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FISIOLOGIA CARDIOVASCULAR E HEMODINÂMICA 
I. Dinâmica de Fluxo e o Número de Reynolds 
 
O fluxo sanguíneo no sistema circulatório é predominantemente laminar (organizado em 
camadas), porém pode tornar-se turbulento sob condições específicas. A transição entre 
esses estados é determinada pelo Número de Reynolds (Re), uma equação adimensional 
que correlaciona raio, velocidade e densidade do fluido, divididos pela viscosidade. 
Parâmetros e Limites de Reynolds 
 
● Laminar: Re 3000. O fluxo produz ruído (sons de Korotkoff ou sopros 
cardíacos). 
Causas e Consequências da Turbulência 
 
A turbulência é gerada por bifurcações de vasos, curvaturas acentuadas (como o arco da 
aorta) ou obstruções (ateromas e tumores). Patologicamente, a redução do raio em uma 
estenose aumenta drasticamente a velocidade do fluxo, elevando o número de Reynolds. 
 
● Atrito e Resistência: O fluxo turbulento dissipa mais energia, aumentando a 
resistência e a pressão a montante da obstrução. 
● Lesão Endotelial: A turbulência gera estresse de cisalhamento, podendo lesionar o 
endotélio e expor proteínas subendoteliais, o que ativa plaquetas e inicia processos de 
coagulação e formação de trombos. 
 
II. Resistência Vascular e a Lei de Poiseuille 
 
A resistência é a oposição à passagem do fluxo e resulta do atrito entre os elementos do 
fluido e a parede do vaso. O modelo matemático de Jean Poiseuille (1845) define os 
determinantes da resistência (R): 
 
Parâmetro Relação com a 
Resistência 
Observação Fisiológica 
Comprimento Diretamente Proporcional Pouco variável no adulto 
(muda apenas no 
crescimento). 
Viscosidade Diretamente Proporcional Mantida estável por 
sistemas funcionais; 
raramente muda 
abruptamente. 
 
Raio Inversamente Proporcional Principal fator de 
controle. Pequenas 
mudanças no raio geram 
grandes variações no fluxo. 
 
Redistribuição de Fluxo 
 
O sistema cardiovascular não apenas distribui, mas redistribui o fluxo sanguíneo. Durante 
o exercício físico, metabólitos (lactato, potássio, CO2 ) promovem o relaxamento da 
musculatura lisa das arteríolas nos músculos em atividade. Essa vasodilatação aumenta o 
raio, reduz drasticamente a resistência local e eleva o fluxo sem a necessidade de grandes 
aumentos na pressão arterial sistêmica. 
III. Organização de Circuitos: Série vs. Paralelo 
 
A resistência total de um órgão ou sistema depende de como seus vasos estão organizados. 
 
● Resistência em Série: Os vasos estão dispostos um após o outro. A resistência 
total é a soma das resistências individuais (R total: R1 + R2 + …). 
● Resistência em Paralelo: O fluxo divide-se em múltiplas vias simultâneas. A 
condutância total aumenta com o número de vias. No sistema cardiovascular, a 
organização em paralelo é uma vantagem crítica: a resistência total de um leito em 
paralelo é significativamente menor do que a resistência de qualquer vaso individual. 
- Exemplo: Um único capilar possui resistência 200 vezes maior que uma arteríola 
devido ao seu raio ínfimo, mas o leito capilar total possui resistência baixíssima 
por estar organizado em paralelo e possuir um comprimento reduzido. 
 
IV. Morfologia e Função Vascular 
 
A estrutura da parede do vaso determina sua função hemodinâmica. Existe uma gradação na 
relação parede/lúmen ao longo do circuito arterial. 
 
● Artérias de Conduta (ex: Aorta): Possuem alto raio e paredes ricas em fibras 
elásticas. Sua função principal é conduzir o sangue e amortecer a pulsatilidade. A 
relação parede/lúmen é baixa (abaixo de 1). 
● Arteríolas (Vasos de Resistência): Possuem a maior proporção de músculo liso 
em relação ao lúmen (relação parede/lúmen acima de 1). Essa característica 
confere-lhes uma capacidade superior de contração e relaxamento, tornando-as as 
guardiãs da resistência periférica total. 
● Capilares (Vasos de Troca): Não possuem músculo liso, sendo compostos apenas 
por endotélio e membrana basal. O fluxo ocorre em "fila indiana", o que reduz a 
viscosidade efetiva e facilita as trocas. 
● Veias (Vasos de Capacitância): Possuem alta complacência (capacidade de se 
deformar sob pressão) e capacitância (capacidade volumétrica), armazenando 
cerca de 70% do volume sanguíneo total. 
 
 
V. Dinâmica da Pressão Arterial 
 
A pressão é a força exercida pelo sangue contra a parede do vaso. No sistema cardiovascular, 
ela é medida em milímetros de mercúrio (mmHg) devido à alta densidade deste metal (13,6 
vezes maior que a da água), o que permite o uso de colunas de medição compactas. 
Parâmetros de Pressão 
- Pressão Sistólica: Pico máximo durante a ejeção ventricular. 
- Pressão Diastólica: Nível mínimo durante o relaxamento ventricular. 
- Pressão de Pulso: Diferença entre a sistólica e a diastólica (ex: 120 - 80 = 40 
mmHg). 
- Pressão Arterial Média (PAM): Representa a pressão média ao longo do tempo. 
Como a diástole dura o dobro da sístole, a fórmula é: PAM = P sistólica + (2 x P 
diastólica) 
A Relação Pressão-Débito 
 
O débito cardíaco (fluxo total) é o mesmo para as circulações sistêmica e pulmonar. No 
entanto, a pressão média na circulação sistêmica é de aproximadamente 95 mmHg, 
enquanto na pulmonar é de apenas 15 mmHg. Isso demonstra que o débito cardíaco não 
é determinado apenas pela pressão , mas pela interação entre pressão e resistência. O 
circuito pulmonar exige menos pressão porque oferece uma resistência significativamente 
menor. 
VI. Aplicações Clínicas e Diagnósticas 
 
● Sopros Cardíacos: Alterações nas válvulas (estenose ou insuficiência/regurgitação) 
geram fluxos turbulentos e ruídos característicos. 
- Estenose Aórtica: Sopros sistólicos (dificuldade de abertura na sístole). 
- Insuficiência Mitral: Sopros sistólicos (falha no fechamento durante a sístole, 
permitindo refluxo para o átrio). 
● Medição de Pressão: O método do manguito utiliza a criação de uma turbulência 
artificial para gerar ruídos (Korotkoff) que permitem identificar as pressões sistólica 
e diastólica. A calibração constante é essencial para garantir a precisão em relação à 
pressão atmosférica de referência (760 mmHg ao nível do mar). 
 
	FISIOLOGIA CARDIOVASCULAR E HEMODINÂMICA 
	I.​Dinâmica de Fluxo e o Número de Reynolds 
	Parâmetros e Limites de Reynolds 
	Causas e Consequências da Turbulência 
	II.​Resistência Vascular e a Lei de Poiseuille 
	Redistribuição de Fluxo 
	III.​Organização de Circuitos: Série vs. Paralelo 
	IV.​Morfologia e Função Vascular 
	V.​Dinâmica da Pressão Arterial 
	Parâmetros de Pressão 
	A Relação Pressão-Débito 
	VI.​Aplicações Clínicas e Diagnósticas

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