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✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ Aula DERIVADAS – MÁXIMOS E MÍNIMOS (CONTINUAÇÃO) 12 O b j e t i v o s Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 1 conhecer e utilizar técnicas para garantir existência de máximo e mı́nimo locais; 2 aplicar as técnicas de cálculo de máximo e mı́nimo para problemas de maximização de lucros. ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ Métodos Determinı́sticos II | Derivadas – Máximos e Mı́nimos (Continuação) Na aula anterior, identificamos uma condição necessária para que uma função f : I →R, que possui derivada contı́nua num in- tervalo aberto I, admita um ponto x0 ∈ I, como ponto de máximo ou mı́nimo. Vamos relembrar este resultado. Se x0 ∈ I é um ponto de máximo ou mı́nimo então f ′(x0) = 0. Nesta aula, vamos avançar um pouco mais e encontrar condições suficientes para garantir que um ponto x0 é ponto de máximo ou mı́nimo. Para definir estas condições necessitaremos que, pelo menos, a primeira e a segunda derivadas da função es- tejam definidas num pequeno intervalo centrado em x0 e que a derivada segunda seja contı́nua neste pequeno intervalo. Essas condições admitidas, o teorema a seguir dá conta deste resul- tado. TEOREMA 12.1 Seja uma função f : I → R e x0 ∈ I um ponto do intervalo aberto I tal que f ′(x0) = 0. Valem as seguintes propriedades: (a) se f ′′(x0)> 0 então x0 é um ponto de mı́nimo local para f ; (b) se f ′′(x0) 0 e f ′(x0) = 0 podemos tirar algumas con- clusões da expressão f ′′(x0) = lim h→0 f ′(x0 +h)− f ′(x0) h = lim h→0 f ′(x0 +h) h > 0 (12.1) Por um lado, a última desigualdade que aparece na expressão (12.1) anterior mostra um limite positivo. Isso significa que para valores h f (x0) . Por outro lado, ainda partindo da expressão (12.1), e consi- derando a última desigualdade em (12.1), encontramos que para valores h > 0 e portanto com valores x0 + h à direita de x0, te- mos que f ′(x0 +h) > 0. Isso significa que a função é crescente à direita do ponto x0. Portanto, para valores h muito pequenos e positivos, valem os seguintes resultados: se x = x0 +h > x0 é função crescente então f (x)> f (x0) . Como a função decresce à esquerda de x0 e cresce à direita de x0, então no ponto x0 a função passa por um mı́nimo local. Isso encerra a prova do teorema no caso (a). A prova do caso (b) segue um raciocı́nio muito parecido. Você poderia tentar individualmente, ou com seu grupo de estudo, ou com ajuda do tutor, escrever a prova deste caso (b). CQD Com apoio do Teorema que acabamos de estudar, podemos enunciar um procedimento para localizar pontos de máximos e mı́nimos locais para funções que possuem a segunda derivada contı́nua. C E D E R J 187 ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ Métodos Determinı́sticos II | Derivadas – Máximos e Mı́nimos (Continuação) CRITÉRIO PARA PESQUISA DE MÁXIMOS E M ÍNIMOS Dada a função f : I →R para localizar pontos de máximos e mı́nimos: 1o passo: Procuramos todos os possı́veis candidatos a máximo ou mı́nimo. Equivale a determinar todos os pontos x0 ∈ I tais que f ′(x0) = 0. 2o passo: Para cada um dos pontos x0 ∈ I encontrados no 1o passo, calculamos f ′′(x0). Se f ′′(x0)> 0 então x0 é ponto de mı́nimo local; Se f ′′(x0) 0 então x0 é ponto de máximo; Se n é ı́mpar e f (n+1)(x0) 0, então o ponto x0 =−1 é um ponto de mı́nimo. Veja a Figura 12.2 para confirmar graficamente que a função f (x) = 3x2 +6x−1 possui um mı́nimo local em x0 =−1. Note que o valor mı́nimo local da função é f (−1) = 3(−1)2 + 6(−1)− 1 = −4. Além disso, note que coincidentemente o único mı́nimo local é na rea- lidade um mı́nimo global, uma vez que temos f (x) = 3x2 + 6x− 1 ≥ f (−1) =−4. x f (x) −1 −4 Figura 12.2: Tangente ao gráfico num ponto onde f ′(x0) = 0. Exercı́cio 12.1 Prove analiticamente que f (x) = 3x2+6x−1 ≥ f (−1) =−4, para todo x ∈ R. C E D E R J 189 ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ Métodos Determinı́sticos II | Derivadas – Máximos e Mı́nimos (Continuação) ✞ ✝ ☎ ✆ Exemplo 12.2 Determine os pontos de máximo local e de mı́nimo local da função f : R → R x 7→ f (x) = e−x2+3x Solução: Em primeiro lugar devemos determinar todos os valores x0 para os quais f ′(x0) = 0. Encontramos que f ′(x) = (−2x+3)e−x2+3x . Como a função e−x2+3x é sempre positiva para todo valor de x, encontramos que f ′(x) = 0 ⇔ (−2x+3) = 0 ⇔ x = x0 = 3 2 . Precisamos agora calcular a derivada segunda. Temos que: f ′′(x) =−2e−x2+3x +(−2x+3)2e−x2+3x = ( 4x2 −12x+7 ) e−x2+3x . Agora um cálculo direto mostra que: f ′′ ( 3 2 ) =−2e9/4= −1, necessitamos da derivada segunda da função f (x). Temos que: f ′(x) = x(x+1) ( x2 − x+4 ) ( x2 + 1 3 )2 = x4 +3x2 +4x ( x2 + 1 3 )2 . Assim, f ′′(x) = ( 4x3 +6x+4 )( x2 + 1 3 )2 −4x ( x2 + 1 3 )( x4 +3x2 +4x ) ( x2 + 1 3 )4 . Agora um cálculo direto mostra que f ′′(0) = 2.916 > 0 e que f ′′(−1) =− 27 8 C(x). Ou seja, que a receita obtida com a venda de x unidades do bem supere o custo de produção dos mesmos bens; ii. Veja que a equação (12.3) expressa que o lucro mar- ginal é a diferença entre a receita marginal R′(x) e o custo marginal C′(x); 192 C E D E R J ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ A U L A 1 2 1 M Ó D U L O 1 iii. Note que numa situação hipotética, uma empresa pro- duz e vende k unidades de um certo produto cujo lucro total é regido por uma conhecida equação do tipo (12.2). Nesta situação, pode se perguntar para qual nı́vel k de produção o lucro é máximo. Do que conhecemos, podemos garantir que o lucro será máximo na situação em que L′(k) = 0 e L′′(k) 0 . Também podemos comprovar que lim x→∞ L(x) =−∞ . Portanto, a partir de certa quantidade de unidades produzidas, cessa o lucro. Agora estamos interessados em determinar qual é a quanti- dade x produzida e comercializada que permite um lucro máximo. Temos que L′(x) = 4 10 −10−3x− 9 ·103 x2 . Assim, L′(x) = 0 ⇔ 4x2 −10−2x3 −9 ·104 = 0 . Ou seja, os valores x que anulam a derivada, isto é L′(x) = 0, são C E D E R J 193 ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ ✐ Métodos Determinı́sticos II | Derivadas – Máximos e Mı́nimos (Continuação) exatamente as raı́zes da equação do terceiro grau 10−2x3 −4x2 +9 ·104 = 0 . Como se trata de equação polinomial, candidatos a possı́veis raı́zes são os divisores do termo independente 9 · 104. Fazendo tentativas neste sentido, encontramos que x = 3 ·102 é uma raiz. De fato, verifique que 10−2 ·27 ·106−4 ·9 ·104+9 ·104 = 0 . Uma vez identificada uma raiz, podemos decompor a equa- ção do terceiro grau e ainda procurar outras raı́zes, resolvendo então uma equação do segundo grau. No entanto, vamos, neste momento, para fins de melhor com- preensão didática, nos concentrar na raiz identificada x = 102 e tirar conclusões. Temos que L′′(x) =−10−3 + 18 ·103 x3 . Como L′′(3 ·102) =−10−3 + 18 ·103 27 ·106