Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
1 
 
TEORIA DO DIREITO 
Disciplina que fornece ao estudante as noções fundamentais para a 
compreensão do fenômeno jurídico. Estuda conceitos gerais úteis a todos os 
ramos do direito. 
O Mundo da Natureza e o Mundo da Cultura: 
Podemos considerar a realidade sob duas formas distintas, quais sejam: o 
Mundo da Natureza e o Mundo da Cultura. 
Mundo da Natureza - É tudo aquilo que nos foi dado. Existe independente da 
atividade humana. Trata-se de realidade natural. Aqui existem as leis físico-
matemáticas que são regidas pelo princípio da causalidade, ou seja, são leis 
cegas aos valores. São meramente indicativas. 
Ex: a Terra é um planeta. Princípio da causalidade: na natureza nada ocorre por 
acaso. Cada fenômeno tem sua explicação em uma causa determinante. Esse 
princípio corresponde ao nexo existente entre a causa e o efeito de um 
fenômeno. A gravidade nos explica que se a caneta cair da mesa será atraída 
para o chão 
Mundo da Cultura - É tudo aquilo que vem sendo construído pelo homem ao 
longo da história. Trata-se de realidade humano-cultural-histórica. É aqui que se 
situa o DIREITO. 
O homem produz as leis culturais, que são normas imperativas – “dever ser”. Ex: 
O homem deve ser honesto. O pai e a mãe devem alimentar seus filhos. O 
devedor deve pagar o credor. Não se deve matar ninguém. O homem planeja e 
constrói seu mundo de acordo com seus ideais. Tem liberdade criadora. 
Humaniza a natureza. 
 
O que é Direito: 
Conceito 01: “Conjunto de normas/leis estabelecidas por um poder soberano, 
que disciplinam a vida social de um povo” (Dicionário Aurélio) 
Kelsen – pensador brilhante - autor da Teoria Pura do Direito – considerava que 
direito seria um conjunto de normas – era chamado de positivista porque 
acreditava que direito era posto – positivado – transcrito em normas escritas. 
Conceito 02: “O Direito é processo de adaptação social, que consiste em se 
estabelecerem regras de conduta, cuja incidência é independente da adesão 
daqueles a que a incidência da regra jurídica possa interessar”. (Pontes de 
Miranda) 
O Direito está em função da vida social. 
“Onde há homem, há sociedade; onde há sociedade, há direito; Logo, onde há 
homem, há direito”. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
2 
 
Os cenários de lutas, as alegrias, os sofrimentos do homem ao longo da história 
nos mostram que o direito é necessário, pois onde há aglomeração de pessoas, 
há relacionamento humano, que automaticamente, gera amizade, amor, 
colaboração, mas, por outro lado, traz a discórdia, intolerância e inimizade, o 
natural aparecimento de conflitos sociais vão demandar soluções que o direito 
irá cuidar. 
Mútua Dependência entre o Direito e a Sociedade 
Fato Social e Direito - Direito e sociedade são entidades congênitas e que se 
pressupõem. O Direito não tem existência em si próprio. Ele existe na sociedade. 
Qual é a finalidade do Direito? 
“O Direito está em função da vida social. A sua finalidade é a de favorecer o 
amplo relacionamento entre as pessoas e os grupos sociais, que é uma das 
bases do progresso da sociedade” (Paulo Nader) “O Direito propõe-se a 
promover os alicerces da convivência pacífica e promissora. Essa é a finalidade 
do conjunto de normas jurídicas impostas pela sociedade a si mesma, através 
do Estado, para manter a ordem e coordenar os interesses individuais e 
coletivos” (João Batista Nunes Coelho) 
 
Finalidade básica – COEXISTÊNCIA PACÍFICA 
Enfim, o direito é um instrumento de pacificação social, que visa favorecer o 
amplo relacionamento entre as pessoas e os grupos sociais, a fim de manter a 
ordem e coordenar os interesses individuais e coletivos 
Acepções da palavra direito: 
Direito como justo: designa o que é certo e errado. 
Ciência do Direito: também chamada de dogmática jurídica estuda o Direito 
Positivo de determinado país. Interpreta e sistematiza as normas jurídicas. 
Direito positivo/natural: 
CONCEITOS: 
DIREITO NATURAL: ou jusnaturalismo é uma teoria que postula a existência de 
um direito cujo conteúdo é estabelecido pela natureza e, portanto, é válido em 
qualquer lugar. 
O Direito Natural não é escrito, não é criado pela sociedade e nem é formulado 
pelo Estado. É um Direito espontâneo que se origina da própria natureza social 
do homem, revelado pela conjugação da experiência e razão. Princípios de 
caráter universal e imutáveis. 
 Ex: direito à vida e à liberdade. 
São diversas as origens do direito natural: 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
3 
 
Para os helenistas, o direito natural corresponderia à natureza cósmica. 
Ex: perfeição, ordem e equilíbrio do universo; 
Para os Teólogos medievais, vinha de Deus; 
Para os racionalistas, o Direito Natural é produto da razão humana; 
Atualmente, a corrente majoritária afirma ser o direito natural baseado na 
natureza humana. Todo ser é dotado de uma natureza e um fim, ou seja, a 
natureza do ser (suas propriedades) define o fim a que este tende. Para se 
chagar a esse fim devemos respeitar algumas normas, que compõe o Direito 
Natural. 
Direito natural é aquele que se compõe de princípios inerentes à própria essência 
humanas, servem de fundamento ao Direito Positivo: "o bem deve ser feito", "não 
lesar a outrem", "dar a cada um o que é seu", "respeitar a personalidade do 
próximo", "as leis da natureza", etc. 
Portanto, revela ao legislador os princípios fundamentais de proteção ao homem. 
É constituído por um conjunto de princípios, com caráter universal, eterno e 
imutável e pertencem a todos os tempos, não são elaborados pelos homens e 
emanam de uma vontade superior porque pertencem à própria natureza 
humana: "o direito de reproduzir" "o direito de constituir família" "direito à vida e 
à liberdade"... Direito Natural é o direito legítimo, que tem raízes, que brota da 
própria vida, no seio do povo. 
O adjetivo natural, aplicado a um conjunto de normas, já evidencia o sentido da 
expressão, qual seja, o de preceitos de convivência criados pela própria 
Natureza e que, portanto, precederiam a lei escrita ou direito positivo, normas 
postas, impostas pelo Estado (jus positum). 
O direito natural é a ideia abstrata do Direito; o ordenamento ideal, 
correspondente a uma justiça superior e anterior – trata-se de um sistema de 
normas que independe do direito positivo, ou seja, independe das variações do 
ordenamento da vida social que se originam no Estado. O direito natural deriva 
da natureza de algo, de sua essência. Sua fonte pode ser a natureza, a vontade 
de Deus ou a racionalidade dos seres humanos. 
O direito natural é o pressuposto do que é correto, do que é justo, e parte do 
princípio de que existe um direito comum a todos os homens e que o mesmo é 
universal. Suas principais características, além da universalidade, são 
imutabilidade e o seu conhecimento através da própria razão do homem. 
Anteriormente, o direito natural tinha o papel de regular o convívio social dos 
homens, que não necessitavam de leis escritas. Era uma visão objetiva. 
Com o surgimento do direito positivo, através do Estado, sua função passa a ser 
uma espécie de contrapeso às atividades legitiferante do Estado, fornecendo 
subsídios para a reivindicação de direitos pelos cidadãos, passando a ter um 
caráter subjetivo. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
4 
 
 
DIREITO POSITIVO: conjunto de normas jurídicas escritas e não escritas, 
vigentes em um determinado território e, também internacionalmente, na relação 
entre os Estados. Não obstante tenha surgido nos primórdios da civilização 
ocidental, o direito positivo se consolida como esquema de segurança jurídica a 
partir do século XIX. 
O direito positivo é conjunto de princípios e regras que regem a vida social do 
povo. É institucionalizado pelo Estado, são normas jurídicas de determinado 
país. Ex: Código Penal, Códigoc) desuso 
 
 
 
IMPORTANTE: 
Revogação Total: Ab-rogação 
Revogação Parcial: Derrogação 
A revogação da lei pode ser expressa ou tácita. 
Revogação expressa: ocorre quando a lei nova determina especificamente a 
revogação da lei anterior. 
Já a revogação tácita se opera sob duas formas: 
Quando a lei nova dispõe de maneira diferente sobre assunto contido em lei 
anterior, estabelecendo-se assim um conflito entre as duas ordenações. Este 
critério de revogação decorre do axioma lex posterior derogat priorem (a lei 
posterior revoga a anterior); 
Quando a lei nova disciplina inteiramente os assuntos abordados em lei anterior. 
É princípio de hermenêutica, porém, que a lei geral não revoga a de caráter 
especial. Quando uma lei revogadora perde a sua vigência, a lei anterior, por ela 
revogada, não recupera a sua validade. Esse fenômeno de retorno à vigência, 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
31 
 
tecnicamente designado por repristinação, é condenado do ponto de vista teórico 
e por nosso sistema. 
 
IMPORTANTE: 
Repristinação: Restauração de uma norma revogada pela revogação da norma 
revogadora. Quando uma lei revogadora perde a sua vigência, a lei anterior, por 
ela revogada recupera a sua validade. 
A lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, salvo 
se a lei nova revogadora assim dispuser expressamente. 
§ 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare 
(Revogação expressa), quando seja com ela incompatível ou quando regule 
inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior (revogações tácitas – 
Incompatibilidade e nova lei que trata por completo do assunto da anterior). 
§ 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já 
existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. 
 
IMPORTANTE: 
Lei geral não revoga lei especial 
§ 3o Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei 
revogadora perdido a vigência. 
 
IMPORTANTE: 
Repristinação Só ocorre no Direito Brasileiro, se a lei revogadora expressamente 
assim dispuser. 
Portanto, em regra no Direito Brasileiro não há respristinação, salvo quando 
expresso em lei. 
Art. 3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. 
 
Princípio da Publicidade 
A vigência da norma surge com a sua publicação no Diário Oficial, em tese, todos 
tomariam conhecimento neste momento. 
O texto estabelece um princípio segundo o qual as pessoas têm a obrigação de 
conhecer as leis, pois ninguém poderá usar o desconhecimento da lei como 
desculpa. Por sinal, é um princípio geral do Direito, ou seja, seria aplicado 
mesmo que não fosse explícito. Para o art. 21 do Código Penal, o 
desconhecimento da lei é inescusável. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
32 
 
Esse princípio é necessário para proibir que uma pessoa apresente a própria 
ignorância como razão de não cumprir a norma jurídica, o que retiraria a força 
de eficácia da lei e comprometeria o ordenamento jurídico. 
Irretroatividade da Lei - No momento em que a lei penetra no mundo jurídico, 
para reger a vida social, deve atingir apenas os atos praticados na constância de 
sua vigência. O princípio da irretroatividade da lei consiste na impossibilidade de 
um novo Direito atuar sobre fatos passados e julgar velhos acontecimentos. 
Só há retroatividade benéfica em caso de lei penal. 
 
INTERPRETAÇÃO DAS LEIS: 
Interpretar é fixar o verdadeiro sentido e o alcance de uma norma jurídica. 
Interpretar a lei é atribuir-lhe um significado, determinar o seu sentido a fim de 
se entender a sua correta aplicação a um caso concreto. 
A interpretação jurídica, que ocorre sempre que a norma jurídica objeto do estudo 
não for suficientemente clara, deve buscar sempre o sentido pretendido pela 
própria lei (mens legis) e não o sentido pretendido pelo legislador (mens 
legislatoris). É que, após editada uma lei, a opinião do legislador já não tem 
importância, pois a norma ganha vida própria, submetendo o próprio legislador, 
que também estará obrigado a cumpri-la. 
 
Destarte, quando a norma jurídica é clara na sua essência, de fácil compreensão 
e entendimento, não há necessidade de interpretação: in claris cessat 
interpretatio. 
Temos três elementos que integram o conceito de interpretação: 
a) Revelar o seu sentido: isso não significa somente conhecer o significado das 
palavras, mas, sobretudo descobrir a finalidade da norma jurídica. 
Com outras palavras, interpretar é compreender. As normas jurídicas são parte 
do universo cultural e a cultura, como vimos, não se explica, se compreende em 
função do sentido que os objetos culturais encerram. E compreender é 
justamente conhecer o sentido, entender os fenômenos em razão dos fins para 
os quais foram produzidos. 
Por exemplo, a lei que concede férias anuais ao trabalhador tem o significado de 
proteger e de beneficiar sua saúde física e mental. 
b) Fixar o seu alcance: significa delimitar o seu campo de incidência, é conhecer 
sobre que fatos sociais e em que circunstâncias a norma jurídica tem aplicação. 
Por exemplo, as normas trabalhistas contidas na Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT) se aplicam apenas aos trabalhadores assalariados, isto é, que 
participam em uma relação de emprego; e as normas contidas no Estatuto dos 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
33 
 
Funcionários Públicos da União têm o seu campo de incidência limitado a estes 
funcionários. 
c) Norma jurídica: falamos em norma jurídica como gênero, uma vez que não 
são apenas as leis ou normas jurídicas legais que precisam ser interpretadas, 
embora sejam elas o objeto principal da interpretação. Assim, todas as normas 
jurídicas podem ser objeto de interpretação: as legais, as jurisdicionais 
(sentenças judiciais), as costumeiras e os negócios jurídicos. 
Por fim, para fixar o sentido e o alcance da norma, o intérprete deve observar 
algumas regras de interpretação, como observa Rizzatto Nunes, no seu Manual 
de introdução ao estudo do direito: 
Interpretação Gramatical:" É através das palavras da norma jurídica, nas suas 
funções sintática e semântica, que o intérprete mantém o primeiro contato com 
o texto posto "(p. 262). 
Interpretação Lógica:" A interpretação lógica leva em consideração os 
instrumentos fornecidos pela lógica para o ato de intelecção, que, naturalmente, 
estão presentes no trabalho interpretativo"(p. 265). 
Interpretação Sistemática:"cabe ao intérprete levar em conta a norma jurídica 
inserida no contexto maior de ordenamento jurídico. O intérprete, em função 
disso, deve dar atenção à estrutura do sistema, isto é, aos comandos 
hierárquicos, à coerência das combinações entre as normas e à unidade 
enquanto conjunto normativo global"."A interpretação sistemática leva em conta, 
também, a estrutura do sistema jurídico: a hierarquia, a coesão e a unidade"(p. 
269). 
Interpretação Teleológica: “ quando considera os fins aos quais a norma jurídica 
se dirige”. 
Interpretação Histórica:" é a que se preocupa em investigar os antecedentes da 
norma "(p. 272) 
 
Interpretação quanto a seus efeitos: 
Declarativa ou especificadora:"aquela em que o intérprete se limita a ‘declarar’ o 
sentido da norma jurídica interpretada, sem amplia-la nem restringi-la. (...). A 
declarativa, que pode ser chamada também de especificadora, seria o resultado 
normal e rotineiro do trabalho do intérprete na fixação do sentido e alcance da 
norma jurídica"(p. 273). 
Restritiva:"é a que restringe o sentido e alcance apresentado pela expressão 
literal da norma jurídica. (...). O resultado, ainda que conhecido como restritivo, 
de fato, fixa o sentido e o alcance da norma jurídica, nos limites exatos em que 
ela já deveria estar"(p. 274). 
Extensiva:" amplia o sentido e o alcance apresentado pelo que dispõe 
literalmente o texto da norma jurídica "(p. 274). 
UNIVERSIDADE Salgadode Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
34 
 
 
As regras de interpretação da lei são as seguintes: 
Quanto à origem ou fonte de que emana, a interpretação pode ser: 
Autêntica: quando emana do próprio poder que fez o ato cujo sentido e alcance 
ela declara. 
Assim, p. ex., o Regulamento pode esclarecer o sentido da lei e completá‑lo, mas 
não tem o valor de interpretação autêntica a oferecida por aquele, ou por 
qualquer outro ato ministerial como uma portaria, uma vez que não decorrem do 
mesmo poder. 
Judicial: é a resultante das decisões prolatadas pela Justiça. Aquela realizada 
pelos juízes ao sentenciar, encontrando‑se presente nas Sentenças, nos 
Acórdãos e nas Súmulas dos Tribunais. 
Administrativa: aquela cuja fonte elaboradora é a própria Administração Pública, 
através de seus órgãos e mediante pareceres, despachos, decisões, circulares, 
portarias etc. 
Doutrinária: aquela realizada cientificamente pelos doutrinadores e juristas em 
suas obras. 
 
Quanto à sua natureza, a interpretação pode ser: 
Interpretação literal ou gramatical: exame do significado e alcance de cada uma 
das palavras da norma jurídica; ela se baseia na análise das palavras da lei, para 
determinar o seu verdadeiro sentido; 
Interpretação lógica ou racional: serve-se da reconstrução da mens legislatoris 
(intenção do legislador) para saber a razão da lei (ratio legis); 
Interpretação sistemática ou orgânica: analisa as leis de acordo com o Direito na 
sua totalidade (sistema jurídico), confrontando-as com outras normas, com 
princípios e com valores prestigiados pelo Estado; 
Interpretação histórica: procura reconstruir e revelar o estado de espírito dos 
autores da lei, os motivos que os levaram a fazê-la, a análise cuidadosa do 
projeto, com a sua exposição de motivos, mensagens do órgão executivo, atas 
e informações, debates, etc. A interpretação histórica verifica a relação da lei com 
o momento da sua edição (occasio legis – ocasião da lei); 
Interpretação teleológica (ou finalidade): procura saber o fim social da lei, ou 
seja, a finalidade que o legislador teve em vista na elaboração da lei. É a mais 
incentivada no Direito Brasileiro, conforme o artigo 5º da Lei de Introdução 
LINDB:"na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e 
às exigências do bem comum"; 
 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
35 
 
Quanto a seus efeitos ou resultados, a interpretação pode ser: 
Interpretação restritiva: quando o intérprete restringe o sentido da norma ou limita 
sua incidência, concluindo que o legislador escreveu mais do que realmente 
pretendia dizer. 
Por exemplo, a lei diz “descendente”, quando na realidade queria dizer “filho”. 
O CC/02 ordena que os negócios jurídicos benéficos e maléficos sejam 
interpretados restritivamente. 
Interpretação extensiva: quando o intérprete conclui que o alcance da norma é 
mais amplo do que indicam os seus termos. Nesse caso, diz‑se que o legislador 
escreveu menos do que queria dizer, e o intérprete, alargando o campo de 
incidência da norma, aplicá-la-á a determinadas situações não previstas 
expressamente em sua letra, mas que nela se encontram, virtualmente, 
incluídas. É o resultado do trabalho criador do interprete. É a revelação de algo 
implícito. 
BOA-FÉ OBJETIVA: significa que todos devem agir com honestidade e 
probidade. 
 
 
MEIOS DE INTEGRAÇÃO DA NORMA JURÍDICA 
Integração é um processo de preenchimento de lacunas, existentes na lei. A 
lacuna se caracteriza não só quando a lei é completamente omissa em relação 
ao caso, mas igualmente quando o legislador deixa o assunto a critério do 
julgador. Normalmente essas lacunas surgem em razão do desencontro 
cronológico entre o avanço social e a correspondente criação de novas regras 
disciplinadoras. O intervalo de tempo que permanece entre os dois momentos 
gera espaços vazios na lei. Outras vezes, aparecem em virtude do excesso de 
abstratividade da norma jurídica. 
 
A analogia não pode ser aplicada no Direito Penal e fiscal 
Analogia pode ser: 
Analogia legal: a relação de semelhança toma por base uma lei 
Analogia iuris: a relação de semelhança toma por base um caso concreto julgado 
pelo Judiciário. 
Equidade: é a justiça do caso particular ou abrandamento dos rigores da lei. O 
juiz, utilizando-se do seu senso comum, fará análise do caso concreto e decidirá 
de acordo com o que ele acha justo, mas nunca contrário à lei. 
É forma de manifestação de justiça que tem o condão de atenuar, amenizar, 
dignificar a regra jurídica. Como lembram Stolze Gagliano e Pamplona Filho 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
36 
 
(2002:25), a equidade, na concepção aristotélica, é a " justiça do caso concreto 
". 
A regra jurídica é geral e, em determinadas situações, pode não atender aos 
ideais de justiça no caso concreto. O conceito de equidade interliga-se ao 
conceito do próprio Direito, uma vez que enquanto o Direito regula a sociedade 
com normas gerais do justo e do equitativo, a equidade procura adaptar essas 
normas a um caso concreto. 
O trabalho de aplicação do Direito por equidade é de precipuamente aparar as 
arestas na aplicação da lei dura e crua, para que uma injustiça não seja 
cometida. A equidade é um trabalho de abrandamento da norma jurídica no caso 
concreto. A equidade flexibiliza a aplicação da lei. 
Em síntese, a equidade se traduz na busca constante e permanente do julgador 
da melhor interpretação legal e da melhor decisão para o caso concreto. Trata-
se, como se vê, de um raciocínio que procura a adequação da norma ao caso 
concreto. 
 
 
 
DIREITO E JUSTIÇA 
A justiça é o polêmico tema do Direito e, ao mesmo tempo, permanente desafio 
aos filósofos do Direito, que pretendem conceituá-la, e ao próprio legislador que, 
movido por interesse de ordem prática, pretende consagrá-la nos textos 
legislativos. 
Com base nas concepções de Platão e de Aristóteles, uma definição formal de 
Justiça foi feita por Ulpiano: é a vontade constante e perpétua da dar a cada um 
o seu direito. 
A máxima é antiga, mas plenamente atual. O conteúdo que será atribuído a cada 
um é que varia de acordo com o tempo e o espaço. A ideia de justiça não é 
pertinente apenas ao Direito. A Moral, a Religião e algumas Regras de Trato 
Social preocupam-se também com as ações justas. 
 
A Importância da Justiça para o Direito 
A ideia de justiça faz parte da essência do Direito. Para que a ordem jurídica seja 
legítima, é indispensável que seja a expressão da justiça. A justiça se torna viva 
no Direito quando deixa de ser apenas ideia e se incorpora às leis. Ao 
estabelecer em leis os critérios da justiça, o legislador deverá basear-se em uma 
fonte irradiadora de princípios. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
37 
 
Daí poderia concluir que hoje, na chamada pós-modernidade, estamos na era 
de acreditar que o direito natural vem manifestado nos princípios que permeiam 
toda a Constituição Brasileira. 
 
CLASSIFICAÇÃO DA JUSTIÇA 
Justiça Distributiva: Estado - repartição dos bens e dos encargos aos membros 
da sociedade – critério igualdade proporcional ao grau de necessidade da 
pessoa. 
Justiça Comutativa: Particulares – critério da igualdade quantitativa – 
correspondência entre o quinhão de quem recebe com o de quem dá. 
Justiça Distributiva - Esta espécie apresenta o Estado como agente, a quem 
compete a repartição dos bens e dos encargos aos membros da sociedade. Ao 
ministrar ensino gratuito, prestar assistência médico-hospitalar, efetuar doação 
à entidade cultural ou beneficente, o Estado desenvolve a justiça distributiva. 
Orienta-se de acordo com a igualdade proporcional, aplicada aos diferentes 
graus de necessidade. 
 
A justiça penal inclui-se nesta espécie, pois o Estado participa da relação jurídica 
e impõe penalidades aos autores de delitos. 
Justiça Comutativa - a forma de justiça que presideàs relações de troca entre 
os particulares. O critério que adota é o da igualdade quantitativa, para que haja 
correspondência entre o quinhão que uma parte dá e o que recebe. 
Abrange as relações de coordenação e o seu âmbito é o do Direito Privado. 
Manifesta-se principalmente nos contratos de compra e venda, em que o 
comprador paga o preço equivalente ao objeto recebido. 
Justiça Geral – ou legal. Geralmente imposta por lei. Consiste na contribuição 
dos membros da comunidade para o bem comum. Os indivíduos colaboram na 
medida de suas possibilidades, pagando impostos, prestando o serviço militar 
etc. Ex: CPMF – imposto, a princípio criado para saúde. 
Justiça Social – binômio: capacidade/necessidade. A finalidade da justiça social 
consiste na proteção aos mais pobres e aos desamparados, mediante a adoção 
de critérios que favoreçam uma repartição mais equilibrada das riquezas. EX: 
IPTU diferenciado para determinados bairros; IPVA de carros. Em contrapartida: 
bolsa família, escola, gás, pré-natal. 
A justiça social observa os princípios da igualdade proporcional e considera a 
necessidade de uns e a capacidade de contribuição de outros. 
 
 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
38 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
BANDEIRA DE MELO, Celso Antônio Curso de Direito Administrativo, 18. ed. 
São Paulo. Malheiros, 2005, p. 530-902. 
DINIZ, Maria Helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. 15 ed. São 
Paulo: Saraiva, 2003. 
ESPÍNDOLA, Ruy Samuel. Conceito de Princípios Constitucionais. Revista dos 
Tribunais, São Paulo, 1999, p. 65 
FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio, Introdução ao estudo do direito, 4 ed., São 
Paulo: Atlas, 2003. 
NADER, Paulo, Introdução ao estudo do direito, 24 ed. atual. Rio de Janeiro: 
Forense, 2004.Civil etc. 
 
O Positivismo Jurídico: 
Na transição da idade média para a moderna, de meados do século XVIII ao 
início do século XIX, a sociedade reclamava limites ao poder concentrado e 
ilimitado do soberano. Buscavam-se barreiras aos arbítrios dos reis absolutistas. 
Em resposta, os movimentos constitucionalistas modernos, sobretudo, por meio 
da Constituição francesa de 1791 e da Constituição dos Estados Unidos de 1787, 
trouxeram consigo um mito no sistema jurídico: a lei. Esse instrumento 
conformador da liberdade dos cidadãos passa a ser considerado o único a 
legitimar a limitação dos seus direitos. Somente a lei válida poderia impor 
obrigações aos cidadãos. 
No positivismo, a lei tem destaque total. A sociedade necessitava afastar a 
abertura do sistema jurídico aos valores jusnaturais, vez que muitas atrocidades 
eram legitimadas em nome do Direito Natural. Buscava-se segurança jurídica e 
objetividade do sistema, e o Direito positivo cumpriu bem esse papel. 
Essa mudança, decorrente também da estruturação do Estado moderno, ocorreu 
sobre três pilares. O primeiro refere-se à posição da norma positiva no sistema. 
Como dito, a lei passa a ganhar mais relevância jurídica que os postulados 
principiológicos, a ponto de afastar os princípios não positivados do 
ordenamento, ou no mínimo retirar-lhes a força normativa. As normas de conduta 
passam a ser adstritas à lei e, com isso, os códigos são transportados para o 
centro do direito. 
O segundo pilar se relaciona com a abstratividade da norma, desconhecida em 
épocas pretéritas, que se baseavam nos casos concretos. 
O terceiro é quanto à forma de aplicação das leis, não se permitia soluções 
criadas a posteriori da conduta, ou seja, os efeitos decorrentes da aplicação da 
norma são conhecidos anteriormente a sua concreção, o que atendia a uma 
necessidade de proteção dos indivíduos em face dos desmandos dos soberanos 
absolutistas. 
 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
5 
 
É nesse contexto que surge o positivismo jurídico contrapondo-se ao 
jusnaturalismo, no final do século XIX. O Direito passa a ser produção da vontade 
humana a partir de sua criação pelo Estado através da lei. 
O direito pós-revolução Francesa é um direito criado por força de decisões 
estatais (a lei e a sentença de modo direto; o contrato de modo indireto). Ele 
torna-se positivo, portanto. 
A principal característica do direito positivado é que ele se liberta de parâmetros 
imutáveis ou Iongamente duradouros, de premissas materialmente invariáveis e, 
por assim dizer, institucionaliza a mudança e a adaptação mediante 
procedimentos complexos e altamente móveis. 
Hans Kelsen (1994) coroa o positivismo iniciado por Comte com sua Teoria 
Pura, estabelecendo o positivismo jurídico ou juspositivismo (LACERDA, 2009). 
Para ele, o direito deveria ser considerado como tal, independente de outras 
ciências ou da moral. As fontes do Direito “têm que ser buscadas apenas no 
próprio Direito, excluindo-se as fontes extrajurídicas”. O estudo do Direito deveria 
ser desprovido de valores, já que a moral seria extrínseca ao direito. 
Kelsen considerava que direito seria um conjunto de normas – acreditava que 
direito era posto – positivado – transcrito em normas escritas. 
Argumenta Kelsen que, se se está diante de um determinado Direito Positivo, 
sendo moral ou imoral deve ser cumprido. É certo que se prefere o Direito moral 
ao imoral, porém, há de se reconhecer que ambos são vinculativos da conduta. 
O fundamento de validade de todo o sistema se baseia na norma fundamental, 
que se mostra como o fato produtor de normas, não se confundindo com a 
Constituição, que é o conteúdo estático desta norma. Afere-se a validade apenas 
formal da norma. 
No positivismo, os princípios têm aspecto interpretativo supletivo, apresentando 
caráter integrador. 
Então, o direito positivo é o direito posto pelo Estado, dotado de validade, apenas 
por obedecer a condições formais de sua formação. Frise-se que este direito não 
necessita respeitar um mínimo moral para ser definido e aceito como tal, pois a 
natureza do direito, para ser garantida em sua construção, não requer nada além 
do valor jurídico. 
Para Kelsen, então, o direito e a moral se separam. Assim, é válida a ordem 
jurídica ainda que contrarie os alicerces morais. Validade e justiça de uma norma 
jurídica são juízos de valor diversos, portanto (uma norma pode ser válida e justa; 
válida e injusta; inválida e justa; inválida e injusta). 
Direito objetivo/subjetivo: 
Direito Objetivo: é o direito norma de organização social – conjunto de normas 
jurídicas de determinado país. A partir do conhecimento do direito objetivo que 
se deduz o direito subjetivo. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
6 
 
Direito Subjetivo: é aquele que a pessoa possui em razão do direito objetivo. É 
a possibilidade de agir e exigir algo, previsto no direito objetivo. 
Classificação de direitos subjetivos: 
1 – Espécies: 
Direito subjetivo propriamente dito: direito a uma prestação. 
Direito Potestativo: aquele exercido pelo titular per si, não depende da aceitação 
da outra parte. 
Na lição de Chiovenda, o direito potestativo é aquele ao qual não corresponde 
nenhuma obrigação, na medida em que os efeitos que produz não dependem de 
qualquer ato do seu destinatário, que fica apenas sujeito ao efeito jurídico 
produzido (estado de sujeição). 
O Dever Jurídico Subjetivo: dever e obrigação – corresponde ao sentido oposto 
de direito subjetivo. É a situação em que a pessoa é obrigada a dar fazer ou não 
fazer algo em benefício de outrem por determinação do direito objetivo. 
OBS: a partir do conhecimento do direito objetivo que se deduz o direito 
subjetivo. 
O direito objetivo garante o exercício do direito subjetivo, que gera o dever 
jurídico. 
ONDE HÁ DIREITO, FATALMENTE, HÁ DEVER. 
e) Instrumentos de controle social: buscam o bem comum e a paz social. 
A Moral, a Religião, as Regras de Etiqueta e o Direito são processos normativos 
que visam controlar a sociedade. Contudo, o último é o que melhor cumpre esse 
papel em razão de sua força coercitiva. 
Direito – normas jurídicas - tem sanção – coação – força – Ex: prisão 
Moral – normas morais – sugerem condutas. 
Religião – normas religiosas - preceitos religiosos– sugerem condutas. 
Regras de Etiqueta – normas de trato social - moda, convenções, etiqueta– 
sugerem condutas. 
f) Direito Comparado: consiste no estudo do Direito positivo de outros países 
para estudo de comparação. 
 
FONTES DO DIREITO 
A expressão “Fontes do Direito” possui sentido de: origem, nascente, motivação, 
causa das várias manifestações do Direito. 
Segundo Miguel Reale “por fonte do direito designamos os processos ou meios 
em virtude dos quais as regras jurídicas se positivam com legítima força 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
7 
 
obrigatória, isto é, com vigência e eficácia no contexto de uma estrutura 
normativa”. (p. 140) 
A doutrina jurídica não se apresenta uniforme quanto ao estudo das fontes do 
Direito. 
Fonte = origem Fontes do Direito = de onde provém o direito. 
Principais sistemas jurídicos vigentes no mundo: 
Pertencem à família romano-germânica os direitos de toda a América Latina, de 
toda a Europa continental, de quase toda a Ásia (exceto partes do Oriente Médio) 
e de cerca de metade da África. 
Civil Law é a estrutura jurídica oficialmente adotada no Brasil. O que 
basicamente significa que a principal fonte do Direito adotada aqui é a Lei. A lei 
seria a mais importante fonte formal. Em diversos países de tradição romano-
germânica, o direito é organizado em códigos, cujos exemplos principais são os 
códigos civis francês e alemão (Code Civil e Bürgerliches Gesetzbuch, 
respectivamente). É portanto típico deste sistema o caráter escrito do direito. 
Outra característica dos direitos de tradição romano-germânica éa generalidade 
das normas jurídicas, que são aplicadas pelos juízes aos casos concretos. 
Common Law - No sistema do Common Law, adotado pela Inglaterra e Estados 
Unidos, a forma mais comum de expressão do direito é a dos precedentes 
judiciais. Direito se baseia mais na Jurisprudência que no texto da lei. Infere-se 
normas gerais a partir de decisões judiciais proferidas a respeito de casos 
individuais 
Uma simples diferença é que lá o Direito se baseia mais na Jurisprudência que 
no texto da lei. Jurisprudência, caso esteja em dúvida, trata-se do conjunto de 
interpretações das normas do direito proferidas pelo Poder Judiciário. 
Exemplo: Se lá nos EUA dois homens desejam realizar uma adoção, eles 
procuram outros casos em que outros homossexuais tenham conseguido 
adoções e defendem suas ideias em cima disso. Mas a parte contrária pode 
alegar exatamente casos opostos, o que gera todo um trabalho de interpretação, 
argumentação e a palavra final fica com o Juiz. 
É bom lembrar que nos países de Common Law também existe a lei, mas o caso 
é analisado principalmente de acordo com outros semelhantes. 
1) FONTES MATERIAIS OU SUBSTANCIAIS: são constituídas pelos fatores 
determinantes do surgimento da norma jurídica, tais como: o clima, a religião, a 
economia, a política, os avanços tecnológicos e científicos, etc. 
É o estudo filosófico ou sociológico dos motivos éticos ou dos fatos econômicos 
que condicionam o aparecimento e as transformações das regras de direito. São 
dados, elementos, biológicos, psicológicos, racionais, ideais e históricos, que 
contribuem para a formação do direito. São FATOS SOCIAIS. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
8 
 
O direito provém de fatos sociais, de problemas que emergem na sociedade e 
que são condicionados pelos chamados fatores do Direito. Ex: o Estatuto do 
Idoso foi uma norma que teve como base a valorização do idoso, pois a 
população está cada vez mais idosa e necessita de cuidados especiais. 
 
2) FONTES FORMAIS: os meios de expressão do Direito, são as formas pelas 
quais as normas jurídicas se exteriorizam, tornam-se conhecidas. 
Criam o Direito, isto é, introduzem no ordenamento novas normas jurídicas. 
Dividem-se em: 
2.1) estatais: são produzidas pelo poder público e correspondem à lei e à 
jurisprudência. 
2.2) não estatais: decorrem diretamente da sociedade ou de seus grupos e 
segmentos, sendo representadas pelo costume, doutrina e os negócios jurídicos. 
Para que um processo jurídico constitua fonte formal é necessário que tenha o 
poder de criar o Direito. Esse poder de criar é chamado de competência. 
Em que consiste o ato de criação do Direito? Criar o Direito significa introduzir 
no ordenamento jurídico novas normas jurídicas. 
O elenco das fontes formais varia de acordo com os sistemas jurídicos e também 
em razão das diferentes fases históricas. 
 
2.1) FONTES FORMAIS ESTATAIS: 
a) Leis: normas jurídicas escritas provenientes do Estado. O Brasil faz parte dos 
sistemas romano-germânico, que adota a estrutura jurídica Civil Law. 
Lei – sistema Civil Law – fonte direta e mais importante – sistema romano-
germânico. 
Lei – sistema Common Law – fonte indireta – sistema anglo-saxão 
b) Tratados internacionais: são acordos resultantes da convergência das 
vontades de dois ou mais sujeitos de direito internacional, formalizada num texto 
escrito, com o objetivo de produzir efeitos jurídicos no plano internacional. 
Os tratados internacionais, em regra, têm status de lei ordinária, contudo, com o 
advento da EC 45/04, o tratado internacional que trata de direitos humanos, “que 
forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por 
três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas 
constitucionais” (Art. 5º CR/88 - 3º da CR/88). 
Em outras palavras, o tratado é um meio pelo qual sujeitos de direito 
internacional – principalmente os Estados nacionais e as organizações 
internacionais – estipulam direitos e obrigações entre si. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
9 
 
c) jurisprudência: é o conjunto de decisões proferidas pelo Poder Judiciário sobre 
determinada matéria jurídica. 
Obs: O substantivo jurisprudência é um coletivo. Desse modo, não há que se 
entender que um acórdão ou uma sentença seja jurisprudência; fazem parte da 
jurisprudência. 
Cuida-se do direito vivo; fenômeno absolutamente dinâmico, assim como a 
sociedade, em que os vários institutos jurídicos trazem respostas diversas nos 
vários períodos da história. Assim, por exemplo, a jurisprudência sobre matéria 
de posse ou propriedade do início do século XX é totalmente diversa dos 
julgados do início do século XX. 
No sistema do Common Law, os precedentes, o case study, têm função primária 
como fonte do Direito. Ali, portanto, os exemplos dos julgados exercem função 
muito mais relevante. 
Outro aspecto importante a ser considerado é o fato de a jurisprudência exercer 
enorme influência sobre o legislador. Sendo um retrato vivo das necessidades 
sociais, o legislador absorve as decisões para converter em lei a orientação 
jurisprudencial. Muito das inovações constantes do Código Civil de 2002 
representa consolidação legal daquilo que a jurisprudência decidira no século 
passado. "Em muitas matérias, portanto, a jurisprudência antecipa-se ao 
legislador, chegando mesmo a abalar conceitos tradicionais". 
A repetição contínua e constante de julgados em determinada direção é fonte 
importante do Direito. Ex: união e casamento homoafetivo 
 
A Jurisprudência Vincula os Tribunais? 
Nos Estados de Direito codificado, a jurisprudência apenas informa, possui 
autoridade científica. Os juízes de instância superior não têm o dever de 
acompanhar a orientação hermenêutica dos Tribunais superiores. A 
interpretação do Direito há de ser um procedimento intelectual do próprio 
julgador. Ao decidir, o juiz deve aplicar forma de acordo com a sua convicção. 
No Brasil, a jurisprudência se resume em fonte informativa e ilustrativa. A lei e as 
condições sociais de sua promulgação envelhecem, perdem a atualidade, 
distanciam-se dos fatos originários; cabe aos tribunais dar novos matizes, novos 
caminhos na aplicação da lei. 
 
É papel da jurisprudência atualizar o entendimento da lei, abrir horizontes, 
dando-lhe uma interpretação atual que atenda às necessidades do momento dos 
fatos. A feição da jurisprudência é dinâmica. 
Sendo assim, os julgados não exercem força vinculativa, exceto a situação das 
súmulas vinculantes. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
10 
 
Embora não caiba aos tribunais ditar normas, operou-se paulatinamente no país 
um deslocamento da visão judicial, com a expedição de súmulas de 
jurisprudência dos tribunais, em especial do precursor que foi o Supremo 
Tribunal Federal. 
SÚMULA: é um enunciado que resume uma tendência de julgamento sobre 
determinada matéria, decidida contínua e reiteradamente pelo tribunal. Essas 
súmulas, mormente as dos tribunais federais superiores, convertem-se em 
verdadeiras fontes formais de Direito. 
Contudo, não se trata de norma impositiva e não deve o operador do Direito 
curvar-se à súmula, se entender que é hora de mudar. Nem mesmo os membros 
do tribunal que expediu a súmula estão a ela vinculados, embora seja ampla a 
importância desse instituto. 
As súmulas vinculantes têm por principal escopo efetivamente diminuir os 
acúmulos de processos nos tribunais, permitindo que questões idênticas sigam 
a mesma orientação judicial, dada por referida vinculação, por todos os juízes e 
tribunais. 
Súmula Vinculante: é o enunciado da decisão reiterada do Supremo Tribunal 
Federal, que possui efeito de vincular todos os órgãos do Poder Judiciário e da 
Administração Pública direta e indireta federal, estadual e municipal. A súmula 
vinculante está prevista no artigo 103-A da Constituição Federal deve seraprovada por 2/3 dos membros do STF. 
Muito se critica a súmula vinculante, pois é entendida como um engessamento 
do Judiciário, além do que, nem sempre estarão no mesmo sentido todos os 
julgados que se entendem idênticos e repetitivos. 
Se, por um lado, a súmula vinculante permite o julgamento rápido e simultâneo 
de centenas de processos, por outro, corre-se o risco de se petrificar o poder 
interpretativo da jurisprudência, principalmente dos juízes de primeiro grau, 
primeiros receptores das modificações sociais. 
 
A função do juiz não é dar o Direito, não é criar o Direito, mas sim interpretá-lo. 
Essas interpretações podem trazer benefícios para a compreensão do 
ordenamento jurídico, sendo, portanto, fonte do Direito. 
Obs: Jurisprudência: sistema civil Law - Fonte indireta e intelectual – Brasil 
sistema common law - Fonte direta e principal. 
2.2) FONTES FORMAIS NÃO ESTATAIS: 
Costume jurídico: é a prática social reiterada e uniforme com a convicção de 
obrigatoriedade jurídica. 
Fonte subsidiária (secundária), pois visa suprir as lacunas da lei. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
11 
 
Para que o costume se converta em fonte do Direito, dois requisitos são 
enunciados como imprescindíveis: 
objetivo ou material: o corpus: prática constante e reiterada. 
subjetivo ou imaterial: o animus, a consciência coletiva de obrigatoriedade da 
prática. 
O costume obriga quando há um sentimento geral de obrigatoriedade. Uma das 
principais barreiras ao costume é justamente a dificuldade de se identificar a 
prática reiterada, dependendo do caso concreto, o que traria incerteza e 
insegurança. 
Em que pese a prevalência da lei no nosso sistema, o costume continua 
desempenhando papel importante, principalmente porque a lei não tem 
condições de predeterminar todas as condutas e todos os fenômenos. 
Não se pode negar que o costume possui a grande vantagem de assimilar 
perfeitamente as necessidades sociais, algo que nem sempre o legislador logra 
conseguir. O costume tem sua razão de ser justamente em sua espontaneidade 
brotada da sociedade, o que não ocorre comumente na lei. 
Para ser aceito exige-se que o costume tenha amplitude, isto é, que seja geral e 
largamente disseminado no meio social. Não é necessário, porém, que a 
sociedade como um todo tenha dele consciência. O costume pode ser 
setorizado. Seu maior campo de atuação é, sem dúvida, o direito comercial 
(empresarial), com suas práticas, quase todas elas de origem costumeira. 
Enfim, para ser considerado costume é fundamental que ocorra uma prática 
constante e repetitiva, durante prazo longo de tempo. O costume leva tempo e 
instala-se quase imperceptivelmente no seio da sociedade. 
 
ESPÉCIES DE COSTUMES: 
Os costumes podem ser: 
secundum legem: O costume segundo a lei, já foi transformado em lei e, 
portanto, deixou de ser costume propriamente dito. Para alguns, não existe essa 
categoria, pois se lei existe, costume não há. Segundo outros essa modalidade 
se caracterizaria pelo fato de a própria lei remeter sua interpretação ou 
compreensão aos costumes. Ex: art 13 do C/C – Salvo por exigência médica, é 
defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição 
permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes. 
praeter legem: além da lei. É exatamente aquele descrito no art. 4a da LINDB, 
que serve para preencher as lacunas da lei: "Quando a lei for omissa, o juiz 
decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de 
direito." Trata-se de um dos recursos de que se serve o juiz quando a lei for 
omissa. A maioria dos sistemas de direito escrito tem nos costumes sua principal 
fonte subsidiária. Ex: cachorro 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
12 
 
contra legem: contra a lei, se opõe à lei. Denomina-se costume ab-rogatório, pois 
coloca a lei à margem. Ex: a prática do adultério 
O art. 337 do Código de Processo Civil determina que a parte que alegar direito 
costumeiro deverá provar o teor e a vigência, se assim for determinado pelo juiz. 
Essa instabilidade é, de fato, como vimos, o maior obstáculo para o costume 
imperar em nosso sistema. 
Doutrina: é o estudo realizado pelos cientistas do direito. Chamada de fonte 
intelectual ou indireta, pois suas orientações hermenêuticas não são 
obrigatórias. 
DIVISÃO GERAL DO DIREITO POSITIVO 
Direito Positivo: é o conjunto de normas jurídicas vigentes em determinado lugar, 
em determinada época. 
Divisão do direito positivo: 
a) Direito Público e Direito Privado: é a divisão mais importante. Se a norma 
tutelar o interesse do Estado e de seu funcionamento, o Direito é público; 
Contudo, se a norma regular as relações jurídicas entre os particulares, o direito 
é privado. 
 
Ramos do Direito Público 
Constitucional; Administrativo; Tributário; Econômico Interno; Previdenciário; 
Processual; Penal; Eleitoral; Militar; Internacional Público Externo 
Ramos do Direito Privado 
Civil; Empresarial; Trabalhista; Internacional Privado. 
 
1) VERTENTES DO DIREITO PÚBLICO 
1.1) DIREITO PÚBLICO INTERNO 
1.1.1) Direito Constitucional 
Engloba as normas jurídicas pertinentes à organização política do Estado nos 
seus elementos fundamentais, definindo o regime político e a forma de Estado, 
colocando cada órgão substancial, para fazer o que lhe é devido em relação ao 
cidadão, mediante o reconhecimento e garantia de direitos fundamentais dos 
indivíduos. 
O conjunto dessas normas está presente na Carta Magna do Estado, a 
constituição. Nesta, apresentam-se dois tipos de normas: as que determinam 
como outras serão feitas, indicando os limites e os processos de sua elaboração, 
e as que repercutem imediatamente sobre o comportamento; estas últimas são 
constitucionais, não por sua matéria (que é dizer como devem ser feitas as 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
13 
 
normas gerais), mas pela sua forma, porque estão submetidas a certas 
formalidades de elaboração e de alteração. 
O direito constitucional é a esfera da ordenação estatal que está intimamente 
relacionada com todas as demais, por coordená-las, traçando-lhes o contorno 
periférico. 
 
1.1.2 - Direito Administrativo 
É o ramo do direito público interno que se concentra no estudo da Administração 
Pública e da atividade de seus integrantes. Sistematiza os interesses do Estado, 
ou seja, tudo o que se relaciona à Administração Púbica e à relação entre ela e 
os administrados e seus servidores é regrado e estudado pelo Direito 
Administrativo. 
 
1.1.3 - Direito tributário 
Disciplina a receita e a despesa pública. Para realizar os serviços públicos, o 
Estado necessita de recursos financeiros, que são obtidos mediante cobrança 
de impostos, contribuições, taxas, bem como por sua atividade empresarial. O 
movimento de arrecadação do dinheiro público e seu emprego em obras e 
despesas gerais constituem o objeto do Direito Tributário. 
 
1.1.4 - Direito Penal 
É o ramo do Direito que disciplina as condutas humanas que podem por em risco 
a coexistência dos indivíduos na sociedade. O Direito Penal vai regular essas 
condutas com base na proteção dos princípios relacionados à vida, intimidade, 
propriedade, liberdade, enfim, princípios que devem ser respeitados no convívio 
social. 
Dessa forma, o Direito Penal vai descrever as condutas consideradas crimes 
(condutas mais graves) e contravenções (condutas menos grave) e as 
respectivas penas cominadas. Vale dizer que o Estado é o responsável pelo 
direito de punir, e o faz mediante critérios pré-estabelecidos, com o intuito de 
desestimular os indivíduos a transgredirem as normas, e, também, de readaptar 
o indivíduo ao convívio social. 
 
1.1.5 Direito processual 
Para definir o objeto de estudo desse ramo do Direito, primeiramente, é 
importante dizer que é o Estado que detém o poder de aplicar o Direito, 
estabelecendo a ordem, aplicandoas penalidades, e solucionando os conflitos 
entre as partes, por meio de um processo judicial. Dessa forma, o ramo em 
questão visa disciplinar de que forma isso vai se dar, estabelecendo princípios e 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
14 
 
regras a serem previamente obedecidas, tanto pelo Estado, quanto pelas partes 
na disputa judicial. Assim a função do Direito processual é organizar a forma de 
como o Estado vai prestar esse poder/dever de julgar, e como as partes devem 
agir no enlace judicial. 
Há subdivisões de Direito Processual: Civil, Penal, Trabalho, Tributário, etc. 
 
1.1.6. Direito Eleitoral 
É o ramo autônomo do Direito Público encarregado de regulamentar os direitos 
políticos dos cidadãos e o processo eleitoral. Conjunto sistematizado de normas 
destina-se a assegurar a organização e o exercício de direitos políticos, 
principalmente os que envolvem votar e ser votado (Art. 1º do Código Eleitoral - 
Lei nº 4.737/65). Em outras palavras, o Direito Eleitoral dedica-se ao estudo das 
normas e procedimentos que organizam e disciplinam o funcionamento do poder 
de sufrágio popular, de modo a que se estabeleça a precisa equação entre a 
vontade do povo e a atividade governamental. 
 
1.1.7. Direito Militar 
É o conjunto de normas jurídicas destinadas a assegurar a realização dos fins 
das instituições militares, cujo principal é a defesa armada da Pátria. As penais 
surgem com o Direito Penal Militar. 
O direito militar, portanto, é bastante abrangente em suas ramificações, sendo 
possível distinguir o direito penal militar, o direito processual penal militar, o 
direito administrativo militar, o direito disciplinar militar, o direito previdenciário 
militar, além de outros que guardam pertinência com o emprego de Forças 
Armadas na solução de conflitos armados, destacando-se, nesse ponto, o direito 
internacional dos conflitos armados, também conhecido como direito 
internacional humanitário. 
 
 
 
 
1.2. DIREITO PÚBLICO EXTERNO 
1.2.1. Direito Internacional Público 
É o ramo do Direito voltado a disciplinar as relações entre os vários Estados, 
possuindo princípios e diretrizes, que visam uma interação pacífica entre os 
Estados, tanto na esfera política, econômica, social e cultural. Vale dizer que são 
criados organismos internacionais, tais como a ONU (Organização das Nações 
Unidas) e a OMC (Organização Mundial do Comércio), para auxiliar na 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
15 
 
descoberta de interesses comuns, e de que forma interação dos Estados vai se 
dar. Os instrumentos dos acordos entre os Estados são denominados tratados. 
 
2. RAMOS DO DIREITO PRIVADO: 
2.1. Direito civil 
Pertence ao Direito Privado por excelência, pois visa regular as relações dos 
indivíduos, estabelecendo direitos e impondo obrigações. O Direito Civil atua em 
toda a vida do indivíduo, pois disciplina todos os campos de interesses 
individuais. O Código Civil, ou seja, reunião de todas as leis de Direito Civil, é 
estruturado em duas grandes partes: geral, que contém normas de caráter 
abrangente, que servem a qualquer área do Direito Civil e parte especial, que 
trata dos assuntos específicos. Na parte Geral encontram-se os livros que 
contém os temas relativos às pessoas, aos bens e aos fatos jurídicos. Já a parte 
especial os livros são: obrigações, Direito de Empresa, Direito das Coisas, Direito 
de Família, Direito das Sucessões e um livro complementar das disposições 
finais e transitórias. Assim verifica-se que o Direito Civil abrange todas as área 
do relacionamento humano, que serão objeto de estudo durante todo o Curso de 
Direito. 
 
2.2. Direito do trabalho 
É um ramo que se destina a disciplinar as relações de trabalho, estabelecendo 
princípios e regras, de forma a evitar a exploração pelo do trabalho, e conceder 
direitos e obrigações recíprocos tanto aos que prestam os serviços, quanto para 
àqueles cujo serviço se destina. 
Há discussão entre os juristas se o Direito do Trabalho seria um ramo do Direito 
Público ou Privado. Por muito tempo, vários autores entenderam se tratar de um 
ramo do Direito Público, pois apesar de suas normas disciplinarem relações 
privadas, a vontade das partes ficaria limitada às regras pré- estabelecidas pelo 
Estado. Contudo com o passar do tempo entenderam se tratar de ramo do Direito 
Privado, pois predomina o interesse particular, em detrimento da natureza das 
regras públicas. Há autores que atentam, ainda, para uma classificação mista, 
pois o Direito do Trabalho teria uma esfera pública, e outra privada. 
 
2.3. Direito empresarial ou comercial 
O direito comercial origina-se de um direito estatutário particular e 
consuetudinário, visto que não veio de uma obra dos jurisconsultos nem dos 
legisladores, mas do trabalho dos comerciantes, que o criaram com seus usos, 
estabelecendo seus estatutos ou regulamentos, pelos quais disciplinavam a 
concorrência, asseguravam mercados aos comerciantes para as suas ofertas, 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
16 
 
evitavam fraudes e garantiam a boa qualidade das mercadorias. O direito 
comercial constitui-se de normas que gerem a atividade empresarial. 
 
2.4. Direito Internacional Privado 
Destina-se à regular a situação do estrangeiro no território nacional, pois como 
o estrangeiro está em local diferente do seu país de origem, haveria um conflito 
de leis a serem aplicadas no caso concreto: usa-se a lei estrangeira, ou do local 
onde o indivíduo se encontra? Assim, a base do Direito Internacional Privado 
seria regular essas relações e estabelecer diretrizes e normas, dirigidas às 
autoridades para a resolução inerente a esses conflitos. 
 
DIREITOS COLETIVOS 
Direitos coletivos “lato sensu” têm como espécies: 
Direitos difusos; 
Direitos coletivos “strictu sensu”; 
Direitos individuais homogêneos. 
 
CONCEITOS LEGAIS 
(Art. 81, parágrafo único da Lei nº. 8078/90): 
I - Direitos difusos são os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam 
titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato. 
II - Direitos coletivos são os transindividuais, de natureza indivisível, de que seja 
titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte 
contrária por uma relação jurídica base. 
III - Direitos individuais homogêneos são aqueles interesses ou direitos 
individuais que têm origem comum 
Os Direitos difusos são todos aqueles direitos que não podem ser atribuídos a 
um grupo específico de pessoas, pois dizem respeito a toda a sociedade. 
 
Traduzindo em miúdos, a transindividualidade significa se tratar de um direito 
que ultrapassa a individualidade, indo além de cada indivíduo singularmente 
considerado. A natureza indivisível significa que não pode ser dividido. Esse 
direito tem titulares, mas indeterminados, ou seja, não podem ser 
individualizados, no caso concreto. 
Por fim, essas pessoas devem estar ligadas por circunstâncias de fato (situação 
de fato); Ex: pessoas que residem numa área que será inundada por uma 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
17 
 
hidrelétrica; habitar nas margens de um rio onde são lançados produtos 
poluentes; os direitos ligados à área do meio ambiente têm reflexo sobre toda a 
população, pois se ocorrer qualquer dano ou mesmo um benefício ao meio 
ambiente, este afetará, direta ou indiretamente, a qualidade de vida de toda a 
população. 
Outro exemplo de direito difuso: veiculação, num canal de televisão de grande 
alcance, de uma publicidade enganosa. Todas aquelas pessoas indeterminadas 
que viram a publicidade foram atingidas por ela. É um interesse indivisível, cujos 
titulares são ligados por uma circunstância fática. 
São difusos os direitos à segurança, ao consumidor, direitos ligados à 
preservação do patrimônio sociocultural, artístico, estético, histórico, turístico, 
paisagístico, porinfração à ordem econômica etc. 
Sendo assim, pode-se afirmar que a titularidade dos direitos difusos é 
indeterminável. Não podem eles ser identificados, sequer, a um grupo, categoria 
ou classe de pessoas, pertencem a todos os indivíduos, indistintamente. 
Frise-se que a segurança é o direito fundamental, predominantemente difuso, 
que os cidadãos e a sociedade possuem de sentir-se aceitavelmente protegidos, 
em decorrência das políticas públicas de segurança pública operadas pelo 
Estado. Importante destacar que não se está a falar em segurança individual de 
cada cidadão (uti singuli), mas sim em segurança pública (uti universi). 
A teor do art. 144, I a V, da Constituição, a segurança pública é dever do Estado, 
e direito e responsabilidade de todos, sendo exercida para a preservação da 
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos 
órgãos nele referidos, cabendo destacar a polícia federal, estruturada pela 
União, e as polícias militares, estruturadas pelos Estados-membros (inclusive o 
Distrito Federal). A polícia federal destina-se, dentre outras atribuições, a 
prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando 
e o descaminho (art. 144, § 1º, inciso II) e exercer as funções de polícia marítima, 
aeroportuária e de fronteiras (art. 144, § 1º, inciso III), por onde passa igualmente 
o tráfico de drogas, e, junto com ele, a violência. Às polícias militares, cabe a 
polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. 
Como o direito difuso à segurança goza de proteção legal (arts. 129, III, CF e 81, 
I, CDC), é patente que podem ser objeto de ação civil pública, nos termos do art. 
1º, IV, da Lei 7.347/85. Esta rege as ações de responsabilidade por danos morais 
e patrimoniais causados "a qualquer outro interesse difuso ou coletivo". 
 
Desse modo, se o Estado não adotar medidas concretas para assegurar a 
inviolabilidade do direito à segurança da sociedade poderá ser demandado para 
esse fim, sendo "admissíveis todas as espécies de ações capazes de 
proporcionar sua adequada e efetiva tutela" (art. 83 CDC). 
Já os direitos coletivos também têm titularidade indeterminável, todavia, os 
titulares são identificáveis, pois tais direitos estão identificados a um grupo, 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
18 
 
categoria ou classe de pessoas. Só serão beneficiados os indivíduos 
pertencentes ao grupo, categoria ou classe, sendo que o resultado da demanda 
atinge a todos de modo uniforme. Eventual benefício ao patrimônio do indivíduo 
será reflexo. 
Ex: direito dos advogados de não recolher o COFINS; STJ decidiu pela proibição 
de cobrança unilateral do serviço de “proteção adicional” aos proprietários de 
cartão de crédito. Neste caso, os liames entre as pessoas são jurídicos. 
O direito individual homogêneo é individualizado na sua essência, porque será 
incorporado diretamente ao patrimônio do indivíduo, sendo coletivo apenas 
quanto à forma de tutela. Por economia processual é utilizada uma única 
demanda para beneficiar inúmeras pessoas. Cada indivíduo será beneficiado 
pela sentença de uma forma específica, incorporando ao seu patrimônio um 
determinado valor, pois é conveniente para sociedade que a defesa deles se 
processe nos moldes coletivos. 
Ex: São direitos individuais que, no caso do sindicato, são defendidos de forma 
coletiva, conforme autorizado pelo dispositivo constitucional (artigo 8, III, da 
CF/88). Admite-se, portanto, a substituição processual de forma ampla, limitada 
a direitos homogêneos. 
Outro exemplo é dos compradores de veículos produzidos com o mesmo defeito 
de série. Sem dúvida, há uma relação jurídica comum subjacente entre os 
consumidores, mas o que os liga no prejuízo sofrido não é a relação jurídica em 
si (como ocorre quando se trata de interesses coletivos), mas sim é antes o fato 
de que compraram carros do mesmo lote produzido com o defeito em série 
(interesses individuais homogêneos)". 
 
LEGITIMIDADE PARA A DEFESA DE DIREITOS E INTERESSES COLETIVOS 
Legitimados para propor Ação Civil Pública – é a principal ação coletiva 
Pelo art. 5 da Lei da Ação Civil Pública 7.347/85: 
MP; Defensoria PúblicaAdministração Pública direta e indireta – pessoas de 
direito público e privado; Associações, com pelo menos 01 ano de existência e 
possuem finalidade institucional para defender interesse coletivo “lato sensu”. O 
requisito da pré-constituição da associação de 01 ano poderá ser dispensado 
pelo juiz, quando houver interesse social relevante. (art. 5º, § 4º da Lei 7347/85) 
PRINCÍPIOS JURÍDICOS 
Atualmente, vive-se no chamado Estado Principiológico. Trata-se da efetividade 
de elementos chamados fundamentais, os princípios jurídicos. 
A pós-modernidade concretiza a era da normatização dos princípios, isto é, 
princípios e regras são normas jurídicas. De fato, os princípios são as fontes 
basilares para qualquer ramo do direito. Leciona o eminente Celso Antônio a 
definição de princípios: 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
19 
 
[...] mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição 
fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e 
servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente por 
definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a 
tônica e lhe dá sentido harmônico. (Bandeira de Melo, 2005, p.902) 
Os princípios e as regras são normas porque ambos dizem o que deve ser. 
Contudo, há alguns critérios utilizados pelos estudiosos, a fim de distingui-los. 
Um desses critérios é o da generalidade: os princípios são normas de um grau 
de generalidade alto e as regras, de nível relativamente baixo de generalidade. 
Canotilho sugere os seguintes critérios para diferenciar princípios e regras: 
a) O grau de abstração: os princípios são normas com um grau de abstração 
relativamente elevado; de modo diverso, as regras possuem uma abstração 
relativamente reduzida. 
b) Grau de determinabilidade na aplicação do caso concreto: os princípios, por 
serem vagos e indeterminados, carecem de mediações concretizadoras (do 
legislador? do juiz?), enquanto as regras são susceptíveis de aplicação direta. 
c) Caráter de fundamentalidade no sistema de fontes de direito: os princípios são 
normas de natureza ou com um papel fundamental no ordenamento jurídico 
devido à sua posição hierárquica no sistema das fontes (ex: princípios 
constitucionais) ou à sua importância estruturante dentro do sistema jurídico (ex: 
princípio do Estado de Direito). 
d) Proximidade da ideia de direito` : os princípios são ´Standards` juridicamente 
vinculantes radicados nas exigências de ´justiça` (DWORKIN) ou na ideia de 
direito` (LARENZ); as regras podem ser normas vinculantes com um conteúdo 
meramente formal. 
e) Natureza normogenética: os princípios são fundamento de regras, isto é, são 
normas que estão na base ou constituem a ratio de regras jurídicas, 
desempenhando, por isso, uma função normogenética fundamentante (Apud 
ESPÍNDOLA, 1999, p. 65). 
Como se observa, os princípios são normas que ordenam que algo seja realizado 
na maior medida possível, dentro das possibilidades jurídicas e reais existentes. 
Enquanto as regras jurídicas são normas jurídicas que só podem ser cumpridas 
ou não. São determinações. 
Pode-se afirmar que os princípios assumem o papel de condutor dos valores a 
serem concretizados e estes valores expressam conceitos abstratos, gerais, 
transsubjetivos e comuns a todos os homens. A transposição dos valores para o 
mundo do dever ser (direito) se dá por meio dos princípios, normas igualmente 
abstratas, que respeitam a dimensão axiológica do ordenamento jurídico, 
vinculada ao ideal de justiça aspirado por determinada sociedade. 
Os princípios são normas jurídicas tradutoras dos valores abstratos que 
qualificam juridicamente a própria realidade, indicandoqual o caminho os 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
20 
 
operadores do direito devem seguir em busca de otimização e concretização os 
valores de todo o ordenamento jurídico. 
Os princípios, em suma, assumem a roupagem de diretrizes gerais de um 
ordenamento jurídico (ou de parte dele). Seu espectro de incidência é muito mais 
amplo que o das regras. Entre eles pode haver colisão, não conflito. Quando 
colidem, não se excluem. Como mandados de otimização que são (Alexy), 
sempre podem ter incidência em casos concretos (às vezes, concomitantemente 
dois ou mais deles). 
De qualquer modo, parece certo que cada um deles possui sua força, seu peso 
e sua relevância. Há hierarquia axiológica entre eles, que deve ser apurada e 
valorada concretamente. Os princípios da privacidade e da intimidade, da 
preservação da integridade física etc. são relevantes, mas em algumas situações 
probatórias eles sucumbem diante do princípio da segurança ou da persecução 
penal (possibilitando ao juiz determinar a realização de uma prova, mesmo 
contra a vontade do réu. Por exemplo, quando o agente está portando droga no 
estômago). 
 
COLISÃO DE PRINCÍPIOS: as regras (normalmente) disciplinam uma situação 
determinada; quando ocorre essa situação, a norma tem incidência; quando não 
ocorre, não tem incidência. Para as regras vale a lógica do tudo ou nada 
(Dworkin). Quando duas regras colidem, fala-se em conflito; ao caso concreto 
uma só será aplicável (uma afasta a aplicação da outra). O conflito entre regras 
deve ser resolvido pelos meios clássicos de interpretação: a lei especial derroga 
a lei geral (princípio da especialidade), a lei posterior afasta a anterior (princípio 
da posterioridade), a norma superior prepondera sobre a norma inferior (princípio 
da hierarquia). 
Muitas vezes, é um princípio que entra em ação para resolver o conflito entre 
duas regras. Por exemplo: o art. 2º, 2º da Lei 9.613/1998 (lei de lavagem de 
capitais), que dispensa a aplicação do art. 366 do CPP (que manda suspender 
o processo quando o réu é citado por edital), conflita com o art. 4º, 3º, da mesma 
lei, que manda aplicar o referido art. 366. Esse conflito se resolve (em favor do 
art. 4º, 3º) pela aplicação do princípio da ampla defesa (aplica-se a norma mais 
favorável à defesa). 
 
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: 
A Constituição é a lei fundamental e suprema do Brasil. E os princípios 
constitucionais são o que protegem os atributos fundamentais da ordem jurídica. 
São estes os principais princípios constitucionais: 
a) Princípio da Supremacia da Constituição: por este princípio, nenhum ato 
jurídico pode permanecer valendo em ação contrária à Constituição Federal. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
21 
 
b) Princípio da legalidade: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer 
alguma coisa, senão em virtude de lei”. Diz respeito à obediência às leis. Divide-
se em duas vertentes: no âmbito público: seria fazer apenas aquilo que a lei 
permite. Já no âmbito privado, todo particular pode fazer tudo aquilo que não é 
proibido. 
c) Princípio da igualdade ou isonomia: Trata-se de um princípio jurídico disposto 
nas Constituições de vários países que afirma que "todos são iguais perante a 
lei", independentemente da riqueza ou prestígio destes. O princípio informa a 
todos os ramos do direito. Seria tratar desigualmente os desiguais, na medida 
da sua desigualdade. 
d) Princípio da ampla defesa: É o princípio que garante a defesa no âmbito mais 
abrangente possível. É a garantia de que a defesa é o mais legítimo dos direitos 
do homem. Contém duas regras básicas: a possibilidade de se defender e a de 
recorrer. A ampla defesa abrange a autodefesa ou a defesa técnica (o defensor 
deve estar devidamente habilitado); e a defesa efetiva (a garantia e a efetividade 
de participação da defesa em todos os momentos do processo). É princípio 
básico da ampla defesa que não pode haver cerceamento infundado, ou seja, se 
houver falta de defesa ou se a ação do defensor se mostrar ineficiente, o 
processo poderá ser anulado. Caso o juiz perceba que a defesa vem sendo 
deficiente, ele deve intimar o réu a constituir outro defensor ou nomear um, se o 
acusado não puder constituí-lo. 
e) Princípio do contraditório: O princípio do contraditório e ampla defesa esta 
expresso na Constituição Federal, no artigo 5º inciso LV. Vejamos: art. 5º, CR/88: 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em 
geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e 
recursos a ela inerentes. 
Esse é o princípio que garante a justiça o contraste entre as partes, a chance de 
provar a verdade e praticar o real exercício do direito. O juiz deve dispor esses 
meios às partes e participar da preparação do julgamento a ser feito, exercendo 
ele próprio o contraditório. 
Ex: o contraditório pode ser obstado quando o réu não é citado ou intimado de 
algum ato processual praticado pela outra parte. 
 
f) Princípio da Dignidade da Pessoa Humana: A dignidade da pessoa humana é 
um valor supremo que atrai o conteúdo de todos os direitos fundamentais do 
homem, desde o direito à vida. 
g) Princípio da Proporcionalidade: tem a ver com a adequação, exigibilidade e 
proporcionalidade. A proporcionalidade serve como parâmetro de controle da 
constitucionalidade das regras restritivas de direitos fundamentais. Também atua 
na solução dos conflitos entre os princípios da constituição. A adequação exige 
medidas interventivas. O meio escolhido se presta para alcançar o fim 
estabelecido, assim, mostrando-se adequado. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
22 
 
PRINCÍPIOS ÉTICOS E MORAIS: Os princípios morais como a honestidade, a 
bondade, o respeito, a virtude, fazer o bem, etc., determinam o sentido moral de 
cada indivíduo. São valores universais que regem a conduta humana e as 
relações saudáveis e harmoniosas. 
A moral orienta o comportamento do homem diante das normas instituídas pela 
sociedade ou por determinado grupo social. Diferencia-se da ética no sentido de 
que esta tende a julgar o comportamento moral de cada indivíduo no seu meio. 
No entanto, ambas buscam o bem-estar social. 
DEONTOLOGIA: é uma filosofia que faz parte da filosofia moral contemporânea 
e sua origem significa, em grego, ciência do dever e da obrigação. É uma teoria 
sobre as escolhas dos indivíduos, quais são moralmente necessárias e serve 
para nortear o que realmente deve ser feito. O termo foi criado pelo filósofo inglês 
Jeremy Bentham, no ano de 1834, para falar sobre o ramo da ética em que o 
objeto de estudo são os fundamentos do dever e das normas, deontologia é 
também conhecida como" Teoria do Dever ". 
Immanuel Kant também deu sua contribuição para a deontologia, uma vez que 
a dividiu em dois conceitos: razão prática e liberdade. Para Kant, agir por dever 
é a maneira de dar à ação o seu valor moral; e por sua vez, a perfeição moral só 
pode ser atingida por uma livre vontade. 
A deontologia também pode ser o conjunto de princípios e regras de conduta ou 
deveres de uma determinada profissão, ou seja, cada profissional deve ter a sua 
deontologia própria para regular o exercício da profissão, de acordo com o 
Código de Ética de sua categoria. Para os profissionais, são normas 
estabelecidas não pela moral e sim para a correção de suas intenções, ações, 
direitos, deveres e princípios. O primeiro Código de Deontologia foi feito na área 
da medicina, nos Estados Unidos. 
A deontologia da Policial Militar é constituída pelos valores e deveres éticos, 
traduzidos em normas de conduta, que se impõem para que o exercício da 
profissão policial-militar atinja plenamente os ideais de realização do bem 
comum, mediante a preservação da ordem pública. 
 
 
NORMA JURÍDICA: 
Conceito de Norma Jurídica: fórmulas de agir, determinações que fixam as 
pautas do comportamentoser analisados 
primeiramente pelo Presidente da República (juízo discricionário) e 
posteriormente pelo Congresso Nacional. Excepcionalmente, o Poder Judiciário 
poderá fazer um controle de constitucionalidade dos pressupostos, quando 
houver desvio de finalidade ou abuso do poder de legislar (violação do princípio 
da razoabilidade). 
3. Prazo de vigência: A MP vigorará por um prazo de 60 dias contados da 
publicação. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
27 
 
Prorrogação: Se a medida provisória não for apreciada em 60 dias, haverá uma 
prorrogação automática do prazo, totalizando prazo máximo de 120 dias. Se 
após esse prazo, não for convertida em lei, perderá a eficácia desde a sua edição 
(efeitos retroativos). 
Regime de urgência: Se a medida provisória não for apreciada em até 45 dias 
da sua publicação, entrará em regime de urgência, fazendo com que todas as 
demais deliberações da casa legislativa fiquem sobrestadas, até que seja 
concluída a votação da medida provisória. Ela bloqueia a pauta diária da casa 
em que esteja (art. 62, § 6º da CF). 
Edição de Medida Provisória pelos Estados e Municípios: 
Segundo o Supremo Tribunal Federal, pode ser editada medida provisória pelo 
Governador do Estado desde que exista previsão na Constituição Estadual. Os 
únicos Estados que colocaram essa previsão foram: Tocantins, Santa Catarina e 
Acre. 
Pelo princípio da simetria, é possível a edição de medida provisória municipal 
naqueles três Estados. Alguns autores sustentam que ainda só seria possível se 
a Lei orgânica dos Municipios daquele estado trouxesse a previsão. Outros 
dizem que não pode em nenhuma circunstância, pois os conceitos de relevância 
e urgência seriam incompatíveis com a limitação territorial de eficácia de uma lei 
municipal. 
 
DECRETO LEGISLATIVO 
1. Conceito: Espécie normativa utilizada nas hipóteses de competência exclusiva 
do Congresso Nacional (art. 49 da CF). 
As regras sobre seu procedimento não estão previstas na Constituição Federal, 
mas sim no regimento interno. 
RESOLUÇÃO 
1. Conceito: Espécie normativa utilizada nas hipóteses de competência privativa 
da Câmara, do Senado ou do Congresso Nacional. (art. 51 e 52 da CF). As 
regras sobre seu procedimento estão previstas no regimento interno. 
 
VALIDADE E VIGÊNCIA DAS NORMAS JURÍDICAS 
Formação da Lei: 
Regime bicameral: é indispensável a aprovação do projeto pelas duas Casas. 
Processo Legislativo: 
1. Conceito: 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
28 
 
Processo legislativo é o conjunto de disposições que disciplinam o procedimento 
a ser observado pelos órgãos competentes na elaboração das espécies 
normativas (art. 59 da CF). 
A não obediência às disposições sobre o processo legislativo 
constitucionalmente previsto acarretará inconstitucionalidade. 
O processo legislativo é estabelecido pela Constituição Federal e se desdobra 
nas seguintes etapas: apresentação de projeto, exame das comissões, 
discussão e aprovação, revisão, sanção, promulgação e publicação. 
- apresentação de projeto: o art. 61 da Constituição Federal de 1988; 
- exame das comissões discussão e aprovação; Plenário. 
- revisão: O projeto pode ser apresentado na Câmara ou no Senado Federal. 
Iniciado na Câmara, o Senado funcionará como Casa revisora e vice-versa, com 
a circunstância de que os projetos encaminhados pelo Presidente da República, 
Supremo Tribunal Federal e Tribunais Federais serão apreciados primeiramente 
pela Câmara dos Deputados. Se a Casa revisora aprová-lo, deverá ser 
encaminhado à Presidência da República para sanção, promulgação e 
publicação; se o rejeitar, será arquivado; se apresentar emenda devolverá à 
Casa de origem para novo estudo. Não admitida a emenda, o projeto será 
arquivado. 
- Sanção: aquiescência, ou concordância do Chefe do Executivo a um projeto de 
lei aprovado pelo Legislativo. É ato da alçada exclusiva do Poder Executivo: do 
Presidente da República, Governadores Estaduais e Prefeitos Municipais. 
Na esfera federal, dispõe o Presidente do prazo de quinze dias para sancionar 
ou vetar o projeto. 
A sanção pode ser tácita ou expressa. 
Sanção expressa: quando declara a concordância em tempo oportuno 
Sanção tácita: ocorre quando o Chefe do Poder Executivo (Presidente Rep., 
Governador e Prefeito) não se manifesta no prazo de 15 dias úteis. 
Veto: é a rejeição pelo Chefe do Poder Executivo a um projeto de lei. 
Veto jurídico: inconstitucionalidade 
Veto político: contrário ao interesse público 
Na hipótese de veto, o Congresso Nacional - as duas Casas reunidas - disporá 
de trinta dias para a sua apreciação. Para que o veto seja rejeitado é necessário 
o voto da maioria absoluta dos deputados e senadores, em escrutínio secreto. 
Maioria absoluta: é a metade seguida de + 1 dos membros de cada Casa do 
Poder Legislativo. 
Maioria simples ou relativa: é a metade seguida de + 1 dos membros dos 
parlamentares presentes na votação. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
29 
 
- Promulgação: declaração formal da existência da lei pelo Chefe do Executivo. 
Prazo: 48 horas – Caso o Presidente não promulgue o Presidente do Senado 
Federal o fará no mesmo prazo, depois o Vice-presidente do SF 
- Publicação: A publicação é indispensável para que a lei entre em vigor e deverá 
ser feita por órgão oficial. O início de vigência pode dar-se com a publicação ou 
decorrida a vacatio legis, que é o tempo que medeia entre a publicação e o 
início de vigência. 
- Vacatio legis: que é o tempo que medeia entre a publicação e o início de 
vigência. 
 
VIGÊNCIA DA NORMA 
Art. 1º da LINDB: Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o 
país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. 
IMPORTANTE: 
Vacatio legis: tempo (interstício temporal) que intermedeia a publicação e a 
vigência, ou seja, intervalo entre a publicação e a vigência de uma lei. 
Lei Brasileira: 45 dias 
Lei Estrangeira: 3 meses 
Para que a norma possa ter vigência de fato se faz necessário passar por seis 
etapas: iniciativa, discussão, deliberação, sanção, promulgação e publicação. 
 
A publicação é indispensável para que a lei entre em vigor e deverá ser feita por 
órgão oficial. O início de vigência pode dar-se com a publicação ou decorrida a 
vacatio legis, que é o tempo que medeia entre a publicação e o início de vigência. 
Portanto, com a promulgação (declaração de existência da Lei), a lei passa a 
existir, mas o início de sua vigência é condicionado pela chamada vacatio legis. 
Pelo sistema brasileiro, a lei entra em vigor em todo o País quarenta e cinco dias 
após a sua publicação. Esse prazo é apenas uma regra geral, aplicada quando 
a lei é silente. 
Contudo, conforme a natureza da lei, o legislador pode optar por um interregno 
diferente ou até suprimi-lo. Quando a aplicação da lei brasileira for admitida no 
estrangeiro, a vacatio legis será de três meses. 
 
IMPORTANTE: 
Vigência: a norma começa a existir com obrigatoriedade. A vigência é o tempo 
em que a lei existe, é válida e produz efeitos. O Código Civil de 1916 não é mais 
vigente, mas está em vigor. Trata-se do instituto da ultratividade normativa. 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
30 
 
Vigor: consiste na força vinculante da norma jurídica – a norma gera direitos e 
deveres. Vigor é a qualidade da lei em produzir efeitos jurídicos, ainda que a lei 
tenha sido revogada. 
Art. 2o DA LINDB: Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até 
que outra a modifique ou revogue. 
 
IMPORTANTE: As leis podem ser: 
Lei Temporária: existem por prazo pré-estabelecido 
Lei de vigência indeterminada: não possuem prazo pré-estabelecido de vigência. 
Vigerão até que outra lei a revogue 
 
TÉRMINO DA VIGÊNCIA DA NORMA JURIDICA: 
A perda de vigência pode ocorrer nas seguintes hipóteses: 
a) revogação por outra lei; 
b) decurso do tempo;às relações de troca entre 
os particulares. O critério que adota é o da igualdade quantitativa, para que haja 
correspondência entre o quinhão que uma parte dá e o que recebe. 
Abrange as relações de coordenação e o seu âmbito é o do Direito Privado. 
Manifesta-se principalmente nos contratos de compra e venda, em que o 
comprador paga o preço equivalente ao objeto recebido. 
Justiça Geral – ou legal. Geralmente imposta por lei. Consiste na contribuição 
dos membros da comunidade para o bem comum. Os indivíduos colaboram na 
medida de suas possibilidades, pagando impostos, prestando o serviço militar 
etc. Ex: CPMF – imposto, a princípio criado para saúde. 
Justiça Social – binômio: capacidade/necessidade. A finalidade da justiça social 
consiste na proteção aos mais pobres e aos desamparados, mediante a adoção 
de critérios que favoreçam uma repartição mais equilibrada das riquezas. EX: 
IPTU diferenciado para determinados bairros; IPVA de carros. Em contrapartida: 
bolsa família, escola, gás, pré-natal. 
A justiça social observa os princípios da igualdade proporcional e considera a 
necessidade de uns e a capacidade de contribuição de outros. 
 
 
UNIVERSIDADE Salgado de Oliveira 
TEORIA DO DIREITO 
 
38 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
BANDEIRA DE MELO, Celso Antônio Curso de Direito Administrativo, 18. ed. 
São Paulo. Malheiros, 2005, p. 530-902. 
DINIZ, Maria Helena. Compêndio de introdução à ciência do direito. 15 ed. São 
Paulo: Saraiva, 2003. 
ESPÍNDOLA, Ruy Samuel. Conceito de Princípios Constitucionais. Revista dos 
Tribunais, São Paulo, 1999, p. 65 
FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio, Introdução ao estudo do direito, 4 ed., São 
Paulo: Atlas, 2003. 
NADER, Paulo, Introdução ao estudo do direito, 24 ed. atual. Rio de Janeiro: 
Forense, 2004.

Mais conteúdos dessa disciplina