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1. Fontes do Direito e Aplicação da Lei Penal
Fontes do Direito: São os modos de expressão das regras jurídicas [1]. A lei é a fonte formal direta e imediata, legitimada pela Constituição (princípio da
hierarquia) [2, 3]. Outras fontes (mediatas/indiretas) incluem costumes (regras espontâneas da comunidade), princípios gerais do direito, jurisprudência e doutrina [4-7]. A analogia é vista pela maioria como um mecanismo de integração do sistema, e não como fonte [2].
Lei Penal no Tempo:
Vigência: Começa com a publicação ou após a vacatio legis e cessa com a revogação (total - ab-rogação; parcial - derrogação) [3, 8, 9].
Regra de Ouro: A lei penal não retroage, salvo para **beneficiar o réu (retroatividade da lex mitior) [9, 10].
Abolitio Criminis: Extingue a punibilidade e faz cessar os efeitos penais da condenação, mas mantém os efeitos civis [11, 12].
Leis Excepcionais e Temporárias: Possuem ultra-atividade, aplicando-se ao fato cometido durante sua vigência, mesmo após o período ou situação cessar [13, 14].
Tempo e Lugar do Crime:
Tempo do Crime (Art. 4º): Adota a Teoria da Atividade (momento da ação ou omissão) [15].
Lugar do Crime (Art. 6º): Adota a Teoria da Ubiqüidade (lugar da conduta OU do resultado) [16].
2. Lei Penal no Espaço e Extraterritorialidade
Princípio da Territorialidade Temperada: Aplica-se a lei brasileira ao crime
cometido no território nacional, ressalvados tratados e convenções internacionais [17, 18].
Extraterritorialidade (Art. 7º):
Incondicionada: Aplica-se a lei brasileira independentemente de qualquer
condição (ex: crimes contra a vida/liberdade do Presidente, patrimônio público, genocídio se o agente for brasileiro/domiciliado) [19-21].
Condicionada: Depende de requisitos (agente entrar no território, ser o fato punível também no estrangeiro, etc.). Exemplos: crimes praticados por brasileiro no exterior ou em aeronaves/embarcações privadas brasileiras fora do país [22- 26].
Pena Cumprida no Estrangeiro (Art. 8º): Atenua a pena imposta no Brasil (se diversas) ou é nela computada (se idênticas) para evitar o bis in idem [27, 28].
3. Teoria Geral do Crime: Tipicidade
Fato Típico: Composto por conduta, resultado, nexo causal e tipicidade [29].
Tipo Penal: É a descrição abstrata da conduta proibida [29]. Divide-se em
elementos objetivos (descritivos), normativos (exigem interpretação/juízo de valor) e subjetivos (finalidade especial do agente) [30].
Tipicidade Conglobante (Zaffaroni): Defende que, para o fato ser típico, a conduta deve ser antinormativa (não pode ser fomentada ou permitida por outra norma do ordenamento) [31].
Conflito Aparente de Normas: Resolvido pelos princípios da Especialidade (norma especial prevalece sobre a geral), Subsidiariedade (norma "soldado de reserva"), Consunção (crime fim absorve o crime meio) e Alternatividade (tipos mistos alternativos) [32-36].
4. Elemento Subjetivo: Dolo e Culpa
Dolo (Art. 18, I): Vontade e consciência de realizar os elementos do tipo [37].
Teorias: O Brasil adota a Teoria da Vontade (dolo direto) e a Teoria do Assentimento (dolo eventual - assume o risco) [38, 39].
Espécies: Direto (quer o resultado), Indireto (eventual ou alternativo), de Dano, de Perigo, Geral (aberratio causae) e de 1º ou 2º grau (conseqüências necessárias) [40-43].
Culpa (Art. 18, II): Excepcional (deve haver previsão legal) [44].
Elementos: Conduta voluntária, resultado involuntário, nexo, previsibilidade objetiva e quebra do dever de cuidado [45, 46].
Modalidades: Imprudência (ação), Negligência (omissão) e Imperícia (falta de aptidão técnica profissional) [47, 48].
Culpa Consciente vs. Dolo Eventual: Na culpa consciente, o agente prevê o resultado, mas confia sinceramente que ele não ocorrerá. No dolo eventual, o agente prevê e aceita/é indiferente à ocorrência do resultado [49].
Crime Preterdoloso: Dolo no antecedente e culpa no consequente (ex: lesão corporal seguida de morte) [50].
5. Iter Criminis e Consumação
Etapas do Iter Criminis: Cogitação (impunível), Preparação (impunível, salvo crime autônomo), Execução (início da atividade típica), Consumação e Exaurimento [51].
Consumação por Espécie de Crime:
Material: Exige resultado naturalístico [52].
Formal: Possui resultado previsto, mas a lei dispensa sua ocorrência para a consumação (consumação antecipada) [53].
Mera Conduta: Consuma-se com a simples ação, sem previsão de resultado naturalístico [54].
Permanente: A consumação se prolonga no tempo [55].
6. Tentativa e Institutos Correlatos
Tentativa (Art. 14, II): Início da execução, mas o crime não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente [56, 57].
Punibilidade: Adota a Teoria Objetiva (pena do crime consumado reduzida de 1/3 a 2/3, baseada na proximidade da consumação) [58, 59].
Não admitem tentativa: Crimes culposos (salvo culpa imprópria), preterdolosos, omissivos próprios, contravenções, habituais e unissubsistentes [59].
Desistência Voluntária e Arrependimento Eficaz (Art. 15):
Desistência: O agente para a execução por vontade própria ("posso prosseguir, mas não quero") [60].
Arrependimento Eficaz: O agente termina a execução, mas impede o resultado [61].
Efeito: O agente só responde pelos atos já praticados (exclui a tentativa) [62].
Arrependimento Posterior (Art. 16): (Nota: Material focado em tipo, mas relevante)
Crimes sem violência ou grave ameaça, com reparação do dano até o recebimento da denúncia; gera redução de pena.
Crime Impossível (Art. 17): Ineficácia **absolutado meio ou impropriedade
absoluta do objeto. Não há punição pela tentativa (Teoria Objetiva Temperada) [63, 64].