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Ps ic ol og ia U ni su l Psicologia, Neurociências e Cognição Profa. Me. Raissa Lara Barros Cordeiro O que são os neurotransmissores? Substâncias liberadas na sinapse que permitem a comunicação entre neurônios e células-alvo, modulando a atividade elétrica cerebral. Eles podem aumentar a probabilidade de disparo neuronal ou diminuí-la dependendo do receptor. Desequilíbrios nos sistemas de neurotransmissores estão na base de condições como ansiedade, depressão, epilepsia e demências O que faz uma molécula ser considerada um neurotransmissor? Existem três critérios básicos: 1. Síntese e armazenamento no neurônio pré-sináptico. 2. Liberação pelo terminal axonal sob estimulação. 3. Mimetismo sináptico, ou seja, a aplicação experimental da molécula deve produzir a mesma resposta que a liberação natural do transmissor Por que psicólogos precisam entender de neurotransmissores? A compreensão dos neurotransmissores é importante para entender as bases biológicas do comportamento, dos sintomas e dos mecanismos de ação dos psicofármacos. Pontos de atenção Interdependência: Nenhum sistema atua isolado. A memória (ACh/GLU) precisa de controle inibitório (GABA) para evitar "ruído". Flexibilidade Divergência: Um único neurotransmissor pode ativar vários subtipos de receptores e causar diferentes respostas Convergência: Múltiplos neurotransmissores podem convergir para afetar o mesmo sistema em uma única célula Farmacologia: A maioria dos psicofármacos visa restaurar o equilíbrio alterado (ex: aumentar GABA na ansiedade, inibir degradação de ACh na demência). Principais Classes de Neurotransmissores Sistema Colinérgico Formado pela Acetilcolina (ACh) Neurotransmissor da junção neuromuscular Sistemas Catecolaminérgicos Incluem Dopamina (DA), Noradrenalina (NA) e Adrenalina Sistema Serotoninérgico Inclui a Serotonina (5-HT) Regula o humor, comportamento emocional e sono Sistemas Aminoacidérgicos Inclui o Glutamato (Glu), GABA e Glicina (Gli) Glutamato: “Acelerador” FUNÇÃO PRINCIPAL RECEPTORES Principal mediador da transmissão excitatória rápida no cérebro. Fundamental para a plasticidade sináptica, processo celular base para aprendizagem e formação de memórias. AMPA: Transmissão rápida, responsável pela despolarização inicial rápida. NMDA: únicos e mais complexos, dependentes de voltagem. Glutamato: “Acelerador” EXITOTOXICIDADE O excesso de glutamato na fenda sináptica pode levar a superexcitação cerebral, que pode produzir convulções e morte o neurônio. Processo-chave em AVC e traumas. EAATs: Transportadores essenciais para prevenir neurotoxicidade A astroglia (células gliais) desempenha papel crucial removendo o excesso de glutamato da fenda. Glutamato: “Acelerador” APLICAÇÕES CLÍNICAS Doença de Alzheimer Em estágios avançados, há hiperativação glutamatérgica de fundo. A memantina atua bloqueando o receptor NMDA para reduzir o "ruído" excitatório e proteger neurônios. Esclerose Lateral (ELA) Falhas nos transportadores EAAT2 impedem a “limpeza” do glutamato, levando à morte de neurônios motores. O Riluzol reduz a liberação de glutamato para retardar a doença. Glicina FUNÇÃO PRINCIPAL Também é um aminoácido neurotransmissor, como o glutamato Principal neurotransmissor utilizado em interneurônios inibitórios da medula espinhal GABA: O “Freio” do Cérebro FUNÇÃO PRINCIPAL RECEPTORES IMPORTÂNCIA Principal neurotransmissor inibitório do encéfalo É sintetizado a partir do glutamato Reduz a excitabilidade neuronal em todo o sistema nervoso Atua como um "freio" para prevenir a atividade excessiva que pode levar à ansiedade ou convulsões. GABA-A: Ionotrópico (Rápido) causa hiperpolarização imediata GABA-B: Metabotrópico (Lento), acoplado à proteína G, prolonga ação. Cerca de 40% das sinapses utilizam GABA O equilíbrio entre GABA (inibição) e Glutamato (excitação) é fundamental para a homeostase cerebral. GABA: O “Freio” do Cérebro APLICAÇÕES CLÍNICAS Em transtornos de ansiedade, a atividade gabaérgica pode estar reduzida. Benzodiazepínicos potencializam a ação do GABA no receptor GABA-A, produzindo efeito calmante rápido Crises epilépticas envolvem hiperexcitabilidade. Fármacos antiepilépticos frequentemente aumentam a disponibilidade de GABA ou sua ação nos receptores para "frear" as descargas neuronais. GABA: O “Freio” do Cérebro APLICAÇÕES CLÍNICAS A ativação do GABA é essencial para o início e manutenção do sono. Medicamentos Benzodiazepínicos atuam seletivamente no receptor GABA-A, aumentando a frequência de abertura de receptores e barbitúricos aumentam a duração da abertura Acetilcolina FUNÇÃO PRINCIPAL RECEPTORES É o transmissor da junção neuromuscular, sintetizado por todos os neurônios motores da medula e do tronco encefálico Responsável pela contração ou relaxamento dos musculos dependento de seus recptores. O principal neurotransmissor do sistema ativador reticular que modula o alerta, o sono, a vigilia e outros aspectos da consciência, Nicotínicos: Ionotrópicos (Rápidos), junção neuromuscular e SNC, excitatórios. Muscarínicos: Metabotrópicos (Lentos), podem ser excitatórios ou inibitórios. PROCESSOS MENTAIS COMPLEXOS Envolvida em processo de aprendizagem, memória, sono e sonhos Acetilcolina APLICAÇÕES CLÍNICAS Doença de Alzheimer Caracterizada pela perda de neurônios colinérgicos no prosencéfalo basal. Inibidores da acetilcolinesterase aumentam a disponibilidade de ACh na sinapse, melhorando temporariamente a cognição. Doença autoimune Miastenia Gravis Anticorpos atacam os receptores nicotínicos na junção neuromuscular, causando fraqueza muscular grave. O tratamento foca em aumentar a ACh disponível para compensar a perda de receptores. Acetilcolina APLICAÇÕES CLÍNICAS Cognição e Atenção A ACh é crucial para a plasticidade sináptica no hipocampo (formação de memórias) e para a atenção sustentada mediada pelo córtex pré-frontal. Botox A toxina botulínica (botox) inibe a liberação de ACh resultando na paralisia muscular que pode levar a dificuldade de mastigação, respiração e até à morte. Característica GABA Glutamato Acetilcolina Função Principal Inibitório Reduz excitabilidade, "freio", ansiolítico natural. Excitatório Plasticidade sináptica (LTP), aprendizagem, "acelerador". Misto / Modulatório Atenção, memória, movimento muscular. Receptores Chave GABA-A (Cl-, rápido) GABA-B (K+/Ca2+, lento) NMDA (Ca2+, memória) AMPA (Na+, rápido) Nicotínicos (Ionotrópicos) Muscarínicos (Metabotrópicos) Implicações Clínicas Ansiedade, Epilepsia, Insônia. Excitotoxicidade, Alzheimer Alzheimer (AChE inhibitors) Resumo Comparativo Para além dos neurotramissores... Os neurotransmissores não são os únicos que influenciam o funcionamento do cérebro. O cérebro também é impactado por: Estado hormonal Estado nutricional Processos inflamatórios A interação entre vitaminas e hormônios influencia o humor e risco de transtornos mentais por vias neuroendócrinas, inflamatórias e de sinalização genética. Vitamina D A vitamina D atua como neuroesteróide com receptores cerebrais e está associada à regulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), o que pode alterar respostas ao estresse e sintomas psiquiátricos A vitamina D tem receptores no sistema límbico e regula expressão de genes ligados a monoaminas como serotonina, o que conecta estado de vitamina D a vias de humor A vitamina D estimula liberação de neurotrofinas e exerce efeitos antiinflamatórios e antioxidantes que podem proteger circuitos envolvidos em comportamento e cognição de processos neurodegenerativos Influencia a disponibilidade e sinalização de neurotransmissores e plasticidade sináptica, afetando funções cognitivas e comportamentais Vitamina B* As vitaminas do complexo B (folato, B6, B12) influenciam a disponibilidade de nutrientes essenciais para a função cerebral, sendo associadas a sintomas depressivos em populações com fatores hormonais Deficiências se associam à depressão, demência, psicose e outros transtornos neuropsiquiátricos Hormônios Várioshormônios e vitaminas atuam via receptores nucleares para regular transcrição gênica no cérebro, influenciando dopamina, serotonina e neurogênese hipocampal. A sinalização por hormônios nucleares (tireóide, vitamina D) pode modular genes comuns envolvidos em vias dopaminérgicas e serotoninérgicas e na neurogênese hipocampal, constituindo um ponto de convergência para vulnerabilidade psiquiátrica O estrógeno modula níveis de sinalização neuronal e sináptica, para ajustar disponibilidade de neurotransmissores, expressão de receptores e vias intracelulares, influenciando a excitabilidade neuronal, plasticidade sináptica, neurogénese e respostas de sobrevivência celular. Hormônios Como HORMÔNIOS modulam o SNC e o humor Estrogênio: neuroprotetor, aumenta neurogênese e sinapses, regula sistemas serotoninérgico, dopaminérgico e GABAérgico; flutuações e queda acentuada associam-se a maior risco de depressão e ansiedade Progesterona/progestágenos: modulam receptores no cérebro, sistemas de estresse e emoção; variações cíclicas contribuem para vulnerabilidades de humor em mulheres Cortisol: excesso ou padrão alterado de secreção em muitos transtornos (depressão grave, bipolar, risco de psicose) Hormônios tireoidianos: essenciais ao metabolismo e sobrevivência neuronal; disfunções tireoidianas se relacionam a depressão, demência e outras doenças do SNC REFERÊNCIAS FUENTES, Daniel; MALLOY-DINIZ, Leandro F.; CAMARGO, Cândida HP; e outros. Neuropsicologia . 2. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2014. E-book. Cap. 13. ISBN 9788582710562 GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd; HALPERN, Diane. Ciência psicológica . 5. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2018. E- book. pág.357. Cap. 9. 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Vitamins and Minerals for Energy, Fatigue and Cognition: A Narrative Review of the Biochemical and Clinical Evidence. Nutrients, 12(1), 228. https://doi.org/10.3390/nu12010228 https://doi.org/10.1016/bs.pmbts.2018.07.008 Ps ic ol og ia U ni su l Introdução à Pesquisa Ciêntífica Profa. Me. Raissa Lara Barros Cordeiro SciELO PubMed Google Scholar (com ressalvas) Lilacs Elsevier Bases de dados e busca estratégica PRINCIPAIS BASES DE DADOS Onde encontramos informação relevante, de qualidade, confiável e mais atual OUTRAS FONTES Livros, capítulos de livros, documentos Perplexity Consensus Scispace Usem com responsabilidade! Bases de dados e busca estratégica USANDO IAS CONFIÁVEIS NA BUSCA DE REFERÊNCIAS são conectivos lógicos usados para refinar pesquisas em bancos de dados, bibliotecas e mecanismos de busca Bases de dados e busca estratégica OTIMIZANDO AS BUSCAS COM OPERADORES BOOLEANOS Exemplo: Trabalho sobre “Como a neurociências explica a medo” BUSCA SIMPLES medo AND neurociências medo AND “cortex pré-frontal” medo AND neurobiologia PODEMOS JUNTAR TODOS medo AND (neurociências OR “cortex pré-frontal” OR neurobiologia) Bases de dados e busca estratégica OTIMIZANDO AS BUSCAS COM OPERADORES BOOLEANOS Psicologia, Neurociências e Cognição O que são os neurotransmissores? O que faz uma molécula ser considerada um neurotransmissor? Por que psicólogos precisam entender de neurotransmissores? Pontos de atenção Principais Classes de Neurotransmissores Sistema Colinérgico Sistema Serotoninérgico Sistemas Catecolaminérgicos Sistemas Aminoacidérgicos Glutamato: “Acelerador” FUNÇÃO PRINCIPAL RECEPTORES Glutamato: “Acelerador” EXITOTOXICIDADE Doença de Alzheimer Esclerose Lateral (ELA) Glicina FUNÇÃO PRINCIPAL GABA: O “Freio” do Cérebro FUNÇÃO PRINCIPAL RECEPTORES IMPORTÂNCIA GABA: O “Freio” do Cérebro APLICAÇÕES CLÍNICAS GABA: O “Freio” do Cérebro APLICAÇÕES CLÍNICAS Acetilcolina FUNÇÃO PRINCIPAL RECEPTORES PROCESSOS MENTAIS COMPLEXOS Acetilcolina APLICAÇÕES CLÍNICAS Acetilcolina APLICAÇÕES CLÍNICAS Resumo Comparativo Para além dos neurotramissores... Vitamina D Vitamina B* Hormônios Hormônios Como HORMÔNIOS modulam o SNC e o humor REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS Introdução à Pesquisa Ciêntífica Bases de dados e busca estratégica PRINCIPAIS BASES DE DADOS OUTRAS FONTES Bases de dados e busca estratégica USANDO IAS CONFIÁVEIS NA BUSCA DE REFERÊNCIAS Usem com responsabilidade! 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