Prévia do material em texto
11 Diego Brandão Oliveira CLÍNICA MÉDICA X GASTRITES, GASTROPATIAS E DISPEPSIA 2 SUMÁRIO GASTRITES, GASTROPATIAS E DISPEPSIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 1. O estômago. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 2. Gastrite x gastropatia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 2.1. Gastrite por helicobacter pylori . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 2.2. Gastrite atrófica autoimune . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.3. Gastropatia hemorrágica erosiva aguda e gastropatia reativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 2.4. Ectasia vascular antral (GAVE) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 2.5. Gastrite eosinofílica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 2.6. Gastrite flegmonosa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 2.7. Gastrite linfocítica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 2.8. Gastropatias hipertróficas (incluindo doença de ménétrier) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 3. Dispepsia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 3.1. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Mapa mental . Avaliação inicial da dispepsia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 3 GASTRITES, GASTROPATIAS E DISPEPSIA O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u Gastrite e gastropatia são termos diferentes definidos por meio da análise histopatológica. A gastrite é secundária a infecções e a doenças autoimunes, e a gastropatia, por sua vez, geralmente está relacionada com irritantes de mucosa. u A gastrite por H. pylori é a mais comum, e o maior risco de infecção é na infância. u Principais indicações de pesquisa: dispepsia, doença ulcerosa péptica, linfoma MALT, história pregressa ou familiar de câncer gástrico. u Para diagnóstico, o teste não invasivo padrão-ouro é o da ureia respiratória, enquanto o invasivo é a histopatologia. u O tratamento de primeira linha é a associação de amoxacilina + clatritromicina + IBP, por 14 dias. u Em relação à dispepsia, é importante saber quando indicar a endoscopia: pacientes com mais de 40 anos com dispepsia não investigada, não respondedores de tratamento empírico e com sinais de alarme. 1. O ESTÔMAGO Antes de falarmos sobre as principais patologias gástricas, vamos revisar alguns conceitos fisioló- gicos? O estômago é a parte mais larga do tubo digestivo, situando-se entre o esôfago e o duodeno, sendo responsável pelo armazenamento temporário do que ingerimos, pela quebra mecânica de alimentos sólidos e pela digestão enzimática, principalmente de proteínas. Anatomicamente, ele é dividido em qua- tro porções: cárdia, fundo, corpo e antro (Figura 1). BASES DA MEDICINA Quando vazio, o estômago tem calibre apenas ligeira- mente maior que o do intestino grosso, porém ele tem boa capacidade de expansão, podendo conter de 2 a 3 litros de alimento. Figura 1. Representação esquemática da anatomia do estômago. Fonte: Olga Bolbot/Shutterstock.com¹. Do ponto de vista histológico, a mucosa do estô- mago é glandular, sendo as células epiteliais super- ficiais as principais responsáveis pela secreção de muco e bicarbonato, os quais têm a função de importância/prevalência Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia 4 proteção. Além disso, suas glândulas são divididas em 2 tipos: oxíntica e pilórica. As glândulas oxínticas compreendem 80% do órgão (fundo e corpo) e são compostas por: 1) células parietais (ou oxínticas), que são responsáveis pela produção de ácido clorídrico (HCl) e fator intrínseco; 2) células zimogênicas (ou principais), as quais secretam pepsinogênio e lipase; 3) células neuroen- dócrinas, tipo enterocromafim (ECL), produtoras de hormônios, como a histamina (Figura 2). Figura 2. A glândula oxíntica. Fonte: Acervo Sanar. Gastrites, gastropatias e dispepsia 5 BASES DA MEDICINA O fator intrínseco é produzido apenas no estômago, sendo fundamental na absorção da vitamina B12. O pep- sinogênio é uma enzima inativa que, na luz do estômago e em contato com o meio ácido, é ativado em pepsina, responsável pela digestão das proteínas. As glândulas pilóricas se localizam no antro e têm como principal função a produção de gastrina pelas células G. BASES DA MEDICINA As células D, produtoras de somatostatina (inibidor da gastrina), podem ser encontradas tanto nas glândulas oxínticas quanto nas glândulas pilóricas. O estímulo parassimpático (acetilcolina), a presença de aminoácidos no lúmen e a distensão da parede do estômago estimulam diretamente a atividade das células G, liberando a gastrina, que atua nas células neuroendócrinas para produzir histamina, a qual age na célula parietal para produzir HCl pela bomba de prótons H+K+ATPase (Figura 3). A gas- trina também age diretamente na célula parietal, estimulando sua hipertrofia. Figura 3. Representação da secreção ácida na célula parietal. Fonte: Acervo Sanar. Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia 6 2. GASTRITE X GASTROPATIA BASES DA MEDICINA Embora largamente utilizados, grande confusão é feita com o uso dos termos gastrite e gastropatia. A gastrite é entendida como uma lesão com processo inflamatório exuberante, enquanto o termo gastropatia denota lesão e regeneração de mucosa com reação inflamatória mínima ou ausente. Perceba, então, que não é o aspecto macros- cópico/endoscópico que define os termos, mas sim a análise histopatológica. É importante diferenciar os 2 termos, pois as cau- sas, a história natural e as implicações terapêuticas diferem entre si. A gastrite é geralmente secun- dária a etiologias infecciosas ou autoimunes. Por sua vez, a gastropatia é comumente secundária a substâncias irritantes, como o uso de AINEs e de álcool ou refluxo biliar. A gastropatia ainda pode ser secundária à isquemia, ao estresse físico ou à congestão crônica. DIA A DIA MÉDICO O termo endoscópico “gastrite”, que é utilizado frequente- mente para descrever enantema (vermelhidão) da mucosa, não guarda relação direta com a histologia. Diversas classificações foram e são utilizadas, porém nenhuma delas é universalmente aceita devido às limitações atuais em conhecimento sobre etiologias e patogêneses, além da coexistência de mais de um tipo de lesão num mesmo paciente. DIA A DIA MÉDICO Não há correlação entre sintomas e intensidade da lesão, seja ela endoscópica ou histológica. Por exemplo: um paciente com “gastrite intensa” não é necessariamente mais sintomático que outro com “gastrite leve”. Inclusive, não é incomum pacientes assintomáticos apresentarem gastrite no exame endoscópico.Quadro 1. Classificação de gastrites e gastropatias baseada nas etiologias. Gastrites Gastropatias Gastrite infecciosa • Helicobacter pylori • Flegmonosa • Sifilítica • Viral • Parasitária • Fúngica Gastropatia hemorrágica/rea- tiva • AINEs • Álcool • Refluxo biliar • Quimioterapia • Outras medicações (sais de ferro, fosfato de sódio, alen- dronato) Gastrite autoimune Gastropatia vascular • Ectasia vascular antral (GAVE) • Gastropatia hipertensiva portal Gastrite granulomatosa • Doença de Crohn • Sarcoidose Gastropatia isquêmica • Sepse • Hipovolemia • Trauma • Queimadura • Cocaína Etiologias incertas • Gastrite eosinofílica • Gastrite linfocítica • Gastrite colagenosa • Doença de Ménetriér Fonte: Adaptado de Dixon et al.² 2 .1 . GASTRITE POR HELICOBACTER PYLORI 2 .1 .1 . O patógeno O Helicobacter pylori (H. pylori) é um bacilo gram-ne- gativo, espiralado e flagelado (Figura 4) cuja principal enzima produzida é a urease, fundamental para sua sobrevivência no ambiente ácido do estômago. A urease hidrolisa a ureia luminal e forma amônia que aumenta o pH gástrico, promovendo um ambiente favorável para a bactéria. Somado a esse fato, sua forma espiral, os flagelos e as enzimas mucolíticas que ele produz facilitam sua passagem através da camada de muco para o epitélio da superfície gástrica, levando à inflamação e à lesão mucosa (Figura 5). Gastrites, gastropatias e dispepsia 7 Figura 4. Aspecto do Helicobacter pylori na microscopia eletrônica. Fonte: Meldau³. Figura 5. Ação do H. pylori. Fonte: Actitud saludable4. Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia 8 BASES DA MEDICINA Embora não seja um patógeno invasivo, alguns fatores de virulência são envolvidos com uma resposta inflamatória mais pronunciada e com maior risco de lesão tecidual, como os produtos dos genes cagA e vacA. A infecção crônica por Helicobacter pylori é a mais comum no mundo (prevalência em média de 50%), tendo o humano como único reservatório e, por- tanto, a fonte primária de transmissão, que ocorre por via oral. O principal fator de risco diz respeito às condições sanitárias precárias, como falta de saneamento básico, higiene inadequada etc). A infân- cia é o momento de maior risco para ocorrência da infecção. DICA A enzima urease é um importante mecanismo de sobrevivência da H. pylori. Os genes cagA e vacA são intimamente relacionados a uma maior virulência do bacilo. A infecção crônica pelo H. pylori é o principal fator de risco para a doença ulcerosa péptica, para o adeno- carcinoma gástrico e para o linfoma MALT gástrico (células B de baixo grau). Está associada também à dispepsia, à anemia ferropriva, à púrpura tromboci- topênica idiopática e à deficiência de vitamina B12. A maior parte dos infectados são assintomáticos, e o risco para desfechos desfavoráveis depende da região acometida. Confira a seguir: BASES DA MEDICINA Quando o H. pylori causa uma gastrite antral, há uma redução da somatostatina (pela destruição das células D), com consequente hipersecreção da gastrina, estimu- lando as células parietais a produzirem ácido, levando à úlcera duodenal (hiperacidez). Já na pangastrite, fundo e corpo gástrico também são afetados, e a destruição das células parietais (localizadas nessa região) leva a um ambiente de hipocloridria, podendo levar à atrofia, fator de risco tanto para úlcera gástrica quanto para o adenocarcinoma, pela cascata de Pelayo-Correa (atrofia → metaplasia → displasia → adenocarcinoma). 2 .1 .2 . Diagnóstico Mesmo com a presença de gastrite crônica, a maioria dos pacientes são assintomáticos. Quando ocorrem sintomas, os principais são os dispépticos, sobre os quais falaremos melhor mais adiante. As indicações clássicas para pesquisa da infecção por H. pylori são: dispepsia, doença ulcerosa péptica, após ressecção de câncer gástrico, linfoma MALT e pacientes com história familiar de câncer gástrico. Algumas indicações adicionais incluem ferropenia inexplicada, deficiência de vitamina B12 e Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI). DIA A DIA MÉDICO Além dessas indicações, na prática muitos pesquisam H. pylori antes de cirurgia bariátrica e previamente ao uso crônico de AAS, anticoagulantes ou AINEs. Os métodos não invasivos disponíveis são o teste respiratório da urease com carbono marcado (13C- UBT), o antígeno fecal com anticorpos monoclonais (SAT) e a sorologia. Os invasivos dependem da realização de endoscopia com biópsias, sendo a urease e a análise histopatológica os recomenda- dos. A cultura e o PCR não são realizados de rotina. De acordo com o IV Consenso Brasileiro sobre o H. pylori, o teste 13C-UBT é considerado o teste não invasivo padrão-ouro, e a histopatologia é o melhor teste invasivo. A sorologia tem muita limitação no nosso meio, pois reflete o contato e não necessa- riamente a doença ativa, podendo seu resultado positivo significar apenas cicatriz sorológica. A aparência endoscópica é normal em até 50% dos pacientes com gastrite crônica por H. pylori. Outros pacientes podem ter características endoscópicas inespecíficas, incluindo eritema da mucosa e nodu- laridade antral difusa. DIA A DIA MÉDICO Exceto para a realização da sorologia, é necessária a suspensão de antissecretores (bloqueador H2 e IBP) por pelo menos 2 semanas antes. No caso de antibióticos, são pelo menos 4 semanas. Gastrites, gastropatias e dispepsia 9 DICA O método não invasivo padrão-ouro para o diagnóstico de H. pylori é o 13C-UBT (respiratório). Já o histológico é o melhor método invasivo para esse fim. 2 .1 .3 . Tratamento BASES DA MEDICINA Além do uso de antibióticos, não podemos nos esquecer do IBP. Ele é fundamental no tratamento, não só por sua ação antimicrobiana, mas principalmente por aumentar a estabilidade e a biodisponibilidade dos antibióticos. As indicações para o tratamento estão sumarizadas no Quadro 2. Ele é baseado na antibioticoterapia associada à inibição da secreção ácida, sendo o esquema tríplice com amoxicilina + claritromicina associados a um IBP, por 14 dias, considerado a primeira linha de tratamento no Brasil (Tabela 1). Na falha do tratamento inicial, substituímos a cla- ritromicina pelo levofloxacino, por 14 dias. O controle pós-erradicação deve ser realizado pelo menos quatro semanas após o final do tratamento, sendo o teste 13C-UBT e o SAT os métodos de escolha. A histologia é um método invasivo alterna- tivo e reservado apenas a alguns pacientes, como no controle de úlcera gástrica. O método da urease não pode ser utilizado como método isolado na pesquisa pós-tratamento devido à diminuição da sua eficácia. BASES DA MEDICINA Os métodos de escolha para controle de erradicação são o 13C-UBT e o SAT (ambos não-invasivos) após 4 semanas do término do tratamento. A exceção ocorre na presença de úlcera gástrica, quando é preciso repetir a endoscopia para avaliar a cicatrização e a suspeita de malignidade. Quadro 2. Indicações de tratamento do H. pylori. Indicações clássicas Indicações adicionais • Gastrite por H. pylori • Dispepsia associada ao H. pylori • Úlcera péptica • Linfoma MALT • Após ressecção de cân- cer gástrico • Histórico familiar de cân- cer gástrico • Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) • Anemia ferropriva • Deficiência de vitamina B12 • Antes do início do uso de AAS, AINEs ou anticoagu- lantes Fonte: Coelho et al.5 Tabela 1. Esquemas de tratamento do H. pylori. Situação Droga Dose Duração do tratamento 1ª linha (terapia tríplice) IBP Claritromicina Amoxicilina Dose padrão, 12/12h 500 mg, 12/12h 1 g, 12/12h 14 dias Retratamento (após a primeira falha) IBP Levofloxacina Amoxicilina Dose padrão, 12/12h 500 mg, 24/24h 1 g, 12/12h 14 dias Alergia a amoxicilina IBP Claritromicina Levofloxacina Dose padrão, 12/12h 500 mg, 12/12h 500 mg, 24/24h 14 dias Retratamento (após a segunda falha) IBP Bismuto Tetraciclina* Metronidazol Dose padrão, 12/12h 240 mg, 12/12h 500 mg,6/6h 400 mg, 8/8h 14 dias *Tetraciclina pode ser substituída pela doxiciclina Fonte: Coelho et al.5 Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia 10 Para complementar, vamos aprender a dose padrão dos IBPs? Tabela 2. Dose padrão dos principais IBPs disponíveis no Brasil. IBPs Dose padrão Omeprazol 20 mg Pantoprazol 40 mg Esomeprazol 40 mg Lansoprazol 30 mg Rabeprazol 20 mg Dexlansoprazol 60 mg Fonte: Coelho et al.5 2 .2 . GASTRITE ATRÓFICA AUTOIMUNE BASES DA MEDICINA Patologia na qual o dano tecidual é mediado por linfócitos T, associado a produção de autoanticorpos direcionados às glândulas oxínticas, com consequente hipocloridria e redução na produção de fator intrínseco. Essa forma de gastrite acomete as mucosas de corpo e fundo, poupando o antro, e é um grande fator de risco para adenocarcinoma gástrico. A associa- ção com outras doenças autoimunes é frequente, principalmente tireoidopatias (Hashimoto e Gra- ves). Os anticorpos característicos são o anticélula parietal (mais sensível) e o antifator intrínseco (mais específico). Um achado adicional frequente é a defi- ciência de vitamina B12 (anemia megaloblástica), secundária à falta de fator intrínseco. DIA A DIA MÉDICO Além da importância para o sistema hematopoiético, a vitamina B12 participa da composição da bainha de mielina, por isso esses pacientes também podem cursar com quadros neurológicos. Outros achados laboratoriais incluem hipergastrine- mia e redução do pepsinogênio sérico tipo 1, pois além das células parietais, as zimogênicas também podem ser afetadas. Independentemente da causa – H. pylori ou au- toimune – qualquer paciente com gastrite atrófica crônica tem um risco aumentado de evoluir com adenocarcinoma gástrico. Esse processo pode acontecer durante anos de dano tecidual, numa cascata denominada Pelayo-Correa (Figura 6). Figura 6. Cascata de Pelayo-Correia. O desenvolvimento da maioria dos casos de câncer gástrico está relacionado com a progressão sequencial da gastrite. Fonte: Acervo Sanar. Gastrites, gastropatias e dispepsia 11 DIA A DIA MÉDICO Nesses casos, o patologista classifica as biópsias de acordo com os achados histológicos, graduando-as numa escala (OLGA ou OLGIM) que indica o risco de progressão para câncer e, a partir desse resultado, programamos as próximas endoscopias de rastreio. 2 .3 . GASTROPATIA HEMORRÁGICA EROSIVA AGUDA E GASTROPATIA REATIVA A gastropatia erosiva hemorrágica aguda se caracte- riza pelo desenvolvimento de lesões hemorrágicas e erosivas logo após a exposição da mucosa gástrica a diversas substâncias ou depois de uma redução substancial no fluxo sanguíneo da mucosa. É causada por irritativos, como drogas (por exemplo, AINEs, álcool), refluxo biliar, hipovolemia e con- gestão crônica. Aparece como múltiplas hemorra- gias petequiais e pequenas erosões vermelhas ou enegrecidas na endoscopia, podendo evoluir para úlceras gástricas e/ou duodenais. Clinicamente, apresenta-se como desconforto abdominal, dor, azia, náuseas, vômitos ou sangramento digestivo (hematêmese, melena ou apenas sangue oculto). A exposição prolongada a esses fatores pode levar à gastropatia reativa, uma espécie de adaptação da mucosa à injúria crônica, geralmente restrita ao antro ou próxima à gastroenteroanastomose. Não existe um achado endoscópico típico, lembrando que, por ser uma gastropatia, a análise histopatoló- gica requer reação inflamatória mínima ou ausente. As principais causas são descritas no Quadro 3. Quadro 3. Principais causas de gastropatia hemorrágica erosiva aguda/gastropatia reativa. AINEs: inibem a formação de prostaglandinas pelas células da mucosa gástrica, diminuindo a proteção contra o ácido. O tratamento consiste na suspensão das medicações, além do uso de IBPs. No caso de uso crônico, deve-se pesquisar e tratar o H. pylori, além de realizar profilaxia com IBP. Embora útil para a gastropatia, o uso de IBPs pode exacerbar a enteropatia induzida pelos AINEs. Álcool: exerce um efeito tóxico direto na mucosa gástrica, além de retardar o esvaziamento gástrico (aumentando ainda mais a exposição da mucosa). O tratamento consiste na abstinência alcoólica, sendo comum o uso de IBP e/ou sucralfato. Lesão aguda da mucosa gástrica: encontrada tipicamente em pacientes críticos na UTI. O mecanismo mais provável é a isquemia da mucosa, sendo os principais fatores de risco a presença de coagulopatia (plaquetas 1,5) e ventilação mecânica > 48 horas. Pacientes com esses fatores de risco devem receber profilaxia com IBP. Gastropatia por refluxo biliar: é causada pela disfunção ou perda do piloro (por exemplo: gastrectomia com reconstru- ção a BII). Além da endoscopia, pode ser realizada cintilografia com ácido iminodiacético, que confirma o refluxo biliar para o estômago. Quimioterapia: a lesão da mucosa gástrica é multifatorial e inclui lesão direta da mucosa, lesão induzida por vômito e imunossupressão (com infecções gástricas oportunistas). Sais de ferro: o consumo de grandes quantidades de ferro oral pode levar à necrose da mucosa gástrica, a erosões e a úlceras. Um pigmento marrom pode ser visto sobre o epitélio danificado. Cocaína: a lesão é causada por intensa vasoconstrição com subsequente isquemia devido à ativação de receptores alfa-adrenérgicos no mesentério. Preparações orais de fosfato de sódio: medicações usadas para o preparo intestinal da colonoscopia estão associadas à gastropatia hemorrágica aguda. Fonte: Elaborado pelo autor. Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia 12 2 .4 . ECTASIA VASCULAR ANTRAL (GAVE) Também conhecida como “estômago em melan- cia”, é caracterizada endoscopicamente por estrias enantemáticas planas no antro que convergem para o piloro, lembrando as faixas de uma melancia (Figura 7). As listras vermelhas representam vasos mucosos ectasiados e saculados. É encontrada em pacientes com cirrose, doenças autoimunes e em mulheres idosas. Manifesta-se principalmente por perda sanguínea crônica levando à anemia ferropriva. O tratamento inicial é endoscópico (ter- mocoagulação com plasma de argônio ou cateter bipolar), sendo o uso de medicações (talidomida, octreotida de liberação prolongada) ou antrectomia reservados aos casos refratários. Figura 7. Aspectos endoscópicos da GAVE. A) Endoscopia mostrando uma GAVE com aparência clássica de “estômago de melancia” imediatamente antes do tratamento com plasma de argônio (APC). B) Endoscopia mostrando a GAVE durante o tratamento com APC. C) Endoscopia mostrando a melhora da GAVE com formação de cicatriz. Fonte: Ohira et al.6 2 .5 . GASTRITE EOSINOFÍLICA Mais corretamente denominada como gastroen- terite eosinofílica (GEo), é uma desordem inflama- tória caracterizada por infiltração eosinofílica do estômago e do duodeno e, em alguns casos, do esôfago e do cólon, sem qualquer causa conhecida de eosinofilia. É um distúrbio raro que geralmente se apresenta da terceira à quinta década de vida. A patogênese da GEo não é bem compreendida, mas características epidemiológicas e clínicas sugerem um componente alérgico. Aproximadamente metade dos pacientes tem história de doença alérgica, incluindo asma, alergia alimentar, eczema ou rinite. Os sinais e os sintomas da GEo estão relacionados à localização, à extensão e às camadas do intes- tino com infiltração eosinofílica. Os sintomas mais comuns são dor abdominal, náusea, saciedade pre- coce, vômitos, diarreia e perda ponderal. Pacientes com infiltração eosinofílica da camada muscular podem apresentar sintomas de obstrução intestinal, enquanto aqueles com doença subserosa podem apresentar ascite isolada. O diagnóstico é baseado na presença de infiltração eosinofílica do trato gastrointestinal na biópsia e/ou líquido ascítico eosinofílico, falta de envolvimento de outros órgãos e ausência de outras causas de eosinofilia intestinal. O tratamento é baseado na terapia dietética, normalmente associado ao uso decorticosteroides. DIA A DIA MÉDICO A terapia dietética, assim como na esofagite eosinofílica, baseia-se na eliminação dos 6 grupos de alimentos mais alergênicos: leite, ovo, trigo, soja, frutos do mar e amen- doim/castanha/nozes. Gastrites, gastropatias e dispepsia 13 2 .6 . GASTRITE FLEGMONOSA BASES DA MEDICINA É um tipo raro de gastrite aguda, causado pela infecção bacteriana da parede gástrica, principalmente por Strep- tococcus spp., Staphylococcus ou polimicrobiana, com alta mortalidade. Pode ser classificada em primária ou secundá- ria. A gastrite flegmonosa primária é usualmente idiopática e ocorre após dano da parede gástrica devido a trauma. O tipo secundário é associado à infecção de órgãos adjacentes ou após procedimen- tos endoscópicos, como a dissecção Endoscópica Submucosa (ESD). Os principais fatores de risco são imunodeficiência, carcinoma gástrico, procedimento endoscópico pré- vio, doença oncológica, desnutrição e uso crônico de corticoides, porém pode ocorrer em pacientes previamente hígidos. Os sinais e os sintomas são inespecíficos (dor abdominal, febre e calafrios), devendo ser conside- rada no diagnóstico diferencial de abdome agudo. A ultrassonografia, a TC de abdome ou o ultrassom endoscópico podem ser utilizados na investiga- ção, revelando o espessamento da parede gástrica e descartando outras patologias. A endoscopia demonstra a presença de edema e enantema da mucosa gástrica com descarga fibrinopurulenta, além de permitir a realização de biópsias para o diagnóstico definitivo. Figura 8. Gastrite flegmonosa. Mucosa gravemente inflamada da parede gástrica com estreitamento do lúmen gástrico e pus branco leitoso drenando para a luz gástrica. Fonte: Ibrarullah7. O tratamento é feito com antibioticoterapia precoce, devendo-se considerar cirurgia em casos refratários ou na presença de complicações. 2 .7 . GASTRITE LINFOCÍTICA É uma causa de infiltração linfocítica da mucosa gástrica. De origem ainda não muito bem com- preendida, é provavelmente um espectro de outras doenças subjacentes. Caracteriza-se endoscopi- camente como formações nodulares com depres- são central, num padrão que a deixou conhecida como “gastrite varioliforme”. Deve-se afastar outras doenças que causam linfocitose gástrica, como gastropatias hipertróficas (incluindo Doença de Ménétrier), Doença de Crohn e sífilis. Há indícios de associação com a doença celíaca. 2 .8 . GASTROPATIAS HIPERTRÓFICAS (INCLUINDO DOENÇA DE MÉNÉTRIER) Muitas condições proliferativas, inflamatórias e infil- trativas estão associadas às pregas ou às mucosas aumentadas ou gigantes no estômago (hipertrofia difusa da mucosa ou gastropatia hipertrófica). A etiologia mais conhecida é a Doença de Ménétrier, uma condição rara e sem causa bem definida, carac- terizada por pregas gástricas gigantes, diminuição da secreção ácida e perda proteica (gastropatia perdedora de proteínas). Pode apresentar-se com uma variedade de sintomas, incluindo dor abdominal, perda ponderal, náuseas, vômitos, sangramento gastrointestinal, diarreia e anasarca (pela hipoalbuminemia). O diagnóstico é estabelecido por uma biópsia gástrica espessa mostrando hiperplasia foveolar extrema com atrofia glandular em um paciente com aumento acentuado das pregas gástricas ou rugas observadas na endoscopia ou na radiografia com bário. Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia 14 3. DISPEPSIA BASES DA MEDICINA Vamos começar esclarecendo que a dispepsia não é uma doença. Ela é uma síndrome composta por sintomas de epigastralgia e/ou desconforto pós-prandial, que pode ter várias etiologias, como a infecção pelo H. pylori, a doença ulcerosa péptica e até mesmo câncer de estômago. Na ausência de causas orgânicas, chamamos de dispepsia funcional. A dispepsia é definida pela presença regular de um ou mais dos seguintes sintomas: empachamento pós-prandial, saciedade precoce, dor e/ou queima- ção epigástrica. A maioria (70%) dos pacientes não apresenta causa orgânica que justifique os sintomas. É uma síndrome muito comum, com uma prevalência global de 5 a 11%, responsável por cerca de 40 a 70% das queixas gastroenterológicas. Num primeiro momento, a dispepsia é classificada como investigada ou não investigada. A avaliação inicial deve ser feita a partir de uma anamnese minu- ciosa e de testes laboratoriais, porém geralmente são necessários outros exames complementares para afastar causas orgânicas. A endoscopia digestiva alta (com pesquisa de H. pylori) é o exame mais utilizado, pois permite a aná- lise direta da mucosa e a identificação das causas mais frequentemente relacionadas aos sintomas dispépticos, porém apresenta indicações limitadas, devendo ser realizada em: u Pacientes > 40 anos com dispepsia não inves- tigada. u Pacientes que não responderam ao tratamento empírico com bloqueadores H2, IBP ou prociné- ticos. u Pacientes de qualquer idade com sinais de alarme. Outros exames podem ser solicitados a depender do quadro clínico, como ultrassom abdominal na suspeita de colelitíase. DICA Em pacientes com menos de 40 anos e sem sinais de alarme, podemos solicitar testes não invasivos para a pes- quisa de H. pylori, como o respiratório ou o antígeno fecal. Quadro 4. Indicações de endoscopia na investigação de dispepsia. > 40 anos* Ausência de melhora à terapia empírica inicial Perda ponderal significativa (> 5% do peso dentro de 6-12 meses) Sangramento digestivo evidente > 1 sinal de alarme Qualquer sinal de alarme de instalação rápida * O consenso brasileiro de H. pylori recomenda a idade de 40 anos como corte para a realização de endoscopia. O Colégio Americano de Gastroenterologia recomenda a idade de 60 anos. Fonte: Coelho et al.5 Quadro 5. Sinais de alarme na dispepsia. Perda de peso não intencional Disfagia progressiva Odinofagia Anemia ferropriva inexplicada Vômitos persistentes Linfadenopatia ou massa palpável História familiar de câncer do trato digestivo superior Fonte: Coelho et al.5 Após a avaliação inicial, os pacientes podem ser reclassificados em 3 grupos: u Dispepsia orgânica. u Pacientes com dispepsia, endoscopia normal e sem infecção por H. pylori. u Pacientes com dispepsia, endoscopia normal e infecção por H. pylori. Na última situação, os pacientes devem ser tratados para erradicação do H. pylori e, uma vez melho- rados os sintomas dentro de 6-12 meses após o Gastrites, gastropatias e dispepsia 15 tratamento, a dispepsia é classificada como asso- ciada ao H. pylori. Os pacientes com sintomas per- sistentes após a erradicação ou que não possuem causa orgânica que justifique os sintomas podem ser classificados como tendo dispepsia funcional. Quadro 6. Causas orgânicas de dispepsia. Doença ulcerosa péptica Malignidade gastroesofágica Cólica biliar Induzida por medicações Outras causas: doença celíaca, pancreatite crônica, esteato-hepatite, doenças gástricas infiltrativas (gas- troenterite eosinofílica/linfocítica, Doença de Crohn, sarcoidose, amiloidose), radiculopatia diabética, distúrbios metabólicos, síndromes vasculares abdominais e dor da parede abdominal. Fonte: Coelho et al.5 BASES DA MEDICINA As principais hipóteses para a fisiopatologia da dispepsia funcional são: 1) distúrbios de motilidade (retardo de esvaziamento gástrico, hipomotilidade antral e acomoda- ção gástrica prejudicada); 2) hipersensibilidade visceral, caracterizada pela redução do limiar da dor na presença de complacência gástrica normal; 3) disbiose pela frequente ocorrência de DF pós-gastroenterite infecciosa; 4) fatores psicossociais, pois é alta a associação com transtorno de ansiedade generalizada, somatização e depressão maior. De acordo com os Critérios de Roma IV, dispepsia funcional é uma síndrome clínica que impacta as atividades diárias e caracteriza-se pela presença de sintomas crônicos e recorrentes, na ausência de lesões estruturais ou metabólicas detectadas capazes de justificaro quadro clínico. A dispep- sia funcional é confirmada a partir dos seguintes critérios: Quadro 7. Critérios de Roma IV para o diagnóstico de dispepsia funcional. Sintomas recorrentes, que afetam a qualidade de vida, presentes nos últimos 3 meses e iniciados há pelo menos 6 meses, associados a 1 ou mais dos seguintes sintomas: • Empachamento pós-prandial • Saciedade precoce • Dor epigástrica • Queimação epigástrica Critérios adicionais: deve-se afastar causas orgânicas que justifiquem os sintomas. Na síndrome do desconforto pós-prandial (critérios 1 ou 2), os sintomas devem estar presentes pelo menos 3 vezes por semana. Na síndrome da dor epigástrica (critérios 3 ou 4), os sintomas devem estar presentes pelo menos 1 vez por semana. Fonte: Drossman et al.8 DIA A DIA MÉDICO Algumas regiões do Brasil apresentam uma alta taxa de infecções parasitárias, particularmente as causadas por Ascaris lumbricoides, Giardia lamblia e Strongyloides ster- coralis. O último consenso brasileiro de H. pylori mantém a recomendação de realização do exame parasitológico das fezes (devem ser solicitados em série, pelo menos 3 amostras) ou uso empírico de antiparasitários com os critérios estabelecidos pelo Consenso de Roma IV para diagnosticar dispepsia funcional. 3 .1 . TRATAMENTO Para uma melhor abordagem terapêutica, os pacien- tes com dispepsia devem ser classificados em 2 síndromes de acordo com o sintoma principal: u Síndrome do desconforto pós-prandial (empacha- mento pós-prandial e/ou saciedade precoce) pelo menos 3 vezes por semana nos últimos 3 meses. u Síndrome da dor epigástrica (não necessariamen- te relacionada às refeições), predominando dor intensa intermitente e/ou queimação epigástri- ca pelo menos 1 vez por semana nos últimos 3 meses. Vale ressaltar que as 2 situações podem estar presentes no mesmo paciente. A modificação da dieta ainda é recomendada para todos os pacientes, devendo-se evitar alimentos que potencializem os sintomas (por exemplo: alimentos gordurosos ou condimentados, café e álcool em Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia 16 excesso etc.), bem como alimentar-se devagar e em local tranquilo, além de evitar refeições copiosas. Embora largamente utilizadas, essas recomenda- ções ainda carecem de evidências fortes. O uso de terapia antissecretória, tendo como prin- cipal evidência a classe de IBPs, é considerada a primeira linha de tratamento na síndrome da dor epigástrica, devendo ser utilizada por pelo menos 8 semanas. Caso os sintomas de dismotilidade predominem, procinéticos como a domperidona ou a metoclopramida podem ser prescritos por pelo menos 4 semanas. Após esse período, caso haja persistência de sintomas, a escolha recai sobre os antidepressivos tricíclicos em doses baixas por mais 8-12 semanas, sendo a amitriptilina (10-25 mg) a droga mais utilizada. Vale ressaltar que o manejo desses pacientes não é absolutamente consensual e pode variar conforme a fonte utilizada. DIA A DIA MÉDICO Tão importante quanto a terapia medicamentosa, a boa relação médico-paciente tem um papel fundamental no sucesso do tratamento. Ouvir atentamente às queixas do paciente, explicar o caráter crônico e benigno da doença é muito importante. Tratamentos alternativos, como terapia psicocom- portamental, uso de buspirona (possível melhora na acomodação gástrica), agentes antinociceptivos (pregabalina e carbamazepina) e acupuntura podem ser prescritos, a depender da evolução do quadro. Fluxograma 1. Sugestão de avaliação diagnóstica e manejo na dispepsia funcional. Síndrome predominante Reavaliar os sintomas Sintomas sugestivos de dispepsia funcional Preenche os critérios de Roma IV? IBP’s por 8 semanas Ausência de melhora Antidepressivo tricíclico por 12 semanas Procinéticos por 4 semanas Síndrome da dor epigástrica Síndrome do desconforto pós-prandial Considerar terapias alternativas Sim Não Ausência de melhora Fonte: Coelho et al.5 Gastrites, gastropatias e dispepsia 17 Mapa mental. Avaliação inicial da dispepsia Dispepsia não investigada Não Testes não invasivos para H.pylori Sim Endoscopia com biópsia Presença de doença orgânica Trata conforme a causa Tratar H.Pylori Ausência de melhora Provável dispepsia funcional Normal H.Pylori (+) Anamnese + Laboratório Indicação de endoscopia Considerar outros exames conforme a suspeita Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia 18 REFERÊNCIAS 1. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: https://www.shutterstock.com/pt/ima- ge-vector/anatomy-human-stomach-his-shell-struc- ture-1279504681. Acesso em: 09 nov 2022. 2. Dixon MF, Genta RM, Yardley JH, Correa P. Histological classification of gastritis and Helicobacter pylori infection: an agreement at last? The International Workshop on the Histopathology of Gastritis. 1997 Jul;2 Suppl 1:S17-24. Doi: 10.1111/j.1523-5378. 1997.06b09.x. 3. Meldau DC. Helicobacter pylori. Infoescola, 2022. Dis- ponível em: https://www.infoescola.com/reino-monera/ helicobacter-pylori/. Acesso em: 09 nov 2022. 4. Etapas en la infección por Helicobacter pylori. Actitud Saludable, 2018. Disponível em: https://actitudsaludable. net/helicobacter_pylori/etapas-en-la-infeccion-por-heli- cobacter-pylori/. Acesso em: 09 nov 2022. 5. Coelho LGV, Genta R, Ribeiro LT, Passo, MCF, Zaterka S, Assumpção PP et al. IVTH Brazilian Consensus Confe- rence on Helicobacter pylori infection. Arq. Gastroenterol. [online]. 2018, vol. 55, n. 2, p. 97-121. Epub Apr 16, 2018. 6. Ohira T, Hokama A, Kinjo N, Nakamoto M, Kobashigawa C, Kise Y et al. Detection of active bleeding from gastric antral vascular ectasia by capsule endoscopy. World J Gastrointest Endosc 2013; 5(3): 138-140. 7. Ibrarullah M. Atlas of diagnostic endoscopy. 3. ed. CRP Press, 2019. 8. Drossman DA, et al. Rome IV – Functional gastrointestinal disorders. 4. ed. Raleigh: The Rome Foundation; 2016. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Averbach M, Ferrari AP Jr, Segal F, Ejima FH, Fang HL, Alves JS et al. Tratado Ilustrado de Endoscopia Digestiva. 1. ed. Rio de Janeiro: SOBED; 2018. Huh WJ, Coffey RJ, Washington MK. Ménétrier’s Disease: Its Mimickers and Pathogenesis. J Pathol Transl Med. 2016 Jan;50(1):10-6. doi: 10.4132/jptm.2015.09.15. Epub 2015 Dec 18. PMID: 26689786; PMCID: PMC4734964. Suerbaum S, Michetti P. Helicobacter pylori infection. N Engl J Med. 2002 Oct 10;347(15):1175-86. Gastrites, gastropatias e dispepsia 19 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA AO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL – SP – 2021) No diagnóstico de gastrite, que tem como etiologia o Helicobacter pylori, o exame de menor sensibilidade e especificidade é o(a): ⮦ Pesquisa de antígeno do Helicobacter pylori nas fezes. ⮧ Endoscopia digestiva alta + biópsia + teste da urease. ⮨ Endoscopia digestiva alta + biópsia anatomo- patológica. ⮩ Teste respiratório da ureia marcada com car- bono 13. ⮪ Sorologia para Helicobacter pylori igG e igM. Questão 2 (FACULDADE DE MEDICINA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – SP – 2021). Paciente de 77 anos, masculino, tabagista, procurou atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) por queixa de plenitude pós-prandial asso- ciado à epigastralgia sem irradiação há 4 meses. Refere emagrecimento não quantificado no período. Qual a melhor conduta? ⮦ Tratar o paciente empiricamente para Helico- bacter pylori. ⮧ Medicar o paciente com inibidor de bomba de prótons e reavaliar em 6 meses. ⮨ Medicar o paciente com inibidor de bomba de prótons e dar alta para o paciente. ⮩ Medicar o paciente com inibidor de bomba de prótons e solicitar uma endoscopia digestiva alta. Questão 3 (BENEFICIÊNCIA PORTUGUESA DE RIBEIRÃO PRETO – SP – 2021) Qual a alternativa correta em relação ao H.pylori nas patologias digestivas? ⮦ A antibioticoterapia não é necessária caso a úl- cera péptica esteja cicatrizada. ⮧ O tratamento não reduz a recorrência de úlce- ras gástricas. ⮨ A pesquisae tratamento de H.pylori é indicada em pacientes em uso prolongado de AAS. ⮩ Sorologia positiva após 6 semanas do tratamen- to indica falha do tratamento. Questão 4 (AUTARQUIA MUNICIPAL DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DE LONDRI- NA – PR – 2021) Sobre dispepsia e a as doenças que acometem o sistema gastrointestinal é CORRETO afirmar que: ⮦ Evitar alimentos gordurosos, frituras, condimen- tados, café e bebidas alcoólicas; evitar refeições volumosas; cessar tabagismo são exemplos de mudanças de estilo de vida que podem melhorar os sintomas dispépticos sem a necessidade de intervenção farmacológica. ⮧ Ultrassonografia de abdome total e parasitológi- co de fezes deve ser solicitado anualmente para todas as pessoas, com o objetivo de prevenir doenças do trato gastrointestinal, e realizar tra- tamento precoce se identificadas. ⮨ Parasitoses intestinais cursam com neutrofilia importante no hemograma. ⮩ A doença hemorroidária pode ser classificada em estágios de evolução. O grau IV corresponde Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia 20 a coxins ou mamilos hemorroidários discreta- mente congestos e intumescidos que podem sangrar sem haver exteriorização. ⮪ O diagnóstico da esofagite eosinofílica é exclu- sivamente clínico, não sendo necessária biópsia para confirmar o diagnóstico. Questão 5 (UNIVERSIDADE DE RIO VERDE – GO – 2020) O distúrbio que se caracteriza por deficiência do fator intrínseco por atrofia gástrica associado à presença de anticor- pos contra a célula parietal causa a deficiência de: ⮦ Vitamina D. ⮧ Vitamina B12. ⮨ Vitamina A. ⮩ Vitamina B1. Questão 6 (FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DE ALAGOAS – AL – 2020) Assinale a alternativa correta: De acor- do com o Consenso Roma IV, o período em que os sintomas devem estar ocorrendo para que se faça o diagnóstico de dispepsia funcional é: ⮦ Sintomas tenham iniciado a pelo menos 12 me- ses e ativos nos últimos 3 meses. ⮧ Seis meses com sintomas presentes e que te- nham melhorados nos últimos 3 meses. ⮨ Sintomas tenham iniciado há pelo menos 6 meses do diagnóstico e presentes nos últimos 3 meses. ⮩ Sintomas tenham iniciado há 12 meses e pre- sentes nos últimos 2 meses. ⮪ Nenhuma das alternativas acima. Questão 7 (FACULDADE DE MEDICINA DE RP DA USP – SP – 2021) Mulher, 26 anos, com dor epigástrica há 6 meses, em quei- mação, intermitente, que piora com alimentação, acompanhada de plenitude gástrica. Nega vômitos, pirose, disfagia ou perda ponderal. Exame físico nor- mal. Pesquisa não invasiva para H. pylori positiva. Qual a conduta inicial mais adequada? ⮦ Inibidor de bomba de próton. ⮧ Antidepressivo tricíclico. ⮨ Tratamento do H. pylori. ⮩ Procinético. Questão 8 (SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE GOIÁS – GO – 2019) A infecção por Helicobacter pylori (HP) é uma das infecções bacterianas crônicas mais comuns em humanos e tem indicação de terapia antimicrobiana, independentemente da presença de sintomas. De acordo com o IV Consenso Brasileiro sobre o HP: ⮦ A duração das terapias de erradicação deve ser de 14 dias, especialmente para a terapia tripla pa- drão, visando alcançar altas taxas de erradicação. ⮧ A terapia tripla combinando um inibidor de bom- ba protônica, amoxicilina e azitromicina por sete dias é recomendada como tratamento de pri- meira linha. ⮨ O exame histológico é o método de escolha para avaliar a terapia de erradicação, devendo ser realizado pelo menos quatro semanas após o término do tratamento. ⮩ O teste sorológico é o método de escolha para a pesquisa de HP, nos pacientes com hemorragia digestiva alta. Questão 9 (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ONOFRE LOPES – UFRN – 2019) O Helicobacter pylori é uma bactéria que provoca doenças digestivas que podem necessitar de tra- tamento cirúrgico, como úlceras pépticas compli- cadas. Dessa forma, é essencial o conhecimento adequado do seu tratamento. Segundo o Quarto Consenso Brasileiro sobre Infecção por H. pylori, recomenda-se, como terapia de primeira linha, IBP dose plena 12/12h associado a: ⮦ Claritromicina 1 g 12/12h + amoxicilina 500 mg 12/12h por 7 dias. ⮧ Claritromicina 1 g 12/12h + amoxicilina 500 mg 12/12h por 14 dias. Gastrites, gastropatias e dispepsia 21 ⮨ Claritromicina 500 mg 12/12h + amoxicilina 1 g 12/12h por 14 dias. ⮩ Claritromicina 500 mg 12/12h + amoxicilina 1 g 12/12h por 7 dias. Questão 10 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – SP – 2019) NÃO comprova resultado da erradicação do Helicobac- ter pylori: ⮦ Método da urease aplicado à biópsia. ⮧ Histologia do material da biópsia. ⮨ Cultura do material da biópsia. ⮩ Sorologia. Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia 22 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Y Dica do professor: O diagnóstico da infecção por H. pylori pode ser realizado através de testes inva- sivos e não invasivos, conforme a necessidade de endoscopia. Provologia: a questão pede o exame menos acurado. Vamos procurar aquele que não serve para dar o diagnóstico de infecção ativa pelo H. pylori (o teste sorológico). Alternativa A: INCORRETA. Trata-se de um ensaio imunoenzimático direto que detecta antígenos bacterianos em amostra de fezes, bem específico. Alternativa B: INCORRETA. O teste da urease é uma possibilidade para o diagnóstico de infecção pelo H. pylori. Não é tão acurado quando a análise his- topatológica, por isso não é usado para confirmar a erradicação (serve apenas para o diagnóstico inicial). Alternativa C: INCORRETA. Dos métodos invasivos (que necessitam de endoscopia), esse é o padrão- -ouro. Permite a identificação da bactéria, além de fazer o diagnóstico diferencial com outras causas de gastrite e avaliar possíveis complicações da in- fecção, como atrofia/metaplasia. Alternativa D: INCORRETA. Dos métodos não invasi- vos, esse é o padrão-ouro. Este método depende da atividade da urease bacteriana, a qual degra- da a ureia marcada em gás carbônico marcado e amônia, sendo o primeiro detectado na respiração sendo hoje considerado o melhor método não in- vasivo para o controle do tratamento da infecção. Alternativa E: CORRETA. Ocorre pela detecção de anti- corpos específicos em que, apesar da simplicidade, necessita de validação do método na população lo- cal e possui menor acurácia. Não dá o diagnóstico de infecção ativa, apenas sabemos se o indivíduo foi ou não exposto à bactéria, sendo útil apenas para pesquisas epidemiológicas de prevalência. ✔ resposta: ⮪ Questão 2 dificuldade: Y Dica do professor: Estamos diante de um paciente tabagista com síndrome dispéptica: epigastralgia e sensação de plenitude pós-prandial. Inicialmente deveremos prescrever inibidores da bomba de pró- tons, e o uso de AINEs também deve ser investiga- do, e se presente o medicamento deve ser suspen- so. E devemos solicitar uma endoscopia digestiva alta. A EDA está sempre indicada desde o início nos pacientes > 45 anos ou naqueles com “sinais de alarme” para uma possível neoplasia gástrica: perda ponderal, anemia, sangramento, vômitos re- correntes, disfagia, massa abdominal, adenopatia, história familiar de câncer gástrico e gastrectomia parcial prévia. ✔ resposta: ⮩ Questão 3 dificuldade: Y Dica do professor: Conforme o Consenso Brasileiro sobre Helicobacter pylori (HP), são indicações de tratamento da HP: úlcera gastroduodenal, ativa ou cicatrizada; linfoma MALT de baixo grau; pós-cirur- gia para câncer gástrico avançado, em pacientes submetidos a gastrectomia parcial; pós-ressecção de câncer gástrico precoce (endoscópica ou cirúr- gica); gastrite histológica intensa. Além dessas, também é indicado em outras situações: pacientes de risco para úlcera/complicações que utilizarão AINEs; pacientes com história prévia de úlcera ou Hemorragia Digestiva Alta (HDA) que deverão usar AINEs inibidores específicos ou não da COX-2; in- divíduos de risco para câncer gástrico; pacientes de risco para úlcera ou complicações que deverão usar cronicamente derivados do Ácido Acetil Sali-cílico (AAS), mesmo em doses baixas. Gastrites, gastropatias e dispepsia 23 Alternativa A: INCORRETA. A antibioticoterapia é ne- cessária mesmo que a úlcera péptica esteja cica- trizada. Alternativa B: INCORRETA. A erradicação do H. pylori em pacientes com úlcera péptica está associada a maiores taxas de cura em pacientes com úlceras duodenais e gástricas, além disso, a erradicação de H. pylori está associada a menores taxas de re- corrência da úlcera. Alternativa C: CORRETA. Alternativa D: INCORRETA. Testes sorológicos (soro ou na urina) não são recomendados para a avalia- ção da eficácia do tratamento, já que anticorpos podem estar presentes após a erradicação do HP por vários meses. Após tratamento da infecção pelo HP, é recomendado o controle de cura, que deve ser feito pelo menos 4 semanas após o término da te- rapia. Ele pode ser realizado através de testes não invasivos, como o Teste Respiratório da Ureia Mar- cada (TRUMC) ou Teste do Antígeno Fecal (TAF). ✔ resposta: ⮨ Questão 4 dificuldade: Y Dica do professor: A dispepsia é a principal expres- são clínica das doenças que acometem o estômago e consiste em um grupo heterogêneo de sintomas, como sensação de dor ou desconforto localizados na parte superior do abdome (epigástrio). De acordo com Consenso de Roma IV, a dispepsia é definida como a presença de sintomas dispépticos crônicos na ausência de doença estrutural ou metabólica. Alternativa A: CORRETA. Parcela considerável dos pacientes portadores de dispepsia obtém alívio dos seus sintomas com simples mudança no estilo de vida e com adoção de hábitos saudáveis em seu cotidiano, como alimentação adequada e atividade física regular. Alternativa B: INCORRETA. Não há indicação de exa- mes de rotina com tais objetivos, exceto se existi- rem fatores de risco identificáveis e/ou sintomato- logia suspeita. Alternativa C: INCORRETA. Nas parasitoses intestinais são encontrados mais comumente os eosinófilos, estes que são proporcionais à infestação. Existe aumento de eosinófilos em infecções por helmin- tos e protozoários, e existem graus diferentes de eosinofilia, dependendo do agente etiológico, do nível de infestação e da fase em que se encontra a patologia. Alternativa D: INCORRETA. No grau IV existem altera- ções inflamatórias crônicas com maceração, atrofia da mucosa, friabilidade e ulceração são comumen- te observadas. As hemorroidas são prolapsadas e não é possível realizar a redução manual. Alternativa E: INCORRETA. A Esofagite Eosinofílica (EoE) é uma doença crônica imunomediada, carac- terizada pela infiltração de eosinófilos na mucosa do esôfago – há presença de 15 ou mais eosinófi- los por campo de grande aumento – e associada a sintomas semelhantes à doença do refluxo gas- troesofágico, refratários às medidas antirrefluxo. Logo, é essencial a realização de biópsia. ✔ resposta: ⮦ Questão 5 dificuldade: Y Dica do professor: A anemia perniciosa é uma anemia megaloblástica, que ocorre pela ausência de Fator Intrínseco (FI) secretado pelas células parietais da mucosa gástrica, devido à deficiência nutricional de cobalamina, levando à atrofia da mu- cosa gástrica. Este distúrbio é determinado geneti- camente, mas normalmente não é manifestado de forma precoce – menos de 10% dos casos ocor- rem antes dos 40 anos –, com exceção da forma congênita, que aparece até os 2 primeiros anos de vida da criança. A anemia perniciosa é uma doença de pessoas da raça branca, com incidência muito rara em negros, morenos ou orientais. As mani- festações clínicas mais frequentes são: anemia, fraqueza, palidez cutânea e icterícia; também pode ocorrer alterações neurológicas. O diagnóstico la- boratorial se caracteriza por anemia macrocítica e neutrófilos hipersegmentados. O tratamento con- siste na administração intramuscular de injeções de vitamina B12. A vitamina B12 é liberada pela di- gestão de proteínas de origem animal, sendo então capturada pela haptocorrina (também denominada transcobalamina I [Tc I] ou holo-Hc), uma proteína R produzida na saliva e no estômago, sendo esse complexo posteriormente degradado pelas protea- ses pancreáticas com consequente transferência da molécula de vitamina B12 para um Fator Intrín- seco gástrico (FI), uma glicoproteína de 44 kDa Gastrites, gastropatias e dispepsia Gastroenterologia 24 produzida pelas células parietais do estômago. A ligação da vitamina B12 ao FI forma na mucosa um complexo que deve resistir às enzimas proteolíti- cas da luz intestinal e que, posteriormente, adere- -se a receptores específicos das células epiteliais do íleo terminal, onde a vitamina B12 é absorvida e ligada a um transportador plasmático e lançada na circulação. Dessa forma, é possível entender o motivo pelo qual a deficiência de FI gera deficiên- cia de vitamina B12. ✔ resposta: ⮧ Questão 6 dificuldade: Y Dica do professor: Questão puramente conceitual. A dispepsia funcional é um conjunto de sintomas, como epigastralgia, saciedade precoce, náuseas, vômitos, eructações e distensão abdominal, que possui patogênese desconhecida e acomete cer- ca de 20-40% da população. Essa doença pode es- tar associada ou não a outras patologias, como a doença do refluxo gastroesofágico, a síndrome do cólon irritável e a dor torácica não cardíaca. Para o diagnóstico da dispepsia funcional é necessário que os sintomas tenham iniciado há pelo menos 6 meses, estando presente nos últimos 3 meses. ✔ resposta: ⮨ Questão 7 dificuldade: Y Dica do professor: Paciente com quadro de dis- pepsia (queimação, plenitude gástrica) associada ao H. pylori deve receber tratamento para bactéria pois a sua realização melhora os sintomas, reduz o risco de sequelas (úlcera e câncer gástrico) e in- terrompe a transmissão. ✔ resposta: ⮨ Questão 8 dificuldade: Y Dica do professor: A principal novidade do IV Con- senso brasileiro sobre H. pylori, foi a extensão do tempo de tratamento de 7 para 14 dias. Não pode esquecer que tratamento CAI muito (claritromicina, amoxicilina e IBP). Alternativa A: CORRETA. Alternativa B: INCORRETA. Primeira linha: 1) IBP dose plena 12/12 horas; amoxicilina 1000 mg 12/12 ho- ras; claritromicina 500 mg 12/12 horas. Duração do Tratamento: 14 dias. Alternativa C: INCORRETA. A pesquisa de HP após a terapia de erradicação deve ser realizada pelo menos 4 semanas após o término do tratamento. O teste respiratório com ureia 13C e a pesquisa do antígeno fecal com anticorpo monoclonal são os métodos de escolha. Histologia é um método inva- sivo alternativo. Alternativa D: INCORRETA. Testes sorológicos local- mente validados são os métodos de escolha para estudos de rastreamento de base populacional. Não são úteis para investigar infecção ativa, pois, uma vez positivado, não negativa, mesmo após tra- tamento e erradicação da bactéria. ✔ resposta: ⮦ Questão 9 dificuldade: Y Dica do professor: Não disse que tratamento cai muito? Pois é, galera, mas não precisa decorar, tem macete: CAI muito: Claritromicina + Amoxicilina + IBP por 14 dias. Para essa questão precisava saber a dose também, então se liga: claritromicina 500 mg de 12 em 12 horas + amoxicilina 1 g de 12 em 12 horas. ✔ resposta: ⮨ Questão 10 dificuldade: Y Dica do professor: Testes sorológicos localmente validados são os métodos de escolha para estudos de rastreamento de base populacional. Não são úteis para investigar infecção ativa, pois, uma vez posi- tivos, sempre se manterão positivos, mesmo após tratamento e erradicação da bactéria. Lembrando que, pelo IV Consenso Brasileiro, o padrão-ouro pra avaliar erradicação é o teste respiratório (não inva- sivo), e não devemos fazer o teste da uréase isola- damente (o que deixaria a alternativa A incompleta), mas não vamos brigar com a questão: sorologia não comprova infecção ativa, muito menos erradicação, pois nunca negativa! ✔ resposta: ⮩ Gastrites, gastropatias e dispepsia O estômago Gastrite x gastropatia Gastritepor helicobacter pylori Gastrite atrófica autoimune Gastropatia hemorrágica erosiva aguda e gastropatia reativa Ectasia vascular antral (GAVE) Gastrite eosinofílica Gastrite flegmonosa Gastrite linfocítica Gastropatias hipertróficas (incluindo doença de ménétrier) Dispepsia Tratamento Mapa mental. Avaliação inicial da dispepsia Referências Bibliografia consultada Questões comentadas