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## Resumo sobre Mascaramento AuditivoO **mascaramento auditivo** é um procedimento fundamental na avaliação audiológica, especialmente em casos de perda auditiva unilateral ou assimétrica. Ele consiste na elevação artificial do limiar auditivo da orelha não testada (ONT) para evitar que esta interfira nas respostas da orelha que se deseja avaliar (orelha testada - OT). Em outras palavras, o mascaramento ocorre quando o limiar auditivo para um som é aumentado pela presença de outro som, chamado ruído mascarante, que "mascara" ou impede que a orelha não testada responda ao estímulo sonoro.### Quando e como usar o mascaramentoO mascaramento deve ser utilizado com critério, apenas quando realmente necessário, para garantir a precisão dos resultados audiométricos. Ele pode ser aplicado de duas formas principais:- **Mascaramento ipsilateral:** o sinal de teste e o ruído mascarante são apresentados na mesma orelha. Esse tipo está relacionado ao processamento auditivo local.- **Mascaramento contralateral:** o sinal de teste é apresentado em uma orelha, enquanto o ruído mascarante é aplicado na orelha oposta.A escolha do tipo e do nível do ruído mascarante depende de várias variáveis, conforme Studebaker (1979), tais como o nível do sinal de teste, a diferença entre os limiares auditivos das orelhas (VA e VO), o efeito de oclusão e a efetividade do ruído mascarante.### Efeito de oclusão e atenuação interauralO **efeito de oclusão** ocorre quando a orelha média está ocluída, causando um aumento do nível de pressão sonora (NPS) em direção à cóclea, o que pode melhorar as respostas da orelha não testada (VO) durante o mascaramento. Esse efeito é especialmente relevante quando o mascaramento é aplicado na orelha não testada.A **atenuação interaural** refere-se à redução do som que atravessa de uma orelha para a outra, podendo ocorrer por via aérea ou óssea:- **Via aérea:** com fones supra-aurais (como o TDH), a atenuação média é de aproximadamente 40 dB, podendo variar entre 40 e 80 dB. Essa variação é significativa, por isso recomenda-se usar o valor mínimo (40 dB) para garantir a precisão dos limiares tonais.- **Via óssea:** a atenuação é praticamente nula (0 dB), pois o vibrador ósseo transmite o som diretamente para ambas as cócleas, dificultando o mascaramento via óssea.Os valores médios de atenuação interaural via aérea variam conforme a frequência, com valores típicos entre 35 e 50 dB, aumentando em frequências mais altas (exemplo: 35 dB em 125 Hz e 50 dB em 4000 Hz).### Ruídos mascarantes e níveis de mascaramentoExistem diferentes tipos de ruídos usados para mascaramento, cada um com características específicas:- **White noise (ruído branco):** sinal de banda larga que cobre todas as frequências com intensidade aproximadamente igual.- **Pink noise (ruído rosa):** ruído branco filtrado para enfatizar algumas frequências específicas.- **Narrow band noise (ruído de banda estreita):** ruído centrado em uma frequência próxima à do tom puro testado, sendo o mais eficiente para mascaramento.- **Speech noise (ruído de fala):** ruído que simula o espectro de longo termo da fala, usado para mascarar sons relacionados à fala.O nível do mascaramento deve ser cuidadosamente ajustado para ser eficaz, mas sem causar desconforto ou interferir indevidamente na avaliação. O nível mínimo de mascaramento é aquele que é suficiente para elevar o limiar da orelha não testada, geralmente 10 dB acima do limiar da ONT. O nível ideal ou efetivo é cerca de 15 dB acima do limiar da ONT, garantindo que o mascaramento seja suficiente para evitar a interferência da orelha não testada.Por exemplo, se o limiar da orelha não testada (ONT) é 10 dB, o mascaramento deve começar em 25 dB (10 dB + 15 dB). Se o paciente responde ao estímulo na orelha testada (OT) com o mascaramento em 25 dB, o nível do mascaramento pode ser aumentado em incrementos de 10 dB até que o limiar real da OT seja determinado.### Aplicação prática do mascaramentoUm caso prático ilustrativo é quando a diferença entre os limiares auditivos das orelhas é igual ou superior à atenuação interaural (AI), que é considerada como 40 dB para via aérea. Por exemplo, se a orelha testada (OT) tem um limiar de 65 dB e a orelha não testada (ONT) tem 15 dB, a diferença é de 50 dB, que é maior que a AI de 40 dB, indicando a necessidade de mascaramento para evitar que a orelha não testada responda ao estímulo.Além disso, para a avaliação da fala, a atenuação interaural é menor do que para tons puros, pois a detecção do som pode ocorrer em intensidades inferiores ao reconhecimento da fala. Assim, para limiares de detecção de fala (LDF ou SDT), recomenda-se usar valores de atenuação de 35 a 40 dB, enquanto para reconhecimento de fala (LRF, SRT ou IRF), valores em torno de 45 dB são indicados.---## Destaques- O mascaramento eleva artificialmente o limiar auditivo da orelha não testada para evitar interferência na orelha testada.- Deve ser usado principalmente em casos de perda auditiva unilateral ou assimétrica, e apenas quando necessário.- Existem mascaramentos ipsilateral e contralateral, com diferentes aplicações e efeitos.- A atenuação interaural varia conforme a via (aérea ou óssea) e a frequência, sendo crucial para determinar o nível de mascaramento.- Ruídos mascarantes podem ser branco, rosa, de banda estreita ou de fala, cada um com características específicas para diferentes situações.- O nível ideal de mascaramento é cerca de 15 dB acima do limiar da orelha não testada para garantir a precisão da avaliação auditiva.