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PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM 
PSICANÁLISE 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Gabriela Eyng Possolli 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O estudo de caso é essencial para a fundamentação e construção da 
Psicanálise como campo científico, do ponto de vista terapêutico e conceitual. A 
produção científica psicanalítica não possui rigidez para fornecer parâmetros 
para a construção ou redação de estudos de caso. Freud detalhou muitos 
estudos de caso para apresentar a teoria psicanalítica, porém nunca orientou ou 
trouxe normas para fazê-lo. 
O fato de não haver um método psicanalítico específico para o estudo de 
casos clínicos pode até produzir críticas, porém esse nunca foi o objetivo de 
Freud, nem mesmo de Lacan. Sendo o método de construção do conhecimento 
na Psicanálise extremamente prático, as obras por eles publicadas são o maior 
indicativo de como conduzir a análise de casos clínicos. Dessa forma, tendo 
como base as orientações sobre estudos de caso na área de metodologia da 
pesquisa e usando exemplos da Psicanálise, objetiva-se detalhar orientações e 
linhas de condução expostas na literatura científica sobre o estudo de caso, seja 
como método ou como objeto de estudo. 
Para iniciar, pontua-se a relevância dos estudos de caso para o avanço 
das pesquisas na Psicanálise, com base em Lustoza, Oliveira e Mello (2019), 
que analisaram a produção científica em Psicanálise no Brasil entre 2013 e 2018. 
Identificaram 229 artigos publicados em cinco revistas registradas na base de 
dados da plataforma Scielo. Conforme esse estudo de revisão, essas 229 
pesquisas são diversas, indo desde casos clínicos detalhados com articulações 
na teoria psicanalítica, até outros saberes que têm a Psicanálise como base e 
citam casos clínicos. São dados que demonstram a relevância crescente do 
estudo de casos na Psicanálise, um assunto emergente em pesquisa, que você 
irá aprender a partir de agora. 
TEMA 1 – O MÉTODO DE ESTUDO DE CASOS APLICADO À PSICANÁLISE 
O estudo de caso é um delineamento de pesquisa que estima o caráter 
único de um fenômeno ou conjunto de fenômenos, em articulação com um 
determinado contexto (na Psicanálise, com ligação com a clínica psicanalítica) e 
que se inscreve em um suporte conceitual (especificamente, a teoria 
psicanalítica). O método de estudo de caso possibilita obter informações com 
 
 
3 
maior profundidade, formular hipóteses e desenvolver teorias com suporte de 
dados empíricos. 
Estudos de caso são amplamente utilizados para pesquisa clínica na área 
da saúde, incluindo a saúde mental (psicologia e Psicanálise). Não existe 
consenso entre os especialistas em relação ao início de sua utilização como 
estratégia de pesquisa científica. Ventura (2007) realizou uma investigação e 
oferece três direções sobre a consolidação do uso dos estudos de caso: 
1. psicologia e medicina como precursoras na área de pesquisa; 
2. estudos antropológicos de Malinowski e da Escola de Chicago 
aprofundaram a utilização; 
3. área jurídica, especialmente com Langdell, aprofundou o uso dos casos. 
Independente do campo que originou as pesquisas com estudos de 
casos, certamente as áreas da saúde, antropologia e direito foram 
importantes para a validação científica do estudo de caso como 
metodologia de pesquisa científica. 
Como campo científico, Yin (2005, p. 32) pontua que o estudo de caso é 
uma metodologia de pesquisa que “vincula a exploração empírica e as teorias, 
investigando um fenômeno contemporâneo dentro do contexto de vida real, 
especialmente quando os limites entre o fenômeno e o cenário precisam de 
aprofundamento”. 
Yin (2005) classifica o estudo de caso de acordo com sua aplicação no 
que se refere ao tipo: descritivo, explanatório e exploratório; com relação à 
finalidade: especificidade, pluralidade, contemporaneidade e análise intensiva. 
Os tipos já foram vistos no capítulo 1, e com relação aos atributos, é importante 
esclarecer a definição de cada classificação: 
Quadro 1 – Classificação quanto à finalidade do estudo de caso 
Finalidade Definição Exemplo na Psicanálise 
Estudo de Caso 
por Especificidade 
Objetiva estudar um caso 
único em específico, a fim de 
compreender a interação 
particular do sujeito, uma 
história e entorno. 
Estudo de caso clínico focando em 
um indivíduo, na relação 
terapêutica e nos processos 
psicoterapêuticos particulares. 
Estudo de Caso 
por Pluralidade 
Foca no estudo de um 
conjunto de casos individuais 
dentro de um escopo temático 
para realizar comparações e 
conclusões a respeito de 
Vimos no capítulo 4 uma revisão 
narrativa sobre a prevalência de 
depressão infantil (Brandão; 
Oliveira; Silva, 2023). É um tema 
que pode ser abordado também 
 
 
4 
aspectos psicoterapêuticos 
delimitados. 
com o relato de casos clínicos 
para definir, por exemplo, a 
prevalência de sinais e sintomas 
em uma comunidade. 
Estudo de Caso por 
Contemporaneidade 
Estudo de caso que busca 
abordar problemáticas atuais 
relevantes para a 
compreensão da psique 
humana, buscando casos de 
especificidade e/ou 
pluralidade para condução da 
pesquisa. 
Um estudo de caso que se 
encaixa nessa categoria foi 
realizado por Gomez e Chatelard 
(2020), denominado “A prática 
psicanalítica frente ao sujeito 
contemporâneo”. O contexto de 
onde emergiram os casos foi a 
prática clínica com adultos em 
uma clínica-escola. 
Estudo de Caso por 
Análise Intensiva 
Pesquisa de estudo de caso 
que pode ser de 
especificidade e/ou 
pluralidade com o 
direcionamento de se 
aprofundar em detalhes o 
problema de pesquisa. 
A pesquisa de Herszkowicz e 
Albino (2021), intitulada “A clínica 
da psicose: um estudo de caso”, 
descreveu em detalhes a proposta 
de atendimento e o 
desenvolvimento clínico de um 
paciente psicótico em um período 
de oito anos. 
Fonte: Possolli, 2023. 
A delimitação e trajetória metodológica do estudo de caso devem ser bem 
definidas para que o pesquisador evite utilizar dados da própria instituição em 
que trabalha (risco ético) caso o quantitativo de pacientes seja pequeno. Além 
disso, deve-se ter cuidado para não extrair variáveis imprecisas durante a coleta 
de informações. A pesquisa de estudo de caso deve ser precedida por um 
planejamento rígido, apoiado em um referencial teórico coeso, respeitando as 
características do caso e as ações no processo da pesquisa. 
O pesquisador psicanalítico executará tarefas técnicas conforme a 
natureza do fenômeno e a amplitude do contexto envolvido no caso em estudo. 
Ao longo da pesquisa, podem aparecer variáveis de interesse não previstas. 
Dessa forma, o uso de referenciais variados e evidências científicas dentro da 
temática é uma solução importante para lidar com a análise dos dados coletados. 
No Brasil, o método de estudo de caso vem sendo adotado 
progressivamente nas duas últimas décadas, sobretudo pelas ciências sociais e 
da saúde, incluindo-se a Psicanálise nessa interseção. Roese (1999) aponta que 
a pesquisa de contextos microssociais e realidades individuais, usando métodos 
como história de vida, estudos biográficos, observação e estudo, tem dois fatores 
principais como motivo: 
1. Grupos de pesquisadores têm reagido contrariamente a estudos 
macrossociológicos, por reduzirem a percepção a respeito de 
 
 
5 
microrrealidades, provocando generalizações nocivas para a diversidade 
e a pluralidade. Nessa categoria, também se enquadram as restrições à 
sociologia quantitativista. 
2. Redução dos recursos humanos e orçamento das pesquisas a partir dos 
anos 1990, inviabilizando projetos grandes que têm alto custo e 
cronogramas extensos, muitas vezes não se encaixando nos ciclos letivos 
das instituições. 
TEMA 2 – CASOS CLÍNICOS NA PSICANÁLISE E O RELATO CLÍNICO 
Stake (1995) destaca que o estudo de caso clínico, como metodologia na 
pesquisa em Psicanálise, resulta do testemunho de uma vivência clínica. Para 
conduzir um estudo de caso, o pesquisadordeve considerar o tipo mais 
adequado para sua investigação. 
Sabe-se que uma das “exigências para o estabelecimento de qualquer 
ciência diz respeito à comunicabilidade, tanto dos meios de investigação quanto 
dos resultados alcançados” (Barone, 2006, p. 224). Nesse ponto, destaca-se o 
dever científico do psicanalista como pesquisador de relatar e analisar seus 
casos, contribuindo na construção da Psicanálise como ciência, método de 
pesquisa e terapia. Isso amplia o sentido ao se compreender o relato clínico 
como uma permanente edificação teórica em Psicanálise. 
O método psicanalítico de produção científica foi continuamente 
questionado porque não se adequa ao modelo tradicional de ciência, travando 
um debate especialmente com os defensores da Medicina Baseada em 
Evidências. Aprofundar o método clínico psicanalítico, que valoriza a 
transferência, o inconsciente e as singularidades do caso, se justifica pelos 
aportes, sobretudo para a condução de casos clínicos graves (Val; Lima, 2014). 
O uso de estudos de caso como ferramenta de pesquisa auxilia na 
transmissão da teoria psicanalítica. Nesse sentido, torna-se importante deixar 
clara a importância do conceito de transmissão para a Psicanálise nesse 
contexto. A transmissão se opõe ao simples saber, uma vez que foca na 
experiência clínica entre o psicanalista e o analisando, mediados pela 
linguagem. Por isso, considerar a teoria psicanalítica por meio de casos clínicos 
é um suporte para desenvolver a transmissão na Psicanálise de forma aplicada. 
Comunicar fatos clínicos em Psicanálise é oportuno para fazer com que a 
experiência do analista seja transparente para concretizar a vinculação 
 
 
6 
intersubjetiva no setting psicanalítico. A transmissão da experiência clínica por 
meio de estudos de caso faz com que as concepções básicas da Psicanálise 
estejam em evidência em cada fase da pesquisa. O estudo de casos 
psicanalíticos permite, mediante a análise discursiva, o registro escrito e a 
transmissão da experiência e perfil de pesquisador do psicanalista (Leitão, 
2018). 
Na clínica psicanalítica, a regra basal da associação livre resulta do 
palavrear, da linguagem e do discurso como ato de liberdade. O analisando 
verbaliza o que vem à mente, e é por meio desse discurso livre que acessa 
elementos inconscientes; assim, o caso clínico vai se construindo, a linguagem 
gestual vai se associando ao falado, e o analista consolida o caso. Expressar-se 
por meio de linguagem (verbal, gestual) diante do analista, que, devido à 
transferência, possui um fio condutor no processo psicoterapêutico, participa, 
nessa troca intersubjetiva, do próprio caso em construção por meio desse 
contexto discursivo (Lacan, 2008). 
Assim, importa destacar que, no caso clínico, para que ele se desenvolva 
como um método de estudo de caso, a fala é sempre endereçada ao Outro, por 
meio da transferência. Por isso, não pode ser considerada uma fala qualquer; 
trata-se de uma fala significante, articulada, cortada e elaborada na relação 
terapêutica. Do mesmo modo, a escrita ao relatar um caso psicanalítico. No 
estudo de caso, a escrita realizada pelo psicanalista-pesquisador passa por um 
processo significante que está em constante reconstrução, pois o caso clínico 
está sendo elaborado a cada sessão de maneira orgânica. Por isso, ao coletar 
os dados anotados nas sessões e elaborar em forma de texto, o analista escreve, 
corrige, relê, produzindo significações enquanto registra e organiza os casos. 
O analista pode ainda tomar como base casos registrados por seus pares 
ou bancos de dados, desde que esses casos estejam suficientemente 
detalhados para os propósitos da pesquisa. Sendo necessário em algumas 
situações a possibilidade de tirar dúvidas com o analista que registrou os casos, 
sempre seguindo os preceitos éticos para pesquisa com seres humanos 
(autorização de uso de dados, preservação do anonimato e minimização de 
riscos de vazamento de dados e viés de pesquisa). 
Cabe destacar que há uma aproximação, mas também uma diferenciação 
entre o relato clínico e o estudo de caso. Estamos tratando do estudo de caso 
como metodologia e especificaremos agora o relato clínico, que é entendido 
 
 
7 
como parte essencial do estudo de caso. O termo relato diz respeito a uma 
narrativa, ao testemunho de uma experiência clínica. A esse respeito, Figueiredo 
(2004, p. 79) afirma que o relato clínico precisa ter riqueza de detalhes, descrição 
de cenas e conteúdo discursivo, já que o caso é “produto do que se extrai das 
intervenções do analista na condução do tratamento e do que é decantado de 
seu relato. Atentando para o fato de que o caso será morto se for reduzido a uma 
fórmula”. 
No relato clínico residem os apontamentos que serão utilizados como 
dados de pesquisa no estudo de caso, examinados e articulados à teoria 
psicanalítica. Dessa forma, as informações serão sintetizadas ou refinadas 
conforme necessário para o que se deseja demonstrar nos objetivos e problema 
de pesquisa. É importante pontuar como princípio ético que o excesso de 
informações fragiliza o sigilo quanto às pessoas mencionadas no relato, mesmo 
com a supressão dos nomes. 
O psicanalista-pesquisador é o guardião do chamado espaço de 
intimidade no processo analítico, que exige confiança. “Um desafio constante 
para o psicanalista na construção de sua ciência, diz respeito à necessidade de 
comunicar suas descobertas, ao mesmo tempo que preserva o sigilo no espaço 
de intimidade que a clínica lhe exige” (Barone, 2006, p. 224). 
TEMA 3 – CONSTRUÇÃO DO CASO VERSUS ESTUDO DE CASO 
Apesar de ser possível escrever relatos clínicos após um considerável 
tempo de relação terapêutica, Freud (1985) pontua como recomendação que o 
psicanalista escreva apenas após o término do tratamento. Essa orientação é 
importante para o distanciamento do pesquisador, a fim de que o “interesse 
científico não atrapalhe a relação transferencial” (Leitão, 2018, p. 419). Outra 
consideração está em ter o cenário completo, pois a aproximação do analista do 
caso clínico se dá progressivamente, e durante o tratamento alguns elementos 
ainda estarão obscuros. 
As percepções de cunho científico quanto ao que ocorre com o analisando 
durante a psicoterapia são delicadas. Devido ao interesse em buscar dados no 
caso, isso pode invariavelmente atrapalhar a escuta do psicanalista, 
contaminando o processo terapêutico e também a própria pesquisa, já que o 
discurso científico precisa refletir sobre a verdade dos fatos. Ou seja, cuidado 
para que não haja manipulação de dados! Deve-se exaltar a postura de escuta 
 
 
8 
atenta do analisando, por meio da atenção flutuante, abrindo espaço para o 
significante. Lembre-se de que se denomina relato de caso, e o termo caso diz 
respeito a uma ação já ocorrida. Segundo o próprio Dicionário Michaelis, significa 
“manifestação individual de uma doença ou ocorrência clínica”, ou ainda “fato em 
torno de um acontecimento passado importante” (Michaelis, 2023). 
Considerando que as construções do estudo e do relato de caso devem 
ocorrer posteriormente, entende-se que são ferramentas de elaboração teórica 
e técnica sobre o setting analítico. Permitindo a escuta da escuta, ou seja, a 
percepção daquilo que o outro escutou com relação ao relato do caso clínico. 
Por isso, a pesquisa entre pares é tão importante. 
No processo terapêutico, o psicanalista compõe uma visão abrangente do 
tratamento, formulando hipóteses que conduzirão a intervenção clínica. Dessa 
forma, é fundamental distinguir a construção do caso do estudo de caso. A 
construção do caso se refere ao tratamento psicanalítico em si, que permite ao 
analista “localizar o seu lugar na transferência para lançar suas interpretações” 
(Val; Lima, 2014, p. 109). Já o estudo de caso aborda a condição de pesquisador 
em Psicanálise, em que o psicanalista constrói um caso retrospectivamente, de 
formaarticulada com o desenho da pesquisa, seguindo os preceitos científicos. 
A Psicanálise, no ambiente clínico ou investigativo, “não opera com a 
lógica causal, nem com a dedução ou com a indução” (Guerra, 2010, p. 141). 
Guerra explica que a Psicanálise se posiciona como uma ciência que busca 
compreender menos e escutar mais. Isso não significa que o pesquisador em 
Psicanálise se isentará de formular hipóteses, mas que terá uma direção, assim 
como toda a análise também tem. Não é possível conhecer de antemão os 
detalhes do caminho, dadas as particularidades de cada caso. Sendo que esse 
caminho é pavimentado pela associação livre e pela transferência, tanto na 
clínica quanto na construção dos casos. 
A prática de expor e discutir casos é um meio eficaz para avaliar a 
qualidade de uma comunidade de analistas e melhorar serviços de saúde 
mental. Analisando os fundamentos da Reforma Psiquiátrica Italiana, Viganò 
(2010) explica que a edificação de casos em instituições de saúde mental precisa 
ser democrática, uma vez que cada um dos atores do caso (familiares, 
instituições, analistas, pacientes, supervisores etc.) participa com sua 
contribuição, que na verdade trata-se de: 
 
 
9 
juntar as narrativas dos protagonistas dessa rede social e de encontrar 
o seu ponto cego, encontrar aquilo que eles não viram, cegos pelo seu 
saber e pelo medo da ignorância. Este ponto comum, a falta de saber, 
é o lugar do sujeito e da doença que o acometeu. (Viganò, 2010, p. 2) 
Sintetizando, a diferença fundamental entre a construção do caso e o 
estudo de caso está em que no primeiro não é feita interpretação, pois a 
finalidade é construção e esclarecimento de elementos em um esforço conjunto. 
Em contrapartida, o estudo de caso ocorre por meio de um aparato de 
interpretações. A interpretação, como dispositivo da prática clínica, é uma 
construção, que na clínica se mostra inacabada, já que seu objetivo é alçar novas 
associações, para que um significante remeta a outro, operando assim a rede 
entre consciente e inconsciente. Mesmo que o estudo de caso deseje produzir 
sentidos sobre a narrativa do setting analítico, da mesma forma que a construção 
do caso, não se concluem todas as questões, pois surgem novas. Porém, o mais 
importante para ambos é permitir a partilha da experiência, visto que essa é 
colocada à prova. 
Concluindo, o principal ponto que se estabelece na construção e no 
estudo de casos, uma vez compreendido que não há um saber que explique por 
completo o que está em causa no processo de adoecimento, tanto a construção 
como o estudo permitem chegar a um melhor entendimento sobre as questões 
que necessitam constantemente de investigação, apreensão e compreensão: o 
primeiro para guiar o trabalho clínico, e o outro para elaborar e produzir algum 
sentido sobre este trabalho. Deste modo, o material criado nos procedimentos 
do estudo do caso torna-se uma ferramenta de organização da experiência 
clínica. Um material muito valioso, que, conforme pontuam Conti e Sperb (2010, 
p. 307), servirá para que o psicanalista-pesquisador recorra a qualquer momento 
“para interrogar, avaliar e até mesmo ressignificar a sua ação, refletindo sobre a 
singularidade de cada caso”. 
TEMA 4 – ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS 
Uma dúvida frequente é sobre analisar mais de um caso em um mesmo 
trabalho de pesquisa. Como vimos na classificação de Yin (2005), existe um tipo 
de estudo de caso que se destina a trabalhar com múltiplos casos, o que deve 
estar fundamentado no método de investigação, nos instrumentos e na 
abordagem para análise de dados. Cabe pontuar que em um estudo de casos 
múltiplos não há um quantitativo fechado de casos que podem ser analisados. 
 
 
10 
Ao investigar múltiplos casos, ou um caso único, é necessária uma linha de 
análise e uma literatura para fundamentação. Os procedimentos metodológicos 
devem possibilitar comparar os casos em série, destacando as especificidades 
e as macroanálises. 
Uma das vantagens de realizar estudo de casos múltiplos é a 
possibilidade de demonstrar a prevalência de sinais e elementos relatados no 
arcabouço de pressupostos da Psicanálise. Para orientar o olhar do pesquisador 
na análise, deve-se acessar o que a literatura da área tem desenvolvido sobre o 
tema em pauta. Quanto mais sólida for a fundamentação teórica do estudo, maior 
será a qualidade da argumentação na análise dos casos, recuperando e 
validando os aspectos destacados na literatura à luz dos casos relatados na 
pesquisa. Convergências e divergências entre os resultados dos casos são bem-
vindas e podem ser aproximadas ou contrastadas na discussão da pesquisa. 
A seleção e análise de mais de um caso clínico não visa à replicação, mas 
possibilitar a comparação. Verztman (2013) destaca que analisar casos em um 
conjunto argumentativo para atingir um objetivo comum levanta grandes 
questões e controvérsias para a pesquisa psicanalítica. A singularidade dos 
sujeitos e as variações contextuais são cruciais, e em alguns casos podem 
apontar para o incomparável. “Comparar abstrações, modelos e práticas que 
servem para dar parâmetros à clínica não é o mesmo que comparar sujeitos” 
(Verztman, 2013, p. 75). 
Ao propor uma pesquisa com múltiplos casos, deve-se levar em 
consideração que os elementos discursivos da psicoterapia evocarão cenários 
variados de análise. 
Para tornar essas considerações mais claras, apresentemos um exemplo 
de estudo de casos sobre casos de depressão. Suponha que, como analista, 
você teve acesso ao histórico de cerca de dez ou doze casos de depressão que 
podem participar da pesquisa que irá conduzir, mediante autorização da clínica 
que compartilhará os dados. Esses pacientes foram atendidos por profissionais 
diferentes com perfis diversos, assim como os pacientes têm características e 
histórias de vida distintas. No entanto, também pode haver pacientes 
diagnosticados com depressão advindos de cenários com elementos 
semelhantes. Para testar suas hipóteses, deve-se apreciar os elementos 
individuais, intersubjetivos e as técnicas aplicadas à terapia. Alguns pacientes 
podem ser submetidos à terapia psicanalítica associada à medicamentosa, 
 
 
11 
enquanto outros podem iniciar com terapia cognitivo-comportamental e migrar 
para Psicanálise usando apenas fitoterápicos. Como formatos distintos estão em 
jogo, é possível interpretar as reações e resultados dos tratamentos em um 
estudo de múltiplos casos, com várias opções de tratamento para uma mesma 
condição clínica inicial: a depressão. 
TEMA 5 – ORGANIZAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS EM ESTUDO DE CASO 
Ao organizar uma pesquisa de estudo de caso, independentemente do 
tipo, existem procedimentos e momentos que devem ser respeitados para que a 
investigação e análise dos casos tenham o rigor científico adequado para a 
produção de conhecimento na Psicanálise. Registrar a clínica psicanalítica 
remete à escrita dos achados de casos concluídos, como vimos na orientação 
de Freud, com base em anotações e em um roteiro de coleta de informações. 
Para elaborar um roteiro, que será seu instrumento de pesquisa, tenha 
em mente que é necessário coletar dados de forma padronizada nos casos 
clínicos que se pretende analisar, registrando informações que não rompam o 
anonimato. Conforme os propósitos e problemas enunciados para a pesquisa, 
itens específicos farão parte desse roteiro. 
Para tornar mais claro o processo de composição do texto científico 
quando abordamos a metodologia de estudo de caso na Psicanálise, a seguir 
detalham-se os três momentos da escrita da clínica em Psicanálise, com base 
na publicação de Guimarães e Bento (2008). 
• Momento 1: escrita da história clínica e do processo analítico 
Moura e Nikos (2001) pontuam que a prática clínica analítica começa com 
o registro da anamnese, necessária para compor a história clínica ou da doença. 
A escrita do caso clínico terá correspondência coma trajetória do processo 
clínico, de modo que iniciará com o relato da história da doença/queixa, 
vinculando-a aos fatos da história de vida do paciente. É o que se verifica nos 
casos que Freud expôs. No relato das cinco Psicanálises clássicas, Freud (1992) 
demonstrou uma sequência para exposição, levantamento de dados e, ao final, 
a análise dos casos: 
1. No caso Dora, a doença da paciente é trazida com detalhes e abordagens 
em um item que ele denominou de O Quadro Clínico. 
 
 
12 
2. Já no caso do pequeno Hans, descreveu a doença do paciente e o 
processo analítico em um item denominado O Caso Clínico e Análise. 
3. No famoso caso do “homem dos ratos”, mais uma vez Freud valorizou a 
descrição da doença para depois detalhar o caso e a análise realizada, 
bem como os caminhos para o tratamento. 
4. Até mesmo na análise de Schreber, que não foi um caso clínico 
propriamente dito, mas uma autobiografia, depois da introdução, Freud 
intitulou o primeiro item da obra como História Clínica. 
5. No quinto e último caso, o homem dos lobos, Freud discorreu a respeito 
da doença do paciente em suas Observações introdutórias logo no 
primeiro item, para no segundo item descrever a “Avaliação Geral do 
Ambiente do Paciente e Histórico do Caso”. 
Em todos esses casos, é perceptível a preocupação de Freud em começar 
a exposição enfatizando a evolução da sintomatologia do paciente, desde seu 
aparecimento, situações anteriores desencadeantes, chegando às 
manifestações atuais, para só depois realizar uma análise do caso. 
Portanto, podemos dizer que nesse primeiro momento a escrita da clínica 
visa apresentar de forma clara a queixa do paciente, as manifestações psíquicas 
e de doença (conscientes ou não), buscando uma descrição neutra. Para 
embasar esse momento 1, a transcrição literal de falas do paciente é 
recomendável. É relevante ainda, não esquecer de delinear uma linha do tempo 
da evolução da doença do paciente, estabelecendo as relações com os 
principais fatos e sintomas manifestados. 
• Momento 2: descrição da transferência e dos detalhes do tratamento 
clínico 
Está em destaque nesse momento a transferência, como já vimos no 
capítulo 5, como um pressuposto imprescindível para a pesquisa em Psicanálise. 
A transferência do paciente para o analista é fundamental para que a cura pela 
palavra ocorra, correspondendo ao segundo momento da clínica analítica. 
Na clínica, o processo psicoterapêutico evolui de um primeiro período, em 
que o paciente relata sua queixa e faz um retrospecto de vida inicial, para um 
segundo período em que o objeto focal de sua queixa não será mais o sofrimento 
pela doença, e passará sua pulsão para a relação transferencial com o analista. 
Nesse sentido, pode-se dizer que “a transferência será herdeira da doença, 
 
 
13 
possuindo uma equivalência funcional com a doença, que Freud denomina como 
transferência como sintoma na obra Estudos sobre a histeria” (Guimarães; 
Bento, 2008, p. 96). 
É natural e desejável, na clínica analítica, uma passagem da queixa pelo 
sofrimento vivido pelo paciente, para o sofrimento provocado pela transferência 
entre analista e analisante. A escrita dos fatos e contexto clínico terá 
correspondência com a evolução do tratamento da clínica propriamente dita. 
Para isso, como já referido, deve-se estudar, como pesquisa científica, casos 
concluídos, seguindo a recomendação de Freud (1985), para que o processo 
analítico não se contamine com os interesses e hipóteses que se espera ver na 
pesquisa. 
Nesse segundo momento, objetiva-se compor a história do tratamento, 
ressaltando principalmente a descrição dos cenários transferenciais e 
contratransferenciais que aparecem na clínica analítica e também da supervisão 
do caso. A descrição dos afetos e das relações no contexto da relação analista-
analisando é fundamental. Portanto, também cabem aqui citações literais dos 
discursos, pontuando em seguida a intervenção ou entendimento do analista. 
• Momento 3: metapsicologia por meio da interpretação da história da 
doença e da transferência por meio da teorização psicanalítica 
A finalidade do terceiro momento é analisar a interpretação da história da 
doença e da evolução da clínica por meio da transferência, embasando em uma 
construção teórica em Psicanálise, a metapsicologia. Momento correspondente 
à discussão clínica dos momentos 1 e 2 por meio dos pressupostos 
psicanalíticos. Para atingir o objetivo dessa etapa, Moura e Nikos (2001) 
destacam que cabe ao terapeuta selecionar uma situação-problema do 
tratamento, que originará o problema de pesquisa. Partindo dessa questão 
central que emerge da clínica do caso, o analista-pesquisador delimitará o objeto 
da investigação, em que são escolhidos tópicos, fenômenos e abordagens para 
a pesquisa. 
O analista-pesquisador se embasa em teorias estabelecidas para 
confirmá-las ou refutá-las conforme os achados no campo da clínica. Podem ser 
refutadas por inadequação em dar conta daquela clínica específica que inspirou 
o estudo de caso, servindo assim para reformular a teoria e reconstruir bases de 
análise. É devido ao sujeito em análise que as teorias se constroem e são 
reformuladas. A clínica, embora singular, sempre desafiará a teoria já construída, 
 
 
14 
e se assim não for, os nós das resistências precisam ser identificados. Se é pela 
clínica que a teoria psicanalítica é concebida, também pode ser por ela 
reformulada, para que dê conta da fala única daquele sujeito em análise. 
Tendo a transferência como mecanismo fundamental para o método de 
pesquisa de Estudo de Caso na Psicanálise, opõe-se ao paradigma positivista 
de ciência, que valoriza o distanciamento entre sujeito e objeto, o que não é 
possível ou desejável na relação analisante-analista. A presença de um 
supervisor contribui para a construção objetiva de um caso. Safra destaca que é 
cada vez mais frequente que pesquisadores em Psicanálise recorram ao 
acompanhamento do trabalho de pesquisa por um supervisor com experiência 
no método para assim “garantir maior objetividade e auxiliar na descrição de 
suas reações contratransferenciais, submetê-las à análise, complementando a 
função analítica do pesquisador, trazendo confiabilidade ao processo de 
pesquisa” (Safra, 1993, p. 131). 
NA PRÁTICA 
A partir das leituras e análises dos temas apresentados sobre estudo de 
caso em Psicanálise, estabeleceram-se alguns pontos centrais que guiam a 
prática de construção e escrita de um estudo de caso psicanalítico, que servem 
de síntese e fundamento para colocar esse tipo de pesquisa em prática: 
1. Situar a função do caso clínico apresentado é algo pertinente logo no 
início do estudo, podendo ser: sustentação da discussão; comprovação 
da possibilidade de articulação teoria-prática; esclarecer ao leitor, 
didaticamente, o desenvolvimento de conceitos no bojo da teoria 
psicanalítica. 
2. O relato clínico e o caso em si precisam ser claros, fornecendo dados 
sobre a queixa, a doença, as falas do analisando, sua história de vida e o 
processo de transferência. 
3. Ter cautela ao descrever antecedentes clínicos do paciente, evitando 
afirmações tendenciosas, julgadoras ou que possam romper o anonimato. 
4. Apontar limitações ou variáveis relevantes para o entendimento da 
evolução clínica, como o tempo do tratamento, intercorrências, conflitos, 
equipe multiprofissional de saúde etc. 
 
 
15 
5. O campo psicanalítico possui linhas que defendem posições divergentes, 
portanto é preciso cautela no uso de autores variados, sobretudo os 
clássicos. Não é possível sustentar uma análise de casos tendo como 
base Lacan, seguido de Winnicott, e depois Melanie Klein, por exemplo. 
6. Especificamente sobre o sigilo de dados, mesmo utilizando-se nomes 
fictícios, publicar casos clínicos é delicado, como advertiu Freud no caso 
Dora. É importante seguir as recomendações da Resolução n. 510/2016 
do ConselhoNacional de Saúde. 
7. Nem todos os estudos de casos resultarão em uma pesquisa científica. 
Relatar práticas clínicas só faz sentido ao estabelecer questões com 
potencial científico, definindo as contribuições dos estudos de caso no 
campo epistemológico, teórico e prático para a Psicanálise e para outros 
campos. 
A seguir, uma síntese conceitual em forma de esquema para reformular 
os principais elementos que contribuem para a compreensão do método de 
estudo de caso aplicado à Psicanálise: 
Figura 1 – Esquema síntese sobre estudo de caso em Psicanálise 
 
Fonte: Possolli, 2023. 
 
 
 
16 
FINALIZANDO 
Conclui-se que o estudo de caso em Psicanálise, como metodologia de 
pesquisa científica, é a escrita da clínica analítica, incluindo a descrição da 
história do paciente, de seus dados clínicos, da doença, da transferência na 
relação clínica e da teorização que interpreta as fases do tratamento. O objeto 
da teorização psicanalítica que analisa o caso está na memória inconsciente. 
Para estudar um caso em Psicanálise, são realizados três momentos como 
procedimentos metodológicos: 
1. escrita da história clínica e do processo analítico; 
2. descrição da transferência e dos detalhes do tratamento clínico; 
3. metapsicologia por meio da interpretação da história da doença e da 
transferência por meio da teorização psicanalítica. 
Para empreender esse tipo de produção científica, o analista-pesquisador 
recorrerá às teorias construídas na área, visando confirmá-las ou refutá-las, de 
acordo com os achados no campo da clínica (estudos de caso selecionados). A 
clínica, sendo única em seus casos, desafia constantemente a teoria 
estabelecida, e a Psicanálise, mesmo com seus fundamentos conceituais, é uma 
ciência aberta. E é pela clínica que a Psicanálise se constrói e se reconstrói, 
como fizeram Freud, Lacan e tantos outros em suas obras com vastos relatos 
clínicos. Dessa forma, estudos de caso não podem ser vinhetas clínicas, como 
meras ilustrações clínicas de uma teoria pronta e acabada, mas sim uma 
possibilidade de acessar a clínica do caso como fonte para construção teórica, 
por meio da sua aceitação ou refutação. 
A participação do analista em uma pesquisa de estudo de caso torna-se 
importante ao entendermos que o psiquismo do pesquisador precisa ser 
considerado como elemento de análise na construção do caso. Quando o objeto 
de investigação faz parte da vida do pesquisador, isso contribui para elucidar 
algum ocultamento. Quando o psicanalista se depara com algo, reage a isso, 
acessa concepções pré-concebidas, uma contratransferência. Se a 
contratransferência ficar oculta, o analista falhará na análise de dados 
inconscientes do analisando, por isso a supervisão é fundamental para que o 
processo psicanalítico flua adequadamente. 
 
 
 
17 
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	CONVERSA INICIAL
	TEMA 1 – O MÉTODO DE ESTUDO DE CASOS APLICADO À PSICANÁLISE
	TEMA 2 – CASOS CLÍNICOS NA PSICANÁLISE E O RELATO CLÍNICO
	TEMA 3 – CONSTRUÇÃO DO CASO VERSUS ESTUDO DE CASO
	TEMA 4 – ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS
	TEMA 5 – ORGANIZAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS EM ESTUDO DE CASO
	NA PRÁTICA
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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