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AULA 23 – CAPÍTULO 10 – PARTE 2 A ESTR. E O FUNC. DO PSIQUISMO PRÉ-CONSCIENTE E INCONSCIENTE Prof. Agosttinho Almeida Formação em Psicanálise Clínica Prof. Agosttinho Almeida FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA INCONSCIENTE O ato da Consciência é temporal e momentâneo, significa que há elementos que nesse momento se encontram fora da Consciência. Deduz-se daí que aquilo que está fora da Consciência, fenomenologicamente, é chamado de “Inconsciente”. Esses determinados conteúdos “Inconscientes” poderão ser “Pré- Conscientes” ou se localizarem no “Inconsciente” propriamente dito, conforme possam ou não ser recuperados por um ato da vontade do indivíduo. O Sistema Inconsciente é um conceito meramente teórico, pois nunca foi observado diretamente; é constituído de algo cuja natureza se desconhece intimamente, e o seu conhecimento só é obtido com dados colhidos de forma indireta, em experiência clínica. Estes dados indiretos são fornecidos pelos “sonhos” e “atos falhos” do indivíduo. Através dos estudos dos pacientes com histeria submetidos a experiências hipnóticas, Freud observou que os indivíduos são capazes de mobilizar sentimentos, emoções e alterarem suas personalidades sem que estes “percebam” a origem de suas decisões e sentimentos. • Impulso amoroso - pode aparecer com todos os impulsos motores e vividos somente como uma emoção • Impulso agressivo - pode ser traduzido e vivido apenas como uma emoção colérica. Observou também que tais manifestações não ocorriam obrigatoriamente em paciente com distúrbios histéricos, mas que também ocorriam com indivíduos normais, manifestando-se como um lapso de memória. Assim formulou a teoria de que tais manifestações partiriam de algum lugar que denominou de “Sistema Inconsciente”. Conhece-se o “Inconsciente” através de sua expressão consciente (conteúdo e modo de se expressar). O sistema inconsciente explica e demonstra comportamentos e atitudes mentais e sociais; tem causa definida e obedecem a um propósito. O seu conhecimento teórico é imprescindível, na medida em que explica sua forma de se manifestar, com um grande número de observações feitas durante as análises. O Inconsciente exprime o “conjunto de conteúdos não presentes no campo atual da consciência”. É também constituído por conteúdos “recalcados” que Prof. Agosttinho Almeida FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA não tem acesso ao sistema pré-consciente/consciente, pela ação de um senso crítico rígido interno (Superego). Os conteúdos podem ter sido conscientes, em algum momento, e ter sido “recalcados” e ou “reprimidos”, isto é, “foram” para o “inconsciente”, ou po dem ser genuinamente “inconscientes”. O inconsciente é um sistema do aparelho psíquico regido por leis próprias de funcionamento, onde não existem as noções de passado e presente (é atemporal). Pode ser considerado como a parte mais “arcaica do aparelho psíquico”; estuda-se nele as “representações inconscientes” ou simplesmente “representação de coisas”, sendo estas puramente compostas por percepções sensoriais. As “representações de coisas” são fragmentos de reproduções de antigas percepções. Essas representações estão dispostas como uma sucessão de conteúdos (inscrições), como uma espécie de arquivo sensorial que possuem uma linguagem simbólica e de percepção. O indivíduo terá de fazer um esforço imaginativo para conceber esta espécie de registro sensorial como um conjunto de elementos despidos de palavras. As “representações de coisas” são reduzidas no inconsciente em seus traços constitutivos essenciais (linguagem simbólica), tal como se inscreveram numa época em que não existiam palavras para designá-las; período de gestação, nascimento e até dez ou doze meses, aproximadamente. Embora estas “representações simbólicas” se refiram aos sentidos auditivo, gustativo, olfativo, tátil e visual, é este último quem exerce uma clara predominância sobre o restante. Daí que os conjuntos de “representações inconscientes” formam verdadeiras fantasias na psique do ser humano. Freud admitiu a existência de uma parte do inconsciente constituída por “fantasias primitivas” ou “originárias”. Sendo estas constituídas por “devaneios” e transmitidas à “consciência”; elas podem não ser consequência de experiências reais vividas pelo indivíduo na infância. Descreveu também que estes conteúdos poderiam ter sido passados por uma herança filogenética; entretanto, hoje, com estudos mais avançados, sabe-se que estas podem estar ligadas às experiências vivenciadas na “vida intrauterina” e no “relacionamento com o meio familiar na infância”. Além das “representações de coisas”, o inconsciente é constituído por energia proveniente dos “desejos inconscientes” (pulsões). Funcionalmente, “representações de coisas” e “desejos inconscientes” operam em conjunto. Deve-se considerar alguns mecanismos que regem no “inconsciente”, que existem em seu “Processo Primário” (Princípio do Prazer); através destes Prof. Agosttinho Almeida FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA mecanismos o psiquismo tenta diminuir o estado de tensão, através de criações de representações, tais como: • IDENTIFICAÇÃO: mediante este processo, uma pessoa considera-se, em certa medida, semelhante à outra; a criança copia o modo de agir dos pais, amigos, vizinhos, avós, parentes, personagens de tv, etc. • PROJEÇÃO: o sujeito projeta seus impulsos sobre outrem. Exemplo: um indivíduo projeta seus impulsos agressivos sobre outra pessoa ou outras pessoas culpando-as por todos os males que lhe vem acontecendo; depois, sente-se arrependido ou perseguido (lei de Talião) por estes mesmos impulsos que ele projetou. • CONDENSAÇÃO: consiste na união de vários elementos separados que tem certa afinidade. Exemplo: Os objetos A, B, C e D podem condensar- se num novo e único composta de A+B+C+D (frequentemente encontrada em sonhos). • DESLOCAMENTO: mobilização e mudança de lugar de uma energia psíquica de investimento. CARACTERÍSTICAS DO INCONSCIENTE • Ausência de associação cronológica • Ausência de conceito de contradição • Não existe uma correlação lógica dos fatos • Igualdade de valores para as representações da realidade interna e externa, ou a supremacia da primeira • Não reação ao ato da vontade • Predomínio do “Princípio do Prazer” (Processo Primário) - movido pelo “desejo inconsciente” Prof. Agosttinho Almeida FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA • A procura pela “satisfação” se faz pelo caminho mais curto (tentativa de satisfação através das fantasias imaginativas). PRÉ CONSCIENTE Designa um sistema, dentro do aparelho psíquico, claramente distinto do Sistema Inconsciente, mas que, de modo funcional, está articulado ao Sistema Consciente, situando-se entre o consciente e o inconsciente. Apresenta-se como um elemento de trânsito entre o inconsciente e o consciente e do consciente para o inconsciente. Diferentemente dos conteúdos do inconsciente, que possuem elementos deformados, o pré-consciente seleciona as excitações do indivíduo; também evita que as preocupações perturbadoras venham à tona. Contém informações não atualizadas, mas que podem ser evocadas. Está implícito na atividade mental. O Pré-consciente está separado do Inconsciente pela Censura (repressão), responsável pela “Interdição” (bloqueio) sofrida pelos conteúdos e processos inconscientes em sua intenção de entrar no campo da consciência. Ou seja, os desejos são mantidos no inconsciente por aquilo que Freud denominou de processo de “recalque”. Sua localização é próxima do campo Consciente, e faz dele um pequeno arquivo, sem que por isto se assemelhe ao inconsciente. A característica do “pré-consciente” é que seus conteúdos podem ser recuperados por um ato de vontade do indivíduo; até então, esse conteúdoestava no reprimido. Por outro lado, quando não é possível recuperar determinado conteúdo por um ato de vontade, este fica localizado no Inconsciente, mais especificamente no recalcado, devido à descarga de energia psíquica de resistência. O pré-consciente é regido pelo “Processo Secundário” (Princípio da Realidade): • Elaboração de um sentido cronológico nas representações • Descoberta de uma correlação lógica • Preenchimento das lacunas existentes entre as ideias isoladas • Introdução de um fator causal, ou seja, relação de coexistência e sucessão entre os fenômenos: relação causa-efeito Prof. Agosttinho Almeida FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA • Modifica o Princípio do Prazer (ganho secundário) • Movido pela necessidade de auto conservação • A procura de satisfação já não se faz pelo caminho mais curto e adia o seu resultado em função do mundo exterior • Desenvolvimento das funções: consciência, atenção, memória, aproximação da realidade • Corresponde a adaptação do aparelho psíquico O Pré consciente refere-se ao sistema onde permanecem aqueles conteúdos acessíveis à consciência e é aquilo que não está na consciência neste momento, mas que no momento seguinte pode estar.