmente o peso. ● Apesar de baseada em abordagens não farmacológicas de tratamento, a farmacoterapia desempenha um importante papel adjuvante no tratamento da OA para controle dos sintomas.