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MODELAGEM MATEMÁTICA APLICADA ÀS FINANÇAS AULA 5 Profª Aline Purcote 2 CONVERSA INICIAL Custo de capital e avaliação de investimentos Diariamente, nos deparamos com oportunidades de investimentos, tanto na vida pessoal como dentro das organizações, e precisamos decidir qual a melhor opção para investir os recursos disponíveis. Segundo Camargo (2007), entendemos por investimento o comprometimento atual de dinheiro ou de outros recursos feitos na expectativa de colher benefícios maiores no futuro. De acordo com Camargo (2007), financeiramente, qualquer investimento pode ser analisado em função do lucro ou do prejuízo econômico que produz, da taxa percentual de retorno que proporciona ou do tempo que leva para retornar o investimento inicialmente despendido. Para determinar esses indicadores, existe, na teoria financeira, uma diversidade de técnicas de análise de investimento, cada qual responsável por informar ao gestor sobre um aspecto do projeto. Nesta aula, estudaremos alguns métodos de análise de investimentos. Dentre as ferramentas, temos o VPL e a TIR, que indicam se um investimento é atrativo ou não. Será atrativo quando a TIR for superior à taxa mínima de atratividade e quando o VPL for positivo. Estudaremos também o Índice Benefício ou Custo (IBC) e o período de Payback, que indica o tempo que o investimento leva para ser recuperado. CONTEXTUALIZANDO Os investimentos de uma empresa podem estar relacionados à aquisição de máquina, equipamentos, novos produtos, novas unidades de negócio, aplicações financeiras ou abertura de uma nova empresa. Para tomarmos a decisão de investir ou não, o ideal é realizar um estudo de viabilidade econômica e financeira. Considere uma empresa que pretende renovar as suas máquinas, pois essa atualização reduzirá custos de produção e garantirá melhor qualidade de seus produtos. Temos vários benefícios ao realizar o investimento, mas será que o investimento é realmente viável? Em quanto tempo ocorrerá o retorno desse investimento? 3 Para responder essas questões, temos várias ferramentas que indicam se um investimento é viável ou não, possibilitando ao gestor realizar uma análise e tomar decisões mais assertivas. Saiba mais Para entender a importância da análise de investimento, acesse os seguintes links: • . • . • De acordo com Andrich e Cruz (2013), não são apenas os grandes investimentos que exigem análises. Decisões simples, do cotidiano, como a opção por realizar uma compra à vista ou a prazo, por exemplo, deveriam sempre ser precedidas de um estudo de viabilidade financeira. Quando a operação envolve prazos, não podemos desprezar o valor do dinheiro no tempo. TEMA 1 – CUSTO DE CAPITAL Crédito: Wutzkohphoto/Shutterstock. De acordo com Samanez (2007), para a empresa, o custo do capital é a remuneração que ela deve oferecer aos fornecedores dos recursos de que 4 necessita. Caso ela consiga gerar, com esses recursos, retorno superior ao custo deles, então, estará gerando valor. Dessa maneira, o custo do capital pode funcionar como um limite mínimo para o retorno dos investimentos. Se esse custo estiver abaixo do limite mínimo, os investimentos não deverão ser feitos, pois a empresa experimentará uma queda em seu valor de mercado. 1.1 Custo Médio Ponderado do Capital (CMPC) A empresa possui duas fontes de obtenção de capital, podendo utilizar o capital próprio e/ou capital de terceiros. O capital próprio é representado pelos investimentos realizados pelos próprios sócios ou acionistas e recursos que possui origem nos lucros gerados pela empresa. Ao destinar recursos à empresa, os sócios exigem uma rentabilidade que chamamos de custo do capital próprio. Já o capital de terceiros possui origem em outras fontes, como empréstimos bancários, e geram um custo do capital de terceiros. Como a empresa utiliza essas duas fontes de obtenção de capital, é necessário realizar investimentos que forneçam rentabilidade superior ao custo médio das fontes de recursos, ou seja, rentabilidade superior ao custo médio ponderado do capital. Segundo Samanez (2007), o Custo Médio Ponderado do Capital (CMPC) é uma média ponderada dos custos das diversas fontes de recursos que financiam os ativos da empresa. O enfoque do CMPC parte da ideia de que o projeto é financiado simultaneamente com capital próprio e capital de terceiros, portanto, é igual à soma das rentabilidades médias dessas fontes de recursos, ponderadas pela participação de cada uma no financiamento total. Para calcular o custo do capital, vamos utilizar o cálculo da média aritmética ponderada, assim: ke = kp x Cp% + kt x Ct% Ou seja, 100. Cp Ct Ct k + .100 Cp Ct Cp k= k tpe ++ Onde: • ke – custo do capital da empresa em percentual = CMPC; 5 • kp – custo do capital próprio em percentual; • kt – custo do capital de terceiros em percentual; • Cp% – participação percentual do capital próprio; • Ct% – participação percentual do capital de terceiros; • Cp – capital próprio; • Ct – capital de terceiros. Exemplo 1: Uma empresa possui 70% de capital de terceiros e 30% de capital próprio. Considere que o custo de capital de terceiros é de 12% e a remuneração mínima requerida pelos sócios é de 20%. Calcule o custo médio ponderado de capital. O enunciado fornece os seguintes dados: • kp = 20% = 0,20 • kt = 12% = 0,12 • Cp% = 30% = 0,30 • Ct% = 70% = 0,70 Com base nos dados acima, vamos aplicar a fórmula para calcular o custo médio ponderado: ke = kp x Cp% + kt x Ct% ke = 0,20 x 0,30 + 0,12 x 0,70 ke = 0,06 + 0,084 ke = 0,1440 = 14,40% Exemplo 2: Qual o custo de capital de uma empresa que possui R$ 400.000,00 obtidos com terceiros e R$ 600.000,00 dos sócios? Considere um custo de capital de 10% ao mês de terceiros e 20% de capital próprio. O enunciado fornece os seguintes dados: • kp = 20% = 0,20 • kt = 10% = 0,10 • Cp = 600.000 • Ct = 400.000 6 Com base nos dados acima, vamos aplicar a fórmula para calcular o custo médio ponderado: 100. Cp Ct Ct k + .100 Cp Ct Cp k= k tpe ++ 100. 600000 400000 400000 0,10 + .100 600000 400000 600000 0,20= ke ++ 100. 1000000 400000 0,10 + .100 1000000 600000 0,20= ke 100.0,10.0,4 + .0,6.100 0,20= ke %16= k e Para entendermos o CMPC, precisamos das noções de estrutura de capital, custo do capital próprio, capital de terceiros, bem como dos conceitos de risco e retorno. A estrutura de capital é a combinação entre os dois tipos de capitais: capital de terceiros e capital próprio. É encontrada no balanço patrimonial da empresa pela somatória do passivo não circulante (passivo exigível a longo prazo) e do patrimônio líquido. Fonte: Elaborado com base em Andrich e Cruz, 2013, p. 24. Exemplo 3: Considere o seguinte balanço patrimonial de uma determinada empresa e calcule seu custo do capital. Balanço Patrimonial Custo Valor do Ativo 100 Passivo 30 7,50% Capitais Próprios 70 15% https://pt.wikipedia.org/wiki/CMPC https://pt.wikipedia.org/wiki/Estrutura_de_capital https://pt.wikipedia.org/wiki/Estrutura_de_capital https://pt.wikipedia.org/wiki/Risco https://pt.wikipedia.org/wiki/Retorno 7 O custo do passivo, de 7,5%, é o custo de oportunidade do capital para os investidores que detêm a dívida da empresa. Já o custo dos capitais próprios, de 15%, é o custo de oportunidade do capital para os investidores que detêm as ações da empresa. Vamos aplicar a seguinte fórmula para calcular o custo médio ponderado: 100. Cp Ct Ct k + .100 Cp Ct Cp k= k tpe ++ 100. 70 30 30 0,075 + .10070 30 70 0,15= ke ++ 100. 100 30 0,075 + .100 100 70 0,15= ke 12,75% 2,25 + 10,5= ke = 1.2 Custo do capital próprio – modelo CAPM Segundo Samanez (2007), o custo do capital próprio é o custo de oportunidade do investidor, pois representa sua expectativa de retorno do capital, que é o parâmetro utilizado por ele para decidir entre aplicar seu capital no projeto ou em outras oportunidades de investimento. Dentre as várias formas de cálculo do custo do capital próprio, temos o modelo CAPM. Esse modelo quantifica o custo do capital próprio, tendo como base a diferença percebida pelos donos da empresa (ou acionistas) entre o risco do mercado e o risco da empresa, ou seja: kp = klr + β . ( km - klr ) Onde: • kp – custo de capital próprio; • klr – taxa livre de risco (normalmente utilizada a taxa Selic); • km – taxa de retorno do mercado; • β (beta) – nível de risco da empresa em relação ao risco do mercado. Samanez (2007) indica que a aplicação do CAPM requer informações como a rentabilidade dos ativos sem risco, a rentabilidade esperada do índice 8 de mercado e o beta da empresa. Os passos para determinação do custo do capital próprio são: 1. Obter o beta das ações da empresa em publicações especializadas ou medido por meio das cotações das ações negociadas em bolsa. Para empresas sem títulos negociados no mercado, o beta dee ser estimado por meio dos betas de empresas com atividades operacionais semelhantes. 2. Ajustar o beta do projeto em relação à alavancagem financeira, caso esse projeto altere o risco ou a estrutura de capital da empresa. 3. Escolher a taxa livre de risco. 4. Definir a carteira de mercado e medir seu retorno. 5. Calcular o custo do capital próprio usando o CAPM. Exemplo 4: Uma empresa listada na bolsa de valores apresenta beta no valor de 1,2 com taxa de remuneração do mercado de 12%. Considerando a Selic de 6,5%, qual é o custo do capital próprio dessa empresa? O enunciado fornece os seguintes dados: • klr = 6,5% • km = 12% • β = 1,2 • kp = klr + β . ( km - klr ) • kp = 0,065 + 1,2 (0,12 – 0,065) • kp = 0,065 + 1,2 (0,055) • kp = 0,065 + 0,066 • kp = 0,131 O retorno esperado para o investimento será de 13,1%. Saiba mais Para entender mais sobre o modelo CAPM, acesse os seguintes links e verifique como o modelo pode ser utilizado em análise de investimentos: • . • . 9 TEMA 2 – VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL) Crédito: Amnaj Khetsamtip/Shutterstock. De acordo com Andrich e Cruz (2013), para um projeto ou investimento ser considerável viável, o retorno obtido por meio da aplicação de determinada taxa de desconto deve, no mínimo, ser superior ao rendimento de uma aplicação de baixo risco. Isso se os capitais investidos forem próprios. Se forem de terceiros, esse retorno deverá cobrir minimamente o custo de capital. Dentre as diversas técnicas de análise de investimentos, estudaremos, neste tema, o Valor Presente Líquido (VPL), que é uma das técnicas mais conhecidas e utilizadas. Segundo Castanheira (2016), o VPL é a fórmula matemático-financeira utilizada para determinar o valor presente de pagamentos futuros descontados a uma taxa de juros estipulada, menos o custo do investimento inicial. Basicamente, é o cálculo de quanto os futuros pagamentos, somados a um capital inicial, estariam valendo atualmente. Para o cálculo do valor presente das entradas e saídas de caixa, é utilizada a Taxa Mínima de Atratividade (TMA) como taxa de desconto. Consideramos TMA como a remuneração mínima dos capitais investidos, ou seja, é a taxa oferecida pelo mercado para uma aplicação de 10 capital. Segundo Andrich e Cruz (2013), é a taxa utilizada para descontar os fluxos de caixa projetados, trazendo-os aos valores presentes. De acordo com Castanheira (2016), o VPL consiste em trazer para o dia zero (valor atual) cada valor futuro de uma série de pagamentos, recebimentos ou depósitos, sendo que do somatório desses valores atuais deduz-se o valor do investimento a ser feito. Assim, obtemos o VPL aplicado à fórmula: C i M i M i M i M VPL n n − + ++ + + + + + = )1( ... )1()1()1( 3 3 2 2 1 1 O VPL pode apresentar como resultado um valor positivo, negativo ou nulo, que interpretamos da seguinte forma: • VPL positivo (VPL > 0) – investimento viável, ou seja, cobrirá o investimento inicial e a remuneração mínima exigida pelo investidor. Dessa forma, temos que o investimento analisado é mais rentável que a aplicação alternativa da TMA. • VPL negativo (VPLtambém chamado de índice de lucratividade, mostra o retorno que a empresa obtém para cada R$ 1,00 investido em um determinado projeto. Para tanto, devem ser relacionados os dispêndios de capital com os fluxos de benefícios resultantes do investimento, descontados pela TMA. Para calcular o IBC, utilizamos a seguinte fórmula: 14 Para aceitar ou rejeitar um projeto, consideramos que quanto maior o IBC, melhor, sendo que os projetos com IBC > 1 serão aceitos e projetos com IBC 1 significa que, para cada R$ 1,00 investido no projeto, a empresa está obtendo um retorno maior. Para IBC 0 apresentará IBC > 1. Exemplo 1: Um projeto possui investimento inicial de R$ 490.000,00 e entradas de caixa de R$ 150.000,00 nos próximos quatro anos. Calcule o IBC considerando um custo de capital de 9,38% a.a. Para calcular o IBC, precisamos calcular primeiramente o valor presente das entradas, assim: 4 4 3 3 2 2 1 1 )1()1()1()1( i M i M i M i M VP + + + + + + + = 4321 )0938,01( 150000 )0938,01( 150000 )0938,01( 150000 )0938,01( 150000 + + + + + + + =VP 431369,1 150000 308621,1 150000 196398,1 150000 0938,1 150000 +++=VP 7804,1047944787,114624338,125376588,137136 +++=VP 19,481932=VP Encontramos o valor presente das entradas e precisamos também do valor presente das saídas. Como temos apenas a saída do investimento inicial, o valor presente das saídas é igual a R$ 490.000,00. Para finalizar, aplicamos a fórmula do IBC: 15 9835,0 490000 19,481932 ==IBC Podemos efetuar os cálculos também pela calculadora HP12C, assim: 150000 g CFj 4 g Nj 9,38 i f NPV 490000 : O projeto não será atrativo, pois temos um IBC TMA – investimento viável; • TIR . TEMA 5 – PERÍODO DE PAYBACK Crédito: Astel Design/Shutterstock. No tema anterior, analisamos investimentos considerando a variável taxa. Neste tema, vamos analisar o Payback (PB), que é o tempo de retorno de um investimento, ou seja, o tempo que o investimento inicial leva para ser recuperado. Para aceitar ou rejeitar um projeto, consideramos:• Payback tempo máximo aceitável – rejeita. 22 Camargo (2007) indica que a decisão de aceitar ou rejeitar um projeto pelo tempo de retorno se baseia em parâmetros subjetivos, ou seja, não existe um tempo máximo considerado ideal para tornar um projeto viável. Assim, esse processo depende de cada empresa em função de suas próprias características e das peculiaridades do investimento proposto. Quando temos um fluxo de caixa constante, o Payback será calculado dividindo o investimento inicial pelo valor das entradas, assim: Exemplo 1: Qual o Payback de um projeto com investimento inicial de R$ 23.000,00 que possui o seguinte fluxo de caixa anual? 0 1 2 3 4 5 6 7 -23.000 5.000 5.000 5.000 5.000 5.000 5.000 10.000 5000 23000 =PB 6,4=PB O projeto retornará o investimento inicial em 4,6 anos, ou seja, o retorno ocorrerá em 4 anos, 7 meses e 6 dias. Quando temos um fluxo de caixa com diferentes entradas ao longo do tempo, somamos as entradas até atingir o valor mais próximo do investimento inicial. Caso falte valor a ser recuperado, dividimos o que falta de retorno pelo valor da próxima entrada, assim: Exemplo 2: Qual o Payback de um projeto com investimento inicial de R$ 4.500,00 considerando o seguinte fluxo de caixa? 0 1 2 3 4 5 6 7 -4.500 1.200 1.000 700 900 300 800 400 Para calcular o tempo de retorno, somamos as entradas, assim, repetimos o valor do período 1 e somamos para os demais períodos: 23 Período 2 = 1.200 + 1.000 = 2.200 Período 3 = 2.200 + 700 = 2.900 Seguindo o mesmo raciocínio para os demais períodos, temos: 0 1 2 3 4 5 6 7 -4.500 1.200 1.000 700 900 300 800 400 ∑entradas 1.200 2.200 2.900 3.800 4.100 4.900 5.300 Analisando a segunda linha da tabela, temos que o investimento inicial só será recuperado após o quinto período, pois até esse período os fluxos positivos não atingiram o valor do investimento de R$ 4.500. No período 5, temos um valor acumulado de R$ 4.100, faltando R$ 400 para recuperar o valor investido, assim: 800 400 5+=PB 5,05+=PB 5,5=PB Logo, o investimento será retornado em 5,5 períodos. Os cálculos realizados até o momento não levam em consideração o valor do dinheiro no tempo, assim, para eliminar essa desvantagem, calculamos o Payback descontado (PBd), que indica o tempo de retorno do investimento considerando os fluxos descontados pela TMA, ou seja, calculamos o tempo de retorno para que os fluxos projetados, descontados a determinada taxa, superem o valor do investimento inicial. De acordo com Camargo (2007), o tempo de retorno do investimento é encontrado, primeiramente, calculando-se o VP dos fluxos de caixa. Em seguida, os valores positivos são somados até atingir o valor mais próximo do investimento inicial. O saldo que falta para recuperar todo o investimento é, então, dividido pelo VP da próxima entrada, a fim de evidenciar qual o tempo de recuperação do investimento. Assim: 24 Exemplo 3: Qual o Payback de um projeto com investimento inicial de R$ 1.000,00 considerando o seguinte fluxo de caixa e taxa mínima de 3%? 0 1 2 3 -1.000 320 550 400 O primeiro passo é descontarmos os fluxos projetados, trazendo-os para valores presentes. Vamos descontar o valor de cada período individualmente: • Período 1 1 1 )1( i M VP + = 1)03,01( 320 + =VP 68,310=VP Pela HP12C, temos: 320 CHS FV 3 i 1 n PV • Período 2 2)03,01( 550 + =VP 0609,1 550 =VP 43,518=VP Pela HP12C, temos: 25 550 CHS FV 3 i 2 n PV • Período 3 3)03,01( 400 + =VP 092727,1 400 =VP 06,366=VP Pela HP12C, temos: 400 CHS FV 3 i 3 n PV Agora, resumimos os valores encontrados na seguinte tabela e somamos os valores do VP: 0 1 2 3 -1.000 320 550 400 VP 310,68 518,43 366,06 ∑VP 310,68 829,11 1.195,17 Analisando a terceira linha da tabela, temos que o investimento inicial será recuperado após o segundo mês, pois até esse período os fluxos positivos não atingiram o valor do investimento de R$ 1.000. No mês 2, temos um valor acumulado de R$ 829,11, faltando R$ 170,89 para recuperar o valor investido, assim: 26 366,06 89,170 2 +=Pbd 47,02+=Pbd 47,2=Pbd O projeto retornará o investimento inicial em 2,47 meses, ou seja, o retorno ocorrerá em 2 meses e 14 dias. TROCANDO IDEIAS Nesta aula, vimos que podemos analisar um investimento em relação ao seu retorno, à sua taxa e ao seu tempo. Para entender melhor essas técnicas, vamos avaliar a seguinte aplicação, disponível em: . Acesso em: 22 jul. 2021. NA PRÁTICA Para praticar os conteúdos estudados, vamos resolver o seguinte exercício: Uma indústria quer vender uma máquina antiga por R$ 5.000,00 e comprar uma máquina nova, à vista, por R$ 17.000,00. Com a troca da máquina, durante os próximos 24 meses, estima-se um ganho de R$ 1.200,00 mensais pela venda dos produtos e despesas mensais de R$ 300,00. A empresa dispõe de recursos suficientes para realizar o investimento, os quais estão sendo remunerados a uma taxa de 15% a.a. Utilizando as técnicas estudadas nesta aula (VPL, IBC, TIR e PBd), indique se é ou não vantajoso, financeiramente, realizar esse investimento. Para iniciar a resolução, encontramos a taxa equivalente aplicando a fórmula a seguir: 1)1( −+= t q tq ii 27 1)15,01( 12 1 −+=qi 1)15,1( 083333333,0 −=qi 1011714917,1 −=qi maiq .%1715,1011714917,0 == Dos R$ 17.000,00 disponíveis para o investimento, R$ 5.000,00 continuam sendo remunerados pela TMA, isso ocorre porque temos R$ 5.000,00 liberados pela venda da máquina antiga. Dessa forma, vamos calcular os retornos mensais da aplicação dos R$ 5.000,00 a 15% a.a., utilizando a HP12C: 5000 CHS PV 1,1715 i 24 n PMT Logo, temos uma remuneração de R$ 240,20 que devemos incorporar no ganho de R$ 1.200,00 mensais pela venda dos produtos, assim, teremos por mês um valor de R$ 1.440,20 (1.200 + 240,20). Como temos despesas mensais de R$ 300,00, consideramos mensalmente no fluxo de caixa o valor de R$ 1.140,20 (1.440,20 – 300,00). A seguir, podemos analisar o fluxo de caixa desse investimento: Com base nos dados fornecidos, vamos calcular os indicadores de viabilidade financeira: 28 • Valor Presente Líquido (VPL): C i M i M i M i M VPL n n − + ++ + + + + + = )1( ... )1()1()1( 3 3 2 2 1 1 17000 )011715,01( 20,1140 ... )011715,01( 20,1140 )011715,01( 20,1140 2421 − + ++ + + + =VPL Pela HP12C, temos: 17000 CHS g CF0 1140,20 g CFj 24 g Nj 1,1715 i f NPV = 6.734,25 • Índice Benefício ou Custo (IBC): 00,979.29 )011715,01( 20,1440 ... )011715,01( 20,1440 241 = + ++ + =VPentradas 76,244.23 )011715,01( 300 ... )011715,01( 300 17000 241 = + ++ + +=VPsaídas 29,1 76,23244 00,29979 ==IBC Pela HP12C, temos: 17000 g CF0 300 g CFj 24 g Nj 1,1715 i 29 f NPV f REG 1440,20 g CFj 24 g Nj 1.1715 i f NPV 23244,76 : = 1,29 • Taxa Interna de Retorno (TIR): 17000 CHS g CF0 1140,20 g CFj 24 g Nj f IRR = 4,2197 • Payback descontado (PBd): Vamos calcular o valor presente acumulado até o 15º mês: 15,601.15 )011715,01( 20,1140 ... )011715,01( 20,1140 151 = + ++ + =VP Para o 16º e 17º mês, temos: 35,946 )011715,01( 20,1140 1616 = + =VP 39,935 )011715,01( 20,1140 1717 = + =VP Logo, temos os seguintes retornos acumulados: VP Retorno Acumulado VP16 = 946,35 15601,15 + 946,35 = 16.547,50 VP17 = 935,39 16547,50 + 935,39 = 17.482,89 30 ( ) 935,39 50,1654717000 16 − +=Pbd 48,16=Pbd Para finalizar, vamos analisar os indicadores calculados: Indicador Proposta VPL 6.734,25 IBC 1,29 TIR 4,2197%PBd 16,48 meses Com base nos indicadores calculados, é ou não vantajoso, financeiramente, realizar esse investimento? FINALIZANDO Nesta aula, estudamos o custo do capital e os principais métodos para análise de investimentos: • VPL = considera o investimento inicial e uma série de fluxos de caixa futuros para calcular quanto vale o investimento atualmente. • IBC = indica o retorno para cada R$ 1,00 investido em um determinado projeto. • TIR = taxa de desconto que faz com que o VPL seja igual a zero. • Payback = tempo que o investimento inicial leva para ser recuperado. 31 REFERÊNCIAS ANDRICH, E. G; CRUZ, J. A. W. Gestão financeira moderna: uma abordagem prática. Curitiba: Intersaberes, 2013. CAMARGO, C. Análise de investimentos e demonstrativos financeiros. Curitiba: Ibpex, 2007. FRANCISCO, W. Matemática financeira. São Paulo: Atlas, 1991. SAMANEZ, C. P. Gestão de investimentos e geração de valor. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.