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Rotulagem nutricional Você vai estudar as leis e normas que regulam a rotulagem nutricional no Brasil. Compreender sua aplicação na prática clínica e na elaboração de tabelas nutricionais permite orientar melhor o paciente e garantir que a prescrição esteja de acordo com a legislação e com a forma como o consumidor interpreta essas informações. Profa. Carolina Beres COMPOSIÇÃO DOS ALIMENTOS 1. Itens iniciais Propósito Entender como o consumidor percebe a rotulagem nutricional é essencial para que o nutricionista clínico faça prescrições adequadas. Também faz parte de sua atuação elaborar a tabela nutricional das embalagens, o que exige conhecimento das leis de rotulagem. Preparação Antes de iniciar o conteúdo, será necessário material de papelaria para anotações e acesso às legislações que constam nas referências. Objetivos Identificar a percepção do consumidor frente à rotulagem nutricional. Comparar a atualização da rotulagem nutricional com a legislação vigente. Introdução Neste conteúdo, apresentaremos as regulamentações técnicas em vigor sobre rotulagem nutricional, as quais devem ser aplicadas aos produtos comercializados, além das atualizações mais recentes da legislação de rotulagem nos alimentos. A elaboração dos rótulos é uma atribuição do nutricionista e uma exigência da segurança alimentar, já que é o meio de comunicação entre a indústria e o consumidor. O nutricionista é responsável por elaborar a tabela nutricional com todas as informações exigidas, porém, essa interlocução ainda é deficitária, já que muitos consumidores relatam dificuldade de entendimento sobre as informações contidas no rótulo. Desse modo, fazem-se necessários programas de educação nutricional para que haja a compreensão adequada das informações contidas nas embalagens. • • 1. A percepção do consumidor sobre a rotulagem nutricional O rótulo e sua legislação Como surgiu o rótulo que conhecemos? Neste vídeo, vamos explicar o histórico do rótulo de alimentos, ressaltando a evolução da legislação envolvida no processo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Segundo o Decreto-Lei nº 986/1969, que institui normas básicas sobre alimentos, rótulo é “qualquer identificação impressa ou litografada, bem como os dizeres pintados ou gravados a fogo, por pressão ou decalcação aplicados sobre o recipiente, vasilhame envoltório, cartucho ou qualquer outro tipo de embalagem do alimento ou sobre o que acompanha o continente.” Com o passar do tempo, a legislação sobre rotulagem nutricional passou por mudanças para se adequar às novas necessidades. Como consumidor, você percebeu alguma dessas mudanças? Chave de resposta A resposta depende da sua idade! Se você tem por volta de 20 anos, é provável que perceba mudanças mais recentes, como a rotulagem frontal com alertas visuais (alto em sódio, alto em açúcar), a presença de tabelas nutricionais mais padronizadas e até a valorização de produtos com alegações como sem glúten ou rico em fibras. Já se você tem mais experiência de vida, talvez se lembre de uma época em que os alimentos não traziam quase nenhuma informação nutricional. Para você, as mudanças mais perceptíveis provavelmente são a obrigatoriedade da tabela nutricional, os avisos para alérgicos (contém leite ou contém glúten) e o aumento do tamanho das letras, o que facilita bastante a leitura. Vamos entender como aconteceu todo o processo desde o início. A rotulagem nutricional tem papel fundamental na comunicação entre a indústria e o consumidor. Consiste ainda em uma ferramenta de prevenção de doenças crônicas na população, pois, com a informação adequada no rótulo, os consumidores podem tomar melhores decisões entre as opções comercializadas. Veja a trajetória a seguir. 1969 Decreto nº 986 A história da rotulagem no Brasil inicia-se na década de 1960, quando o Decreto-Lei nº 986, publicado em 1969, determina algumas normas para elaboração e comercialização de alimentos. 1979 Resolução Normativa nº 12 Em 1979, é publicada a Resolução Normativa nº 12, elaborada em 1978 pela Câmara Técnica de Alimentos, que determinou termos obrigatórios aos rótulos de alimentos industrializados. Nessa resolução, foram listadas as informações que deveriam constar no painel frontal do alimento, como nome, marca, conteúdo e declarações específicas, além da lista de ingredientes, aditivos intencionais e o país de origem no painel lateral. 1998 Portarias nº 41 e 42 Em 1998, a Resolução Normativa (RN) nº 12 foi revogada após a publicação das Portarias nº 41 e 42, elaboradas pela Secretaria de Vigilância Sanitária (SVS), que faz parte do Ministério da Saúde (MS). Além dos itens exigidos pela RN nº 12, as novas portarias exigiam novas informações, como identificação de lote, prazo de validade e instruções sobre preparo e uso do alimento. Ambas as portarias vistas abordavam o assunto de rotulagem, porém, a Portaria nº 41 era relacionada à rotulagem nutricional de alimentos com propriedades nutricionais especiais e a Portaria nº 42 correspondia à rotulagem nutricional de alimentos embalados. A publicação dessas duas portarias marca o início do reconhecimento da importância da informação nutricional no rótulo e a necessidade de fiscalização, apesar de, ainda nesse momento, a informação de composição nutricional não ser inteiramente obrigatória. Na Portaria nº 41, as alegações de caráter nutricional deveriam ser informadas por 100g ou 100mL do produto, com obrigatoriedade de indicar o valor energético, teor de proteínas, carboidratos, lipídios e fibra dietética. Em 1998, foi publicada a Portaria nº 27 SVS/MS, que complementa a Portaria nº 41, na qual são encontradas as definições de baixo conteúdo, fonte e alto teor. As alegações de reduzido e aumentado podem ser utilizadas apenas de forma comparativa para destacar a composição de um produto novo em relação a um produto mais tradicional. Já a Portaria nº 42 apontava que os rótulos não deveriam indicar alegações falsas, ou seja, apresentar benefícios à saúde que não pudessem ser comprovados, ou presença e ausência de ingredientes que não são próprios do alimento. Até então, a declaração de outros nutrientes era opcional, quando, em 1992, foi publicada a Lei nº 8.543, que obriga a declaração da presença de glúten nos rótulos que contenham trigo, cevada, aveia, malte, centeio e derivados. Essa lei foi importante para indivíduos celíacos e/ ou com doença autoimune, a qual compromete o intestino delgado e leva a um quadro inflamatório em caso de consumo de glúten. Com objetivo de uniformizar as informações para os celíacos, em 2003, foi publicada a Lei nº 10.674, que obriga os rótulos a indicarem contém glúten ou não contém glúten. Além de portadores da doença celíaca, existem outras doenças que podem necessitar de restrições nutricionais. Desse modo, também em 1998, foi publicada a Portaria nº 29 SVS/MS, que legisla sobre os alimentos para fins especiais, que devem ser referidos como: alimentos para fins especiais, alimentos para dietas com restrição de nutrientes, alimentos para ingestão controlada de nutrientes e alimentos para grupos populacionais com necessidades específicas. Já a Portaria nº 31 SVS/MS aprova o regulamento técnico referente a alimentos adicionados de nutrientes essenciais e diferencia os alimentos em enriquecidos ou fortificados e alimentos restaurados ou com reposição. Se ainda houver alegação de propriedade nutricional, o rótulo também deve atender à Portaria nº 27 SVS/MS. No ano de 2005, foi publicada a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 269, que atualizou os valores de ingestão diária recomendada (IDR) da Portaria nº 33 SVS/MS. No entanto, alguns nutrientes específicos, como teor de ácido fólico e proteínas para adultos apresentam outras recomendações na RDC nº 360 de 2003, o que mostra uma contradição, já que legislações diferentes indicavam teores diferentes do mesmo nutriente. A adequação das indústrias de alimentos às mudanças na legislação é sempre um desafio já que,e Controle de Infecção, 2013. YOSHIZAWA, N. et al. Rotulagem de alimentos como veículo de informação ao consumidor: adequação e irregularidades. CEPPA, 2003. Rotulagem nutricional 1. Itens iniciais Propósito Preparação Objetivos Introdução 1. A percepção do consumidor sobre a rotulagem nutricional O rótulo e sua legislação Como surgiu o rótulo que conhecemos? Conteúdo interativo Decreto nº 986 Resolução Normativa nº 12 Portarias nº 41 e 42 Atenção Atividade 1 Aditivos, nutrientes e alegações na rotulagem Conteúdo interativo Sabor de… e contém aromatizante Sabor imitação de... ou sabor artificial de... Colorido artificialmente RDC nº 29/1998 – Anvisa Dietas com restrição de nutrientes Ingestão controlada de nutrientes Grupos populacionais específicos Portaria nº 31/ 1998 – Anvisa RDC nº 18/1999 – Anvisa Atenção Atividade 2 Composição, validade, origem e instruções de uso Conteúdo interativo RDC nº 259/2002 Exemplo Atenção Atividade 3 Rotulagem nutricional e quantidade declarada de alimentos Conteúdo interativo Portaria nº 157/2002 – Inmetro RDC nº 340/2002 – Anvisa Lei nº 10.674/2003 RDC nº 360/2003 – Anvisa RDC nº 359/2003 Atividade 4 Rotulagem de OGM, alergênicos, lactose e suplementos Conteúdo interativo Instrução Normativa Interministerial nº 1/2004 Instrução Normativa nº 19/2009 – Ministério da Agricultura e Pecuária RDC nº 54/2012 – Anvisa Atenção RDC nº 26/2015 – Anvisa Informe técnico nº 70/2016 – Anvisa RDC nº 135/2017 – Anvisa Atenção RDC nº 136/2017 – Anvisa RDC nº 243/2018 – Anvisa Atenção Atividade 5 2. O consumidor e a rotulagem Percepção do consumidor Conteúdo interativo Comentário Tamanho do texto Linguagem e pouca informação Curiosidade Atenção Atividade 1 Atualizações na legislação Conteúdo interativo Padrão visual da Tabela de Informação Nutricional Novas informações obrigatórias Açúcares totais e açúcares adicionados Coluna de referência por 100 g ou 100 mL %VD (Percentual de Valores Diários) Número de porções e porção de referência Localização e integridade da tabela Rotulagem nutricional frontal Regras para alegações nutricionais Comentário Atividade 2 Aplicando o conhecimento Orientando seu paciente Conteúdo interativo 3. Conclusão Considerações finais O que você aprendeu neste conteúdo? Explore + Referênciascaso não haja um cumprimento das determinações vigentes, a indústria pode ser penalizada pelos órgãos de fiscalização. Pode acontecer das indústrias estarem ainda se adequando a uma legislação quando uma nova atualização é realizada. Um modo de atenuar o descompasso das atualizações da legislação é haver um tempo maior oferecido às indústrias para se adequarem às demandas do governo. Isso aconteceu em 2000, quando as indústrias ainda estavam se adequando à nova legislação de 1998, já que, normalmente, o tempo dado de adequação para as indústrias alimentícias é de 2 anos, e logo em seguida foi publicada a nova RDC nº 94. A última tornava obrigatória a informação de valor energético, teor de proteínas, lipídios, carboidratos e fibras em todos os alimentos embalados, acrescentando também a necessidade de informar o teor de gordura saturada, colesterol, cálcio, ferro e sódio. Além de expressar esses valores em 100g ou 100mL, também deveria indicar por porção e expressar o número de porções na embalagem. A vigência da RDC nº 94/2000 foi de 1 ano. Em 2001, foi publicada a RDC nº 40, que manteve a mesma lista obrigatória de itens a serem declarados, suas quantidades por 100g ou 100mL e por porção, acrescentando a necessidade de informar o percentual de valor diário (%VD), tomando como base uma dieta de 2.500kcal. Logo em seguida, em 2002, foi publicada a RDC nº 259 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que revogou a Portaria nº 42 de 1998, tornando obrigatória a declaração no rótulo da denominação de venda do alimento, a lista de ingredientes, o conteúdo líquido, a identificação da origem e do lote, o prazo de validade e a instrução sobre preparo e uso do alimento, quando necessário. Os países são independentes em relação às suas legislações, ou seja, cada governo e órgão de regulamentação têm autonomia para determinar as suas próprias determinações. No entanto, países vizinhos podem apresentar entraves comerciais quando há desalinho entre suas legislações. De modo a alcançar um equilíbrio entre as demandas de controle de rotulagem nos países integrantes do Mercosul, foram publicadas em 2003 a RDC nº 359 e a RDC nº 360. A primeira tem como principal alteração a base de dieta utilizada no cálculo de valor diário, que passa a ser de 2.000kcal, sendo necessário o recálculo dos percentuais de ingestão diária recomendado (%VD) para cada nutriente e das porções dos alimentos. No caso da RDC nº 360, foi estabelecida a obrigatoriedade da declaração da rotulagem nutricional, indicando valor energético, teores de carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio, além de vitaminas e minerais que possuem declaração opcional se na porção do alimento apresentar pelo menos 5% da ingestão diária recomendada (IDR). Respeitar as leis sobre rotulagem nutricional demonstra uma preocupação da indústria em preservar a saúde do consumidor e evita obstáculos acerca das relações comerciais nacionais e internacionais, já que o mercado de compra e venda de insumos e alimentos industrializados deve ser regulamentando haja vista a segurança alimentar e a manutenção da saúde do consumidor final. Atenção No Brasil, as informações fornecidas nos rótulos devem atender ao artigo nº 6 do Código de Defesa do Consumidor. Esse artigo determina que as informações fornecidas sobre produtos devem ser claras, adequadas, com especificações corretas de quantidade, características, composição, qualidade, preço e a indicação dos riscos que aquele produto pode representar. Atividade 1 A rotulagem nutricional sofreu muitas alterações ao longo dos anos para se adequar às necessidades do mercado e do consumidor. Sobre o histórico da rotulagem nutricional, considere as seguintes afirmações: I. As atualizações da rotulagem nutricional são realizadas para beneficiar a indústria de alimentos. II. A legislação de rotulagem nutricional deve estar alinhada com o código de defesa do consumidor. III. Apenas o Inmetro é responsável por determinar a legislação de alimentos Assinale a alternativa correta. A Apenas II está correta B Apenas I está correta C I e II estão corretas D I e III estão corretas E II e III estão corretas Exemplo de rótulo com indicação de presença de aromatizante. A alternativa A está correta. A legislação de rotulagem nutricional deve estar alinhada com o código de defesa do consumidor, garantindo o direito e a adequação das necessidades do mercado e do consumidor. Aditivos, nutrientes e alegações na rotulagem Neste vídeo, vamos explicar as legislações envolvidas na forma como aditivos, nutrientes e alegações podem ou não estar presentes no rótulo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A Anvisa regula o uso de aditivos alimentares, que são substâncias adicionadas intencionalmente com o objetivo de modificar características sensoriais durante a fabricação, processamento, tratamento, transporte ou armazenamento. Os aditivos de uso alimentar devem ser autorizados de forma que não apresentem nenhum efeito toxicológico acumulativo, sinérgico ou alergênico ao consumidor. A RDC nº 45/2010 lista os aditivos autorizados para uso, assim como seus respectivos códigos. Essa lista refere-se a apenas alguns alimentos, como cereais e produtos à sua base, produtos gelados comestíveis, balas, confeitos, bombons, chocolates, sobremesa, produtos de panificação, biscoitos, carnes, molhos, condimentos, bebidas não alcoólicas. Os aromatizantes também são aditivos que podem ser utilizados nos alimentos. São autorizados os aromatizantes naturais e sintéticos, que podem ser idênticos ao natural ou artificiais. Não é obrigatório declarar o nome da substância que promove o aroma, mas, sim, incluir o termo aromatizante ou aroma, indicando se é natural, idêntico ao natural ou artificial. De acordo com o Decreto-Lei n° 986/1969, as declarações, obrigatoriamente, devem constar no painel frontal do produto de forma legível e conforme a seguinte recomendação: 1 Sabor de… e contém aromatizante Para alimentos elaborados com essências naturais. 2 Sabor imitação de... ou sabor artificial de... Deve vir seguido do termo aromatizado artificialmente. Para alimentos elaborados com essências artificiais. 3 Colorido artificialmente Para alimentos que contêm corantes artificiais. A declaração deve indicar sua função principal, nome completo ou INS, e deve ser indicado na lista de ingredientes. O uso de aditivos pode ser limitado a alimentos específicos e em menores quantidades possíveis. RDC nº 29/1998 – Anvisa Descreve o regulamento técnico para identidade e qualidade de alimentos para fins especiais, que sofreram modificações no conteúdo de nutrientes, de modo a atender pessoas com necessidades metabólicas ou fisiológicas específicas. Existem 3 tipos de classificação de alimentos para fins especiais: Dietas com restrição de nutrientes Carboidratos, proteínas, sódio e outros. Indicados, por exemplo, para diabéticos, doentes renais e hipertensos, respectivamente. Ingestão controlada de nutrientes Controle de peso, dietas enterais e ingestão controlada de açúcares. Grupos populacionais específicos Lactentes, crianças e idosos. O termo diet é utilizado na rotulagem de alimentos que apresentam restrição ou ausência de algum nutriente específico, porém há exceções importantes: Alimentos feitos com farinha de trigo ou de milho não podem ser chamados de diet, mesmo que tenham algum nutriente reduzido ou retirado. Também não é permitido usar o termo diet em alimentos com restrição de ferro. Para que um alimento seja corretamente classificado como restrito em algum nutriente, ele deve conter no máximo 0,5g do nutriente por 100g ou 100mL do produto. Essa quantidade deve ser atendida para alimentos com restrição de sacarose, frutose, glicose e gorduras. No caso de alimentos com restrição de proteínas, por exemplo, o produto deve ser totalmente isento de proteínas para ser classificado para tal fim. Na embalagem,deve-se indicar a finalidade à qual se destina em letras da mesma cor e tamanho, com instruções claras de preparo, além de instruções de cuidados de conservação e armazenamento. Algumas alegações são obrigatórias para determinados produtos, como: • • Diabéticos: contém glicose (ou qualquer outro mono ou dissacarídeo). Contém fenilalanina para alimentos com adição de aspartame. Este produto pode ter efeito laxativo (quando houver ingestão superior de polióis, utilizados para acrescentar sabor doce aos alimentos, com efeito laxativo, como edulcorantes manitol, sorbitol e polidextrose). Consumir preferencialmente sob orientação de nutricionista ou médico. Portaria nº 31/ 1998 – Anvisa Regulamenta os alimentos que foram adicionados de nutrientes essenciais, naturalmente, encontrados nos alimentos ou não, objetivando reforçar o seu valor nutritivo ou prevenir deficiências nutricionais na população ou em grupos específicos. É possível ocorrer a adição de nutrientes que foram perdidos ao longo do processo industrial, e a esse tipo de alimento é dado o nome de alimento restaurado ou com reposição de nutrientes essenciais. A adição de nutrientes é realizada, principalmente, em relação ao teor de vitaminas e minerais, que pode ser incluída dentro de um limite máximo de 15% da IDR de referência em 100g ou 100mL do produto. A declaração na embalagem para esses alimentos deve utilizar os seguintes termos: enriquecido com, vitaminado, rico em, rico em vitaminas, rico em minerais ou rico em vitaminas e minerais. RDC nº 18/1999 – Anvisa Estabelece as normas para análise e comprovação de propriedade funcional com alegação no rótulo. São permitidas alegações de alimento funcional para aqueles que apresentam papel fisiológico do nutriente no crescimento, desenvolvimento e função normal do organismo e se houve comprovação da eficácia. Atenção Para alimentos e nutrientes que apresentam benefícios amplamente conhecidos pela comunidade científica, não é preciso comprovação de demonstração da eficácia. Não são permitidas alegações relacionadas à cura ou prevenção de doença. Atividade 2 A respeito dos aditivos e dos alimentos para fins especiais, analise as afirmativas: I. Os alimentos classificados como diet devem ser isentos obrigatoriamente de sacarose, frutose e glicose. II. A Portaria n.º 31/1998 permite a adição de nutrientes com o objetivo de restaurar perdas nutricionais do processo industrial. • • • • III. Aromatizantes artificiais exigem declaração explícita com os termos “sabor imitação de...” e “aromatizado artificialmente”. IV. Alimentos com adição de aspartame devem informar a presença de fenilalanina na embalagem. Quais estão corretas? A Apenas I e II B Apenas II, III e IV C Apenas III e IV D Apenas I e IV E Apenas I, II e IV A alternativa B está correta. A I está incorreta porque o termo diet pode se referir à restrição de diferentes nutrientes, não apenas açúcares. As afirmativas II, III e IV estão corretas de acordo com a Portaria nº 31/1998, e o Decreto nº 986/1986, que tratam da adição de nutrientes, declaração de aromatizantes e advertências específicas para certos aditivos. Composição, validade, origem e instruções de uso Neste vídeo, vamos explicar as legislações envolvidas na forma como a composição, validade, origem e instruções de uso podem ou não estar presentes no rótulo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. RDC nº 259/2002 Determina os regulamentos técnicos para alimentos embalados, contendo a tabela nutricional, lista de ingredientes, denominação de venda, marca, nome fantasia, denominação, identificação de origem, instruções de uso ou modo de preparo. A denominação de venda deve estar de acordo com o regulamento técnico de identidade e qualidade do alimento em questão. A lista de ingredientes deve estar identificada como ingredientes ou ingr., e devem estar em ordem decrescente de proporção no alimento, como exemplificado nas imagens a seguir. Lista de ingredientes dos rótulos de manteiga (A) e iogurte natural (B). Alguns alimentos apresentam ingredientes compostos, ou seja, alimentos que são elaborados com dois ou mais ingredientes que apresentam composição própria. A formulação desse ingrediente composto deve ser listada quando constituir em quantidade superior a 25% do produto e se o ingrediente composto apresenta aditivos que possam promover funções tecnológicas ao produto, como aromatizantes, emulsificantes e corantes. Porém, a Anvisa orienta que os ingredientes compostos sejam sempre detalhados no rótulo das embalagens. Vamos usar como exemplo a preparação de um brownie, que tem como um dos ingredientes o achocolatado em pó, que é um ingrediente composto. Nesse caso, a lista deve constar no rótulo, como no exemplo a seguir: Ingredientes: achocolatado em pó (cacau em pó, maltodextrina, aromatizantes e emulsificante lecitina de soja), farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, manteiga e ovos. A água sempre deve ser declarada na lista de ingredientes, seguindo a ordem decrescente de quantidade, exceto quando for parte de salmoura, caldas, molhos e xaropes ou quando ela evaporar ao longo do processo de preparo do produto. Algumas classes de ingredientes apresentam números genéricos que podem ser utilizados na lista de ingredientes, de modo a simplificar a relação do rótulo, como indicado a seguir. Terminologia genérica Classe de ingredientes Óleo de vegetal ou animal deve-se especificar a origem como óleo vegetal de soja Qualquer óleo refinado diferente do azeite de oliva. Gordura vegetal ou animal Gorduras refinadas com exceção de manteiga. Amido Amidos e amidos modificados por ação enzimática ou física. Amido modificado Amido modificado quimicamente. Pescado Qualquer espécie de pescado que constitua um ingrediente de outro alimento, sendo que, no rótulo ou na apresentação, não faça referência a uma determinada espécie de peixe. Carne de aves Qualquer espécie de carne de ave que constitua um ingrediente de outro alimento, sendo que, no rótulo ou na apresentação, não faça referência a uma determinada espécie de ave. Queijo Qualquer tipo de queijo, quando o queijo ou a mistura de queijos seja um ingrediente de outro alimento, sendo que, no rótulo e na apresentação, não faça referência a um determinado tipo de queijo. Terminologia genérica Classe de ingredientes Especiaria, especiarias ou mistura de especiarias Qualquer especiaria ou extrato de especiaria isolada ou misturada no alimento. Ervas aromáticas ou mistura de ervas aromáticas Qualquer erva aromática ou parte de erva isolada ou mistura no alimento. Tabela: Indicação de nomes genéricos utilizados para algumas classes de ingredientes. Anvisa, 2002. De acordo com a RDC nº 259, os aditivos devem ser informados na lista de ingredientes. Por definição, os aditivos são substâncias inseridas intencionalmente nos alimentos, com o objetivo de alterar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais. Esses compostos podem ser adicionados durante a fabricação, processamento, preparação, tratamento, embalo, acondicionamento, armazenamento, transporte ou durante a manipulação do produto. O aditivo não tem por objetivo nutrir, ou seja, não consiste em um nutriente. O aditivo deve ser indicado ao fim da lista de ingredientes (veja na imagem a seguir), contendo sua função principal, seu nome completo ou o código INS (International Numbering System). Embalagem de cereal matinal com indicação ao final da lista de ingredientes da presença de corantes e aromatizantes com respectivos nomes. A identificação de origem do produto também é uma informação obrigatória que deve constar no rótulo dos produtos embalados, nesse caso, são aceitas expressões como: indústria brasileira, fabricado no Brasil e produto brasileiro. O país de origem e o munícipio, assim como o endereço completo, também são obrigatórios. Exemplo de identificação de origem de endereço de produtores. Alguns alimentos apresentamfabricação específica de algumas regiões, desse modo, quando um produto não for produzido nesse local e for semelhante ao original, a indicação do produto deve vir acompanhada da expressão tipo, exemplo: queijo tipo brie, queijo tipo gorgonzola, presunto tipo parma. A localização tradicional e reconhecida de origem do produto não deve ser indicada na rotulagem ou em propagandas. A expressão tipo deve estar claramente identificada com o mesmo tamanho e cor de fonte, no painel principal da embalagem. O prazo de validade é a informação mais procurada pelos consumidores e, assim como o lote, são informações consideradas obrigatórias nas embalagens, ao contrário da data de fabricação, que não é obrigatória. O lote é determinado pelo fabricante e consiste em um código precedido da letra L ou do termo lote. A partir do lote, deve ser possível rastrear informações, como data de fabricação, data de embalagem e o prazo de validade. O prazo de validade deve ser precedido das expressões: consumir antes de, válido até, validade, val., vence, venc., vencimento, vto., consumir preferencialmente antes de, indicando dia e mês ou mês e ano, nessa ordem. Quando o prazo de validade for inferior a 3 meses, a validade deve ser indicada com dia e mês. Se o prazo for superior a 3 meses, a validade deve conter mês e ano. Expressões como válido por 30 dias, válido por 15 dias não são permitidas. Exemplo Data de fabricação: 23/02/2021 - Válido por 30 dias Fab/Val./Lote: 23.02.2020 – 30.02.2020 – 17:B50 Alguns produtos não apresentam obrigatoriedade de declaração de prazo de validade, como frutas e hortaliças frescas e não processadas, vinhos e bebidas alcoólicas com mínimo de 10% (v/v) de álcool, vinagre, produtos de panificação e confeitaria. Estes produtos, geralmente, são consumidos em 24 horas: doces com alta concentração de açúcares, como balas, caramelos, confeitos, pastilhas, gomas de mascar e sal de qualidade alimentar. Vinhos e bebidas alcoólicas podem conter a expressão: produto com validade indeterminada, desde que mantido sob as condições indicadas de armazenamento. Quando o produto apresenta necessidade de acondicionamento especial, essa recomendação deve estar na embalagem, assim como a temperatura de armazenamento indicada. Essa condição deve ser mantida no local de comercialização e no domicílio. Rótulo de margarina com indicação da temperatura de armazenagem. Alguns produtos, mesmo que ainda fechados, devem ser armazenados em condições adequadas com sinalizações, como: conservar em local limpo, seco e arejado, conservar ao abrigo do sol e calor. Outros produtos podem apresentar recomendação de armazenamento após abertos, como: após aberto consumir em até 5 dias ou após aberto manter sob refrigeração e consumir em até 3 dias. Em relação ao tamanho da fonte das informações de rotulagem, com exceção da indicação de conteúdo líquido, não podem ser menores que 1mm (milímetro) e todas as informações devem ser contrastantes com o fundo da embalagem. Nas embalagens pequenas, como bombons e balas, em que o painel principal é inferior a 10cm2, o mínimo que deve ser declarado é a denominação de venda e a marca do produto. Quanto à embalagem externa que contém as unidades dos produtos unitários, deve conter todas as informações obrigatórias exigidas pela legislação. Atenção Existem ainda informações que não devem constar nos rótulos, como qualquer símbolo ou inscrição que permita induzir o consumidor ao erro em relação à natureza, composição ou procedência, além da quantidade, validade ou forma de uso do produto. Não é possível haver indicação de presença ou ausência de componentes que sejam próprios do produto. Não se autoriza nenhuma alegação de propriedades medicinais ou terapêuticas, ou indicação de consumo, sugerindo que é possível gerar melhoria na saúde ou na prevenção de doenças. Atividade 3 A rotulagem de alimentos embalados visa garantir ao consumidor acesso a informações claras sobre composição, validade, origem e instruções de uso do produto. De acordo com a legislação brasileira sobre rotulagem de alimentos, qual das seguintes alternativas está correta quanto à obrigatoriedade na lista de ingredientes? A A água não precisa ser declarada na lista de ingredientes, mesmo que seja o componente principal. B Ingredientes compostos nunca precisam ser detalhados, independentemente de sua proporção. C Ingredientes devem ser listados por ordem crescente de quantidade no produto. D É obrigatório declarar os aditivos ao final da lista de ingredientes, com função, nome ou código INS. E A denominação óleo vegetal pode ser utilizada sem especificação de origem. A alternativa D está correta. A legislação exige que os aditivos alimentares sejam declarados ao final da lista de ingredientes, com a indicação de sua função principal e identificação por nome completo ou código INS. As demais opções contradizem normas específicas, como a exigência de declarar a água (exceto exceções previstas) e listar os ingredientes em ordem decrescente. Rotulagem nutricional e quantidade declarada de alimentos Neste vídeo, vamos explicar as legislações envolvidas na forma como a quantidade declarada de produto deve estar presente no rótulo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Portaria nº 157/2002 – Inmetro Nesse regulamento técnico, é informada a obrigatoriedade de indicar no painel principal do produto, em cor contrastante com o fundo da embalagem, a quantidade do produto. Quando o produto for sólido, granulado ou em gel, a unidade de medida deve ser em g (grama) ou em kg (quilo). Quando o produto for líquido, a unidade deverá ser em mL (mililitro) ou em L (litro). A faixa de corte para medida em grama ou quilo deve ser de 1000g, ou seja, até 1000g, usar grama, acima de 1000g, utilizar quilo, o mesmo corte serve para alimentos líquidos. Indicação da quantidade do produto sólido em grama no painel frontal de embalagem em cor contrastante. Os termos peso líquido, conteúdo líquido, peso liq. e conteúdo liq. não são obrigatórios na embalagem. No entanto, no caso de alimentos que apresentam dois estados físicos, ou seja, parte do produto líquido e parte do produto sólido, deve-se indicar no rótulo o peso líquido do produto. Isto é, a quantidade total do produto e o peso drenado, que é o peso apenas da porção sólida. Esses casos são comumente encontrados em conservas vegetais, doces em calda, peixes enlatados e azeitonas ou outros vegetais em salmoura, como podemos ver na imagem a seguir. Produtos que devem obrigatoriamente apresentar no painel frontal as informações de peso líquido e peso drenado. Existem produtos que são vendidos a granel, como os frios. Nesse caso, não há indicação padronizada de quantidade na embalagem para o consumidor. Porém, a informação de peso deve constar na embalagem original no produto, com a expressão: deve ser pesado em presença do consumidor. RDC nº 340/2002 – Anvisa Legislação específica para o corante tartrazina (INS 102), que deve ser declarado obrigatoriamente na lista de ingredientes com o nome por extenso. Lei nº 10.674/2003 Determina a obrigatoriedade de todos os produtos alimentícios comercializados apresentarem as inscrições contém glúten ou não contém glúten. Obrigatoriedade de os produtos apresentarem as informações sobre se contêm ou não glúten na sua formulação. RDC nº 360/2003 – Anvisa Torna obrigatória a rotulagem nutricional nos alimentos embalados e prontos para consumo, nos quais devem ser declarados o valor energético, carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibras e sódio. Vitaminas e minerais podem ser declarados se a quantidade for maior ou igual a 5% da ingestão diária recomendada (IDR), em miligrama (mg) ou micrograma (µg). Os valores devem ser declarados seguindo algumas regras em relação às casas decimais: Se os valores são maiores que 100, manter apenas os 3 dígitos. Valores entre 10 e 100, declarar números inteiros com 2 dígitos. Valores menores que10 e maiores que 1, declara 1 número e 1 decimal após a vírgula. Valores menores que 1, se forem vitaminas e minerais, utilizar duas casas decimais, se forem outros nutrientes, utilizar 1 casa decimal. Nos casos dos alimentos que contêm valores energéticos ou de nutrientes menores ou iguais aos estabelecidos como não significativos, no rótulo nutricional devem constar expressões como zero, 0 ou não contém, mas os nutrientes devem ser indicados na tabela nutricional, ou por meio de uma declaração única simplificada do tipo não contém quantidade significativa de…, inserindo os nutrientes que não são significativos. • • • • Rótulo nutricional no qual um dos ingredientes apresenta teor abaixo do que é especificado como não significativo. As informações nutricionais devem ser expressas por porção, sendo também expressa na forma de medida caseira. O percentual de valor diário (%VD) de cada nutriente deve usar como base os valores de referência de nutrientes (VDR) e de ingestão diária recomendada (IDR), além da expressão seus valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas. De acordo com a legislação, as tabelas nutricionais podem ser expressas no rótulo no modelo vertical A, vertical B e linear. Vejamos a imagem a seguir. Exemplo de tabela nutricional no modelo vertical A. As regras vistas não são aplicadas para bebidas alcóolicas, aditivos alimentares, especiarias, água mineral, vinagre, sal, café, erva-mate, chás, alimentos preparados e embalados em restaurantes, produtos comercializados em varejos já fracionados, frutas, vegetais, carnes in natura refrigeradas e congeladas, e para alimentos com embalagem inferior à 100cm2. RDC nº 359/2003 Determina o regulamento técnico para porções de alimentos embalados. Por definição, a porção é a quantidade média do alimento que deve ser consumida por pessoas saudáveis acima dos 3 anos em cada momento de consumo, com objetivo de promover uma alimentação saudável. A porção deve ser indicada também utilizando a medida caseira, que é uma ferramenta usada pelo consumidor para medir os alimentos. Desse modo, pode ser medida a cada unidade que consiste individualmente em cada produto contido na embalagem e uma fração, que é a parte de um todo. Para determinar a porção, deve-se considerar como base uma alimentação diária de 2.000kcal ou 8.400kJ, e o valor energético médio que contém em cada grupo de alimentos como indicado na tabela a seguir. Grupo Alimentos Valor energético Número de porções Valor energético médio por porção Calorias Joules Calorias Joules I Produtos de panificação, cereais, leguminosas, raízes, tubérculos e derivados 900 3800 6 150 630 II Verduras, hortaliças, e conservas vegetais 300 2260 3 30 125 III Frutas, sucos, néctares, e refrescos 300 2260 3 70 295 IV Leite e derivados 500 2100 2 125 525 V Carne e ovos 500 2100 2 125 525 VI Óleos, gorduras e oleaginosas 300 1260 2 100 420 VII Açúcares 300 1260 1 100 420 VIII Molhos, temperos prontos, caldos, sopas e pratos preparados - - Tabela: Distribuição por grupos alimentares. Anvisa, 2003. Para determinar a medida caseira, deve ser utilizada a porção indicada para cada grupo e os utensílios relacionando as suas dimensões aproximadas, como: 1 xícara de chá equivale a 200mL, 1 colher de sopa equivale a 10mL e 1 colher de chá equivale a 5mL. Outra maneira de declarar a medida caseira é utilizando indicações, como fatia, rodela ou unidade. A medida indicada da porção pode ser integral ou uma fração dessa medida, por exemplo, ½ colher de sopa, ou ½ xícara de chá. Para alimentos embalados de forma individual, a porção de consumo é considerada uma unidade individual. Os alimentos concentrados em pó ou desidratados devem ser reconstituídos e a quantidade que deve ser indicada na porção deve ser suficiente para preparar a quantidade estabelecida de produto indicada na tabela. Atividade 4 A rotulagem nutricional é um instrumento de informação para o consumidor e deve seguir regras específicas quanto ao conteúdo e à forma de apresentação. Analise as afirmativas abaixo sobre a rotulagem nutricional obrigatória: I. Os valores nutricionais devem ser expressos por porção e por medida caseira. II. A declaração de vitaminas e minerais é obrigatória em todos os alimentos, seja qual for a quantidade. III. A expressão zero pode ser usada quando o valor de um nutriente for inferior ao limite considerado significativo. IV. Alimentos embalados com área inferior a 100 cm² estão isentos de rotulagem nutricional. V. A tabela nutricional deve conter exclusivamente informações sobre carboidratos, proteínas e gorduras totais. Assinale a alternativa correta: A Apenas as afirmativas I, III e IV estão corretas. B Apenas as afirmativas I, II e V estão corretas. C Apenas as afirmativas II e V estão corretas. D Apenas as afirmativas III e V estão corretas. E Apenas a afirmativa III está correta. A alternativa A está correta. A afirmativa I correta, sendo porção e medida caseira obrigatórias. A II está incorreta, pois vitaminas e minerais só são obrigatórios se ≥ 5% da IDR. A III está correta, uma vez que zero pode ser usado para nutrientes em valores não significativos. A IV também está correta: embalagensna tabela nutricional. Essa alegação deve ser atendida em relação à porção de consumo indicada na tabela. Alguns termos podem ser utilizados para essas declarações indicando os atributos referentes aos conteúdos absolutos, como: Baixo Muito baixo Não contém Alto conteúdo Fonte Sem adição A informação nutricional complementar também pode ser informada em relação ao conteúdo comparativo, quando o valor energético ou o conteúdo de nutriente é apresentado em relação ao alimento de referência do mesmo fabricante. Se não houver valor de referência do mesmo fabricante, então, deve ser utilizado o valor médio do conteúdo de três alimentos de referência comercializados. Os atributos que podem ser utilizados segundo a legislação são reduzido e aumentado. RDC nº 26/2015 – Anvisa Determina os requisitos obrigatórios de rotulagem para alimentos que podem causar alergias alimentares. Devem constar em alimentos, bebidas, ingredientes, aditivos alimentares e coadjuvantes tecnológicos embalados na ausência dos consumidores, sejam eles para uso domiciliar, industrial ou em unidades de alimentação e nutrição. Os alimentos preparados nos pontos de venda ou em unidades de alimentação e comercializados pelo próprio estabelecimento não têm obrigação de apresentar essa informação. Deve-se levar em consideração que os alérgenos alimentares são substâncias de origem proteica e que eles podem causar contaminação cruzada durante cultivo, produção, manipulação, processamento, preparação, armazenamento, embalagem, transporte e conservação dos alimentos. Por isso, caso haja contato com superfícies por onde produtos com potencial alergênico são expostos, deve-se alertar no rótulo. • • • • • • Em 2018, foi publicado pela Anvisa o Guia sobre o Programa de Controle de Alergênicos, com sugestões de melhorias nas práticas relacionadas a procedimento, rotinas e métodos, de forma que haja adequação às exigências da legislação. Os principais produtos considerados alergênicos são cereais (trigo, centeio, cevada, aveia), crustáceos, ovos, peixes, amendoim, soja, leite, amêndoa, avelãs, castanhas, macadâmias, nozes, pecãs, pistaches e látex. A declaração deve ser conforme a quantidade e o tipo de produto alergênico utilizado na preparação, como veremos a seguir, e deve estar logo após a lista de ingredientes e com caracteres legíveis, em caixa alta, negrito, com cor contrastante com o fundo do rótulo e com altura mínima de 2mm. Exemplo de inscrição destinada a substâncias alergênicas. A informação não deve estar em local que possa ser encoberto pela embalagem ou removível após abertura do produto, deve-se evitar área que possa prejudicar a visualização, como área de selagem ou torção. Pela legislação, está proibida a alegação de ausência de alimentos alergênicos. Veja melhor na tabela a seguir: Quando declarar Como declarar O produto é alergênico (ex.: leite, ovo, castanhas). ALÉRGICOS: CONTÉM... O produto é derivado de um dos alimentos alergênicos (ex.: farinha de trigo, iogurte, granola). ALÉRGICOS: CONTÉM DERIVADOS DE... O produto é adicionado de um ou mais alimentos alergênicos ou derivados. ALÉRGICOS: CONTÉM... E DERIVADOS. Possibilidade de contaminação cruzada com alimentos alergênicos ou seus derivados. ALÉRGICOS: PODE CONTER... Tabela: Instruções sobre como declarar a presença de alergênicos nos produtos. Anvisa, 2015. Informe técnico nº 70/2016 – Anvisa Proibiu o uso de expressões, como: sem conservantes, sem corantes artificiais, contém corantes naturais, com objetivo de reduzir a interpretação equivocada dos consumidores a respeito de utilização de aditivos em alimentos. RDC nº 135/2017 – Anvisa Regulamentação para alimentos que são processados ou elaborados para eliminar ou reduzir o teor de lactose, indicados para utilizar em dietas para indivíduos que necessitam de restrição de lactose, podendo ter alegação de isento de lactose ou baixo teor de lactose. Essa alegação de redução do teor de lactose deve ser assegurada por análises de controle de qualidade. Atenção Nos produtos de alimentos que são processados ou elaborados para eliminar ou reduzir o teor de lactose, a quantidade de lactose deve ser igual ou menor a 100mg ou 100mL, na porção consumida. Os termos que podem constar na embalagem de alimentos isentos de lactose são: isento de lactose, zero lactose, 0% lactose, sem lactose ou não contém lactose. Para alimentos com baixo teor de lactose, pode constar baixo teor de lactose ou baixo em lactose. RDC nº 136/2017 – Anvisa Legislação que estabelece a declaração obrigatória da presença de lactose no rótulo dos alimentos. Deve ser incluída em bebidas, ingredientes, aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia, que contenham quantidade maior de 100mg ou 100mL de lactose. O termo contém lactose deve vir imediatamente após ou abaixo da lista de ingredientes com fonte legível, em caixa alta, negrito, cor contrastante com o fundo do rótulo e tamanho de, pelo menos, 2mm, nunca menor ao tamanho de fonte utilizada na lista de ingredientes. Exemplo de embalagem com lista de ingredientes e aviso de “contém lactose”, de acordo com a legislação vigente. RDC nº 243/2018 – Anvisa Informa que deve conter no rótulo o nome individual de cada nutriente e das substâncias bioativas ou enzimas, o nome da fonte de onde a substância foi extraída e a identificação da linhagem ou nome comercial dos microrganismos no caso de suplementos alimentares como probióticos. No rótulo, também devem ser informados os grupos populacionais aos quais o alimento é indicado, a quantidade (indicada na Instrução Normativa nº 28/2018 da Anvisa), a frequência de consumo e as instruções de conservação. Atenção Algumas advertências são obrigatórias de constar na embalagem, como: este produto não é um medicamento, não exceder a recomendação diária de consumo indicada na embalagem e mantenha fora do alcance de crianças. Atividade 5 A rotulagem é uma ferramenta de proteção e educação do consumidor, especialmente quando envolve substâncias que afetam diretamente a saúde. I. A presença de lactose nos alimentos deve ser obrigatoriamente indicada no rótulo quando a quantidade por porção ultrapassar 100 mg. II. A legislação permite que a expressão contém lactose seja impressa em qualquer parte da embalagem, desde que em destaque. Sobre as sentenças anteriores, assinale a alternativa correta: A As duas afirmações são verdadeiras, e a II justifica a I. B As duas afirmações são verdadeiras, mas a II não justifica a I. C A I é verdadeira, e a II é falsa. D A I é falsa, e a II é verdadeira. E As duas afirmações são falsas. A alternativa C está correta. A I está correta conforme a RDC nº 136/2017. No entanto, a II está incorreta, pois a expressão contém lactose deve estar logo abaixo ou após a lista de ingredientes, com destaque visual, e não em qualquer parte da embalagem. 2. O consumidor e a rotulagem Percepção do consumidor Neste vídeo, você vai refletir sobre a importância das informações contidas nos rótulos de alimentos a partir das explicações da nutricionista sobre os riscos envolvidos na não leitura desses rótulos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Uma dieta equilibrada permite que os indivíduos tenham energia para todas as atividades e funções essenciais no seu dia a dia, e mantenham um bom estado de saúde. A modernização trouxe algumas alterações na dinâmica da rotina da população, como maior tempo fora de casa, aumento no sedentarismo e menos tempo para preparações de alimentos em casa. Desse modo, observou-se um aumento no consumo de produtos prontos e industrializados, devido à busca de alternativas rápidas e práticas, por exemplo, produtos congelados, pré-preparados e temperados. O resultado dessa mudança é um aumento no consumo de produtos com alto teor de gorduras, colesterol, açúcares refinados, além de baixo teor de minerais, fibras e ácidos graxos insaturados (Cassemiro et al., 2006). Os rótulos dos alimentos industrializadosfuncionam como uma comunicação entre o consumidor e a indústria de alimentos, porém, a falta de conhecimento dos consumidores sobre as informações faz com que não haja valorização do que consta nos rótulos, causando, em alguns casos, más escolhas dentre os alimentos disponíveis. O nutricionista é o profissional responsável por elaborar a tabela nutricional dos produtos comercializados. A rotulagem nutricional tem como função informar o consumidor da constituição daqueles produtos, mas também direcionar as escolhas do consumidor, de modo que haja uma orientação de redução do risco de doenças crônicas (Nascimento et al., 2013). Quando o consumidor está com sobrepeso e deseja reduzir seu peso, a informação mais procurada é a caloria. No caso de um consumidor com dislipidemia, o foco na informação nutricional será no teor de gordura e colesterol. Em indivíduos com quadro diabético ou pré-diabético, a quantidade de açúcar será o fator que mais chamará atenção (Cassemiro et al., 2006). Comentário É possível observar que o consumidor não analisa o alimento de forma global, apenas atenta-se à informação que acredita estar diretamente relacionada à sua condição de saúde, o que prejudica suas escolhas por alimentos mais saudáveis. Diante da tabela nutricional, o consumidor tem a possibilidade de conhecer as quantidades de nutrientes por porção daquele alimento, dando autonomia para suas escolhas. Entretanto, a dificuldade de entendimento impede que essas decisões sejam tomadas de modo que haja preocupação com a saúde. Veja a seguir alguns obstáculos para a não leitura da tabela tradicional por consumidores: Tamanho do texto Muitas vezes, a linguagem e o tamanho das letras podem desestimular o consumidor a procurar entender as informações contidas no rótulo, principalmente, para idosos, que já apresentam maior dificuldade de leitura. Linguagem e pouca informação Outros fatores apontados como obstáculos para a leitura e compreensão dos rótulos foram: a linguagem técnica, o excesso de siglas e abreviaturas, as informações equivocadas provenientes de propagandas midiáticas e a pouca informação prévia sobre os ingredientes (Marins et al., 2015). Uma maneira de melhorar a interação entre o consumidor e os rótulos é por meio da realização de ações educacionais e de conscientização. Em estudo que avaliou a percepção do consumidor frente aos diferentes rótulos em dois mercados, observou-se que a informação mais relevante para o consumidor, além de marca e preço, é a data de validade do produto, já que se entende que um produto fora da validade ou próximo de vencer está relacionado com perdas econômicas, além do fato de os produtos fora da validade poderem causar algum dano à saúde de quem o consumir. O modo de preparo foi considerado a informação mais irrelevante, uma vez que os entrevistados sugerem já saber como proceder nos alimentos comprados. Curiosidade A tabela nutricional é a maneira que o consumidor pode identificar se aquele alimento é apropriado para o seu consumo, porém, aproximadamente, 68% dos consumidores entrevistados relatam não considerarem essa informação no momento da compra. Dentre os nutrientes citados na tabela, o teor de sódio foi considerado o menos importante. Esse dado indica que o consumidor, muitas vezes, não faz a correlação entre teor de sódio ou sal nos alimentos e o aumento das doenças relacionadas à hipertensão arterial. Lembrando que alimentos industrializados, em sua maioria, também apresentam alta concentração de sódio. Outro nutriente que não é muito valorizado é o teor de fibras, que também se apresenta em baixas concentrações nos alimentos industrializados. O consumo de fibras indicado pelo Guia Alimentar da População Brasileira é de 25g por indivíduo adulto e a informação do seu conteúdo no rótulo é obrigatória. Um consumo de fibra adequado pode evitar o surgimento de enfermidades como câncer, constipação e outras doenças do intestino. Com a diminuição do consumo de frutas e verduras e o aumento do consumo de produtos industrializados, pode ocorrer um crescimento de doenças relacionadas ao trato gastrointestinal na população (Bendino et al., 2012). Fibra alimentar de 130g de milho em conserva. Uma relação entre o nível de escolaridade, condições socioeconômicas e hábito de leitura com o entendimento e valorização das informações do rótulo dos alimentos foi apontada, indicando que pessoas de maior escolaridade, maior poder aquisitivo e hábito de leitura frequente estavam mais atentas e preocupadas com as escolhas dos produtos (Cavada et al., 2012). Alguns itens do rótulo foram citados como os mais desafiantes ao entendimento dos consumidores: porção, valores diários de referência e %VD. Itens cruciais para a adequada compreensão do produto à dieta do consumidor (Marins et al., 2015). Reforçando, assim, a necessidade de campanhas de conscientização dos benefícios de uma alimentação saudável e de compreensão das informações dos rótulos. Muitos consumidores têm dificuldade em confiar nas informações dos rótulos dos alimentos por causa de erros e inconsistências. Um estudo feito por Câmara e colaboradores (2008) analisou rótulos de produtos vendidos no mercado e encontrou várias irregularidades. Esses problemas podem ser identificados de duas formas: por meio de análises químicas, que verificam se as quantidades de nutrientes informadas estão corretas, ou pela comparação direta do rótulo com as normas exigidas por lei. O estudo mostrou que há muitos rótulos com informações erradas, o que vai contra o que determina o Código de Defesa do Consumidor. A lei exige que o consumidor receba informações corretas sobre os nutrientes dos produtos. As falhas mais comuns envolvem erros nos números dos lotes, datas de validade, informações sobre corantes e se o produto contém ou não glúten. Essas falhas podem ser perigosas. Por exemplo, uma pessoa com diabetes pode correr risco se consumir um produto que diz ser diet, mas na verdade contém açúcar. Isso vale para pessoas com doença celíaca, que não podem consumir glúten. Se a presença dessa substância não for informada corretamente no rótulo, o consumo pode causar reações inflamatórias graves. É importante também chamar atenção para o caráter mercadológico e propagandista dos rótulos, já que é na embalagem que, muitas vezes, os produtores chamam a atenção para alguma característica do produto sem que haja adequada identificação de outros componentes (Nascimento et al., 2013). Essa atuação pode desviar a atenção do consumidor ou ainda pôr em dúvida a credibilidade da informação referente à rotulagem nutricional, além do marketing em si, que pode direcionar as escolhas dos consumidores sem base no caráter nutricional. Yoshizawa e colaboradores (2003) fizeram um levantamento em relação à adequação de, aproximadamente, 200 produtos industrializados e comercializados, e observaram casos em que estavam escritos termos como: pode repetir que é light, não engorda, tem fibras que inibem o apetite e contém ingredientes que ativam as proteínas. Esses termos podem ludibriar o consumidor, esperando tais funcionalidades, quando, na verdade, não são comprovadas e, de acordo com a legislação vigente, não podem ser exploradas nos rótulos. As propagandas têm papel importante nas escolhas dos consumidores, por isso, há regras específicas, principalmente, para crianças. No entanto, os meios de comunicação também podem ser utilizados como meios de educação nutricional, informando sobre os benefícios de uma alimentação saudável, instruindo a busca por essa informação no rótulo. Cassemiro e colaboradores (2006) atestam que, em sua maioria, os consumidores mais preocupados com as informações nos rótulos são mulheres casadas acima dos 40 anos e com alto grau de escolaridade. Os motivos relacionados a tal perfil indicam uma maior preocupação com a saúde após os 40 anos, além do fato de as mulheres, muitas vezes, serem as responsáveis pelas compras de todos os indivíduos da casa. Essa situação permite que essasmulheres estejam mais atentas às informações dos rótulos, já que há uma diversidade de necessidades entre os moradores da casa. Quanto ao maior nível de escolaridade, entende-se que é um fator que auxilia na compreensão dessas informações. Atenção É importante direcionarmos a importância da leitura e compreensão do rótulo também para outros grupos de indivíduos, de forma que todas as pessoas tenham ciência e possam fazer melhores escolhas de alimentos para sua residência. Atividade 1 O rótulo é o melhor meio de comunicação entre a indústria e o consumidor. Sobre essa interação, considere as afirmações a seguir. I. O hábito de leitura interfere na compreensão do rótulo pelo consumidor. II. Idosos possuem maior dificuldade devido ao tamanho das letras. III. A data de validade é a informação menos consultada pelos consumidores. Assinale a alternativa que indica a resposta certa. A Apenas I está correta B Apenas II está correta C I e II estão corretas D Apenas III está correta E I e III estão corretas A alternativa C está correta. Quanto maior o hábito de leitura, melhor a compreensão do texto no rótulo. Além disso, os consumidores idosos podem apresentar mais dificuldade na leitura quando as letras são pequenas. Atualizações na legislação Neste vídeo, vamos explicar o que mudou na tabela nutricional, o que é a rotulagem nutricional frontal e que alimentos devem conter. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Nos últimos anos, a legislação brasileira sobre rotulagem nutricional passou por importantes atualizações, com o objetivo de facilitar a compreensão das informações nos rótulos dos alimentos e auxiliar o consumidor a fazer escolhas mais saudáveis. Essas mudanças, estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), buscam aumentar a transparência e a legibilidade das informações nutricionais. Veja a seguir as principais alterações. Padrão visual da Tabela de Informação Nutricional Já conhecida pelos consumidores, essa tabela agora deve seguir um padrão visual específico: letras pretas sobre fundo branco. Essa medida tem como objetivo eliminar o uso de contrastes que dificultem a leitura, tornando a tabela mais acessível a todos os públicos. Novas informações obrigatórias Além das informações que já eram exigidas, a nova legislação determina que a tabela passe a incluir: Açúcares totais e açúcares adicionados Açúcares totais: incluem os açúcares naturalmente presentes (como em frutas e leite) + os adicionados. Açúcares adicionados: são os açúcares colocados intencionalmente durante a fabricação, como sacarose, glicose, mel etc. Esse dado é essencial para o consumidor identificar excesso de açúcar escondido. Coluna de referência por 100 g ou 100 mL Essa coluna apresenta os valores nutricionais por 100 g (ou 100 mL), facilitando a comparação entre produtos de diferentes marcas e porções. Exemplo: dois cereais matinais com porções diferentes podem ser comparados usando essa coluna, padronizada. %VD (Percentual de Valores Diários) Essa coluna mostra o quanto cada nutriente representa em relação à recomendação diária para uma dieta de 2.000 kcal. É útil para o consumidor saber se um alimento contém muito ou pouco de determinado nutriente, como sódio ou gordura. Número de porções e porção de referência Informa o seguinte: Quantas porções contém a embalagem. O peso ou volume de uma porção, além da medida caseira correspondente (ex.: 30 g = 1 colher de sopa). Isso ajuda o consumidor a entender quanto do alimento corresponde a uma porção, evitando interpretações erradas. As informações vistas tornam a leitura mais clara e objetiva, permitindo ao consumidor avaliar melhor o valor nutricional de cada produto. Localização e integridade da tabela A tabela nutricional deve estar posicionada próxima à lista de ingredientes e em uma superfície contínua da embalagem, sem interrupções ou divisões. Além disso, ela não pode ser colocada em locais de difícil visualização, como áreas encobertas ou deformadas. A única exceção são as embalagens muito pequenas (com área de rotulagem inferior a 100 cm²), em que a tabela poderá estar em área encoberta, desde que acessível ao consumidor. Rotulagem nutricional frontal A principal inovação das novas regras é a criação da rotulagem nutricional frontal. Trata-se de um símbolo gráfico em forma de lupa, que deve ser aplicado na parte frontal superior da embalagem. Símbolos utilizados na frente do rótulo para alertar o consumidor. O símbolo serve para alertar, de forma rápida e clara, quando o alimento possui alto teor de nutrientes críticos à saúde. A tabela a seguir resume quanto de cada nutriente o alimento deve ter para que seja obrigatória a presença da rotulagem nutricional frontal. Nutriente Alimentos sólidos ou semissólidos Alimentos líquidos Açúcares adicionados 15 g ou mais por 100 g 7,5 g ou mais por 100 ml Gordura saturada 6 g ou mais por 100 g 3 g ou mais por 100 ml Sódio 600 mg ou mais por 100 g 300 mg ou mais por 100 ml • • Tabela: Critérios para rotulagem nutricional frontal (Símbolo de Lupa). Adaptada de: gov.br/anvisa Regras para alegações nutricionais É importante destacarmos que as alegações nutricionais (como rico em fibras ou baixo teor de gordura) continuam sendo permitidas e opcionais. No entanto, a legislação atualizou os critérios para uso dessas alegações, evitando contradições com a rotulagem nutricional frontal. Por exemplo, um alimento que contenha alto teor de sódio (e por isso tenha o símbolo de lupa no rótulo) não poderá usar alegações que transmitam a ideia de ser saudável em relação ao sódio ou sal de maneira geral. Outro ponto relevante é que alimentos que tenham rotulagem nutricional frontal não podem ter alegações nutricionais na parte superior do painel principal. Comentário Como vimos, a legislação é constantemente revista e melhorada conforme vão surgindo novas informações e necessidades. Por isso é fundamental estarmos sempre atualizados. O site Saúde Legis permite consultar se determinada legislação, sob a tutela do Ministério da Saúde, está válida ou foi revogada. Na dúvida, é sempre bom consultar! Atividade 2 As mudanças na rotulagem nutricional trouxeram novas exigências sobre o modo como os alimentos são apresentados ao consumidor. Analise as afirmativas a seguir. I. A coluna com valores por 100 g ou 100 mL foi criada para permitir comparação entre produtos. II. Alimentos com área de rotulagem inferior a 100 cm² estão dispensados da tabela nutricional. III. A presença do símbolo de lupa é obrigatória em produtos com alto teor de sódio, gordura saturada ou açúcares adicionados. IV. A tabela nutricional pode estar dividida entre diferentes partes da embalagem, desde que todas sejam visíveis. V. Produtos com lupa frontal não podem ter alegações nutricionais na parte superior do painel principal. Assinale a alternativa correta: A Apenas I, III e V estão corretas. B Apenas II e IV estão corretas. C Apenas I, II e III estão corretas. D Apenas I, IV e V estão corretas. E Apenas I, II e V estão corretas. A alternativa A está correta. A I está correta porque a coluna de 100 g ou 100 mL padroniza a comparação. A II está errada porque produtos comestar com sobrepeso, não tem o hábito de cozinhar e, devido à rotina corrida, depende majoritariamente de alimentos industrializados como sopas prontas, pães de forma, sucos de caixinha, refeições congeladas e cereais matinais. Ao longo da conversa, você percebe que ele desconhece a importância das informações dos rótulos dos alimentos e menciona que costuma se guiar apenas por frases de marketing na embalagem, como rico em fibras, zero açúcar ou light. Você pergunta se ele já reparou no símbolo de lupa na frente de alguns rótulos, e ele responde que nunca viu isso. Para ilustrar, você mostra dois produtos: um cereal matinal e uma sopa industrializada. Ambos contêm o símbolo da lupa, indicando alto teor de açúcar e de sódio, respectivamente — nutrientes críticos para sua condição de saúde. Apesar disso, os dois produtos destacam alegações positivas na parte da frente da embalagem, como fit e com vegetais selecionados. Com base nesse momento do atendimento, é você quem deve tomar decisões profissionais importantes para garantir que esse paciente compreenda o que está em jogo e possa fazer escolhas alimentares mais conscientes. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Questão 1 O senhor Geraldo nunca percebeu o símbolo da lupa em embalagens. Como você explicaria ao seu paciente a função da rotulagem nutricional frontal (símbolo da lupa) de forma simples e compreensível? Chave de resposta No atendimento ao senhor Geraldo, é importante explicar que a rotulagem nutricional frontal, com o símbolo da lupa, serve para alertar rapidamente quando um alimento possui alto teor de açúcar, gordura saturada ou sódio — nutrientes que podem agravar sua pressão alta e pré-diabetes. Essa informação facilita escolhas mais saudáveis sem a necessidade de ler todo o rótulo. Questão 2 O paciente demonstra cair em armadilhas feitas por marketing. Quais estratégias educativas você poderia usar para ensinar esse paciente — e outros com pouca familiaridade com rótulos — a interpretar a tabela nutricional e evitar essas armadilhas? Chave de resposta Para ajudá-lo a interpretar a tabela nutricional, seria adequado usar linguagem simples, mostrar exemplos de produtos reais que ele consome e explicar termos técnicos como %VD e porção. Também deve destacar que alegações como light ou rico em fibras podem parecer saudáveis, mas podem conter altos níveis de sódio, por exemplo, então, é preciso olhar o rótulo completo. Questão 3 O senhor Geraldo tem diagnóstico de hipertensão arterial e pré-diabetes e consome majoritariamente alimentos industrializados. Que pontos você priorizaria ao orientá-lo, considerando sua condição de saúde e os alimentos que ele costuma consumir? Chave de resposta Diante de suas condições de saúde, é importante priorizar orientações sobre redução de sódio e açúcares adicionados, ensinar a comparar produtos usando a coluna por 100 g e incentivar pequenas trocas no dia a dia, como preparar porções caseiras congeladas. Tudo isso respeitando sua rotina e sem exigir mudanças drásticas de uma vez. Orientando seu paciente Assista, neste vídeo, a mais um caso prático e reflita sobre algumas questões comentadas pela professora. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. 3. Conclusão Considerações finais O que você aprendeu neste conteúdo? A rotulagem nutricional é obrigatória para as indústrias de alimentos no Brasil. Os rótulos fornecem informações importantes, como ingredientes, aditivos, gorduras e sódio. O principal objetivo da rotulagem é ajudar na prevenção de doenças crônicas, como obesidade e diabetes. Interpretar as informações nutricionais ainda é um desafio para muitos consumidores. A dificuldade de compreensão pode estar relacionada à baixa escolaridade e ao pouco hábito de leitura. Muitos consumidores não leem os rótulos ou não compreendem o que está escrito. A leitura dos rótulos é uma forma de promover educação alimentar. As informações dos rótulos auxiliam a escolher melhor os alimentos e evitar produtos ricos em sódio, açúcar e gordura. A rotulagem é uma ferramenta de conscientização e prevenção. A educação alimentar é uma estratégia para melhorar a saúde e a qualidade de vida da população. Explore + Para saber mais sobre os assuntos tratados neste conteúdo, leia: No site da Anvisa as Portarias e Resoluções citadas nos módulos: Portaria nº 29, de 13 de janeiro de 1998. Regulamento Técnico Referente a Alimentos para Fins Especiais. Portaria nº 31, de 13 de janeiro de 1998. Regulamento Técnico Referente a Alimentos Adicionados de Nutrientes Essenciais. RDC nº 54, de 12 de novembro de 2012. Dispõe sobre o Regulamento Técnico sobre Informação Nutricional Complementar. RDC nº 135, de 8 de fevereiro de 2017. Altera a Portaria SVS/MS nº 29, de 13 de janeiro de 1998, que aprova o regulamento técnico referente a Alimentos para Fins Especiais, para dispor sobre os alimentos para dietas com restrição de lactose. RDC nº 136, de 08 de fevereiro de 2017. Estabelece os requisitos para declaração obrigatória da presença de lactose nos rótulos dos alimentos. • • • • • • • • • • • • • • • RDC nº 259, de 20 de setembro de 2002, da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aprova o Regulamento Técnico sobre Rotulagem de Alimentos Embalados. RDC nº 269, de 22 de setembro de 2005. Regulamento Técnico sobre Ingestão Diária Recomendada (IDR) para Proteínas, Vitaminas e Minerais. RDC nº 359, de 23 de dezembro de 2003. Regulamento Técnico de Porções de Alimentos Embalados para Fins de Rotulagem Nutricional. RDC nº 360, de 23 de dezembro de 2003. Regulamento Técnico sobre Rotulagem Nutricional de Alimentos Embalados. Você também pode ler na íntegra as Portarias do Inmetro citadas no módulo. São elas: Portaria nº 157, de 19 de agosto de 2002. Inmetro aprova o Regulamento Técnico Metrológico, que estabelece a forma de expressar o conteúdo líquido a ser utilizado nos produtos pré-medidos. Portaria nº 19, de 07 de março de 1997. Indicação de quantidade líquida. Referências ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Informe Técnico n.º 70/2016. Esclarecimentos sobre a declaração de alegações de conteúdo para aditivos alimentares na rotulagem de alimentos e bebidas. Anvisa, 2016. Consultado na internet em: 04 mar. 2021. BENDINO, N. I.; POPOLIM, W. D.; OLIVEIRA, C. R. A. Avaliação do conhecimento e dificuldades de consumidores frequentadores de supermercado convencional em relação à rotulagem de alimentos e informação nutricional. Journal of Health Science and Institute, 2012. BRASIL. Lei n.º 10.674, de 16 maio de 2003. Obriga a que os produtos alimentícios comercializados informem sobre a presença de glúten, como medida preventiva e de controle da doença celíaca. Brasília, D.F., 2003. BRASIL. Decreto-Lei n.º 986, de 21 de outubro de 1969. Institui normas básicas sobre alimentos. Brasília, DF: Presidência da República, 1990. CÂMARA, M. C. C. et al. A produção acadêmica sobre a rotulagem de alimentos no Brasil. Revista Panamericana de Salud Pública, 2008. CASSEMIRO, I. A.; COLAUTO, N. B.; LINDE, G. A. Rotulagem nutricional: quem lê e por quê? Arquivos de Ciência e Saúde, 2006. CAVADA, G. S. et al. Rotulagem nutricional: você sabe o que está comendo? Brazilian Journal of Food Technology, 2012. FERREIRA, A. B.; LANFER-MARQUEZ, U. M. Legislação brasileira referente à rotulagem nutricional de alimentos. Revista de Nutrição, Pontifícia Universidade Católica de Campinas 2007. • • • • • • MACHADO, R. L. P. Manual de rotulagem de alimentos. Rio de Janeiro: Embrapa Agroindústria de Alimentos, 2015. MARINS, B. 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