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PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM 
PSICANÁLISE 
 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Gabriela Eyng Possolli 
 
 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Na pesquisa clínica, o sujeito em análise está tão envolvido quanto o próprio 
pesquisador, porém pode ser surpreendente notar que o mesmo acontece com a 
pesquisa teórica, quando se considera a implicação do pesquisador diante do objeto 
de estudo. Iribarry (2012) pontua que, ao se estudar e comparar as aplicações da 
pesquisa clínica e teórica em psicanálise, observa-se que a transferência está 
presente em ambos os contextos. Reconhecemos o mecanismo da transferência na 
prática clínica, mas em uma pesquisa teórica como isso ocorre? Em um método de 
pesquisa com objeto abstrato como uma revisão, que tipo de transferência pode haver 
com base no vínculo do pesquisador com seu campo de estudo? 
Mesmo em uma pesquisa teórica há transferência, pois ao debruçar-se sobre 
um contexto teórico-explicativo sobre o qual se quer avançar, o pesquisador assume 
uma relação transferencial com o conteúdo em investigação conforme essas leituras 
e aprofundamentos levam para além da racionalidade e se estabelece uma relação 
intersubjetiva entre o sujeito e o objetivo em construção. Ao ler, estudar e esforçar-se 
para compreender a articulação teórica, não é apenas a nossa cognição que entra em 
ação, mas justamente com a razão, os processos inconscientes são disparados pela 
aproximação com o objeto e campo em investigação que é a própria teoria (Iribarry, 
2012). 
O estranhamento experimentado pelo pesquisador psicanalítico para além de 
um não-senso compreensivo implica um provável remanejamento de sua posição 
como sujeito sob o olhar de sua vivência clínica (da perspectiva de analista e de 
paciente). Isso distingue decididamente uma pesquisa teórica sobre psicanálise e uma 
pesquisa em psicanálise como referimos em etapa anterior. Por meio dessa 
articulação marca-se a posição de que a pesquisa teórica sobre psicanálise pode ser 
realizada por um pesquisador que não seja analista. Porém, uma pesquisa em 
psicanálise implica um desenvolvimento teórico que é impregnado pelas vivências do 
pesquisador como analista ou paciente no processo psicanalítico. 
A instrumentalização na pesquisa teórica em psicanálise se refere a uma 
sistematização sobre o que o pesquisador transfere inconscientemente a respeito de 
teorias que estuda, que o deslocam de contexto e que, ao interpretá-las, deixa algo 
de si e mobiliza intuitivamente seu aparelho psíquico. 
 
 
O processo de produção científica teórica em psicanálise não se dá apenas 
por meio de leituras com rigor e aprofundamento para preencher lacunas de 
entendimento sobre o pensamento freudiano. Ele mobiliza no pesquisador a 
intuição e dispositivos cognitivo-afetivos ao se contatar com o caráter peculiar da 
própria psicanálise, que versa sobre o próprio sujeito, sua constituição e processos 
intersubjetivos, que se transferem aos temas em estudo. Ao acessar e refletir a 
respeito da obra psicanalítica, e ao agir e argumentar sobre ela como investigador 
do arcabouço teórico, o pesquisador implica sua psiquê no processo, à medida que 
os assuntos em estudo dizem respeito ao funcionamento humano e a ele mesmo 
como sujeito. 
Com base nesse entendimento sobre a relevância e a possibilidade de 
pesquisa em psicanálise com bases teóricas, abordaremos aqui a revisão sistemática 
de literatura. Trata-se do tipo mais rigoroso metodologicamente e que entrega 
resultados relevantes para o avanço da ciência psicanalítica. 
Saiba mais 
Revisões sistemáticas são estudos observacionais retrospectivos ou pesquisas 
experimentais de registro e análise crítica da literatura. Elas testam hipóteses, 
objetivando identificar, organizar e apreciar criticamente a metodologia da pesquisa e 
sistematizar resultados de uma coletânea de estudos primários. 
Assim como na revisão integrativa, a sistemática procura responder a uma 
questão de pesquisa que esteja claramente estabelecida. Aplica métodos sistemáticos 
e explícitos para buscar e tornar explícitos os resultados de estudos proeminentes em 
psicanálise por meio da reunião e argumentação a respeito de dados de estudos 
primários. A revisão sistemática é aceita pela comunidade científica como evidência 
de maior grandeza em um campo científico, que apoia não apenas pesquisas práticas, 
mas também a tomada de decisão clínica, de gestão e de projetos posteriores. 
TEMA 1 – BASES CONCEITUAIS DA REVISÃO SISTEMÁTICA 
A revisão sistemática da literatura tem por finalidade agrupar estudos 
convergentes, avaliando-os criticamente em sua estrutura, metodologia e 
resultados, realizando análise estatística (metanálise). Ao sintetizar pesquisas 
primárias de boa qualidade, a revisão sistemática é reconhecida como o melhor nível 
de evidência para guiar a tomada de decisão no contexto terapêutico. A fim de 
 
 
impedir viés de análise na revisão sistemática, os procedimentos de seleção e 
apreciação das informações são definidos antes de a construção da revisão ser 
iniciada, por meio de um processo bem estruturado. 
Quanto à origem das revisões sistemáticas, a primeira publicada foi elaborada 
em 1955 sobre um cenário clínico no Journal of American Medical Association 
(Beecher, 1955). Existem registros anteriores de publicações a respeito de métodos 
estatísticos (embrião da metanálise) para compilar resultados de estudos 
independentes e sintetizar conjuntos de pesquisas em temas próximos. O termo 
metanálise foi cunhado pela primeira vez em meados da década de 1970, em um 
artigo na revista Educational Research (Glass, 1976). 
A era das revisões sistemáticas junto com os recursos da metanálises, na 
área da Saúde, consolidou-se com a publicação do livro Effective care during 
pregnancy and childbirth (Chalmers; Enkin; Keirse, 1989). Na década de 1990 foi 
criada a fundação da Cochrane Collaboration, uma instituição internacional com a 
finalidade de capacitar, registrar e disseminar revisões sistemáticas na área da 
Saúde (incluindo a área de Psicologia). Na Europa, existem sete centros Cochrane 
(Alemanha, Itália, França, Espanha, Inglaterra, Holanda e Dinamarca), e outros seis 
centros em outros lugares do mundo: China, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, 
Canadá e Brasil (Cochrane, S.d.). A Cochrane registra os protocolos das pesquisas 
de revisão sistemática que são acessíveis para que os pesquisadores cadastrados 
possam verificar se existe alguma revisão na área que pretendem investigar. Além 
disso, divulgam-se relatórios e resultados de revisões para propagar as evidências 
científicas na área da saúde. 
Um grupo de cientistas em um congresso na Alemanha em 1995 conceituou 
revisão sistemática como “aplicação de estratégias científicas de forma a limitar o 
viés e avaliar com espírito científico as pesquisas, sintetizando os estudos relevantes 
em tópicos específicos seguindo metodologia adequada” (Cochrane, S.d.). 
Saiba mais 
O acesso à Biblioteca Cochrane é feita pela BVS (Biblioteca Virtual da Saúde) 
que é mantida pela OPAS (Organização Pan-americana da Saúde), acessível pelo link 
a seguir, disponível para profissionais de saúde, resultado de acordo cooperativo entre 
a BIREME/OPAS e o Centro Cochrane do Brasil: 
PORTAL REGIONAL DA BVS. Disponível em: . Acesso em: 
24 jun. 2023. 
 
 
TEMA 2 – PRODUÇÃO DE REVISÃO SISTEMÁTICA E PASSOS PARA ELABORAÇÃO 
As revisões sistemáticas são classificadas como investigações científicas, 
qualificadas como pesquisas observacionais retrospectivas. Outros autores as 
colocam entre os estudos experimentais e observacionais (Dixon-Woods, 2005). 
Para termos uma visão geral desde o princípio, cabe ressaltar que a revisão 
sistemática começa com a elaboração da questão norteadora, ou seja, o objetivo de 
estudo dentro de uma proposta de revisão. Após isso, é realizadoum amplo 
levantamento de literatura para se identificar a maior quantidade de estudos possível 
dentro do escopo da revisão. Uma vez selecionados os estudos a serem incluídos, 
são aplicados critérios de avaliação dos objetivos de pesquisa, qualidade 
metodológica e detalhes de organização. Quando as convergências entre os estudos 
estiverem sistematizadas, os resultados podem ser evidenciados em uma metanálise 
(Mulrow, 1994). 
Uma revisão sistemática bem elaborada baseia-se na formulação adequada da 
questão norteadora. Uma pergunta bem elaborada é o primeiro passo para uma boa 
revisão, já que pontua as estratégias que serão utilizadas para selecionar os estudos 
a serem incluídos e quais dados serão coletados para os estudos. Para descobrir a 
questão norteadora da revisão, é preciso identificar cinco elementos: o problema (P), 
a intervenção (I), o escopo a ser comparado (C), o desfecho (D) e, quando se aplicar, 
o tempo (T) transcorrido para aferição do desfecho. 
Nas revisões sistemáticas os participantes da pesquisa são os estudos 
primários (chamadas unidades de análise) por meio de método sistemático e 
preconcebido. Tradicionalmente, a revisão sistemática é um estudo retrospectivo, 
debruçando-se sobre pesquisas já publicadas com base no delineamento inicial do 
problema que dá causa à revisão. 
A revisão sistemática como um tipo de estratégia de pesquisa com método de 
síntese de evidências é útil em variados campos científicos, trazendo resultados para 
a evolução do conhecimento. Dentre os aspectos mais relevantes de uma revisão 
sistemática, é possível elencar os seguintes: 
1. A pesquisa desenvolve um protocolo a priori registrado em plataformas como 
Prospero, Cochrane, entre outras conforme a área de saber; 
 
 
2. O pesquisador procede uma busca ampla por obras vinculadas ao tema e usa 
estratégias diversificadas para busca em bancos de dados nacionais e 
internacionais; 
3. Avaliam-se qualitativamente os estudos incluídos na revisão sistemática, 
registrando os metadados de casa pesquisa. 
4. Os autores buscam, selecionam e extraem dados em fontes confiáveis, 
categorizam os achados científicos e realizam a argumentação dos resultados. 
TEMA 3 – ASPECTOS IMPORTANTE PARA CRIAR UM ARTIGO DE REVISÃO 
SISTEMÁTICA 
Ao elaborar um artigo de revisão sistemática, a divulgação científica publicada 
oferece aos leitores informações atualizadas e esclarecedoras sobre um tema de 
interesse em um campo de saber, sistematizando a evolução da ciência daquele 
campo. Para que a pesquisa tenha qualidade e alcance os objetivos, deve ponderar 
os seguintes aspectos: 
a. Partir de uma questão norteadora de pesquisa adequada; 
b. Estruturar a revisão de modo orientado aos objetivos; 
c. Avaliar a qualidade e nível de evidência das obras selecionada; 
d. Organizar recomendações segundo a evidência científica encontrada; 
e. Os procedimentos da revisão sistemática devem estar detalhados 
metodologicamente de forma que se possa reproduzir em outra pesquisa; 
f. Os resultados obtidos orientam uma comunidade científica em aspectos de 
organização e prática para outras pesquisas e para mudança na realidade. 
Alguns passos-chave precisam ser seguidos pelos pesquisadores, sabendo-se 
que a estruturação de uma revisão sistemática envolverá as seguintes ações 
(Cordeiro et al., 2007): 
• Formular a questão norteadora para o estudo de revisão e seus objetivos; 
• Planejar os critérios de seleção das pesquisas incluídas; 
• Estruturar a metodologia da revisão sistemática; 
• Definir os estudos que estarão na revisão; 
• Aplicar os critérios de seleção; 
• Registrar os dados dos estudos incluídos em uma planilha; 
 
 
• Avaliar os estudos com relação aos encaminhamentos metodológicos, 
estrutura e resultados frente aos objetivos da revisão; 
• Definir categorias de análise com base nos objetivos e nos estudos incluídos; 
• Interpretar e analisar os resultados e escrever as conclusões; 
• Realizar a divulgação científica e depois de um tempo atualizar a revisão. 
TEMA 4 – ETAPAS DE ORGANIZAÇÃO, QUESTÃO NORTEADORA E VARIÁVEIS 
A seguir, um detalhamento de sete etapas a serem consideradas na elaboração 
de um artigo de revisão sistemática, segundo Assis e Arruda (S.d.): 
4.1 Organizar os recursos informativos 
A primeira fase é elaborar planilhas e documentos para estruturar o relatório de 
pesquisa, criar uma folha de cálculos (Excel, Numbers etc.), conforme descrito no 
quadro a seguir: 
 
Quadro 1 – Como deve ser montada a estrutura do artigo de revisão sistemática 
Atividades Estrutura 
Planilha para registrar a estrutura 
do artigo de revisão sistemática 
1- Título, autor, ano 
2- Resumo, palavras-chave 
3- Problema, objetivos 
4- Método 
5- Categorias presente no estudo 
6- Resultados e Discussão 
7- Conclusões 
Base para cálculos para o artigo Aba 1 – Tabela geral 
Aba 2 – Pesquisas incluídas 
Aba 3 – Tabela de resultados 
Documento para gerir citações 
dos estudos para a revisão 
sistemática 
Organização das citações para o artigo de revisão 
sistemática nas normas ABNT ou outra conforme as 
regras da revista para qual será submetida. 
Fonte: Possolli, 2023. 
 
 
Pontua-se como importante criar uma pasta para salvar os estudos incluídos 
na revisão, ação que dará suporte para o desenvolvimento do artigo de revisão 
sistemática, auxiliando a gerenciar as citações relevantes que poderão ser usadas na 
argumentação e detalhamento da discussão das informações na revisão. 
4.2 Questão norteadora para a revisão sistemática 
Com base na definição do tema de pesquisa, a lacuna de conhecimento que se 
pretende investigar deve ser traduzida como um problema de pesquisa. Desse 
problema sairá o próprio título do artigo, as palavras-chave, os objetivos geral e 
específicos e os critérios de inclusão. 
Saiba mais 
Elaboração do problema de pesquisa 
É uma das etapas mais cruciais para o sucesso da pesquisa dada a sua 
importância. Portanto, ao se aproximar de um tema de interesse, o pesquisador deve 
realizar leituras, entender bem o contexto e, se não tiver experiência prévia, pode 
também conversar com profissionais com vivência no tema. Assim, terá clareza para 
problematização do contexto e formulação do problema. 
A pesquisa de revisão de uma temática parte justamente dessa questão 
norteadora da pesquisa e não pode iniciar-se adequadamente se esse problema não 
estiver bem delimitado e aprofundado no entendimento dos pesquisadores. 
4.3 Variáveis para elaboração do artigo de revisão sistemática 
Os pesquisadores da revisão deverão elaborar a tabela de resultados gerais 
conforme especificado na etapa 1, com as variáveis que serão extraídas dos estudos 
incluídos. As variáveis podem ser qualitativas ou quantitativas, conforme exemplos no 
Quadro 1. 
Na planilha, deve-se criar uma coluna para cada variável e adicionar quantas 
forem necessárias. A primeira coluna deve ter o ano da publicação, na segunda o 
sobrenome dos autores do estudo, e assim por diante. O restante das colunas será 
para as variáveis importantes conforme definido para a revisão. Cada uma das linhas 
da planilha corresponde aos registros dos estudos que farão parte dos artigos de 
revisão integrativa. A planilha auxiliará em todo o processo da pesquisa e também 
 
 
para a elaboração do quadro resumo fará parte do artigo de revisão sistemática para 
apresentar os dados dos estudos incluídos. 
TEMA 5 – BUSCA NA LITERATURA, SELEÇÃO, ANÁLISE DE ESTUDOS E ESCRITA 
DO ARTIGO 
5.1 Busca na literatura 
Levando em conta o problema, são elencadas as palavras-chave, com variadas 
estratégias de busca em bases de dados e formulados os objetivos de pesquisa. 
A procura por estudo deve ser realizada em variadas bases de dados (como: 
Google Acadêmico, Periódicos da Capes, BVS, Sciello, PubMed, PePSIC, entre 
outras). Os bancos de dados dos portais de busca possibilitam pesquisar por 
palavra-chave, período,idioma, entre outros filtros, facilitando a identificação de 
obras dentro do escopo desejado. A ferramentas disponível nas bases de dados 
otimiza o tempo de busca com base nas palavras-chave e resumo das pesquisas 
localizadas em uma primeira busca, auxiliando para decidir quais são úteis para 
revisão que se pretende desenvolver. 
5.2 Seleção de estudos incluídos 
A seleção dos artigos ocorre por meio de critérios de inclusão previamente 
estabelecidos a partir do contexto que emerge do estudo do tema. Critérios como tipos 
de pesquisa, variáveis dos estudos, temática central, comparações, pressupostos 
teóricos, resultados etc. 
5.3 Análise dos estudos 
Os resultados e a discussão da revisão são a parte mais importante para que 
as evidências científicas fiquem estabelecidas e se construirão pela análise dos 
estudos selecionados sob um olhar qualitativo, que pode ainda ter um levantamento 
quantitativo de algumas variáveis por meio da metanálise. O quadro resumo final é 
produzido em função dos resultados obtidos 
 
 
 
5.4 Escrita final do artigo de revisão sistemática 
Tendo por base as etapas anteriores e as orientações recomendadas nos itens, 
pode-se estruturar a redação da revisão sistemática, a ser realizada 
progressivamente, à medida que se prossegue no desenvolvimento da argumentação. 
Enquanto estrutura do texto, um artigo de revisão sistemática deve possuir os 
seguintes elementos: título, questão norteadora, objetivos, métodos, quadro de 
resumo dos estudos incluídos, resultados, discussão, considerações finais. 
NA PRÁTICA 
A compreensão prática de como fica uma revisão sistemática em psicanálise 
pode ser esclarecida utilizando-se de um exemplo real de um artigo publicado, 
conforme sistematizado no Quadro 2: 
Quadro 2 – Exemplo de revisão sistemática em psicanálise 
Referência LEITÃO, I. B. A construção do estudo de caso em psicanálise: revisão de 
literatura. Contextos Clínicos, São Leopoldo, v. 11, n. 3, set./dez.2018. 
Disponível em: . Acesso em: 24 
jun. 2023. 
Método / Objetivo Revisão sistemática com objetivo de descrever como a literatura científica 
em psicanálise tem discutido e situado o estudo de caso, seja enquanto lente 
metodológica ou objeto de estudo. 
Detalhamento da 
busca 
Bases de dados: PePSIC e SciELO. Descritores e operadores booleanos da 
busca: “estudo de caso” OR “relato clínico” OR “caso clínico” OR “construção 
do caso”. 
Categorização As cinco categorias de análise: “O caso clínico como dispositivo para 
transmissão da experiência”; “O lugar da escrita na psicanálise”; “A 
construção do relato clínico”; “Construção do caso versus estudo de caso: 
dispositivos de elaboração”; “A singularidade do caso e o seu caráter 
ficcional”. 
Estudos Incluídos 
(critérios de inclusão 
e exclusão) 
43 artigos que tratam do estudo de caso em psicanálise. Inicialmente foram 
filtrados 178 artigos. Para filtragem à luz dos objetivos da revisão, 
estabeleceu-se os seguintes critérios de inclusão: ser um artigo científico 
que tem como lente teórica e metodológica a psicanálise. Foram excluídos 
os artigos que não apresentaram algum caso ou relato clínico, ou que não 
tiveram como objetivo discutir a temática do estudo de caso psicanalítico. 
Registro dos 
Estudos incluídos 
Os estudos analisados foram classificados em dois grandes grupos: 1. 
Estudos que discutiram os aspectos epistemológicos do estudo de caso, 
segundo os pressupostos teóricos e metodológicos da psicanálise; 2. 
Estudos que utilizaram estudo de caso para desenvolver questões 
relevantes para a clínica. 
 
 
Conclusões Considerando a relevância do estudo de caso para a metodologia de 
pesquisa psicanalítica, e uma importância nas publicações não apenas em 
psicanálise, e também no âmbito da psicologia clínica, foram estabelecidos 
guias e referências para a construção de estudos de caso. Conclui-se que o 
estudo de caso possibilita transmitir a singularidade de cada experiência 
clínica, por intermédio dos desdobramentos de uma análise e seu processo 
com o analista. Contribuindo ainda para a construção teórica e técnica da 
psicanálise. O estudo de caso como método de pesquisa clínica, destaca 
uma noção fundamental para a fazer clínico, que é o ato de tomar as 
palavras, onde a prática desafia a teoria e a convoca constantemente para 
a sua reformulação. 
Fonte: Possolli, 2023. 
FINALIZANDO 
A evidência científica advinda de uma revisão sistemática pode ser 
considerada um ensaio metapsicológico. Ao debruçar-se sobre um ensaio 
metapsicológico, estamos desenvolvendo uma pesquisa de natureza abstrata 
mesmo que tenha aplicação prática. A condução do método psicanalítico precisa se 
ater a certas características peculiares na relação entre pesquisador e objeto, 
entendendo o conceito de transferência como vimos anteriormente. 
Freud (1996) concebeu um método investigativo sobre o próprio ser humano, 
no qual, apesar de existirem alguns pressupostos, também destaca que a 
psicanálise precisa ser reinventada em cada caso em estudo, por isso a necessidade 
de uma revisão sistemática de pesquisa teórica em que se desejam avanços na 
própria teoria para esta possa embasar a prática. Nesse sentido, sobre a pesquisa 
psicanalítica Iribarry (2012, p. 12) destaca que é um tipo de pesquisa “que sempre 
terá uma apropriação do pesquisador, que ao pesquisar o método freudiano, acaba 
por descobrir um tipo de investigação propriamente sua, que o singulariza na 
condução da pesquisa”. 
Ao nos aprofundarmos em uma pesquisa teórica de revisão sistemática em 
psicanálise, que tem como produto um ensaio metapsicológico, é fundamental que 
o pesquisador lance mão da objetividade em suas argumentações, por meio do 
entendimento aprofundado de elementos conceituais. Mas ainda é preciso que o 
pesquisador tenha a habilidade de estar sensível às determinações subjetivas que 
emergem do seu vínculo com o objeto. Isto é, o diálogo que faz consigo mesmo e 
com o outro em função do contato humano com o seu objeto em estudo. 
 
 
Na psicanálise, todo saber é também projeção, já que supõe, para além de 
impressões recebidas via órgãos dos sentidos, um esforço de reflexão por meio do 
qual o sujeito elabora uma narrativa no formato de um saber estruturado. Isso implica 
deixar algo de seu na produção do novo, uma vez que o sujeito entrega ao real mais 
do que recebeu (Rouanet, 1989). 
Assim, não existe produção científica em psicanálise com conteúdo novo sem 
que haja a mobilização da própria subjetividade na estruturação de sentidos 
plausíveis. Nessa perspectiva, concebe-se que o atributo subjetivo da produção de 
uma revisão sistemática, como ensaio metapsicológico, deve ser entendido como 
condição de avanços teórico-práticos por meio das evidências científicas levantadas. 
A probabilidade de evolução teórica e a base para a prática em psicanálise, ainda 
que fundamentadas em um certo escopo temático ou ainda caso clínico, dependem 
da produção criativa e dedicada dos pesquisadores psicanalíticos. 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
ASSIS, M. S.; ARRUDA, J. C. Guia completo de artigo de Revisão Sistemática. Artigo 
Científico, S.d. Disponível em: . Acesso em: 24 jun. 2023. 
BEECHER, H. K. The powerful placebo. Journal of American Medical Association., 
n. 159, v. 17. p. 1602-6, dez., 1955. 
CHALMERS, I.; ENKIN, M.; KEIRSE, M. J. N. C. Effective care in pregnancy and 
childbirth. Oxford: Oxford University Press, 1989. 
COCHRANE. Trusted evidence and informed decisions. Cochrane Brasil, USP, 
S.d. Disponível em: . Acesso em: 24 jun. 2023. 
CORDEIRO, A. M. et al. Revisão sistemática: uma revisão narrativa – Comunicação 
Científica, Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, n. 34, v. 6, dez 2007. 
DIXON-WOODS, M. et al. Synthesising qualitative and quantitativeevidence: a review 
of possible methods. Journal of Health Service Research Policy, v. 1, n. 10, p. 45-
53, jan. 2005. 
FREUD, S. Sobre o início do tratamento. In: STRACHEY, J. (ed.). Edição Standard 
Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: 
Imago, 1996. v. 12. p.137-158. 
GLASS, G. Primary, secondary and meta-analysis of research. Educational 
Researcher, v. 5, p. 3-8, 1976. doi.org/10.2307/1174772 
IRIBARRY, I. N. O que é pesquisa psicanalítica? Ágora: Estudos em Teoria 
Psicanalítica, v. 1, n. 6, 20 ago. 2012. Disponível em: 
. Acesso em: 24 jun. 2023. 
LEITÃO, I. B. A construção do estudo de caso em psicanálise: revisão de literatura. 
Contextos Clínicos, São Leopoldo, v. 11, n. 3, set./dez. 2018. Disponível em: 
. Acesso em: 24 jun. 2023. 
MULROW, C. D. Rationale for systematic reviews. BMJ, n. 39, p. 591-599, 1994. 
ROUANET, S. P. Teoria crítica e psicanálise. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 
1989.

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