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Vicente Neto – Medicina USJT TIV - 822165495
Lista de Revisão Final
1. Trauma
Cervical: Memorize os "hard signs" que indicam
cirurgia imediata (hematoma em expansão/pulsá;l,
enfisema progressivo, estridor). Entenda por que um
paciente estável sem esses sinais pode ser observado.
• Paciente Estável Sem "Hard Signs"
Se o paciente chega ao plantão, hemodinamicamente
estável, respirando confortavelmente, sem nenhum
dos sinais acima, a situação não significa ausência de
lesão, mas sim ausência de uma lesão com risco de
vida iminente. Isso nos concede o recurso mais
precioso na medicina de emergência: tempo.
Por que não operar todos? Uma cervicotomia
exploradora ("abrir o pescoço") não é um
procedimento inócuo. Possui morbidade significa;va,
com risco de lesão iatrogênica de nervos (vago,
frênico, hipoglosso) e vasos. Realizar uma cirurgia
invasiva em um paciente que não precisava dela é má
prá;ca.
O obje;vo é usar o tempo ganho para fazer um
diagnós;co preciso e não invasivo. É aqui que entra o
exame de imagem.
A Angiotomografia Computadorizada (Angio-TC) de
vasos cervicais é o padrão-ouro. Ela é rápida,
amplamente disponível e oferece um mapa detalhado
das artérias, veias, via aérea e trato diges;vo, sendo
capaz de iden;ficar lesões ocultas (dissecções,
pseudoaneurismas, pequenas Ustulas) que não se
manifestaram com "hard signs".
Ao pensarmos em pescoço, fica claro que há muita
estrutura em um espaço pequeno, logo, vamos dividir
as lesões em grupos:
• Circulatórias (caró;da, artéria vertebral, vasos
subclávios, jugulares);
• Nervosas (medula);
• Respiratórias (laringe e traqueia);
• Diges\vo (faringe e esôfago).
Outro ponto importante é definirmos se estamos
falando de trauma penetrante ou contuso. No trauma
penetrante, o que diferencia lesões superficiais de
profunda é o músculo pla\sma, e as lesões mais
comuns (em ordem) são as vasculares > neurológicas >
aerodiges;vas. No trauma contuso, as principais
estruturas lesadas são laringe e coluna cervical.
O exame de escolha em trauma de face e pescoço é
sempre a tomografia.
"Hard Signs": A Sentença de Cirurgia Imediata
Os "hard signs" não são "suges;vos" de lesão. Eles são
a prova viva de que uma estrutura vital (vaso
sanguíneo calibroso ou via aerodiges;va) foi violada e
está causando um problema a;vo e com risco de vida
iminente. Na presença de qualquer um deles, não há
tempo ou jus;fica;va para exames de imagem. A
prioridade é o controle do dano no centro cirúrgico.
1. Sangramento A\vo / Hematoma em Expansão
/ Hematoma Pulsá\l:
O que significa: Lesão arterial. A caró\da ou a
vertebral foi a\ngida. O sangue está vazando sob alta
pressão, seja para fora da ferida ou para dentro dos
tecidos do pescoço, comprimindo estruturas vitais. Um
hematoma pulsá;l é literalmente o pulso da artéria
rompida sendo transmi;do aos tecidos.
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Não se pode esperar para ver o quanto o paciente vai
sangrar. A única conduta que reverte o choque
hemorrágico e previne a compressão da via aérea é a
hemostasia cirúrgica direta.
Caso Clínico: Hematoma em Expansão
Cenário Clínico: Um homem de 22 anos chega ao
pronto-socorro após ser esfaqueado na região lateral
direita do pescoço (zona II). Ele está pálido,
taquicárdico (FC 125 bpm), hipotenso (PA 85/50
mmHg) e pressionando um pano sobre a ferida.
Exame Físico Focado: Ao remover o pano para
inspeção, você observa um ferimento de 2 cm com
sangramento moderado. Mais importante, há um
hematoma visível que está aumentando de
tamanho a;vamente sob seus olhos, tornando-se
tenso e distorcendo a anatomia do pescoço.
Diagnós\co Imediato: Lesão arterial (provavelmente
caroddea ou de seus ramos) com sangramento a;vo
não controlado.
Conduta/Resolução: Este paciente não vai para a
tomografia. A conduta é exploração cirúrgica imediata
(cervicotomia). A prioridade é levá-lo ao centro
cirúrgico para hemostasia direta da lesão vascular,
reverter o choque hemorrágico e prevenir o colapso da
via aérea por compressão.
2. Sopro ou Frêmito na Ferida:
O que significa: Fístula arteriovenosa traumá\ca. A
faca ou o projé;l criou uma comunicação anormal
entre uma artéria e uma veia. O fluxo turbulento de alta
pressão da artéria para a veia gera a vibração (frêmito)
e o som (sopro).
O sangue, por natureza, segue o caminho de menor
resistência. O fluxo que deveria subir pela caró;da para
o cérebro encontra essa Ustula e desvia-se
violentamente para dentro da veia jugular de baixa
pressão.
Quando você palpa essa vibração com a mão, o sinal é
chamado de frêmito. Quando você ausculta o som
desse fluxo caó;co com o estetoscópio, o sinal é
chamado de sopro.
É uma lesão vascular complexa que não se resolverá
sozinha e precisa de reparo cirúrgico para evitar
complicações como embolia ou insuficiência cardíaca.
Caso Clínico: Correção Cirúrgica Tardia de Fístula
Carofdeo-Jugular Traumá\ca
Paciente masculino, 39 anos. Admi;do com história de
ferimento por projé;l de arma de fogo (FPAF) em
região cervical direita e antebraço esquerdo ocorrido
há 8 meses. Na ocasião, foi tratado apenas de uma
fratura nos ossos do antebraço, recebendo alta sem
que as lesões vasculares cervicais ;vessem sido
inves;gadas. Desde então, evoluiu com queixa de
"zumbido" constante e aparecimento de um
abaulamento progressivo no pescoço.
Exame Físico:
• Inspeção: Cicatriz de ferimento transfixante
em zona cervical II direita.
• Palpação: Presença de uma massa volumosa e
pulsá\l na mesma região, com frêmito
intenso.
• Ausculta: Sopro intenso sobre a massa.
Diagnós\co por Imagem:
• Angiotomografia (Angio-TC): Confirmou a
hipótese de Ustula arteriovenosa (FAV)
caroddeo-jugular e demonstrou um
pseudoaneurisma (PSA) de caró;da associado.
• Arteriografia Sele\va: Confirmou a presença
de uma Ustula de alto débito, desviando todo o
fluxo da caró;da para o sistema venoso.
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Conduta:
Após considerar as opções de tratamento endovascular
e convencional, a equipe optou pela cirurgia aberta
devido à idade do paciente e fatores socioeconômicos
que dificultariam o acompanhamento e a terapia
an;plaquetária de longa duração. O procedimento
realizado foi:
1. Acesso: Cervicotomia na borda anterior do músculo
esternocleidomastoideo direito.
2. Reparo: O segmento arterial lesionado, que con;nha
a Ustula e o pseudoaneurisma, foi completamente
ressecado. Os cotos da veia jugular interna foram
ligados.
Reconstrução: A con;nuidade da artéria caró;da foi
restabelecida u;lizando um enxerto autólogo da veia
jugular externa do próprio paciente, que foi interposto
com anastomoses término-terminais.
Evolução: O paciente recebeu alta hospitalar no
segundo dia de pós-operatório, com prescrição de AAS
por 3 meses. Em um seguimento de 18 meses, ele
permanecia sem complicações neurológicas. Uma
Angio-TC de controle demonstrou que o enxerto
venoso estava pérvio, porém apresentava uma discreta
dilatação em sua extensão, esperado na fisiologia da
arterialização fisiológica.
3. Enfisema Subcutâneo Progressivo /
Borbulhamento pela Ferida:
O que significa: Lesão de via aérea (laringe, traqueia)
ou esôfago. O ar está escapando para os tecidos moles.
O termo "progressivo" é a chave; significa que o
vazamento é condnuo e está a;vamente dissecando e
comprimindo o pescoço.
O ar que comprime a traqueia por fora é tão letal
quanto um corpo estranho por dentro. Se a lesão for
esofágica, o conteúdo gastrointes;nal contamina o
medias;no, levando a uma infecção fatal
(medias;nite). A cirurgia é para controlar a via aérea e
reparar a perfuração.
Caso Clínico: Enfisema Subcutâneo Progressivo
Cenário Clínico: Uma mulher de 28 anos é ví;ma de um
ferimento por projé\l de arma de fogo na base do
pescoço (zona I). Ela está consciente, mas ansiosa,
falando com a voz abafada e respirando de forma
rápida e superficial.Exame Físico Focado: A palpação do pescoço revela
uma crepitação difusa, semelhante a "plás\co bolha"
sob a pele (enfisema subcutâneo), que se estende da
mandíbula até a clavícula. Durante sua avaliação
primária (cerca de 2-3 minutos), você percebe que a
área de crepitação está se espalhando para a parte
superior do tórax.
Diagnós\co Imediato: Lesão de via aérea (traqueia) ou
esôfago, com vazamento de ar condnuo para os tecidos
moles.
Conduta/Resolução: A via aérea está sob risco
iminente de compressão. A conduta é a garan\a da via
aérea o mais rápido possível. Deve-se preparar para
uma intubação orotraqueal, mas antecipando uma via
aérea diUcil (a equipe mais experiente deve proceder).
O cirurgião deve ser no;ficado imediatamente para
estar pronto para uma via aérea cirúrgica de
emergência (crico\reotomia/traqueostomia) e para a
exploração e reparo da lesão.
4. Estridor / Disfonia / Rouquidão:
O que significa: A via aérea do paciente está em
processo de obstrução. Pode ser por compressão
externa do hematoma, por edema direto da laringe ou
por lesão do nervo laríngeo recorrente que paralisa a
corda vocal. O estridor é o som da morte iminente por
asfixia.
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Esta é talvez a indicação mais urgente. A prioridade não
é nem reparar o vaso, mas sim garan;r uma via aérea
defini;va, o que geralmente ocorre no mesmo tempo
cirúrgico da exploração cervical.
Caso Clínico: Estridor e Disfonia
Um homem de 45 anos é trazido pelo serviço de
emergência após ser agredido com um objeto
contundente (ex: ripa de madeira) na região anterior
do pescoço. Ele está agitado e com dificuldade para
respirar.
Exame Físico Focado: A respiração do paciente é
audível à distância, com um som agudo e de alta
frequência durante a inspiração (estridor). Ao tentar
responder suas perguntas, a voz dele é extremamente
rouca e fraca (disfonia).
Diagnós\co Imediato: Obstrução de via aérea alta em
andamento, provavelmente por fratura laríngea,
edema de glote ou compressão por hematoma interno.
Conduta/Resolução: Esta é uma emergência de via
aérea de prioridade máxima. A conduta é a garan\a
imediata da via aérea. A tenta;va de intubação
orotraqueal deve ser feita com extremo cuidado,
antecipando falha. O material para via aérea cirúrgica
(crico\reotomia) deve estar aberto e pronto para uso
ao lado do paciente antes mesmo de se iniciar a
tenta;va de intubação.
Resumo de Conduta
Chegou paciente com trauma cervical -> Procuro
"Hard Signs" -> Achei? -> Centro Cirúrgico AGORA.
Chegou paciente com trauma cervical -> Procuro
"Hard Signs" -> Não achei e o paciente está estável? -
> Tomógrafo para Angio-TC -> A imagem define a
conduta (terapia endovascular, cirurgia ele\va ou
apenas observação).
ATLS: Domine a sequência ABCDE. Saiba que a
crico;reotomia é a via aérea de emergência quando a
intubação falha.
A cirurgia aberta não é mais a única opção para reparar
uma artéria. A terapia endovascular (realizada pelo
cirurgião vascular ou radiologista intervencionista)
ganhou um papel fundamental. A técnica consiste em
reparar a lesão vascular "por dentro" do vaso,
u;lizando cateteres inseridos por uma punção remota
(geralmente na artéria femoral). As lesões podem ser
tratadas com o implante de stents reves\dos ou
embolização com molas.
É par;cularmente vantajosa em lesões de dilcil acesso
cirúrgico, como na base do crânio (Zona III) ou no tórax
(Zona I). É uma técnica menos invasiva, com menor
sangramento e tempo de internação mais curto. O
tratamento endovascular tem seus próprios riscos,
como estenose tardia dentro do stent, e exige terapia
an;plaquetária de longa duração, o que pode ser um
problema para pacientes com baixa adesão ao
tratamento
2. Abdome Agudo: Causas Inflamatórias
Sinais Clássicos:
• Jobert (pneumoperitônio).
É caracterizado pelo hiper\mpanismo em região
hepá\ca, que indica a presença de perfuração de
víscera oca em peritônio livre (por exemplo: úlcera
pép;ca). Eventualmente observa-se na radiografia o
sinal de Rigler, que é a visualização das paredes dos
intes;nos.
• Rovsing e Blumberg (apendicite, peritonite).
O sinal de Blumberg, dor a descompressão, pode ser
pesquisado na palpação profunda. É um teste de exame
Usico que avalia a irritação peritoneal, sendo mais
associada à suspeita de apendicite aguda. A técnica
consiste na compressão profunda e lenta do ponto de
McBurney (na fossa ilíaca direita) e a re\rada abrupta
da mão. Se o paciente sen;r dor intensa à
descompressão, o sinal é considerado posi;vo,
indicando inflamação local.
o sinal de Rovsing consiste em dor no quadrante
inferior direito induzida pela palpação do quadrante
inferior esquerdo.
• Cullen e Grey-Turner (hemorragia
retroperitoneal na pancrea;te).
Representam equimose periumbilical e em flancos,
respec;vamente, sendo indica;vos de sangramento
intra-abdominal ou retroperitoneal.
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• Kehr (irritação diafragmá;ca/esplênica).
O Sinal de Kehr é a dor no ombro esquerdo causada
pela irritação do nervo frênico, resultado de sangue
ou outros irritantes na cavidade abdominal,
especialmente na região subfrênica esquerda. A
técnica de avaliação envolve o médico realizar a
palpação suave do abdômen do paciente deitado, com
ou sem as pernas elevadas, observando se a dor
referida no ombro esquerdo piora. Este sinal é clássico
em casos de ruptura esplênica, mas também pode
indicar hemoperitônio, apêndice perfurado ou úlcera
perfurada.
Quando o baço se rompe, o sangue se acumula na
cavidade abdominal e irrita a superlcie inferior do
músculo diafragma esquerdo. Essa irritação (seja por
sangue, pus de um abscesso subfrênico, ou ar) es\mula
as terminações nervosas sensoriais presentes no
peritônio que recobrem o diafragma.
O nervo frênico se origina no pescoço, a par;r das
raízes nervosas espinhais de C3, C4 e C5 (o mnemônico
clássico é "C3, 4, 5 keeps the diaphragm alive").
Portanto, o sinal de dor que começou no diafragma
viaja pelo nervo frênico e entra na medula espinhal
nesses níveis cervicais.
Os nervos que fornecem a sensação para a pele da
região do ombro (os nervos supraclaviculares) também
se originam das mesmas raízes nervosas de C3 e C4.
Quando o sinal de dor intenso e incomum vindo do
diafragma chega à medula em C3-C4, o cérebro tem
dificuldade em localizar a origem exata. Como o
cérebro está muito mais acostumado a receber e
interpretar sinais de dor da pele e dos músculos do que
de órgãos internos como o diafragma, ele comete um
erro de interpretação. Ele "projeta" a sensação de dor
para a área do corpo que compar;lha a mesma origem
nervosa: o ombro.
• Murphy (colecis;te).
O sinal de Murphy é posi;vo quando o paciente, ao ter
o hipocôndrio direito palpado, interrompe sua
respiração devido à dor. Com isso, tem-se a indicação
de uma colecis;te aguda.
Patologias
• Apendicite
Obstrução: O lúmen do apêndice é obstruído. Em
jovens, a causa mais comum é a hiperplasia dos
folículos linfoides, em adultos/idosos, é um fecalito
(coprólito).
Distensão: O muco con;nua sendo secretado, mas não
tem para onde ir. A pressão dentro do apêndice
aumenta, distendendo a parede e es;mulando as fibras
nervosas viscerais, o que causa a dor periumbilical,
difusa e mal localizada (a primeira dor que o paciente
sente).
Isquemia: O aumento da pressão colaba primeiro as
vênulas e os vasos linfá\cos. O apêndice fica
edemaciado e congesto. Com a pressão condnua, o
fluxo arterial é comprome;do. Isso leva à isquemia da
parede. A inflamação a\nge o peritônio parietal
adjacente, transformando a dor em somá\ca: intensa,
aguda e bem localizada na fossa ilíaca direita (FID).
Necrose e Perfuração: A parede isquêmica necrosa e se
rompe. O conteúdo sép\co do apêndice extravasa
para a cavidade abdominal, causando peritonite.
Clínica (Cronologia de Murphy):
1. Dor periumbilical/epigástrica (visceral).2. Anorexia, náuseas e vômitos.
3. Migração da dor para a FID (somá;ca).
4. Febre (geralmente baixa,
6mm, não compressível, líquido livre adjacente.
Tomografia Computadorizada (TC): Padrão-ouro em
adultos e casos duvidosos. Achados: espessamento e
realce da parede do apêndice, densificação da gordura
periapendicular, presença de fecalito.
Tratamento: Apendicectomia, preferencialmente por
via videolaparoscópica.
Suporte: Hidratação venosa, analgesia e
an;bio;coterapia (cobrindo Gram-nega;vos e
anaeróbios), que é iniciada no pré-operatório e
man;da conforme a gravidade.
• Colecis\te
Não confunda com cólica biliar. A cólica é apenas a dor
transitória da contração da vesícula contra um cálculo.
A colecis;te é a inflamação da parede da vesícula.
Obstrução Sos\da: Um cálculo impacta e obstrui de
forma persistente o ducto cís;co.
Inflamação: A bile represada, sob pressão, causa uma
irritação química na mucosa da vesícula. O processo
inflamatório se instala, causando edema da parede,
congestão vascular e, eventualmente, proliferação
bacteriana.
Clínica: Dor em hipocôndrio direito (HCD), confnua
(dura > 6 horas), que pode irradiar para o dorso ou
ombro direito. Associada a febre, náuseas e vômitos.
Exame Físico: Sinal de Murphy posi;vo é o achado
clássico: a dor causa uma parada abrupta da inspiração
profunda durante a palpação do ponto cís;co.
Laboratório: Leucocitose com desvio à esquerda. Pode
haver discreta elevação de bilirrubinas, TGO/TGP,
fosfatase alcalina e GGT por compressão extrínseca do
colédoco pelo processo inflamatório.
Imagem (USG de abdome é o exame de escolha):
• Espessamento da parede da vesícula (> 4mm).
• Líquido perivesicular.
• Presença de cálculo (geralmente impactado no
infundíbulo).
• Sinal de Murphy ultrassonográfico (dor à
compressão da vesícula com o transdutor).
Tratamento Padrão: Internação para o "tripé":
• Jejum, hidratação venosa, analgesia.
• An\bio\coterapia: Cobrindo germes
entéricos.
• Colecistectomia Videolaparoscópica Precoce:
Realizada na mesma internação, idealmente
nas primeiras 72 horas.
Complicação - Colangite: É a infecção das vias biliares,
geralmente por obstrução do colédoco
(coledocolidase). É uma emergência médica. O
diagnós;co é clínico, baseado na Tríade de Charcot:
1. Febre com calafrios.
2. Icterícia.
3. Dor em Hipocôndrio Direito.
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Se o quadro evoluir com choque sép\co e alteração do
nível de consciência, temos a Pêntade de Reynolds,
que indica sepse grave. O tratamento é desobstrução
biliar de urgência (geralmente por CPRE) e
an;bio;coterapia de largo espectro.
• Diver\culite
O erro comum é pensar na diver;culite como uma
inflamação "dentro" do cólon. Na verdade, é um
processo peridiver\cular.
1. Obstrução: Um diverdculo é obstruído por um
fecalito.
2. Microperfuração: O aumento da pressão
intradiver;cular causa erosão da parede, levando a
uma micro ou macroperfuração.
3. Inflamação/Infecção: O conteúdo fecal extravasa
para a gordura pericolônica, causando uma inflamação
localizada (flegmão) que pode evoluir para um
abscesso ou perfuração livre para a cavidade.
Clínica: Frequentemente chamada de "apendicite do
lado esquerdo". Dor em FIE, febre, e pode haver
alteração do hábito intes\nal (diarreia ou
cons;pação).
Exame Físico: Dor à palpação em FIE. Pode haver uma
massa palpável (abscesso ou flegmão). Sinais de
peritonite (defesa, Blumberg) indicam perfuração
livre.
Imagem (TC com contraste é o exame de escolha): É
essencial não apenas para confirmar o diagnós;co, mas
para estadiar a gravidade e guiar o tratamento.
Achados: Espessamento da parede do cólon sigmoide,
densificação da gordura pericolônica, presença de
diverfculos, formação de abscessos,
pneumoperitônio.
A colonoscopia é contraindicada na fase aguda pelo
risco de perfurar o cólon inflamado.
Tratamento (Guiado pela Classificação de Hinchey)
A sua capacidade de decidir a conduta depende do seu
domínio sobre esta classificação:
Hinchey I (abscesso pericolônico
pequeno): Tratamento clínico com an\bió\cos e dieta
líquida. Pacientes selecionados podem ser tratados
ambulatorialmente.
Hinchey II (abscesso pélvico/distante > 4-6
cm): Internação, an\bió\cos intravenosos
e drenagem percutânea do abscesso guiada por TC.
Hinchey III (peritonite purulenta
generalizada): Cirurgia de emergência. O abscesso se
rompeu e espalhou pus pela cavidade.
Hinchey IV (peritonite fecal): Cirurgia de emergência.
Houve perfuração livre do cólon com extravasamento
de fezes.
A cirurgia de emergência para Hinchey III/IV
geralmente é a Cirurgia de Hartmann: ressecção do
segmento doente (sigmoide), colostomia terminal na
FIE e fechamento do coto retal. A reconstrução do
trânsito é feita em um segundo tempo.
Entenda como a classificação de Hinchey guia o
tratamento: abscesso grande (>4-6cm) requer
drenagem percutânea; peritonite generalizada exige
cirurgia de emergência. O exame de escolha é a TC.
3. Abdome Agudo: Causas Vasculares,
Perfura\vas e Obstru\vas
• Isquemia Mesentérica
O ponto-chave é a "dor desproporcional ao exame
Usico" associada à acidose metabólica grave. Lembre-
se que a rigidez abdominal é um sinal tardio.
A IMA não é uma doença única. É o resultado final de
quatro processos dis;ntos
IMA Embólica (50%): É a mais comum. Um êmbolo,
geralmente do coração (fibrilação atrial é o principal
fator de risco), viaja e se aloja na artéria mesentérica
superior (AMS), causando oclusão súbita. O início dos
sintomas é abrupto.
IMA Trombó\ca (25%): Um trombo se forma sobre
uma placa de aterosclerose preexistente na origem da
AMS. O paciente frequentemente tem uma história
prévia de "angina mesentérica" (dor abdominal em
Vicente Neto – Medicina USJT TIV - 822165495
cólica após se alimentar, levando a medo de comer e
perda de peso). O início é mais insidioso que o
embólico.
Isquemia Mesentérica Não Oclusiva (20%): Ocorre em
pacientes crí;cos. É uma isquemia por baixo fluxo,
causada por vas espasmo intenso da circulação
mesentérica em estados de choque, sepse, ou uso de
drogas vasoa\vas potentes. Não há oclusão mecânica.
Trombose Venosa Mesentérica (5%): A oclusão ocorre
no sistema venoso. Associada a estados de
hipercoagulabilidade (trombofilias, câncer). A dor é
mais subaguda e a apresentação menos dramá;ca.
Clínica: O sinal patognomônico é a dor abdominal
intensa, difusa e súbita, que é completamente
desproporcional aos achados do exame lsico. No
início, o abdome do paciente pode ser flácido,
depressível e pouco doloroso à palpação, enquanto ele
se contorce de dor.
Sinais Tardios: A rigidez abdominal, defesa e sinais de
peritonite são sinais tardios. Significam que a alça
intes;nal já necrosou e perfurou. Se você esperar por
estes sinais, a mortalidade se aproxima de 100%.
Laboratório: O achado mais caracterís;co é a acidose
metabólica com ânion-gap aumentado e lactato
sérico elevado (>2.0 mmol/L). Isso indica sofrimento e
morte celular. Leucocitose e amilase elevada também
são comuns.
Imagem: O exame padrão-ouro é a Angiotomografiade abdome. Ela mostra a oclusão vascular, falhas de
enchimento do vaso, ou sinais de sofrimento da alça
(pneumatose intes;nal - ar na parede da alça).
A IMA é uma das maiores emergências cirúrgicas. A
conduta é agressiva:
1. Ressuscitação volêmica e suporte hemodinâmico.
2. Laparotomia exploradora de emergência para
avaliar a viabilidade das alças.
3. Tenta;va de revascularização (embolectomia,
bypass) se possível.
4. Ressecção de todo segmento intes;nal inviável
(necró;co).
5. Frequentemente se programa uma segunda
abordagem ("second-look laparotomy") em 24-48h
para reavaliar a viabilidade de alças duvidosas.
• Perfuração
A causa mais comum é úlcera pép\ca. O sinal a ser
procurado no Raio-X é o pneumoperitônio (Sinal de
Jobert).
O evento central é a comunicação de uma víscera oca
com a cavidade peritoneal, que é estéril. Isso gera
uma peritonite química imediata (pelo suco gástrico,
bile ou suco pancreá;co), seguida em poucas horas por
uma peritonite bacteriana. A causa mais comum é
a úlcera pép\ca gastroduodenal perfurada.
Clínica: Dor abdominal súbita, "em facada", de
intensidade excruciante, que rapidamente se torna
difusa por todo o abdome. O paciente fica imóvel no
leito, pois qualquer movimento exacerba a dor pela
fricção das superlcies peritoneais inflamadas.
Exame Físico: O achado clássico é o "abdome em
tábua": uma contratura involuntária e generalizada da
musculatura abdominal. Há dor difusa à
descompressão brusca (sinal de Blumberg
generalizado). A percussão do lgado pode revelar
\mpanismo em vez de macicez, indicando ar livre na
cavidade (Sinal de Jobert).
Imagem: O primeiro exame a ser solicitado é
a radiografia de tórax em posição ortostá\ca (em pé),
procurando por pneumoperitônio (ar livre sob as
cúpulas diafragmá;cas). Se o paciente não consegue
ficar em pé, a radiografia de abdome em decúbito
lateral esquerdo com raios horizontais pode mostrar
ar entre o lgado e a parede abdominal. A TC é mais
sensível, mas muitas vezes desnecessária se o Raio-X
for posi;vo e a clínica evidente.
Tratamento
Medidas de suporte: Acesso venoso, hidratação
vigorosa, sonda nasogástrica, an;bio;coterapia de
largo espectro.
Laparotomia exploradora de emergência para
iden;ficar o local da perfuração, realizar o reparo
(geralmente uma sutura simples com patch de omento
- "omentoplas;a de Graham" para úlceras) e fazer a
lavagem exaus;va da cavidade peritoneal.
• Obstrução Intes\nal
Diferencie obstrução alta (vômitos precoces) de baixa
(vômitos tardios, mais distensão). Reconheça o sinal do
"grão de café" no volvo de sigmoide.
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Ocorre um bloqueio mecânico ao trânsito intes;nal.
Fluidos e gás se acumulam proximalmente à obstrução,
distendendo a alça. Isso leva a vômitos, desidratação e
distúrbios hidroeletrolí\cos. Se a obstrução for em
"alça fechada" (as duas extremidades do segmento
estão obstruídas, como no volvo ou hérnia
encarcerada), a pressão intraluminal aumenta
rapidamente, levando ao estrangulamento
(comprome;mento vascular) e necrose. A principal
causa em pacientes com cirurgia abdominal prévia são
as bridas ou aderências. Em pacientes sem cirurgia
prévia, as principais causas são hérnias e neoplasias.
Clínica (Os 4 Sinais Cardinais):
1. Dor abdominal em cólica.
2. Vômitos.
3. Distensão abdominal.
4. Parada de eliminação de flatos e fezes.
Alta (Delgado Proximal): Vômitos são precoces,
volumosos e biliosos. A distensão abdominal
é mínima ou ausente.
Baixa (Delgado Distal / Cólon): Vômitos são tardios,
podendo ser fecaloides. A distensão abdominal
é proeminente.
Exame Físico: Na fase inicial, a ausculta revela ruídos
hidroaéreos aumentados, de ;mbre metálico ("ruídos
de luta"). Na fase tardia, com a fadiga da musculatura
intes;nal, há silêncio abdominal.
• Imagem:
Radiografia de abdome (em pé e deitado): Mostra
múl;plos níveis hidroaéreos, com padrão de
"empilhamento de moedas" no delgado ou distensão
de haustrações no cólon.
Sinal do "Grão de Café": Imagem radiológica
patognomônica do Volvo de Sigmoide, mostrando uma
alça sigmoide enormemente distendida que se
projeta do quadrante inferior esquerdo em direção ao
hipocôndrio direito.
TC de abdome: É o padrão-ouro para definir o nível, a
causa e a presença de complicações
(estrangulamento).
Medidas Iniciais (para quase todos os
casos): Jejum, Sonda Nasogástrica em aspiração para
descompressão e prevenção de broncoaspiração, e
correção dos distúrbios hidroeletrolí;cos.
1. Tratamento Conservador vs. Cirúrgico:
Tratamento conservador (24-48h) pode ser tentado na
obstrução por bridas, se não houver sinais de
estrangulamento (febre, taquicardia, leucocitose, dor
condnua, peritonite).
Cirurgia de emergência é indicada na presença de
sinais de estrangulamento, ou em obstruções de alça
fechada (hérnias encarceradas, volvo).
4. Pancrea\te Aguda
O conceito central é a a\vação prematura das enzimas
diges\vas dentro das células acinares do pâncreas. O
tripsinogênio é a;vado em tripsina, que por sua vez
a;va uma cascata de outras enzimas (elastase,
fosfolipase A2), resultando na autodigestão do
parênquima pancreá;co. Isso desencadeia uma
resposta inflamatória local intensa que pode evoluir
para uma Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica
(SIRS), levando à falência de múl;plos órgãos.
• E\ologias Principais: Você precisa saber as
duas primeiras de cor.
Biliar (40%): A causa mais comum. Um cálculo biliar
migra da vesícula, passa pelo ducto cís\co e obstrui
transitoriamente a papila de Vater, causando refluxo
de bile ou aumento da pressão ductal e a;vando as
enzimas pancreá;cas.
Alcoólica (30%): A segunda causa mais comum. O
álcool tem múl;plos efeitos tóxicos diretos sobre as
células acinares.
Outras: Pós-CPRE (iatrogênica), Hipertrigliceridemia
severa (>1000 mg/dL), Hipercalcemia, Drogas, Trauma,
Autoimune.
O diagnós\co é feito com 2 dos 3 critérios a seguir.
Você não precisa dos três.
1. Quadro Clínico Típico:
Dor abdominal em faixa, no andar superior do abdome
(epigástrio), de início agudo, forte intensidade, que
irradia para o dorso. A dor classicamente melhora
quando o paciente se inclina para a frente (posição de
prece maometana). Náuseas e vômitos refratários são
extremamente comuns.
Vicente Neto – Medicina USJT TIV - 822165495
2. Elevação das Enzimas Pancreá\cas:
Lipase ou Amilase sérica ≥ 3 vezes o limite superior da
normalidade.
Por que a Lipase é superior? Mais Específica: A amilase
pode estar elevada em muitas outras condições
(caxumba, perfuração de víscera oca, isquemia
mesentérica, doença renal).
Mais Sensível: Sobe mais precocemente.
Janela Diagnós\ca Maior: Permanece elevada por
mais tempo (7 a 14 dias), enquanto a amilase pode
normalizar em 3 a 5 dias.
3. Achados de Imagem Caracterís\cos:
Importante: A imagem não é necessária para o
diagnós\co se os critérios 1 e 2 já estão presentes.
USG de abdome: Deve ser feito em todos os pacientes
na admissão para inves;gar a e\ologia biliar (procurar
cálculos na vesícula ou dilatação do colédoco).
TC de abdome com contraste: É o exame de escolha
para avaliar a gravidade e as complicações (necrose,
coleções), não para o diagnós;co inicial. Geralmente é
indicada após 48-72h do início dos sintomas, quando as
complicações se tornam mais evidentes.
Após o diagnós;co, sua prioridade é estra\ficar a
gravidade para definir o local de tratamento
(enfermaria vs. UTI).
• Classificação de Atlanta (Revisada): É a forma
moderna de classificar.
Leve: Sem falência de órgãos e sem complicações
locais (como necrose ou coleções).
Moderadamente Grave: Com falência de
órgãos transitória ( 48h). Alta
mortalidade.
• Escores Prognós\cos (Ferramentas para
prever a gravidade):
Ranson: Escore clássico, mas pouco prá;co. Avalia 11
parâmetros naadmissão e com 48 horas. É importante
saber que existe para provas.
APACHE II: Escore geral de gravidade para pacientes de
UTI. É mais complexo, mas pode ser calculado
diariamente para monitorar a evolução do paciente.
Balthazar (Escore Tomográfico): Avalia a gravidade
com base nos achados da TC. Leva em conta a
inflamação peripancreá;ca e, o mais importante,
a porcentagem de necrose pancreá\ca. A presença e a
extensão da necrose são os principais determinantes
do prognós;co.
O tratamento da pancrea;te aguda é de suporte. Não
há "remédio" para a inflamação. Seu papel é manter
o paciente vivo enquanto o pâncreas se recupera.
1. Hidratação Venosa Agressiva:
A medida mais importante nas primeiras 24 horas. A
inflamação maciça causa sequestro de grandes
volumes de líquido para o retroperitônio, levando à
hipovolemia, hipotensão e má perfusão dos órgãos,
inclusive do próprio pâncreas (o que piora a necrose).
Conduta: Infusão de cristaloides (Ringer Lactato é
preferível) em grande volume (ex: 5-10 mL/kg/h), com
monitoramento rigoroso da resposta (débito urinário,
frequência cardíaca, pressão arterial).
2. Analgesia Adequada:
A dor é excruciante e aumenta o estresse metabólico.
Conduta: Opioides venosos (morfina, fentanil) são a
base do tratamento. O an;go medo de que a morfina
causasse espasmo do esUncter de Oddi não se provou
clinicamente relevante.
3. Nutrição Enteral Precoce:
O dogma do "jejum pancreá;co" prolongado
está ultrapassado.
o Conduta:
Pancrea\te Leve: Iniciar dieta oral com baixa gordura
assim que a dor melhorar e os vômitos cessarem.
Pancrea\te Moderada/Grave: Se o paciente não for
capaz de se alimentar por via oral em 48-72h,
a nutrição enteral por sonda nasoenteral deve ser
iniciada. Ela mantém a integridade da barreira
intes;nal, reduz a translocação bacteriana e diminui o
risco de infecção da necrose. A Nutrição Parenteral
Total (NPT) é a úl;ma opção, reservada para quando a
via enteral não é possível.
Vicente Neto – Medicina USJT TIV - 822165495
Ponto-chave final: An\bió\cos NÃO são usados
profila\camente. Eles são reservados apenas para
casos de infecção confirmada da necrose ou outras
infecções concomitantes (como colangite).
5. Hemorragias Diges\vas
O protocolo ATLS do sangramento gastrointes;nal se
aplica a TODA hemorragia diges;va, alta ou baixa,
antes mesmo de você saber a origem.
Avaliação da Estabilidade Hemodinâmica: Olhe para o
paciente, não para o monitor. Paciente pálido,
sudoreico, taquicárdico, hipotenso, com rebaixamento
do nível de consciência? Ele está em choque.
1. Monitorização, Oxigênio, Veia (M.O.V.):
Monitorização: cardíaca, oximetria de pulso, pressão
arterial.
Oxigênio: suplementar para manter SatO2 > 94%.
Veia: A etapa mais crí;ca. DOIS acessos venosos
periféricos CALIBROSOS (calibre 14G ou 16G). Um
acesso central não é a prioridade inicial, a menos que
os acessos periféricos sejam impossíveis.
2. Ressuscitação Volêmica:
Cristaloides: Inicie infusão rápida de Ringer Lactato ou
Soro Fisiológico 0.9% enquanto o sangue não chega.
Transfusão Sanguínea: Não espere o resultado do
hemograma para transfundir um paciente em choque.
A indicação é clínica. Para pacientes estáveis, a
estratégia é restri;va: transfundir se Hemoglobina 9 g/dL).
Coleta de Exames: Ao puncionar os acessos, já colete
sangue para: ;pagem sanguínea e prova cruzada
(essencial), hemograma completo, coagulograma,
função renal e eletrólitos.
Sonda Nasogástrica (SNG): Pode ser ú;l. Um aspirado
com sangue vivo ou "borra de café" confirma HDA. Um
aspirado limpo, sem bile, não a exclui (o piloro pode
estar fechado). Um aspirado bilioso e sem sangue
pra\camente descarta uma HDA a\va significa\va.
• Hemorragia Diges\va Alta (HDA)
Sangramento proximal ao ligamento de Treitz.
Hematêmese: Vômito com sangue vivo, vermelho
ru;lante (sangramento agudo e volumoso) ou em
"borra de café" (sangue digerido pelo ácido gástrico).
Melena: Fezes pretas, brilhantes, pastosas e
extremamente fé;das. Indica que o sangue
permaneceu no trato GI por tempo suficiente para ser
digerido. Uma única melena pode significar um
sangramento de pelo menos 100-200 mL.
• Principais E\ologias
Doença Ulcerosa Pép\ca (DUP) (50%): A causa número
1, geralmente associada a H. pylori e uso de AINEs.
Varizes Esofagogástricas (20%): A segunda causa mais
comum, mas a de maior mortalidade. Suspeitar em
todo paciente com es;gmas de hepatopa;a crônica
(icterícia, ascite, aranhas vasculares).
Laceração de Mallory-Weiss: Ruptura da mucosa da
junção esofagogástrica após vômitos intensos e
repe\\vos.
Lesão de Dieulafoy: Uma artéria submucosa de calibre
anormalmente grande que se erode através da mucosa
sem uma úlcera primária, causando sangramento
maciço.
• Medidas Farmacológicas (após estabilização):
Inibidor de Bomba de Prótons (IBP): Omeprazol ou
Pantoprazol em dose de ataque venosa, seguida de
infusão condnua, especialmente na suspeita de DUP.
Diminui o risco de ressangramento.
Drogas Vasoa\vas: Se a suspeita for de sangramento
por varizes, inicie Terlipressina ou Octreo;de o mais
rápido possível.
• Diagnós\co e Terapia: O padrão-ouro é
a Endoscopia Diges\va Alta (EDA).
Timing: Deve ser realizada nas primeiras 24 horas após
a estabilização hemodinâmica.
Função: Permite o diagnós;co, a estra;ficação de risco
(ex: Classificação de Forrest para úlceras) e o
tratamento hemostá;co (injeção de adrenalina,
hemoclipes, eletrocoagulação).
• Hemorragia Diges\va Baixa (HDB)
Sangramento distal ao ligamento de Treitz.
Vicente Neto – Medicina USJT TIV - 822165495
Hematoquezia: Sangue vivo ou vermelho escuro
misturado às fezes. É a forma mais comum.
Enterorragia: Grande volume de sangue vivo, sem
fezes, indicando um sangramento mais rápido e
volumoso.
• Principais E\ologias
Doença Diver\cular (50%): A causa número 1 em
idosos. O sangramento é ;picamente súbito, indolor e
de grande volume.
Angiodisplasias (20%): Malformações vasculares
(MÁVs), mais comuns no cólon direito.
Outras: Neoplasia colorretal (geralmente sangramento
oculto ou de pequeno volume), doença inflamatória
intes;nal, colite isquêmica, pós-polipectomia,
hemorroidas internas.
• Manejo Específico e Diagnós\co
História Natural (Ponto-Chave): A grande maioria dos
casos de HDB (cerca de 80-85%) cessa
espontaneamente. Isso torna a abordagem menos
urgente que a da HDA na maioria dos casos.
• Diagnós\co: A estratégia depende da
a;vidade do sangramento após a estabilização.
Paciente estável e sangramento cessou: O exame de
escolha é a Colonoscopia, realizada após preparo
adequado do cólon. Permite diagnós;co e terapia.
Paciente instável ou com sangramento a\vo e
maciço: A colonoscopia é inú;l (o sangue impede a
visualização). A sequência é:
Angiotomografia: É o exame de escolha. É rápido, não
invasivo e iden;fica com precisão o local do
sangramento a;vo (extravasamento de contraste para
a luz intes;nal).
Arteriografia: Se a Angio-TC mostra o local, a
arteriografia pode ser feita em seguida. Ela confirma o
diagnós;co e permite o tratamento imediato através
da embolização sele\va do vaso sangrante.
6. Queimaduras
Antes de qualquer cálculo, você segue o ABCDE do
trauma, adaptado para o queimado. A queimadura de
pele não é a prioridade imediata.
A - Via Aérea com Controle Cervical:
A maior prioridade. A inalação de fumaça quente
causa edema de glote que pode fechar a via aérea em
minutos.
Sinais de Lesão de Via Aérea por Inalação (Procure
A\vamente): Queimaduras em face ou pescoço, pêlos
nasais chamuscados, escarro carbonáceo (preto),
rouquidão ou estridor.
Conduta: Na dúvida, intube. A intubação orotraqueal
precoce e profilá;ca é mandatória se houver qualquer
um desses sinais. Esperar pelo estridor franco pode ser
tarde demais.
B - Ven\lação e Respiração:
Administre oxigênio a 100% com máscara não
reinalanteem todos os grandes queimados.
Intoxicação por Monóxido de Carbono (CO): Lembre-
se que a oximetria de pulso será falsamente normal,
pois o oxímetro não diferencia a carboxihemoglobina
da oxiemoglobina. O diagnós;co é pela história
(ambiente fechado) e pela gasometria com co-
oximetria.
Queimaduras Circunferenciais de Tórax: Uma escara
de 3º grau, espessa e dura, ao redor do tórax pode
funcionar como um colete, restringindo a expansão
torácica. Se houver insuficiência respiratória por essa
causa, a conduta é a escarotomia de emergência.
C - Circulação com Controle de Hemorragia:
O choque inicial no queimado é o choque
hipovolêmico.
Conduta: Obtenha dois acessos venosos periféricos de
grosso calibre (14G ou 16G), de preferência em área
não queimada. Se não for possível, pode-se puncionar
através da queimadura. Inicie a infusão de Ringer
Lactato aquecido.
D - Déficit Neurológico / E - Exposição:
Avalie o nível de consciência. Se rebaixado, considere
hipóxia, intoxicação por CO ou trauma craniano
associado.
Remova toda a roupa e joias do paciente (que podem
reter calor e funcionar como torniquetes com o
edema). Lave a superUcie corporal para parar o
processo de queimadura. Imediatamente após, cubra o
Vicente Neto – Medicina USJT TIV - 822165495
paciente com mantas limpas e secas e aqueça o
ambiente para prevenir a hipotermia, uma
complicação gravíssima.
• Avaliação da Queimadura
Uma vez estabilizado, você quan;fica a lesão.
1. Profundidade (Classificação):
1º Grau: A;nge apenas a epiderme. Caracterizada por
eritema (vermelhidão) e dor. Não forma bolhas. Ex:
queimadura solar. Não entra no cálculo da SCQ para
hidratação.
2º Grau: A;nge a derme. A presença de bolhas
(flictenas) é a sua marca registrada. É extremamente
dolorosa e a base da lesão é úmida e rosada.
3º Grau: Destruição de toda a espessura da pele
(epiderme e derme), a;ngindo o tecido subcutâneo. A
lesão é seca, dura, com aspecto de couro, de coloração
esbranquiçada, marrom ou preta. É indolor ao toque,
pois as terminações nervosas foram destruídas.
2. Extensão (Cálculo da Superlcie Corporal
Queimada - SCQ):
Regra dos 9 de Wallace (para adultos): É o método
mais rápido e prá;co.
• Cabeça e Pescoço: 9%
• Tronco Anterior (tórax + abdome): 18%
• Tronco Posterior (dorso + lombar): 18%
• Cada Membro Superior: 9%
• Cada Membro Inferior: 18%
• Períneo: 1%
Localização: Queimaduras em áreas especiais são
sempre consideradas graves e devem ser referenciadas
a um centro de queimados: face, mãos, pés,
genitália/períneo e grandes ar;culações. Queimaduras
circunferenciais de membros e tórax também são
graves.
• Ressuscitação Volêmica
A queimadura desencadeia uma resposta inflamatória
sistêmica maciça, que aumenta a permeabilidade
capilar. O plasma extravasa para o espaço inters;cial,
causando edema e uma perda brutal de volume
intravascular. A reposição volêmica visa compensar
essa perda.
• A Fórmula de Parkland (ou de Baxter):
VT de Ringer Lactato (mL) nas primeiras 24h = 4 x
Peso do Paciente (kg) x SCQ (%)
A Regra de Infusão (Tão importante quanto a
fórmula):
Metade (50%) do volume total deve ser infundida
nas primeiras 8 horas a par;r do momento do acidente
(não da chegada ao hospital).
A outra metade (50%) deve ser infundida nas 16 horas
seguintes.
Monitoramento da Resposta: A fórmula é um guia. A
adequação da hidratação é medida pela resposta
clínica, principalmente pelo débito urinário,
monitorado por sonda vesical.
Meta em Adultos: 0.5 a 1.0 mL/kg/hora.
Se o débito es;ver baixo, aumente a infusão. Se es;ver
alto, diminua.