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SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL CURSO DE HABILITAÇÃO TÉCNICA EM ENFERMAGEM DOCENTE: RICARDO AUGUSTO Processo de trabalho em Central de Materiais e Esterilização - CME SÃO PAULO – SP NOVEMBRO/2020 CME - CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO DEFINIÇÃO: • Unidade Funcional destinada ao processamento de produtos para utilizados nos serviços de saúde; (RDC nº 15, Março de 2012). • Unidade ou um serviço destinado à limpeza, preparo, esterilização, acondicionamento e distribuição dos produtos para a saúde adequadamente processados. (Brasil.Ministério da Saúde) Processos de Trabalho na CME • Limpeza, • Inspeção, • Seleção quanto a integridade e funcionalidade e ao acondicionamento em embalagens adequadas, • Distribuição dos produtos esterilizados as unidades consumidoras. RDC 50/2002 • Resolução ANVISA que estabelece as normas para instalações e ambientes de serviços de saúde. • Alterada em diversos pontos pela RDC307/2002 • Define que a Central de Material Esterilizado deve existir quando houver centro cirúrgico, obstétrico e/ou ambulatorial, hemodinâmica, emergência de alta complexidade e urgência. A unidade pode se localizar fora do estabelecimento de assistência à saúde. RDC 50/2002 - FLUXO Recepção de artigos Secagem Inspeção visual separação Atividades do CME - Receber, desinfetar e separar os artigos; Lavar os artigos; Receber as roupas vindas da lavanderia Preparar os artigos e roupas (em pacotes); Esterilizar os artigos e as roupas por meio de métodos físicos e/ou químicos; Realizar o controle microbiológico e de validade dos artigos esterilizados; Armazenar os artigos e as roupas esterilizadas; Zelar pela proteção e pela segurança da equipe de enfermagem Estabelecer protocolos de segurança, com supervisão constante. Registar os processos executados no setor. • Montagem de carros para cirurgia • Setor responsável por separar os materiais a serem utilizados em uma cirurgia. • Distribuição de materiais esterilizados • Setor responsável por distribuir materiais esterilizados para as Unidades de Internação e Ambulatórios. ESTRUTURA FÍSICA DA CME - Fluxo contínuo e unidirecional do artigo; Barreiras físicas entre as áreas; As paredes e pisos devem ser de material que suporte limpeza contínua e que não libere partículas; Recomenda-se o uso de pisos vinílicos por serem menos duros, de fácil conservação e limpeza. Classificação dos artigos médico-hospitalares • A classificação dos artigos deve ser feita levando-se em consideração o risco potencial de transmissão de infecção para o paciente, pois isto implica a decisão correta e mais econômica do processo a ser utilizado, tornando os materiais seguros para uso. • Crítico • Não-crítico • Semicrítico Artigos Não-críticos • São aqueles que entram em contato com a pele íntegra do paciente ou que não entram em contato direto. Processo: limpeza com água e sabão neutro ou álcool à 70% Artigos Semi-críticos • São aqueles que entram em contato com pele não-íntegra ou mucosa íntegra do paciente. Processo: desinfecção Artigos críticos • São aqueles que entram em contato com áreas estéreis do corpo. Processo: esterilização Área Limpa: Área de preparo Área de esterilização Área de armazenamento Distribuição RDC 50/2002 - Fluxo ESTERILIZAR ou DESINFETAR Depende da classificação da do artigo! Esterilização para artigos críticos Desinfecção para artigos semi-críticos Limpeza - Definição • Retirada da sujidade visível – orgânica e inorgânica – de um artigo e consequentemente, na retirada de sua carga microbiana. • A utilização de ação mecânica e de soluções adequadas aumenta a eficiência da limpeza. • Deve preceder a desinfecção ou a esterilização, pois a presença de matéria orgânica protege os microrganismos, tornando estas etapas ineficientes. CARACTERÍSTICAS DOS PRODUTOS DE LIMPEZA • Compostos por: • Enzimas • Surfactantes • Solubilizantes • Álcool isopropílico A combinação destes elementos remove a matéria orgânica em curto espaço de tempo (média 3 min.) Ação do Limpadores Enzimáticos Detergente Possibilita limpeza química rápida em locais de difícil acesso ou em lumens estreitos. Enzimas • Proteases • Amilases • Carboidrases • Lipases Decompõe a matéria orgânica aderida ao artigo, facilitando a remoção Os enzimáticos têm pH neutro, não corroem, são atóxicos e apresentam um enxágue simples. Detergentes e Desincrostantes • Produtos que contém, em sua formulação, um tensoativo para reduzir a tensão superficial da água e promover umectação, dispersão e suspensão das partículas. • São utilizados para artigos que irão sofrer limpeza por imersão. • Menos eficientes que os detergentes Enzimáticos, porém apresentam menor custo. • Indicados para artigos com pouca matéria orgânica. Métodos de limpeza de artigos • Limpeza manual • Limpeza mecânica Limpeza Manual É o processo executado por meio de fricção com escovas e do uso de soluções de limpeza. Limpeza Manual • Realizado com as mãos • Escova de variados tamanhos e formas • Bicos com jato d’água e jato de ar Limpeza mecânica • Desenvolvida por equipamentos, como por exemplo: – lavadora ultrassônica, – lavadora esterilizadora, – lavadora termodesinfetadora, – lavadora de descarga e – lavadora pasteurizadora. • O uso de máquinas reduz o risco de acidentes com material biológico. Termodesinfetadora • Desinfecção feita com água quente: combinação de tempo e temperatura. • Jatos de água sob pressão; • Turbilhonamento • Insumos • Parâmetros físicos Termodesinfetadora • Imersão em água quente. • Mecanismo que mantém a água em temperatura estável. • Cestos vazados. Pasteurizadora Lavadora ultrassônica https://www.youtube.com/watch?v=igWDZRYPvHE Lavadora ultrassônica: A limpeza é realizada por cavitação, ou seja, o som produz implosões de pequenas bolhas de vapor na superfície do artigo imerso. Há necessidade de troca constante da água e detergentes específicos para este processo. Áreas críticas dos artigos Articulações; • Ranhuras; • Lumens. Atenção Solução revitalizante • Remoção de manchas e oxidação • Enxaguar em água corrente para remoção total dos resíduos do produto Lubrificante • Mistura lubrificante não oleoso e não pegajoso • Atóxico e sem silicone • Compatível com agente esterilizante • Previne corrosão, manchas e enrijecimento do instrumental Segurança da Equipe • Uso de EPIs: máscara, óculos de proteção, luvas, protetor auditivo, avental e botas ou protetor para calçados. Segurança da Equipe • Prática de precaução padrão, principalmente a higienização das mãos. Garantia de Qualidade • Padronização e centralização dos processos • Equipe capacitada e treinada • Economia de tempo, pessoal e material • Controle de gastos • Investimento focalizado Desinfecção de artigos • Processo de eliminação e destruição de microrganismos, patogênicos ou não, em sua forma vegetativa, que estejam presentes no artigos e objetos inanimados, a partir de agentes físicos ou químicos, denominados desinfetantes ou germicidas. • Objetivo – Evitar a propagação dos focos de infecção de um paciente para outro. Tipos de Desinfecção • Desinfecção de alto nível • Desinfecção de nível intermediário (médio) • Desinfecção de baixo nível Desinfecção de Nível Alto Destrói todas as formas vegetativas, exceto os esporos. • O enxague de preferência com água estéril e a manipulação com técnica asséptica. Indicado para: – Lâminas de laringoscópio; – Equipamentos de terapia respiratória e de anestesia – Endoscópios de fibra flexível. Soluções para Desinfecção Alto Nível • Glutaraldeido • Ácido peracético • Ortoftalaldeido • Processo de pasteurização Desinfecção de Nível Intermediário • Açãovirucida e bactericida. Compostos utilizados: – Cloro – Fenólicos – Álcool Desinfecção de Baixo Nível • Ação bactericida e alguns fungos. Compostos utilizados: – Quaternário de amônia Métodos de desinfecção • Desinfecção por processo físico (agentes físicos) – Temperatura – Calor úmido – Pressão de jatos d’água com temperatura entre 60°C e 90°C durante 15 minutos (termodesinfetadoras) • Desinfecção por processo químico (produto químico) – Glutaraldeido 2% – Ortoftalaldeido (OPA) – Hipoclorito de sódio – Álcool – Ácido peracético – Compostos fenólicos Glutaraldeído • Bactericida; • Desinfetante de alto nível – concentração 2% • Período de exposição – 20 a 30 minutos • Excelente atividade antimicrobiana • Enxague abundante após imersão do artigo • Estável quimicamente por 14 dias ( age por 14 ou 28 dias) • Utilização de EPI • VANTAGEM: não produz corrosão de instrumentais, não altera componentes de borracha ou plástico; não corrosivo; • DESVANTAGEM: impregna matéria orgânica e pode ser retido por materiais porosos. Irritante de vias aéreas, ocular e cutânea. Depende das condições de uso: diluição, carga de matéria orgânica. Resistência da cepa de micobacteria . Neurotóxico, oftalmotóxico, Descarte de Glutaraldeído Fita reagente Glutaraldeido (Monitoramento) http://www.youtube.com/watch?v=wM3CeSr4gyQ Ácido Peracético • Desinfetante de alto nível – concentração 0,2% • Período de exposição – 5 a 10 minutos • Rápida atividade antimicrobiana • EPI VANTAGEM: pouco tóxico (água, acido acético e oxigênio). É efetivo na presença de matéria orgânica. Não deixa resíduos no material. • DESVANTAGEM: é instável quando diluído, corrosivo para metais (aço, bronze, latão, ferro galvanizado) Ortoftalaldeido (OPA) • ANVISA (2007-2008) • Atividade antimicrobiana excelente • Cor azulada e de pronto uso por 14 dias (frasco aberto 75 dias) • Odor suave • Maior eficiência para micobactéria se comparado com glutaraldeido • Concentração de uso: 0,55% • Temperatura ambiente. • Enxague abundante • Pode causar irritação em pele e olhos Compostos fenólicos • Desinfetante de nível médio ou intermediário – concentração 2 a 5% • Período de exposição – 20 a 30 minutos • EPI VANTAGEM: pouco afetados por matéria orgânica DESVANTAGEM: impregnam materiais porosos não sendo indicados para artigos que entrem em contato com o trato respiratório (borracha, látex). Contra indicados para uso em berços e incubadoras. Compostos clorados • Variadas concentrações • Forma líquida (hipoclorito de sódio) • Forma sólida (hipoclorito de cálcio) • EPI VANTAGEM: baixo custo, ação rápida, baixa toxicidade. DESVANTAGEM: difícil de ser validado, corrosivo para metais, inativado na presença de matéria orgânica, odor forte, irritante de mucosa. Álcool • Desinfetante de nível intermediário – álcool etílico a 70% • Utilizado para artigos e superfícies por meio de fricção (repetir a operação 3 vezes) VANTAGEM: ação rápida, fácil uso, baixo custo, compatível com metais. DESVANTAGEM: dilata e enrijece borracha e plástico, opacifica acrílico, danifica lentes e materiais com verniz, inflamável. Como selecionar um desinfetante? • Amplo espectro de ação antimicrobiana • Não ser corrosivo para metais • Não danificar artigos ou acessórios de borracha, plástico ou equipamento óticos • Sofrer pouca interferência de matéria orgânica • Possuir baixa toxicidade • Ser inodoro ou ter odor agradável • Ser compatível com sabões e detergentes • Ser estável quando concentrado ou diluído RDC 75/2008 O registro de produtos enquadrados nas categorias Esterilizantes e Desinfetantes Hospitalares para Artigos Semi-Críticos fica condicionado à apresentação de laudos de eficácia antimicrobiana frente às micobactéras Mycobacterium abscessus e Mycobacterium massiliense. Primeiro vamos embalar! Embalagens para Esterilização • OBJETIVO: • Vedar • Permitir o processo de esterilização do artigo nela contido; • Manter a esterilidade do mesmo até sua utilização. Requisitos para embalagens • Ser adequada ao item a ser esterilizado: • Permitir identificação do conteúdo; • Permitir registros quanto à validade, processo de esterilização e outras informações necessárias; • Permitir fechamento completo e seguro do item; • Proteger o conteúdo de dano físico; • Resistir à rasgos, perfurações e abrasões; • Não ter furos; • Ser atóxica; • Apresentar baixa liberação de fibras e partículas; • Permitir liberação do conteúdo sem contaminação (transferência asséptica); • Manter a esterilidades até que o pacote seja aberto. Requisitos para embalagens • Promover selagem íntegra; • Prover adequada barreira a líquidos e partículas; • Ser compatível com condições físico-químicas do processo de esterilização; • Permitir adequada remoção de ar; • Permitir penetração e remoção do agente esterilizante. • Apresentar relação custo e benefício positiva. Garantia da embalagem pelo produtor • É responsabilidade do produtor das embalagens assegurar que o produto atenda às especificações das normas estabelecidas: • ABNT • ISO • ANVISA • Órgãos internacionais (AORN) Tipos de Embalagens • Tecido de Algodão • Não tecido • Papéis (grau cirúrgico e crepado) • Filmes plásticos transparentes • Tyvek-Maylar • Associação de papel grau cirúrgico e filme plástico • Container (recipiente rígido) • Caixas • Vidros refratários Tecido – Algodão Cru Duplo • Barreira microbiana somente se: • 40 fios por cm2 (Secretaria do Estado de SP) • Campo duplo em sarja (ABNT 14028): • Tecido : sarja 3x1 e espessura (mm) 0,50 • Qualificar o tecido é difícil • Repelência a líquido; • Fibras quebradas; • Mais vulnerável a contaminação (>tempo, >risco) Tecido – cuidados • Lavar antes do primeiro uso para retirar o amido; • Manter em temperatura ambiente (18°C a 22°C) e umidade relativa variando entre 35% e 70% por duas horas antes da esterilização. • Realizar testes frequentes de permeabilidade com água, comparando o tempos de vazamento a partir do obtido no primeiro uso; • Observar frequentemente as condições de desgaste e de manutenção de integridade (furos, remendos e cerzidos NUNCA) • Estabelecer, a partir destes parâmetros, uma quantidade máxima de reprocessamento do mesmo. Embalagem Não Tecido • É uma estrutura plana, flexível e porosa, constituída de véu ou manta de fibras ou filamentos. Embalagem Não Tecido • COMPOSIÇÃO: • Celulose; algodão; poliéster; polipropileno; nylon; rayon ou combinação destas fibras. • VANTAGEM: • Baixa inflamabilidade, excelente barreira antimicrobiana, facilidade de amoldar-se ao formato do artigo. • Compatível com todos os processo gasosos de esterilização • DESVANTAGEM: • Pode RASGAR pois tem menor resistência mecânica; • Ausência total de memória, dificultando o processo de embalar; • Pequenas rupturas são dificilmente visualizadas por conta da característica da manta Tecido algodão TNT Papéis • Não deve utilizar: • Papel manilha • Kraft • Papel Toalha • Papeis com superfície e massa irregular • Papel contendo amido e corante. Toalha Manilha Kraft Papel grau cirúrgico • Permeável ao vapor, óxido de etileno e formaldeido; • Impermeável ao microrganismo; • Especificações técnicas da ABNT: • Resistência à tração e perfuração; • Poros de 0,22u de diâmetro; • pH entre 6 e 7 • Quantidade máxima de amido 1,5%; Papel Crepado • Resistente a temperaturas até 150°C por 1 hora; • É penetrado facilmente pelo vapor, óxido de etileno e formaldeído a baixa temperatura; • Gera odor desagradável quando aquecido; • Tem memória extensa, dificultando a abertura, mantendo vincos e linhas de dobra; • Melhor barreira bacteriana que os produtos têxteis; • Prejudicado facilmente pela umidade, porém seca rápido, fazendo com que as embalagens esterilizadas contaminadas com umidade possam não ser detectadas. (existem papéis tratados que evitam esteproblema) Filme Plástico Transparente • Possibilita a visualização do produto nele contido; • Alta resistência; • Alto poder de filtragem microbiana; • A variada diversidade de filmes (poliamida, poliéster, polietileno, polipropileno, etc) tem uma variada permeabilidade aos agentes esterilizantes e propriedades diversificadas de selagem. Tyvek-Maylar • Tyvek – composto de fibras de polipropileno de alta densidade. • Maylar – filme de poliéster com camada termoselante de polipropileno. • Alta barreira microbiana; • Alta resistência mecânica; • Não solta fibras; • Alta resistência à água; • Flexível, atóxico, incinerável,; • Indicado para processos de esterilização a baixa temperatura e vapor com temperatura entre 120°C e 126°C; • Alto custo • Usualmente utilizadas em indústria. Associação papel grau cirúrgico e filme plástico • São as mais utilizadas para artigos médico-hospitalares; • Compatível com esterilização a vapor e óxido de etileno. NÃO compatível com plasma de peróxido de hidrogênio por conta da celulose do papel; Caixas Perfuradas • Inox, utilizadas para acondicionar instrumentais; • Permite a penetração do vapor. Vidros • Indicados para esterilização de líquidos; • Podem ser utilizados em autoclave; • Devem ser resistentes às altas temperaturas e possuir tampa que impeça a recontaminação do conteúdo. Container – Recipiente rígido de esterilização • Podem ser de alumínio, aço inoxidável ou plástico resistente a alta temperatura. Container – Recipiente rígido de esterilização • FINALIDADE: • Estocagem de material por várias semanas; • Manutenção da esterilidade durante transporte; • Evitar contaminação do meio ambiente; • Economizar espaço de armazenamento; • Facilita a codificação dos materiais segundo disciplinas cirúrgicas através de etiquetas coloridas. Indicação de embalagens de acordo com os métodos de esterilização. Tipo de embalagem Calor úmido Óxido de etileno Plasma de peróxido de hidrogênio Caixa Metálica N N N Caixa Metálica com furos S S S Container S N S Não tecido S S S Papel crepado S S N Papel grau cirúrgico S S N Tecido de algodão S N N Tyvek N S S SELAGEM • Importante processo pois garante a esterilidade do material dentro da embalagem, pois promove o fechamento hermético da embalagem. • O tempo de solda varia entre 5 e 8 segundos; • A temperatura entre 90°C e 200°C; • Largura de 10mm, podendo ser simples, dupla ou até tripla, distante 3 cm da borda, sem queimar ou enrugar a área. ESTERILIZAÇÃO • FATORES QUE AFETAM SUA EFICIÊNCIA • Materiais com múltiplas peças – precisam ser desmontados; • Presença de matéria orgânica; • Tempo de exposição ESTERILIZAÇÃO • Vapor saturado sob pressão; • Gás Óxido de Etileno (ETO) • Plasma de Peróxido de Hidrogênio ESTERILIZAÇÃO POR VAPOR SATURADO • A condensação acarreta liberação de calor latente, precipitação da umidade, penetração em materiais poroso, aquecimento rápido e coagulação de proteínas. Passo a passo • Carregar a autoclave; • Drenar o ar na câmara de esterilização; • Admissão do vapor e exposição dos artigos; • Secagem da carga • O período de exposição compreende 3 tempos: • Tempo de penetração do vapor =Atingir a temperatura da câmara • Tempo de esterilização =Tempo necessário para destruição • Tempo de confiança = Tempo de exposição a mais por segurança Equipamentos • Autoclave gravitacional (saída do ar por gravidade): o ar frio sai por um dispositivo no compartimento inferior da autoclave a medida que o vapor vai entrando. • Autoclave pré-vácuo (saída do ar por ação mecânica – alto vácuo ou pulsos de pressurização): o ar a partir de bomba de sucção formando-se o vácuo. Quando o vapor entra penetra instantaneamente nos pacotes, o que torna este equipamento mais eficaz e eficiente. Disposição dos artigos dentro da câmara • O vapor deve fluir por todos os pacotes; • Material de superfície, como bandeja, não pode ser colocado sobre outros pacotes; • Deve ter um espaço entre 2 cm e 5cm entre os pacotes e a parede da autoclave; • Os pacotes maiores devem ser colocados na parte inferior da câmara; • Artigos côncavos (bacias, jarros, etc) deve ter sua abertura para baixo (“boca a baixo”); • A utilização de cestos facilita a organização dos pacotes. Embalagem para vapor saturado • Papel grau cirúrgico • Papel grau cirúrgico com filme • Papel crepado • Tecido • Tyvec ESTERILIZAÇÃO ULTRA-RÁPIDA (FLASH) - 12MIN 135°C • Considerado um processo de esterilização de emergência, para artigos de uso único, inadvertidamente contaminados (queda da mesa cirúrgica). • A Associação para os Avanços dos Instrumentais Cirúrgicos (AAMI) e a ANVISA definem flash: o processo designado para a esterilização a vapor de itens para o cuidado do paciente para uso imediato. • O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças)e a ANVISA não indicam este método por razões de conveniência ou como alternativa para economizar tempo ou reduzir o inventário de instrumentais cirúrgicos. Principalmente em dispositivos implantáveis. Falhas mais comuns no processo de esterilização por vapor • Limpeza inadequada dos artigos a serem esterilizados; • Utilização de embalagens incompatíveis com o processo de esterilização a vapor; • Drenagem de ar dentro da câmara e do interior dos pacotes de maneira insuficiente; • Tempo de exposição ao vapor insuficiente; • Secagem da carga deficiente; • Pacotes muito grandes ou dispostos muito apertados ou encostados uns aos outros. ESTERILIZAÇÃO POR PLASMA DE PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO • O Peróxido de hidrogênio em forma de plasma, é gerado do vapor de peróxido de hidrogênio numa câmara de vácuo pela aplicação de ondas de rádio resultando em radicais livres reativos que matam os microrganismos incluindo esporos. Processo de Esterilização • TEMPERATURA: • Entre 45°C e 50°C • TEMPO: • Entre 45 min e 72min, dependendo do equipamento Etapas do processo de Esterilização • 1. vácuo • 2. injeção da solução líquida de peróxido de hidrogênio, que evaporará por conta da pressão da câmara; • 3. o gás de peróxido é difundido por toda a câmara; e uma reação eletromagnética desencadeia a formação do plasma • 4. impregnação do artigo pelo plasma e esterilização. Controle do Processo de Esterilização • Indicadores biológicos: • B. subtilis • Os indicadores devem ser distribuídos pelo interior do equipamento, principalmente no fundo das prateleiras, paredes proximais, porta e interior da carga; • Realizar, no mínimo, 1x por semana • Indicadores químicos: • Indica que o nível de plasma foi suficiente para promover a alteração da cor, não garantindo, no entanto que a esterilização foi efetiva. Vantagens e Desvantagens • Alto custo do equipamento, dos insumos e dos indicadores; • Limitada difusibilidade pois é efetivo para artigos com lúmem ou canalículos até 31 cm de comprimento; • É incompatível com celulose, então embalagens como tecido, papel grau cirúrgico ou crepado não podem ser utilizados, necessitando então do uso do Tyvek e polipropileno; ESTERILIZAÇÃO POR ÓXIDO DE ETILENO • Amplamente utilizado para artigos termo-sensíveis e para a reutilização de produtos de uso único (“visualização” de vantagens econômicas). INDICADORES • Controle químico: • Classe 1: Indicador do processo; (tiras que mudam de cor por serem sensíveis ao contato com o ETO) • Classe 5: Indicador de esterilização (integrador); (tira sensível ao ETO, à temperatura, ao tempo e à umidade, modificando sua cor) EMBALAGEM • Filme plástico com papel grau cirúrgico; • Papel grau cirúrgico; • Filme plástico com Tyvek • Tyvek • Não tecido 100% polipropileno CONTROLE DA ESTERILIZAÇÃO • Indicadores físicos • Indicadores químicos • Testes biológicos Indicadores Físicos • Observação dos parâmetros: • Leitura de temperatura; • Leitura da pressão Indicadores Químicos • Dispositivo para monitoramento do processode esterilização projetado para responder com uma característica física ou química a mudança de uma ou mais condições físicas dentro da câmara de esterilização. • TIRAS DE PAPEL impregnadas em tinta termocrômica que mudam de cor quando expostas com tempo e temperatura. Classes de Indicadores Químicos (ISO 11140) • Classe 1: indica se passou ou não pelo processo. Deve ser colocado na parte externa do pacote. Classes de Indicadores Químicos (ISO 11140) • Classe 2: indicador para uso específico – teste de Bowie-Dick. • AVALIA a eficiência da bomba de VÁCUO, presença de vazamento de ar ou de gases de vapor. • Deve ser utilizado antes da primeira carga, diariamente. • O teste deve ser colocado no meio do pacote de campos. • Ciclo de 3,5-4 min a 134°C Classes de Indicadores Químicos (ISO 11140) • Classe 3: indicador de parâmetro único: TEMPERATURA Classes de Indicadores Químicos (ISO 11140) • Classe 4: indicador de MULTIPARAMETRO: responde a 2 ou mais parâmetros, porém somente uma temperatura determinada, que geralmente está especificada no indicador. Classes de Indicadores Químicos (ISO 11140) • Classe 5: indicador de INTEGRAÇÃO: responde a todos os parâmetros de esterilização, dentro de uma faixa específica de temperatura de esterilização Classes de Indicadores Químicos (ISO 11140) • Classe 6: Simulador • Verifica um determinado ciclo específico da esterilização. INDICADORES BIOLÓGICOS • É uma preparação padronizada de esporos bacterianos preparados, pois os microrganismos são diretamente testados após a aplicação do processo. • TIPOS: • Indicador de 1ª geração; • Indicador de 2ª geração; • Indicador de 3ª geração. Indicador de 1ª geração • Tiras de papel impregnadas com esporos contidos em um envelope de papel de seda ou ampola. Colocado no meio do pacote para processamento e depois enviado ao laboratório que retirará a tira de forma asséptica e a inoculará em meio de cultura, com leitura após 7 dias. Indicador de 2ª geração • Autocontido, onde a tira ou disco com os esporos é acondicionada em uma ampola separada do meio de cultura. • Após o processo, a ampola é quebrada e o meio entra em contato com os esporos. • Deve ser encubado por 48h à 56°C. • A leitura é feita pela mudança da cor, caso seja positivo crescimento microbiano. Indicador de 3ª geração • Autocontido, como os de 2ª geração, porém a diferença está na metodologia para detectar o crescimento bacteriano. • Após a esterilização, o IB deve ser incubado entre 1 a 3 horas a 56°C e em seguida exposto a luz ultravioleta. • Ausência de fluorescência indica condições adequadas da esterilização. Atenção para os Cuidados. • Identificação do pacote com: • Nome do artigo; • Data de esterilização; • Nome do funcionário que acondicionou o artigo • Número da autoclave que será esterilizado • Data da validade de esterilização • Número de Lote • Colocar a identificação na parte plástica do pacote; • Acondicionamento dos pacotes, um a um, se possível em posição vertical, sendo papel voltado para papel e plástico para plástico; Armazenagem, tempo de esterilização Todo material processado deve possuir local adequado para armazenagem de forma que não haja risco de recontaminação e que facilite a distribuição. O prazo de validade de esterilização está diretamente relacionado à qualidade da embalagem e condições de armazenagem. ARMAZENAGEM E DISTRIBUIÇÃO DOS ARTIGOS • Tão importante quanto o processo de esterilização e desinfecção, é garantir que o artigo mantenha a qualidade até seu uso. • Para isso, a área de armazenamento deve ser limpa, em local de pouca circulação de pessoas. • Deve se manter a temperatura de 18 a 24ºC constantemente, e o manuseio dos artigos deve ser feito somente se necessário. Validação das embalagens- Vida de prateleira depende dos eventos relacionados Houve algum evento que agrediu a embalagem? Caiu no chão? Foi “apalpado”? Foi aberto e fechado novamente? Foi carregado debaixo dos braços? Foi colocado elásticos, barbante? Foi “amassado” colocando pesos ou guardados em gavetas apertadas? Indefinido tempo de esterilização? Referências • RDC 15/2012 • RDC 50/2012 • Ministério da Saúde -Processamento de Artigos e Superfícies em Estabelecimentos de Saúde . • Sobecc/2017 –Recomendações para CME. • Esterilização e medidas de biossegurança- Marcondes, Marilucia Moreira Silva; Montanari, Daniele Cristina Polotto- Editora SENAC São Paulo - 2018