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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFACVEST
CURSO DE LICENCIATURA EM LETRAS PORTUGUÊS
ANDREA ARAUJO DOS SANTOS
O PAPEL DA ESCOLA E DO CONTEXTO SOCIOCULTURAL NO DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES LEITORAS NO ENSINO FUNDAMENTAL
LAGES, SC
2024
ANDREA ARAUJO DOS SANTOS
O PAPEL DA ESCOLA E DO CONTEXTO SOCIOCULTURAL NO DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES LEITORAS NO ENSINO FUNDAMENTAL
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário UNIFACVEST como parte dos requisitos para a obtenção do grau de Licenciado em Letras Português. 
Aluno: Andrea Araujo dos Santos
Orientador: Keli Almeida Bortoli Paz
Rio Branco do Sul, Paraná, __/__/2024. Nota ________
 (data de aprovação) 		
_______________________________________ 
(assinatura / acrescentar aqui o nome completo do professor orientador e maior título)
_______________________________________ 
Nome do Coordenador 
(coordenador do curso de graduação, nome e assinatura) 
 
DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE PLÁGIO E DE USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
TÍTULO: O PAPEL DA ESCOLA E DO CONTEXTO SOCIOCULTURAL NO DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES LEITORAS NO ENSINO FUNDAMENTAL
ALUNO: Andrea Araujo dos Santos
ORIENTADOR: Keli Almeida Bortoli Paz
Eu Andrea Araújo dos Santos, CPF 03957210917, RG 91363470, declaro que, com exceção das citações diretas e indiretas claramente indicadas e referenciadas, este trabalho foi escrito por mim e, portanto, não contém plágio. Eu estou consciente que a utilização de material de terceiros incluindo uso de paráfrase sem a devida indicação das fontes será considerado plágio, e estará sujeito as sanções legais. Ainda, afirmo e declaro não ter feito uso de Inteligência Artificial para elaboração do TCC.
Andrea Araujo dos Santos
RG: 91363470
Lages, 17 de dezembro de 2024
O PAPEL DA ESCOLA E DO CONTEXTO SOCIOCULTURAL NO DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES LEITORAS NO ENSINO FUNDAMENTAL
Andrea Araujo dos Santos[footnoteRef:1] [1: Graduanda em Licenciatura em Letras Português pela Unifacvest. andrea-araujo5826@hotmail.com ] 
Professor Orientador[footnoteRef:2] [2: Graduado em ... Mestre em ... Doutor em Atua na Unifacvest / curso de ... . nomenomenome@unifacvest.edu.br Linkd do currículo lattes, ORCID.
] 
 
RESUMO
Este trabalho de pesquisa apresenta um levantamento dos principais pontos que dificultam, interferem ou influenciam no ensino, no estímulo e na motivação pela leitura em alunos do Ensino Fundamental. O objetivo é trazer apontamentos relevantes sobre as diversas causas do problema, permitindo assim a reflexão do professor de língua portuguesa, a revisão de suas práticas e ampliação de seu olhar para o trabalho docente em relação a formação do leitor crítico e competente. Evidencia-se aqui o caráter interrelacional e dialógico da aprendizagem, bem como o uso social da língua e a influência sociocultural sobre as práticas de leitura. O estudo foi realizado através de revisão bibliográfica. Foram analisadas teorias de pesquisadores e teóricos de diferentes campos, como ciências sociais, psicologia, pedagogia e linguística. Entende-se que a leitura enquanto prática social envolve diferentes processos, dimensões e estruturas, logo não é possível considerar e refletir sobre os problemas referentes a ela com um olhar limitado a apenas um ou outro aspecto. Além disso, sabemos que os conteúdos e saberes possuem essencialmente um caráter plural e interdisciplinar. A conclusão principal obtida aqui é de que o ato de ler engloba diversas dimensões e aspectos da vida humana. Para buscar soluções e estratégias contra problemas e dificuldades relacionados a leitura, a escola tem de considerar uma gama de elementos, reconhecendo primeiramente que a leitura é uma prática linguística e sociocultural. 
Palavras-chave: Leitura. Cultura. Prática de linguagem.
ABSTRACT
This research paper presents a survey of the main points that hinder, interfere with or influence the teaching, stimulation and motivation for reading in elementary school students. The objective is to provide relevant information on the various causes of the problem, thus allowing Portuguese language teachers to reflect, review their practices and broaden their perspective on teaching in relation to the formation of critical and competent readers. The interrelational and dialogic nature of learning is highlighted here, as well as the social use of language and the sociocultural influence on reading practices. The study was carried out through a bibliographic review. Theories of researchers and theorists from different fields, such as social sciences, psychology, pedagogy and linguistics, were proven. It is understood that reading as a social practice involves different processes, dimensions and structures, so it is not possible to consider and reflect on the problems related to it with a view limited to just one or another aspect. In addition, we know that content and knowledge essentially have a plural and interdisciplinary nature. The main conclusion obtained here is that the act of reading encompasses several dimensions and aspects of human life. To find solutions and strategies against problems and difficulties related to reading, the school must consider a range of elements, first confirming that reading is a linguistic and sociocultural practice.
Keywords: Reading. Culture. Language practice.
1 INTRODUÇÃO 
 
O processo de desenvolvimento cognitivo possuí uma relação muito estreita com a formação social do indivíduo. As relações sociais, a história e a herança cultural são elementos que toda pessoa carrega consigo. Ao chegar na escola o aluno traz uma bagagem de experiências que refletem na aprendizagem.
Um dos grandes desafios dos professores de Língua Portuguesa no ensino fundamental, diz respeito a leitura. Diversos são os alunos que apresentam dificuldades na fluência da leitura e desinteresse pelas práticas leitoras. Além do fato de que muitos não conseguem internalizar e processar criticamente as informações que leem. Vale lembrar que a leitura é uma prática social da linguagem e como tal não se limita a um conhecimento exclusivo de um componente curricular, mas como uma habilidade essencial para a vida em sociedade. (MUNIZ, 2018)
Diante desse cenário, este estudo busca apontar quais as principais dificuldades da escola e do professor para o desenvolvimento de habilidades de leitura, considerando de modo especial as relações entre a aprendizagem e o contexto sociocultural e familiar.
Através da revisão bibliográfica, consulta de dados, reflexões e considerações da literatura disponível, pretende-se construir um material sobre a aprendizagem e o uso social da leitura. Material esse que possa contribuir para a reflexão do professor sobre seu trabalho, especialmente sobre as questões referentes as dificuldades de leitura apresentadas pelos alunos.
A pesquisa não tem como objetivo produzir uma análise aprofundada dos conceitos abordados, mas sim fazer um levantamento de alguns tópicos que influenciam na prática a formação do leitor infantojuvenil, permitindo a abertura para futuras pesquisas sobre esse tema. Além de fornecer apontamentos relevantes para que o professor e escola possam refletir sobre a questão.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
	De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró Livro entre 2019 e 2020, o número de leitores no país caiu de 56% para 52% em relação à pesquisa anterior, no ano de 2015.
	O estudo destaca ainda que as maiores quedas ocorrem entre o público adulto, com ensino superior e entre pessoas de classes mais ricas. Os dados apresentados no levantamento revelam que o problema da falta de hábito de leitura ultrapassa a fase escolar e as questões de classe. Podemos pressupor, já a partir daí, que a leitura é uma prática social e consequentemente cultural. Portanto, quando falamos de práticas de leitura estamos falando necessariamente de práticas culturais.
	Obviamente, condições de vida mais favoráveis do ponto de vista socioeconômico podem refletir positivamentena aprendizagem do aluno, mas isso não é algo determinante. 
	De acordo com Vigotski (1996) o homem é um ser social, logo a sua formação humana é diretamente influenciada pelo meio onde vive. Ali o indivíduo se apropria de práticas e conceitos que marcam a vida do seu grupo social e do momento histórico que este grupo vivência. Quando cresce o homem passa a interagir com o mundo e com diferentes culturas e nesse momento tem a oportunidade de ressignificar conceitos, adquirir e desenvolver novas aptidões e construir novos saberes. Assim, entendemos que embora a cultura possua uma influência direta sobre a formação humana, os processos de aprendizagem podem ajudar a pessoa a rever seus hábitos e práticas socialmente construídos. 
	Logo, a escola tem uma função social. Ela se caracteriza como um espaço de ação, interação, construção e ressignificação, e não como mera repetidora de conteúdos sistemáticos.
	Em seus estudos Berger & Luckmann (1985, p.176) afirmam que o homem é um ser social, pois é constituído dentro de uma estrutura sociocultural. Segundo os autores os sujeitos “escolhem aspectos do mundo de acordo com sua própria localização na estrutura social e em virtude de suas idiossincrasias individuais”. 
	Portanto, o contexto socioeconômico, cultural e familiar onde estamos inseridos tem influência no desenvolvimento pessoal, na formação humana, nos hábitos e costumes, nas formas de comunicação e interação que desenvolvemos e nos valores adotados e socialmente compartilhados. O contexto social impacta ainda no campo cognitivo, o que envolve o desenvolvimento de habilidades e competências que afetam diretamente no aprendizado. Berger & Luckmann (1985) destacam ainda que
O mundo social é "filtrado" para o indivíduo através desta dupla seletividade. Assim, a criança das classes inferiores não somente absorve uma perspectiva própria da classe inferior a respeito do mundo social, mas absorve esta percepção com a coloração particular que lhe é dada por seus pais (ou quaisquer outros indivíduos encarregados de sua socialização primária) (BEGER & LUCKMAN. 1985. p. 176)
	Isso nos leva a refletir sobre as dificuldades de leitura e as dificuldades em relação ao hábito e à falta de interesse pela leitura na escola. Embora esse seja um problema pedagógico e escolar, não se pode negar que também se trata de um problema social, especialmente quando se vive numa sociedade onde leitura e literatura não são reconhecidas e valorizadas pelas grandes massas. 
	Compreender essa questão é fundamental para o professor, para a escola, para os sistemas de ensino e para os governos. A falta da leitura, as dificuldades no processo de aquisição, a apreciação da literatura enquanto arte são problemas que atingem especialmente a escola, mas que não surgem exclusivamente nela. 
	Vigotsky (1996) destaca que a internalização e a construção dos valores e dos conhecimentos não pode ser concebida sem a conexão com os fatores ambientais, sociais e culturais da vida do aluno. Para ele contexto social, aprendizagem e formação humana são processos que dialogam entre si, possuindo uma relação fundamental de um para com o outro e consequentemente impactando um sobre o outro. 
	Kleiman (2013) apud Evangelista e Jerônimo (2014) discorre sobre a prática da leitura enquanto prática linguística e social. Segundo o autor:
Ler é uma prática social que se interliga a outros textos e outras leituras, ou seja, a leitura de um texto pressupõe em ações conjuntas de valores, crenças e atitudes que refletem o grupo social em que as pessoas estão inseridas. A leitura não é apenas o entendimento de um leitor inserido na cultura letrada, mas uma relação de aspectos sociais e culturais que perpassam pela atividade intelectual em que o leitor utiliza diversas estratégias baseadas em seu conhecimento linguístico, sociocultural e enciclopédico (KLEIMAN. 2013. apud EVANGELISTA E JERÔNIMO. 2014, p. 6).
	Fica evidente portanto, que a leitura não se resume a decodificação de códigos linguísticos, mas é uma ação multifacetada que engloba fatores linguísticos, comunicativos, sociais, cognitivos e culturais. Ela transmite conhecimentos, favorece o desenvolvimento de habilidades e competências diversas e está inserida no cotidiano de formas que sequer nos damos conta.
	A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reitera o pressuposto de que a leitura é o exercício da linguagem e uma prática social dinâmica, uma vez que compreende diferentes formas de ler e inúmeras possibilidades de aprendizagem e reflexão a partir das práticas leitoras. (BNCC. 2017, p. 72)
Leitura no contexto da BNCC é tomada em um sentido mais amplo, dizendo respeito não somente ao texto escrito, mas também a imagens estáticas (foto, pintura, desenho, esquema, gráfico, diagrama) ou em movimento (filmes, vídeos etc.) e ao som (música), que acompanha e co significa em muitos gêneros digitais. O tratamento das práticas leitoras compreende dimensões inter-relacionadas às práticas de uso e reflexão... (BRASIL. 2017, p. 72)
	
	No ensino de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental I a Leitura é colocada como Unidade Temática, pois segundo o documento as práticas de leitura constituem um eixo estruturante para o ensino aprendizagem da língua. Ler desafia o discente acessar conhecimentos de mundo construídos até aquele momento de sua vida, associando-os com novos saberes adquiridos a partir da leitura ou da pós-leitura. Além disso, Peng e Goodrich (2020) apud Bezerra, Roama-Alves e Azoni (2020) afirmam que “o ator de ler é uma operação cognitiva que facilita o desenvolvimento da habilidade criativa”. (PENG E GOODRICH, 2020) apud (BEZERRA, ROAMA-ALVES E AZONI, 2020, p. 67)
	Já Cruvinel, (2010, p.54) alerta para o risco de a escola resumir as práticas leitoras a técnicas de leitura, condicionando dessa forma à maneira de ler como algo sistemático, fechado e homogêneo.
	Outro ponto que precisa ser destacado é a formação de professores. Tanto a formação inicial e acadêmica quanto os programas de formação continuada, precisam atentar-se para as problemáticas relacionadas ao ensino e ao incentivo à leitura.
	De acordo com Azevedo et. al. (2020): 
A leitura é um ponto de discutição como causa do fracasso escolar, tudo isso pode acontecer devido à dificuldade e a carência de recursos e a formação teórica dos professores enfrentados pela escola pública, isso afeta no processo de alfabetização a na garantia do desenvolvimento das habilidades necessárias para se formar um bom leitor. (AZEVEDO et. al. 2020, p. 3)
	Já Candau (1997) destaca que a formação de professores não pode se resumir ao acúmulo de cursos. É preciso que a formação tenha como principal objetivo auxiliar o professor tanto no campo técnico-pedagógico quanto no campo crítico, reflexivo e cultural, ajudando-o assim a compreender e enfrentar os desafios para a educação frente aos problemas atuais.
A formação continuada não pode ser concebida como um meio de acumulação (de cursos, palestras, seminários, etc., de conhecimentos e técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re) construção permanente de uma identidade pessoal e profissional, em interação mútua. E é nessa perspectiva que a renovação da formação continuada vem procurando caminhos novos de desenvolvimento. (CANDAU, 1997, p. 64)
	
	Outro problema em relação a essa questão é o fato de que muitos professores também carecem de uma formação leitora, de apreciação e valorização literária. Souza et. al. (2006, p. 2019-224) reforçam que para que o professor atue como um formador de leitores capaz de promover não só a pratica, mas a fruição da leitura, é preciso que o próprio docente e a escola ressignifiquem suas concepções acerca dessa prática. 
	A família também tem papel determinante no que diz respeito a formação do leitor. Ela é a primeira instituição social com que a criança interage. Para (Kreppner 2000) o ambiente familiar é um sistema de interação social que transmite valores, crenças, ideologias e significados presentes e perpetuados pelasociedade. 
	Para Brito e Soares (2014, p.248-249) as relações familiares influenciam significativamente na aprendizagem, pois elas estão relacionadas a fatores biológicos, ao desenvolvimento psicológico da criança e do adolescente e a formação social. 
	Assim, o ambiente familiar onde o estudante vive reflete diretamente sobre sua vida e seu sucesso escolar. E consequentemente na aprendizagem e interesse pela leitura. Um núcleo familiar saudável fornece para o aluno melhores condições para seu desenvolvimento social e cognitivo. (BRITO E SOARES, 2014).
	A escola também se configura como uma instituição social, porém com foco mais específico em trabalhar os saberes historicamente construídos (Oliveira, 2000). Dessa forma, escola e professor precisam considerar o contexto em que o aluno está inserido para refletir e discutir sobre a aprendizagem dele e os processos atrelados. As questões sociais e culturais do aluno, bem como o momento histórico são assuntos que dizem respeito diretamente ao trabalho pedagógico desenvolvido pela escola, pois ela trabalha com conhecimento social, atendendo públicos de diferentes esferas e realidades sociais.
	É de suma importância, portanto, que a escola compreenda as práticas de leitura e a formação do leitor em seus aspectos socioculturais, biológicos e cognitivos. Muitas vezes as instituições de ensino e o professor ainda compreendem a leitura apenas como parte do currículo, dentro de uma concepção mecanicista, ignorando questões sociais, fatores econômicos, psicológicos e clínicos. 
	Também é fundamental que a escola oportunize diferentes práticas e estímulos de leitura para o corpo discente. Que ofereça acesso a práticas culturais, que apresente aos alunos diferentes gêneros e que amplie gradativamente a participação dos estudantes em atividades de leitura que demandem maior complexibilidade, criatividade e ofereçam ampliação do repertório. (BRASIL. 2017)
	Dentre os diversos outros fatores que podem impactar direta ou indiretamente na aprendizagem da leitura, estão os fatores socioeconômicos. Especialmente as questões de vulnerabilidade, violência, pobreza e desnutrição.
	Para Ferreira e Marturano (2002, p.39) “crianças provenientes de famílias que vivem com dificuldades econômicas e habitam em comunidades vulneráveis, tendem a apresentar mais problemas de desempenho escolar e de comportamento”.
	Já para Brito; Arruda; Contreras (2015, p. 02) “a relação pobreza e escola estão intimamente relacionadas. As condições sociais interferem na aprendizagem escolar, e as desigualdades sociais se traduzem, de forma geral, em desigualdades escolares, e vice-versa.”
	Novamente temos o reflexo social no desenvolvimento cognitivo do aluno. As questões socioeconômicas, de modo especial a carência e a pobreza geram a exclusão social, marginalizando a vida do sujeito que vive em tal condição e impondo a ele uma série de desafios, inclusive no processo de aprendizagem e vida escolar.
	Para Leite e Marinho (2016, p.6) as questões econômicas e de classes interferem diretamente na formação social e no progresso acadêmico dos alunos. Segundo os autores:
a pobreza no Brasil caracteriza-se por ser excludente, e, além de privar o acesso ao mercado de trabalho e ao consumo, ela desqualifica socialmente os sujeitos imprimindo uma identificação estigmatizada que não compartilha do universo simbólico dos valores hegemônicos”. (LEITE; MARINHO; 2016, p. 6)
	As afirmações dos autores corroboram com os pontos levantados anteriormente que tratam da influência e importância do contexto sociocultural para a formação do sujeito e aquisição da leitura. Sobre isso, Silva e Sousa (2017) reforçam que as práticas linguísticas só fazem sentido quando consideradas dentro do contexto social onde são ou foram produzidas. Para eles:
A palavra, que é um signo linguístico, não é criada sem significado e estocada para necessidades futuras. Ela emerge com significação específica conforme as vicissitudes socioculturais, mas com potencialidade polissêmica. (Silva; Sousa, 2017, p. 266)
	Segundo os estudos destes pesquisadores, toda prática de linguagem, seja ela escrita ou falada, carrega significados e marcas históricas do grupo social em que se originaram. Logo, é impossível desconectar o processo de desenvolvimento e aquisição da leitura, do contexto sociocultural do estudante.
3 MATERIAL E MÉTODOS 
O estudo teve como objetivo analisar as práticas de leitura no Brasil, considerando a interação entre aspectos sociais, culturais, econômicos e pedagógicos que influenciam a formação do leitor. Para isso, foi conduzida uma pesquisa qualitativa de caráter bibliográfico, com base em levantamento de informações e saberes produzidos sobre o tema na literatura acadêmica disponível. A escolha desse tipo de abordagem justifica-se pela necessidade de compreender os fenômenos investigados de maneira multidimensional.
O objeto de estudo abrangeu a análise de dados secundários, como os relatórios de pesquisas, análise de documentos como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e textos teóricos de autores como Vigotsky, Berger & Luckmann e Kleiman. Além disso, foram analisadas publicações acadêmicas que discutem a formação do leitor, os desafios pedagógicos e os impactos do contexto socioeconômico no desempenho escolar. O estudo foi realizado a partir da seleção de obras relevantes e sua categorização em eixos temáticos, como práticas pedagógicas, influências culturais e socioeconômicas e formação docente.
Dentre os métodos aplicados, destaca-se a triangulação das informações coletadas, cruzando dados com fundamentos e pressupostos teóricos. Formando assim um conjunto de reflexões sobre o tema, algo que permite novos estudos, incluindo pesquisas de campo para analisar de maneira mais específica e contextualizada cada camada da problemática em questão.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Os resultados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil destacam uma queda no número de leitores no país, de 56% para 52% entre 2015 e 2020, com maior impacto entre adultos de ensino superior e classes sociais mais altas. Esses dados apontam que a leitura é mais que um processo escolar; trata-se de uma prática cultural fortemente influenciada por contextos sociais e históricos. As teorias de Vigotski (1996) e de Berger & Luckmann (1985) sustentam que a formação humana e os hábitos, como o da leitura, são moldados pelo meio sociocultural, corroborando a ideia de que o hábito de ler depende tanto do ambiente escolar quanto da dinâmica familiar e social.
Este problema não se limita a questões meramente técnicas da alfabetização, envolvendo fatores socioeconômicos, culturais e institucionais. A falta de incentivo à leitura reflete desigualdades sociais que limitam o acesso ao conhecimento e reforçam a exclusão cultural e educacional. Pesquisadores como Kleiman (2013) e Candau (1997) argumentam que a leitura, além de prática linguística, é uma prática social dinâmica e crítica, que requer formação docente mais reflexiva e voltada à apreciação literária. Nesse sentido, o papel do professor e da escola não deve ser apenas o de transmissor de conteúdos, mas de promotor de ambientes que ressignifiquem os significados da leitura.
Em suma, a pesquisa ressalta a necessidade de estratégias que integrem escola, família e políticas públicas para fortalecer o hábito da leitura como prática social e cultural. Assim, medidas como formação continuada de professores, políticas de acesso e incentivo à leitura e a cultura e estímulo a práticas leitoras diversificadas são essenciais para transformar o cenário atual.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A partir dos apontamentos apresentados, este estudo demonstra como a dificuldade e o desinteresse pela leitura nos alunos do ensino fundamental estão atrelados a uma diversidade de fatores especialmente, sociais e pedagógicos.
Fica evidente aqui a dimensão social dos processos de aprendizagem e o caráter essencialmente dialógico e interacional da construção do conhecimento. Logo, o professor de língua portuguesa precisa analisare refletir sobre a realidade socioeconômica e cultural de onde emerge esse aluno. Mais do que isso, o docente precisa aguçar e ampliar seu olhar para o contexto como um todo, buscando compreender as relações familiares e das próprias relações produzidas dentro da escola: professor-aluno; aluno-aluno.
Com este estudo e as considerações levantadas aqui o professor pode ter um panorama de quão complexo são os processos de aprendizagem. A pesquisa não traz soluções ou sugestões práticas, mas constitui um subsídio que poderá auxiliar o trabalho docente, permitindo a reflexão, o aprofundamento, a pesquisa e até mesmo a busca de apoio especializado para enfrentar as dificuldades relacionadas a leitura dos alunos.
A partir das reflexões e análises propostas aqui, o profissional que trabalha com a docência da língua portuguesa terá um aporte teórico, que poderá colaborar nas ações concretas, pois permite a reflexão e um olhar mais abrangente sobre o problema da desmotivação e falta de habilidades leitoras.
Este estudo deixa a possibilidade de pesquisas futuras sobre o tema, com enfoques mais práticos e específicos. Contudo, a partir dos levantamentos feitos espera-se que os profissionais que atuam na escola possam perceber o problema da leitura sobre novas perspectivas e sejam capazes também de olhar para o aluno de tal forma.
REFERÊNCIAS 
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BERGER, L. P.; LUCKMANN, T. A Construção Social da Realidade. In: BERGER, L. P.; LUCKMANN, T. A Sociedade como realidade subjetiva. Petrópolis. Vozes. 24ª edição. 1985. p. 173-217.
BEZERRA, Roberta Louíse Mariano; ROAMA-ALVES, Rauni Jandé; AZONI, Cíntia Alves Salgado. Relações entre Criatividade e Leitura: uma revisão integrativa. Revista Ibero-Americana de Criatividade e Inovação-RECRIAI, v. 1, n. 02, 2020. Disponível em: https://recriai.emnuvens.com.br/revista/article/view/37 
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