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AULA 28 – CAPÍTULO 13 – PARTE 2 
PULSÃO OU INSTINTO DE VIDA, DO 
EGO, AUTOCONSERVAÇÃO E MORTE 
 
Prof. Agosttinho Almeida 
Formação em Psicanálise Clínica 
 
 Prof. Agosttinho Almeida 
 
FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA 
Capítulo 13 – Parte 02 
PULSÃO OU INSTINTO DE VIDA (EROS) 
Para Freud, as pulsões representam um conjunto das necessidades e 
exigências ligadas às funções corporais, indispensáveis à conservação, 
desenvolvimento, crescimento e aos autos interesses do Ego (sem levar em 
conta, então as características estruturais do mesmo). Ele costumava referir-se 
a essas pulsões com a terminologia “interesses do Ego”. 
 
Em sua publicação “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” (1905) ele 
mostra que, no início da vida, as pulsões são de “autoconservação”; visam 
fundamentalmente assegurar a vida do lactante, impulsionando-o à busca de um 
objeto (mãe) que lhe proporcione a satisfação de suas necessidades 
essenciais, como os cuidados com o seu corpo, amparo, calor, amor e um leite 
nutridor. 
Inicialmente, as “pulsões sexuais” estão ligadas àquelas de 
“autoconservação”, sendo que em um segundo momento elas se tornam 
independentes e se determinam primordialmente a satisfazer os “desejos 
libidinais” (a erotização do seio produtor do leite). 
Para Freud (1905), “O chupar o dedo já 
aparece na primeira infância, e não há dúvida 
de que a finalidade desse procedimento é 
conseguir (substituir) a nutrição. Uma parte do 
próprio lábio, a língua ou qualquer outra parte 
da pele ao alcance pode ser tomada como 
objeto sobre o qual este sugar se realiza. No 
auto erotismo, o instinto não é dirigido para 
outra pessoa, mas encontra satisfação no corpo do próprio indivíduo. Os lábios 
da criança, ao nosso ver, comportam-se como uma zona erógena, e sem dúvida 
o estímulo do morno fluxo do leite é a causa da sensação de prazer. De início, a 
atividade sexual liga-se às funções que antecedem a finalidade de 
autopreservação (nutrição) e não se torna independente delas, senão mais 
 
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tarde. Ninguém que já tenha visto um bebê reclinar-se saciado do seio e dormir 
com a face corada e um sorriso feliz, a essência original, pode fugir à reflexão 
de que este quadro persiste como protótipo da expressão da satisfação sexual 
na vida adulta. A necessidade de repetir a satisfação sexual desliga-se agora da 
necessidade de nutrir-se; uma separação que se torna inevitável quando 
aparecem os dentes e o alimento não é mais ingerido apenas pela sucção, mas 
é também mastigado”. 
Como uma forma de traçar uma 
síntese dos conceitos até agora 
emitidos acerca das conceituações 
iniciais de Freud relativas aos tipos 
de pulsões e aos componentes das 
mesmas, cabe exemplificar com o 
ato da amamentação, na qual a 
“fonte da pulsão” é a necessidade 
do organismo do bebê de ser 
nutrido; a “força corporal” é 
primordialmente a sua boca; a 
“força da pulsão” corresponde à 
intensidade de sua fome; a “finalidade da pulsão” visa saciar a fome para a 
conservação da vida do bebê, enquanto o “objeto” para o qual sua pulsão está 
dirigida é o leite que emana do seio (ou mamadeira). Nesse mesmo exemplo do 
ato de amamentação, num segundo momento, a fome do bebê já está saciada; 
no entanto, ele deixa-se demorar sugando o seio materno. 
 A fonte da pulsão é proveniente de um desejo libidinal afetivo; a zona de 
prazer é a sua mucosa labial (além do contato pele-pele com a mãe, olhar-
olhar, etc.); a força dessa pulsão afetiva será ditada pela intensidade do prazer 
e do desejo de gratificá-la. A finalidade dessa pulsão será a primeira 
manifestação do instinto de reprodução necessário para a preservação da 
espécie, e o objeto-alvo nessa fase primitiva é o seio da mãe, já devidamente 
uma fonte de prazer. 
 
PULSÃO DO EGO OU DE AUTOCONSERVAÇÃO 
AMAMENTAÇÃO 
Fonte: necessidade do organismo do bebê de ser nutrido 
Força: corresponde à intensidade de sua fome 
Finalidade: visa saciar a fome para conservar a vida do bebê 
Objeto: o leite que emana da mama ou mamadeira. 
 
 
 
 Prof. Agosttinho Almeida 
 
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PULSÃO OU INSTINTO DE MORTE (TANATOS) 
Para Freud, o conceito de pulsão de morte tem como finalidade uma redução 
de toda carga de tensão orgânica e psíquica; logo, uma volta ao estado 
inorgânico. Esta pulsão tende a permanecer dentro do indivíduo sob a forma de 
fortes angústias e tendência para a autodestruição, ou se exterioriza na forma 
de pulsões agressivas ou destrutivas. 
A pulsão de destruição é uma 
das denominações usadas por 
Freud para designar as pulsões 
de morte numa perspectiva mais 
próxima da experiência biológica 
e psicológica. Às vezes a sua 
extensão é a mesma da 
expressão pulsão de morte, mas 
na maior parte dos casos 
qualifica a pulsão de morte 
enquanto orientada para o mundo exterior. Neste sentido mais específico, Freud 
usa também a expressão pulsão de agressão. 
A noção de pulsão de morte foi introduzida em sua publicação “Além do 
princípio do prazer” (1920). Freud procurou reconhecer os seus efeitos na 
experiência clínica. Assim, nos textos posteriores, fala muitas vezes de pulsão 
de destruição, o que lhe permite assinalar mais exatamente as metas das 
pulsões de morte. Como essas operam “essencialmente em silêncio” só 
podem, de certo modo, ser reconhecidas quando agem no mundo externo; 
compreende-se que a expressão pulsão de destruição qualifique os seus efeitos 
mais acessíveis, mais manifestos. 
A pulsão de morte desvia-se da própria pessoa devido ao investimento desta 
pela libido narcísica e volta-se para o mundo exterior por intermédio da 
musculatura; ela “...manifestar-se ia agora - sem dúvida de forma parcial - como 
compulsão de destruição dirigida contra o mundo e contra todos os seres vivos”. 
Em outros textos, este sentido restritivo da pulsão de destruição relativamente a 
pulsão de morte não é ressaltado tão nitidamente, pois Freud incluiu na pulsão 
de destruição a auto destruição. Quanto à expressão pulsão de agressão, ela é 
reservada para a destruição voltada para o exterior. 
Em relação à integração entre ambas as pulsões, merecem ser destacados os 
seguintes aspectos: nos indivíduos normais e nos neuróticos predominam a 
pulsão de vida, enquanto nas psicoses e condições correlatas (psicopatias, 
perversões, drogadictos etc.), a predominância é da pulsão de morte. As 
pulsões de vida e de morte coexistem fundidas, sendo que, muitas vezes, elas 
aparecem separadas e de formas completamente distintas. Outras tantas vezes, 
elas confundem-se nas finalidades, como pode ser exemplificado com o 
“sadismo”, no qual a pulsão de morte pode ligar-se às pulsões eróticas. Outro 
exemplo similar é o que se refere à necessária distinção que deve ser feita entre 
agressividade construtiva e agressão destrutiva. A primeira delas representa 
 
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uma defesa contra os predadores externos e como motor de uma saudável 
ambição. 
Em resumo, por meio de uma energia de coesão, a pulsão de vida visa juntar, 
ligar, tudo aquilo que estiver separado no indivíduo e na espécie humana, 
enquanto a pulsão de morte, pelo contrário, pela força de repulsão e ruptura, 
tende a destruir as ligações. 
Para Zimerman, alguns psicanalistas não acreditam na existência de uma inata 
pulsão de morte: “Até os dias atuais, os analistas dividem-se entre os que 
aceitam e consideram essa postulação como importante, inclusive para a prática 
analítica (entendimento do masoquismo primário, por exemplo), enquanto outros 
descartam totalmente essa possibilidade”. 
As pulsões de vida e de morte, 
como já referido, coexistem 
fundidas, mas podem manifestar-se 
tanto conjunta como 
separadamente. Freud diz que “as 
modificações nas proporções da 
fusão entre os instintos apresentam 
os resultados maistangíveis. Um 
excesso de agressividade afetiva 
transformará um amante num 
criminoso passional, enquanto uma 
diminuição excessiva no fator 
agressivo torná-lo ia acanhado ou 
impotente. 
Como toda matéria viva é formada por matérias não-vivas e não orgânicas há. 
talvez para além do “princípio do prazer”, um instinto cujo objetivo é recuperar 
o estado de inércia inorgânica. A “compulsão à repetição” é um princípio 
instintivo regressivo, que aspira a um estado de completa ausência de energia: 
a morte. 
PRINCÍPIO DA COMPULSÃO Á REPETIÇÃO 
Freud, em seus estudos e observações em análise clínica, baseados no 
comportamento dos homens e das mulheres, supôs que realmente exista na 
psique uma “compulsão à repetição” que vai além do “princípio do prazer”, e 
está relacionada com os sonhos que ocorrem nas neuroses traumáticas e nos 
impulsos que levam a criança a brincar. 
 “Somente em casos raros é que vai se notar a “compulsão à repetição”, por 
motivos puros, desapoiados por outros motivos. A compulsão é uma satisfação 
instintual que parece convergir em associação íntima com o ser. Os fenômenos 
de transferência e suporte são obviamente explorados pela resistência que o 
Ego mantém em sua persistência na “repressão”. Nos casos das brincadeiras 
de crianças, os relatos de estórias são uma tentativa de elaborar ativamente 
aquilo que elas sofrem passivamente: como algum forte susto traumático, a 
perda de alguma coisa ou pessoa importante” (Freud, 1900). 
 
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Para Freud, explica-se satisfatoriamente o “princípio do prazer” pelos 
fenômenos psíquicos repetitivos de natureza não prazerosa, que ele observava 
com frequência nos casos de sonhos angustiosos e nos atos sintomáticos 
masoquistas nas neuroses traumáticas. Assim, constatou que esta compulsão 
repetitiva procedia de uma intensa força provinda do interior do indivíduo e que 
estava situada além do princípio do prazer. 
Uma surpresa desagradável sempre precede a necessidade de repetir. 
Normalmente, a ansiedade, é que prepara diante da expectativa de perigo. 
Algumas vezes, a psique sofre um choque ou é ameaçada por um acontecimento 
para o qual não estava preparada. Em tais casos, a ansiedade ou medo não 
provoca uma neurose traumática; ao contrário, o medo é que normalmente 
protege contra um susto ou uma neurose que ele pode provocar. Portanto, este 
é o segredo da compulsão da repetição. Ela cria uma ansiedade retroativa na 
psique. Em outras palavras, a recordação dolorosa é sempre revivida até que 
seja constituído posteriormente, um mecanismo de defesa adequado. 
Freud chamou esta confusa disposição de rever acontecimentos desagradáveis 
de Compulsão à Repetição.

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