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O que é o autismo? Saiba quais são os sinais do TEA na infância Em meio a debates envolvendo o Transtorno do Espectro Autista (TEA), é comum surgirem muitas dúvidas sobre o assunto. Afinal, o que é o autismo? Quais são seus sinais precoces? Como identificar o autismo em crianças? O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que influencia as experiências e interações no mundo. Essa forma diferente do cérebro processar informações constitui uma neurodivergência e persiste por toda a vida. Há grande diversidade entre as pessoas com autismo, mas para o diagnóstico é necessário que todas manifestem dificuldades em comunicação, interação social, comportamentos e interesses. Neste artigo, falamos mais sobre o tema. Confira! O que é o autismo? Desde que foi descrito pela primeira vez pelo psiquiatra Leo Kanner em 1943, o autismo passou por mudanças nas propostas de critérios diagnósticos, classificação e nomenclatura. Atualmente, os dois principais sistemas classificatórios utilizam diretrizes diagnósticas e terminologia compatíveis. A partir de 2013, com a publicação da 5a. edição do Diagnostic and Statistical Manual for Mental Disorders (DSM-5) pela Associação Americana de Psiquiatria, o termo Transtorno do Espectro Autista passou a ser utilizado, reunindo as diferentes formas de manifestação do autismo em uma única categoria diagnóstica. Em 2022, a Organização Mundial da Saúde, na 11a. edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), também incorporou a mesma terminologia e critérios para o diagnóstico de TEA. · Quais são esses critérios diagnósticos? De acordo com o DSM-5 e a CID-11, o TEA é diagnosticado quando a pessoa apresenta déficits na comunicação e interação social (ex.: dificuldades na comunicação verbal e não verbal, déficits de reciprocidade socioemocional). · Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, como movimentos estereotipados, interesses fixos, insistência em rotinas e hipo ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais. Outro critério diagnóstico importante é a manifestação das diferenças no início do desenvolvimento da criança. Embora o diagnóstico muitas vezes possa ser realizado mais tardiamente, é preciso que as características tenham sido percebidas ainda na infância, com impactos no funcionamento social. Apesar de o diagnóstico ser mais comum em crianças, o TEA é uma condição permanente que acompanha a pessoa ao longo de toda a vida. Algumas crianças somente são diagnosticadas na idade escolar, e outras pessoas podem ser identificadas somente na idade adulta. Isso acontece porque as características persistem e podem até se tornar mais evidentes conforme as demandas sociais se tornam mais complexas e exigem maior flexibilidade na interação, comunicação e aprendizagem. O mesmo diagnóstico de TEA pode se manifestar de formas diversas em cada indivíduo. Uma criança com autismo pode ser não verbal e precisar de recursos de comunicação alternativa, enquanto outra pode conseguir se comunicar falando frases completas, com bom vocabulário e produzindo os sons corretamente. Uma criança com TEA pode ter maior dificuldade para lidar com quebra de rotinas, enquanto outra consegue se adaptar melhor à imprevisibilidade. E essa variação pode ser observada também nos aspectos sensoriais, na alimentação, nos interesses e comportamentos. Muitas vezes, essa grande diversidade de manifestações no TEA, com diferentes combinações de habilidades e dificuldades, pode interferir no processo de identificação por parte da família, dos profissionais de saúde e de educação. Por isso é importante entender o autismo em todas as suas dimensões. Para lidar com a diversidade do espectro autista, o DSM-5 propôs a caracterização do TEA em níveis de suporte, para cada conjunto de sintomas: · Nível 1: requer suporte para lidar com desafios cotidianos, especialmente em situações sociais e de flexibilidade comportamental. · Nível 2: apresenta necessidade de auxílio frequente e substancial em funções rotineiras e interações nos diferentes contextos. · Nível 3: necessita de apoio contínuo e intenso para quase todas as atividades diárias, inclusive para manter-se seguro. É importante saber que o DSM-5 usa esses níveis como descrição clínica, não como classificação prognóstica nem fixa. Uma criança pode evoluir para um nível de menor suporte ou pode passar a apresentar mais necessidade de apoio em determinada fase ou demanda. Além disso, o grau de impacto pode variar de acordo com o contexto e também entre os grupos de sintomas.