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AULA 24 – CAPÍTULO 11 INTRODUÇÃO AO PRINCÍPIO DO PRAZER E DA REALIDADE Prof. Agosttinho Almeida Formação em Psicanálise Clínica Prof. Agosttinho Almeida FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA Capítulo 11 INTRODUÇÃO AO PRINCÍPIO DO PRAZER E AO PRINCÍPIO DA REALIDADE À procura de uma teoria satisfatória sobre “conflitos instintivos”, desde 1895, Freud pensava que o comportamento humano tinha como base duas tendências contrárias: o “Princípio do Prazer” e o Princípio da Realidade”. Estes princípios estavam ligados ao sistema nervoso: • Princípio do Prazer (Processo Primário) - é um processo primário, no sentido de que pressiona o organismo à satisfação direta e impulsiva dos desejos. Está ligado ao inconsciente. • Princípio da Realidade (Processo Secundário) - permite ao organismo tolerar um adiamento ou uma substituição dos impulsos. Este processo secundário é caracterizado pelo pensamento. Ele possibilita, em certa medida, a suspensão dos impulsos afetivos e desvia sua energia para o pensamento, para o trabalho e para a diversão. O termo “princípio” é muito usado por Freud e designa um “ponto de partida” para a construção de um modelo psíquico (sistema ideativo-cognitivo) que mantenha uma certa lógica. Pode-se depreender a existência de vários e distintos princípios que estejam agindo simultaneamente e interagindo entre si, embora cada um deles mantenha uma autonomia conceitual, com as regras e leis específicas. Originalmente, o “princípio do prazer” era denominado por Freud como “princípio do prazer-desprazer”, pelo fato de que ele significava que o primitivo aparelho psíquico tendia a livrar-se, descarregando todo e qualquer estímulo que provoque desprazer, visando reduzir ao mínimo a tensão energética. Posteriormente Freud descreveu que o aumento da tensão psíquica poderia ser prazeroso, como seria o caso de acúmulo de uma retenção temporária da excitação afetiva. O “princípio do prazer” se refere essencialmente ao significado de que o funcionamento do aparelho psíquico demanda uma gratificação imediata, sem levar em conta a realidade exterior. Exemplo: • O pai conversando com uma criança de aproximadamente cinco anos, sugeriu que ela deixasse a mamadeira e passasse a beber no copo, como o próprio pai faz, e a criança respondeu: “É porque quando eu estou tomando mamadeira, eu me sinto no colinho da mamãe”. Prof. Agosttinho Almeida FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA • No adolescente, a falta do seio materno pode constituir devaneios, fantasias inconscientes, crenças ilusórias, produções delirantes, impulsividade, “rebeldia sem causa”. • No adulto, pode refletir na troca contínua de esposas, na busca por amantes, no desapego pelos filhos, na troca contínua de emprego etc. • Freud denominou de “satisfação alucinatória dos desejos” pela qual o bebê substitui o seio faltante pela sucção de seu próprio polegar. • Essa “satisfação mágica e ilusória” sempre acaba sendo frustrante e decepcionante porque o sujeito não suporta as exigências e necessidades da realidade que a vida lhe impõe. • O caso de uma fome real que fatalmente não se satisfará com a substituta sucção do polegar, o que vem a determinar uma insatisfação a realidade dos fatos. O famoso mecanismo de sublimação1 depende do princípio da realidade; ao contrário do que se pensa habitualmente, não consiste em uma repressão dos impulsos afetivos, mas em um encaminhamento da energia libidinal e uma adequação necessária à realidade. Freud reconheceu, então, que o princípio do prazer e o princípio da realidade não são verdadeiramente opostos, pois os dois realizam uma diminuição das tensões. O prazer é o resultado psíquico do descarregamento de uma determinada “quantidade” de excitação, estímulos ou tensão produzidos no organismo. O princípio da realidade chega ao mesmo resultado, com a ajuda de um processo de adiamento e de refreamento do prazer. Freud descreveu o surgimento de ambos os princípios de uma forma sucessiva e sequencial: porém na atualidade considera- se que, de alguma forma, os “princípios do prazer e da realidade” estão sempre presentes simultaneamente, e interagem ao longo de toda a vida, mesmo que, no adulto, as demandas imediatistas do “princípio do prazer” estejam ocultas. Prof. Agosttinho Almeida FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA GANHO SECUNDÁRIO Uma outra possibilidade de gerar prazer ocorre quando a situação em que a possibilidade primeira de prazer está obstruída de modo que, nesta última, isoladamente nenhum prazer é gerado. O resultado é uma busca e concretização de prazer “substituto” ao prazer primário obstruído. Esta fantasia age como se fosse uma “bonificação de incentivo”; com a colaboração da oferta de uma pequena taxa de prazer, obtém-se um montante de prazer que de outra forma teria sido bastante difícil. A isto chamamos de ganho secundário. Por exemplo: um indivíduo adulto que deseja inconscientemente estar ao lado de sua mãe, mesmo após seu casamento. Pela impossibilidade real desta situação, este, inconscientemente, irá reproduzir situações que, de um modo analógico, serão semelhantes às da sua infância (“comidinha da mamãe”, um cantinho da casa com a mesma “decoração” da casa da mãe), situações que representam um ganho secundário de prazer. O ser humano aprende desde a infância o que vivencia. O indivíduo que vive com: • RECONHECIMENTO, aprende a AMAR • ESTÍMULO, aprende a TER CONFIANÇA • TOLERÂNCIA, aprende a SER PACIENTE • LOUVOR, aprende a APRECIAR • IMPARCIALIDADE, aprende a SER JUSTO • SEGURANÇA, aprende a TER FÉ • APROVAÇÃO, aprende a GOSTAR DE SI • ACEITAÇÃO, aprende a FIDELIDADE • AMIZADE, aprende a SER SOLIDÁRIO Por outro lado, se vivencia a: • CRÍTICA, aprende a CONDENAR • HOSTILIDADE, aprende a BRIGAR • ZOMBARIA, GOZAÇÃO, aprende a SER ACANHADO • RIDICULATIZAÇÃO, aprende a SENTIR SE CULPADO • DESACREDITADO, aprende a SER INSEGURO • Sublimação 1 - mecanismo de defesa onde o fim ou objeto de satisfação são mudados para formas socialmente aceitáveis