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Qualidade de vida nas organizações dos serviços de saúde Prof. Ms. Rodrigo Oliveira Situação-problema “Uma enfermeira de um hospital público relata exaustão, dupla jornada, conflitos com equipe e dificuldade de concentração. Em um plantão recente, houve erro na administração de medicação.” Situação-problema O problema é individual ou organizacional? Isso impacta o paciente? Como? Onde entra a gestão da qualidade? Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) QVT envolve condições físicas, psicológicas, sociais e organizacionais do trabalho. Relaciona-se com bem-estar, satisfação e desempenho profissional. Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) Modelo de Walton (1973): Compensação justa Condições seguras Uso e desenvolvimento de capacidades Crescimento e segurança Integração social Constitucionalismo Trabalho e espaço de vida Relevância social do trabalho Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) Propostas atuais em diferentes serviços de saúde: QVT integrada à gestão da qualidade e segurança do paciente QVT e serviços de saúde: especificidades Características do trabalho em saúde: Alta carga emocional Exposição à dor, sofrimento e morte Jornadas extensas e múltiplos vínculos Ambientes insalubres e riscos ocupacionais Pressão por produtividade e resolutividade QVT e serviços de saúde: especificidades Conceitos importantes: Burnout (esgotamento profissional) 2) Estresse ocupacional 3) Sofrimento psíquico QVT e serviços de saúde: especificidades Evidência científica: - Profissionais com baixa QVT → maior erro assistencial - Alta rotatividade → impacto na continuidade do cuidado Relação entre QVT, segurança do paciente e qualidade assistencial Relações diretas: a) QVT ↓ → fadiga → erros → eventos adversos b) QVT ↑ → engajamento → cuidado seguro Exemplos práticos: 1) Erro de medicação por sobrecarga 2) Queda de paciente por equipe reduzida 3) Infecção hospitalar por falhas em protocolos “Não existe cuidado seguro sem trabalhador saudável” Fatores que influenciam a QVT Fatores de risco: - Dimensionamento inadequado de pessoal - Liderança autoritária - Comunicação ineficaz - Falta de reconhecimento - Baixa autonomia Fatores que influenciam a QVT Fatores de proteção: - Trabalho em equipe - Liderança participativa - Educação permanente - Apoio institucional - Ambiência saudável O papel da enfermagem na promoção da QVT Na assistência: - Autocuidado - Comunicação assertiva - Trabalho colaborativo O papel da enfermagem na promoção da QVT Na gestão: - Planejamento de escalas justas - Dimensionamento seguro - Mediação de conflitos - Promoção de educação permanente - Implementação de práticas de humanização Estratégias de promoção da QVT nos serviços de saúde Intervenções organizacionais: - Programas de saúde do trabalhador - Rodízio de setores - Escalas flexíveis - Apoio psicológico institucional Projeto Guardião da Segurança - CHZN Estratégias de promoção da QVT nos serviços de saúde Intervenções psicossociais: - Grupos de escuta - Práticas integrativas (meditação, relaxamento) - Cultura de segurança (sem punição) Estratégias de promoção da QVT nos serviços de saúde Ferramentas de gestão: - Indicadores de absenteísmo - Taxa de rotatividade - Pesquisa de clima organizacional Atividade Prática Estudo de caso: Unidade de internação com: - Alta taxa de afastamento por adoecimento - Queixas de sobrecarga - Aumento de eventos adversos Proposta: 1) Identificar problemas de QVT 2) Relacionar com qualidade assistencial 3) Propor 3 intervenções de gestão Conclusão QVT é componente essencial da qualidade em saúde. Impacta diretamente o cuidado ao paciente. É responsabilidade coletiva, mas com papel estratégico da gestão. Enfermeira(o)s são protagonistas na transformação dos ambientes de trabalho. Referências AGENCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Segurança do paciente e qualidade em serviços de saúde. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização. Brasília, 2013. CARVALHO, D. P. et al. Qualidade de vida no trabalho de profissionais de enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem. DEJOURS, C. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. São Paulo: Cortez, 1992. MASLACH, C.; JACKSON, S. E. The measurement of experienced burnout. Journal of Occupational Behavior, 1981. WALTON, R. E. Quality of working life: what is it? Sloan Management Review, 1973. image1.png image1.tif image2.tif image2.png image3.tif image3.png image4.tif image4.png image5.tif image5.png