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Logística Reversa Sustentabilidade e Logística Reversa Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Ms. Enrico D’Onofro Revisão Textual: Prof. Ms. Luciano Vieira Francisco V1.1 5 • Introdução • Sustentabilidade e o TBL • Tendências às externalidades positivas • A sustentabilidade da logística reversa • Conclusão Para facilitar o processo de ensino e aprendizagem é importante a realização das atividades propostas, bem como o acompanhamento e leitura do material complementar e de apoio. O mapa mental demonstra o tripé da sustentabilidade e suas relações diretas com a logística reversa. Para melhor entendimento do assunto, assim como sua importância, é necessário acompanhar o material de apoio, principalmente os vídeos que tratam do assunto externalidade, aspecto que demonstra o impacto da economia na sustentabilidade e como equilibrar a relação entre sociedade, economia e meio ambiente. A utilização do mapa mental para entendimento da formação das ideias principais da Unidade torna-se peça-chave para a compreensão plena do texto, sendo uma ferramenta importante para você. Bons estudos! Nesta Unidade você conhecerá o tripé que forma a sustentabilidade e a contribuição da logística reversa nesse processo. Trataremos das sustentabilidades ambiental, social e econômica e suas relações com a logística reversa. Um ponto importante da discussão desta Unidade está relacionado com a externalidade positiva e a logística reversa nesse cenário. Sustentabilidade e Logística Reversa 6 Unidade: Sustentabilidade e Logística Reversa Contextualização Nos últimos cem anos o Planeta, bem como a sociedade humana passaram por um grande desenvolvimento, principalmente quanto à forma de vida e novos hábitos. A nova forma de vida inclui não apenas os sistemas social e ambiental, mas também o sistema econômico, esse responsável por grande parte do impacto gerado no meio ambiente e sociedade. Como sabemos, os recursos do Planeta são divididos em não renováveis e renováveis, porém, possuem um tempo para que possam ser renovados e respeitar esse período significou a garantia de sobrevivência da espécie humana por milhares de anos. A importância do tema sustentabilidade e logística reversa traz à tona discussões práticas e aplicáveis sobre como a logística reversa pode contribuir no processo de sustentabilidade e suas tendências para os atuais sistemas social e econômico. 7 Introdução A forma de vida humana possui como o seu centro de sobrevivência a economia, que através do consumo e produção gera empregos e renda, permitindo que o instrumento principal de troca seja a moeda. Essa forma de vida é sustentada na necessidade do aumento de consumo e, consequente- mente, no aumento da produção para que as economias das diferentes nações sejam forta- lecidas. Porém, o meio ambiente e sociedades são afetados, pois não conseguem crescer ou se expandir da mesma forma como as economias se desenvolvem, gerando, assim, desequi- líbrios ambientais e sociais. Dentro desse cenário a logística reversa não possui um papel de solução, mas figura como facilitadora, contribuindo para as sustentabilidades econômica, social e ambiental. 1 Sustentabilidade e o TBL O desenvolvimento humano perdurou por milhares de anos, equilibrados em um sistema social e um sistema ambiental, tendo a prática da exploração dos recursos naturais como um aspecto específico de subsistência, sem vínculo à produção em larga escala. Ao pensarmos no ser humano primitivo podemos entender que seu sistema social era tribal e que a caça, pesca ou a busca de frutos eram dividas por todos, garantindo a sobrevivência de homens, mulheres, crianças e idosos, tendo os adultos a maior parte da responsabilidade para garantir o futuro de seu grupo. Ao incluir o plantio de pequenos lotes de terra e a criação de animais, os seres humanos passaram a ter liberdade para cultivar ou criar seu alimento, deixando de ser necessário caçá-lo ou coletá-lo na mata ou ambiente externo. Tornaram-se, assim, autossuficientes na produção de seus principais alimentos. O desenvolvimento dos sistemas econômicos se deu a partir do excedente de produção, tendo o homem aperfeiçoado as técnicas de plantio, criação de animais, armazenagem de ali- mentos e amadurecimento de regras e condutas dentro de seus grupos sociais. Tal excedente de produção se perdia, pois não conseguiam utilizar na mesma capacidade com que se deterioravam tais produtos. A partir de algum tempo os povos, além de guerrearem entre si por terras, passaram também a trocar o excedente do que produziam no campo, pro- movendo os sistemas econômicos que tratam da escassez de recursos. A utilização da moeda como forma de troca contribuiu para que a economia tomasse a forma como a entendemos atualmente, sendo a moeda o principal instrumento de troca e aquisição de bens. 8 Unidade: Sustentabilidade e Logística Reversa Ao pensarmos hoje na sobrevivência humana, percebemos que essa ocorre em grande parte do Planeta em função do sistema econômico, não podendo mais o chefe de família suprir todas as necessidades de sua família apenas a partir da caça, plantio ou criação de animais. Nesse sentido, imagine uma família que habita um apartamento e que necessita de alguns recursos para sobreviver. Tais recursos poderiam ser obtidos dentro desse apartamento? A criação de animais e o plantio não seriam possíveis ou permitidos em tal espaço domiciliar, por isso as famílias necessitam da moeda para conseguir adquirir os bens de consumo ou duráveis a fim de garantir a sobrevivência dessa família. A interferência do sistema econômico na sobrevivência humana gerou um forte impacto, sendo responsável por financiar os sistemas de produção em larga escala e incentivando o consumismo através de ações mercadológicas. Assim, pode-se perceber que os recursos naturais em sua maioria são finitos, bem como as capacidades humanas física e mental, porém o sistema econômico é limitado pela lei de oferta e demanda, buscando constantemente espaço para o seu crescimento. O equilíbrio entre os aspectos sociais, ambientais e econômicos é entendido pelo conceito de sustentabilidade, ideia essa que foi trabalhada em uma das teorias de contabilidade ambiental, denominada Triple Bottom Line (TBL), ou tripé da sustentabilidade. O termo TBL foi criado pelo britânico John Elkington, autor do livro Canibais com garfos: os três pilares da sustentabilidade nos negócios do século XXI, tendo como proposta as contabilizações ambiental, social e econômica e gerando através dessas a integração e a sustentabilidade. O termo também pode ser conhecido como os três P: people (pessoas), planet (planeta) e profit (lucro). O conceito de sustentabilidade está atrelado à capacidade de conseguirmos explorar os recursos, ao passo que tentamos minimizar o reflexo extrativo no meio ambiente e grupos sociais, uma vez que os fatores econômicos estão intrínsecos à própria garantia da sobrevivência humana. Dentro do conceito de tripé da sustentabilidade abordaremos sua aplicabilidade dentro do sentido empresarial dividindo o tripé em: 1.1 Sustentabilidade econômica O conceito de sustentabilidade econômica está atrelado ao conjunto de práticas relacionadas à economia empresarial ou governamental que visam o desenvolvimento, preservando o meio ambiente e garantindo os recursos naturais às futuras gerações. Pode-se, portanto, dar exemplos de ações empresarias ou governamentais que são consideradas economicamente sustentáveis, tais como: • Produção mais Limpa (P+L), onde são utilizadas matérias-primas e insumos mais baratos e que tenham menor impacto ambiental; • Menor consumo de energia obtida através de eficiência produtiva ou tecnologia; 9 • Utilização de energias limpas; • Utilização de água de reuso (não potável) nas dependências da empresa e esgoto; • Tratamento e disposição adequada de resíduos, obtendo ganhos econômicos por meio da reciclagem. Nos governos destacam-sealgumas ações economicamente sustentáveis, a saber: • Incentivos fiscais para empresas que reciclam ou que demonstram, através de indicadores ambientais preestabelecidos, redução dos impactos ambientais; • Políticas claras na proteção do meio ambiente com o fomento e a criação de novas tecnologias em seus sistemas de produção, diminuindo o impacto ao meio ambiente; • Políticas e incentivos na junção das sustentabilidades econômica, social e ambiental. As vantagens decorrentes da sustentabilidade econômica são: • Maior integração entre empresas e governos na busca de novas tecnologias; • Possibilidades concretas de eficiência produtiva e equilíbrio ambiental por meio da eliminação de desperdício; • Garantia de sobrevivência das futuras gerações através de uma economia equilibrada ao meio ambiente e sociedade. 1.2 Sustentabilidade social O conceito de sustentabilidade social está relacionado à capacidade de melhorar a qualidade de vida da população, tendo acesso à educação, diminuindo as desigualdades sociais e aumentando o escopo de atendimento a outras frentes do desenvolvimento humano, tais como cultura e lazer. As ações que podem ser realizadas por empresas e governos contribuem para que haja um ganho significativo para toda a sociedade, contribuindo para que o tripé da sustentabilidade permaneça. Pode-se citar alguns exemplos de ações sociais: • Promoção de cursos educativos, tais como informática e línguas; • Acesso às tecnologias ou produtos tecnológicos, tendo como exemplo notebook ou acesso à Internet, garantido a inserção digital; • Programas que contribuam para o aumento da geração da renda a um determinado local; • Palestras e grupos de discussão trabalhando temas importantes, como sexo e drogas. O desenvolvimento da sustentabilidade social contribui para o crescimento não apenas dos menos favorecidos, mas da sociedade como um todo. 10 Unidade: Sustentabilidade e Logística Reversa 1.3 Sustentabilidade ambiental A sustentabilidade ambiental propõe a utilização dos recursos naturais e ambientais às atividades humanas, tendo a capacidade de não esgotá-los, mantendo os demais sistemas e preservando a vida, não somente humana. Os meios que dispomos para garantir a vida no Planeta, mantendo o equilíbrio é consumindo os recursos de acordo com as necessidades humanas, sem o uso desenfreado. Assim, entende- se como formas para se garantir a sustentabilidade ambiental: • Diminuir as intervenções no meio ambiente; • Desenvolver energias mais limpas ou menos poluentes; • Extrair da natureza apenas o necessário, ou em volume e tempo que o meio ambiente consiga se regenerar; • Obter matérias-primas que garantam um menor impacto ao meio ambiente. A eliminação de desperdício e a busca contínua por energias limpas contribuem para a sustentabilidade ambiental, gerando economia financeira e ambiental. A junção do tripé das sustentabilidades econômica, ambiental e social é a característica principal do TBL, que busca contabilizar e medir a inter-relação entre os aspectos, novamente, ambientais, sociais e econômicos. Contudo, o grande desafio do tripé é conseguir medir todos fatores com a mesma unidade de medida, pois sabe-se que as ponderações financeiras não podem ser utilizadas para todos. 2 A sustentabilidade da logística reversa Ao entender que a sustentabilidade é formada por uma junção de três fatores principais – econômicos, sociais e ambientais – percebe-se que logística reversa pode contribuir de forma positiva na viabilização da sustentabilidade. De acordo com a Lei n.º 12.305/10, cujo art. 3º (inciso XII) define logística reversa como instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada. Após a leitura da definição da logística reversa percebe-se que os fatores sociais, econômicos e ambientais estão presentes, colocando-a na posição de instrumento para os desenvolvimentos econômico e social e que contribui ao meio ambiente canalizando produtos de pós-consumo ao seu destino adequado. Pode-se, portanto, afirmar que as contribuições geradas pela logística reversa no processo de sustentabilidade são econômicas, sociais e ambientais. 11 2.1 Contribuições econômicas da logística reversa As contribuições econômicas da logística reversa estão ligadas ao retorno financeiro que é gerado após o retorno e descarte adequado dos resíduos sólidos, esses que possuem maior ou menor rentabilidade em função da escassez e disponibilidade do recurso nos mercados primário e secundário. Pode-se citar o exemplo do retorno de latinhas de alumínio, material que possui grande valor de mercado devido à dificuldade e à complexidade da exploração mineral primária. Segundo Leite (2009, p. 105), o preço do material reciclado é formado pelo conjunto dos custos somados e dos respectivos lucros dos agentes que intervêm nas etapas do canal reverso. Os aspectos relacionados ao retorno econômico em função da imagem gerada pela realização da logística reversa e o descarte adequado ocorrem de forma frequente, tendo atualmente uma forte inclinação por parte dos consumidores quanto à conscientização das ações realizadas no meio ambiente e sociedade. O processo de reciclagem é viabilizado economicamente através da logística reversa, que compõe parte expressiva dos custos. O novo segmento de terceirização da logística reversa emerge com força, movido principalmente por fatores legais. Devido às multas expressivas e constante fiscalização, inúmeros setores aderiram à adequação da Lei n.º 12.305/10, contratando empresas especializadas na realização da logística reversa, bem como no descarte adequado. Algumas organizações do segmento de bebidas realizam o retorno de garrafas de Politereftalato de Etileno (PET), de modo que tal processo acaba refletindo em ganhos econômicos de imagem, da reciclagem em si, além de evitar riscos oriundos das multas relacionadas aos aspectos ambientais. Nos segmentos de varejo e indústria percebe-se um enorme ganho econômico no processo de retorno de embalagens e caixas plásticas para movimentação, reduzindo custos de embalagem. 2.2 Contribuições sociais da logística reversa As contribuições sociais da logística reversa dizem respeito à geração de empregos e conhecimento dentro das comunidades envolvidas, possibilitando que através da realização do retorno famílias aumentem sua renda, bem como aprimorem e propaguem os benefícios do retorno de produtos e da reciclagem. A logística reversa possibilita, portanto, a inclusão de inúmeros trabalhadores, esses que veem nos processos de reciclagem e retorno a possibilidade concreta de vida melhor para si e suas famílias. A operacionalização da logística reversa acaba gerando desenvolvimento social na comunidade onde existe a integração com o processo de retorno, devido aos graus de conscientização e sensibilização alcançados, gerados através do envolvimento e participação ativa dos grupos sociais. Outro importante aspecto é o desenvolvimento econômico, que interfere diretamente nas questões sociais e, através da logística reversa, oferece a possibilidade de sobreviver e manter as famílias com o trabalho de retorno, ou até mesmo a partir da reciclagem, que é o processo subsequente ao retorno. 12 Unidade: Sustentabilidade e Logística Reversa 2.3 Contribuições ambientais da logística reversa As contribuições ambientais da logística reversa estão ligadas à diminuição dos resíduos ou produtos sem uso no meio ambiente, promovendo a reciclagem através da logística reversa. Pode-se citar como exemplo a logística reversa de produtos nocivos ao meio ambiente, tais como pneus; baterias; filtros de óleo; óleo lubrificante; lâmpadas fluorescentes que, por questões legais, são obrigados a retornarem.As principais contribuições da logística reversa ao meio ambiente estão relacionadas à retirada de produtos de pós-consumo do meio ambiente para dar: • O descarte adequado – retirando os resíduos nos locais determinados e os destinando de forma adequada; • O reuso – retornando produtos que podem ser reutilizados após recondicionamento ou até em mercados de segunda linha; • A reciclagem – retornando para ser reutilizado como matéria-prima ou insumo, a fim de novamente realizar a fabricação de novos produtos. 3 Tendências às externalidades positivas As organizações são cobradas constantemente pelas externalidades, ou seja, os efeitos late- rais de uma decisão sobre aqueles que não participam. Segundo Howden (2013), uma externalidade ocorre quando a atividade de um indivíduo afeta outra pessoa que se encontra próxima a esse indivíduo, mas que não toma parte da ação. As externalidades são discutidas nos meios cientifico e político devido ao grande impacto que a produção de larga escala gera ao curto ciclo de vida dos produtos, afetando diretamente a vida das pessoas. A sociedade, afetada em função do consumismo, não participou e não se beneficiou da ação de produção, de modo que cobra dos governos e empresas medidas para minimizar os seus efeitos, transformando lentamente o consumismo em um consumo responsável. Segundo Howden (2013), a externalidade é positiva quando cria valor à pessoa inocente, mas negativa se representa um custo imposto a essa mesma pessoa. Assim, o grande desafio para os governos é fazer valer as externalidades positivas, minimi- zando os efeitos em relação aos inocentes. Nesse sentido, existem acordos entre empresas e o Ministério do Meio Ambiente, esse representado por autarquias do governo e parcerias na busca da redução dos efeitos do consumo, assim como das externalidades negativas. 13 Conclusão A sustentabilidade é formada por um tripé que busca o equilíbrio entre os fatores econômicos, sociais e ambientais. Tal equilíbrio é um grande desafio para os governos, à sociedade e às empresas em função dos diferentes interesses envolvidos, tendo a logística reversa o papel de contribuir para o processo de desenvolvimento social e econômico através do retorno dos produtos de pós-consumo e reuso. A logística reversa contribui nas esferas social, ambiental e econômica, contribuindo para o processo de externalidade positiva, tema importante na busca da sustentabilidade. 14 Unidade: Sustentabilidade e Logística Reversa Material Complementar • FERREIRA, K. Triple Bottom Line (Tripé da Sustentabilidade): como unir planeta, pessoas e lucro na gestão empresarial. Disponível em: . • ECONOMIA descomplicada – aula 06 – governo e administração do sistema de mercado, falhas de mercado, regulação de monopólio, externalidades, déficit público. 17 abr. 2013. Disponível em: . • RIO+20 – desafios da sustentabilidade. Disponível em: . https://rockcontent.com/br/blog/triple-bottom-line/ https://youtu.be/9l-vVunVOiE?si=9-rkxg1R1c1CokPe https://youtu.be/dX-tu2ODL5g?si=D-K0EeNfpUhlnZKD 15 Referências BRASIL. Lei n.º 12.305, de 2 de agosto de 2010. Brasília, DF, 2010. Disponível em: . Acesso em: 20 maio 2014. HOWDEN, D. As externalidades e as mudanças climáticas – a importância da subjetivi- dade na economia. 2013. Disponível em: . Acesso em: 5 ago. 2014. LEITE, P. R. Logística reversa – meio ambiente e competitividade. São Paulo: Prentice Hall, 2009. LINS, C.; ZYLBERSZTAJN, D. Sustentabilidade e geração de valor – a transição para o século XXI. São Paulo: Campus, 2010. https://youtu.be/dX-tu2ODL5g?si=D-K0EeNfpUhlnZKD https://youtu.be/9l-vVunVOiE?si=9-rkxg1R1c1CokPe https://rockcontent.com/br/blog/triple-bottom-line/