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A fisioterapia na atenção básica
A atuação da fisioterapia na atenção básica: atendimento clínico individual e/ou coletivo e a mobilização de
recursos sociais para construção de ações coletivas.
Prof.ª Paula de Castro Nunes
1. Itens iniciais
Propósito
A compreensão das diferenças conceituais entre a atenção básica e atenção primária, a importância do
atendimento clínico individual, o paradigma curativista e as ações coletivas, o matriciamento e a análise das
principais formas de mobilização de recursos sociais que ocorrem para a construção de ações coletivas no
primeiro nível de atenção do SUS são essenciais para o fisioterapeuta.
Objetivos
Reconhecer a atuação do fisioterapeuta na atenção básica.
Analisar as principais formas de mobilização de recursos sociais que ocorrem para a construção de 
ações coletivas.
Introdução
Do ponto de vista histórico e cultural, o fisioterapeuta é visto como um profissional que atua em consultórios,
clínicas ou até mesmo em hospitais (nos níveis de atenção secundário e/ou terciário), em atividades
meramente curativas e reabilitadoras e em uma perspectiva tecnicista. Entretanto, com a ampliação das vagas
de trabalho na atenção básica no país, principalmente nas últimas duas décadas, a profissão tem ganhado
espaço.
Por estar inserida nesse nível de atenção, a fisioterapia possui grande importância nas ações de promoção de
saúde, prevenção de doenças, educação em saúde e composição da equipe do Núcleo de Apoio à Saúde da
Família, o NASF.
Na atenção básica em saúde, o fisioterapeuta realiza suas atividades pautadas nas políticas públicas de saúde
e, na integralidade, na diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), ultrapassando o modelo curativista (pautado
apenas na cura de doenças, sem que se observe o paciente em toda a sua complexidade). A atuação da
fisioterapia na atenção básica tem gerado novas reflexões sobre a profissão, visando a uma nova lógica na
formação profissional, desde a graduação até a pós-graduação, além da organização dos serviços de saúde.
O fisioterapeuta vem galgando seu espaço dentro do campo da saúde coletiva e conquistando cada vez mais
relevância dentro das equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF).
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1. O fisioterapeuta na atenção básica
Evolução da atenção básica no Brasil
Iniciaremos o nosso estudo tratando de um breve histórico da atenção básica no Brasil, para que você possa
compreender as diferenças do seu funcionamento e as abordagens ao longo do tempo, assim como as
Políticas Nacionais de Atenção Básica (PNABs).
A seguir, abordaremos a diferença entre o modelo biomédico e o da integralidade do cuidado; as diferenças
conceituais entre atenção básica e atenção primária à saúde (APS) e os tipos de atuação que podem ser
desenvolvidas pelo fisioterapeuta e demais profissionais que atuam na atenção básica através das equipes do
NASF, ou seja, do atendimento individual e coletivo.
O primeiro marco da atenção básica no mundo foi o Relatório Dawson, produzido em 1920, na Inglaterra. Esse
documento se destacou pela forma de organização dos sistemas nacionais de saúde e pela proposição da
reordenação do modelo assistencial da saúde naquele país, integrando os serviços organizados segundo os
níveis de complexidade e os custos do tratamento. Apesar das diferenças conceituais, os sistemas universais
de saúde se inspiraram em grande parte nesse relatório.
Já na década de 1970, a chamada “biomedicina hegemônica” ou “modelo assistencial biomédico” apresentou
crises. As crises de efetividade econômica e, até mesmo, de legitimidade levaram os governos de todo o
mundo a tentar formular modificações.
A partir dessas crises, foram retomadas as
formulações do Relatório Dawson nas
discussões para a atenção básica e a
reorganização das redes de modo a compor a
regionalização, hierarquização e articulação
para a implementação de equipes de saúde e
tecnologias adequadas.
Em certo grau, essas discussões
fundamentaram o Movimento pela Reforma
Sanitária no Brasil.
Outro marco importante foi a Declaração de Alma-Ata, ocorrida em 1978, na cidade homônima, na então União
Soviética, redigida após a I Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde. A declaração foi
importante por se afastar do modelo médico, reconhecendo a saúde como um direito e a importância dos
determinantes sociais da saúde, além de colocar a saúde como ponto central e fundamental para a
participação dos indivíduos e suas comunidades.
Comentário
Devemos entender o difícil contexto epidemiológico da época no qual o Brasil se encontrava, com
predomínio de doenças infecto-parasitárias (DIP) e preveníveis por vacinas, elevado número de mortes
gerais e infantis (mortalidade infantil – menores de 1 ano de vida) por diarreia e expectativa de vida
baixa. 
Contudo, no final dos anos 1980, o Brasil possuía uma atenção básica considerada seletiva, que se
concentrava em poucas intervenções de alto impacto para o combate às principais causas da mortalidade
infantil e doenças infecto-parasitárias. Essa linha condutora previa a priorização da assistência a populações
pobres e mais vulneráveis, que previa medidas específicas para imunizações, atenção materno-infantil e
controle de doenças infecto-parasitárias. 
Durante o regime militar, o foco dos
investimentos do SUS foi pautado na atenção
terciária ou hospitalar. O termo
“hospitalocêntrico”, resumidor do período, se
refere à centralidade de recursos financeiros e
à priorização desse nível de atenção dentro do
sistema de saúde vigente, deixando a atenção
básica em segundo plano.
Com o passar dos anos, os problemas de saúde
enfrentados no início da atenção básica do
país, no final da década de 1970, passaram a
ser deslocados pelas doenças crônico-degenerativas (DCN), como a hipertensão, diabetes e cânceres. Essas
doenças demandam uma complexidade assistencial maior e requerem maior implementação tecnológica da
atenção básica, junto com uma estreita e importante articulação com os demais níveis de complexidade
(secundário e terciário).
O movimento pela Reforma Sanitária no Brasil foi na contramão dessa discussão, tendo sido cristalizado pela
8ª Conferência Nacional de Saúde e pelas Leis nº 8.080/1990 e 8.142/1990, que legitimam o Sistema Único de
Saúde (SUS) na Constituição Federal, colocando a saúde como direito fundamental do cidadão. Segundo o
trecho constitucional, a “saúde é um direito de todos e um dever do Estado”.
Saiba mais
Hoje, os critérios para todo o funcionamento da atenção básica são definidos a partir das Políticas
Nacionais de Atenção Básica (PNAB), determinadas pelo Ministério da Saúde (MS). 
Desde a primeira edição, a atenção básica foi conceituada como a principal porta de entrada ou gatekeeper,
uma vez que sua função preferencial é receber o paciente, atendê-lo em todas as necessidades pertinentes
ao primeiro nível de atenção e encaminhá-lo aos outros níveis quando for necessário. Nesse sentido, tem o
papel de encaminhar ou referenciar o acesso a serviços especializados e de continuidade informacional,
sendo responsável por realizar o pedido de consultas e procedimentos dentro do sistema de regulação da
cidade.
Quanto à coordenação do cuidado, já há
estudos que comprovam que países que
priorizam recursos e que dão maior importância
político-administrativa para a atenção básica
são mais eficazes no gerenciamento da
assistência à saúde e na oferta adequada de
ações, pois estão mais próximos às
necessidades reais da população.
A coordenação do cuidado é fundamental em
todas as áreas e níveis de assistência à saúde,
por se relacionar a melhores resultados, tanto
na adequação da alocação dos recursos públicos quanto na satisfação dos usuários do SUS. Essa propriedade
é apontada como um importante meio de atuação para a redução das principais barreiras de acesso,
oferecendo uma atenção à saúde mais conectada e eficiente, o que pode beneficiar a estruturação do sistema
de forma geral.
Políticas Nacionais de Atenção Básica (PNAB)
As Políticas Nacionais de Atenção Básica (PNAB) possuemquatro edições, cada uma sendo lançada em 2006,
2011, 2017 e, a versão mais atual, em 2020.
A PNAB de 2006 é considerada um importante
marco legal que estabeleceu a missão da
atenção básica no Brasil. Estabelecia uma
revisão das diretrizes e normas para a
organização da atenção básica para o
Programa Saúde da Família (PSF) e o Programa
Agentes Comunitários de Saúde (PACS). A
publicação trouxe a ampliação da concepção
da atenção básica por incorporar atribuições
mais abrangentes, reconhecendo a saúde da
família como um novo modelo assistencial e de
reorganização do primeiro nível de
complexidade do sistema de saúde.
Além disso, revisou as funções das unidades
básicas de saúde (UBS), compreendendo a existência de diferentes formas de organização predominante, ou
seja, as unidades básicas de saúde com ou sem Programa de Saúde da Família, assim chamado naquele
momento.
A PNAB foi revista no ano de 2011, por meio da Portaria nº 2488 de 2011, com o objetivo de fortalecer a
atenção básica. A partir de então, foi entendida como porta de entrada prioritária ao SUS e como a
coordenadora do cuidado nas Redes de Atenção à Saúde (RAS). Definiu também a reorientação no modelo de
atenção, utilizando a Estratégia de Saúde da Família (ESF) como tática prioritária de expansão, consolidação e
qualificação da atenção básica.
Atenção
Note que houve a substituição do Programa de Saúde da Família pela Estratégia de Saúde da Família, o
que deu um status mais importante e relevante à atenção básica, colocando-a como uma estratégia de
Estado, e não mais como um programa de governo. 
A PNAB do ano de 2017, instituída pela Portaria nº 2423 de 21 de setembro de 2017, trouxe uma série de
reformulações, definindo as Redes de Atenção à Saúde como importante estratégia de organização do SUS e
destacando a atenção básica como principal porta de entrada para o sistema. Essa reestruturação estabelece
que, além da Estratégia de Saúde da Família, há outras estratégias de organização da atenção básica. 
Saiba mais
Tanto a PNAB de 2017 quanto a PNAB de 2020 foram muito criticadas por excluírem questões
importantes para a organização da atenção básica e incluírem pontos que apontam para retrocessos. 
Para os principais pesquisadores brasileiros da atenção básica, a PNAB de 2017 promoveu fragmentação da
universalidade (diretriz do SUS), acesso segmentado, recomposição das equipes de saúde da família,
reorganização do processo de trabalho e fragilização da coordenação. Argumentam ainda que essa PNAB traz
riscos para as conquistas obtidas através do fortalecimento da atenção básica no país. Uma das razões
dessas críticas se deve ao fato de a PNAB ter sido realizada durante um momento político conturbado logo
após o impeachment da então presidente Dilma.
Já a PNAB de 2020 reformulou por completo diversos aspectos da estruturação da atenção básica, pois trata
de reorganizá-la por meio de uma nova política de financiamento, o Programa Previne Brasil, a Agência de
Desenvolvimento da Atenção Primária à Saúde (ADAPS – Lei nº 13.958) e a Carteira de Serviços e
Normatizações Complementares. Alguns autores defendem que essa iniciativa deu abertura para
possibilidade de privatização da atenção básica no país.
Modelo biomédico X Integralidade do cuidado
O conhecido modelo biomédico vem
influenciando a formação profissional, assim
como a gestão em saúde, por meio da
organização dos serviços em saúde. Ele possui
relação direta associada com o Relatório
Flexner, desenvolvido em 1910, nos Estados
Unidos da América (EUA), que traçava algumas
críticas às escolas médicas nos EUA e Canadá.
As principais diretrizes desse relatório
orientavam a ruptura com a ciência de base
metafísica (holística) para um ordenamento
baseado no paradigma cartesiano, que ganhou destaque e se firmou no campo da saúde em todo o mundo.
Essa medicina flexneriana se baseou em aspectos estruturais que acabaram reconstruindo o processo de
trabalho do médico e de todas as demais profissões da área de saúde. Vejamos quais são esses aspectos
estruturais:
Mecanicismo
Faz uma analogia do corpo humano com a máquina. Segundo o modelo, o corpo pode ser
fragmentado em partes menores para facilitar a compreensão dos problemas e o processo de
treinamento profissional.
Biologicismo
Trata-se da explicação das causas de doenças por meio de alterações meramente biológicas (teoria
epidemiológica unicausal). Procura retirar os fatores de ordem socioeconômica na determinação do
processo saúde-doença.
Individualismo
Possui foco no indivíduo em detrimento das coletividades humanas. Busca atribuir ao indivíduo a
responsabilidade pelo aparecimento das suas doenças.
Especialização
É a tentativa de trocar a visão global do paciente da prática em saúde pela superespecialização, com
um discurso pautado na profundidade do conhecimento de suas partes específicas do corpo humano.
Tecnificação do ato dos profissionais de saúde
Legitima o mecanicismo e o biologicismo e determina a falta de disciplinas que levem ao aluno a
discussão e o engajamento no contexto social, político e econômico em que os indivíduos estão
inseridos.
Difusão da tecnologia
Contribui para o uso da técnica científica rechaçando a clínica e a avaliação física.
Curativista
A ênfase do tratamento encontra-se na cura da queixa referida pelo paciente, e não na compreensão
do corpo humano enquanto um sistema complexo.
O movimento da medicina social do final dos anos 1970 trouxe ao país abordagens alternativas que indicavam
uma clara insatisfação com o paradigma dominante (biomédico). O campo científico da saúde também passa
por uma crise, pois o paradigma flexneriano já não fornece as respostas que a população demanda. Esse
momento de crise é importante para uma mudança do modelo assistencial que considere as necessidades das
pessoas, seu contexto social, econômico e político e busque superar as desigualdades sociais em que o Brasil
está imerso.
Você sabe o que significa paradigma?
O conceito de paradigma corresponde a um modelo ou padrão seguido pela sociedade ou por uma área
específica. No mundo científico e na área da saúde, se relaciona com as realizações científicas ou práticas
clínicas amplamente reconhecidas (presentes no dia a dia dos profissionais) e que fornecem, ao longo do
tempo, modelos ou exemplos que os profissionais seguem e, muitas vezes, sem que haja questionamentos.
Esse “padrão” pode não ser necessariamente bom.
A mudança do modelo assistencial à saúde tem
relação com a construção do SUS nas
dimensões: político-jurídico, político-
institucional e político-operacional. As
dimensões político-jurídico e político-
institucional têm a ver com o conjunto de regras
básicas de organização e funcionamento do
sistema, constando princípios e diretrizes,
direitos, deveres e responsabilidades do
cidadão, da sociedade e do Estado.
A dimensão político-jurídica compreende que a
criação do SUS constitui um novo paradigma. A
dimensão político-operacional possui relação com a existência de serviços de saúde (nos âmbitos público e
privado), ambulatoriais, hospitalares e de apoio diagnóstico e do funcionamento dos serviços.
Saiba mais
Cabe ressaltar que o maior desafio está na dimensão político-operacional: a implementação de novas
práticas de atenção à saúde que garantam o acesso universal, a integralidade e a equidade, em uma
rede de atenção à saúde organizada de forma hierarquizada de serviços resolutivos. 
Uma possível resposta ao desafio de modificar o modelo de atenção dentro da dimensão político-operacional
foi realizada pelo governo do presidente de Itamar Franco, quando o Ministério da Saúde lançou o Programa
de Saúde da Família (PSF), no ano de 1994. Como já vimos, em 1998, esse programa passou a ser chamado
de Estratégia de Saúde da Família, por ser considerado uma estratégia estrutural dos sistemas locais
(municipais) de saúde. Esse é o modelo de atenção básica que vigora no país até os dias atuais.
Diferença entre atenção básica e atenção primária à saúde
(APS)
No Brasil, a valorização da atenção básicaestá
muito atrelada com a expansão dos programas
e, posteriormente, nas Estratégias dos Agentes
Comunitários de Saúde (ACS) e nas Estratégias
de Saúde da Família.
 
A diferença entre os conceitos de atenção
primária e atenção básica ainda possui algumas
inconsistências. Os dois termos são usados
como sinônimos, indicando uma conceituação
relativa às unidades locais de saúde ou ao
primeiro nível de atenção.
Para a pesquisadora Célia Gil, o termo primary
health care (APS), traduzido de forma literal, apresenta significado diferente da expressão em inglês,
principalmente com relação ao termo primary, primário do português. Nesse caso, a palavra “básica”, sinônimo
de “essencial”, se adequa melhor. Por conta disso, a autora recomenda o uso da expressão “atenção básica”.
Saiba mais
Gil ainda destaca as derivações que surgiram a partir da 1ª Conferência Internacional sobre Cuidados
Primários de Saúde de Alma-Ata (1978) em relação à sua proposta original: atenção primária à saúde,
atenção primária seletiva, atenção primária orientada para a comunidade e, a mais atual, a atenção
primária renovada. 
Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), o termo atenção básica, muito utilizado
pelo Ministério da Saúde para designar a atenção primária, vem da necessidade de diferenciar a proposta da
saúde da família da proposta dos cuidados primários de saúde, que são mais ligados a uma lógica de
focalização e de atenção primitiva à saúde. Dessa maneira, o termo atenção básica é adotado para definir a
APS no país, tendo como estratégia principal de atuação a saúde da família.
De acordo com o estabelecido na Portaria nº 2.488 de 2011:
A atenção básica caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que
abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a
reabilitação, redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção
integral que impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos determinantes
condicionantes de saúde das coletividades. É desenvolvida (...) sob forma de trabalho em equipe,
dirigidas a populações de territórios definidos, pelas quais assume a responsabilidade sanitária (...)
Utiliza tecnologias de cuidado complexas e variadas que devem auxiliar no manejo das demandas e
necessidades de saúde de maior frequência e relevância em seu território, observando critérios de risco,
vulnerabilidade, resiliência e o imperativo ético de que toda demanda, necessidade de saúde ou
sofrimento devem ser acolhidos. (...) É desenvolvida com (...) descentralização e capilaridade, próxima
da vida das pessoas. Deve ser o contato preferencial dos usuários, a principal porta de entrada e centro
de comunicação da Rede de Atenção à Saúde. Orienta-se pelos princípios da universalidade, da
acessibilidade, do vínculo, da continuidade do cuidado, da integralidade da atenção, da
responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social. 
(PORTARIA Nº 2.488/2011)
Atendimento individual X Atendimento coletivo na
atenção básica
Como já abordamos, a lógica do trabalho desenvolvido pelo fisioterapeuta, assim como por todos os
profissionais que integram o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), é o de matriciamento ou apoio
matricial, ou seja, prestar apoio às equipes básicas da Estratégia de Saúde da Família.
Os atendimentos diretos e individualizados realizados aos pacientes (usuários) e seus familiares não são
priorizados. Entretanto, podem apenas ser realizados através do encaminhamento dos integrantes da equipe
básica de saúde da família (médicos, enfermeiros e odontólogos, no caso das equipes ampliadas), sempre
após reuniões e discussões com os profissionais responsáveis pelo paciente ou caso específico.
O atendimento individualizado só ocorre em situações de extrema necessidade.
Existem várias possibilidades de intervenção do fisioterapeuta no território, como: 
desenvolvimento de projetos de saúde;
apoio a grupos;
trabalhos educacionais e para a inclusão social;
contribuição em situações de violência etc.
Essas tarefas devem ser desenvolvidas de forma articulada com as equipes básicas de saúde da família,
demais profissionais do NASF, organizações não governamentais (ONGs), além de outros setores. As ações
coletivas realizadas pelo fisioterapeuta e os demais profissionais que compõem o NASF serão abordadas no
próximo módulo.
Atendimento fisioterapêutico na atenção básica
Confira agora a atuação do fisioterapeuta no contexto da atenção básica. Vamos lá!
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Políticas nacionais de atenção básica
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A medicina flexneriana
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Diferença entre atenção básica e atenção primária
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Verificando o aprendizado
Questão 1
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O modelo de organização do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro segue a classificação da Organização
Mundial da Saúde (OMS), que define três diferentes níveis de atenção à saúde: o primário, o secundário e o
terciário. Eles focam no atendimento ao paciente de acordo com a complexidade necessária para cada ação.
Marque a alternativa correta sobre a conceituação de atenção básica realizada pelo Ministério da Saúde,
através da Portaria nº 2488 de 2011:
A
É considerada a porta secundária ao sistema de saúde.
B
É desenvolvida com o mais alto grau de centralização.
C
É pautada pelo modelo biomédico.
D
É a principal porta de entrada e centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde.
E
É focada nas policlínicas de saúde.
A alternativa D está correta.
De acordo com o estabelecido na Portaria nº 2.488, de 2011, a atenção básica visa promover a saúde
individual e coletiva por meio de um conjunto de ações de proteção à saúde: preventivas, diagnósticas, de
tratamento, de reabilitação, de redução de danos e manutenção da saúde. Sua atuação é descentralizada e
possui capilaridade para ser próxima da vida das pessoas, onde se estabelece o primeiro contato com os
usuários e se torna preferencialmente a principal porta de entrada e o centro de comunicação da rede de
atenção à saúde.
Questão 2
Dentro do escopo de apoiar a inserção da Estratégia de Saúde da Família (ESF) na rede de serviços e ampliar
a abrangência, a resolutividade, a territorialização e a regionalização, o Ministério da Saúde criou os Núcleos
de Apoio à Saúde da Família (NASF), em 2008. Quanto ao atendimento individual (clínico) realizado pelos
profissionais do NASF, é correto afirmar que:
A
O atendimento individual é preconizado na ESF pelos profissionais do NASF.
B
O atendimento individual integra a lógica de trabalho do NASF.
C
É pautado no modelo biomédico, que possui relação com a ESF.
D
O matriciamento não é priorizado pelos profissionais do NASF.
E
Os atendimentos individuais não são priorizados, mas podem ser realizados apenas através do
encaminhamento dos profissionais da equipe básica da ESF.
A alternativa E está correta.
A lógica do trabalho desenvolvido pelo fisioterapeuta, assim como por todos os profissionais que integram
o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), é a de matriciamento ou apoio matricial, ou seja, prestar
apoio às equipes básicas da Estratégia de Saúde da Família. Os atendimentos diretos realizados aos
pacientes (usuários) e seus familiares não são priorizados. Entretanto, podem ser realizados apenas através
do encaminhamento dos profissionais da equipe básica de saúde da família, sempre após discussões dos
profissionais responsáveis pelo caso específico. O atendimento individualizado só ocorre em situações de
extrema necessidade.
2. Construção de ações coletivas
O que é o matriciamento?
Como já vimos, na Estratégia de Saúde da Família,o atendimento preconizado para os profissionais que
compõem o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) é o de matriciamento ou apoio matricial, ou seja,
prestar apoio às equipes básicas da ESF. 
Mas você sabe o que é o matriciamento e como ele funciona?
O matriciamento é considerado uma tecnologia leve ou modo de produzir saúde. As equipes de profissionais
de saúde que compõem o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) da Estratégia de Saúde da Família (ESF)
criam uma proposta de intervenção pautada nas esferas pedagógico-terapêuticas, em um processo de
construção de cuidado compartilhado (com o paciente, seus familiares e/ou contatos, a equipe básica da
saúde da família, a comunidade que vive no território adscrito etc).
Atenção
Essa é uma importante estratégia de articulação para garantir um cuidado ampliado à saúde por meio da
interação e do diálogo entre os diferentes saberes que os profissionais possuem e que podem
potencializar a produção de saúde. 
Segundo o Ministério da Saúde, o matriciamento “consiste em um arranjo organizacional que visa outorgar
suporte técnico-pedagógico em áreas específicas às equipes responsáveis pelo desenvolvimento de ações
básicas de saúde para a população”.
Entretanto, para que essas ações sejam efetivadas, alguns desafios precisam ser superados, tais como as
seguintes mudanças:
nas relações de trabalho, historicamente hierarquizadas, com relação ao médico x os demais
profissionais de saúde;
na fragmentação do cuidado em saúde, em que o corpo humano é visto como partes, e não em sua
complexidade e de forma global;
na formação em saúde, tradicionalmente pautada no modelo biomédico;
no modo de produzir saúde, que vai além de pensar apenas no setor Saúde.
Para que haja a concretização do matriciamento na saúde da família em toda sua potencialidade, devemos
contar com o empenho, a disponibilidade e as mudanças de paradigma por todos os envolvidos no processo,
desde os usuários até os membros das equipes de saúde e da gestão.
O matriciamento depende de negociação entre os saberes das diferentes áreas profissionais envolvidas, para
a construção de diretrizes de atendimento e estratégias de cuidado, que devem estar em consonância com o
contexto do território em que se está trabalhando, para que ocorra o cuidado longitudinal.
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Saiba mais
Cabe destacar que a atuação do fisioterapeuta não é exclusiva da reabilitação e na cura de sintomas/
queixas trazidas pelos pacientes, mas também de ações de preventivas, de educação quanto à saúde,
além da intervenção no ambiente domiciliar para a melhora da qualidade de vida do paciente. 
O Coffito reforça a importância da inserção do fisioterapeuta na equipe de saúde da família e do NASF, assim
como a sua atuação nos diversos níveis de assistência, com foco na responsabilização, tendo como objetivos:
preservar, promover, aperfeiçoar ou adaptar o indivíduo, visando à qualidade de vida do usuário.
Ações coletivas no Núcleo de Apoio à Saúde da Família
(NASF)
Uma das principais atribuições dos profissionais da área é atuar na promoção à saúde e prevenção de
doenças, com o objetivo de melhorar na qualidade de vida da população de determinado local ou território,
inibindo o surgimento e desenvolvimento de doenças que são evitáveis ou preveníveis.
Na atenção básica, devem-se enfatizar os atendimentos em forma de grupos, em vez do
individualizado, com ações voltadas para a prevenção e promoção da saúde. 
Nesse sentido, a sua prática é baseada em decisões coletivas, junto à equipe interdisciplinar, agregando
novos valores à sua prática, atuando no ambiente domiciliar (nas visitas domiciliares, conhecidas como VDs),
em escolas (através do Programa Saúde na Escola), em unidades básicas de saúde (UBS), igrejas, praças e
demais espaços de interação social em que a comunidade se reúna ou possa se reunir.
Os fisioterapeutas inseridos nas equipes de NASF na ESF baseados em unidades básicas de saúde podem
realizar atividades individuais ou em grupos, tais como:
Grupos de gestantes.
Grupos de educação postural.
Grupos com mães de crianças com doenças respiratórias
agudas, problemas neurológicos etc.
Grupo de prevenção com pessoas com hanseníase.
Grupo com idosos.
Existem algumas diferenças entre a fisioterapia com foco na
reabilitação e a fisioterapia na saúde coletiva:
Ainda com relação à fisioterapia na saúde coletiva, a presença do fisioterapeuta nas comunidades obedece
aos princípios do modelo de saúde em vigor, promovendo a melhoria da qualidade de vida da população. O
modelo da saúde coletiva objetiva somar novas possibilidades e necessidades de atuação diante da lógica de
organização do SUS, porém sem acabar com as ações de cura e reabilitação de forma definitiva.
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Fisioterapia reabilitadora 
Atua na intervenção, principalmente na cura,
na reabilitação e no reestabelecimento da
capacidade residual funcional de indivíduos,
assim como no controle de danos.
Fisioterapia na saúde coletiva 
Possibilita e incentiva o controle de
riscos, sendo direcionada a grupos
populacionais que possuem risco
potencial de adoecer.
Saiba mais
Podemos identificar os riscos à saúde da população através de diversos fatores, tais como:
comportamentais, ambientais, educacionais, socioculturais, econômicos, biológicos, físico-químicos,
entre outros. 
Para que essa identificação ocorra, o fisioterapeuta conduz o seu trabalho em conjunto com profissionais da
equipe interdisciplinar do NASF na ESF, potencializando o atendimento ao utilizar os conhecimentos das
outras áreas.
A atuação da fisioterapia nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) se dá a partir de diversas possibilidades e
programas. As intervenções a partir de grupos têm como estratégia atender a um maior número de pessoas e
à demanda, além de motivar a adesão e continuidade do tratamento. A seguir, descreveremos algumas
possibilidades de abordagens que podem ser levadas a cabo pelos fisioterapeutas pertencentes ao NASF nas
UBS:
Visitas domiciliares (VDs)
As visitas domiciliares (VDs) são um importante elemento para a compreensão do contexto ambiental,
social e econômico e da complexidade dos problemas de saúde que afetam determinada família ou
paciente. É essencial também para a orientação de familiares e cuidadores daqueles pacientes com
deficiências, disfunções ou que se encontram restritos ao leito temporário (em função de
imobilizações por fraturas ou condições do tipo) ou definitivamente. Entretanto, essas visitas têm
função distinta dos atendimentos domiciliares no estilo home care. Esse mecanismo na atenção
básica possui um objetivo diferente, voltado para abordagens educativas ao paciente e seus
familiares.
Processo de educação e orientação postural
O processo de educação e orientação postural deve ser construído coletivamente, considerando
hábitos, costumes e crenças que podem ter influência na postura. O desenvolvimento de hábitos
posturais saudáveis deve começar ainda na infância, pois é nessa fase que se inicia a percepção e a
conscientização corporal, sendo refletida no futuro. Desse modo, o fisioterapeuta deve realizar a
orientação postural para instituir uma cultura de valorização e cuidado com a postura, desde as
crianças até os pais e professores. Podem-se orientar algumas atividades de alongamento,
relaxamento e auxílio ao retorno venoso, além de exercícios respiratórios, exercícios para a prevenção
de lombalgias.
Saúde da mulher
Na saúde da mulher, o fisioterapeuta pode coordenar grupos para orientação das pacientes durante o
período da gestação quanto à educação em saúde. Pode ainda ensinar sobre as alterações posturais
e de centro de gravidade que ocorrem nesse período, além das mudanças no padrão da marcha, do
retorno venoso, explicando que podem desencadear dores lombares e desconfortos respiratórios.
Podem ser feitos trabalhos para o fortalecimento perineal, incentivo ao aleitamento materno e
orientações quanto aos cuidados com o bebê. Essas atividades em grupo também possuem um papel
social e um conforto emocionalao possibilitarem um espaço para o compartilhamento de medos,
inseguranças, expectativas e experiências. Os grupos com gestantes podem ter a inclusão de outros
profissionais, como enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, entre outros.
Saúde da criança
Com relação à saúde da criança, pode ser realizado o atendimento individual, ensinando aos
familiares estimulações necessárias para crianças com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor,
por exemplo.
Programa de Saúde na Escola (PSE)
No Programa de Saúde na Escola (PSE), o trabalho pode ser desenvolvido em creches e escolas
públicas próximas ao território da UBS em que o profissional atua, levando aulas dialogadas, materiais
de apoio (folhetos, cartazes, seringas para demonstração de vacinas, tipos diferentes de
preservativos, entre outros). Podem-se abordar também os aspectos ergonômicos que as crianças
em idade escolar estão sob riscos nas escolas.
O profissional deve levar informações relacionadas à saúde para os estudantes, sempre tendo em
vista as doenças ou os problemas mais frequentes na comunidade. Sendo assim, é importante fazer
uma pesquisa junto aos demais profissionais de saúde para identificar tais doenças e grupos de risco.
Exemplo: se naquela comunidade há muitas pessoas com obesidade, uma estratégia é informar sobre
a importância da atividade física e dieta equilibrada e estimular os estudantes a disseminar essas
informações para familiares e amigos.
Cuidadoras
Devem-se realizar intervenções, fornecendo orientações individuais ou em grupo junto a pessoas que
atuam como cuidadoras dentro do ambiente familiar ou mesmo na comunidade. Pode-se ensinar a
realizar a mudança de decúbito do paciente, a importância da prevenção de escaras ou úlceras de
pressão, assim como a deambulação, a aferir pressão arterial, temperatura axilar além de fornecer
orientações à saúde em geral.
Prevenção de acidentes de trabalho
Com relação à prevenção de acidentes de trabalho, uma estratégia é fazer abordagens voltadas para
os trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho e de doenças laborais, como lesões por esforços
repetitivos (LER) e doença osteomuscular relacionada ao trabalho (DORT).
Grupos de doenças específicas
Podem ser realizadas intervenções em grupos de doenças específicas, como diabéticos e
hipertensos, pacientes acamados e usuários de prótese e órtese. Diabetes e hipertensão são
consideradas prioritárias por possuírem comorbidades associadas. Por esse motivo, no Ministério da
Saúde existe um programa específico para o acompanhamento de pacientes com essas doenças pela
ESF, o Hiperdia (“hiper” de hipertensão; e “dia” de diabetes). Para pacientes pertencentes a esses
grupos, são sugeridas determinadas atividades, por exemplo:
Para a saúde do diabético, indica-se a realização de grupos para a prevenção de deformidades
e lesões (da neuropatia diabética), com atividade física e manutenção dos níveis glicêmicos
regulares.
Para a saúde do hipertenso, pode ser feito um grupo de orientações para o monitoramento da
pressão arterial, nutrição adequada (redução gradual de sódio) e atividade física regular
visando à melhoria da qualidade de vida.
• 
• 
População idosa
Na população idosa, uma estratégia é buscar grupos vulneráveis de doenças crônicas, realizando
campanhas de estímulo para mudanças de hábitos saudáveis. Isso pode ser feito por meio de visitas
domiciliares e grupos, dando suporte e orientações a familiares e cuidadores para a prevenção de
quedas (avaliando os possíveis riscos no domicílio, por exemplo), incapacidades e deformidades.
Pode haver ainda uma articulação junto aos gestores visando à possibilidade de mobilização de
recursos e ao fortalecimento de ações para hábitos e estilo de vida saudáveis, assim como
construção e/ou ampliação de espaços físicos para práticas de atividade física e encontros da
comunidade.
O fisioterapeuta deve ter em mente que a sua atuação na atenção básica acontece no âmbito comunitário, ou
seja, em prol da comunidade. Portanto, deve incentivar e estimular a integração da comunidade nas questões
relacionadas à saúde. 
Ele deve atuar no desenvolvimento de hábitos de vida saudáveis, por exemplo: incentivando na prática da
atividade física diária; adotando hábitos alimentares saudáveis; combatendo o uso de cigarro/tabaco, assim
como o consumo de álcool e outras drogas; orientando a educação sexual para adultos e jovens; trabalhando
a favor da valorização e da saúde individual e da comunidade. Com essas atitudes, o fisioterapeuta irá
contribuir para o desenvolvimento da promoção da saúde. 
Trabalho em equipe no Núcleo de Apoio à Saúde da
Família (NASF)
Na atenção básica, o fisioterapeuta deve contribuir com estratégias que promovam a colaboração
interprofissional e a dinâmica saudável do grupo de trabalho e no processo de produção do cuidado. A partir
daí, cabe a ele incentivar a corresponsabilização, ou seja, empoderar o usuário do SUS sobre as possibilidades
de autocuidado. Os diferentes profissionais envolvidos podem contribuir para minimizar ou superar as
dificuldades inerentes ao processo de construção de um estado saudável.
A fisioterapia pode trabalhar junto à equipe,
realizando visitas domiciliares a pacientes
acamados ou temporariamente
impossibilitados. Deve ainda criar estímulos e
exercícios para desenvolver as habilidades
necessárias de modo que os pacientes sejam
capazes de realizar suas atividades de vida
diária (AVD), melhorando a sua qualidade de
vida e evitando complicações.
As visitas domiciliares consistem em excelente
oportunidade para avaliar o ambiente em que o
paciente mora e coletar informações que ajudam nas intervenções terapêuticas. Outra possibilidade é realizar
modificações ambientais e adaptativas simples, como reorganização do mobiliário residencial. Essas
mudanças visam a uma melhor qualidade de vida, evitam quedas e tornam a intervenção mais eficaz e
específica. 
É fundamental que o fisioterapeuta possua a habilidade de se comunicar de forma clara e concisa,
se expressando em conversas com os colegas de trabalho, paciente ou familiares. 
Essas habilidades são úteis ao fazer pedidos à chefia e em reuniões com grupos de pacientes, em visitas
domiciliares ou até mesmo em mensagens e e-mails. No trabalho em equipe, uma boa comunicação é uma
ferramenta imprescindível para que as informações sejam transmitidas. 
O trabalho em equipe implica compartilhar
planejamento, cooperar, colaborar, realizar a
divisão de tarefas e interagir, integrando os
diferentes saberes e práticas profissionais,
interesses e necessidades. Apesar de o termo
possuir um conceito técnico, em um contexto
em que o trabalho de cada área profissional é
entendido como conjunto de atribuições e
atividades a serem desenvolvidas para o
melhor atendimento às demandas do paciente,
torna-se cada vez mais importante que se
compreenda o seu papel. 
Trabalhar em equipe significa associar
processos de trabalhos diferentes, baseados no conhecimento sobre a função do outro, valorizando
a sua participação nos cuidados, construindo consensos para que resultados sejam alcançados de
maneira conjunta.
O trabalho em equipe surge da necessidade de traçar metas em comum tendo em vista um plano definido
coletivamente, com o objetivo de se desenvolver o crescimento individual e do grupo e o cuidado centrado no
paciente e sociedade. Ao constituírem equipes, os grupos conseguem realizar tarefas de maneira mais
eficiente, são mais criativos na resolução de problemas, produzem mais e com maior qualidade, desenvolvem
maior autonomia e são mais motivados. Para que se alcance um atendimento em saúde de qualidade e
eficiente, é fundamental entender o real significado de equipe.
Distinguem-se três competências no âmbito do trabalho em equipe:
Competência comum
Todos os profissionais de saúde possuem.
Competência complementar
Específica de cada profissão.
Competência colaborativa
Essencial para o trabalho conjunto.
Entende-se por equipe multiprofissional o conjunto de pessoas que exercem suas funções no mesmoambiente sem que, necessariamente, trabalhem em equipe, de fato. Já a equipe interprofissional associa-se à
percepção de que profissionais de diferentes atuações (fisioterapeutas, enfermeiros, médicos, dentistas,
fonoaudiólogos, nutricionistas etc.) podem construir um campo mais integrador de práticas de atenção à
saúde, abrindo-se à oportunidade de comunicação e diálogo frequente, informal, recíproco e efetivo. O
objetivo é o aperfeiçoamento das relações de trabalho a fim de aprimorar o trabalho em equipe e melhor
atender às necessidades dos pacientes. 
Ações coletivas em saúde
Confira agora os aspectos importantes sobre ações desenvolvidas coletivamente no contexto da atenção
básica. Quais ações podem ser realizadas em conjunto com a equipe multidisciplinar? Qual o papel do
fisioterapeuta? Quais os principais objetivos das ações coletivas?
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Matriciamento
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O fisioterapeuta na atenção básica
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O fisioterapeuta e o NASF
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O Coffito reforça a importância da inserção do fisioterapeuta na equipe de saúde da família e do NASF, assim
como a sua atuação nos diversos níveis de assistência, com foco na responsabilização, tendo como objetivos:
preservar, promover, aperfeiçoar ou adaptar o indivíduo, visando à qualidade de vida do usuário. Sabendo
disso, marque a alternativa correta sobre o apoio matricial.
A
É realizado somente pelo fisioterapeuta.
B
Pode ser visto como o atendimento individual, único e exclusivamente.
C
É baseada na medicina comunitária de Cuba.
D
É um modo de produzir saúde dos profissionais que compõem o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF).
E
É muito utilizado no âmbito hospitalar.
A alternativa D está correta.
O matriciamento é uma tecnologia que, ao ser implementada, possibilita que as equipes de profissionais de
saúde do NASF se unam para discutir e trabalhar no desenvolvimento de uma proposta de intervenção
pedagógico-terapêuticas, garantindo um cuidado ampliado à saúde por meio da interação e do diálogo
entre os diferentes saberes profissionais. Seu objetivo maior é a construção de uma linha de atuação de
cuidado compartilhado entre o paciente, seus familiares, a equipe básica da saúde da família e a
comunidade, potencializando a produção de saúde.
Questão 2
A atuação do fisioterapeuta não é exclusiva da reabilitação e da cura de queixas trazidas pelos pacientes.
Esse profissional também atua em ações de preventivas, de educação quanto à saúde, além de intervir no
ambiente domiciliar para a melhora da qualidade de vida do paciente. Sobre a atuação da fisioterapia na
atenção básica, pode-se afirmar:
A
Trabalha apenas junto com outro profissional.
B
Trabalha apenas em comunidades pobres e de extrema pobreza.
C
O foco é no trabalho com grupos, visando ao atendimento a grupos de doenças prioritárias.
D
No nível terciário, realiza-se grande parte das intervenções.
E
É possível prescrever medicações.
A alternativa C está correta.
A atuação do profissional de Fisioterapia na atenção básica deve priorizar os atendimentos de grupos,
focando em doenças prioritárias e contribuindo para a promover a saúde e prevenir doenças. As ações
devem ser baseadas nas interações coletivas de uma equipe interdisciplinar que possibilitam troca de
informações e agregam novos saberes à sua prática. Por exemplo, podem atuar nas visitas domiciliares,
avaliando o ambiente e orientando no cuidado de pacientes acamados ou idosos; em escolas, através do
Programa Saúde na Escola; e em outros espaços com qualquer tipo de interação social da comunidade. Já
os fisioterapeutas integrantes das equipes do NASF, que ficam baseados nas unidades básicas de saúde,
realizam atendimentos individuais ou em grupos, auxiliando na prevenção e no desenvolvimento de
doenças evitáveis.
3. Conclusão
Considerações finais
A integração da fisioterapia na área da saúde coletiva consiste em potencializar a equipe e os demais
profissionais de saúde que a compõem. É importante salientar que a fisioterapia deve criar pontos de
interseção e interação, facilitando o processo de cuidado e incentivando a adoção de medidas que
comunguem com a prática integral da saúde e a integralidade do SUS. A atuação deve ocorrer,
preferencialmente, no âmbito coletivo, com o envolvimento e a participação da comunidade. As ações devem
ser articuladas com outros setores da sociedade e dos governos, com foco na melhoria dos determinantes e
condicionantes sociais da saúde.
A identificação e o monitoramento dos problemas de saúde demandam atenção contínua. Tais problemas são
encontrados em determinado território e população subscritos à unidade de saúde de referência (da atenção
básica). As ações de promoção à saúde, prevenção às doenças curativas e de reabilitação precisam ser
colocadas em prática pelos diversos profissionais de saúde que ali trabalham.
Desse modo, o fisioterapeuta precisa colaborar com as atividades de vigilância em saúde, uma atribuição
pouco explorada pela profissão. Deve ainda interagir com os demais profissionais de nível superior, assim
como com os agentes e técnicos de vigilância em saúde (sanitária, epidemiológica, saúde do trabalhador e
ambiental).
Podcast
Ouça agora a atuação do fisioterapeuta na atenção básica. Como se dá a atenção básica no Brasil?
Como o fisioterapeuta pode atuar em ações coletivas, em conjunto com outros profissionais da saúde?
Quais os principais objetivos?
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Para maior aprofundamento, leia o documento Diretrizes do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), o
qual descreve, de maneira clara, como deve se constituir a atuação dos profissionais que pertencem ao NASF.
Referências
ARAUJO, M. B. S.; ROCHA, P. M. Trabalho em equipe: um desafio para a consolidação da Estratégia de Saúde
da Família. Ciência & Saúde Coletiva, v. 12, n. 2, 2007.
 
BRASIL. Política Nacional de Promoção da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.
 
BRASIL. Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
 
BRASIL. Portaria nº 2.488 de outubro de 2011 – Política Nacional de Atenção básica. Brasília: Ministério da
Saúde, 2011.
 
BRASIL. Saúde na escola. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
 
CAMPOS, M. A.; MUNARI, D. B.; LOUREIRO, S. R.; JAPUR, M. Dinâmica de grupo: reflexões sobre um curso
teórico-vivencial. Rev. Tec. Educ., v. 108, n. 21, p. 41-9, 1997.
 
CZERESNIA, D.; FREITAS, C. M. de (orgs). Promoção da saúde: conceitos, reflexões, tendências. Rio de
Janeiro: Fiocruz; 2003.
 
FLEURY, S. Reforma sanitária brasileira: dilemas entre o instituinte e o instituído. Ciência e Saúde Coletiva, Rio
de Janeiro, v. 14, n. 3, p.743-752, 2009.
 
FURLAN, P. G.; CAMPOS, G. W. S. Os grupos na atenção básica à saúde. In: BRASIL. Ministério da Saúde.
Cadernos HumanizaSUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. p. 105-116.
	A fisioterapia na atenção básica
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. O fisioterapeuta na atenção básica
	Evolução da atenção básica no Brasil
	Comentário
	Saiba mais
	Políticas Nacionais de Atenção Básica (PNAB)
	Atenção
	Saiba mais
	Modelo biomédico X Integralidade do cuidado
	Mecanicismo
	Biologicismo
	Individualismo
	Especialização
	Tecnificação do ato dos profissionais de saúde
	Difusão da tecnologia
	Curativista
	Saiba mais
	Diferença entre atenção básica e atenção primária à saúde (APS)
	Saiba mais
	Atendimento individual X Atendimento coletivo na atenção básica
	Atendimento fisioterapêutico na atenção básica
	Conteúdo interativo
	Vem que eu teexplico!
	Políticas nacionais de atenção básica
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	A medicina flexneriana
	Conteúdo interativo
	Diferença entre atenção básica e atenção primária
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Construção de ações coletivas
	O que é o matriciamento?
	Atenção
	Saiba mais
	Ações coletivas no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF)
	Saiba mais
	Visitas domiciliares (VDs)
	Processo de educação e orientação postural
	Saúde da mulher
	Saúde da criança
	Programa de Saúde na Escola (PSE)
	Cuidadoras
	Prevenção de acidentes de trabalho
	Grupos de doenças específicas
	População idosa
	Trabalho em equipe no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF)
	Competência comum
	Competência complementar
	Competência colaborativa
	Ações coletivas em saúde
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Matriciamento
	Conteúdo interativo
	O fisioterapeuta na atenção básica
	Conteúdo interativo
	O fisioterapeuta e o NASF
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
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	Referências

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