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TEORIAS DE ENFERMAGEM Profª Esp. Keylla Duarte O conhecimento não é estático, é uma construção evolutiva que abriga a identidade profissional; “A casa primeira que o ser humano fabrica para morar é a casa do conhecimento” – Albert Buzzi A enfermagem constrói seu “teto científico” através de teorias que definem conceitos para garantir aplicabilidade prática PRA QUE SERVEM? Relacionam fatos e estabelecem as bases de uma ciência de enfermagem Auxiliam na compreensão da realidade Favorecem a reflexão e o senso crítico Incluem elementos científicos no entendimento e na análise Visam a produção de mudanças, inovações e transformações, em nível pessoal, profissional e institucional CARACTERÍSTICAS As teorias são: Versões da realidade 4 metaparadigmas: pessoa, ambiente, saúde, enfermagem(cuidado) Expressam valores sobre seu objeto Ferramentas para intervenção na realidade Representam o estado da arte profissional Fornecem referência para o cuidado Geram conflitos Buscam soluções para problemas relacionados ao fazer profissional TEORIA AMBIENTALISTA Foca na manipulação do ambiente físico para favorecer a cura e a recuperação do paciente, ofertando melhor condição para a ação da natureza 7 elementos: ar puro (ventilação), água pura, drenagem eficiente, limpeza, iluminação (especialmente luz solar), calor/temperatura e controle de ruídos e odores; Atuação da enfermagem no controle desses elementos para conservar a energia vital do paciente Florence Nightingale (1820 – 1910) TEORIA DA DIVERSIDADE E UNIVERSALIDADE DO CUIDADO CULTURAL Desenvolvida na década de 50 O cuidado de enfermagem deve ser, culturalmente, congruente, baseando-se nas crenças, valores e práticas de saúde do paciente Diversidade e universalidade: reconhece que, embora existam diferenças culturais (diversidade), há aspectos comuns ao cuidado humano em todo o mundo Leininger foi pioneira ao unir a enfermagem à antropologia, focando no paciente de maneira holística e destacando o cuidado como a essência da enfermagem. Madeleine Leininger (1925 - 2012) TEORIA DA DIVERSIDADE E UNIVERSALIDADE DO CUIDADO CULTURAL Cuidado culturalmente congruente: principal utilidade é desenvolver um conhecimento científico e humanístico que proporcione cuidados específicos e universais, respeitando a cultura de cada indivíduo Aumento da adesão ao tratamento: ao respeitar as crenças e saberes ancestrais junto ao tratamento clínico, a adesão do paciente ao tratamento se torna maior Abordagem Holística: auxilia na compreensão do contexto social, cultural e ambiental do paciente, essencial na APS para atender populações diferentes Essencial para cuidar de grupos específicos, como indígenas, PCD, adaptando o ambiente e a abordagem assistencial Madeleine Leininger (1925 - 2012) TEORIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS Desenvolvida em 1952; Enfermagem como processo terapêutico interpessoal, com foco na relação enfermeiro- paciente para promover saúde e crescimento pessoal; Enfermeiro atua como educador, recurso, conselheiro, facilitador e líder; Foca em empatia, respeito e autonomia, através de 4 fases da relação Fundamental para a enfermagem moderna, especialmente na psiquiatria, ao destacar a comunicação e o cuidado centrado no paciente Hildegard Peplau (1909 - 1999) TEORIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS 4 fases da relação interpessoal: • Orientação: o paciente busca ajuda e junto com o enfermeiro definem o problema • Identificação: paciente reconhece quem pode ajuda-lo e estabelece uma relação terapêutica • Exploração: paciente usa serviços e orientações disponíveis para alcançar metas • Resolução: quando as necessidades são atendidas, o paciente torna-se independente e a relação é finalizada. Hildegard Peplau (1909 - 1999) TEORIA DAS NECESSIDADES BÁSICAS Desenvolvia em 1955 e consolidada em 1966 (The Nature of Nursing) Enfermagem assiste ao indivíduo (doente ou sadio) para realizar atividades que contribuam para a manutenção da saúde, recuperação e morte pacífica, através de 14 elementos, dos quais se dividem em psicológico, fisiológico, comunicação e aprendizagem, espiritual, ocupação e recreação Enfermeiro age como substituto do que falta ao paciente, auxiliando a recuperar a autonomia o mais rápido possível Virgínia Hendersen (1897-1996) TEORIA DAS NECESSIDADES BÁSICAS 14 COMPONENTES Respirar normalmente Comer e beber adequadamente Eliminar resíduos corporais Movimentação Dormir e descansar Vestir-se e despir-se Temperatura corporal Higiene Corporal Evitar perigos Comunicação Fé Trabalho Recreação Aprendizagem TEORIA DO AUTOCUIDADO Desenvolvida, inicialmente, em 1959 e consolidada na década de 70 Foco na capacidade do indivíduo manter sua própria vida, saúde e bem-estar (autocuidado); Déficit de autocuidado ocorre quando a demanda do autocuidado supera a capacidade do indivíduo de realiza-lo; A atuação da enfermagem é traduzida em métodos de ajuda com base na necessidade do paciente: • Totalmente compensatório: o enfermeiro realiza todo o cuidado • Parcialmente compensatório: enfermeiro e paciente dividem atividades de cuidado • Apoio Educativo: o paciente consegue realizar o autocuidado, mas precisa de orientação e ensino Dorothea Orem (1914 – 2007) TEORIA DO AUTOCUIDADO Amplamente aplicada na reabilitação e nos cuidados primários; Requisitos de autocuidado: • Universais: comuns a todos (ar, água, alimentação, eliminação, repouso) • De desenvolvimento: referentes a etapas da vida ou eventos (gestação, envelhecimento, criança) • De desvio de saúde: consequências de doenças, lesões ou tratamentos médicos Dorothea Orem (1914 – 2007) TEORIA DA ADAPTAÇÃO Iniciada em 1964 e desenvolvida ao longo da década de 70; O paciente é visto como um sistema adaptativo que busca responder a estímulos (focais, contextuais e residuais) através de modos 4 modos de adaptação, a saber: Fisiológico: resposta física aos estímulos ambientais, como oxigenação, nutrição, eliminação, atividade, repouso e proteção; Autoconceito: integridade psíquica, com foco no ser pessoa e ser físico, predominam aspectos psicológicos e espirituais Irmã Callista Roy (1939 – Atual) TEORIA DA ADAPTAÇÃO Função do papel: integridade social. Papel primário que determina os comportamentos e é definido pelo sexo, idade e estágio de desenvolvimento pessoal, determinando as realizações pelo papel secundário. O papel terciário é temporário, escolhido com liberdade, (exemplo hobbies); Interdependência: necessidades afetivas são preenchidas, incluindo valores humanos identificados, como afeição, amor e autoafirmação. É um excelente parâmetro para as ações do enfermeiro, quando estão presentes as investigações do comportamento, do estímulo, o diagnóstico de enfermagem, o estabelecimento de metas, a intervenção e a avaliação. Irmã Callista Roy (1939 – Atual) A CIÊNCIA DOS SERES HUMANOS UNITÁRIOS Apresentada em 1970 Ser humano como um todo unificado, em constante troca de energia e interação com o ambiente; Indivíduo como campo de energia inseparável, não fragmentado. Ser humano e ambiente como campos de energia abertos e contínuos; Enfermeiro atua como facilitador do processo, ajudando o paciente a organizar seu campo energético para atingir o máximo de bem-estar Muda o foco da doença para a promoção do bem- estar, considerando a interação constante do homem e o universo Martha Rogers (1914 – 1994) A CIÊNCIA DOS SERES HUMANOS UNITÁRIOS Princípios da homeodinâmica: Helicidade: mudança contínua, rítmica e imprevisível, como uma espiral; Ressonância: mudanças no padrão de energia de baixa para alta frequência Integralidade: processo mútuo e inseparável entre ser humano e ambiente Muito utilizada nas práticas holísticas, integrativas e de autocuidado Martha Rogers (1914 – 1994) TEORIA DO ALCANCE DE METAS Apresentada em 1981; Foca na interação dinâmicaentre paciente e enfermeiro, que juntos trocam informações, definem metas de saúde e buscam alcança-las, baseando-se em 3 sistemas interativos: Pessoal: foco no indivíduo (paciente/enfermeiro), abordando percepção, noção de individualidade, crescimento e desenvolvimento, imagem corporal, espaço e tempo Interpessoal: foca nas relações (enfermeiro-paciente), enfatizando interação, comunicação, transação (processo de enfermagem), papel e estresse Social: foco no ambiente, organização, autoridade, poder, status e tomada de decisão Imogene King (1923 – 2007) TEORIA DO ALCANCE DE METAS Atuação em um processo de ação, reação e interação para entender a percepção do paciente e promover o crescimento, com vista a melhorar o quadro de saúde Aplicação prática na APS, através do PSF, porque valoriza o vínculo terapêutico, comunicação, desenvolvimento de autonomia e negociação para atingir metas (adesão ao tratamento) Nos ambientes hospitalares utilizada para planejamento de cuidados individualizados com vista ao engajamento do paciente no próprio cuidado para obter melhores resultados Na urgência e emergência media cuidados para pacientes debilitado e na Educação em Saúde facilita interação e entendimento mútuo na partilha de conhecimento par alcançar metas Imogene King (1923 – 2007) TEORIA DO CUIDADO HUMANO OU DO CUIDADO TRANSPESSOAL Desenvolvida 1975-1979, consolidada em 1985 A enfermagem como ciência humana e fundamentada em valores amorosos, bondade e na conexão espiritual enfermeiro/paciente Prioriza cuidado holístico (corpo, mente e espírito) e relação interpessoal, utilizando 10 Processos Cáritas A teoria de Watson é amplamente utilizada em cuidados paliativos, oncologia e áreas de atenção primária, facilitando a humanização do atendimento. Ela incentiva o enfermeiro a se ver como um agente de cura, respeitando o paciente como um ser integral e não apenas como uma doença ou "um corpo". Jean Watson (1940 – atual) TEORIA DO CUIDADO HUMANO OU DO CUIDADO TRANSPESSOAL 10 Processos Cáritas: • Praticar a bondade amorosa e a equanimidade (equilíbrio). • Ser autêntico e inspirar fé e esperança. • Cultivar as próprias práticas espirituais e transpespessoais. • Desenvolver relacionamentos de ajuda e confiança. • Estar presente e aceitar a expressão de sentimentos positivos e negativos. • Uso criativo do "self" e de todas as formas de conhecimento no processo de cuidado. • Vincular-se genuinamente no processo de ensino- aprendizagem. • Criar um ambiente de cura (físico, espiritual, mental). • Ministrar às necessidades humanas básicas com consciência. • Abrir-se a dimensões espirituais e existenciais (milagres). Jean Watson (1940 – atual) TEORIA DAS NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS Apresentada em 1979; Introduz a ciência de enfermagem no Brasil; Inspirada na hierarquia de necessidades de Abraham Maslow Propõe que o cuidado de enfermagem deve ser centrado no atendimento das necessidades humanas, compreendendo 3 níveis: psicobiológico, psicossocial e psicoespiritual Paciente como ser integral, cujas as necessidades vão além do físico Educadora visionária: em 1966, assume o Departamento de Enfermagem Médico-cirúrgica da Escola de Enfermagem da USP, onde implementa o Processo de Enfermagem Reconhecimento internacional Wanda Aguiar Horta (1926 – 1981) TEORIA DAS NECESSIDADES HUMANAS BÁSICAS Aplicação teórica ampla: histórico, diagnóstico e plano assistencial Wanda Aguiar Horta (1926 – 1981) TEORIA PRINCÍPIOS ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO/ UTILIDADE Teoria Ambientalista Florence Nightingale Transformar o ambiente para favorecer a cura e a reabilitação do paciente Controlar os elementos do ambiente Utilizada na prática para reduzir infecções hospitalares, promover segurança do paciente e melhorar qualidade de vida Teoria Transcultural Madeleine Leininger Cuidado baseado nas crenças, valores e práticas do paciente, respeitando a diversidade e universalidade Desenvolver conhecimento que favoreça cuidados específicos e universais, respeitando a cultura de cada indivíduo. Usado para APS e grupos específicos Teoria das Relações Interpessoais Hildegard Peplau Processo terapêutico com foco nas relações enfermeiro-paciente, pautada em 4 fases Enfermeiro atua como educador, conselheiro, facilitador. Utilizada na prática de saúde mental, na APS, gestão de conflitos, educação Teoria das Necessidades Básicas Virgínia Hendersen A manutenção das necessidades básicas contribuem para promoção de saúde, recuperação e morte pacífica Enfermeiro auxilia ao paciente a recuperar sua autonomia, substituindo o que falta durante o processo. Utilizada na enfermagem moderna para organizar o cuidado Teoria do Autocuidado Dorothea Orem Autocuidado como a capacidade do indivíduo manter sua própria vida, saúde e bem-estar O enfermeiro atua por métodos de ajuda com base nas necessidades do paciente, identificando lacunas e trabalhando através da educação. Utilizada em vários contextos APS até alta complexidade TEORIA PRINCÍPIOS ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO/ UTILIDADE Teoria da Adaptação Callista Roy Paciente como sistema adaptativo, que responde a estímulos através de 4 modos de adaptação: fisiológico, autoconceito, função de papel e interdependência O enfermeiro atua na promoção de respostas positivas através da adaptação às mudanças. Utilizada na gestão de crises, SAE e organização da assistência Ciência dos Seres Humanos Unitários Martha Rogers Indivíduo como campo de energia inseparável do ambiente Enfermeiro facilita o processo auxiliando a organização do campo energético. Utilizado nas terapias holísticas, integrativas e de autocuidado Teoria do Alcance de Metas Imogene King Interação dinâmica entre enfermeiro e paciente que, juntos traçam metas de saúde e buscam alcança-las Atua no processo de ação, reação e interação para entender a percepção do paciente. Usada na APS e em todos os níveis de complexidade Teoria do Cuidado Transpessoal Jean Watson Enfermagem como ciência humana, fundamentada em valores amorosos, bondade, priorizando cuidando holístico (corpo, mente espírito) O enfermeiro se vê como agente de cura, respeitando o paciente como ser integral. Aplicada nos 10 processos de caritas. Utilizada nos cuidados oncológicos e APS Teoria das Necessidades Humanas Básicas Wanda Horta Cuidado de enfermagem centrado no atendimento das necessidades básicas divindades em 3 níveis: psicobiológico, psicossocial e psicoespiritual Estruturação do cuidado de forma holística, humanizada e científica. Orienta o Processo de Enfermagem e a SAE