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 BACHARELADO EM DIREITO 
Jóice Daniela de Campos 
RA: 414507926551 
 
 
 
 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA- 
FORMATIVA 1 
Análise de reintegração de funcionário público em cargo 
após demissão por embriaguez. 
 
 
 
 
 
 
2026 
Sorocaba 
2 
 
A análise da demissão de servidor público por embriaguez exige uma 
abordagem cuidadosa à luz do Direito Administrativo e dos princípios 
constitucionais, sobretudo quando há indícios de que a conduta decorre de 
condição de saúde, como a dependência alcoólica. No caso em questão, 
observa-se que o servidor foi demitido com fundamento em norma estatutária, a 
exemplo do artigo 132 da Lei nº 8.112/90, que prevê a aplicação da penalidade 
máxima em situações consideradas graves. Entretanto, a aplicação dessa 
sanção deve ser precedida de uma análise criteriosa dos fatos e das condições 
pessoais do servidor, sob pena de violação à legalidade e aos direitos 
fundamentais assegurados pela Constituição Federal. 
É imprescindível destacar que a Administração Pública, ao exercer seu 
poder disciplinar, está vinculada não apenas à lei em sentido estrito, mas 
também aos princípios que regem sua atuação, como a dignidade da pessoa 
humana, a proporcionalidade, a razoabilidade e o devido processo legal. Nesse 
sentido, a imposição da penalidade de demissão, sem a devida verificação 
acerca da existência de dependência alcoólica, configura medida 
desproporcional e incompatível com o ordenamento jurídico. Isso porque o 
alcoolismo é reconhecido como doença crônica, o que afasta a ideia de conduta 
meramente voluntária e impõe à Administração o dever de adotar medidas de 
caráter assistencial, como o encaminhamento para tratamento médico 
adequado. 
Além disso, a ausência de uma avaliação médica especializada no curso 
do processo administrativo disciplinar compromete a validade do ato 
administrativo, uma vez que impede a correta qualificação da conduta imputada 
ao servidor. Tal omissão pode caracterizar vício de motivo e de finalidade, 
tornando o ato passível de anulação. Ademais, caso não tenham sido 
plenamente assegurados o contraditório e a ampla defesa, conforme previsto no 
artigo 5º, incisos LIV e LV, da Constituição Federal, resta evidente a nulidade do 
procedimento adotado pela Administração. 
A jurisprudência pátria, especialmente do Superior Tribunal de Justiça, 
corrobora esse entendimento ao reconhecer que a embriaguez habitual, quando 
associada à dependência alcoólica, deve ser tratada como questão de saúde 
pública e não exclusivamente como infração disciplinar. Como exemplo 
concreto, destaca-se o julgamento do Recurso em Mandado de Segurança nº 
22.182/DF (RMS 22.182/DF), de relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima, 
julgado em 05 de junho de 2007. Nesse caso, um servidor público foi demitido 
sob a alegação de embriaguez habitual; contudo, restou comprovado no curso 
do processo que ele era portador de alcoolismo crônico. O Superior Tribunal de 
Justiça entendeu que a Administração Pública não poderia aplicar a penalidade 
máxima sem antes considerar a condição de saúde do servidor, reconhecendo 
que o alcoolismo deveria ser tratado como doença. Assim, decidiu pela nulidade 
do ato de demissão e determinou a reintegração do servidor ao cargo, 
reafirmando a necessidade de observância dos princípios da dignidade da 
pessoa humana e da proporcionalidade. 
Diante desse contexto, evidencia-se que o ato de demissão encontra-se 
eivado de ilegalidade, seja pela ausência de análise adequada da situação fática, 
seja pela inobservância dos princípios constitucionais que orientam a atuação 
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administrativa. Assim, a reintegração do servidor ao cargo público surge como 
medida necessária para restabelecer a legalidade e reparar a injustiça praticada. 
Trata-se de providência que não apenas assegura os direitos individuais do 
servidor, como também reafirma o compromisso da Administração Pública com 
a justiça, a legalidade e a proteção da dignidade humana. 
Por fim, cumpre ressaltar que a atuação estatal deve ir além da mera 
aplicação de sanções, devendo também contemplar medidas de caráter 
preventivo e assistencial. No caso de servidores acometidos por dependência 
alcoólica, é dever da Administração promover o adequado acompanhamento 
médico, possibilitando seu tratamento e eventual readaptação funcional. Dessa 
forma, concilia-se o interesse público com a proteção dos direitos fundamentais, 
garantindo uma atuação administrativa mais justa, humana e eficiente.

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