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9 FACULDADE ALFA UMUARAMA - UNIALFA CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO JONATHAN SOARES DE LIMA RIAN BARBOSA DE MACEDO A RESPONSABILIDADE DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS EM RELAÇÃO AO CRIME CIBERNÉTICO UMUARAMA 2025 JONATHAN SOARES DE LIMA RIAN BARBOSA DE MACEDO A RESPONSABILIDADE DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS EM RELAÇÃO AO CRIME CIBERNÉTICO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como um dos requisitos para obtenção do Título de Bacharel em Direito pela Faculdade ALFA Umuarama - UniALFA sob orientação do Professor Me. Lucas Leonardi Priori. UMUARAMA 2025 JONATHAN SOARES DE LIMA RIAN BARBOSA DE MACEDO A RESPONSABILIDADE DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS EM RELAÇÃO AO CRIME CIBERNÉTICO Este trabalho foi julgado e aprovado como um dos requisitos para a obtenção do grau de Bacharel em Direito pela Faculdade ALFA Umuarama - Uni ALFA. Umuarama - PR, 23 de junho de 2025. ______________________________________________________________ Prof. Me/DR. / ……… Banca Examinadora/Instituição ______________________________________________________________ Prof. Me/DR. / ……… Banca Examinadora/Instituição ______________________________________________________________ Prof. Me/DR. / ……… Banca Examinadora/Instituição Dedicamos esse trabalho: A todos que acreditam na força dos sonhos, na persistência diante dos desafios e no poder transformador da fé. Em especial, dedicamos às nossas famílias, que sempre nos ofereceram amor, apoio e incentivo incondicionais. Aos amigos que estiveram ao nosso lado nos momentos mais difíceis e também nas pequenas vitórias ao longo do caminho. A todos os professores e colegas que, direta ou indiretamente contribuíram para realização deste trabalho. guardamos conosco a inspiração das palavras do saudoso Ayrton Senna, que sintetizam o espírito desta caminhada: “Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá. Ayrton Senna” AGRADECIMENTOS Agradecemos, primeiramente, a Deus, por nos conceder força, sabedoria e coragem ao longo dessa jornada, foi com muita fé e confiança em seus propósitos que superamos os desafios e seguimos firmes até a conclusão deste trabalho. Agradecemos às nossas famílias, por serem nossa base em todos os momentos, pelo apoio constante, pelo amor incondicional, pelas palavras de incentivo e por acreditarem em nós ainda quando duvidamos de nós mesmos, com certeza sem vocês, esta conquista não teria o mesmo sentido. Ao nosso orientador, Lucas Leonardi Priori, expressamos nossa sincera gratidão pela dedicação, tempo, paciência e orientação ao longo deste processo, sua contribuição foi indispensável e pertinente para que alcançássemos este resultado, levaremos conosco todos os aprendizados que nos foram transmitidos com tanta generosidade e comprometimento. É com o coração cheio de gratidão que finalizamos este capítulo, certos de que nenhum caminho vale a pena, se não for trilhado com amor, com propósito e com fé. Que este trabalho não representa apenas um ponto final, mas sim, uma vírgula na nossa trajetória, que venham novos começos, novos desafios e novas oportunidades de fazer valer a pena cada esforço investido até aqui. A todos que, de alguma forma, fizeram parte desta trajetória, o nosso muito obrigado. RESUMO O artigo analisa a importância da realização de pausas para descanso durante a jornada de trabalho, destacando a evolução histórica, as suas regulamentações e os impactos da sua não realização na saúde e segurança dos trabalhadores. Diante disso, temos a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que institui limites na jornada e garante que os intervalos obrigatórios sejam cumpridos, como o intervalo intrajornada. Além disso, Normas Regulamentadoras, como a NR 17, NR 31 e NR 36, reforçam a necessidade dessas pausas em atividades específicas. A falta ou redução dos intervalos para descanso, abrangidos pela lei, pode acarretar danos à saúde, aumento de doenças ocupacionais e maior incidência de acidentes de trabalho, além de tudo, gerar também a responsabilização jurídica para as empresas. Conclui-se que o respeito às pausas é essencial para um ambiente de trabalho seguro e saudável, sendo também um direito fundamental do trabalhador. Palavras-Chaves: Instituições Financeiras; Pix; Golpes; Cibercrimes; Responsabilidade. ABSTRACT This article analyzes the importance of taking rest breaks during the workday, highlighting its historical evolution, its regulations, and the impacts of its non-implementation on the health and safety of workers. In view of this, we have the Consolidation of Labor Laws (CLT) that establishes limits on the workday and ensures that mandatory breaks are complied with, such as the intra-workday break. In addition, Regulatory Standards, such as NR 17, NR 31, and NR 36, reinforce the need for these breaks in specific activities. The lack or reduction of rest breaks covered by law can cause damage to health, an increase in occupational diseases, and a higher incidence of work accidents, in addition to generating legal liability for companies. Concluding that respect for breaks is essential for a safe and healthy work environment and is also a fundamental right of the worker. Keywords: Rest breaks; Workday; Occupational health; CLT; Regulatory Standards. Sumário 1 INTRODUÇÃO 10 2 ATIVIDADE BANCÁRIA NO ATUAL CENÁRIO DIGITAL 11 3 INOVAÇÃO DAS OPERAÇÕES FINANCEIRAS PÓS PANDEMIA. 13 4 AUMENTO DOS CRIMES NAS PLATAFORMAS DIGITAIS. 15 5 RESPONSABILIDADES FINANCEIRAS 18 6 MÉTODOS DE RESOLUÇÃO E COMBATE AOS GOLPES. 20 CONCLUSÃO 25 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 27 FACULDADE ALFA UMUARAMA - UniALFA Credenciada pela Portaria n.º 1.390 de 14 de novembro de 2008 Av. Paraná, 7327 - Zona III - Umuarama - PR - CEP 87502-000 Fone: (44) 3622-2500 - CNPJ: 10.718.171/0001-04 FACULDADE ALFA UMUARAMA - UniALFA Credenciada pela Portaria n.º 1.390 de 14 de novembro de 2008 Av. Paraná, 7327 - Zona III - Umuarama - PR - CEP 87502-000 Fone: (44) 3622-2500 - CNPJ: 10.718.171/0001-04 1 INTRODUÇÃO O trabalho, outrora executado de forma exuberante, porém sem qualquer controle, permitia que qualquer pessoa trabalhasse sem descanso, sem idade mínima, em condições precárias e, muitas vezes, análogas à escravidão. Com o passar do tempo, leis e normas foram sendo criadas com o objetivo de garantir aos trabalhadores direitos, condições dignas e proteção contra jornadas excessivas. No Brasil, em 1943, foi criada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que estabelece os direitos e deveres tanto dos empregados quanto dos empregadores. Um dos grandes marcos trazidos pela CLT foi a fixação da jornada de trabalho, limitando-a a 8 horas diárias e 44 horas semanais. Contudo, surge a necessidade de regulamentar, além da duração da jornada, os horários de intervalos e períodos de descanso durante o expediente. Além da CLT, existem as Normas Regulamentadoras (NRs), que tratam especificamente da segurança, saúde e medicina do trabalho nas empresas, complementando a legislação trabalhista com foco na prevenção de acidentes e promoção do bem-estar do trabalhador. O descanso pode ocorrer no decorrer da jornada de trabalho, sendo, em alguns casos, permitido mais de uma pausa por dia. Essas pausas podem variar entre 15 e 30 minutos antes do intervalo principal para almoço ou jantar, estando previstas tanto na CLT quanto nas NRs. Além disso, ao término de cada jornada, há a previsão legal de um descanso mínimo de 11 horas consecutivas entre uma jornada e outra, embora, na prática, essa norma nem sempre seja devidamente cumprida. Dentro da CLT, destacam-se os seguintes artigosque abordam diretamente a temática dos intervalos e períodos de descanso, os quais serão desenvolvidos ao longo deste trabalho: Art. 66 - Entre 2 (duas) jornadas de trabalho haverá um período mínimo de 11 (onze) horas consecutivas para descanso. Art. 71 - Em qualquer trabalho contínuo, cuja duração exceda de 6 (seis) horas, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação, o qual será, no mínimo, de 1 (uma) hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 (duas) horas. § 1º - Não excedendo de 6 (seis) horas o trabalho, será, entretanto, obrigatório um intervalo de 15 (quinze) minutos quando a duração ultrapassar 4 (quatro) horas. § 2º - Os intervalos de descanso não serão computados na duração do trabalho. § 3º O limite mínimo de uma hora para repouso ou refeição poderá ser reduzido por ato do Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, quando ouvido o Serviço de Alimentação de Previdência Social, se verificar que o estabelecimento atende integralmente às exigências concernentes à organização dos refeitórios, e quando os respectivos empregados não estiverem sob regime de trabalho prorrogado a horas suplementares. § 4o A não concessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo, para repouso e alimentação, a empregados urbanos e rurais, implica o pagamento, de natureza indenizatória, apenas do período suprimido, com acréscimo de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. (CLT, 1943) Diante do exposto, trazemos o presente artigo para analisar a importância das pausas de descanso durante a jornada de trabalho. Abordaremos as previsões legais, bem como as consequências sociais e psicológicas que a supressão desses direitos pode causar aos empregadores e empregados. 2 HORAS DE DESCANSO O descanso intrajornada é definido de diversas formas, mas o mais conhecido por diversas pessoas é o horário de almoço, que, por sua vez, é previsto na CLT, no artigo 71, destinado a empregados com jornada de trabalho superior a 6 horas diárias. Por ser uma norma expressa e de cunho obrigatório, de direito do trabalhador que segue o regime celetista ou trabalhista, ele deve, em tese, cumprir esse horário destinado a seu descanso e lazer, o que, por muitas das vezes, não é o que acontece na prática, sendo esse direito exercido de formas diferentes, variando de acordo com sua situação específica, dependendo do contrato de trabalho pactuado com o empregador. Pode-se dizer, de forma consistente, que o horário de almoço não é facultativo, ou seja, é um direito do funcionário realizar essa pausa para descanso e um dever do empregador conceder esse descanso de, no mínimo, 1 hora, que pode ser estendido até 2 horas, a combinar com o empregado. Em contrapartida, podemos ressaltar que, por muitas das vezes, no cenário em que vivemos atualmente, muitos dos empregadores privam os seus funcionários de realizar essas pausas para descanso, por conta de uma demanda de produtividade elevada e desgastante. Vale ainda ressaltar que a não realização dessas pausas pode acarretar diversos problemas tanto para o empregador (sanções), como disposto no artigo 71, parágrafo 4º, que dispõe: § 4º - a não concessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo, para repouso e alimentação, a empregados urbanos e rurais, implica o pagamento, de natureza indenizatória, apenas do período suprimido, com acréscimo de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. (CLT, 1943) E para o funcionário (problemas psicológicos, psicossociais, doenças físicas), entre outros problemas, diretamente para ambas as partes. Vale dizer ainda, dentro deste intervalo de descanso, que, se não realizado de forma completa, pode trazer problemas ao empregado, como já citado acima, trazendo riscos maiores de acidentes de trabalho, por falta de descanso do funcionário, além de expô-lo a doenças laborais ou até mesmo à redução na produtividade, que, por sua vez, é o mais desejado pelos empregadores: a produtividade extrema. Diante disso, o artigo 71 da CLT especifica quais os critérios adotados para saber qual o tempo exato para descanso de almoço, que dispõe no CAPUT: § 4º - a não concessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo, para repouso e alimentação, a empregados urbanos e rurais, implica o pagamento, de natureza indenizatória, apenas do período suprimido, com acréscimo de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. (CLT, 1943) A partir do ano de 2019, tornou-se necessária a aprimoração dos serviços bancários, principalmente nos canais digitais. A melhoria rápida passou a ser importante devido à crise mundial existente na época, destacando-se, de maneira evolutiva, a preferência pelo atendimento digital. No ano de 2020, foi lançado pelo Banco Central do Brasil (BACEN) o Pix, uma ferramenta de transferência eletrônica instantânea, que pode ser utilizada por pessoas físicas e jurídicas todos os dias, com funcionamento ininterrupto, 24 horas por dia. O Pix facilitou o pagamento de contas, boletos, cartões, faturas, transferências bancárias, entre outras despesas básicas necessárias no dia a dia dos consumidores. Na visão de Feigelson e Bruzzi (2020, p. RB-1.3): A partir do ano de 2019, foi necessário a aprimoração dos serviços bancários, principalmente nos canais digitais, tornou-se importante a melhoria de forma célere pelo fato da crise mundial existente na época, destacando-se de maneira evolutiva, a preferência pelo atendimento digital. No ano de 2020 foi lançado pelo Banco Central do Brasil (BACEN) o Pix, uma ferramenta de transferência eletrônica instantânea, que pode ser utilizada por pessoa física e jurídica todos os dias com seu funcionamento ininterrupto por 24 horas, facilitando os pagamentos de contas, boletos, cartões, faturas, transferências bancárias, entre outras despesas básicas necessárias no dia/dia de nós consumidores. Na visão de Feigelson e Bruzzi (2020. p. RB-1.3): O PIX, à luz dos desafios que se encontram na agenda do BC, possui grande potencial, tendo em vista que tem o condão de substituir, de forma simples e prática, operações realizadas em dinheiro, bem como fomentar inovações a partir do uso de chaves de endereçamento mais intuitivas e seguras, como o QR Code. Observa-se que o Pix é uma ferramenta tecnológica que facilita as atividades diárias, substituindo o método físico pelo digital de maneira simples e eficaz. Além disso, proporciona tecnologias seguras para as transações. No entanto, mesmo com toda essa tecnologia e facilidade, existem aspectos negativos. Nos dias de hoje, a tecnologia está avançada ao ponto de você comentar algo perto de seu smartphone e ele te sugerir informação sobre o que você estava comentando, da mesma forma, quando se faz comentários em relação a transações ou empréstimos bancários, grande parte das redes sociais em que entrar vai se deparar com propagandas ofertando créditos bancários dentre outras sugestões, infelizmente, grande maioria dessas propagandas são golpistas se aproveitando da situação, uma verdadeira preocupação para Instituições Financeiras. Quanto aos métodos digitais, existem pesquisas que trazem informações sobre os gastos para melhoria da segurança. As Instituições Financeiras estão trabalhando para regularizar os problemas e prejuízos em relação ao cibercrime, observa-se que: “A preocupação das instituições em capacitar todos os seus profissionais, como meio de proteção contra ataques cibernéticos, se reflete nos aumentos em investimentos e na quantidade de profissionais treinados.” (Febranan, 2025. V. 1, p. 35). Ou seja, mesmo com o investimento da tecnologia para facilitar a rotina diária de seus clientes/consumidores, existem gastos elevados e treinamentos para diminuição dos cibercrimes. Conforme a atual atividade das Instituições Financeiras, compreende-se que estão em constante desenvolvimento, no momento transferindo as atividades físicaspara digitais, quase não se utiliza dinheiro físico, grande maioria dos pagamentos estão sendo feitos por Pix e Cartões, por conta de sua facilidade, com tudo, as instituições estão normatizando os meios eletrônicos, praticamente obrigando seus clientes a utilização destas tecnologias, esquecendo-se completamente das dificuldades das pessoas leigas e idosas. Pode-se verificar a expansão e porcentagens referente às transações bancárias influenciadas pelo mobile banking[footnoteRef:1], em conformidade, observa-se que: [1: Mobile Banking: permite que você faça tudo pelo celular, ver saldo, transferir valores, solicitar empréstimos e cartões, abrir contas, fazer investimentos e muito mais, a qualquer hora, qualquer dia e de qualquer lugar, ele é uma das principais evolução do sistema financeiro.] As transações bancárias oferecem perspectivas sobre a movimentação financeira do País, além de informações valiosas quanto ao comportamento do consumidor – incluindo suas necessidades e preferências. Nesta edição da pesquisa, o número de transações registradas pelas instituições bancárias teve aumento significativo de 30% frente a 2021, totalizando 163,3 bilhões de transações. Este resultado é o maior já registrado na série histórica de transações, sendo influenciado principalmente pelo desempenho do mobile banking, que teve alta de 54% no número de operações realizadas pelos clientes. No intuito de acompanhar as tendências do mercado, esta edição do relatório apresenta um novo canal que vem sendo utilizado pelas instituições bancárias: o WhatsApp, liberado pelo Banco Central em março de 2021 e que já registrou crescimento de 531% em um ano, atingindo o total de 56 milhões de transações. Os números, mesmo que ainda pouco expressivos, demonstram uma tendência de maior adoção do canal pelos usuários de serviços bancários. (FEBRABAN, 2023, p. 6). Logo, observa-se que houve um avanço significativo nos decorrer dos últimos anos, cada dia que passa aumenta consideravelmente as transações feitas pelo Mobile Banking, essas estratégias de normatização para o ambiente digital estão influenciadas pessoas com pouco entendimento a se submeter a utilização dessa tecnologia, um verdadeiro risco em expansão. Ora, pede-se que se coloque no lugar de uma pessoa idosa de 80 anos. Como seria sua reação ao estar totalmente acostumada ao método físico, que é simples e eficaz, e de repente, surge um método digital para realizar empréstimos, transações, contestações e outros serviços bancários? Com certeza, enfrentaria dificuldades. E, por causa dessas dificuldades, muitas vezes, por falta de informação, essas pessoas acabam caindo em golpes digitais, perdendo valores altos devido à ausência de conteúdo preparatório e informativo por parte das Instituições Financeiras. 3 INOVAÇÃO DAS OPERAÇÕES FINANCEIRAS PÓS PANDEMIA. O avanço no ambiente digital pós-pandemia tornou-se extremamente necessário, sendo, sem dúvida, um passo importante para as instituições financeiras, que precisam aprimorar de forma cognitiva sua prestação de serviço para não se submeter a qualquer responsabilidade diante do atual cenário que vivem os brasileiros. Nos dias de hoje, as Instituições Financeiras estão aprimorando os atendimentos digitais para fornecer um serviço de qualidade aos seus clientes com a utilização do Mobile Banking como canal principal, com tudo, essas aprimorações estão afetando pessoas que dependem de um bom relacionamento presencial por conta das dificuldades com a tecnologia e aparelhos digitais. Podemos observar várias mudanças no ambiente digital, entre elas: · PIX: pagamentos instantâneos criados pelo Banco Central do Brasil (BACEN) em 2020, com a finalidade de substituir alguns métodos de pagamento. Prometendo ser “prático, rápido e seguro”, o PIX facilita bastante a eficiência do mercado, por meio de transferências instantâneas, sem custos operacionais, com maior segurança e economia significativa. · Mobile Banking, de forma traduzida “banco móvel” um desenvolvimento tecnológico por meio de aplicativo de celular ofertado pelas Instituições Financeiras, com intuito de ser o canal principal dos consumidores, podendo fazer transferências, empréstimos, financiamento, seguros, até mesmo o próprio atendimento de maneira remota. · Open Banking, de forma traduzida, “banco aberto” proporciona a transferência de dados entre Instituições Financeiras, nesse panorama, “O Open Banking é o próximo passo para um mercado financeiro mais heterogêneo e competitivo” (Falcão e Carneiro, 2020, p. RB-18.1). dessa forma, todas as Instituições Financeiras desde que autorizadas pelo BACEN podem compartilhar dados e serviços de forma regulamentada e segura. A pandemia trouxe várias expectativas na era digital, entre elas, o uso de tecnologias pertinentes para finalidade de nos amparar de maneira remota, prestando serviços e suporte, sendo algumas delas, a inteligência artificial (IA), Chatbots[footnoteRef:2] e Blockchain[footnoteRef:3], tecnologias estas, utilizadas de maneira conjunta com as Instituições Financeiras. [2: Chatbots: são programas de computador que simulam uma conversa humana por meio de mensagens de texto ou voz, geralmente utilizados para atendimento ao cliente, automação de serviços e interações em plataformas digitais.] [3: Blockchain: é uma tecnologia que funciona como um grande livro de registros digitais, onde várias pessoas (ou computadores) ajudam a anotar e verificar as informações, em vez de tudo ficar guardado em um único lugar, como acontece em servidores tradicionais, esses dados ficam distribuídos entre vários participantes da rede, o que torna o sistema mais seguro.] Com a implementação dessas ferramentas nos sistemas digitais, trouxe a possibilidade de ser utilizados de maneira automatizada em grande proporcionalidade, com alguns pontos positivos na agilidade de combate aos golpes e inovações internas para proporcionar maior facilidade aos consumidores. Também se observa um avanço e fortalecimento das fintechs e startups, que colaboram para oferecer soluções mais ágeis aos sistemas financeiros, criando e trazendo inovações para um melhor desempenho digital. Essas empresas facilitam o acesso aos serviços financeiros sem a necessidade de deslocamento até uma agência bancária para realizar transferências, pagamentos, empréstimos ou até mesmo abrir uma conta. Elas tiveram um crescimento rápido devido à sua facilidade de uso. Como exemplo, o próprio WhatsApp, que se tornou uma ferramenta do canal bancário, experimentou crescimento significativo após sua regulamentação pelo Banco Central em 2021. Sua utilização é exclusiva para enviar e receber dinheiro por aplicativos digitais, tornando o método de transferência bancária mais prático. 4 AUMENTO DOS CRIMES NAS PLATAFORMAS DIGITAIS. Os crimes cibernéticos, mais conhecidos como estelionato, está tipificado no Código Penal Brasileiro em seu respectivo artigo: Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil reais a dez contos de reis. (BRASIL, 1940). Os crimes cibernéticos acontecem com a utilização de computadores, celulares ou qualquer ferramenta que tenha acesso a internet, os primeiros relatos desses crimes ocorreram por volta dos anos 60 e 70, ou seja, não é algo novo perante a sociedade, podemos utilizar como exemplo um livro do autor Donn B. Parker “Crime por Computador”, publicado em 1977, em observância na data de publicação da referida obra, é possível perceber que os crimes cibernéticos já preocupavam especialistas há décadas, isso demonstra que, embora a tecnologia tenha avançado significativamente, os desafios relacionados à segurança digital acompanham esse progresso e continuam sendo uma preocupação constante para a sociedade contemporânea. Na perspectiva de Gabriel e Porto (2023, p. RB-4.6): A Era da Tecnologia e da Digitalização trouxe consigo também oscrimes virtuais. Cada vez que acessamos a Internet, estamos correndo algum risco. O que torna isso ainda mais problemático é que, contemporaneamente, quase todas as facetas de nossas vidas envolvem a internet, quer se trate de trabalho, transações financeiras, interações sociais, lazer, comércio online ou mesmo pesquisas acadêmicas. O surgimento do cibercrime está correlacionado com a expansão da tecnologia, quanto mais acessamos os conteúdos que as plataformas digitais nos disponibilizam, mais estamos correndo o risco de ser logrados por golpistas, friso a importância de um conteúdo preparatório por parte das Instituições Financeiras ou até mesmo um canal de dúvidas com direcionamento a órgão competente para diminuir e identificar os ataques cibernéticos. No presente momento os criminosos digitais estão utilizando o nome das instituições financeiras e também contas digitais nos referidos bancos, observa-se uma relação por causa da autorização de abertura de conta sem um método de verificação pertinente para impedir os golpistas de concluir seus objetivos. Atualmente os crimes cibernéticos estão crescendo exponencialmente, os golpistas estão utilizando a tecnologia em seu favor, eles investem em tráfego pago para levar informações inequívocas, acabam se aproveitando das fraquezas das Instituições Financeiras e também da falta de conhecimento ou dificuldades das pessoas mais leigas e idosas, prometem diversos fatores dentre outras compromissos para conseguir valores exorbitantes de maneira ilícita. Conforme descrito por Souza e Jacob (2024) existem várias espécies de golpes, entre eles: Golpe do falso funcionário do banco, Golpe do falso vendedor, Golpe do falso amigo ou parente, Golpe do falso boleto, Golpe do falso suporte técnico, entre outros, até mesmo Golpe do Falso Advogado, reparamos a constante evolução pela quantidade de golpes existentes, e todos eles estão ligados de maneira conjunta as Instituições Financeiras por causa das transações, os valores transferidos sempre vão ter como destino um referido Banco. Em concordância com a visão dos autores Souza e Jacob (2024 p. RB-6.1): Apesar de um golpe fácil de ser identificado e de se desconfiar, muitos golpistas alcançam seus ganhos pelo volume de condutas praticadas: uma mensagem fraudulenta dessa natureza não é disparada para somente uma pessoa, mas para dezenas – quiçá centenas – de potenciais vítimas. Se duas ou três fizerem o pagamento ou a transferência de forma inadvertida, o criminoso já terá ganhos significativos com a conduta criminosa perpetrada. Conforme observado na citação acima, os golpistas se aproveitam da oportunidade de conversar com várias pessoas e disparam campanhas de diversos tipos e modelos, todas falsas, com o objetivo de obter êxito sobre indivíduos com pouco conhecimento. No entanto, nem todas as pessoas percebem que estão sendo vítimas de um golpe e, quando finalmente compreendem o que está acontecendo, infelizmente, muitas já haviam transferido valores exorbitantes. Com o surgimento do Pix e sua consolidação, os golpes passaram a crescer de maneira inesperada, conforme dados apresentados por Estadão Conteúdo (2025): A média mensal de fraudes vem crescendo, em linha com a disseminação do Pix. Em 2021, primeiro ano completo de funcionamento do sistema de pagamentos, foram 30.892 fraudes por mês. O número cresceu para 136.882 em 2022, e para 216.046 em 2023. Em termos percentuais, o número de notificações representa, em média, 0,007% do total mensal de operações desde abril de 2023. Apenas em janeiro, foram registradas 5,682 bilhões de transações no Pix. A cada ano, observa-se um aumento constante no número de golpes no país. O acesso às plataformas digitais cresce de forma repentina e contínua, e, da mesma maneira, os golpes se tornam mais frequentes. No entanto, as instituições financeiras enfrentam dificuldades para desenvolver, de forma célere, mecanismos de defesa realmente eficazes — capazes de impossibilitar ou bloquear acessos indevidos às contas dos consumidores. Inclusive, a implementação de métodos de verificação em duas etapas seria uma medida pertinente para, ao menos, reduzir a incidência de golpes relacionados a invasões bancárias realizadas por terceiros. 5 RESPONSABILIDADES FINANCEIRAS Nos últimos anos, a tecnologia avançou significativamente, trazendo diversas mudanças e atualizações associadas à era digital, impulsionadas, sobretudo, pela situação pandêmica enfrentada. Nesse contexto, as instituições financeiras assumiram a responsabilidade de incentivar o uso dos meios digitais, inclusive por parte de pessoas que possuem dificuldades com essas ferramentas, expondo-as, consequentemente, ao risco de serem lesadas por golpistas que também se utilizam dos bancos digitais. Por maior que seja a responsabilidade das instituições financeiras, estas devem garantir um dos direitos fundamentais previstos na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CRFB/88), mais especificamente em seu artigo 5º, inciso XXXII, que dispõe: “o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor.” Os consumidores estão claramente protegidos pela legislação. Ademais, o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) estabelece que: O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos (Brasil, 1990). Cabe aos prestadores de serviços fornecer informações suficientes e relevantes aos seus clientes, especialmente quando são implementadas tecnologias modernas que envolvem qualquer tipo de risco. Caso contrário, serão responsabilizados de forma objetiva, inclusive quando o crime for praticado por terceiros, conforme disposto na Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que estabelece: “As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.” Isso significa que, em qualquer golpe que envolva uma instituição financeira, cabe a esta a responsabilidade pelos prejuízos causados aos consumidores. Ainda que não sejam responsáveis de forma direta pela prática criminosa, é seu dever reparar os danos e prejuízos, seja pela disponibilização de conta bancária a golpistas, seja pela ausência de uma verificação adequada no momento da abertura de contas. Atualmente, com o avanço da tecnologia, os atendimentos que antes eram presenciais passaram a ser realizados de forma remota. Como exemplo, tem-se a prestação de serviços bancários por meio do aplicativo WhatsApp, no qual foram implementados os chamados chatbots — em tradução livre, “robôs de bate-papo” —, que são sistemas automatizados programados para realizar atendimentos iniciais aos clientes. Apenas em situações mais específicas ou complexas ocorre o direcionamento para o atendimento humano, geralmente quando os clientes solicitam serviços como empréstimos, cartões de crédito, seguros ou outras contratações. Nessas interações, há o compartilhamento de fotografias de documentos pessoais, senhas, acessos, números de contas, agências e outros dados sensíveis, o que representa um risco considerável de vazamento de dados, em claro prejuízo ao consumidor. De acordo com o entendimento de Marques et al. (2024), a digitalização dos serviços bancários vem crescendo de forma exponencial, caracterizando-se pelo uso massivo de tecnologias e informações. Nesse cenário, os consumidores tornam-se cada vez mais vulneráveis às fraudes, especialmente em razão da exposição indevida de seus dados, quando compartilhados remotamente com as instituições financeiras. Grande parte dessas fraudes decorre da falta de conhecimento dos usuários sobre o ambiente digital. Assim, as instituições financeiras possuem o dever profissional e jurídico de garantir e proteger a integridade das informações pessoais dos consumidores,considerando que tal proteção assume a natureza de direito fundamental. Isso assegura aos titulares o controle e a privacidade de seus dados, sob pena de responsabilização por danos materiais e morais, conforme previsão nas legislações vigentes. Recentemente, o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, no Processo nº 0223716-27.2023.8.06.0001, reconheceu a responsabilidade objetiva do banco, com fundamento no artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, em conjunto com a Súmula 479 do STJ. Verifica-se, assim, que: A autora foi vítima de fraude, com esvaziamento de sua conta mediante transferência via PIX para terceiro desconhecido, situação que caracteriza falha na prestação do serviço bancário, especialmente pela ausência de mecanismos eficazes de prevenção e detecção de operações atípicas. A alegação de culpa exclusiva da vítima ou de terceiro não se sustenta, pois o banco não comprovou que adotou todas as medidas de segurança exigíveis para impedir a fraude, tampouco agiu com diligência após a comunicação imediata da consumidora. (Brasil, TJ-CE, 2025). Conforme o entendimento jurisdicional, observa-se a correta aplicação da legislação, sobretudo quando golpistas têm acesso a dados que deveriam ser resguardados pelas instituições financeiras. Nessas situações, cabe a essas instituições a responsabilidade, especialmente quando há falta de interesse em prestar o serviço de forma adequada. Dessa forma, aplica-se a legislação em favor dos consumidores. No ordenamento jurídico brasileiro, a responsabilidade civil encontra-se claramente expressa na Lei nº 10.406/2002, em seu artigo 186, que dispõe: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.” (BRASIL, 2002). O referido artigo apresenta os elementos necessários para a configuração do ato ilícito, quais sejam: conduta, que pode ser uma ação ou omissão voluntária; culpa, caracterizada por negligência, imprudência ou imperícia; dano, que pode ser material ou moral; e, por fim, o nexo de causalidade entre a conduta e o dano. Esse dispositivo é a base para que alguém seja civilmente responsabilizado por violar direitos ou causar prejuízos a outrem, sejam eles de natureza financeira (material) ou relacionados à honra, imagem e dignidade (moral). Por sua vez, o artigo 927, parágrafo único, da mesma lei, dispõe: “Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.” (BRASIL, 2002). Trata-se, portanto, da responsabilidade objetiva, na qual não se faz necessária a comprovação de culpa. Basta que estejam presentes a conduta, o dano e o nexo de causalidade, para que surja o dever de reparar o prejuízo causado à vítima, nos termos do Código Civil Brasileiro. 6 MÉTODOS DE RESOLUÇÃO E COMBATE AOS GOLPES. Os golpes cibernéticos têm ganhado cada vez mais destaque no Brasil, resultando em um aumento significativo dos crimes digitais. No entanto, a legislação brasileira ainda enfrenta dificuldades para acompanhar essa crescente ameaça, em grande parte devido à falta de uma atuação mais eficaz das instituições financeiras na prevenção desses golpes. As normas de reparação de danos materiais e morais, embora existentes, estão desatualizadas e não atendem à realidade atual, que exige respostas rápidas e adequadas. Pessoas idosas, com deficiência ou com dificuldades no uso da tecnologia são as principais vítimas dessas ondas de crimes. Uma das razões centrais desse problema é a falta de comprometimento das instituições financeiras, que não fornecem conteúdos educativos nem inovações que possam ajudar essas pessoas a se protegerem ou a solucionarem os problemas após sofrerem golpes. Diante do aumento dos crimes cibernéticos e por se tratar de um fenômeno global, a resolução dessas infrações demanda uma resposta extremamente avançada, que envolva ações técnicas, jurídicas e sociais. Nesse sentido, torna-se indispensável uma abordagem ampla, que integre prevenção, detecção e resposta. Assim, destacam-se seis pilares essenciais: educação e conscientização; verificação de identidade; tecnologias de segurança; sistemas anticrime; monitoramento contínuo; e canais de denúncia. A conscientização da população é a primeira linha de defesa contra fraudes digitais. Conforme entendem Luciano et al. (2019), construir uma cultura de integridade e ética social é fundamental para prevenir crimes. A educação digital deve ser integrada às políticas públicas, por meio de campanhas constantes, com o objetivo de orientar os cidadãos sobre práticas seguras na internet. Um exemplo dessa iniciativa é a Operação Serenata de Amor, mencionada por Bramili et al. (2023), que demonstra como a educação cívica, aliada à tecnologia, pode ser uma poderosa ferramenta no combate às fraudes, estimulando a participação ativa na fiscalização dos gastos públicos. O segundo pilar refere-se à verificação de identidade, que tem se mostrado um componente essencial para a segurança digital. Tecnologias como biometria, autenticação de dois fatores (2FA) e inteligência artificial vêm ganhando destaque, tornando-se fundamentais para restringir acessos indevidos e proteger informações sensíveis em sistemas bancários. Nesse sentido, Moulin (2021) destaca que as plataformas de resolução digital de conflitos (ODR) têm adotado avançados mecanismos de autenticação, garantindo a confiabilidade das partes envolvidas. No que tange à tecnologia, é possível afirmar que ela desempenha um papel crucial na detecção e prevenção de fraudes. O uso de inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina tem revolucionado o combate aos golpes, especialmente no setor público. Bramili et al. (2023) citam, como exemplo, a atuação da Controladoria Geral do Município do Rio de Janeiro, que utiliza IA para identificar sinais de corrupção por meio da análise de contratos e execuções orçamentárias. O uso dessas ferramentas pode ser, igualmente, adaptado ao setor privado, no qual os riscos de fraude também são elevados. Contudo, segundo Kobis, Starke e Rahwan (2022), um dos maiores desafios continua sendo a qualidade dos dados e a correta interpretação dos resultados pelos operadores humanos. Outro desafio importante é a criação de um sistema robusto de prevenção ao crime cibernético, que depende de frentes institucionais bem estruturadas. Luciano et al. (2019) sugerem, nesse contexto, um modelo chamado DECIDE, que enfatiza a desburocratização, a democracia, a qualidade institucional e a transparência de dados como princípios-chave para reduzir a corrupção. Esses mesmos princípios são essenciais para o desenvolvimento de um sistema eficaz de prevenção aos crimes digitais, que exige cooperação entre órgãos públicos, setor privado e sociedade civil. As inovações, nesse cenário, desempenham um papel inicial, por meio de sistemas como ALICE e SOFIA, descritos por Bramili et al. (2023), os quais exemplificam como a integração entre tecnologia e ação estatal pode ser aplicada na detecção de fraudes. O monitoramento constante de transações e atividades suspeitas também se mostra fundamental. Atualmente, sistemas modernos, apoiados por inteligência artificial, conseguem acompanhar disputas e transações em tempo real, identificando inconsistências e sugerindo soluções (Moulin, 2021). Esse tipo de monitoramento é igualmente indispensável em ambientes financeiros e nas redes sociais, onde a detecção precoce pode evitar prejuízos significativos. Além disso, destaca-se a necessidade de canais de denúncia eficazes, os quais representam uma etapa crucial na proteção dos consumidores. Plataformas como Data Crowd[footnoteRef:4], na Nigéria, e chatbots de denúncia são inovações que permitem às vítimas se comunicarem com as autoridades de forma segura e ágil (Bramili et al., 2023). Moulin (2021) complementa, ressaltando que as plataformas digitais de resolução de disputas funcionamcomo um elo entre o cidadão e o sistema judiciário, facilitando o encaminhamento de denúncias aos órgãos e instâncias competentes. [4: Data Crowd: é quando várias pessoas contribuem com informações, dados ou opiniões por meio de aplicativos, sites ou redes sociais, esses dados são reunidos para ajudar empresas ou instituições a tomar decisões sobre a criação de produtos, ideias de resolução de problemas, comportamento de pessoas, até mesmo formas de melhorar os serviços prestados. ] O combate aos golpes digitais requer, portanto, uma abordagem integrada, que envolva educação, tecnologia, governança institucional e participação social. Apesar dos desafios significativos, que incluem questões éticas, legais e operacionais, é possível fortalecer os mecanismos de proteção por meio da colaboração entre Estados, empresas e cidadãos, criando e disponibilizando um ambiente digital mais seguro e confiável para os usuários. A conscientização, nesse contexto, torna-se a base da prevenção, uma vez que muitos golpes digitais exploram justamente a falta de conhecimento dos usuários, utilizando técnicas como phishing, engenharia social e manipulação emocional. Assim, as campanhas educativas contínuas desempenham um papel essencial na sociedade, ao ensinar boas práticas de segurança e orientar os usuários a não compartilharem dados pessoais e, sempre que possível, desconfiarem de contatos e links não solicitados. Luciano et al. (2019, p. 21) afirmam que “a corrupção está relacionada à maneira como uma sociedade tolera tanto ela como os agentes corruptos”, destacando a importância da cultura institucional e social no combate a práticas indevidas. Essa reflexão também se aplica aos crimes cibernéticos: sociedades bem informadas e exigentes são mais resilientes aos golpes. Por fim, a verificação de identidade, por meio de tecnologias avançadas, como biometria e inteligência artificial, continua sendo uma das formas mais diretas de prevenir fraudes, garantindo que as pessoas sejam, de fato, quem afirmam ser. Nesse sentido, Moulin (2021, p. 3) observa que “a confiabilidade dos procedimentos online depende diretamente da capacidade de garantir a autenticidade das partes envolvidas no processo”. Em suma, a luta contra os golpes digitais não se limita à tecnologia, mas exige a consolidação de uma cultura de segurança, baseada em valores democráticos e práticas colaborativas. Assim, a integração entre educação, tecnologia e governança institucional é fundamental para enfrentar, de forma responsável e eficaz, os desafios do mundo digital, bem como para combater os crimes cibernéticos de maneira efetiva. CONCLUSÃO A transformação no ambiente digital pós-pandemia da Covid-19 trouxe benefícios incontestáveis. As instituições financeiras criaram e aperfeiçoaram diversos mecanismos para a prestação de serviços mobile, como o Pix, o Open Banking, entre outros, que exemplificam o avanço tecnológico no cotidiano desses bancos. A celeridade nas transações e na contratação de empréstimos, ao mesmo tempo em que se mostra benéfica, acabou se tornando uma das maiores preocupações, representando um verdadeiro desafio — principalmente no que se refere à segurança digital e à crescente e inesperada onda de crimes cibernéticos, como fraudes eletrônicas, roubo de dados e golpes virtuais. O excessivo aumento desses crimes reflete a vulnerabilidade dos consumidores diante da sofisticação das práticas bancárias e da assimetria informacional existente entre clientes e instituições financeiras. Diante desse contexto, torna-se imperativo reconhecer que as instituições financeiras, enquanto prestadoras de serviços, possuem o dever legal de adotar todas as medidas tecnológicas e administrativas possíveis para proteger os dados e os patrimônios de seus consumidores. Nessa perspectiva, destaca-se a aplicação do Código de Defesa do Consumidor (CDC — Lei nº 8.078/1990), conjuntamente com a Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que estabelece que as instituições financeiras devem se responsabilizar de forma objetiva pelos danos causados aos consumidores, independentemente da existência de culpa. Diante desse entendimento, cabe às instituições financeiras demonstrar que adotaram todas as medidas de segurança necessárias e que a falha não decorreu de sua conduta ou omissão. O Poder Judiciário tem desempenhado um papel fundamental na consolidação dessa proteção jurídica, ao reafirmar, em suas decisões, que, em casos de golpes digitais, mesmo que praticados por terceiros, a responsabilidade recai sobre as instituições financeiras. Tal entendimento é fundamental para garantir a efetividade dos direitos dos consumidores diante de qualquer lesão ocorrida no ambiente digital. Diante do atual cenário, marcado pelo aumento constante dos golpes, a atuação das instituições financeiras deve ser pautada por uma postura proativa de gestão de riscos. Devem ser implementados modelos de educação digital voltados aos consumidores, além de investimentos contínuos em cibersegurança. O equilíbrio entre inovação e responsabilidade mostra-se crucial para que o avanço tecnológico não se traduza em insegurança ou em prejuízos irreparáveis aos consumidores do sistema bancário. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BANCO CENTRAL DO BRASIL. Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Brasília, DF: Banco Central do Brasil. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/pix. Acesso em: 3 maio 2025. BRAMILI, Dalton Henrique Mota Ibere Gilson; BRAMILI, Gustavo de Avellar. Inteligência artificial no combate à fraude e corrupção: a experiência da Controladoria Geral do Município do Rio de Janeiro. Revista da CGU, v. 15, n. 27, p. 203–208, jan./jun. 2023. Disponível em: https://doi.org/10.36428/revistadacgu.v14i27.531. Acesso em: 10 maio 2025. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 4 abr. 2025. 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