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FARMACOLOGIA GÁSTRICA Prof. Ana Caroline Castro castroanac@hotmailcom Manaus, 2026 2 TRATO GASTROINTESTINAL (TGI) 3 O TGI processa os alimentos para obter energia e livrar o corpo de resíduos sólidos. Depois que os alimentos são mastigados e engolidos, passam pelo esôfago, onde um tubo transporta os alimentos da garganta até o estômago. 3 Vander, Sherman& Luciano, 1SS7 Anatomia do estômago 4 Secreção de HCl pelas células parietais 5 O Cl- é ativamente transportado para o interior da cél P (para os canalículos) que se comunicam com a luz do estômago. Esta secreção de Cl- é acompanhada de K+ que a seguir é trocado pelo H+. Proveniente do interior da célula através da K+/H+/ATPase. A anidrase carbônica catalisa a combinação do CO2+H2Opara produzir H2CO3. que se dissocia em íons H+ e HCO3- (bicarbonato). Este é trocado pelo Cl- através da membrana basal. A bomba de prótons 6 H+ K+ H+,K+ ATPase H2 M3 G Gastrina H H PGE2 Ach - + + EP3 EP3 + HCO- 3 muco Célula enterocromafim Célula epitelial Célula parietal 7 Figura 1 - A apresentação clínica das doenças no trato gastrointestinal reflete o sítio anatômico da infecção. Tipicamente, os patógenos que infectam o intestino delgado provocam dilatação abdominal, náusea, vômito, indigestão e diarreia volumosa, enquanto que os patógenos que infectam o intestino grosso geralmente causam cólicas abdominais, tenesmo e fezes frequentes com pequeno volume. Goldberg MB, MD, Stamm LM, PhD. Gastrointestinal Tract Infections. American College of Physicians (ACP) Medicine. 2016 TRATO GASTROINTESTINAL (TGI) 8 i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico 9 As duas principais causas de úlcera péptica são infecção com o gram- negativo Helicobacter pylori e o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). H. pylori 9 i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico 10 TRATAMENTO: Erradicação da H. pylori; Diminuição da secreção de HCL com uso de IBPs ou antagonistas de receptor H2; Administração de fármacos que protejam a mucosa gástrica, como misoprostol e sucralfato. 10 11 Diagnóstico da H. pylori: Biópsia endoscópica; Sorológico; Ureia na respiração. 11 i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico 12 TRATAMENTO: 12 i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico 13 Antimicrobianos O tratamento de escolha consiste em um IBP combinado com amoxicilina (metronidazol pode ser usado em pacientes alérgicos à penicilina) mais claritromicina. O tratamento quádruplo com subsalicilato de bismuto, metronidazol e tetraciclina combinada a um IBP é outra opção. 13 14 14 i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico 15 Antagonista de receptor H2 e Regulação da secreção gástrica A secreção gástrica é estimulada por acetilcolina (ACh), histamina e gastrina. As ligações de ACh, histamina ou gastrina com seus receptores resulta na ativação de proteinocinases. 15 i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico 16 Antagonista de receptor H2 e Regulação da secreção gástrica Os fármacos mais comuns indicados para inibição de modo potente (mais de 90%) da secreção gástrica ácida noturna (estimulada por alimento). São: cimetidina, ranitidina, famotidina e nizatidina. Os antagonistas de receptor H2 da histamina atuam seletivamente nos receptores H2 do estômago, mas não têm efeito nos receptores H1. 16 Eficácia relativa dos H2 bloqueadores Fármaco Potência relativa Dose para inibição secreção gástrica* Dose usual para úlcera duodenal ou gástrica aguda Cimetidina 1 400 a 800 mg 800 mg ao deitar ou 400 mg 2 x ao dia Ranitidina 4 a 10x 150 mg 300 mg ao deitar ou 150 mg 2 x ao dia Nizatidina 4 a 10x 150 mg 300 mg ao deitar ou 150 mg 2 x ao dia Famotidina 20 a 50X 20 mg 40 mg ao deitar ou 20 mg 2 x ao dia * inibiçao da secreção de ácido gástrico >50% durante 10 horas i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico 17 i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico 18 IBPs: inibidores da bomba de prótons H+/K+-adenosina trifosfatase Os IBPs se ligam à enzima H+/K+-ATPase (bomba de prótons) e suprimem a secreção de íons hidrogênio para o lúmen gástrico. A bomba de prótons ligada à membrana é a etapa final da secreção de ácido gástrico. 18 i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico 19 IBPs: inibidores da bomba de prótons H+/K+-adenosina trifosfatase Os IBPs disponíveis incluem dexlansoprazol, esomeprazol, lansoprazol, omeprazol, pantoprazol e rabeprazol. Obs: os IBPs são superiores aos antagonistas H2 no bloqueio da produção de ácidos e cicatrizaçãodas úlceras!!! 19 Farmacocinética Rápida absorção Administração com alimentos = redução da biodisponibilidade (50%) o metabolismo de primeira passagem Eliminação renal Fármaco pKa biodisponibilidade T1/2(h) Tmáx (h) Dose usual Omeprazol 4 40 a 65 0,5 a 1,5 1 a 3,5 20 a 40 mg/dia Esomeprazol 4 >80 1,2 a 1,5 1,6 20 a 40 mg/dia Lansoprazol 4 >80 1,5 1,7 30mg/dia Pantoprazol 3,9 77 1,0 a 1,9 2,5 a 4,0 40mg/dia Rabeprazol 5 52 1,0 a 2,0 2,0 a 5,0 20mg/dia i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico IBPs: inibidores da bomba de prótons H+/K+-adenosina trifosfatase 20 i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico Prostaglandinas A prostaglandina E2, produzida pela mucosa gástrica, inibe a secreção de ácido e estimula a secreção de muco e bicarbonato (efeito citoprotetor). A deficiência de prostaglandinas pode estar envolvida na patogênese das úlceras pépticas. Misoprostol, um análogo da prostaglandina E1, está aprovada para a prevenção de úlceras gástricas causadas por AINEs. Prostaglandina 21 21 Contra-Indicações Hipersensibilidade ao misoprostol Gravidez PG1E e PG1F promovem contrações coordenadas do corpo lúteo grávido, enquanto produzem relaxamento do colo uterino (provocam aborto no início e na metade da gravidez). Reações adversas Diarréia Dor abdominal Misoprostol i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico Prostaglandinas 22 Mecanismo de ação do misoprostol i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico Prostaglandinas 23 i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico 24 Antiácidos Os antiácidos são bases fracas que reagem com o ácido gástrico formando água e um sal, para diminuir a acidez gástrica. Como a pepsina (uma enzima proteolítica) é inativa em pH acima de 4, os antiácidos reduzem a atividade da pepsina. 24 i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico 25 Antiácidos Antiácidos comumente usados são combinações de sais de alumínio e magnésio, como hidróxido de alumínio e hidróxido de magnésio [Mg(OH)2]. O carbonato de cálcio (CaCO3) reage com o HCl formando dióxido de carbono (CO2) e cloreto de cálcio (CaCl2). 25 Antiácidos Hidróxido de magnésio (efeito laxativo). Pó insolúvel que forma cloreto de magnésio no estômago Não produz alcalose sistêmica, visto que o íon magnésio é pouco absorvido pelo intestino Hidróxido de alumínio (Efeito constipante) Forma cloreto de Alumínio no estômago Eleva o pH do estômago para cerca de 4 e adsorve a pepsina Tem excreção fecal e renal Bicarbonato Atua rapidamente Eleva o pH do suco gástrico para cerca de 7,4 Ocorre absorção no intestino sendo o uso restrito (pode causar alcalose) Não usar tratamento a longo prazo e nem em pacientes com dieta de restrição sódica. i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico Antiácidos 26 Indicações Dispepsia Alívio sintomático na úlcera péptica Refluxo esofágico Contra-indicações Bicarbonato: Tratamento a longo prazo ⭡pH 🢧 CO2 🢧 ⭡Secreção de gastrina O CO2 estimula a secreção de gastrina e leva a produção da secreção ácida (HCl). i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico Antiácidos 27 i- Úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico 28 Fármacos Protetores da mucosa Esses Fármacos são também conhecidos como citoprotetores: Sucralto: Esse complexo de hidróxido de alumínio e sacarose sulfatada. Formando géis complexos com as células epiteliais,o sucralfato cria uma barreira física que protege a úlcera da pepsina e do ácido, permitindo a cicatrização da úlcera. Subsalicilato de bismuto: Além da sua ação antimicrobiana, ele inibe a atividade da pepsina, aumenta a secreção de muco e interage com glicoproteínas na mucosa, revestindo e protegendo a úlcera. 28 iI- náusea e Êmese induzida por fármacos antineoplásicos 29 Náusea: Sensação desagradável de um desejo iminente de vomitar. Êmese: Expulsão violenta do conteúdo gástrico pela boca. 29 30 A zona disparadora quimiorreceptora (CTZ, de chemoreceptor trigger zone). O segundo local em importância, o centro da êmese, que está localizado na formação reticular lateral do bulbo, coordena os mecanismos motores da êmese. Obs: Os fármacos quimioterápicos podem ativar diretamente a CTZ ou o centro da êmese bulbar. Vários neurorreceptores, incluindo o receptor da dopamina tipo 2 e da serotonina tipo 3 (5-HT3), têm papéis críticos. 30 iI- náusea e Êmese induzida por fármacos antineoplásicos 31 TRATAMENTO (Antieméticos): Os anticolinérgicos, especialmente o antagonista do receptor muscarínico, escopolamina, e os antagonistas de receptor H1, como dimenidrinato, meclizina e ciclizina, são muito úteis na doença do movimento, mas são ineficazes contra substâncias que atuam diretamente na CTZ. 31 iI- náusea e Êmese induzida por fármacos antineoplásicos 32 TRATAMENTO (Antieméticos): 32 iI- náusea e Êmese induzida por fármacos antineoplásicos 33 Os fenotiazínicos, como a proclorperazina, atua bloqueando receptores da dopamina. A proclorperazina é eficaz contra quimioterápicos pouco ou moderadamente emetogênicos. 1- Fenotiazínicos 33 iI- náusea e Êmese induzida por fármacos antineoplásicos 34 Os antagonistas dos receptores 5-HT3 incluem ondansetrona, granisetrona, palonosetrona e dolasetrona. Esses fármacos bloqueiam seletivamente os receptores 5-HT3 na periferia e no cérebro (CTZ). 2- Bloqueadores dos Receptores 5-HT3 34 iI- náusea e Êmese induzida por fármacos antineoplásicos 35 A metoclopramida é eficaz em doses altas contra a emetogênica cisplatina, prevenindo a êmese de 30 a 40% dos pacientes e reduzindo a êmese na maioria. A metoclopramida consegue isso com a inibição da dopamina no CTZ. 3- Benzamidas substituídas 35 iI- náusea e Êmese induzida por fármacos antineoplásicos 36 Droperidol e haloperidol atuam bloqueando os receptores de dopamina. As butirofenonas são antieméticos moderadamente eficazes. 4- Butirofenonas 36 iI- náusea e Êmese induzida por fármacos antineoplásicos 37 A potência antiemética do lorazepam e do alprazolam é baixa. Seu efeito benéfico pode ser devido às suas propriedades sedativas, ansiolíticas e amnésicas. Essas mesmas propriedades tornam os benzodiazepínicos úteis no tratamento da êmese por antecipação. 5- Benzodiazepínicos 37 iI- náusea e Êmese induzida por fármacos antineoplásicos 38 A dexametasona e a metilprednisolona, usadas sozinhas, são eficazes contra quimioterapia leve ou moderadamente emetogênica. 6- Corticosteroides 38 iII- antidiarreicos 39 O aumento da motilidade do TGI e a diminuição de absorção de líquidos são os principais fatores na diarreia. Os antidiarreicos incluem fármacos antimotilidade, adsorventes e fármacos que modificam o transporte de água e eletrólitos 39 iII- antidiarreicos 40 Dois fármacos amplamente usados para controlar a diarreia são o difenoxilato e a loperamida. Eles ativam receptores opioides pré-sinápticos (mu) no sistema nervoso entérico para inibir a liberação de ACh e diminuir o peristaltismo. Fármacos Atimotilidade TRATAMENTO 40 iII- antidiarreicos 41 Os fármacos adsorventes, como hidróxido de alumínio e metilcelulose, são usados para controlar diarreias. Presumivelmente, esses fármacos atuam adsorvendo toxinas intestinais ou microrganismos e/ou revestindo e protegendo a mucosa intestinal. Adsorventes TRATAMENTO Obs: Eles são muito menos eficazes do que os fármacos antimotilidade e podem interferir na absorção de outros fármacos. 41 iII- antidiarreicos 42 O salicilato de bismuto, usado na diarreia do viajante, diminui a secreção de líquidos no intestino. Fármacos que modificam o transporte de líquido e eletrólitos TRATAMENTO 42 iV- laxantes 43 Os laxantes são comumente usados contra a constipação, para acelerar o movimento do alimento por meio do TGI. Os laxantes aumentam o risco de perda do efeito de fármacos pouco absorvidos. 43 iV- laxantes 44 Senna: Usado por via oral, causa evacuação de 8 a 10 horas. Ele também causa secreção de água e eletrólitos para o interior do intestino. Bisascodil: Disponibilizado como supositório e comprimidos revestidos entéricos, o bisacodil é um potente estimulante do colo do intestino. Ele atua diretamente nas fibras nervosas na mucosa do colo do intestino. Óleo de rícino: Este produto é hidrolisado no intestino delgado em ácido ricinoleico, que tende a irritar muito o estômago e, logo, aumenta o peristaltismo. 1- Irritantes e Estimulantes TRATAMENTO 44 iV- laxantes Os catárticos salinos, como citrato de magnésio, hidróxido de magnésio e fosfato de sódio, são sais não absorvíveis que retêm água no intestino por osmose. Isso distende o intestino, aumentando a atividade intestinal e produzindo defecação em poucas horas. 45 Os laxantes aumentadores de volume incluem coloides hidrofílicos (de partes não digeríveis de frutas e vegetais). Eles formam géis no intestino grosso, causando a retenção de água e a distensão intestinal, aumentando, assim, a atividade peristáltica. 2- Laxantes aumentadores de volume TRATAMENTO 3- Laxantes salinos e osmóticos 45 iV- laxantes 46 Os fármacos ativos em superfície que se tornam emulsificados com as fezes produzem fezes amolecidas e facilitam sua progressão. Estão incluídos aí o docusato de sódio e o docusato de cálcio. 4- Amolecedores de fezes (laxantes emolientes ou surfactantes) TRATAMENTO O óleo mineral e os supositórios de glicerina são considerados lubrificantes e agem facilitando a passagem de fezes endurecidas. 5- Laxantes lubrificantes 46 iV- laxantes 47 A lubiprostona, atualmente o único fármaco desta classe, atua ativando os canais de cloreto para aumentar a secreção de líquidos no lúmen intestinal. Isso facilita a progressão das fezes e causa pouca alteração no equilíbrio eletrolítico. 6- Ativadores de canais de cloro TRATAMENTO 47 image1.png image2.png image3.jpg image4.png image5.png image6.jpg image7.jpg image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.jpg image15.png image16.jpg image17.jpg image18.png image19.jpg image20.jpg image21.jpg image22.jpg image23.jpg image24.jpg image25.jpg image26.jpg image27.jpg image28.jpg image29.jpg image30.jpg image31.jpg image32.jpg image33.png image34.png image35.jpg image36.jpg image37.jpg image38.jpg image39.jpg image40.jpg image41.jpg image42.jpg image43.jpg image44.jpg image45.jpg image46.jpg image47.jpg image48.jpg image49.jpg image50.jpg image51.jpg image52.jpg image53.jpg image54.jpg image55.jpg image56.jpg image57.jpg image58.jpg image59.png