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1 GESTÃO DEMOCRÁTICA E PARTICIPATIVA NESTE CAPÍTULO VOCÊ IRÁ APRENDER: ● A pensar a gestão da escola a partir dos princípios da gestão democrática; ● A analisar o financiamento da Educação Básica; ● A reconhecer a importância e os limites das avaliações externas. INTRODUÇÃO Este capítulo discute a gestão democrática da escola e dois elementos estritamente ligados a ela: o financiamento da Educação Básica e as avaliações externas. A gestão democrática é discutida a partir de quatro princípios: participação, pluralidade, autonomia e transparência. A seguir, são apresentados os mecanismos de financiamento da Educação Básica pública, o que representa um conhecimento importante para a realização da gestão 2 democrática. Em especial, discute-se o salário-educação, uma política pública instituída em 1964, e o FUNDEB, que tornou-se uma fonte de financiamento permanente em 2020. Por fim, apresenta-se o funcionamento do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), tendo em vista que os resultados desta avaliação devem ser objeto de análise e discussão pela comunidade escolar em uma gestão democrática. Bons estudos! GESTÃO DEMOCRÁTICA A luta pela democratização da Educação no Brasil tem uma longa história. Já no final dos anos 1940 e ao longo da década de 1950, desenvolveu-se uma luta em favor da Educação popular, que compreendia, principalmente, na alfabetização de adultos. É neste contexto que emergiram as ideias de Paulo Freire e que foi fundado, em 1960, o Movimento de Cultura Popular, reunindo professores e artistas, com o objetivo de levar educação e cultura para as classes populares, dando ênfase ao uso do teatro. Também nesta época, grupos cristãos, orientados pela doutrina social da Igreja que estava sendo produzida na época, envolveram-se com estes processos. No início dos anos 1960, o país, bem como a América Latina em geral, vivia uma fase de intensa discussão acerca da educação popular, o que democratizaria a educação (PEREIRA, PEREIRA, 2010). https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8639807/7370 3 Contudo, em 1964, aconteceu o golpe militar, pondo fim a estas iniciativas. A redemocratização do país se deu apenas nos anos 1980, tendo ressonâncias no campo educacional. Neste contexto, surgiram novas lutas em prol da democratização da educação, visando a proporcionar escola de qualidade para todos. A Constituição de 1988, representa um avanço neste sentido, ao reconhecer, em seu art. 6º, a educação como um direito social. Além disto, em seu art. 205, enuncia que “a educação [é] direito de todos e dever do Estado” (BRASIL, 2020, online). Sociedade civil e o Movimento de Cultura Popular: escolas. Diário de Pernambuco, 26.04.1960. Fonte: Fórum Eja O art. 206 da Constituição declara que um dos princípios da educação é “gestão democrática do ensino público, na forma da lei” (BRASIL, 1988, online). Aqui, cabe destacar que a observância dos princípios da gestão democrática é obrigatória somente para as instituições públicas, sendo http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://forumeja.org.br/book/export/html/1710 4 facultado às escolas privadas conduzirem sua gestão do modo como entenderem mais adequado. Apesar de a Constituição mencionar uma lei que normatizaria a gestão democrática, até o momento não existe uma norma nacional que detalhe seu funcionamento. A legislação posterior à Constituição reafirma este princípio, sem avanços significativos em relação a orientações para sua operacionalização. De modo sucinto, a LDBEN aponta, em seu art. 14, o seguinte: Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II - participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. (BRASIL, 1996, online). O Capítulo III das DCNs da Educação Básica trata especificamente do tema. Porém, apresenta apenas algumas diretrizes gerais, apontando para a necessidade de participação da comunidade escolar, por meio de órgãos colegiados e de representação estudantil, nas decisões pedagógicas e administrativas. Esta lacuna legislativa acerca da gestão democrática vem sendo preenchida pelo trabalho de pesquisadores na área de Educação. Na próxima seção, apresento orientações sobre o funcionamento da gestão democrática. Depois, será discutido o financiamento da Educação Básica, suas avaliações externas e as relações com a gestão democrática. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=13448-diretrizes-curiculares-nacionais-2013-pdf&Itemid=30192 http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=13448-diretrizes-curiculares-nacionais-2013-pdf&Itemid=30192 5 FAZENDO GESTÃO DEMOCRÁTICA A efetivação da gestão democrática na escola é resultado de uma concepção de gestão e da construção de uma cultura colaborativa. O gestor escolar, para implantar uma gestão escolar, deve incentivar o diálogo e a participação da comunidade escolar nos processos decisórios. Segundo Gracindo (2007), uma gestão democrática se sustenta em quatro princípios: participação, pluralismo, autonomia e transparência. A participação se efetiva pela construção de um projeto coletivo de escola e implica em tomadas de decisão compartilhadas. Para tanto, é necessário implementar mecanismos que propiciem a participação da comunidade escolar. Entre eles, aprimorar os processos de escolha da direção, a criação e consolidação de órgãos colegiados (como o conselho escolar), o fortalecimento da participação estudantil por meio de grêmios estudantis. Também é importante incentivar e propiciar a participação de toda comunidade escolar na construção do PPP (BRASIL, 2004). Numa escola em que a participação da comunidade escolar é intensa, existe uma percepção de projeto coletivo e um comprometimento mais intenso de todos com este projeto. http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/11gesdem.pdf http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/11gesdem.pdf http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad5.pdf 6 Participação na gestão democrática. Fonte: autora. Porém, o processo de ampla participação na escola está associado com a convivência com a diferença. A gestão democrática e participativa implica em escutar a multiplicidade de vozes que habitam a escola, expondo a pluralidade de interesses, valores, identidades, modos de vida. O encontro desta pluralidade resulta em lutas políticas, conflitos e debates. Para que seja possível a participação de todos, é necessário negociar as diferentes posições. O papel do gestor é o de um coordenador, que media conflitos e busca a construção de consensos. É importante destacar que a gestão democrática consiste numa descentralização do poder, constituindo relações mais complexas entre os sujeitos. O respeito à pluralidade está relacionado com o esforço de tornar 7 as relações de poder entre os diversos segmentos o mais equilibradas possível, evitando o domínio das decisões por um único grupo. A autonomia da escola se constitui a partir da construção de seu PPP participativa e coletivamente pela comunidade escolar, com respeito à pluralidade das vozes e às singularidades da instituição. Uma escola que não constrói seu projeto é uma escola que perdeu sua autonomia. O PPP é o plano que estabelece os objetivos da escola e o modo com atingi-los. É aquilo que dá um norte para o trabalho escolar. Receber um PPP pronto para ser implementado suprime um dos elementos mais importantes da gestão democrática. Por fim, a transparência é condiçãonecessária para que a escola possa se constituir em um espaço público. A transparência está associada com uma comunicação clara e abrangente, que permita conhecer com facilidade as instâncias de participação e acessar as informações da escola. Sendo um espaço público, a transparência deve se dar tanto em relação à comunidade interna, quanto à comunidade externa. Ampla divulgação de eleições, reuniões e assembleias, estimulando a participação, e facilidade de acesso a informações importantes, como resultados financeiros, distribuição de recursos e o PPP da escola, são requisitos da transparência. Em especial, em relação a este último documento, é importante tornar seu acesso público, de modo que toda a comunidade possa conhecer o projeto. A gestão democrática da escola pressupõe lidar com seu financiamento e também com resultados de avaliações externas. A seguir, vamos discutir as políticas nacionais para estas áreas. 8 FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA O art. 212 da Constituição (BRASIL, 2020a) trata do financiamento da educação no país. Este artigo foi objeto de várias emendas ao longo dos anos. Nele, está a determinação de que a União aplique 18% de sua receita em educação e os Estados e municípios, 25%. Além destes recursos, o artigo prevê como fonte adicional a contribuição do salário-educação, uma alíquota de 2,5% sobre a folha de pagamento recolhida pelas empresas. Parte das alíquotas constitucionais vão formar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), criado em 2007 e tornado permanente em 2020. Os recursos da salário-educação e do FUNDEB são geridos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), uma autarquia ligada ao MEC que tem por função operacionalizar ações planejadas pelo ministério, além de gerir os recursos de três fontes: o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES), o FUNDEB e o salário-educação. Tendo em vista que o FIES não está voltado para a Educação Básica, tema desta seção, vamos apresentar com mais detalhes apenas as duas primeiras fontes. O salário-educação foi criado em 1964, visando ao financiamento da educação pública. Estes recursos devem ser utilizados integralmente na Educação Básica. Ao longo do tempo sofreu diversas mudanças. A alíquota de 2,5% foi instituída em 1975. Já a distribuição dos recursos hoje vigente, baseada na Lei nº 10.832/2003, é feita da seguinte forma: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm 9 ● 10% fica com o próprio FNDE para financiar projetos, programas e ações da educação básica; ● 90% é dividido em quotas, sendo: ○ quota federal: correspondente a 1/3 dos recursos, é mantida no FNDE, que a utiliza para a redução das desigualdades socioeducacionais entre os municípios e os estados; ○ quota estadual e municipal: correspondente a 2/3 dos recursos, sendo distribuída proporcionalmente ao número de matrículas e utilizada para o financiamento de programas, projetos e ações voltados para a educação básica (BRASIL, 2021a). O FUNDEB, por sua vez, foi criado pela Emenda Constitucional nº 53/2006 e regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007, com vigência estabelecida para o período 2007-2020. Neste período, tornou-se uma fonte de financiamento imprescindível para a Educação Básica (BRASIL, 2021b). No ano de 2020, próximo a seu término, o Congresso Nacional aprovou uma nova legislação que tornou o FUNDEB permanente, sendo instituído pela Emenda Constitucional n° 108, de 27 de agosto de 2020 (BRASIL, 2020b) e regulamentado pela Lei nº 14.113, de 25 de dezembro de 2020 (BRASIL, 2020c). O FUNDEB é constituído por recursos advindos de uma cota de 20% sobre os principais tributos estaduais, podendo ser abatido do empenho constitucional de 25% da receita. Os recursos estaduais são complementados por recursos da União. Até 2020, representavam 10% daqueles aportados pelos estados, mas a atual legislação amplia gradualmente esta porcentagem, que deverá atingir 23% em 2026. https://www.fnde.gov.br/index.php/financiamento/salario-educacao/sobre-o-plano-ou-programa/entendendo-o-salario-educacao https://www.fnde.gov.br/index.php/financiamento/fundeb/sobre-o-plano-ou-programa/historico http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc108.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc108.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc108.htm https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151 10 Outro avanço nesta nova legislação foi constitucionalizar o Custo Aluno- Qualidade (CAQ). A emenda constitucional traz que “o padrão mínimo de qualidade [...] considerará as condições adequadas de oferta e terá como referência o Custo Aluno Qualidade (CAQ)” (BRASIL, 2020b, online), orientando ainda que isto será regulamentado por lei complementa, o que ainda não ocorreu no início de 2021. O CAQ reconhece que existe um custo mínimo por aluno para garantir a qualidade educacional e este valor pode servir de referência para orçamentos futuros na área de Educação. Os recursos federais do FUNDEB são distribuídos entre os estados, visando a complementar os recursos estaduais de modo a reduzir desigualdades, promovendo um investimento por aluno mais homogêneo. Deste modo, estados mais pobres recebem uma maior complementação. Os estados, por sua vez, estabelecem critérios e distribuem recursos para os municípios, sempre no intuito de reduzir desigualdades. Algo novo nesta nova legislação do FUNDEB é determinar que parte dos recursos sejam distribuídos de acordo com os resultados educacionais. A Emenda Constitucional 108/2020 estabelece que 10% dos recursos estaduais devam ser distribuídos entre os municípios “com base em indicadores de melhoria nos resultados de aprendizagem e de aumento da equidade” (BRASIL, 2020b, online), ficando a cargo da unidade federativa definir estes indicadores. Além disso, estabelece, ainda, que dos 23% que a União deverá aportar como complemento a partir de 2026, 2,5% deverão ser distribuídos para as redes públicas que “alcançarem evolução de indicadores a serem definidos, de atendimento e melhoria da aprendizagem com redução das desigualdades” (BRASIL, 2020b, online). Estes http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc108.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc108.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc108.htm 11 indicadores foram detalhados no art. 14 da Lei 14.113/2020 (BRASIL, 2020c). Os recursos para financiamento da Educação Básica devem ser utilizados estritamente para o financiamento das instituições públicas, com exceção de instituições comunitárias, filantrópicas ou confessionais que tenham convênios com prefeituras para atendimento de crianças até três anos e, emergencialmente, crianças de quatro e cinco anos, até a universalização de vagas em instituições públicas. Cabe lembrar que, por ocasião da tramitação da Lei 14.113/2020, alguns deputados tentaram fazer com que os recursos do FUNDEB pudessem ser parcialmente direcionados para escolas confessionais (religiosas), comunitárias e filantrópicas. Isto causaria uma enorme perda de recursos e propiciaria um processo de privatização da educação pública. Por fim, a proposta foi rejeitada (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2020). A gestão democrática da escola deve preocupar-se com a gestão dos recursos financeiros oriundos das fontes de financiamento, e também com a gestão dos resultados das avaliações externas.AVALIAÇÕES EXTERNAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA As chamadas avaliações externas em larga escala se disseminaram pelo campo educacional nas últimas décadas não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. Essas avaliações são realizadas por meio de provas padronizadas, na maioria das vezes de caráter objetivo. A justificativa de sua realização é uma suposta mensuração da qualidade de ensino e a https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151 https://todospelaeducacao.org.br/noticias/regulamentacao-do-fundeb-educacao-publica-pode-perder-ate-12-bilhoes-para-a-rede-privada/ 12 possibilidade de realizar intervenções para aprimorar os processos de formação. As avaliações em larga escala começaram a aparecer no Brasil em finais dos anos 1980. Mais precisamente, em 1988, quando o MEC realizou um piloto do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Público (SAEP) de 1º Grau nos Estados do Paraná e Rio Grande do Norte. Na época, esta avaliação foi pensada, segundo Werle (2014), como uma estratégia para conferir transparência à gestão escolar e como um modo de analisar a qualidade educacional. O SAEP se inicia efetivamente em 1990, sendo realizado de forma descentralizada, com a participação das Secretarias de Educação. A implantação do SAEP não se deu apenas por uma decisão do MEC em produzir dados sobre a aprendizagem no país, mas para atender a uma demanda do Banco Mundial para avaliar os efeitos de programas educacionais que contavam com financiamento externo. Em 1995, ocorreu uma transformação neste processo avaliativo. Ele tornou- se centralizado, passando a ser de total responsabilidade do Governo Federal, por meio do MEC, e passou a ser chamado de Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB). Cabe notar que, para a implantação do SAEB, o Brasil também contou com financiamento do Banco Mundial. Isto sinaliza que as avaliações em larga escala chegam ao país atendendo a demandas internacionais (WERLE, 2014). O SAEB permanece até hoje sendo o sistema de avaliação externa em larga escala mais abrangente do país. Entretanto, ao longo dos anos, sofreu diversas modificações em relação à periodicidade, aos anos aos quais as avaliações eram aplicadas, aos conteúdos, à obrigatoriedade de http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v19n73/03.pdf 13 participação. O INEP (2021a) apresenta uma interessante linha do tempo com as transformações das avaliações. Sua última estruturação deu-se em 2019, tendo atualmente a configuração apresentada no Quadro 1. O quadro mostra que, em alguns casos, a abrangência é amostral, em outros, censitário. Quando a abrangência é amostral, apenas uma parte dos alunos fará a prova. Em geral, os alunos participam voluntariamente ou indicados pelas escolas. Na abrangência censitária, todos alunos deverão realizar a prova. É possível observar que em nenhum caso a avaliação é censitária nas escolas privadas. Público-alvo Abrangência Formulação dos Itens Áreas do Conhecimento / Disciplinas Avaliadas Creche e pré-escolas da Educação Infantil Escolas públicas – Amostral (Estudo piloto) BNCC 2º ano do Ensino Fundamental Escolas públicas – Amostral Escolas privadas - Amostral BNCC Língua Portuguesa e Matemática 5º e 9º ano do Ensino Fundamental Escolas públicas – Censitário Escolas privadas - Amostral Matriz de Referência Língua Portuguesa e Matemática 9º ano do Ensino Fundamental Escolas públicas – Amostral Escolas privadas - Amostral BNCC Ciências da Natureza e Ciências Humanas 3ª série do Ensino Médio Escolas públicas – Censitário Escolas privadas - Amostral Matriz de Referência Língua Portuguesa e Matemática Quadro 1 – Estrutura do SAEB em 2019 (Fonte: INEP, 2021) http://inep.gov.br/educacao-basica/saeb/historico http://inep.gov.br/educacao-basica/saeb/historico http://inep.gov.br/educacao-basica/saeb/historico 14 Em relação ao conteúdo, aquelas avaliações que são censitárias nas escolas públicas estão baseadas em matrizes de referência de Língua Portuguesa e Matemática. As matrizes são publicadas pelo INEP. Porém, já existe a presença da BNCC nas outras avaliações. É provável que nos próximos anos a BNCC se torne referência para todo o SAEB. Em 2019, foi realizada a avaliação da Educação Infantil como estudo piloto, para generalizá-la em edições futuras. Cabe destacar que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) realizou uma avaliação piloto desta etapa educacional em 2017, mostrando que possivelmente, mais uma vez, o Brasil alinhou-se com interesses econômicos internacionais. As provas são aplicadas a cada dois anos. Portanto, em 2020, não houve aplicação das avaliações do SAEB. Em 2021, provavelmente será proposta uma nova organização para estas avaliações. Entretanto, o desenvolvimento da Educação Básica não é avaliado apenas pelo SAEB. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), criado em 2007, articula em um único indicador o fluxo escolar e o desempenho no SAEB. O fluxo escolar, que mostra as reprovações e evasões, é calculado a partir dos dados obtidos no Censo Escolar, um levantamento anual feito pelo INEP. O preenchimento dos dados do Censo é mais uma tarefa da gestão. Ao combinar o fluxo escolar e o desempenho nas avaliações, o IDEB apresenta um equilíbrio entre estas dimensões. Uma escola com alto desempenho no SAEB, mas também com altas taxas de retenção escolar, necessita ações para melhoria do fluxo (INEP, 2021b). https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/pesquisas-estatisticas-e-indicadores/ideb 15 Os resultados do IDEB devem ser considerados na gestão democrática da escola. Não devem ser tomados como a única estratégia para avaliar o projeto da escola, mas como mais uma das evidências. Os resultados devem ser discutidos com a comunidade escolar para construir coletivamente intervenções que permitam tornar o desenvolvimento e as aprendizagens dos alunos mais efetivos. REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em: . Acesso em: 20 nov. 2020a. BRASIL. Emenda Constitucional nº 108, de 26 de agosto de 2020. Brasília, DF: Presidência da República, 2020. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2021. BRASIL. Lei nº 14.113, de 25 de dezembro de 2020. Brasília, DF: Presidência da República, 2020. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2021. BRASIL. FNDE. Entendendo o Salário-Educação. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2021a. BRASIL. FNDE. FUNDEB – Histórico. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2021b. https://tinyurl.com/yk4xyxjr https://tinyurl.com/8vjyvc8q https://tinyurl.com/6v5h3pfx https://tinyurl.com/ug8xz0ad https://tinyurl.com/yh546q89 16 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Escolar, gestão democrática da educação e escolha do diretor. Brasília: MEC, 2004. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2021. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996. Disponível em: . Acesso em 26 nov. 2020. GRACINDO, Regina. Gestão democrática nos sistemas e na escola. Brasília: Universidade de Brasília, 2007. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2021. INEP. SAEB – Histórico. Disponível em: .Acesso em: 12 fev. 2021a. INEP. IDEB. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2021b. PEREIRA, Dulcinéia de Fátima Ferreira; PEREIRA, Eduardo Tadeu. Revisitando a história da educação popular no Brasil: em busca de um outro mundo possível. Revista HISTEDBR, n. 40, p. 72-89, dez.2010. Disponível em: . TODOS PELA EDUCAÇÃO. Regulamentação do FUNDEB: educação pública pode perder até 12,8 bilhões para a rede privada. Publicado em https://tinyurl.com/1ne4iwh8 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm https://tinyurl.com/cjj679fo https://tinyurl.com/n8p7zfft https://tinyurl.com/3nd8vz2t https://tinyurl.com/2tunnqsk 17 16 dez. 2020. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2021. WERLE, Flávia. Políticas de avaliação em larga escala na educação básica: do controle de resultados à intervenção nos processos de operacionalização do ensino. Ensaio: avaliação de políticas públicas educacionais. Rio de Janeiro, v. 19, n. 73, p. 769-792, out./dez. 2011. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2021. https://tinyurl.com/l3me1jlj https://tinyurl.com/45gfqnfn