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1 
GESTÃO DEMOCRÁTICA E 
PARTICIPATIVA 
 
NESTE CAPÍTULO VOCÊ IRÁ APRENDER: 
● A pensar a gestão da escola a partir dos princípios da gestão 
democrática; 
● A analisar o financiamento da Educação Básica; 
● A reconhecer a importância e os limites das avaliações externas. 
 
INTRODUÇÃO 
Este capítulo discute a gestão democrática da escola e dois elementos 
estritamente ligados a ela: o financiamento da Educação Básica e as 
avaliações externas. 
A gestão democrática é discutida a partir de quatro princípios: participação, 
pluralidade, autonomia e transparência. A seguir, são apresentados os 
mecanismos de financiamento da Educação Básica pública, o que 
representa um conhecimento importante para a realização da gestão 
 
 
2 
democrática. Em especial, discute-se o salário-educação, uma política 
pública instituída em 1964, e o FUNDEB, que tornou-se uma fonte de 
financiamento permanente em 2020. 
Por fim, apresenta-se o funcionamento do Sistema de Avaliação da 
Educação Básica (SAEB), tendo em vista que os resultados desta avaliação 
devem ser objeto de análise e discussão pela comunidade escolar em uma 
gestão democrática. 
Bons estudos! 
 
GESTÃO DEMOCRÁTICA 
A luta pela democratização da Educação no Brasil tem uma longa história. 
Já no final dos anos 1940 e ao longo da década de 1950, desenvolveu-se 
uma luta em favor da Educação popular, que compreendia, principalmente, 
na alfabetização de adultos. É neste contexto que emergiram as ideias de 
Paulo Freire e que foi fundado, em 1960, o Movimento de Cultura Popular, 
reunindo professores e artistas, com o objetivo de levar educação e cultura 
para as classes populares, dando ênfase ao uso do teatro. Também nesta 
época, grupos cristãos, orientados pela doutrina social da Igreja que estava 
sendo produzida na época, envolveram-se com estes processos. No início 
dos anos 1960, o país, bem como a América Latina em geral, vivia uma fase 
de intensa discussão acerca da educação popular, o que democratizaria a 
educação (PEREIRA, PEREIRA, 2010). 
https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8639807/7370
 
 
3 
Contudo, em 1964, aconteceu o golpe militar, pondo fim a estas iniciativas. 
A redemocratização do país se deu apenas nos anos 1980, tendo 
ressonâncias no campo educacional. Neste contexto, surgiram novas lutas 
em prol da democratização da educação, visando a proporcionar escola de 
qualidade para todos. A Constituição de 1988, representa um avanço neste 
sentido, ao reconhecer, em seu art. 6º, a educação como um direito social. 
Além disto, em seu art. 205, enuncia que “a educação [é] direito de todos e 
dever do Estado” (BRASIL, 2020, online). 
 
Sociedade civil e o Movimento de Cultura Popular: escolas. Diário de 
Pernambuco, 26.04.1960. Fonte: Fórum Eja 
O art. 206 da Constituição declara que um dos princípios da educação é 
“gestão democrática do ensino público, na forma da lei” (BRASIL, 1988, 
online). Aqui, cabe destacar que a observância dos princípios da gestão 
democrática é obrigatória somente para as instituições públicas, sendo 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://forumeja.org.br/book/export/html/1710
 
 
4 
facultado às escolas privadas conduzirem sua gestão do modo como 
entenderem mais adequado. 
Apesar de a Constituição mencionar uma lei que normatizaria a gestão 
democrática, até o momento não existe uma norma nacional que detalhe 
seu funcionamento. A legislação posterior à Constituição reafirma este 
princípio, sem avanços significativos em relação a orientações para sua 
operacionalização. De modo sucinto, a LDBEN aponta, em seu art. 14, o 
seguinte: 
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática 
do ensino público na educação básica, de acordo com as suas 
peculiaridades e conforme os seguintes princípios: 
I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto 
pedagógico da escola; 
II - participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares 
ou equivalentes. (BRASIL, 1996, online). 
O Capítulo III das DCNs da Educação Básica trata especificamente do tema. 
Porém, apresenta apenas algumas diretrizes gerais, apontando para a 
necessidade de participação da comunidade escolar, por meio de órgãos 
colegiados e de representação estudantil, nas decisões pedagógicas e 
administrativas. 
Esta lacuna legislativa acerca da gestão democrática vem sendo preenchida 
pelo trabalho de pesquisadores na área de Educação. Na próxima seção, 
apresento orientações sobre o funcionamento da gestão democrática. 
Depois, será discutido o financiamento da Educação Básica, suas 
avaliações externas e as relações com a gestão democrática. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=13448-diretrizes-curiculares-nacionais-2013-pdf&Itemid=30192
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=13448-diretrizes-curiculares-nacionais-2013-pdf&Itemid=30192
 
 
5 
FAZENDO GESTÃO DEMOCRÁTICA 
A efetivação da gestão democrática na escola é resultado de uma 
concepção de gestão e da construção de uma cultura colaborativa. O gestor 
escolar, para implantar uma gestão escolar, deve incentivar o diálogo e a 
participação da comunidade escolar nos processos decisórios. 
Segundo Gracindo (2007), uma gestão democrática se sustenta em quatro 
princípios: participação, pluralismo, autonomia e transparência. A 
participação se efetiva pela construção de um projeto coletivo de escola e 
implica em tomadas de decisão compartilhadas. Para tanto, é necessário 
implementar mecanismos que propiciem a participação da comunidade 
escolar. Entre eles, aprimorar os processos de escolha da direção, a criação 
e consolidação de órgãos colegiados (como o conselho escolar), o 
fortalecimento da participação estudantil por meio de grêmios estudantis. 
Também é importante incentivar e propiciar a participação de toda 
comunidade escolar na construção do PPP (BRASIL, 2004). Numa escola 
em que a participação da comunidade escolar é intensa, existe uma 
percepção de projeto coletivo e um comprometimento mais intenso de todos 
com este projeto. 
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/11gesdem.pdf
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/11gesdem.pdf
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad5.pdf
 
 
6 
 
Participação na gestão democrática. Fonte: autora. 
Porém, o processo de ampla participação na escola está associado com a 
convivência com a diferença. A gestão democrática e participativa implica 
em escutar a multiplicidade de vozes que habitam a escola, expondo a 
pluralidade de interesses, valores, identidades, modos de vida. O encontro 
desta pluralidade resulta em lutas políticas, conflitos e debates. Para que 
seja possível a participação de todos, é necessário negociar as diferentes 
posições. O papel do gestor é o de um coordenador, que media conflitos e 
busca a construção de consensos. 
É importante destacar que a gestão democrática consiste numa 
descentralização do poder, constituindo relações mais complexas entre os 
sujeitos. O respeito à pluralidade está relacionado com o esforço de tornar 
 
 
7 
as relações de poder entre os diversos segmentos o mais equilibradas 
possível, evitando o domínio das decisões por um único grupo. 
A autonomia da escola se constitui a partir da construção de seu PPP 
participativa e coletivamente pela comunidade escolar, com respeito à 
pluralidade das vozes e às singularidades da instituição. Uma escola que 
não constrói seu projeto é uma escola que perdeu sua autonomia. O PPP é 
o plano que estabelece os objetivos da escola e o modo com atingi-los. É 
aquilo que dá um norte para o trabalho escolar. Receber um PPP pronto 
para ser implementado suprime um dos elementos mais importantes da 
gestão democrática. 
Por fim, a transparência é condiçãonecessária para que a escola possa se 
constituir em um espaço público. A transparência está associada com uma 
comunicação clara e abrangente, que permita conhecer com facilidade as 
instâncias de participação e acessar as informações da escola. Sendo um 
espaço público, a transparência deve se dar tanto em relação à comunidade 
interna, quanto à comunidade externa. Ampla divulgação de eleições, 
reuniões e assembleias, estimulando a participação, e facilidade de acesso 
a informações importantes, como resultados financeiros, distribuição de 
recursos e o PPP da escola, são requisitos da transparência. Em especial, 
em relação a este último documento, é importante tornar seu acesso público, 
de modo que toda a comunidade possa conhecer o projeto. 
A gestão democrática da escola pressupõe lidar com seu financiamento e 
também com resultados de avaliações externas. A seguir, vamos discutir as 
políticas nacionais para estas áreas. 
 
 
8 
FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA 
O art. 212 da Constituição (BRASIL, 2020a) trata do financiamento da 
educação no país. Este artigo foi objeto de várias emendas ao longo dos 
anos. Nele, está a determinação de que a União aplique 18% de sua receita 
em educação e os Estados e municípios, 25%. Além destes recursos, o 
artigo prevê como fonte adicional a contribuição do salário-educação, uma 
alíquota de 2,5% sobre a folha de pagamento recolhida pelas empresas. 
Parte das alíquotas constitucionais vão formar o Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais 
da Educação (FUNDEB), criado em 2007 e tornado permanente em 2020. 
Os recursos da salário-educação e do FUNDEB são geridos pelo Fundo 
Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), uma autarquia ligada 
ao MEC que tem por função operacionalizar ações planejadas pelo 
ministério, além de gerir os recursos de três fontes: o Fundo de 
Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES), o FUNDEB e o 
salário-educação. Tendo em vista que o FIES não está voltado para a 
Educação Básica, tema desta seção, vamos apresentar com mais detalhes 
apenas as duas primeiras fontes. 
O salário-educação foi criado em 1964, visando ao financiamento da 
educação pública. Estes recursos devem ser utilizados integralmente na 
Educação Básica. Ao longo do tempo sofreu diversas mudanças. A alíquota 
de 2,5% foi instituída em 1975. Já a distribuição dos recursos hoje vigente, 
baseada na Lei nº 10.832/2003, é feita da seguinte forma: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
 
 
9 
● 10% fica com o próprio FNDE para financiar projetos, programas e 
ações da educação básica; 
● 90% é dividido em quotas, sendo: 
○ quota federal: correspondente a 1/3 dos recursos, é mantida no 
FNDE, que a utiliza para a redução das desigualdades 
socioeducacionais entre os municípios e os estados; 
○ quota estadual e municipal: correspondente a 2/3 dos recursos, 
sendo distribuída proporcionalmente ao número de matrículas e 
utilizada para o financiamento de programas, projetos e ações 
voltados para a educação básica (BRASIL, 2021a). 
O FUNDEB, por sua vez, foi criado pela Emenda Constitucional nº 53/2006 
e regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007, com 
vigência estabelecida para o período 2007-2020. Neste período, tornou-se 
uma fonte de financiamento imprescindível para a Educação Básica 
(BRASIL, 2021b). No ano de 2020, próximo a seu término, o Congresso 
Nacional aprovou uma nova legislação que tornou o FUNDEB permanente, 
sendo instituído pela Emenda Constitucional n° 108, de 27 de agosto de 
2020 (BRASIL, 2020b) e regulamentado pela Lei nº 14.113, de 25 de 
dezembro de 2020 (BRASIL, 2020c). 
O FUNDEB é constituído por recursos advindos de uma cota de 20% sobre 
os principais tributos estaduais, podendo ser abatido do empenho 
constitucional de 25% da receita. Os recursos estaduais são 
complementados por recursos da União. Até 2020, representavam 10% 
daqueles aportados pelos estados, mas a atual legislação amplia 
gradualmente esta porcentagem, que deverá atingir 23% em 2026. 
https://www.fnde.gov.br/index.php/financiamento/salario-educacao/sobre-o-plano-ou-programa/entendendo-o-salario-educacao
https://www.fnde.gov.br/index.php/financiamento/fundeb/sobre-o-plano-ou-programa/historico
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc108.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc108.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc108.htm
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151
 
 
10 
Outro avanço nesta nova legislação foi constitucionalizar o Custo Aluno-
Qualidade (CAQ). A emenda constitucional traz que “o padrão mínimo de 
qualidade [...] considerará as condições adequadas de oferta e terá como 
referência o Custo Aluno Qualidade (CAQ)” (BRASIL, 2020b, online), 
orientando ainda que isto será regulamentado por lei complementa, o que 
ainda não ocorreu no início de 2021. O CAQ reconhece que existe um custo 
mínimo por aluno para garantir a qualidade educacional e este valor pode 
servir de referência para orçamentos futuros na área de Educação. 
Os recursos federais do FUNDEB são distribuídos entre os estados, visando 
a complementar os recursos estaduais de modo a reduzir desigualdades, 
promovendo um investimento por aluno mais homogêneo. Deste modo, 
estados mais pobres recebem uma maior complementação. Os estados, por 
sua vez, estabelecem critérios e distribuem recursos para os municípios, 
sempre no intuito de reduzir desigualdades. 
Algo novo nesta nova legislação do FUNDEB é determinar que parte dos 
recursos sejam distribuídos de acordo com os resultados educacionais. A 
Emenda Constitucional 108/2020 estabelece que 10% dos recursos 
estaduais devam ser distribuídos entre os municípios “com base em 
indicadores de melhoria nos resultados de aprendizagem e de aumento da 
equidade” (BRASIL, 2020b, online), ficando a cargo da unidade federativa 
definir estes indicadores. Além disso, estabelece, ainda, que dos 23% que 
a União deverá aportar como complemento a partir de 2026, 2,5% deverão 
ser distribuídos para as redes públicas que “alcançarem evolução de 
indicadores a serem definidos, de atendimento e melhoria da aprendizagem 
com redução das desigualdades” (BRASIL, 2020b, online). Estes 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc108.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc108.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc108.htm
 
 
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indicadores foram detalhados no art. 14 da Lei 14.113/2020 (BRASIL, 
2020c). 
Os recursos para financiamento da Educação Básica devem ser utilizados 
estritamente para o financiamento das instituições públicas, com exceção 
de instituições comunitárias, filantrópicas ou confessionais que tenham 
convênios com prefeituras para atendimento de crianças até três anos e, 
emergencialmente, crianças de quatro e cinco anos, até a universalização 
de vagas em instituições públicas. 
Cabe lembrar que, por ocasião da tramitação da Lei 14.113/2020, alguns 
deputados tentaram fazer com que os recursos do FUNDEB pudessem ser 
parcialmente direcionados para escolas confessionais (religiosas), 
comunitárias e filantrópicas. Isto causaria uma enorme perda de recursos e 
propiciaria um processo de privatização da educação pública. Por fim, a 
proposta foi rejeitada (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2020). 
A gestão democrática da escola deve preocupar-se com a gestão dos 
recursos financeiros oriundos das fontes de financiamento, e também com 
a gestão dos resultados das avaliações externas.AVALIAÇÕES EXTERNAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA 
As chamadas avaliações externas em larga escala se disseminaram pelo 
campo educacional nas últimas décadas não apenas no Brasil, mas no 
mundo inteiro. Essas avaliações são realizadas por meio de provas 
padronizadas, na maioria das vezes de caráter objetivo. A justificativa de 
sua realização é uma suposta mensuração da qualidade de ensino e a 
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-14.113-de-25-de-dezembro-de-2020-296390151
https://todospelaeducacao.org.br/noticias/regulamentacao-do-fundeb-educacao-publica-pode-perder-ate-12-bilhoes-para-a-rede-privada/
 
 
12 
possibilidade de realizar intervenções para aprimorar os processos de 
formação. 
As avaliações em larga escala começaram a aparecer no Brasil em finais 
dos anos 1980. Mais precisamente, em 1988, quando o MEC realizou um 
piloto do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Público (SAEP) de 1º 
Grau nos Estados do Paraná e Rio Grande do Norte. Na época, esta 
avaliação foi pensada, segundo Werle (2014), como uma estratégia para 
conferir transparência à gestão escolar e como um modo de analisar a 
qualidade educacional. O SAEP se inicia efetivamente em 1990, sendo 
realizado de forma descentralizada, com a participação das Secretarias de 
Educação. A implantação do SAEP não se deu apenas por uma decisão do 
MEC em produzir dados sobre a aprendizagem no país, mas para atender 
a uma demanda do Banco Mundial para avaliar os efeitos de programas 
educacionais que contavam com financiamento externo. 
Em 1995, ocorreu uma transformação neste processo avaliativo. Ele tornou-
se centralizado, passando a ser de total responsabilidade do Governo 
Federal, por meio do MEC, e passou a ser chamado de Sistema de 
Avaliação da Educação Básica (SAEB). Cabe notar que, para a implantação 
do SAEB, o Brasil também contou com financiamento do Banco Mundial. 
Isto sinaliza que as avaliações em larga escala chegam ao país atendendo 
a demandas internacionais (WERLE, 2014). 
O SAEB permanece até hoje sendo o sistema de avaliação externa em larga 
escala mais abrangente do país. Entretanto, ao longo dos anos, sofreu 
diversas modificações em relação à periodicidade, aos anos aos quais as 
avaliações eram aplicadas, aos conteúdos, à obrigatoriedade de 
http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v19n73/03.pdf
 
 
13 
participação. O INEP (2021a) apresenta uma interessante linha do tempo 
com as transformações das avaliações. Sua última estruturação deu-se em 
2019, tendo atualmente a configuração apresentada no Quadro 1. 
O quadro mostra que, em alguns casos, a abrangência é amostral, em 
outros, censitário. Quando a abrangência é amostral, apenas uma parte dos 
alunos fará a prova. Em geral, os alunos participam voluntariamente ou 
indicados pelas escolas. Na abrangência censitária, todos alunos deverão 
realizar a prova. É possível observar que em nenhum caso a avaliação é 
censitária nas escolas privadas. 
Público-alvo Abrangência 
Formulação 
dos Itens 
Áreas do 
Conhecimento / 
Disciplinas 
Avaliadas 
Creche e pré-escolas 
da Educação Infantil 
Escolas públicas – Amostral 
(Estudo piloto) 
BNCC 
2º ano do Ensino 
Fundamental 
Escolas públicas – Amostral 
Escolas privadas - Amostral 
BNCC 
Língua Portuguesa 
e Matemática 
5º e 9º ano do Ensino 
Fundamental 
Escolas públicas – Censitário 
Escolas privadas - Amostral 
Matriz de 
Referência 
Língua Portuguesa 
e Matemática 
9º ano do Ensino 
Fundamental 
Escolas públicas – Amostral 
Escolas privadas - Amostral 
BNCC 
Ciências da 
Natureza e 
Ciências Humanas 
3ª série do Ensino 
Médio 
Escolas públicas – Censitário 
Escolas privadas - Amostral 
Matriz de 
Referência 
Língua Portuguesa 
e Matemática 
Quadro 1 – Estrutura do SAEB em 2019 (Fonte: INEP, 2021) 
http://inep.gov.br/educacao-basica/saeb/historico
http://inep.gov.br/educacao-basica/saeb/historico
http://inep.gov.br/educacao-basica/saeb/historico
 
 
14 
Em relação ao conteúdo, aquelas avaliações que são censitárias nas 
escolas públicas estão baseadas em matrizes de referência de Língua 
Portuguesa e Matemática. As matrizes são publicadas pelo INEP. Porém, já 
existe a presença da BNCC nas outras avaliações. É provável que nos 
próximos anos a BNCC se torne referência para todo o SAEB. 
Em 2019, foi realizada a avaliação da Educação Infantil como estudo piloto, 
para generalizá-la em edições futuras. Cabe destacar que a Organização 
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) realizou uma 
avaliação piloto desta etapa educacional em 2017, mostrando que 
possivelmente, mais uma vez, o Brasil alinhou-se com interesses 
econômicos internacionais. 
As provas são aplicadas a cada dois anos. Portanto, em 2020, não houve 
aplicação das avaliações do SAEB. Em 2021, provavelmente será proposta 
uma nova organização para estas avaliações. 
Entretanto, o desenvolvimento da Educação Básica não é avaliado apenas 
pelo SAEB. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), criado 
em 2007, articula em um único indicador o fluxo escolar e o desempenho no 
SAEB. O fluxo escolar, que mostra as reprovações e evasões, é calculado 
a partir dos dados obtidos no Censo Escolar, um levantamento anual feito 
pelo INEP. O preenchimento dos dados do Censo é mais uma tarefa da 
gestão. Ao combinar o fluxo escolar e o desempenho nas avaliações, o IDEB 
apresenta um equilíbrio entre estas dimensões. Uma escola com alto 
desempenho no SAEB, mas também com altas taxas de retenção escolar, 
necessita ações para melhoria do fluxo (INEP, 2021b). 
 
https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/pesquisas-estatisticas-e-indicadores/ideb
 
 
15 
Os resultados do IDEB devem ser considerados na gestão democrática da 
escola. Não devem ser tomados como a única estratégia para avaliar o 
projeto da escola, mas como mais uma das evidências. Os resultados 
devem ser discutidos com a comunidade escolar para construir 
coletivamente intervenções que permitam tornar o desenvolvimento e as 
aprendizagens dos alunos mais efetivos. 
 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do 
Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível 
em: . Acesso em: 20 nov. 2020a. 
BRASIL. Emenda Constitucional nº 108, de 26 de agosto de 2020. 
Brasília, DF: Presidência da República, 2020. Disponível em: 
. Acesso em: 12 fev. 2021. 
BRASIL. Lei nº 14.113, de 25 de dezembro de 2020. Brasília, DF: 
Presidência da República, 2020. Disponível em: 
. Acesso em: 12 fev. 2021. 
BRASIL. FNDE. Entendendo o Salário-Educação. Disponível em: 
. Acesso em: 12 fev. 2021a. 
BRASIL. FNDE. FUNDEB – Histórico. Disponível em: 
. Acesso em: 12 fev. 2021b. 
https://tinyurl.com/yk4xyxjr
https://tinyurl.com/8vjyvc8q
https://tinyurl.com/6v5h3pfx
https://tinyurl.com/ug8xz0ad
https://tinyurl.com/yh546q89
 
 
16 
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Escolar, gestão democrática 
da educação e escolha do diretor. Brasília: MEC, 2004. Disponível em: 
. Acesso em: 12 fev. 2021. 
BRASIL. Lei nº 
9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da 
educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996. 
Disponível em: . 
Acesso em 26 nov. 2020. 
GRACINDO, Regina. Gestão democrática nos sistemas e na escola. 
Brasília: Universidade de Brasília, 2007. Disponível em: 
. Acesso em: 12 fev. 2021. 
INEP. SAEB – Histórico. Disponível em: .Acesso em: 12 fev. 2021a. 
INEP. IDEB. Disponível em: . Acesso em: 12 
fev. 2021b. 
PEREIRA, Dulcinéia de Fátima Ferreira; PEREIRA, Eduardo Tadeu. 
Revisitando a história da educação popular no Brasil: em busca de um outro 
mundo possível. Revista HISTEDBR, n. 40, p. 72-89, dez.2010. Disponível 
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TODOS PELA EDUCAÇÃO. Regulamentação do FUNDEB: educação 
pública pode perder até 12,8 bilhões para a rede privada. Publicado em 
https://tinyurl.com/1ne4iwh8
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm
https://tinyurl.com/cjj679fo
https://tinyurl.com/n8p7zfft
https://tinyurl.com/3nd8vz2t
https://tinyurl.com/2tunnqsk
 
 
17 
16 dez. 2020. Disponível em: . Acesso em: 12 
fev. 2021. 
WERLE, Flávia. Políticas de avaliação em larga escala na educação básica: 
do controle de resultados à intervenção nos processos de operacionalização 
do ensino. Ensaio: avaliação de políticas públicas educacionais. Rio de 
Janeiro, v. 19, n. 73, p. 769-792, out./dez. 2011. Disponível em: 
. Acesso em: 12 fev. 2021. 
 
 
 
 
https://tinyurl.com/l3me1jlj
https://tinyurl.com/45gfqnfn

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