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Derrame Pleural Pleuras: são sacos formados por uma membrana serosa, chamada de pleura. A camada externa é a pleura parietal e a interna é a pleura visceral. A pleura parietal cobre a superfície interna da parede torácica, a superfície superior do diafragma e as superfícies laterais do mediastino. A partir do mediastino, ela se reflete lateralmente envolvendo os grandes vasos que seguem para o pulmão (raiz pulmonar). Na área onde esses vasos entram no pulmão, a pleura parietal é contínua à pleura visceral, que cobre a superfície externa do pulmão. O espaço entre as pleuras parietal e visceral é a cavidade pleural, preenchida com uma película fina de fluido pleural. Produzido pelas pleuras, esse fluido lubrificante permite que os pulmões deslizem sem atrito sobre a parede torácica durante os movimentos respiratórios. O fluido mantém as pleuras unidas, elas podem deslizar com facilidade, mas sua separação sofre forte resistência. A pressão na cavidade pleural, que é negativa em relação a pressão atmosférica, mantém os pulmões contra a parede do tórax e o impede de entrar em colapso. Os distúrbios da pleura incluem derrame pleural, hemotórax, pneumotórax e inflamação pleural. A pleura parietal é suprida por artérias intercostais. Além disso, a pleura parietal contém fibras nervosas sensitivas, responsável pelo principal local de sensação de dor na pleura. O líquido pleural normal surge dos vasos pleurais sistêmicos em ambas as pleuras, flui através das membranas pleurais permeáveis para dentro do espaço pleural, e sai do espaço pleural via vasos linfáticos pleurais parietais. As membranas pleurais são permeáveis à líquido e proteína; O termo derrame pleural é usado para descrever o acúmulo anormal de líquido ou exsudato na cavidade pleural (quando a taxa de formação excede a de remoção). Ele é uma manifestação comum de doenças pleurais primárias ou secundárias, que podem ser inflamatórias ou não inflamatórias. Normalmente, não mais do que 15 mL de um líquido seroso, relativamente acelular e claro, lubrificam a superfície pleural. Epidemiologia: 20% a 30% dos pacientes internados por pneumonia adquirida na comunidade, cursam para derrame pleural. Etiologia: os derrames pleurais podem surgir de etiologias diversas, sendo a partir de membranas próximas ou de órgãos torácicos ou abdominais mais distantes. As causas mais comuns são: insuficiência cardíaca congestiva, etiologia neoplásica e secundária ao embolismo pulmonar. Fisiopatologia: O derrame pleural é uma complicação frequente da infecção pulmonar aguda e pode afetar sua morbidade e mortalidade. A possível evolução de um derrame pleural parapneumônico inclui 3 estágios: exsudativo (simples acúmulo de líquido pleural), fibropurulento (invasão bacteriana da cavidade pleural) e organizado (formação de tecido cicatricial). Tal progressão é favorecida por tratamento inadequado ou desequilíbrio entre a virulência microbiana e as defesas imunológicas. Acontece quando há um aumento da pressão hidrostática da microcirculação, vasos ficam turgidos e facilita o extravasamento de líquido para fora, no espaço pleural (insuficiência cardíaca) Pode acontecer também uma diminuição da pressão oncótica vascular; aumento da permeabilidade vascular (substâncias pró-inflamatórias são liberadas, como na pneumonia); bloqueio da drenagem linfática; passagem de líquido a partir do espaço peritoneal; Em situações clínicas, o acúmulo de líquido é devido as alterações tanto na velocidade entrada quanto de saída; O líquido acumulado pode ser transudatos ou exsudatos. Os transudatos formam-se por extravasamento de líquido através de uma barreira capilar intacta, devido a aumentos nas pressões hidrostáticas ou reduções nas pressões osmóticas através dessa barreira. Os transudatos indicam que as membranas pleurais não estão doentes. Já os exsudatos, se forma a partir do extravasamento de líquido e proteína através de uma barreira capilar alterada com aumento da permeabilidade. Transudatos: incluem líquidos com baixo teor de proteína e a maioria deles são causados por insuficiência cardíaca congestiva. Exsudatos: surgem dos leitos capilares lesionados no pulmão, pleura ou tecidos adjacentes. A maioria deles está associado a pneumonia ou embolia pulmonar, provavelmente se forma após inflamação pulmonar e lesão, quando um edema pulmonar com alto teor de proteína extravasa. As condições que produzem esse tipo de derrame pleural incluem: pneumonia bacteriana, infecção viral, infarto pulmonar e câncer. O exsudato pleural contém células inflamatórias. Derrames pleurais transudativos e exsudativos podem ser diferenciados pela medição dos níveis de lactato desidrogenase (LDH), enzima liberada a partir do tecido pleural inflamado ou lesionado. Epiema (DP inflamatório): derrames parapneumônicos constituem um tipo comum de derrame pleural e são amplamente causados por infecções bacterianas, como pneumonia. O epiema é caracterizado por uma infecção na cavidade pleural, que resulta em exsudato que contém glicose, proteínas, leucócitos e restos de células e tecidos mortos. Apresenta pus loculado, verde- amarelado e cremoso, composto por massas de neutrófilos mesclados com outros leucócitos. Quilotórax (DP não inflamatório): é o derrame de linfa na cavidade torácica. É a causa mais comum de derrame pleural no feto e no recém-nascido, resultante de malformação congênita dos ductos torácicos ou dos canais linfáticos. Hemotórax (DP não inflamatório): é o escape de sangue para a cavidade pleural, é uma complicação fatal de uma ruptura de aneurisma aórtico ou trauma vascular, ou pode ocorrer no pós-operatório. O sangramento pode ser resultado de uma lesão no tórax, uma complicação cirúrgica torácica, câncer, ruptura de um grande vaso, como aneurisma da aorta. Ele pode ser classificado como mínimo, moderado e grande. O mínimo envolve, pelo menos, 250 mL de sangue no espaço pleural. Pequenas quantidades de sangue podem ser absorvidas, e geralmente o hemotórax desaparece em um intervalo de 10 a 14 dias. Manifestações clínicas: os sintomas mais comuns – tríade clássica – são a dor torácica pleurítica (ventilatório dependente), tosse (seca) e dispneia progressiva. A dor torácica pleurítica deriva da inflamação da pleura parietal e possivelmente da visceral. Esse sintoma é acompanhado por fricção da pleura audível ou palpável, mostrando que há algo errado; A tosse pode ser induzida por distorção do pulmão, da mesma maneira que a tosse segue-se ao colapso pulmonar decorrente de um pneumotórax; A dispneia é causada pela ineficiência mecânica dos músculos respiratórios que são estirados pelo deslocamento em direção externa da parede torácica e pelo deslocamento para baixo do diafragma. Após a remoção do líquido, há rápido alívio da dispneia. Os sinais característicos de derrame pleural são: submacicez ou macicez à percussão e redução de sons respiratórios; Diagnóstico: a anamnese e o exame físico são fundamentais para uma avaliação de derrame pleural; alguns medicamentos estão associados ao derrame pleural, como: metotrexato, amiodarona, fenitoína e beta-bloqueadores. O exame de tórax revela percussão maciça, frêmito ausente e diminuição ou ausência de murmúrio vesicular. Exames complementares: radiografia, ultrassonografia e tomografia computadorizada (TC) de tórax. Pode ser realizada toracocentese de alívio, para obter uma amostra do líquido pleural para o diagnóstico. Na radiografia póstero-anterior é necessária uma quantidade de líquido maior que 200 mL para obliterar o recesso costofrênico lateral, enquanto na radiografia de perfil, basta 50 mL para alterar o recesso costofrênico posterior; A ultrassonografiaestá indicada nos casos de dúvida e para ajudar na localização da punção nos derrames pleurais pequenos ou loculados. A toracocentese ocorre na presença de derrame pleural maior que 10mm na radiografia em decúbito lateral ou na USG, sem causa conhecida; Ela é realizada com propósito de diagnóstico, a menos que o paciente apresente dispneia ao repouso, onde a forma terapêutica é realizada com retirada de até 1500mL. A análise do líquido vai avaliar o aspecto para promover dicas diagnósticas, se for sanguinolento indica malignidade, TEP ou trauma; se for leitoso, indica quilotórax ou pseudoquilotórax; puruleto indica empiema; odor pútrido indica infecção anaeróbica. O critério de Light é usado para diferenciar exsudato e transudato. Pneumotorax Se refere a existência de ar no espaço pleural. Ele provoca o colapso parcial ou total do pulmão afetado. O pneumotórax pode suceder sem uma causa óbvia ou lesão (pneumotórax espontâneo) ou como resultado de uma lesão direta ao tórax ou às grandes vias respiratórias (pneumotórax traumático) ↠ O pneumotórax espontâneo primário (PEP) se apresenta sem um evento externo precipitante na ausência de doença pulmonar clínica; ↠ O pneumotórax espontâneo secundário (PES) apresenta como complicação da doença pulmonar subjacente; ↠ O pneumotórax traumático pode ser categorizado em: Iatrogênico: induzido por um procedimento médico (p. ex.: biópsia, cateterismo venoso central). Não iatrogênico: por trauma externo, podendo ser chamado também de “pneumotórax aberto”. ↠ Quando o defeito atua como válvula, permitindo a entrada de ar durante a inspiração, mas não a sua saída durante a expiração, ele funciona efetivamente como uma bomba de ar, criando pressões progressivamente crescentes no pneumotórax hipertensivo, que podem ser suficientes para comprimir as estruturas mediastinais vitais e o pulmão contralateral. Os principais fatores de risco incluem pequenas manchas subpleurais (sacos de ar entre o tecido pulmonar e a pleura), tabagismo e predisposição genética (herança recessiva autossômica ligada ao X). Fisitopatologia: Em sujeitos normais, a pressão no espaço pleural é negativa com relação à pressão alveolar durante todo o ciclo respiratório. O gradiente de pressão entre os alvéolos e o espaço pleural — a pressão transpulmonar — é o resultado da retração elástica inerente do pulmão. As principais consequências fisiológicas de um pneumotórax são a diminuição da capacidade vital e da Po2 arterial. O pneumotórax reduz o volume pulmonar, a complacência pulmonar e a capacidade de difusão. As consequências dependem do tamanho do pneumotórax. O pneumotórax espontâneo se desenvolve devido à ruptura de uma bolha de ar na superfície do pulmão. Como a pressão alveolar normalmente é maior do que a pressão pleural, o ar flui dos alvéolos para o espaço pleural provocando o colapso da porção envolvida do pulmão. O pneumotórax espontâneo é dividido em primário e secundário. O pneumotórax primário se desenvolve em pessoas saudáveis, enquanto o pneumotórax secundário ocorre em pessoas com doença pulmonar subjacente. Os casos de pneumotórax espontâneo secundário geralmente são mais graves, porque se desenvolvem em pessoas com doença pulmonar subjacente. Estão associados a diferentes tipos de doenças pulmonares causadoras do aprisionamento de gases e da destruição do tecido pulmonar. Pneumotórax catamenial: está relacionado com o ciclo menstrual e geralmente é recorrente. Sua causa é desconhecida, mas existe a ideia de que durante a menstruação o ar pode ter acesso a cavidade peritoneal, e em seguida, entrar na cavidade pleural através de um defeito no diafragma. Pneumotórax de tensão: acontece quando a pressão intrapleural excede a pressão atmosférica. É potencialmente fatal, pois permite que o ar entre, mas não consiga sair do espaço pleural. Manifestações clínicas: dependem do tamanho e da integridade do pulmão. Nos casos de pneumotórax espontâneo, as manifestações da doença por vezes incluem o desenvolvimento de dor torácica ipsilateral. Ocorre aumento quase imediato da frequência respiratória, muitas vezes acompanhado por dispneia, que se manifesta como resultado da ativação de receptores que monitoram o volume pulmonar. Pode haver assimetria do tórax por causa do ar que estiver aprisionado na cavidade pleural no lado afetado. Nos casos de pneumotórax de tensão, as estruturas no espaço do mediastino se deslocam para o lado oposto da caixa torácica. Quando isto ocorre, a posição da traqueia, que normalmente se localiza na linha média do pescoço, se desvia junto com o mediastino. Devido ao aumento na pressão intratorácica, ocorre uma redução do volume sistólico de tal ponto que o débito cardíaco é diminuído, apesar de um aumento na frequência cardíaca. Geralmente se desenvolve hipoxemia logo depois de um grande pneumotórax. Diagnóstico: A suspeita do diagnóstico é feita pela história e pelo exame físico. Já a confirmação do diagnóstico efeita sempre por exames de imagem. A exceção a essa regra é a ocorrência de pneumotórax hipertensivo, situação que o diagnóstico presuntivo (sem a confirmação por exames de imagem) obriga ao imediato tratamento, tendo em vista a emergência médica e o risco de óbito. Nesse caso, a saída de ar sob pressão através da agulha/abocath ou do dreno de tórax confirma o pneumotórax. O exame de imagem habitualmente utilizado é a radiografia convencional de tórax de boa qualidade. São necessários pelo menos 50 mL de ar para que o pneumotórax seja visível na radiografia ereta. O consenso brasileiro de doenças pleurais adotou a medida da distância entre o ápice do pulmão e o ápice do estreito superior da cavidade pleural. Caso essa distância seja maior que 3 cm, define-se o pneumotórax como de grande volume.